CLIPPING RURAL – CNA

BIOENERGIA

 

 

Biocombustíveis para os pobres 
Produção de cana deve crescer 11%, diz Conab 

Oito projetos para usinas de açúcar e álcool até 2011

Produção de H-Bio vai ser suspensa

Governo quer disciplinar avanço da cana

Gordura velha e sebo de boi viram artigo de luxo com biodiesel 

A nova fronteira do etanol

Vem aí a Alcoolbrás?

Plantio de cana avança no Norte do país

Antonio Delfim Netto: Malthusianismo 

Após atritos com Marina, Stephanes recua sobre cana

Marina admite cana na Amazônia

Soja encolhe, mas ainda é o carro-chefe

Demanda por álcool expande plantio da cana

Comissão sinaliza que a área de cana pode dobrar nas Américas

Oferta elevada derruba preço da cana

R$ 12,4 bilhões em bioenergia.

 

 

 

 

Folha de S. Paulo

31/08/2007

 

Opinião

Biocombustíveis para os pobres 

Um dos temas centraisserá como disciplinar o mercado internacional de bioenergia. Hoje cada país faz as próprias regras

  

José Graziano da Silva

 

 

O TÍTULO deste artigo remete a outro escrito pelo diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, publicado em 15 de agosto de 2007 no jornal "Financial Times" ("Biocombustíveis deveriam beneficiar os pobres, não os ricos"). A frase resume a visão da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação sobre os biocombustíveis e aponta em que direção vai o seu esforço. Um esforço que não pode ser só da FAO.

 

Por isso, em seu artigo, Diouf convocou a realização de uma conferência mundial para debater a bioenergia. O presidente Lula será um dos muitos chefes de Estado -o esforço deve incluir também autoridades públicas, acadêmicos e toda a sociedade- que irão participar do evento marcado para junho do próximo ano, em Roma (Itália).

 

Um dos temas centrais do encontro será como disciplinar o mercado internacional de bioenergia. Hoje, cada país faz as próprias regras. Nos Estados Unidos, por exemplo, a produção de álcool de milho recebe mais de US$ 7 bilhões anuais em diversas formas de apoio, como subsídios aos produtores do Meio-Oeste e incentivos fiscais.

 

A FAO alerta que, continuando assim, no futuro, serão os países desenvolvidos que se beneficiarão da produção de bioenergia e, com barreiras tarifárias e não tarifárias, impedirão o acesso ao mercado de outros países, como o Brasil, capazes de produzir álcool a partir da cana-de-açúcar a custos muito menores, como já fazem hoje com produtos como suco de laranja, carne e algodão.

 

É o uso subsidiado de grãos para a produção de biocombustível que, literalmente, alimenta as justificadas críticas de que, mantido o sistema protecionista atual, ela não ajudará a reduzir a pobreza. Isso só acontecerá se os pequenos agricultores dos países pobres -especialmente da África e América Latina, que representam mais da metade dos miseráveis do mundo- puderem participar do mercado emergente da agroenergia, produzindo para consumo próprio e exportando aos países desenvolvidos.

 

A produção do etanol a partir de milho também ameaça a segurança alimentar, já que o grão é parte essencial na dieta de milhões de pessoas.

 

A tortilha à base de milho com feijão, por exemplo, representa 40% das proteínas consumidas pelos mexicanos. As importações de milho do México e da América Central passam de US$ 1 bilhão por ano -em grande parte, atendidas pela venda subsidiada dos EUA, prática que inibe a produção local e renova a dependência alimentar. Dependência que pode se tornar insegurança alimentar com o aumento de preço e a ameaça de que parte significativa da produção de milho não se destinará mais ao consumo humano, e sim à produção de etanol.

 

Para que a produção de agroenergia possa beneficiar os pobres, e não só os ricos, Diouf propõe três políticas.

 

A primeira é reduzir as barreiras contra o etanol. O produto brasileiro feito a partir da cana-de-açúcar, por exemplo, é taxado em US$ 23 o barril pelos Estados Unidos.

A segunda política sugerida busca assegurar que os agricultores familiares possam se organizar em associações e cooperativas para produzir e processar a matéria-prima e comercializar a bioenergia.

 

Por último, Diouf defende a certificação ambiental da bioenergia. No escritório regional da FAO para a América Latina e Caribe, vinculado à sede da organização em Roma, acreditamos que podemos ir ainda mais longe do que as políticas sugeridas em nível mundial pelo diretor-geral, pedindo, por exemplo, a certificação social do biocombustível. Esse é, na minha opinião, o "calcanhar de Aquiles" do álcool brasileiro.

 

Segundo dados do Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo, um bóia-fria ganha hoje praticamente o mesmo que ganhava no final dos anos 60, antes de existir o Proálcool. A diferença é que, em vez de cortar de duas a três toneladas de cana, hoje ele tem que cortar de oito a dez toneladas -às vezes, até mais. Com isso, o esforço físico do trabalhador, que sempre foi extenuante, aumentou de tal maneira que já levou à morte por exaustão dezenas de bóias-frias no Brasil.

 

Com as políticas propostas por Diouf, o mundo poderia aumentar o percentual na sua matriz energética de fontes limpas e renováveis de energia, produzidas com respeito ao meio ambiente e com trabalho digno e incluindo os agricultores pobres. E a América Latina pode ter um papel relevante nessa nova matriz. Para cada hectare agricultável na região há outro não utilizado. Área suficiente para conciliar a segurança alimentar e a expansão da agroenergia.

 

 

JOSÉ GRAZIANO DA SILVA, 57, professor licenciado de economia agrícola da Unicamp, é representante regional da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) para América Latina e Caribe. Foi ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome (2003-04).

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

 

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Valor Econômico

31/08/2007

 

Agroenergia

Produção de cana deve crescer 11%, diz Conab. 

 

Mauro Zanatta

 

 

Influenciados pela febre mundial do etanol, os produtores brasileiros elevaram em 12,3% a área plantada com cana-de-açúcar na safra 2007/08, segundo dados divulgados ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A forte expansão, de 6,16 milhões para 6,92 milhões de hectares, causa calafrios em militantes ambientalistas preocupados com o avanço da cultura na Amazônia e alimenta discursos de que a cana cresce em áreas dedicadas à produção de grãos, fibras e cereais. 

 

Para o governo brasileiro, existem motivações protecionistas nesses temores. "A expansão é nitidamente em cima de pastagens e áreas degradadas", disse o novo presidente da Conab, o ex-deputado pemedebista Wagner Rossi. Segundo ele, ainda não é possível ter a exata noção sobre esse avanço. "Mas há pouco na área de grãos". 

 

Os dados da Conab mostram que a região Norte registrou um avanço de 11,5% na área cultivada, sobretudo em Tocantins (42%). Em áreas na região de influência da Amazônia Legal, também houve avanço: Mato Grosso cresceu 11%, para 232,8 mil hectares, e o Maranhão, 8%, para 43,5 mil hectares. 

 

Mas a forte expansão do cultivo ocorreu mesmo em São Paulo, responsável por 59% da produção nacional destinada à indústria sucroalcooleira. O Estado registrou um crescimento de 11% na comparação com o ciclo anterior. A área saltou 362 mil hectares, para 3,65 milhões de hectares. Em Minas Gerais, o segundo maior fornecedor da indústria, 70,6 mil hectares (+16,8%) foram incorporados à área produtiva, que soma 490,6 mil hectares. Destacam-se, ainda, as elevações de área na Bahia (49%), Mato Grosso do Sul (32%), Paraná (26%), Goiás (19%) e Ceará (36%). 

 

O levantamento da Conab, realizado com 346 usinas e 60 entidades de classe, mostra que a produção de cana destinada à indústria sucroalcooleira crescerá 11,1% nesta safra. O volume saltará de 425,9 milhões para 473,15 milhões de toneladas. Se confirmado, o desempenho será 1,1% superior ao estimado em maio deste ano. O total de cana destinada ao esmagamento crescerá 36,6% no álcool e recuará 8,3% no açúcar. 

 

O estudo da Conab aponta uma alteração no mix de produção amplamente favorável ao álcool hidratado - de 20% para 27,6% do total da cana colhida. O espaço do açúcar deve ser bastante reduzido, de 51% para 40,6%, segundo a Conab. 

 

Pelos dados da estatal, a produção de açúcar da atual safra está estimada em 30 milhões de toneladas (queda de 0,6%) enquanto a fabricação total de álcool deve ser elevada em 22%, para 21,3 bilhões de litros. Na região Sudeste, com São Paulo à frente, a indústria deve produzir 54% de álcool e 46% de açúcar. No Nordeste, o mix será 40% para álcool e 60% para açúcar. 

 

   

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Valor Econômico

31/08/2007

 

Agroenergia

Oito projetos para usinas de açúcar e álcool até 2011

 

 

De Curitiba

 

 

O mercado da cana-de-açúcar está revendo alguns números e adiando investimentos, por conta de queda, pequena, na previsão da safra deste ano e na realização de exportações. Seguramente, no entanto, o álcool combustível continua sendo "a bola da vez", como diz o superintendente da Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar), José Adriano Vieira. 

 

Os primeiros números da safra brasileira indicavam 425 milhões de toneladas (na safra passada foi 372 milhões) e agora estão em 410 milhões, por causa de pragas e da moagem estar atrasada, com produção de 18,6 bilhões de litros de álcool. Nas exportações, a queda se deve a sobretaxas impostas por alguns países; a previsão neste momento é de vendas entre 3,2 bilhões de litros a 3,4 bilhões. 

 

O Paraná, que tem o posto de segundo maior produtor brasileiro ameaçado pelo crescimento de Minas Gerais, tem oito projetos para novas usinas em andamento, que deveriam estar produzindo até 2011. Eles não serão cancelados, afirma Vieira, apenas estão sendo retardados, e nem é por muito tempo. 

 

O Paraná é responsável por 8% da produção brasileira de álcool; e como em todos os Estados produtores a produção está crescendo, calcula-se que em 2012 mantenha ainda o mesmo percentual de participação na produção nacional. 

 

No momento, os preços estão em queda no mercado interno por causa da expansão da oferta, de acordo com levantamento do técnico especialista em cana-de-açúcar do Departamento de Economia Rural (Deral), Disonei Zampieri. Para o produtor, o preço da cana caiu 25%, e tanto o álcool anidro como o hidratado caíram algo por volta de 35%. 

 

No período de um ano, no entanto, três investimentos foram concluídos no Paraná; a Usina Santa Terezinha, em Terra Rica, entrou em funcionamento no começo deste ano; outra começou a produzir há um mês, a Alto Alegre, em Santo Inácio; e a terceira será inaugurada em janeiro, a Usina Bonin, em Umuarama. No total, o Paraná tem hoje 29 usinas em funcionamento, todas nas regiões norte e noroeste, acima do Paralelo 24, limite para a cultura da cana por causa da geada que ocorre abaixo dessa área. 

 

Pelo lado das cooperativas, a previsão de investimentos é animadora. O setor como um todo está investindo neste ano R$ 1 bilhão, e deste valor, pela primeira vez, a cana tem parcela significativa, de 16%, segundo a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Recursos a serem aplicados na ampliação das áreas de plantio e construção de novas usinas. (M.K.) 

 

 

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Folha de S. Paulo

31/08/2007

 

Agroenergia

Produção de H-Bio vai ser suspensa

 

 

DA SUCURSAL DO RIO

 

 

A Petrobras decidiu parar a produção de H-Bio, um processo industrial que mistura óleo vegetal à produção de diesel. O motivo foi a alta do preço do óleo de soja. Segundo a Petrobras, com o patamar atual não vale a pena vender o produto com o mesmo preço do diesel derivado de petróleo.

 

O H-Bio foi anunciado pela companhia em maio do ano passado, como uma tecnologia inédita desenvolvida pela empresa que causava um impacto menor ao ambiente. O H-Bio leva pelo menos 10% de óleo vegetal em sua composição.

 

Dados disponíveis no site do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP) mostram que o preço do óleo de soja na Bolsa de Chicago alcançou o maior valor histórico no mês de julho, de US$ 832,26 por tonelada. Em São Paulo, o preço do produto foi 36,2% superior ao de julho do ano passado e alcançou R$ 1.703,36/tonelada.

 

Em entrevista na quarta-feira, o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou que atualmente não compensa produzir o H-Bio. A produção começou neste ano.

 

Manutenção

 

Apesar da suspensão, a Petrobras afirma que manterá as projeções para os próximos anos.

 

A previsão é que em 2008 sejam produzidos 425 milhões de litros de H-Bio. Esse patamar deve saltar para 1,6 bilhão de litros em 2012. Os investimentos previstos são da ordem de US$ 60 milhões.

 

Quando do lançamento do produto, o presidente Luiz Inácio Lula o tratou como ""uma revolução energética e nova opção do agronegócio".

 

Na mesma ocasião, a estatal divulgou que projetava economia de US$ 240 milhões, para 2008, com a redução de 25% do volume de diesel importado.

 

O H-Bio foi apresentado como um combustível mais limpo por liberar menos partículas de enxofre, além de apresentar as características normais do diesel.

 

Além da soja, foi constatado em laboratório que o H-Bio poderia ser produzido também a partir de mamona, dendê, algodão e girassol. A opção preferencial por essa oleaginosa teve um componente comercial -a grande safra do país, segundo maior produtor do mundo.

 

 

 

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Gazeta Mercantil

31/08/2007

 

Agroenergia

Governo quer disciplinar avanço da cana

 

 

Brasília, 31 de Agosto de 2007 - O Brasil vai colher safra recorde de cana-de-açúcar neste ano. Serão 547,2 milhões de toneladas, 15,2% mais do que as 474,8 milhões de toneladas do ciclo anterior. A cultura vem crescendo há cinco anos e começa a preocupar o governo, que planeja criar mecanismos para impedir que o aumento da demanda por etanol leve a cana para áreas não apropriadas para esse cultivo, como a Amazônia e o Pantanal.

 

Ontem, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que vai aprofundar os estudos sobre as áreas ocupadas pela cultura. No mês passado, o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, já havia anunciado que a cultura terá de respeitar um zoneamento dentro um ano. Stephanes admitiu que já há usinas se instalando na Amazônia e no Pantanal.

 

O aumento da área plantada de cana-de-açúcar foi de 6,2 %, para 6,9 milhões de hectares. Em 2006, era, 6,2 milhões de hectares. As informações foram divulgadas ontem pela Conab. A responsável por essa expansão é a própria política oficial de incentivo ao etanol, para atender à demanda mundial por combustíveis limpos. O assunto também preocupa ambientalistas.

 

A Conab promete que até o fim do ano terá mapeado as regiões para as quais a cana está se expandindo e de quais culturas ela está tomando lugar. Dados preliminares apontam que as áreas de pastagens degradadas são as mais aproveitadas pela cana.

A intenção do Mapa de apresentar um novo zoneamento agrícola com regras para o plantio da cana inclui normas para as condições de trabalho, instalação e exploração das usinas. Segundo Stephanes, o zoneamento prevê a concessão de incentivos ficais para produção em regiões degradadas.

 

O projeto conta comn a aprovação dos representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Segundo o gerente de Biocombustíveis da pasta, Mario Cardoso, o ministério não acredita que o aumento da demanda por etanol resulte em expansão sem controle da área de cultivo da cana-de-açúcar. Ele afirma que o ministério não quer restringir ou proibir o plantio de cana em determinas regiões, onde já houve ação de degradação, quer apenas regras claras. Cardoso defende que as políticas de incentivo ao cultivo da cana se concentrem no desenvolvimento sustentável da cultura. "O governo precisa impedir que, mais uma vez, a lógica de mercado se sobreponha aos interesses socioeconômicos do país".

 

Para Cardoso, não há pânico por causa da expansão do plantio da cana. Ele lembra que já há uma resolução para impedir a expansão das duas usinas instaladas no Pantanal. No caso da Amazônia, ele avalia que a partir do zoneamento também serão definidas regras sobre os empreendimentos localizados na região. "Existe demanda nessa região e existem áreas de pastagens degradadas que possibilitam o plantio de cana".

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 5)(Alexandra Bicca) 

 

 

 

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Gazeta Mercantil

31/08/2007

 

Agroenergia

Gordura velha e sebo de boi viram artigo de luxo com biodiesel 

 

A demanda de óleo para fabricação de biodiesel está transformando os patamares de preços do mercado de óleos "periféricos". Até a gordura de cozinha, resíduo de churrascarias e lanchonetes, virou artigo de "luxo". Negociada a R$ 700 no início de 2006, a tonelada está valendo atualmente R$ 1,33 mil (preço posto na fábrica), segundo levantamento da Aboissa Óleos Vegetais. "Às vezes, conseguimos colocar o produto por um valor ainda maior, R$ 1,4 mil", acrescenta a operadora de mercado da Aboissa, Adriane Gaia.

 

Ela explica que a maior procura começou no segundo semestre do ano passado, quando o valor da tonelada iniciou a escalada, atingindo em dezembro valores próximos de R$ 980. "Essa gordura, que era tradicionalmente usada pela indústria de alimentação animal, passou a ser disputada pelas indústrias de biodiesel", diz Adriane. Com isso, o volume de 1.150 toneladas negociados em todo o ano passado pela Aboissa já foi superado até agosto, conforme garante a operadora. "Alguns de nossos fornecedores, como grandes redes de supermercados, iniciaram campanhas para arrecadar o óleo de cozinha", conta Adriane.

 

O preço dessa gordura recuperada superou até o do óleo de algodão (bruto), tradicionalmente mais nobre, usado na alimentação humana. A tonelada desse óleo está sendo negociada a R$ 1,250 mil, 8% menos que a gordura recuperada.

 

Outro óleo considerado "marginal" que se transformou em vedete é o sebo bovino. O preço praticamente duplicou com a demanda bioenergética. O quilo é negociado por R$ 1,10 a R$ 1,20 em São Paulo, valor que há um ano era de R$ 0,65 e, há dois, de R$ 0,50, segundo o gerente da unidade de Proteínas e Gorduras Animais da Aboissa, Alberto Luiz Peres. "A demanda nesse momento está bem agressiva, por conta da redução de abates, conseqüência da entressafra da pecuária", completa Peres.

 

O reflexo do biodiesel também atingiu o óleo de algodão. Há um ano, a tonelada era negociada a R$ 850 (Nordeste), valor que está hoje 43% mais alto. "Falta produto no mercado", explica a analista Priscila Gomes, também operadora da Aboissa. A demanda tradicional - indústria alimentícia e pulverização agrícola - absorve cerca de 90 mil toneladas por ano, que é a produção nacional. "Mas se a oferta fosse hoje de 150 mil toneladas, com certeza, seria consumida para biodiesel", vislumbra Priscila.

 

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Fabiana Batista) 

 

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Exame

29/09/2007

 

Agroenergia

A nova fronteira do etanol

Empresas brasileiras começam a impulsionar o etanol na África - um mercado nascente e uma ponte para vender à Europa

 

Reuters

 

Moçambique: na mira de empresas brasileiras

 

 

Por Samantha Lima

 

 

Na tentativa de difundir o modelo brasileiro de produção de etanol pelo mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já apelou até para o papa. Em sua audiência com Bento XVI no Brasil, em maio, Lula pediu ao pontífice que o ajudasse a conquistar o apoio dos países ricos para o projeto de desenvolver a indústria de etanol na África. Por trás do argumento humanitário de reduzir a miséria da região está o interesse de que mais países adotem o etanol de cana-de-açúcar e ajudem a transformar o combustível de fato em uma commodity global. Até agora não se tem notícia de que Sua Santidade, que na hora pareceu simpática à idéia, tenha feito algo concreto para promovê-la. Mesmo assim, uma nova fronteira para o álcool já começa a se desenhar no continente africano. Aos poucos, empresas e profissionais brasileiros estão identificando boas razões para desbravar um novo mercado do outro lado do oceano Atlântico. A Petrobras e a fabricante de equipamentos Dedini, além de tradings, consultores e advogados ligados ao setor, já colocaram o continente em seu roteiro. "A África tem clima, território e potencial de mercado para se tornar produtora e exportadora de etanol", diz Roberto Giannetti da Fonseca, sócio da Etanol Trading e um dos novos investidores. Além da oportunidade de criar um mercado do zero, os brasileiros também querem chegar primeiro a uma promissora plataforma de exportação de etanol para a Europa.

 

Em 2009, o etanol deve ser incluído entre os produtos africanos isentos de tarifas para entrar na União Européia, e, até 2012, os países europeus passarão a misturar 5,75% de álcool à gasolina. "A nova regra abrirá um mercado de 8 bilhões de litros por ano, metade do que o Brasil produz hoje", diz Roberto Rodrigues, ex-ministro da agricultura. Como costuma acontecer nas primeiras etapas do desenvolvimento de uma nova indústria, os primeiros a chegar foram os fabricantes de equipamentos. A maior fornecedora de destilarias do Brasil, a Dedini, já vende unidades de produção de açúcar a países da África desde a década de 90. Mas, neste ano, começou a receber pedidos de fábricas que querem expandir a produção para o etanol. Até o final do ano, a Dedini pretende fechar contratos de 300 milhões de dólares em Moçambique, Angola, Zimbábue e Nigéria. "A África é uma das prioridades de nossa equipe de exportação", afirma José Francisco Davos, vice-presidente de negócios da Dedini. Na Nigéria, o cliente é a Ethanig, sociedade da petroleira privada Starcrest Nigeria com outra empresa de Giannetti, a Brasilis. O grupo ganhou do governo nigeriano concessão para explorar 20 000 hectares de terra e deve investir 200 milhões de dólares na implantação da usina para produzir 100 milhões de litros de etanol por ano. Já está em vigor no país, ainda sem caráter obrigatório, a mistura de 10% de álcool à gasolina. "Quando estiver funcionando plenamente, o mercado nigeriano vai consumir 1 bilhão de litros por ano", diz Giannetti.

 

Animados com o interesse dos investidores, os governos africanos estão se empenhando também em criar um mercado interno para o combustível. Há pelo menos 11 países no continente criando regras para produção e comercialização de etanol -- entre eles África do Sul, Angola, Moçambique e Benin. A maioria pretende estabelecer a mistura de 10% de álcool à gasolina. "Nosso plano é reduzir no longo prazo nossa dependência da gasolina importada, que hoje representa 70% do consumo", diz Mark Rabbitts, assessor do consulado da África do Sul no Brasil. Em Angola e na Nigéria, é um escritório brasileiro que está assessorando os governos na regulamentação do novo mercado. "Para esses governos, o etanol é a chance de empregar um imenso contingente de pessoas de baixa qualificação", diz o advogado Marcelo Mello, sócio da banca Tauil, Chequer e Mello, que planeja faturar 5 milhões de dólares nos próximos cinco anos com clientes africanos.

 

 Promissor, mas complicado

Nem só de oportunidades é feito o mercado de etanol no continente africano.Veja alguns prós e contras:

Pontos favoráveis

- Plataforma de exportação

Em junho de 2009, o etanol será incluído na lista de produtos que 50 países africanos podem exportar para a União Européia sem incidência de impostos

- Custo baixo

A África tem mão-de-obra abundante e milhões de hectares de terra barata, com condições climáticas semelhantes às do Brasil

- Apoio oficial

O governo Lula trabalha para transformar o continente em mais um pólo produtor viável e, com isso, dar aos países consumidores mais segurança de abastecimento

Problemas

- Ambiente instável

Muitos países africanos têm conflitos tribais ou religiosos e instabilidade política, e nenhum ainda definiu regras para o funcionamento da indústria do etanol

- Mercado pequeno

O consumo africano é irrisório em comparação com o do Brasil. Especialistas calculam que serão necessários de cinco a dez anos para a África desenvolver seu mercado

- Logística precária

O continente tem escassez de estradas, ferrovias e portos para escoar a produção. Parte do que existe foi danificada por guerras

 

 

A ampla e generosa oferta de terras é fator de atração para um continente castigado por doenças, miséria, corrupção e genocídio -- um lugar no qual boa parte das empresas, por muito tempo, preferiu não estar. Na maioria dos países, basta apresentar um projeto para obter uma concessão com direito ao uso da terra. Em Benin, onde, nas palavras do cônsul Tasso Gadzanis, "o presidente dorme, come e respira etanol", as empresas só pagam uma taxa pelo uso da terra e ainda recebem um pacote de isenções fiscais para produzir etanol no país. O presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, esteve no Brasil em maio e retorna neste mês para visitar a Embrapa, usinas e montadoras. Uma missão com empresários moçambicanos também vem ao Brasil neste mês à procura de parceiros. Um dos membros da comitiva é Egídeo Leite, que tem negócios em energia em Moçambique. Ele acaba de contratar uma fabricante chinesa para montar uma usina de etanol de mandioca por lá. Mas espera conseguir no Brasil um projeto para o uso da cana capaz de empolgar investidores europeus. "Com a tecnologia e os custos brasileiros, tenho certeza de que não faltará dinheiro", diz Leite. A Petromoc, estatal moçambicana de petróleo, também conta com brasileiros para ajudá-la a criar um braço de produção de etanol. O projeto deve consumir 190 milhões de dólares, boa parte vinda de fundos de investimentos da Bélgica, da Suíça e da Noruega.

 

EUFORIA À PARTE, É PRECISO LEVAR em conta os riscos e as dificuldades inerentes a qualquer negócio na África. O primeiro problema é a instabilidade política do continente, que ainda enfrenta os resquícios de décadas de guerras civis. "Embora países como Benin, Senegal e África do Sul vivam uma relativa estabilidade, ainda há tensão em vários outros", diz Weber Amaral, diretor do Pólo Nacional de Biocombustíveis da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo e coordenador de um grupo de estudos sobre a viabilidade da produção de etanol e açúcar na África. Mesmo em países livres de conflitos armados, como a Nigéria, problemas como a corrupção e as constantes mudanças nas regras do jogo, fruto da vontade errante de ditadores, dão um caráter bastante arriscado às decisões de inves timento. Para completar o quadro, a infra-estrutura da região é desanimadora. Mesmo nos países mais ricos, faltam portos, rodovias e ferrovias para escoar a produção. "Uma boa rede de transporte não surge de uma hora para a outra. Serão necessários pelo menos dez anos e muito investimento para dar à indústria do etanol condições para disputar mercado com o Brasil", afirma Amaral.

 

Cientes dos problemas que podem encontrar, muitos usineiros brasileiros ainda mantêm uma cautelosa distância da África. Por enquanto, só tomaram a iniciativa de investir empresas que já se aventuraram antes pelo continente, como a Odebrecht, que atua por lá como construtora e começou recentemente a procurar oportunidades em etanol. Ou a Petrobras, que tem atividades de exploração de petróleo em Angola, Moçambique, Nigéria e África do Sul. Mesmo elas estão sujeitas a surpresas ruins. Recentemente, após anunciar o envio de 20 milhões de litros de etanol para a estatal nigeriana de petróleo, a NNPC, a Petrobras teve de cancelar a venda porque o país não tem tanques para armazenar o álcool nem dutos para transportá-lo. E isso num país que já regulamentou a adição de etanol à gasolina. "Não foi desta vez, mas continuamos interessados no negócio", diz Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da Petrobras, que agora planeja mandar a carga para a Nigéria até dezembro. O plano da Petrobras é exportar 500 milhões de litros de etanol para a África até 2012. Para os empresários que apostam no mercado africano, uma maneira de acelerar o processo é o Brasil fazer mais do que pedir ajuda ao papa -- e começar a investir pesado no continente. Em outubro, uma missão do Itamaraty levará técnicos da Embrapa para o Senegal. Mas os esforços do governo ainda são vistos como insuficientes. "Para impor seu modelo de etanol na África, o Brasil precisa ter uma estratégia mais ambiciosa, que contemple a logística e os financiamentos", diz o ex-ministro Roberto Rodrigues. "Senão, correremos o risco de perder a liderança do processo."

 

 

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Época

01/09/2007

 

Agroenergia

Vem aí a Alcoolbrás? 

Um projeto de lei do governo prevê a volta do controle do Estado sobre o álcool. E pode prejudicar a ascensão do país como fornecedor global

 

por ALEXA SALOMÃO E MURILO RAMOS

 

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva já demonstrou em diversas ocasiões que é favorável ao aumento da participação do Estado na economia. Na área de energia elétrica, o atual governo alterou as regras do jogo, para ampliar o controle público sobre a construção de novas hidrelétricas. No setor de telefonia, hoje totalmente privatizado, tem defendido a criação de uma operadora nacional a partir de uma fusão entre a Brasil Telecom e a Oi – com a participação do Estado. Com as empresas estatais, que perderam espaço nos anos 90, não foi diferente. Elas receberam sinal verde do Palácio do Planalto para ampliar suas atividades. O caso mais visível é o da Petrobras, que aumentou sua presença na geração de energia térmica e voltou a atuar com força na área petroquímica.

 

Agora, a atenção do governo voltou-se para um novo segmento – o álcool combustível. Está em gestação na Casa Civil, sob o comando da ministra Dilma Rousseff, um projeto de lei que cria regras para o setor. A proposta, ainda em discussão, é um pacote intervencionista como havia muito não era visto no país.

 

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) ganharia poderes para controlar os estoques privados de álcool. A Petrobras passaria a ser o principal exportador do setor. Paralelamente, o governo também planeja criar um zoneamento para o cultivo da cana-de-açúcar, restringindo áreas para o plantio. Inicialmente, a idéia é proibir o cultivo na Amazônia, no Pantanal e em outras áreas de preservação ambiental, mas as discussões ainda são incipientes e podem avançar para o protecionismo a outras culturas. Além disso, em caso de risco de desabastecimento do mercado interno, o álcool das usinas poderia ser confiscado.

 

O projeto de lei é polêmico até dentro do governo. O ministro de Minas e Energia, Nélson Hubner, e o da agricultura, Reinold Stephanes, têm visões diferentes. Hubner está entre os integrantes do governo que temem que os usineiros privilegiem as exportações e não garantam o abastecimento interno. “O que queremos é enquadrar o etanol como combustível. O setor precisa ser regulado”, diz. “Quando queremos negociar, os usineiros dizem que vamos interferir na lei da oferta e da procura. Mas na hora que têm um problema eles querem que o governo os socorra.” Stephanes está no grupo dos mais cautelosos. Ele também teme que a valorização do álcool no mercado internacional possa provocar a expansão indiscriminada do plantio de cana-de-açúcar. Mas está disposto a negociar alternativas. “Estamos tentando encontrar a melhor proposta junto com os empresários do setor”, afirma.

 

Analistas e empresários querem regras. Mas se assustaram com as medidas preparadas pelo governo

 

Os empresários e analistas especializados aceitam a adoção de regras para regular o setor. Mas ficaram assustados quando souberam a extensão das medidas preparadas pelo governo. “O setor precisa, sim, de regras. Hoje, o país não tem clareza de quanto álcool precisa produzir, exportar ou estocar”, diz Roberto Rodrigues, ex-ministro da agricultura e coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo. “É preciso organizar o setor, mas a intervenção do governo na produção e na exportação é um absurdo. Não resolve o problema que está aí e cria outro muito pior.”

 

A intervenção estatal poderia prejudicar a ambição do Brasil de se tornar o grande fornecedor mundial de combustíveis alternativos. Vários investidores nacionais e estrangeiros acreditam nesse potencial e têm investido muito dinheiro em usinas no país. Em 2006, foi anunciada a construção de cerca de 150 usinas, um investimento estimado em US$ 14 bilhões. “Quem vai querer investir no Brasil ou comprar nosso álcool se houver ameaça de intervenção do Estado?”, diz Rodrigues.

 

No Congresso, a idéia também causou estranheza. “O governo está fazendo uma grande campanha para vender o álcool brasileiro no exterior”, diz o deputado José Otávio Germano (PP-RS), presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, para onde o projeto vai ser encaminhado. “Não acredito que uma proposta dessas será enviada ao Congresso.”

 

 

 

 

A proposta traz à memória o tempo em que o setor era controlado pelo Estado, por meio do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) – e só tinha resultados fracos. O IAA determinava quanto deveria ser produzido, como seriam transportados e a que preço os produtos seriam vendidos. “Enquanto houve regulação do Estado, o setor vivia das benesses do ministro da vez e não tinha competência gerencial”, diz Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de Relações Internacionais da Federação das Indústrias de São Paulo. “Só depois que os usineiros se livraram das amarras do governo o setor foi para a frente e o Brasil tornou-se a potência que vemos hoje nessa área. Ressuscitar o intervencionismo é um grande retrocesso.” Uma mostra do estrago que o intervencionismo pode causar é a Argentina. Em 2005, o governo decidiu controlar as exportações de carne. Criou um sistema de cotas de exportações, para garantir o abastecimento interno e impedir aumento dos preços e da inflação. Resultado: os produtores acumulam prejuízos e os investimentos estão parados. Em apenas um ano e meio, o país caiu de terceiro maior exportador mundial de carne para sétimo. É um exemplo a evitar.

 

Foto: Claudio Rossi/ÉPOCA

    

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Folha de S. Paulo

02/09/2007

 

Agroenergia

Plantio de cana avança no Norte do país  

 

Governo de Roraima afirma que cultivo é realizado em área de campos naturais e não ameaça a floresta amazônica

 

Secretário diz que dez empresas já estão instaladas na região; executivo espera rendimento superior ao obtido em São Paulo

 

Eduardo Geraque

Da Reportagem Local

 

A cana-de-açúcar chegou ao extremo norte do país. Empresas interessadas em produzir álcool tanto para o mercado local quanto para o exterior -a Venezuela é logo ali- já plantam suas mudas nas savanas do Estado de Roraima.

 

"Não está sendo plantado nada sobre a floresta amazônica, é bom que se diga. As áreas ocupadas são campos naturais, em um raio de 50 km de Boa Vista", explica Alvaro Callegari, secretário de agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado.

 

Ele confirma que dez empresas já estão instaladas na região. E todas foram bem recepcionadas pelo governo. "Alguns já plantam soja no Centro-Oeste e agora resolveram investir aqui", diz o político.

 

Apesar de os pesquisadores amazônicos considerarem os campos de Roraima áreas importantes para a preservação da biodiversidade, Callegari usa um exemplo secular para explicar o uso dessas regiões.

 

"As savanas de Roraima são usadas pela pecuária há mais de um século, assim como ocorreu nos pampas gaúchos com os jesuítas", explica o secretário, que é curitibano e está há mais de 20 anos em Boa Vista.

 

"A qualidade de vida aqui é excepcional. O clima é ideal para a cana-de-açúcar, temos muita luz, por exemplo. Parece que estamos na praia."

 

As impressões climáticas relatadas por Callegari condizem totalmente com a realidade, segundo Milton Steagall, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Biocapital, empresa paulista recém-instalada na região de Boa Vista. "A iniciativa partiu da empresa, mas fomos muito bem recebidos pelo governo", afirma Steagall. Um dos incentivos fiscais já concedidos é o desconto no ICMS.

 

As expectativas de produtividade são muito boas, segundo o executivo. Sem citar números, ele diz que o rendimento da cana-de-açúcar nas savanas amazônicas -a empresa já obteve todas as licenças ambientais, segundo ele- deve ser superior ao obtido em São Paulo.

 

"A questão da produtividade é o fator determinante para a escolha de Roraima. Nas usinas de álcool, 70% do custo é a matéria-prima. Se a produtividade não for boa, o investimento pode ser colocado em risco."

 

Por enquanto, a Biocapital está na fase de multiplicar as mudas de cana plantadas em seus viveiros. A variedade levada para a Amazônia não foi desenvolvida especialmente para a região, mas a expectativa dos empresários é que os tipos escolhidos se adaptem totalmente ao solo amazônico.

 

Moagem em 2009

 

Pelo cronograma da empresa, o início da moagem deve ocorrer em 2009. Inicialmente, o projeto deve suprir o consumo apenas da região. "O objetivo é chegar a 2014 com uma capacidade de moagem de 6 milhões de toneladas, o que deverá render uma produção de 530 mil litros de álcool", explica o diretor da Biocapital, que preferiu não revelar o investimento feito pelo grupo.

 

As contas da empresa também projetam a geração de 5.600 empregos diretos e de 12 mil indiretos.

 

Como a usina será instalada em uma região de savana, a questão ambiental está resolvida, segundo Steagall. "O projeto não tem riscos ambientais."

 

De acordo com ele, a empresa está muito consciente da sua responsabilidade nas questões ambientais. "A questão fundiária, por exemplo, não atinge a Biocapital, pois parte das terras será da nossa propriedade, e uma outra parte, de terceiros, com os quais teremos contratos de arrendamento."

 

Se o discurso empresarial é mais comedido, o governamental é repleto de esperanças.

"Temos como plantar cana-de-açúcar em até 65% do nosso cerrado. São quase 4 milhões de hectares. A Venezuela será um grande mercado para nós, porque ela terá que tirar o chumbo da gasolina e, provavelmente, terá que o usar o álcool para ter um combustível mais limpo", lembra o secretário Callegari.

 

  

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Folha de S. Paulo

03/10/2007

 

Opinião

Antonio Delfim Netto: Malthusianismo    

 

 

UMA GRAVE ameaça pesa sobre a produção dos biocombustíveis. Movimentos sociais com objetivos ideológicos, ambientalistas honestos, mas desinformados, analistas bem-informados, mas com viés malthusiano, chefes de governo prisioneiros de sua situação e até a ONU insistem na falsa idéia de que eles vão reduzir a oferta de alimentos. No caso brasileiro, a ameaça é claramente falsa. A área total do Brasil é de 851 milhões de hectares, dos quais 463 milhões (54%) são ocupados por áreas preservadas (inclusive a floresta amazônica); 220 milhões (26%) são ocupados por pastagens; 72 milhões (9%) são áreas cultivadas (6 milhões de hectares pela cana) e 96 milhões (11%) são potencialmente cultiváveis.

 

É preciso enxergar um fato importante: a agricultura é o único setor da economia onde milhões de produtores, individualistas e desorganizados, enfrentam uma estrutura oligopolista de compra, o que significa que transferem potencialmente para os consumidores todos os seus ganhos de produtividade.

 

Isso explica a secular redução dos preços agrícolas com relação aos preços industriais. Apenas potencialmente porque, por outro lado, a estrutura oligopolista enfrenta milhões de consumidores, o que lhe dá um enorme poder na formação dos preços.

 

Os ganhos de produtividade do setor agrícola são o resultado do desenvolvimento da seleção genética, dos transgênicos, das técnicas de cultivo e da eficiência dos fertilizantes, e não há menor sinal de que tais avanços vão arrefecer. Pelo contrário, em alguns setores, como o do etanol e do biodiesel, os avanços genéticos que aumentam a produtividade por área e os avanços dos processos químicos e biológicos para o aproveitamento de toda a biomassa na extração de combustível estão à vista.

 

É claro que o aparecimento de um novo "produto" tende a alterar todos os preços relativos. Isso aconteceu, por exemplo, quando o ex-presidente do Banco do Brasil Nestor Jost, em 1968, convenceu o governo de que o feijão-soja tinha futuro. É ridículo imaginar que, num mercado livre, a alteração dos preços relativos possa ser a causa da inflação (que exige preços crescendo).

 

Os ganhos de produtividade por área na agricultura e na pecuária vão liberar terra sobre a qual avançarão as novas culturas. Concretamente: o Brasil usa hoje 1/3 da terra que usava há 30 anos para produzir a mesma quantidade de álcool. Daqui a 30 anos, usará, provavelmente, menos de 1/9...

 

O único risco real que corre o projeto de Lula é a ameaça do seu próprio governo, se não se entender que há um claro conflito de interesse entre a Petrobras e os biocombustíveis.

 

 

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contatodelfimnetto@uol.com.br

 

ANTONIO DELFIM NETTO escreve às quartas-feiras nesta coluna.

    

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Folha de S. Paulo

03/10/2007 -

 

Agroenergia

Após atritos com Marina, Stephanes recua sobre cana  

 

Ministro diz que foi "mal interpretado" sobre liberação de plantio em áreas da Amazônia

 

Para Marina, não interessa ao governo se tornar alvo de críticas no exterior devido a "práticas incorretas" na produção de biocombustível

 

IURI DANTAS

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

 

MARI TORTATO

DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

 

 

Após queixas públicas da ministra Marina Silva (Meio Ambiente), o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, recuou sobre permitir e incentivar o plantio de cana em áreas degradadas da Amazônia, do Pantanal e da mata atlântica.

 

Em entrevista à Folha, Stephanes afirmou que "foi mal interpretado", quando citou Roraima como uma possibilidade de plantio de cana. Nessa área a que ele se referia, segundo o próprio ministro, haveria apenas savana. "Há milhares de anos."

 

"Deram uma interpretação diferente. Falei em incentivar plantio em áreas e pastagens degradadas, não no bioma", disse. Na quinta-feira passada, Stephanes mencionou essas chamadas áreas degradadas em uma entrevista concedida para fazer um balanço de seus seis meses à frente do ministério.

 

Naquela entrevista, explicou que o zoneamento agrícola para a cana-de-açúcar que o governo prepara para o ano que vem iria permitir o plantio em áreas onde não há mais floresta. "A idéia-força é usar áreas desmatadas", disse, na ocasião.

 

Ontem, afirmou que a proibição da cana nos biomas mais complexos será uma "premissa básica" do zoneamento agrícola. Grupos ambientais brasileiros e internacionais vêm manifestando preocupação sobre a possibilidade de uma maior demanda por biocombustíveis acabar resultando no plantio de cana nas regiões de floresta.

 

De acordo com Stephanes, serão elaborados quatro mapas como base para o zoneamento: o primeiro com os locais onde já há plantação; outro com as regiões onde há condições propícias para o plantio; um diagrama com as áreas de restrição e um último com pontos de incentivo à produção de cana.

 

Práticas incorretas

Em Curitiba, Marina Silva afirmou ontem que não interessa ao governo estimular críticas internacionais à obtenção de biocombustível por meio de "práticas incorretas". "Não nos interessa, em hipótese nenhuma, que os biocombustíveis brasileiros possam ser identificados com práticas ambientais incorretas e práticas sociais incorretas", disse.

 

O interesse do governo em afastar críticas de práticas incorretas tem o objetivo de evitar que mercados tradicionais como Europa e Estados Unidos boicotem o álcool brasileiro. Para evitar problemas, o governo lançou a idéia de um selo socioambiental, para atestar boas práticas trabalhistas, ambientais e sociais. O selo será concedido e fiscalizado por empresas privadas.

 

Segundo ela, seu ministério já tem prontas as áreas de restrição de plantio para proteção da biodiversidade, os mapas dos biomas e as áreas de risco para incluir no zoneamento.

  

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O Estado de S. Paulo

03/10/2007

 

Agroenergia

Marina admite cana na Amazônia

 

 

Evandro Fadel

 

 

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, referendou ontem, em Curitiba, as informações do ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, de que o zoneamento agrícola da cana deverá permitir o plantio na Amazônia. Essa possibilidade era negada pelo governo. "(O zoneamento) vai dizer quais as áreas de restrição completa para plantio da cana, quais aquelas que podem viabilizar com cuidados especiais e aquelas em que já acontece", disse a ministra. Na preparação do zoneamento, previsto para 2008, trabalham os Ministérios do Meio Ambiente, da agricultura, do Desenvolvimento Agrário e de Ciência e Tecnologia. "Não nos interessa que os biocombustíveis brasileiros sejam identificados com práticas ambientais e sociais incorretas", afirmou.

 

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Valor Econômico

18/10/2007

 

Agroenergia

Soja encolhe, mas ainda é o carro-chefe   

 

 

Do Rio

 

 

Impulsionada pelo grande interesse mundial pelo etanol e ancorado pelo maior consumo interno com a enxurrada de carros flexfuel no mercado, a renda agrícola da cana-de-açúcar encostou na renda da soja no ano passado, segundo a pesquisa de produção agrícola municipal do IBGE. 

 

Em 2006, a participação da cano valor da produção agrícola brasileira subiu para 17,3%, puxada por municípios produtores do Estado de São Paulo. Em 2005, a fatia foi de 13,8%. "Houve aumento na área plantada de cana e investimentos em novas usinas", disse o analista da coordenação de Agropecuária do IBGE, Carlos Alfredo Guedes. 

 

Depois da escalada, o valor da produção canavieira cresceu 29% em 2006, atingindo R$ 17 bilhões, em razão da expansão de 8,1% na produção e da alta de preços. Morro Agudo (SP) foi o município a apresentar o maior valor de produção de cana do país. 

 

A pesquisa do IBGE revela, ainda, um forte avanço da área plantada da cana-de-açúcar no Brasil, especialmente em São Paulo, Estado responsável por 59% da produção nacional. "O avanço se deu sobre algumas lavouras e, principalmente, em áreas de pastagens", observou. Entre 2004 e 2006, o Estado perdeu 174 mil hectares de outras lavouras e aumentou a área de cana em 332 mil hectares. Movimento semelhante ocorreu em Minas, onde os canaviais cresceram 97 mil hectares e as outras lavouras ocuparam 176 mil hectares a menos. 

 

Para os técnicos do IBGE, a expansão da área plantada de cana no Brasil foi facilitada, em parte, pelos baixos preços internacionais da soja e pelas condições climáticas desfavoráveis nas principais regiões produtoras, o que deixou diversos produtores endividados. 

 

Apesar disso, a soja encerrou 2006 ainda como carro-chefe da agricultura brasileira, mas com participação de 18,8% no valor da produção nacional. Em 2005, o percentual foi de 22,8%. (APG) 

 

 

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O Globo

18/10/2007

 

Agroenergia

Demanda por álcool expande plantio da cana   

Baixa cotação da soja também explica expansão do cultivo no país. Em MG, alta é de 26,9%

 

 

Fabiana Ribeiro

 

 

A produção brasileira de cana-de-açúcar, segundo o IBGE, avançou 8,1% em toneladas e 29% em reais no ano passado, tomando espaço de outras culturas - em especial, a soja. É um efeito da demanda no mercado externo por conta do etanol, dizem especialistas. De 2004 a 2006, a parcela destinada às outras culturas diminuiu 1.349.333 hectares, contra um aumento de 545.562 hectares para a cana. Em Minas Gerais, foi registrado o maior aumento da produção: 26,9%.

 

Apesar da expansão, analistas descartam um cenário em que os alimentos perdem significativo terreno para a cana. O que pode ocorrer se, advertem, o álcool se tornar uma commodity internacional.

 

 

De 1.600 municípios que plantam cana em mais de cem hectares, 519 aumentaram a produção e reduziram outras culturas no ano passado. Além da demanda por álcool, a cotação da soja no mercado internacional também estimulou os produtores a investirem na cana.

 

- A cana avançou principalmente nas áreas que já eram produtoras, como São Paulo (5,6%), Minas Gerais e Goiás (11,3%) - disse Alfredo Guedes, técnico agrícola do IBGE, destacando que a soja, mesmo assim, continuou a ser, em 2006, a cultura com maior contribuição para o valor total da produção agrícola brasileira (18,8%).

 

Segundo Pierre Vilela, assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas (Faemg), a cana também vem ocupando o lugar de pastagens, que têm um custo menor do que as lavouras.

 

- Apesar da ampliação da produção de cana, acredito que a soja recupere o espaço perdido. Isso, claro, se São Pedro permitir - disse ele.

 

Na avaliação de Vilela, a expansão da cana não prejudicou a produção de alimentos:

 

- Há grãos com safras recordes. Não vão faltar alimentos no país - afirmou ele.

 

Em 2006, as 63 culturas temporárias e permanentes pesquisadas pelo IBGE geraram um valor de R$98,3 bilhões, 2,9% maior do que em 2005. A alta foi impulsionada principalmente pela cana, pelo café e pela laranja. O valor da produção agrícola brasileira em 2006 ainda não atingiu, porém, o patamar recorde de 2004 - de aproximadamente R$111,2 bilhões.

 

SP responde pela maior fatia do valor da produção

 

Entre os estados, São Paulo foi o responsável, mais uma vez, pela maior fatia do valor da produção agrícola brasileira (20,3%). O estado é o maior produtor de laranja (79,7%), cana (58,8%), amendoim (82,2%), caqui (50,8%), goiaba (35,9%), limão (79,0%) e tangerina (44,4%). Já Minas é o maior produtor de café do país (51,5% da safra nacional).

 

 

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Valor Econômico

19/10/2007

 

Agroenergia

Comissão sinaliza que a área de cana pode dobrar nas Américas   

 

 

De São Paulo

 

 

A Comissão Internacional do Etanol, organização criada em 2006 com a missão de desenvolver mercado de álcool nos países das Américas e no mundo, deu novos passos para consolidar o programa de adoção do combustível em outros países, fora do eixo Brasil-Estados Unidos. 

 

O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) concluiu mapeamento do potencial de área que pode ser utilizada para o plantio de cana para a produção de álcool combustível. O estudo mostra que o total de área plantada com cana em todos países das Américas ocupa 8,744 milhões de hectares, incluindo Brasil, com 5,8 milhões de hectares). A área para cana-de-açúcar nesses países pode quase dobrar, para 15,022 milhões de hectares. Foram analisados 22 países das Américas. 

 

De acordo com Roberto Rodrigues, co-presidente da CIE, a disponibilidade de área já é um passo para que o programa possa ser implementado. "Agora, depende de mudanças na legislação de cada país para implementar o programa", disse. Poucos países, como Chile, Bolívia, Peru e Barbados, devem ficar de fora deste programa.(MS) 

 

 

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Valor Econômico

23/10/2007

 

Agroenergia

Oferta elevada derruba preço da cana

 

 

De São Paulo

 

 

Os preços da cana entregue pelos fornecedores do centro-sul do país às usinas devem recuar 30% nesta safra, para algo em torno de R$ 35 por tonelada, de acordo com a Organização de Plantadores de Cana da Região do Centro-Sul do Brasil (Orplana). Segundo Manoel Ortolan, presidente da Orplana, o excesso de oferta de matéria-prima derrubou os preços. 

 

Na safra 2006/07, a tonelada da cana estava em torno de R$ 51. A expectativa é de que os preços caiam ainda mais na safra 2008/09, quando novamente a produção deve ser recorde no país. Nesta safra, a 2007/08, a produção brasileira está estimada em 470 milhões de toneladas, alta de 9,8% sobre o ciclo anterior, de 427 milhões de toneladas. 

 

A maior oferta de cana também afeta os preços do álcool. As cotações atuais estão em torno de R$ 0,58 o litro, abaixo dos custos de produção. 

 

No mercado, já há preocupação com a possível redução de oferta do combustível na entressafra. A Única (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) estima que o consumo de álcool nos quatro meses da entressafra tem de ficar em 1,2 bilhão mensais. Em setembro, o consumo ficou em 1,3 bilhão de litros e deve superar 1,5 bilhão de litros em outubro, conforme estimativas do mercado, por conta dos baixos preços do álcool nas bombas. 

 

Para Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Única, a elevação dos preços na entressafra deverá ajustar para baixo o consumo. Caso isso não ocorra, não haverá oferta suficiente para atender à demanda. 

 

Ontem, a Única formalizou o protocolo agroambiental com 79 usinas do centro-sul, no qual as empresas se comprometem a promover a produção sustentável do etanol. Esse protocolo faz parte de um dos 21 projetos ambientais estratégicos do governo do Estado de São Paulo. 

 

Até 2014, 100% das usinas deverão mecanizar a colheita em áreas mecanizáveis e até 2017 em áreas não-mecanizáveis. 

 

Com o fim das queimadas em São Paulo, cerca de 180 mil cortadores deverão perder emprego. Mas, segundo a Secretaria de Agricultura do Estado e a Única, cerca de 70 mil deverão ser reaproveitados nas áreas agrícolas e industriais com outras funções, com remuneração maior, sobretudo para operar máquinas. 

 

Segundo a Única, a demanda por máquinas agrícolas para cana deverá crescer com o maior índice de mecanização no Estado. (MS)

 

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A Tarde

30/11/2007

 

Cana-de-açúcar

R$ 12,4 bilhões em bioenergia.

  

A Bahia deve receber até 2013 investimentos privados da ordem de R$ 12,4 bilhões na produção de canade-açúcar e oleaginosas e na instalação de usinas de biocombustíveis.

 

Desse valor, R$ 800 milhões já estão em execução e R$ 3,8 bilhões, previstos em protocolos de intenções. As informações são do superintendente de Agronegócios da Secretária de Estado da Agricultura (Seagri), Eujácio Simões, que falou sobre o tema no Global Bioenergy Américas, congresso de bioenergia realizado durante a Fenagro 2007.

 

De acordo com Simões, a Bahia deverá, até 2013, quando a mistura do insumo vegetal ao óleo diesel chegará a 5%, produzir 7,48 milhões de metros cúbicos (m³) de etanol e 773 mil m³ de biocombustíveis.

 

Para atender a essa demanda, o Estado terá 1,5 milhão de hectares cultivados com cana-de-açúcar (870 mil ha) e oleagionosas, como mamona, pinhão-manso, dendê e outras (557 mil ha). “São, principalmente, áreas degradadas, que precisam encontrar uma nova vocação”, disse, em entrevista, buscando enfatizar que não haverá disputa com a produção de alimentos.

 

PREOCUPAÇÃO — Simões vê com preocupação a procura de grandes grupos pela compra de terras no interior da Bahia. “O que queremos é que o pequeno agricultor viva dos produtos de sua propriedade, que ele se insira na cadeia produtiva.

 

Estamos trabalhando com esse objetivo”, enfatizou.

 

Durante a palestra, ele apresentou diversos dados sobre o setor de bioenergia na Bahia, entre eles a projeção de que até 2013 o número de carros flex vão chegar a 1,3 bilhão de unidades, quase cinco vezes mais que a frota atual de 274,9 mil. O número de automóveis movidos a gasolina, segundo os seus dados, deve reduzir dos atuais 662,3 mil para 137,5 mil em 2013. O conseqüente aumento no consumo de biocombustíveis não será problema, acredita. “A Bahia tem todas as condições de ser auto suficiente em biocombustíveis e exportar o excedente”, afirmou

  

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