J
osé Ribamar Marques
Saibam os senhores, que a melhor maneira de manter o homem no campo,
alegre e produtivo, é proporcionando-lhe uma melhor qualidade
de vida
Os agricultores/pecuaristas
cearenses, na sua grandiosa maioria, não dispõem dos
recursos necessários para exercerem suas atividades agropecuárias
com sucesso. Estão acostumados a mendigarem favores aos governos
constituídos, quer seja através de subsídios,
perdão de dividas ou outros, que os tornam dependentes de
um sistema arcaico de tutelamento.
São fracassados em suas atividades rurais. Não
sabem produzir, administrar e comercializar dentro dos mais modernos
parâmetros da administração rural. Ficam dependentes
de um sistema escravocrata, que nunca se preocupou em ensinar-lhes
o ¨caminho das pedras¨. Que em vez de proporcionar-lhes
o conhecimento justo e necessário, ficavam subsidiando
atividades improdutivas, levando-os a subserviência econômica.
Em geral, dedicam-se exclusivamente a produção,
que exige muito trabalho e produzem pouco lucro, expondo-os a
constantes riscos. É segundo Polan Laick, a etapa pobre
do agro negocio, onde seus custos de produção são
demasiadamente altos, e os preços de venda de seus produtos,
demasiadamente baixos.
Cabe ao estado, como gestor, implantar políticas que garantam
ao produtor rural, a estabilidade produtiva, assegurando-lhes
meios de administração, produção e
comercialização, para que os mesmos possam mudar
a forma arcaica ate hoje empregada. Tem o governo por obrigação,
mapear as regiões produtoras, identificando-as de acordo
com suas aptidões produtivas e incentivar a produção
de cada uma.
Por que não preparar os agropecuaristas com cursos, qualificação
e aprimoramentos dos métodos gerenciais? Por que não
levar-lhes os conhecimentos de novas tecnologias produtivas? Por
que não torná-los eficientes produtores rurais?
A quem interessa a manutenção da ignorância
e da pobreza rural?
Por que não substituir os sistemas milenares de preparação
e cultivo do solo? Por que se pastoreiam rebanhos com a mesma
técnica usada há três mil anos atrás?
Por que não se usa irrigação localizada,
analise e correção de solos, rotação
de culturas, sementes selecionadas, rebanhos geneticamente melhorados?
Por que não fazer o mapeamento das áreas agricultáveis?
Por que em vez de se distribuir favores, não se oferta
conhecimento?
Por que rebanhos bovinos geneticamente de baixa qualidade, com
uma produtividade perto de zero e uma rentabilidade insignificante,
não são substituídos por ovino-caprinos,
muito mais adaptáveis a estas regiões?
Alguns dirão que estamos situados numa região ciclicamente
sujeita as intempéries climáticas. E, daí,
pergunto eu? Israel está localizado num deserto, e possui
a mais moderna agricultura irrigada do mundo, Almeiria, na Espanha
está localizada no Saara espanhol, e é o celeiro
de frutas e verduras da Europa. A Austrália tem condições
climáticas iguais ou piores que a nossa, e, no entanto
possui um dos maiores rebanhos ovinos do planeta.
Faltam às autoridades responsáveis pelo setor,
uma política de incentivos não monetários,
como uma maior distribuição de conhecimentos, e
uma assistência técnica de qualidade, tarefas estas,
que o estado pode e tem o dever de oferecer.
De parabéns a Faec, o Sebrae e o Senar pela iniciativa
louvável de trazer até nós o Programa Empreendedor
Rural, que abriu novos horizontes para os felizardos que concluíram
esta primeira etapa. Somos hoje, que queiramos ou não,
divulgadores desta nova ¨doutrina¨. Em nossos ombros pesa
a responsabilidade pela aplicação dos ensinamentos
recebidos, pela divulgação dos resultados e principalmente
pela disseminação dos ganhos obtidos com a aplicabilidade
das novas tecnologias.
As autoridades constituídas têm a obrigação
de dar continuidade a este programa, elas, somente elas, tem o
poder de alterar este sistema cruel, desumano e paternalista que
condena milhares e milhares de produtores rurais e seus descendentes,
a uma vida sem esperança, que os tornam dependentes de
favores e benesses governamentais.
Aos senhores gestores dos municípios agraciados com o
programa, usem os empreendedores aqui presentes, para que eles
sejam facilitadores em grupos, nas suas comunidades, para que
possam dividir com quem precisa os conhecimentos adquiridos, e
quem sabe um dia sejam vossos municípios referencia nacional,
como hoje o é o estado do Paraná.
Saibam os senhores, que a melhor maneira de manter o homem no
campo, alegre e produtivo, é proporcionando-lhe uma melhor
qualidade de vida, evitando-se a migração para os
centros urbanos e consequentemente sua favelizaçao.
Ao sistema Faec/Senar e ao Sebrae, comandados por homens de visão,
verdadeiros empreendedores, que enxergaram longe, uma sugestão:
façam, na medida do possível, a realização
dos próximos programas, nas áreas rurais, onde está
em grande quantidade à matéria prima necessária
e sedenta de conhecimentos.
José Ribamar Marques - Empreendedor rural
joseribamarm@hotmail.com