Apesar
dos problemas, os representantes do setor agropecuário acreditam
que a produção de leite é a grande vocação
do Ceará. "Não se fala em pecuária de
corte aqui", afirma o presidente da Federação
da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec),
José Ramos Torres de Melo. Para ele, regiões de clima
árido de todo o mundo têm-se destacado como grande
produtoras leiteiras e o Ceará só precisa lidar melhor
com a estiagem para passar a fazer parte desse grupo. "O gado
daqui come mal porque os produtores não aproveitam o período
de chuva para estocar a pastagem, como acontece em outros países",
avalia.
Flávio
Sabóia, presidente da Associação dos Criadores
do Ceará, informa que uma das apostas para mudar a realidade
do setor leiteiro cearense, esse ano, é o programa Empreendedor
Rural. Resultado de uma parceria entre o Serviço Nacional
de Aprendizagem Rural (Senar) e o Serviço de Apoio à
Pequena Empresa no Paraná (Sebrae), ele deve investir aproximadamente
R$ 900 mil em capacitação para produtores de 33
municípios do Estado. "Falta profissionalismo na cadeia.
E eles também são muito arredios a mudanças
estruturais. O programa vai tentar mudar isso", diz.
Um dado importante
em relação à produção de leite
é que a atividade é uma grande geradora de empregos.
De acordo com Paulo Martins, só nas propriedades onde o
gado leiteiro é criado, trabalham hoje, em todo o Brasil,
cerca de três milhões de pessoas. No Ceará,
estima-se que cada pequeno empreendimento empregue, em média,
três pessoas.
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