ECONOMIA
Câmbio e alimentos pressionam
IGPM, que registra alta de 0,98% em agosto.
Agricultura, câmbio e poder de
troca: Roberto Rodrigues
Conab
confirma safra maior, mas teme clima
Pela primeira vez, safra
agrícola e receita do produtor serão recordes.
Um velho tema: inflação
e agricultura
Apesar de problemas
crônicos, PIB agrícola deve ser recorde em 2007
Preço de carne bovina
sobe e de suínos cai
Cenário positivo
para máquinas em 2008
Avicultores
ameaçam reduzir produção
Renda agrícola em
ritmo de alta
O esforço do campo exige
contrapartida
OIC questiona
estatística brasileira
Diminui a fatia da cana
no valor da produção paulista
Canaviais sufocam o
São Francisco
O dinheiro que vem da pecuária
Preços recebidos
pelos produtores paulistas têm valorização de 1,44%
Grandes grupos
lideram a expansão dos canaviais
China quer tarifa
mais baixa para importar soja
Ritmo de execução
decepciona em 2007
Doha: esperança de
progresso: Hélio Tollini
Oferta escassa de
milho preocupa indústrias
Milho sobe mais de 60%
e elevará preço do frango
Fornecedores de
cana vão vender álcool à Petrobras
Minas Gerais lidera
setor agropecuário
Produtor de soja do MT
corre para evitar multa
Preço dos alimentos
freia alta da inflação, e índice fica em 0,69%
Álcool remunera melhor do que
açúcar
Frete ficará até 50%
mais caro na colheita
FAO alerta para alta dos preços de alimentos em 2008
Valor
Econômico
30/08/2007
Preços Agrícolas
Câmbio
e alimentos pressionam IGPM, que registra alta de 0,98% em agosto.
Raquel
Salgado
Pressionado
pela forte alta dos preços agrícolas, o mais recente indicador de preços, o
Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), divulgado ontem, surpreendeu
analistas e mostrou uma variação de 0,98% em agosto. Só a variação dos preços
agrícolas no atacado foi de 4%, contribuindo com 0,63 ponto percentual no
índice cheio. Do lado industrial, também não houve refresco. Os produtos
metalúrgicos deixaram de apresentar variações negativas e a cadeia dos itens
químicos ficou mais cara em agosto. Em parte, esses movimentos refletem a
recente desvalorização do real em relação ao dólar.
A
pressão dos alimentos, com destaque para grãos, carnes e leite, era esperada,
mas veio mais forte do que as expectativas. Os analistas acreditavam que estes
preços teriam um leve recuo ou, no mínimo, que ficassem estáveis. Não foi o que
se viu. Em relação ao IGP-10, divulgado dez dias antes, a elevação dos preços
agrícolas foi de 2,64% para 4%. Já os alimentos industrializados foram de uma
alta de 1,88% para 2,28%, na mesma comparação.

Para
Zeina Latif, economista-chefe para o Brasil do ABN Amro Real, os resultados
mostram que o movimento de alta dos alimentos é mais duradouro do que se
imaginava. "Não estamos falando de choques pontuais de oferta, estamos
vendo uma recomposição de preços em nível internacional", explica
Zeina.
Ela
acredita que os preços de legumes, frutas, grãos e carnes não devem subir muito
mais até o próximo mês, mas também não vão ceder muito. Antes, diz a
economista, os movimentos eram mais voláteis. Agora, como a demanda doméstica
está mais aquecida, há maior rigidez.
No IGP-M
de agosto o item cereais e grãos mostrou alta de 6,32%, após ter subido 3,38%
no IGP-10. O item animais, que leva em conta carnes, foi de uma alta de 5,87%
para 6,1%. Já o grupo chamado lavoura de exportação, que inclui café, soja e
cacau, subiu de 1,1% para 3,4%.
Ainda
assim, o IGP-M de setembro será mais modesto do que o de agosto. A projeção do
ABN é de uma alta de 0,55%. Otávio Aidar, da Rosenberg & Associados, ainda
não fez sua estimativa, mas calcula que ficará entre 0,5% e 0,6%. O economista
argumenta que os preços do leite e da carne, que foram pontos de forte pressão
de alta na inflação, já não mostram aceleração nos preços ao produtor e, por
isso, o IGP-M deve desacelerar. Ainda assim, o patamar de 0,5% a 0,6% não é tão
confortável. Ele lembra que além da alta de preços dos agrícolas, a
desvalorização do real em relação ao dólar ocorrida nas últimas semanas também
contribui para a elevação dos preços.
Aidar e
Zeina, no entanto, não planejam revisar suas projeções para os preços ao consumidor,
como a do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Eles acreditam que
haverá repasse do atacado para o varejo, mas este movimento já estava embutido
em suas estimativas. "Pelo resultado do IPCA-15 de agosto já foi possível
perceber algum tipo de repasse de preços, por conta de uma demanda mais forte,
mas não acho que seja preocupante", diz Aidar, que projeta alta de 3,9% no
IPCA até o final do ano. Mas, assim como Zeina, o economista acredita que o
Banco Central já deve parar de cortar juros, estacando o processo de
flexibilização da política monetária.
Valor
Econômico
30/08/2007
Preços Agrícolas
São
Paulo, 30 de Agosto de 2007 - Estimativas é que até novembro continue a pressão
sobre os índices ao consumidor. Pelo menos até novembro o consumidor brasileiro
continuará sofrendo com os preços agropecuários mais altos. Estimativas da RC
Consultores apontam para um aumento no índice de preços ao consumidor para
patamares de 0,40% em outubro e novembro, ante os 0,25% verificados nos últimos
meses diante de cotações mais elevadas nos principais produtos do campo. Ontem,
mais uma vez, os números da Fundação Getúlio Vargas mostraram que os alimentos
têm contribuído para a inflação.
O mês de
agosto já tem registrado patamares de preços agrícolas valorizados - são os
mais elevados desde março de 2005, quando atingiram 7,5%. Segundo o índice da
RC, as cotações no atacado acumulam alta de 7% no mês em relação a julho. É a
segunda consecutiva - no mês passado o incremento foi de 0,9%. Na comparação
com o ano passado, a valorização é de 25,5%.
"Todo
ano tem um pouco disso, nesta época, mas desta vez a alta foi ainda mais
elevada. Houve uma disparada nos preços em função de uma conjunção de
fatores", afirma o economista da RC Consultores, Fábio Silveira. Entre
eles estão a oferta restrita de carne bovina - em virtude de entressafra,
volume grande exportações e abate de matrizes nos últimos anos - e os preços
internacionais mais altos do milho e soja que se refletem também nas cotações
dos suínos e frangos; além do início da entressafra de grãos no Brasil, da
desvalorização do câmbio após a crise financeira dos Estados Unidos e um
aumento da demanda por alimentos no País, decorrente da maior renda.
Silveira
explica que, por questões de metodologia, a alta nos preços agrícolas de
reflete de forma mais instantânea no Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M),
que no Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPC-A) - neste há uma diluição
das valorizações e que, por isso, o impacto da alta nas cotações do campo será
sentida ainda nos próximos meses nele. "O que vem de pressão altista sobre
os índices de preços ao consumidor pela frente é maior do que já teve até o
momento", conclui.
Pelas
projeções da RC Consultores, no período de 45 a 60 dias diminui a pressão das
carnes com o fim da entressafra na pecuária de corte. Por outro lado, a
consultoria prevê também mudanças nos patamares dos preços agrícolas em um
universo de 60 a 75 dias a partir da perspectiva de que a safra brasileira de
grãos será mais uma vez recorde - a empresa prevê 144,1 milhões de toneladas.
"Isso não significa que os preços vão desabar, mas que se interrompe a
série de alta", afirma o economista.
Segundo
o levantamento mensal da consultoria, em agosto, as maiores valorizações nos
preços agropecuários ocorreram no boi, com alta de 7%, e no leite, 9,6% - ambos
são influenciados pela menor disponibilidade de pastagem devido ao
"período de seca" tradicional no inverno nas regiões produtoras. No
acumulado do ano, o tomate registra o maior incremento nas cotações, com
valorização de 50,1%, seguido suínos (20,2%), milho (17,1%) e feijão (11,7%).
No ano,
apenas em fevereiro o Índice RC de preços agrícolas no atacado havia sido
superior a um dígito. Ocasião em que a taxa foi de 2% - influenciada sobretudo
pela valorização da laranja e do frango.
(Gazeta
Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Neila Baldi)
30/08/2007
Grãos
Marli
Lima
O Paraná
poderá colher 30 milhões de toneladas de grãos na safra 07/08, sendo 21,59
milhões de toneladas no verão. A Secretaria da Agricultura do Estado divulgou
ontem a primeira previsão de safra e mostrou que, para a soja, haverá aumento
de apenas 0,1% na área plantada e de 1,6% na produção, estimada em 11,995
milhões de toneladas. O milho deverá ocupar espaço 3% maior, mas a expectativa
de colheita é de 8,7 milhões de toneladas, 1,7% menor que a do período
anterior, quando a produtividade média obtida, de 6,68 mil quilos por hectare,
foi 24,7% superior à das últimas quatro safras.
A área
de cultivo foi mantida em 5,8 milhões de hectares porque a fronteira agrícola
do Paraná está praticamente esgotada. Mas o clima é de otimismo, devido aos
preços da soja e do milho. A secretaria informou que o preço médio da saca de
60 quilos de milho ontem era de R$ 17,50, 48,3% maior que em agosto de 2006. No
caso da soja a alta foi de 14,5%, para R$ 31,64. A isso se soma o uso de
tecnologia, o clima bom e aumento na produtividade, condições que o secretário
Valter Bianchini espera que se repitam em 2007/08.
A maior
produção do Estado foi obtida em 2002/03, quando a colheita foi de 30,2 milhões
de toneladas. Mas depois os agricultores enfrentaram problemas climáticos. Na
safra 05/06, por exemplo, foram colhidas 23,9 milhões de toneladas. Na 06/07,
que está sendo concluída, o volume deverá chegar a 29,5 milhões de
toneladas.
A área
plantada com milho será de 1,367 milhão de hectares e a com soja, de 3,95
milhões de hectares. A área de cana-de-açúcar deverá crescer 5,4%, para 582,2
mil hectares, principalmente sobre áreas de pastagens na noroeste. A produção
está estimada em 49,3 milhões de toneladas, alta de 5,7%. De acordo com
Bianchini, a expansão dessa cultura no Paraná é limitada pelo clima e
competição com outras culturas lucrativas.
A
secretaria prevê que a área de feijão deverá sofrer redução de 15,3% para dar
espaço para o milho, porque os agricultores tiveram perdas em função de chuvas
na colheita e preços baixos na comercialização. A produção poderá ser 2,3%
menor, ou de 552 mil toneladas. Para o café, a área cresce 0,7%, mas a produção
será 20% maior, de 124,2 mil toneladas.
Valor Econômico
30/08/2007
Café
Arnaldo
Galvão
O
Conselho Monetário Nacional (CMN) reduziu de 9,5% para 7,5% ao ano a taxa de
juros dos financiamentos com recursos do Funcafé contratados a partir de 1º de
julho de 2007. O spread bancário de 4,5% ao ano foi mantido. Ainda no âmbito do
Funcafé, o limite de crédito para custeio e colheita subiu de R$ 1,44 mil por
hectare para R$ 2 mil. O máximo por tomador foi elevado de R$ 200 mil para R$
250 mil.
Outras
duas medidas completam o conjunto de apoio aos produtores de café. Na primeira,
o CMN aprovou a vinculação de garantias adicionais para financiamento de
estocagem, mantida a exigência de penhor de documento de depósito
representativo de café financiado. Na segunda, admitiu que o prazo de reembolso
dos financiamentos de estocagem pode ser feito em pagamento único ou parcelado
com o agente financeiro. Para que isso ocorra, na safra 2007/08, tem de ser
respeitado o limite de 30 de maio de 2008.
O CMN
estabeleceu novos fatores de ponderação da poupança para garantir mais recursos
a taxas de juros controladas (6,75% ao ano). O objetivo é reduzir custos do
Tesouro com equalização de juros entre 1º de julho de 2007 e 30 de junho de
2008. Os novos fatores são: 1,489 para o Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar (Pronaf) e 1,839 aos financiamentos dos demais produtores
rurais.
Segundo
o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson
Bittencourt, os recursos destinados à safra 2007/08 no Pronaf são quase de R$
12 bilhões, dos quais R$ 1,7 bilhão oriundos da poupança. Na produção agrícola
empresarial, a safra atual terá crédito de R$ 60 bilhões. Desses, cerca de R$
4,5 bilhões são da poupança.
Outros
dois votos aprovados no CMN detalharam as condições para a redução e a
prorrogação de dívidas rurais. É a regulamentação dos Decretos 6.200 e 6.201
publicados ontem no Diário Oficial da União. A base de todas essas normas é a
Lei 8.427 de 1992.
Segundo
Bittencourt, o total de vencimentos de dívidas referentes ao custeio de safras
anteriores neste ano é de R$ 1,8 bilhão. Para os financiamentos de
investimento, gira em torno de R$ 6 bilhões.
Os
custos com a redução de dívidas que envolvem os programas Moderfrota,
Moderagro, Moderinfra, Prodecoop, Prodefruta, Prodeagro, Propflora, Proger
Rural e Finame Agrícola Especial que usam recursos do FAT, do BNDES e dos
fundos constitucionais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste são de R$ 417 milhões.
Entre as culturas beneficiadas estão algodão, arroz, milho, soja, sorgo e
trigo. Desses R$ 417 milhões, R$ 309 milhões são da União e R$ 108 milhões do
BNDES. Para Bittencourt, a concessão de reduções e prorrogações de dívidas no
âmbito do Pronaf terá custo de R$ 405 milhões para o Tesouro. Do total, R$ 23
milhões são referentes à safra 2003/04 e R$ 160 milhões de 2004/05. "A
expectativa é limpar as dívidas da safra 2006/07 tentando receber o maior
volume possível de dinheiro e evitar levar mais problemas para o futuro.”
Valor
Econômico
31/08/2007
Máquinas Agrícolas
Sérgio
Bueno
O
crescimento da produção e os bons preços obtidos pelas commodities agrícolas na
safra deste ano estão se refletindo nas vendas de máquinas e implementos
agrícolas da 30ª edição da Expointer, que começou sábado e vai até domingo em
Esteio (RS). Segundo empresas do setor, esta é a melhor edição da feira desde
2004.
O
Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers)
estima R$ 120 milhões em vendas, 38% acima do valor de 2006, mas abaixo dos R$
220 milhões de 2004. "Nos últimos anos o Rio Grande do Sul havia
enfrentado duas frustrações de safra devido à seca e em 2006 os preços dos
grãos também estavam achatados", diz o presidente da entidade, Cláudio
Bier.
"O
astral está melhor neste ano", constata o diretor de marketing da Massey
Ferguson, marca da AGCO do Brasil, Fábio Piltcher. Segundo ele, a procura está
aquecida no segmento de tratores pequenos, destinados à agricultura familiar,
mas há um aumento maior nas linhas de máquinas de maior porte, acima de 150
cavalos de potência.
Piltcher
ainda não tem números fechados sobre as vendas na Expointer, mas afirma que o
desempenho confirma a tendência de aumento da demanda por colheitadeiras. De
janeiro a julho, a empresa vendeu 202 máquinas no país, 110% a mais do que no
mesmo período de 2006. O mercado total cresceu 105,5%, para 1.034 equipamentos,
conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores
(Anfavea).
"Os
produtores estão confiantes no resultado da atividade, há necessidade de novas
tecnologias e linhas de crédito disponíveis", acrescenta o gerente de
vendas da John Deere, Paulo Kowalski. Segundo ele, depois de dois anos ruins o
setor está se recuperando, auxiliado pela redução das taxas de juros do Finame
Moderfrota, para 7,5% e 9,5% ao ano, de acordo com o porte dos
agricultores.
A Valtra
espera crescimento de 30% nas vendas na Expointer deste ano em comparação com a
exposição do ano passado, diz o gerente de marketing, Jak Torreta. Ele não
detalha volumes, mas relata que a demanda está forte no segmento de tratores de
média potência, na faixa de 120 cavalos. O mesmo ocorre nas linhas destinadas à
silvicultura devido aos investimentos em florestamento realizados no setor no
Estado por empresas como Aracruz, VCP e Stora Enso.
De
acordo com levantamento divulgado ontem pela Secretaria da Agricultura do
Estado, a venda de animais também já superou a marca registrada em toda a feira
do ano passado. Até a noite de quarta-feira o valor havia alcançado R$ 7,6
milhões, ante R$ 7,3 milhões durante todos os dias da exposição em 2006.
Folha de S. Paulo
01/10/2007
Sistema S
DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA
Financiado
com a receita de contribuições sobre a folha de salários das empresas, o
Sistema S reúne nove instituições: Sesi e Senai (indústria), Sesc e Senac
(comércio), Senar (agricultura), Sescoop (cooperativas), Senat e Sest
(transportes) e Sebrae (micro e pequenas empresas). Recentemente o governo
incluiu duas entidades na lista dos beneficiados com os recursos das
contribuições: Apex (Agência de Promoção de Exportações) e ABDI (Agência
Brasileira de Desenvolvimento Industrial).
No ano
passado, segundo informações do Fórum Nacional do Sistema S, as entidades
arrecadaram R$ 10 bilhões, e a previsão é fechar 2007 com uma receita de R$ 11
bilhões. Os recursos vêm de contribuições parafiscais, de mensalidades de
associados, de receitas financeiras e de aluguel de imóveis.
As
contribuições são chamadas parafiscais porque têm natureza tributária, mas são
destinadas a entidades privadas. Por atuarem em cooperação com o Estado nas
tarefas de serviço social e de formação profissional, tais entidades, que são
vinculadas ao sistema sindical, recebem as contribuições, que estão garantidas
nos artigos 149 e 240 da Constituição.
Os
ministérios do Trabalho, do Desenvolvimento Social e do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio atuam na supervisão do sistema, que tem suas contas
fiscalizadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e pela CGU (Controladoria
Geral da União). Embora as entidades não estejam sujeitas à lei de licitações
ou à realização de concursos para admissão de pessoal, os órgãos de controle vêm
cada vez mais definindo regras para o sistema similares às do setor público.
Uma
parcela expressiva das contribuições é arrecadada para os "Ss" pela
Receita Federal. Algumas entidades, no entanto, podem arrecadar diretamente as
contribuições, desde que tenham autorização legal para isso. As entidades da
indústria atualmente recebem recursos diretos de mais de 4.500 grandes
empresas.
No
primeiro semestre deste ano, a Receita arrecadou R$ 2,865 bilhões para o
sistema, o que significa um aumento real de 30% em relação ao mesmo período de
2006. Cada uma das entidades tem uma alíquota de contribuição que varia, na
maior parte dos casos, de 1% a 1,5% sobre a folha. (JS)
Folha de S. Paulo
29/09/2007
Opinião
Quando
os preços agrícolas despencam por qualquer razão (em geral por causa do excesso
de oferta), e não cobrem os custos de produção, os agricultores -como qualquer
empresário eficiente- deixam de plantar. Se acontecer uma seca muito ampla e
intensa, a produção pode cair demais, não atendendo à oferta, e os preços sobem
de novo. Aí os agricultores voltam a plantar e a oferta excede a demanda, os
preços caem outra vez e assim vai a vida no campo nos países onde não existem
políticas estabilizadoras da renda rural. É a instabilidade, ruim para todos,
produtores e consumidores.
O pior é
que, quando um país está lutando para combater a inflação, o desastre dos
agricultores é a felicidade do governo, porque os preços baixos permitem maior
consumo com oferta abundante, e os consumidores -sobretudo os de baixa renda-
podem ficar com a sensação de que aquilo é resultado de uma boa ação
governamental. Na verdade, trata-se de um incidente do mercado, com a vantagem,
do ponto de vista oficial, de derrubar os índices inflacionários.
Porém,
milhares de produtores quebram principalmente os pequenos, deixam a atividade e
a produção acaba diminuindo. Os preços voltam ao patamar anterior e, não raro,
a agricultura é acusada de ser causadora da inflação, quando, na verdade, o que
acontece é apenas uma recuperação.
Acrescenta-se
a isso o dado óbvio de que existe a safra e a entressafra. Na safra, os
agricultores precisam pagar suas contas e vendem a produção a qualquer preço.
Mercado não tem coração, aperta os mais fracos. Na entressafra, aqueles que
conseguem agüentar vendem a preços melhores. Ora, isso é outra perversidade,
porque concentra a renda: quem agüenta mais tempo vende melhor; quem está mais
apertado ganha menos ou até perde, vendendo abaixo do custo.
Os
governos dos países em desenvolvimento geralmente não entendem isso ou, se
entendem, não ligam, porque os consumidores têm muito mais votos que os
produtores. Por outro lado, sabem que, na economia globalizada, sempre dá para
importar e cobrir a falta eventual de produtos. Mas a sociedade precisa
compreender.
Nos
últimos anos, o Brasil viveu uma das suas piores crises agrícolas, com grande
quebradeira no campo, necessidade de prorrogação das dívidas e outras medidas
extremas para sustentar a atividade. Os preços foram parar lá embaixo. Era
evidente que uma hora voltariam a subir, recuperando-se. E, é claro, logo
surgiriam vozes acusando a agricultura de alimentar a inflação, esquecidos do
contrário acontecido antes.
Estamos
perto disso, até porque há um aquecimento dos preços dos alimentos em razão da
demanda por milho nos Estados Unidos e na China. No entanto, os números não
mentem. Dados do IBGE indicam que de janeiro de 1994 (ano da implementação do
Plano Real) a agosto de 2007, o IPCA aumentou 212%.
No mesmo
período, leite aumentou 181%, aves e ovos, 170%, carnes, 155%, hortaliças e
verduras, 150%, cereais e leguminosas (arroz, feijão, soja, milho, trigo etc.),
124%, e frutas diminuíram 34%. Tudo abaixo do IPCA.
No
entanto, serviços de comunicação aumentaram 661%, combustíveis, 634%, aluguéis,
477%, transporte, 442%, eletricidade, 393%, tudo acima do IPCA. Os agricultores
pagam por todos esses serviços, assim como os demais consumidores. Seu custo
aumenta. E a sua renda?
Como
pode a agricultura ser responsabilizada pelo aumento da inflação?
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ROBERTO RODRIGUES, 65, coordenador do Centro de Agronegócio
da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e professor do
Departamento de Economia Rural da Unesp - Jaboticabal, foi ministro da agricultura.
Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.
30/09/2007
Opinião
VINICIUS
TORRES FREIRE
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Não
há alta geral de preços, há ainda dúvida sobre "excesso" de consumo e
sobre a duração da carestia da comida no país
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O
ESPECTRO da inflação da agricultura, "agflation", está à solta no
mundo. Mexicanos reclamam da tortilha cara, franceses, da baguete, e italianos,
do macarrão. A agrinflação permeia também o debate brasileiro sobre preços e
juros.
A
comida teve o peso mais importante na alta da inflação brasileira de 2006 para
2007, é sabido. "Leite e derivados" vão à frente, com
"tubérculos, raízes e legumes" e "aves e ovos" no segundo
posto, embora o leite tenha pesado cerca de três vezes mais que cada um desses
outros grupos de produtos. No Brasil, o caso pior é o da lactoinflação.
Embora
a exportação brasileira de leite e derivados seja pequena, além de o leite não
ser um produto negociado como grãos no mercado global, o preço mundial desses
produtos subiu 40% neste ano, segundo dados elaborados pelo Dieese. No Brasil,
os lácteos ficaram 35% mais caros, contra 2% em 2006.
Discute-se
o fator mais relevante no aumento do leite (e comida em geral), se a alta do
consumo mundial, o tempo ruim ou o desânimo do produtor nacional com os preços
dos últimos anos, que contiveram o ritmo de aumento da produção.
O
aumento do consumo dos mais pobres no Brasil decerto deve ter tido papel
importante. Também devem ter influenciado o preço de "tubérculos, raízes e
legumes", em alta de 21,5% no ano (queda de 34% em 2006). Sim, trata-se de
abóbora, batata, chuchu, cebola e mandioca. Aves e ovos subiram menos, 9%, mas
pesam mais na cesta de consumo e, pois, no IPCA. As exportações nacionais de
frango são importantes.
O
preço médio da venda externa desse produto cresceu 21% no ano e o das vendas
brasileiras de milho subiu 36%. O milho dispara devido à alta de consumo
global, influenciada pelo ineficiente álcool americano, feito com o grão. As
carnes, que na média mundial consistem de grãos sobre quatro patas, são o
próximo item do ranking do aumento da inflação de 2006 para 2007 -e o Brasil
exporta cada vez mais carne.
Por
que a minúcia sobre frangos, chuchus e milho? Parece evidente que grãos mais
caros no mundo e o povo a comer mais, até no Brasil, tendem a pressionar a
inflação.
O
quanto, e por quanto tempo, é o nó da questão. Nem todo preço dispara, nem
mesmo o da comida, nem em serviços. Sim, a média de aumentos elevou-se de 2006
para 2007; o preço da comida depende ainda de custos como salários.
Mas,
apesar dos recordes globais, ainda não se conhece o efeito de preços maiores
sobre o aumento da produção, e há analistas no mercado mundial que já estimam
queda forte no preço do trigo (sim, estimativas econômicas são o que se sabe).
O preço doméstico do leite se aquieta um pouco, e é esperada mais reação dos
produtores. É mais complicada a situação de trigo e milho, que não é só insumo
de carnes, mas da cadeia industrial de muitos alimentos.
O
Banco Central ressaltou no seu relatório trimestral que a inflação da comida
tende a contaminar com mais força a expectativa geral de inflação. Mas ainda há
dúvida sobre "excesso" generalizado de consumo.
Uma
pausa de uns três meses no corte de juros, de mísero 0,25 ponto percentual, não
vai fazer lá grande diferença. Porém, espraiar a fobia de inflação também não é
razoável.
01/10/2007
Agronegócio
Mauro
Zanatta
Em busca
de reduzir o custo do dinheiro, e favorecido pela elevada liquidez nos mercados
financeiros globais, o setor de agronegócios tem provocado um forte aumento na
demanda por captação de recursos no exterior. Tradings, cooperativas e
produtores rurais têm sofisticado suas operações para aproveitar o bom momento
de de queda na percepção de risco de crédito do país, a estabilidade da moeda e
a demanda internacional por alimentos aquecida nos principais mercados.
Dados do
Banco Central consolidados pelo Banco do Brasil mostram a ampliação do fluxo
das operações para R$ 177,82 bilhões entre janeiro e agosto deste ano. Este
volume significa um aumento de 4,7% em relação aos R$ 169,85 bilhões
registrados em todo o ano de 2006. Nesse cálculo estão incluídas transações
comerciais e financeiras em modalidades como Adiantamento sobre Contrato de
Câmbio (ACC), Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE) e operações de pré-pagamento
para investimentos, internalização de recursos (Resolução nº 4131 do BC) e a
chamada "63 Caipira".
As
operações de financiamento externo ajudam a fixar margens de lucro, financiar e
comercializar a produção de forma antecipada. Com isso, induz à adoção de
mecanismos de proteção (hedge) cambial, o que evita o descasamento entre os
contratos em dólar ou euro e a cotação do produto em real. O hedge é feito por
contratos futuros em bolsas ou a termo, como o "Non-Deliverable
Forward" (NDF), que garante uma taxa de câmbio futura para a moeda base do
contrato.

"Há
um interesse cada vez maior do capital estrangeiro pelo Brasil por causa da
redução do riscos e pelo agronegócio em razão de nossa competitividade
natural", analisa o diretor de agronegócios do BB, José Carlos Vaz. Mas o
executivo alerta para a necessidade de "casar" as operações de
captação externa com hedge de preços e de câmbio. "Não basta só um
deles".
Embora
encarada como uma operação complexa, que exige ainda mais organização e
instrumentos de auditoria das atividades, a captação externa tem seduzido
grandes produtores. Dono da Vanguarda do Brasil S.A, o mega-produtor Otaviano
Pivetta, que planta 180 mil hectares de soja, algodão, milho e arroz em onze fazendas
de Mato Grosso, afirma que o mecanismo "melhora a performance" da
atividade, desde que bem gerenciado. "Há um deslocamento natural das
operações com tradings para esses mecanismos", afirma Pivetta, cujo grupo
estima faturar US$ 200 milhões neste ano.
O
diretor financeiro da Vanguarda, Silas Lima, informa que o grupo já captou US$
50 milhões para financiar a nova safra, que começa a ser plantada neste mês. Os
recursos de pré-pagamento, por exemplo, são usados como capital de giro com
juros bem mais baratos do que cobrado no Brasil. Com prazo de 12 a 42 meses, o
dinheiro custa 8% ao ano. Nas tradings, os juros chegam a 15% e nos bancos, a
12%.
A
garantia é uma Cédula de Produto Rural (CPR), cujo custo é reduzido em razão de
um sistema de monitoramento feito por uma empresa externa desde o plantio até o
embarque da produção. No total, as captações externas da Vanguarda significam
dois terços dos recursos usados para movimentar as atividades.
Produtor
de 30 mil hectares em Rondonópolis (MT), Bruno Goellner afirma que a captação
externa responde por 60% da necessidade de financiamento, estimada em US$ 20
milhões por safra. Os juros ficam entre 8,5% e 9% ao ano. Segundo ele, 80% está
"travada" em operações de NDF ou em bolsas. "Dá para evoluir ainda
mais. Ficar na mão de tradings nunca mais", diz. Goellner avalia que será
possível reduzir o custo do dinheiro com certificados socioambientais,
auditoria de balanços, organização e gestão profissionalizada.
As
tradings brasileiras confirmam a tendência de adoção dos mecanismos. Como os
preços internacionais da commodities subiram, será preciso mais recursos.
"As condições estão melhores e está aumentando a comercialização
futura", diz o vice-presidente da Caramuru, Cesar Borges de Sousa
05/10/2007
Opinião
Tem-se
falado muito ultimamente no aumento dos preços de produtos da agricultura. O
consumidor preocupa-se com esses aumentos e as autoridades responsáveis pela
estabilização da economia também. Para avaliar os efeitos da agricultura na
economia, porém, é necessário examinar um período de tempo maior, e não apenas
as últimas semanas. A figura 1 mostra o que aconteceu com a produção de cinco
produtos agrícolas importantes na formação do custo da cesta básica e na
composição dos índices de preços durante as três últimas décadas.
A linha
de baixo mostra a evolução da área colhida no país. Aumentou muito pouco nesse
período. As duas linhas superiores representam a produção e a produtividade. O
gráfico mostra que a agricultura brasileira cresceu via ganhos de produtividade
O efeito
dos ganhos de produtividade é representado na figura 2, que mostra a evolução
do custo de alimentos básicos para a população da cidade de São Paulo. Apesar
do enorme crescimento da população da cidade nesse quase meio século e do
aumento da renda pessoal, os preços dos alimentos básicos decresceram
continuamente desde meados da década dos setenta.
Seria
altíssimo o custo dos alimentos básicos hoje caso a produtividade permanecesse
nos níveis dos anos setenta. Ganhou o consumidor e a economia como um todo,
pois isso significou menor custo de alimentação e menor pressão inflacionária.
Há mais de trinta anos que a agricultura contribui para a redução da inflação.
A inflação devida a alimentos é a mais socialmente danosa, pois prejudica
principalmente o consumidor de baixa renda.
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--------------------------------------------------------------------------------
A
preocupação atual com os preços dos alimentos esquece a contribuição da
agricultura e do agronegócio para a redução dos preços ao longo de todas essas
décadas. E a agricultura deu essas enorme contribuição aos consumidores e à
estabilização da economia, ao mesmo tempo que gerava crescentes saldos na
balança comercial. Nos últimos anos, a agricultura foi responsável por quase o
total do saldo comercial brasileiro. A figura 3 mostra essa outra contribuição
da agricultura.
O
produtor agrícola de produtos básicos não teve seus preços elevados de forma
significativa. No caso do feijão, alimento básico, os preços recebidos pelos
agricultores são declinantes, como mostra a figura 4. Dessa forma, boa parte
dos ganhos de produtividade alcançados pelos produtores foram repassados para
os consumidores, como esperado em mercados de demanda inelástica.
A partir
dos anos 70 a agricultura se modernizou e tornou-se muito mais produtiva, como
visto na figura 1. Isso possibilitou a diminuição nos preços de alimentos
básicos como arroz, feijão, milho, soja e trigo, como visto na figura 2.
Possibilitou também a geração líquida de divisas pela expansão do saldo
comercial da agricultura e agronegócio, como mostra a figura 3. Apesar disso,
os produtores não receberam ganhos exagerados. Um exemplo é o de produtores de
feijão. A figura 4 mostra a evolução do preço recebido por produtores de feijão
nas últimas décadas. Há sensível queda de preços. Vários fatores interferem
nesse quadro, mas ganho de produtividade é o mais importante deles.
Em
conclusão, aumentos de preços de produtos agrícolas ocorre neste momento em que
a demanda está aquecida por aumento de compras de países importadores e redução
de oferta de países exportadores. Este é um mercado globalizado. Os produtos
agrícolas de modo geral são bens exportáveis. O que é certo é que a agricultura
responde rapidamente a esses incentivos de preços, a menos que autoridades
competentes facilitem importações, promovendo a produção em países concorrentes
e desestimulando a produção interna, uma volta ao passado.
Aumento
de preços de alguns produtos nem sempre configura um processo inflacionário.
Importar desnecessariamente pode criar condições para tal processo. A
agricultura brasileira não precisa nem quer subsídios ou proteção exagerada.
Sem essas condições, ela foi capaz de ajudar em muito o Brasil, como mostram as
quatro figuras acima.
Hélio
Tollini é Ph.D. em Economia.
05/10/2007
Opinião
5 de
Outubro de 2007 - Em 4 safras, plantou-se com uma cotação do dólar e colheu-se
com outra, bem pior.
Na safra
agrícola colhida no ano de 2003, os agricultores ganharam dinheiro: os preços
estavam bons para a maioria dos produtos anuais (em dólares) e o câmbio era
favorável. Os produtores investiram em máquinas, equipamentos e tecnologia, e
se endividaram.
Logo
depois, já na safra de 2004/2005, o ciclo de bons preços acabou e,
adicionalmente, o dólar foi perdendo valor em relação ao real. A renda no campo
desmoronou e o juro continuou correndo, sábado, domingo, feriado, Natal,
réveillon, carnaval...
Aí
vieram as secas de 2004 e 2005 e a quebra da safra foi brutal, especialmente no
Sul. E tome juro. E tome dólar barato.
Os
números são exuberantes e falam por si: entre janeiro e junho de 2004, a
desvalorização cambial foi pequena, de 2,7%; no mesmo período de 2005, foi de
12,2%; em 2006, de 5,2%; e em 2007, de 7,6%. Isto significa que, nas últimas
quatro safras, os produtores plantaram com um câmbio e colheram com outro,
sempre pior, perdendo quase 30% no período, só no câmbio. E sem vantagens, como
têm os setores industriais que importam componentes e depois reexportam
produtos montados no Brasil. A agricultura praticamente só importa
fertilizantes e, neste caso, o câmbio barato não ajudou, porque os preços dos
fertilizantes subiram demais no mundo inteiro, em função da crescente demanda
norte-americana para o milho do etanol e a dos países asiáticos, especialmente
a China.
Só para
falar de 2007, o número já é impressionante. Dados da Confederação Nacional da
Agricultura (CNA) mostram que no Rio Grande do Sul, em janeiro deste ano, eram
necessários 17 sacas de 60 quilos de soja para comprar 1 tonelada de
fertilizantes. E, em maio, já se precisavam de 26 sacas!
No
Paraná, a variação foi de 19,60 sacasonelada para 27,12 sacasonelada. E no Mato
Grosso, mais afetado pela tragédia da logística, em janeiro se precisavam de
26,30 sacas e em maio, de 31,26 sacas. Só para o fertilizante! E os outros
custos todos: mão-de-obra, máquinas, combustíveis, sementes, transporte,
armazenagem? Os preços ao câmbio atual não os cobrem. Uma boa produtividade
agrícola, de 55 sacas de soja por hectare, por exemplo, custa quase 60% só em
fertilizantes no norte do MT.
Mas não
é só na soja, ou só no Mato Grosso.
Dados do
Departamento de Economia Rural (Deral) do Estado do Paraná mostram que, para
comprar um trator de 75cv de potência, em 2000 eram necessários 3.638 fardos de
algodão de 15 quilos cada; em 2007, são necessários 4.914 fardos, cerca de 40%
a mais.
Para
comprar a mesma máquina, em 2000 eram necessárias 1.943 sacas de 60 quilos de
soja. Hoje são 2.660 sacas; para trigo, era preciso 2.510, hoje 2.840; para
milho, de 3.096 foi para 4.944 sacas; e para arroz foi de 2.306 para 2.647
sacas.
Estamos
diante de uma clara transferência de renda rural-urbana. O câmbio vem tirando
dos produtores uma chance de recuperarem sua renda perdida entre 2004 e 2006.
Os preços hoje estão bons para a maioria das commodities, em dólares. Os
agricultores argentinos estão felizes, pagando 3,2 pesos por dólar. E nós aqui,
além de não nos beneficiarmos com os bons preços, acabamos criando uma divisão
entre os agricultores brasileiros, em dois grupos: os "costeiros",
aqueles localizados em regiões próximas dos portos e dos grandes centros de
consumo, que ainda conseguem se equilibrar; e os da fronteira agrícola, do Mato
Grosso, do Tocantins, de Rondônia, do Maranhão, estes heróis que deixaram seus
estados natais e foram abrir fazendas, gerando empregos, riquezas, impostos e
renda para o País; na distância em que estão, a logística come o que o dólar e
os juros ainda não tomaram. E a atividade vai ficando inviável, em um momento
no qual há até uma inflação mundial dos preços, em dólares, seja porque temos
os menores estoques mundiais, em anos, de milho, trigo e arroz, seja pelo
crescimento da demanda, já referida. E não falta quem culpe a agricultura
brasileira pelo crescimento da inflação interna, o que é pura desinformação.
É por
isso que uma política de renda rural é fundamental no País. O seguro vem vindo
aí, novos mecanismos de mercado também, especialmente com a popularização da
Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), mas não dá para esperar. É urgente
reduzir os estragos do câmbio, com pelo menos três caminhos além da recorrente
muito triste renegociação das dívidas: menos tributos e menos juros; e, sem
dúvida, muito investimento em logística e infra-estrutura, conforme projetado
no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3)(Roberto Rodrigues -
Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do
Agronegócio da Fiesp, professor de Economia Rural da Unesp (Jaboticabal) e
ex-ministro da agricultura. Próximo artigo do autor em 26 de outubro)
O Estado de S. Paulo
05/10/2007
Opinião
Nos idos
de 1971, quando era o manda-chuva da área econômica, o então ministro da
Fazenda Delfim Netto, numa entrevista coletiva, perguntado pelo autor destas
linhas sobre o que o governo pretendia fazer diante das notícias de que as
políticas do Polocentro e Polonoroeste já provocavam intenso desmatamento em
Mato Grosso e Rondônia, respondeu: “Nada. Você está querendo inverter a ordem
dos fatores; primeiro vem o faroeste, só depois é que chega o xerife.” Deu no
que deu. Na semana passada, num simpósio em Goiânia, deu ele resposta parecida,
ao se manifestar contra um zoneamento ecológico-econômico para a expansão da
cana-de-açúcar destinada à produção de etanol; primeiro, disse ele, deve vir a
“regulação pelo mercado”.
Curiosamente,
o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, que poucos dias antes, em
depoimento na Câmara dos Deputados, se manifestara a favor de que o zoneamento
proibisse a expansão da cana na Amazônia e no Pantanal, na semana passada
afirmou que o zoneamento previsto para agosto de 2008 (quando a maior parte da
expansão já terá ocorrido) “deverá não apenas permitir como incentivar o
plantio em áreas já degradadas ou devastadas da Amazônia”. E não só citou como
adequadas áreas de pastagem em Roraima, como disse que a essa expansão será
oferecida isenção de impostos e contribuições. Dias depois, foi contraditado
pela ministra do Meio Ambiente.
Seria
interessante que o ministro da agricultura demonstrasse que estruturas serão
capazes da fiscalização que mencionou e que até hoje não funcionaram. Capazes
de impedir a expansão para outras áreas, as migrações de trabalhadores, a
pressão por infra-estruturas de transportes e sociais, a reivindicação de
alcooldutos, etc. E, na verdade, a expansão da cana em certas áreas da Amazônia
já está ocorrendo (O Globo, 29/7): segundo a Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab), a colheita de cana ali já passou na última safra de 17,6
milhões para 19,3 milhões de toneladas, graças ao aumento em vários Estados
(AM, PA, MA, TO, RO, MT). Em Mato Grosso, cresceu 10%; no Tocantins, 13%; no
Amazonas, 8%. Com isso, a safra amazônica já representa quase 5% da safra
brasileira, de 400 milhões de toneladas.
Em seu
discurso da semana passada na ONU, quando se referiu ao zoneamento, o
presidente Lula disse que a cana só ocupa 1% da área agricultável do País - e o
jornalista Marcelo Leite lembrou (Folha de S.Paulo, 26/9) que essa é a área
agricultável total; se se considerar apenas a área já cultivada no País, a cana
representará uns 10%.
A
produção de etanol já está sob ataque em vários fronts, o mais importante deles
a ONU, onde o relator especial para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler,
propôs uma moratória de cinco anos na expansão do etanol derivado da cana, do
milho e outras fontes, para que não cresça o problema da alimentação no mundo.
É uma tese que o presidente brasileiro tem refutado, dizendo que o problema da
fome decorre da concentração da renda no mundo, não da falta de alimentos. E
ainda lembrando que o etanol já evitou no Brasil a emissão de 644 milhões de
toneladas de dióxido de carbono.
E nesse
ponto se entra mais diretamente na questão das mudanças climáticas. O
presidente Lula, ao propor na ONU a realização da Rio + 20, na qual se
avaliariam os resultados no mundo duas décadas depois da reunião do Rio de Janeiro
em que foi aprovada a Convenção do Clima, disse que “não haverá solução para a
humanidade” se não forem mudadas as matrizes energéticas no mundo e os atuais
padrões globais de produção e consumo. É verdade, pelo que dizem hoje
praticamente todos os estudos. Mas haverá acordo quanto aos caminhos na próxima
reunião da convenção, em dezembro (Bali, na Indonésia)? O embaixador especial
da ONU, o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos, acha que o acordo acontecerá. E
que o discurso de Lula “traz nas entrelinhas o reconhecimento de que os países
em desenvolvimento aceitarão um acordo que estabeleça metas para todos os
países, eles incluídos” - o que não tem acontecido até aqui.
Acontecerá
mesmo? Na ONU, o presidente brasileiro disse ser a favor da manutenção do
Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. E o presidente da França, Nicolas
Sarkozy, afirmou que todos os países precisam comprometer-se a reduzir suas
emissões em 50% até 2050. Na mesma semana, entretanto, o presidente dos EUA
deixou claro que seu país não aceitará metas obrigatórias: “Cada país deve
definir seus métodos de combate à poluição, sem comprometer o crescimento
econômico.” E não aceitará nenhum acordo que não defina as obrigações dos
chamados países emergentes (China, Brasil, Índia, México, África do Sul). Por
essa rota da não-aceitação de metas obrigatórias, os emergentes acabam
justificando os EUA e estes justificam os emergentes. No fundo, os EUA
continuam confiando em que viabilizarão tecnologias de seqüestro de carbono no
fundo de antigos campos de petróleo e no fundo dos oceanos, assim como a
utilização de hidrogênio como combustível. E apostando que essas e outras
tecnologias lhes permitirão manter a supremacia econômica e política no mundo.
Haverá
tempo? As notícias dos desastres climáticos e correlatas são a cada dia mais
graves, inclusive no Brasil: seca sem precedentes no Centro-Oeste, perda de
mais de 20% na safra de café, recrudescimento das queimadas e do desmatamento
na Amazônia, previsão do Inpe de que a desertificação no semi-árido atingirá
400 mil quilômetros quadrados, seguradoras brasileiras pedindo um fundo
anticatástrofes (coluna de Sônia Racy, 28/9) para cobrir prejuízos com quebras
de safras. E o degelo no Ártico aumentando este ano em mais de 1 milhão de
quilômetros quadrados.
Teremos
juízo em dezembro, em Bali?
P. S. -
Depois de escrito este artigo, o ministro da agricultura voltou a se desdizer
quanto à cana na Amazônia.
Washington
Novaes é jornalista
E-mail:
wlrnovaes@uol.com.br
05/10/2007
Abastecimento e Armazenagem
Segundo
estimativa da Conab, área plantada pode chegar a 47,7 milhões de hectares na
temporada 2007/08
Fabíola
Salvador
A área
plantada com grãos e algodão na safra 2007/08, que começou a ser cultivada no
mês passado, deve crescer de 1,1% a 3,4%, mostra a primeira estimativa de
intenção de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A área
plantada deve ficar entre 46,7 e 47,7 milhões de hectares, ante 46,15 milhões
de hectares na safra que terminou de ser colhida.
Segundo
a Conab, a produção da nova safra, que começa a ser colhida em fevereiro do
próximo ano, poderá bater novo recorde e alcançar 138,3 milhões de toneladas.
No intervalo inferior da projeção, a Conab estima colheita de 134,9 milhões de
toneladas. Com relação à safra 2006/07, quando a produção somou 131,5 milhões
de toneladas, o crescimento ficará entre 2,6% e 5,2%.
O
diretor de logística e gestão empresarial da Conab, Sílvio Porto, disse que os
técnicos da estatal esperavam ampliação de até 5% da área plantada, mas
explicou que a expectativa de clima menos chuvoso durante o período de cultivo
e de desenvolvimento das lavouras fez os produtores repensarem o plantio.
Ele
lembrou que a falta de chuvas já compromete os trabalhos de campo. "No
Paraná, alguns plantios estão comprometidos e há atraso também no plantio em
Goiás, especialmente no município de Rio Verde", disse Porto. O levantamento
foi feito entre 17 e 21 de setembro em 305 municípios da região Centro-Sul do
País.
Para a
soja, principal lavoura cultivada no País, a estimativa é de plantio de 21,2 a
21,9 milhões de hectares, com crescimento entre 2,4% e 5,7% em relação à safra
2006/07, quando a soja ocupou 20,7 milhões de hectares. De acordo com Porto,
haverá crescimento nas áreas plantadas com soja no Mato Grosso, Goiás, Minas
Gerais e no oeste da Bahia. O avanço ocorrerá em áreas que antes eram ocupadas
pela pastagem. No Mato Grosso, a área crescerá de 7% a 11%.
Na
Região Sul, no entanto, o crescimento será menor em virtude da boa
rentabilidade do milho na comparação com a soja. Para a Conab, a área com soja
pode cair 1,5% ou crescer 2% na região.
Em
relação ao milho, a Conab informou que a área plantada vai oscilar entre 9,6 e
9,8 milhões de hectares, um crescimento de 2,3% a 4,5% em relação ao plantio de
9,4 milhões de hectares na safra 2006/07. A produtividade média das lavouras
deve cair 0,2%, de 3.853 para 3.843 quilos por hectare.
A
produção de milho de verão deve crescer de 1,7% a 4,6%, atingindo entre 37
milhões e 38 milhões de toneladas, ante 36,4 milhões de toneladas na safra
2006/07. "Os preços remuneradores, a melhora na demanda interna e o crescimento
das exportações vão estimular o plantio de milho", disse Porto. Em 2007,
as exportações devem bater o reorde e atingir 9,5 milhões de toneladas.
05/10/2007
Abastecimento e Armazenagem
Conab
confirma safra maior, mas teme clima
Fernando
Lopes
O
primeiro relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre as
intenções de plantio dos produtores brasileiros de grãos na safra 2007/08,
divulgado ontem (dia 4) em Brasília, confirmou as expectativas de consultorias
e corretoras do país e ratificou ao menos uma grande certeza.
Como era
esperado a partir do comportamento dos diversos mercados agrícolas e de insumos
- as vendas de sementes, fertilizantes, defensivo e máquinas estão aquecidas -,
o órgão vinculado ao Ministério da Agricultura captou no levantamento que fez
entre os dias 17 e 21 de setembro que a área plantada será de fato maior na
nova temporada, um novo recorde.
Levando-se
em conta a produtividade média das lavouras nos últimos cinco ciclos, a
produção também caminha para se tornar a maior da história. Mas, como já
advertiam especialistas e confirmou ontem a Conab, o clima pode não corroborar
o resultado sinalizado pela matemática.
Expectativas
confirmadas, fica a certeza, ainda, que permanece inabalável a vocação
brasileira em produzir soja. Carro-chefe do campo nacional, a oleaginosa não
perdeu a liderança nem com os baixos preços que antecederam o plantio da safra
2006/07. E agora, com cotações internacionais extremamente atraentes, é a soja
que puxa o aumento da área de grãos.
Cálculos
do Valor Data deixam mais cristalina esta relação direta entre os preços
internacionais - que refletem o quadro global de oferta e demanda - e o plantio
doméstico. Em 15 de setembro, às vésperas do início do levantamento da Conab,
os contratos futuros da soja estavam 69,73% mais valorizados que em meados do
mesmo mês de 2006 na bolsa de Chicago.
No caso
do milho, mais "vedete" do que nunca nos EUA graças à onda do etanol,
a alta chegava a "apenas" 36,59% na mesma comparação de contratos de
segunda posição de entrega negociados em Chicago. "Roubar" espaço da
soja, assim, ficou mais difícil, ainda que sejam mercados de características
diferentes - a soja sofre maior influência do cenário internacional do que o
milho brasileiro, que busca, graças à boa demanda, se firmar como um produto
"confiável" de exportação.
Ao fim e
ao cabo, a Conab calculou para a soja em 2007/08 uma área plantada de 2,4% a
5,7% maior que a de 2006/07 - na melhor das hipóteses, serão 21,872 milhões de
hectares. Apesar da pressão dos agricultores de Mato Grosso para uma nova
rolagem de dívidas agrícolas, que será definida pelo governo até o fim do ano,
é o Estado que puxa esse avanço. Para o milho também haverá aumento, entre 1,5%
e 3%, o que representará até 14,423 milhões de hectares no total (verão e
inverno).
No
total, portanto, ambos responderão por até 76,1% da área plantada de grãos do
país na nova temporada. Segundo a Conab, todos os grãos semeados no Brasil
ocuparão entre 46,685 milhões e 47,724 milhões de hectares - 1,2% e 3,4% a mais
que no ciclo passado, respectivamente.
Obviamente
a prevalência de ambos também aparece nos cálculos do governo para a produção.
Conforme a projeção apresentada ontem, a colheita de soja renderá entre 59,354
milhões e 61,259 milhões de toneladas, enquanto a de milho será de 51,755
milhões e 52,798 milhões de toneladas. No total, a Conab prevê a safra
brasileira entre 134,889 milhões e 138,323 milhões de toneladas.
E aí
entra o risco climático. Como os números são baseados na produtividade média
das últimas cinco temporadas, e há estiagem em áreas do Sul e do Mato Grosso, o
recorde poderá não acontecer. "Teremos um ano em que o clima não será tão
generoso como foi na safra 2006/07", disse Silvio Porto, diretor de
logística e gestão empresarial da Conab, ao anunciar as previsões.
Mas,
como já informou o Valor, se tudo correr bem a renda dos produtores de grãos
poderá voltar ao pico de 2004. A RC Consultores prevê que o salto em 2008 na
comparação com este ano poderá chegar a 18,6%, para R$ 70 bilhões.
O Estado de S. Paulo
08/10/2007
Abastecimento e Armazenagem
Márcia
De Chiara
A
receita da safra de grãos que começa a ser plantada neste mês no Centro-Sul do
País deverá atingir R$ 76 bilhões com a produção de 143 milhões de toneladas,
segundo cálculos da RC Consultores. É a primeira vez que tanto a produção como
a receita serão recordes. Se as previsões se confirmarem, serão R$ 14 bilhões
adicionais de receita em relação à safra passada e um acréscimo de 8 milhões de
toneladas de grãos.
Do lado
do produtor, o cenário é favorável porque se trata da segunda safra consecutiva
em que há recuperação da atividade, depois do fundo do poço atingido em 2006.
Do ponto de vista macroeconômico, a projeção afasta para 2008 o risco de alta
de preços dos alimentos, o vilão da inflação deste ano.
A
projeção de safra da RC supera as estimativas iniciais do governo. Nas contas
da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2007/2008 deve
oscilar entre 134,9 milhões e 138,3 milhões de toneladas e superar o recorde
atingido na safra 2006/2007, de 131,5 milhões de toneladas. Para o diretor da
consultoria e responsável pelas projeções, Fábio Silveira, as estimativas do
governo estão subestimadas. "O levantamento foi feito em setembro, quando
parte dos produtores ainda não tinha definido o que plantar."
Silveira,
que levou em conta nos cálculos os números do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), os preços coletados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e
o vigoroso ritmo das vendas de insumos até agora, acredita que esse volume
possa até ser superado. De janeiro a agosto, as vendas de fertilizantes, por
exemplo, cresceram 44,8% em relação a igual período de 2006, segundo a
Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).
Em oito
meses, foram entregues aos agricultores 14,508 milhões de toneladas, ante
10,021 milhões no mesmo período de 2006. Desse total, mais da metade (52%) do
volume de fertilizantes é destinado ao plantio de soja e milho, diz o
diretor-executivo da Anda, Eduardo Daer.
"A
indústria de fertilizantes trabalha com a perspectiva de um ano recorde para a
venda de adubos", diz Daer. A projeção é encerrar o ano com 24 milhões de
toneladas - em 2006, foram 20,9 milhões de toneladas. "É um crescimento
significativo. Imaginávamos que haveria uma recuperação da agricultura de
grãos, porém num prazo mais longo."
Avaliação
semelhante é feita por Gilberto Zago, vice-presidente para o segmento de
máquinas agrícolas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea). A entidade acaba de ampliar de 28,4% para 40% a projeção
de crescimento de vendas de máquinas agrícolas no mercado interno. A estimativa
inicial - vendas de 33 mil máquinas em 2008 -, foi revista para 36 mil. Em
2006, foram vendidas 25,7 mil. De janeiro a setembro, o crescimento foi de
43,1% ante 2006. "É um número impactante", diz o executivo.
As
estatísticas do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa
Agrícola (Sindag) revelam que, de janeiro a agosto, as vendas de defensivos
acompanharam o ritmo de fertilizantes e máquinas e cresceram 44% ante 2006. O
Sindag pondera que 2006 foi um ano fraco, por isso a taxa de crescimento é expressiva.
De qualquer forma, em relação a 2005, um ano de melhores resultados para a
agricultura, o acréscimo foi de 14%, aponta a entidade.
A
dobradinha soja e milho deve impulsionar o desempenho da safra de grãos, aponta
Silveira, da RC. Segundo ele, a soja e o milho juntos devem responder por 80%
da produção e mais de 75% da receita prevista. O patamar das cotações dos grãos
no mercado internacional mudou desde o segundo semestre do ano passado, quando
os EUA revelaram a intenção de produzir álcool a partir do milho.
"Esse
cenário fez com os preços da soja, do milho e do trigo ficassem hoje acima da
média histórica", diz o superintendente da Confederação Nacional da
Agricultura e Pecuária (CNA), Ricardo Cotta. Em 12 meses até outubro, o preço
da soja subiu 75% em dólar na Bolsa de Chicago. A cotação do milho subiu 48% em
dólar no mesmo período, enquanto o preço do trigo subiu 116%.
Segundo
Cotta, as cotações desses grãos devem ficar acima da média histórica nos
próximos dois anos em razão da menor oferta de produtos por causa do uso do
milho para obter álcool, combinado com o aumento da demanda da China.
Silveira
destaca que o episódio do etanol obtido a partir do milho fez com que o Brasil
tivesse representatividade no mercado internacional com esse grão. A
expectativa para este ano é de que a exportação brasileira de milho atinja 9,5
milhões de toneladas, um recorde, observa.
Segundo
o economista, o trigo tem sido uma das revelações das últimas safras. A
produção atingiu o pico de 6 milhões de toneladas em 2004, caiu para 2 milhões
em 2006 e agora, pela segunda safra consecutiva será de 4 milhões de toneladas,
mas com um crescimento de 50% na receita. "O trigo vem renascendo. É a
segunda safra consecutiva de recuperação de receita", observa.
Em contrapartida,
as projeções da consultoria mostram uma estagnação na produção e recuo na
receita do feijão e do arroz. Porém, como são produtos voltados para o mercado
doméstico e não há tradição de exportação, o impacto da alta desses grãos no
mercado internacional é nulo
09/10/2007
Café
Mônica
Scaramuzzo
O grupo
paulista Branco Peres reforça suas apostas no mercado de café e de
cana-de-açúcar. A empresa é hoje administrada pelos netos de seu fundador, que
estão imprimindo sangue novo à gestão da companhia.
Contrariando
o movimento de mercado, a café do Centro, torrefadora controlada pelo grupo,
está investindo em cafeterias fora do país. Até o fim deste ano, inaugura sua
terceira loja no Japão e já faz planos para ampliar a rede de lojas para outros
países da Ásia em 2008. Os investimentos no Japão são em sociedade com
executivos locais.

A
escolha do Japão foi uma decisão estratégica acertada. "Se vira moda no
Japão, outros países da Ásia querem copiar", acredita Rafael Branco Peres,
diretor-sócio da café do Centro. As duas lojas do grupo ficam em Tóquio e a
terceira vai ser inaugurada na mesma cidade.
No
Brasil, o grupo quer ampliar sua presença em pontos-de-venda, mas não há planos
para abrir cafeterias. "No país, iríamos concorrer com os nossos próprios
clientes" diz Rafael Branco Peres, que ao lado de seu primo, Rodrigo
Branco Peres, convenceu a família de que a café do Centro seria um bom
negócio.
Os dois
adquiriram a torrefadora em 1995, com um "empurrãozinho do pai".
Inaugurada há 91 anos, a café do Centro é uma das mais antigas marcas de café
do Brasil. "A empresa foi uma das primeiras a apostar na década de 90 em
cafés especiais", conta Rodrigo Branco Peres, diretor-sócio da
torrefadora.
Com uma
fábrica em Adamantina (SP), com capacidade para processar 4,2 mil toneladas de
grão por ano e também para industrialização de café solúvel, a café do Centro
está presente em cerca de 2 mil pontos-de-venda do país, principalmente em
hotéis e restaurantes, além de supermercados de luxo na capital paulista. No
Sul do país, fechou parceria para a distribuição de seu café na rede varejista
Angeloni, de Santa Catarina. Um outra parceria fechada há dois anos com a Rei
do Mate permitiu ao grupo ultrapassar as fronteiras do Sul e Sudeste do
país.
Mas nem
só de café vive a empresa. O grupo também tem planos para crescer no segmento
de açúcar e álcool. Com uma usina em Adamantina, o grupo planeja sua segunda
unidade para os próximos cinco anos.
João
Paulo Branco Peres, diretor de açúcar e álcool do grupo, diz que a família
estuda construir sua segunda usina fora do Estado de São Paulo,
"provavelmente em Goiás". Os estudos indicam uma usina de 3 milhões
de toneladas de cana, em um aporte estimado em US$ 200 milhões.
Na
contramão do setor sucroalcooleiro, o grupo não quer se associar a
investidores. Pelo menos, por enquanto. "Já recebemos proposta pela nossa
usina. Mas a família não quer se desfazer do negócio", diz João Paulo
Branco Peres. A atual unidade do grupo deverá receber investimentos de R$ 40
milhões a R$ 50 milhões para ampliar a capacidade de moagem, dos atuais 1,1
milhão de toneladas em 2007/08 para 1,5 milhão em 2009, podendo chegar a 2
milhões de toneladas.
Com
faturamento da ordem de R$ 300 milhões, a cana representa 40% do total da
receita do grupo. Outros 20% referem-se às exportações de café verde. O café do
Centro, considerado a menina dos olhos do grupo, representa 10%. A produção de
laranja fica com uma fatia de 30% dos negócios do grupo, que fornece laranja
para a Cutrale.
Com
forte tradição agrícola, a família deu início aos seus negócios há 50 anos.
Deolindo Branco Peres, fundador do grupo, começou como negociante de café. O
fundador do grupo passou os negócios para seus filhos, que repassaram a
responsabilidade para a terceira geração da família. "Meu pai continua bem
atuante, mas não fica mais no dia-a-dia", diz João Paulo Branco
Peres.
Apesar
do sangue novo na administração da empresa, o grupo ainda não aderiu à onda de
IPOs (Oferta Pública de Ações) no mercado nacional. "Não temos esse
projeto no curto prazo. Não é porque todos estão fazendo, que vamos
junto", afirma João Paulo.
Valor Econômico
16/10/2007
Café
Mônica
Scaramuzzo
A
expectativa da uma supersafra de café no Brasil no ciclo 2008/09, que começa a
ser colhido a partir de março do ano que vem, dá os primeiros sinais de
arrefecimento. No mercado, as projeções indicavam que a produção poderia
superar a marca de 48,5 milhões de sacas de 60 quilos, volume recorde alcançado
em 2002/03. Mas o longo período de estiagem que atinge as principais regiões
produtoras de grãos do país, como o sul de Minas e a Mogiana Paulista, está
afetando o desenvolvimento dos cafezais, que estão em fase de floração.
A floração
do café vai de setembro até novembro e é essencial para o desenvolvimento dos
grãos. Com a seca, as flores das árvores abrem, mas os frutos não vingam. Mesmo
com a previsão de chuvas a partir deste mês, as perdas anteriores são
consideradas irreversíveis.
Analistas
de mercado trabalhavam com projeções otimistas, indicando colheita superior a
48,5 milhões de sacas, podendo ultrapassar os 50 milhões de sacas. Além do
período de bianualidade da cultura - a safra 2008/09 será mais produtiva que a
atual, de 32,6 milhões de sacas, segundo a Conab -, os melhores tratos
culturais nas lavouras também induzem a uma maior produção. Mas, por conta da
seca, parte dos analistas, sobretudo os mais conservadores, passou a estimar
produção da ordem de 40 milhões de sacas, com quebra de 20% a 30% provocada
pela seca.
Os dados
oficiais do governo e do setor só serão divulgados no fim do ano, após um
balanço feito após o período das floradas, afirma Gilson Ximenes, presidente do
Conselho Nacional do Café (CNC).
"As
chuvas que deverão ocorrer devem estancar a quebra, mas não reverter o que já
se estragou", observa Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, de
Santos (SP).
Mas,
apesar da quebra da safra, os ganhos da cadeia produtiva de café continuarão firmes.
Dados preliminares da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) indicam
que o faturamento da cadeia (produtores, exportadores e indústrias) deverá
atingir US$ 11 bilhões nesta safra 2007/08, 13,4% maior que o ciclo anterior
(de US$ 9,7 bilhões). Para 2008/09, a expectativa é de que a receita atinja US$
12 bilhões, alta de 9%, afirma Nathan Herszkowicz, diretor da Abic. Se
confirmadas as estimativas, o faturamento terá novo recorde.
Conforme
Ximenes, a desvalorização do dólar em relação ao real está comprometendo a
rentabilidade dos produtores brasileiros.
Em Nova
York, os preços do café registram as maiores cotações desde 1999. Nos últimos
12 meses, as cotações do arábica acumulam alta de 24%. Em Londres, o café
robusta subiu 21,14% no mesmo período e apresenta as maiores cotações desde
1998, diz Rodrigo Costa, da Fimat Futures. Ontem, os contratos de março em Nova
York despencaram 995 pontos, para US$ 1,3395 a libra-peso. "Se chover, os
preços devem cair. Mas as cotações devem oscilar entre US$ 1,20 a US$ 1,25 no
médio prazo".
A alta
dos preços já levou algumas empresas, como a Nestlé, a reajustar o produto. No
Brasil, as torrefadoras ainda não têm previsão de reajuste, diz
Herszkowicz.
No
mercado global, a produção está estimada em 114 milhões de sacas em 2007/08,
queda de 6% sobre o ciclo anterior, segundo a Organização Internacional do Café
(OIC). "O país deverá exportar 28 milhões de sacas e consumir no mercado
interno cerca de 45 milhões de sacas. A produção tem de ser, no mínimo, de 45
milhões de sacas", acredita Herszkowicz.
Valor
Econômico
18/10/2007
Opinião
José
Roberto Mendonça de Barros
Está de
volta um velho tema: está a agricultura gerando inflação? Se buscarmos a
resposta nos índices de preços dos principais países do mundo, a resposta é
não. Como se sabe, nestas regiões utiliza-se o conceito de núcleo da inflação,
que resulta da retirada dos elementos voláteis, como energia e alimentos, dos
cálculos globais. Na Europa, nos Estados Unidos e no Japão os núcleos de
inflação estão estáveis ou em queda, ou seja, as altas recentes das cotações de
vários preços agrícolas não contaminaram, pelo menos por hora, a
inflação.
A questão
a ser respondida a seguir é qual será a possível trajetória dos preços
agrícolas para o ano próximo, ou seja, continuaremos a ter preços agrícolas
mais elevados em 2008?
Para
responder a esta pergunta temos antes que lembrar as causas que colocaram os
preços, especialmente de grãos, onde estão hoje. Creio que haverá pouca
discordância com relação à seguinte lista: aumento da demanda de alimentos por
conta da elevação da renda; quebra de safra, especialmente importante no caso
do trigo; elevação na demanda de milho, nos EUA, para a produção de etanol;
elevação na demanda por biodiesel, estimulada pelos altos preços do petróleo; a
desvalorização do dólar, que pressiona e corrige as cotações nas bolsas de
mercadorias; e, finalmente, o contínuo crescimento dos volumes de recursos
alocados nos fundos de "commodities".
Nosso
argumento básico, após considerar a lista acima, é que os preços agrícolas não
continuarão em trajetória ascendente no próximo ano, exceto por distúrbios
climáticos que, hoje, não se pode prever. Antes de tudo temos que considerar a
resposta da oferta agrícola: no caso do trigo, a safra quebrou de forma
importante, no ano em curso, na Austrália, Rússia, Ucrânia e outros lugares,
levando as cotações às alturas. É, pois, natural que o plantio cresça na
próxima estação, trazendo os preços para patamares mais razoáveis. O próprio
mercado futuro assim sinaliza, com as cotações de maio (quando entra o trigo de
inverno americano) já muito mais baixas. O mesmo deverá ocorrer com o plantio de
soja e milho, especialmente na América do Sul. Por outro lado, o salto na
produção de etanol de milho levou a uma derrocada de preços nos EUA, que de
quase US$ 4 por galão no ano passado vieram para US$ 1,6 nos dias de hoje, o
que deverá reduzir a fúria no crescimento da demanda de milho. Como o Brasil já
sabe, a construção de uma infra-estrutura de distribuição de etanol leva tempo
e custa dinheiro. Da mesma forma, a altura atingida nos preços de óleos
vegetais vai desestimular, em certa medida, a demanda de biodiesel. No caso do
Brasil, o biodiesel está inviável, exceto para projetos destinados ao consumo
no local de produção.
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No
Brasil, os preços agrícolas estão no topo e devem recuar, mas a forte demanda
interna na economia acena para uma inflação não mais decrescente
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Em
resumo, o processo de elevação da oferta e redução relativa na demanda está em
pleno andamento, como é tradicional na agricultura. Ademais, é provável que
dentro de poucos meses a desvalorização do dólar seja contida, em virtude do
ajuste externo em andamento nos Estados Unidos. Restam, portanto, dos elementos
altistas, a elevação da demanda de alimentos, que vai continuar, e a entrada de
recursos nos fundos de "commodities". Como já coloquei várias vezes
neste espaço, os fundos continuarão a ser elementos decisivos nos mercados
futuros. Entretanto, estou convencido que eles nunca vão contra os fundamentos,
mas ampliam as variações positivas ou negativas pelo tamanho de suas posições.
Em outras palavras, nenhum mercado será persistentemente altista contra os
fundamentos. Por outro lado, é a atuação dos fundos que abre possibilidades
maiores de "hedge" para os produtores.
Em
conclusão, a elevação da demanda por produtos agrícolas deverá manter os preços
em patamares relativamente elevados. Entretanto, em relação aos níveis
atingidos neste ano, é muito mais provável uma correção negativa de certos
produtos, como o trigo, e uma descompressão nos mercados de grãos como um todo.
Ao longo do tempo, estou convicto que assistiremos, como muitas vezes no
passado, a uma elevação do uso de tecnologia no campo, aumento da área cultivada
em vários países do mundo (e no Brasil, em particular), reduzindo, senão
eliminando, as chances de uma elevação da inflação mundial por conta da
agricultura.
No caso
do Brasil, a influência dos alimentos na inflação é muito maior, pois
trabalhamos com os índices cheios. Mas, apenas a título de exercício, o núcleo
do IPCA, sem alimentos e preços administrados, está em setembro subindo 2,7% no
ano e 3,6% em 12 meses. No IPCA cheio os alimentos sobem 11,2% em 12
meses.
Para o
Brasil tenho a mesma perspectiva acima exposta para os preços agrícolas: os
preços estão num topo do qual deverão recuar. Em alguns casos, como o leite e o
álcool isto já está acontecendo. Em outros, como os grãos, a elevação do
plantio e a queda do dólar deverão levar a níveis menores em 2008, afetando
positivamente o preço das carnes. Em resumo, não tenho preocupação quanto a uma
eventual inflação agrícola, desde que o clima não atrapalhe. Tenho, entretanto,
alguma preocupação com a inflação em 2008 por outras razões, que coloco a
seguir.
Em
primeiro lugar, a demanda interna está crescendo a taxas muito elevadas; as
vendas ao varejo (que são apenas parte da demanda agregada) até julho estão
crescendo 9,7% no ano e 8,7% em doze meses. Embora as importações estejam
crescendo muito rapidamente, a produção destinada ao mercado interno também. É
perceptível, nestas condições, uma recuperação cada vez mais generalizada de
margens nas cadeias produtivas, como na automobilística e na construção civil
(o INCC cresceu 4,62% no ano e a mão de obra 5,33%). Mesmo que as importações
venham a crescer mais, isto leva tempo e ainda assim restará a questão dos
não-comercializáveis. Com a alta do petróleo, os óleos combustíveis cresceram,
até setembro 21,8%, a nafta 27%, o querosene 9,3% e o GNV 7,1%. A cadeia do
plástico e os custos de energia serão pressionados. Finalmente, projetamos
preços administrados maiores no ano que vem, da ordem de 3,8%.
Em
conclusão, a inflação está em leve aceleração e deve ser maior no IPCA no ano
que vem, algo como 4.3%. A inflação brasileira, ainda que baixa, não é mais
sempre decrescente.
José Roberto Mendonça de Barros é economista da MB
Associados. Escreve mensalmente às quintas-feiras.
Valor
Econômico
19/10/2007
Mauro
Zanatta
Demanda
internacional em alta, preços externos acima dos níveis históricos e produção
interna recorde devem levar o agronegócio a expressar o melhor desempenho já
registrado pelo setor. Mesmo com graves problemas de logística, câmbio
desfavorável e elevação de custos de produção, o PIB do agronegócio deve
crescer 5,1% e bater na marca histórica de R$ 567,1 bilhões em 2007 - os
recordes, até agora, foram os R$ 563,8 bilhões de 2004 e a expansão nominal de
8,81%, em 2002.
As
projeções divulgadas ontem pela Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e
o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea) estão
lastreadas na elevação de 2,94% do PIB nos primeiros sete meses deste ano em
comparação a igual período de 2006. O PIB do setor primário, que inclui a
riqueza gerada por agricultura e pecuária, cresceu 5,26% de janeiro a julho. O
estudo CNA-Cepea estima uma expansão de 6,14% no setor primário neste ano -
8,58% na pecuária e 3,7% na agricultura. Em 2006, o agronegócio cresceu 0,45% e
a agropecuária recuou 2,12%. "Está havendo uma recuperação provocada por
preços internos bons, demanda firme e safra recorde", analisa o
superintendente técnico da CNA, Ricardo Cotta. "Mas as dívidas e os custos
altos ainda pressionam a renda". Os bons resultados são a tendência para a
próxima safra, que começa a ser colhida em janeiro. "Se o clima ajudar,
teremos uma safra muito boa em 2008", afirma Cotta.
Mesmo com
o setor primário em boa fase, a indústria ligada ao campo ainda patina. A
expansão do segmento foi muito prejudicada pela performance negativa do
sucroalcooleiro (-21,8%) e do têxtil (-2,13%). Até julho, o PIB da
agroindústria somou só 0,94%. Também recuaram o PIB de papel e celulose
(1,82%), vestuário (1,97%) e calçados (1,96%). No setor de distribuição, o PIB
cresceu 2,5% e na área de insumos expandiu-se 5,54%.
O
cenário favorável para o PIB do setor está concentrado nos bons resultados das
lavouras de grãos, que devem avançar 21,4% neste ano, segundo estimativa para o
Valor Bruto da Produção (VBP), índice que mede a receita dos 25 principais
produtos do setor. Soja (17,6%), cana-de-açúcar (25,6%) e milho (44%) puxam a
fila. Na pecuária, os segmentos de bovinos, frango e leite devem crescer 10,2%
em 2007.
Embalado
pelo cenário mundial favorável, o VBP deve fechar o ano com expansão de 12,8%,
segundo a CNA. A projeção evidencia uma recuperação de R$ 22,6 bilhões no
faturamento bruto das 20 principais lavouras neste ano.
A
tendência futura é positiva, segundo Cotta. O cenário para o leite indica que
as cotações do produto mudaram definitivamente de nível. A forte elevação de
preços deste ano deve recuar um pouco, mas o custo ao consumidor deve permanecer
acima da média histórica porque a demanda externa segue em alta. "A União
Européia acabou com subsídios à exportação e a Nova Zelândia tem restrições
territoriais para crescer. Então, resta o Brasil, onde não há grande oferta do
produto porque os produtores estão ressabiados com a tradicional gangorra de
preços", analisa o superintendente da CNA.
Estado
de Minas
23/10/2007
Economia Rural
Graziela
Reis
6,01% -
Alta no preço do quilo do filé mignon em 2 meses
9,02% -
Queda no preço do quilo do pé de porco no período
6,02% -
Queda do preço do quilo do frango congelado inteiro
O
mercado de carnes passa por um momento de contrastes. Por um lado, o calor dos
últimos meses provocou alta nos preços dos cortes bovinos, por outro,
representou queda nos de suínos. O filé mignon foi a peça que mais encareceu. O
reajuste no preço do quilo chegou a 6,01%. A peça custava perto de R$ 13,82, na
média, em agosto, e agora custa R$ 14,65, de acordo com levantamento do site
MercadoMineiro. Já o preço do pé de porco, usado na tradicional feijoada,
apresentou queda de 9,02%, em dois meses. Seu preço médio no mercado de BH era
de R$ 3,66 e agora é de R$ 3,33.
Entre os
cortes que apresentaram maiores reajustes também se destacam o patinho, com
alta de 3,59%, e o lagarto, que está 3,42% mais caro, na comparação com os
valores médios de agosto. O quilo dos dois cortes (em pedaço) custa atualmente
R$ 8,37 e R$ 8,46, respectivamente. Do lado oposto, seguindo a trajetória de
queda, outros pertences da feijoada ficaram mais baratos. O quilo da orelha de
porco sai, na média, a R$ 2,27. A redução foi de 8,47%. Já o rabo de suíno
apresentou queda de 6,8% e agora é vendido por R$ 5,07. Os preços do frango
estão mais estáveis. Porém, a pesquisa indicou alta no quilo de asinha, de
1,91%, e redução no valor do frango congelado inteiro, de 6,02%.
O dono
da loja Feijoada de Minas, do Mercado Central, Rogério Fábio Belo, explica que
o calor se reflete diretamente no preço dos pertences do tradicional prato com
feijão preto. “Quando está muito quente, ninguém faz feijoada”, observa. Agora,
que começaram as chuvas, ele acredita em uma ligeira recuperação de preços. Mas
observa que as carnes mais nobres de suínos, como lombo, estão com seus valores
estáveis.
O
auxiliar de balconista do Frigorífico Serradão do Bairro Milionários, Rogério
Mendes da Silva, confirma que basta esquentar para caírem os preços dos cortes
suínos mais usados na feijoada. “A carne de boi está aumentando porque o pasto
secou, não deu para engordar os animais e começou a faltar no mercado”,
explica. O frigorífico, segundo o levantamento do MercadoMineiro, foi o que
apresentou alguns dos menores preços no quilo de coração de frango, pé de porco
e pernil sem osso. Silva explica que a rede consegue boas negociações para
compra dos produtos porque faz parte da cooperativa frigorífica Frigobet, de
Betim.
Em BH,
as maiores variações de preços encontradas foram para o toucinho comum, de
302,02%, e para o toucinho para torresmo, de 236,36%. Para os cortes bovinos, a
picanha ficou com a maior diferença de preços da cidade, de 147,15%. O quilo
pode custar de R$ 9,99, no Frigorífico Alvorada da Rua Caetés, até R$ 24,69, no
Extra do Minas Shopping.
01/11/2007
Máquinas Agrícolas
Cibelle
Bouças
O ano
positivo para os produtores brasileiros de grãos, devido aos bons preços
internacionais, e a expectativa de uma nova safra recorde em 2008 leva as
indústrias de máquinas agrícolas a apostarem na entrada de um novo ciclo de
alta para o setor, que deve durar pelo menos até 2010. "Não há previsões
de alteração nos atuais parâmetros de preços pelo menos nos próximos três anos,
reflexo do aumento da demanda global por alimentos e a disputa por área para
culturas voltadas à bioenergia", afirma Milton Rego, vice-presidente da
Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Para as
indústrias de máquinas agrícolas, que devem encerrar 2007 com crescimento de
41% nas vendas para o país , a expectativa é, no próximo ano, voltar aos níveis
recordes alcançados em 2002. Para o mercado interno, Rego prevê crescimento
entre 15% e 20% no próximo ano, chegando a 41,4 mil unidades - em 2002 as
vendas chegaram a 42,47 mil unidades. "Só não vamos repetir o resultado
porque o segmento de colheitadeiras ainda demorará a voltar àqueles
níveis", observa Rego.
No
segmento de tratores de rodas, a Anfavea projeta aumento de até 15%, chegando a
38 mil unidades - maior volume desde 1994, quando as vendas somaram 38,5 mil
unidades. Para colheitadeiras, a previsão é de expansão de 20%, para 2,4 mil
unidades (até 2004, a média de vendas no país era de 5,5 mil unidades por ano).
"As vendas para o Centro-Oeste ainda não alcançarão o seu melhor nível,
devido ao alto volume de dívidas", pondera Rego. Ele observa ainda que a
maior demanda por setores como os de cana, café e fruticultura ajudam a
compensar as vendas mais tímidas de tratores para o setor de grãos. Mas não há
quem compense a demanda dos setores de grãos por colheitadeiras.

"Não
haverá recorde em colheitadeiras. Mas teremos uma safra de grãos 7 milhões de
toneladas maior. Isso significa R$ 10 bilhões a mais. É renda que vai aumentar
no campo", afirma Rego. Segundo dados do Ministério da Agricultura, já
houve aumento na renda agrícola ("da porteira para dentro") de R$ 15
bilhões neste ano, ou de 11,6%, para R$ 116 bilhões. "Essa renda extra já
permitiu a recuperação do setor agrícola neste ano", afirmou o
executivo.
Já as
exportações, segundo ele, devem se manter estáveis em 24 mil unidades, entre
tratores e colheitadeiras. "No exterior, os demais países recebem o mesmo
estímulo que o Brasil para aumentar a produção agrícola. Mas o câmbio não está
favorável para competir em mercados mais distantes, como Estados Unidos, Europa
e África", lamenta Rego. Segundo ele, as indústrias tenderão a respeitar
os contratos de entregas na América Latina, que são os mais antigos.
"Provavelmente perderemos alguns mercados conquistados nos últimos
anos", diz. A produção deve crescer 9%, chegando a 65,4 mil unidades em
2008. O maior volume de produção já alcançado foi em 2004, de 69,4 mil
unidades.
07/11/2007
Avicultura
O setor
de carnes se reúne hoje para tentar calcular o real estoque de milho no País.
Produtores e exportadores de aves, suínos e outros integrantes da cadeia de
carnes se reúnem hoje para discutir abastecimento de milho no Brasil. O
consenso até agora é de que daqui até o final de janeiro a oferta estará muito
crítica. O setor avícola considera até a possibilidade de reduzir a produção,
alojando menos aves, para ajustar o consumo das granjas à oferta de milho
disponível, segundo Clóvis Puperi, diretor-executivo da União Brasileira de
Avicultura (Uba).
Fonte:
Gazeta Mercantil
19/11/2007
Renda agrícola
Fernando
Lopes
As
projeções de que a produção brasileira de grãos será em geral maior e mais
valorizada nesta safra 2007/08 deverão garantir a continuidade da recuperação
da renda agrícola ("da porteira para dentro") no país no ano que
vem.
Levantamento
concluído na semana passada por José Garcia Gasques, coordenador de
planejamento estratégico do Ministério da Agricultura, sinaliza que a receita
conjunta dos 20 principais produtos do campo nacional alcançará R$ 119,7
bilhões em 2008, 2,6% acima do montante previsto para 2007 (R$ 116,7 bilhões,
11,6% superior ao do ano anterior).
É a
primeira estimativa de renda agrícola do governo para o próximo ano. Foi
finalizada a partir da publicação, em 8 de novembro, do primeiro prognóstico do
IBGE para a safra de grãos que está sendo plantada - que indicou colheita de
137,1 milhões de toneladas em 2008, 2,9% mais que neste ano. O valor envolve
apenas produção agrícola. Os demais elos das cadeias não são objeto do
trabalho.
Os
números de Gasques reforçam pelo menos duas tendências apontadas nos últimos
meses também por outros especialistas.
A
primeira delas é que, se o clima não atrapalhar demais, será o segundo ano
seguido de elevação da renda. Depois de subir entre 2000 e 2003, quando atingiu
recorde histórico (R$ 128,8 bilhões) - em grande medida graças à guinada
cambial de 1999, que estimulou as exportações -, a receita registrou quedas em
2004, 2005 e 2006, em razão de uma crise de liquidez e endividamento dos
produtores de grãos, sobretudo soja.
A
segunda é que a alta será mesmo puxada pela retomada dos grãos, já que a
evolução da renda da cana, contínua entre 2005 e 2007, será interrompida.
Estrela global em 2007, o etanol, no Brasil produzido a partir da cana, encara
um período de crescimento da oferta e demanda internacional contida, ainda que
no país o consumo deva continuar aquecido.
Para a
soja, que não deixou de ser o carro-chefe do campo brasileiro mesmo com a crise
recente, Gasques estima renda agrícola de R$ 28,2 bilhões em 2008, 1,4% mais
que neste ano (R$ 27,8 bilhões, 17,8% mais que em 2006). É o maior valor desde
2004, mas ainda longe do recorde de 2003 (R$ 40,6 bilhões).
As
cotações da soja estão em picos históricos na bolsa de Chicago (principal
referência internacional para os preços do grão), e a colheita nacional deverá
ser 1,8% maior em 2008 do que foi em 2007, conforme o IBGE. Segundo o
ministério, no Mato Grosso, maior celeiro de soja do país, o produto deverá
render R$ 6,7 bilhões em 2007, 6,3% mais que no ano passado.
Nos
cálculos de Gasques, a receita da cana deverá estacionar, mas a matéria-prima
para açúcar e álcool continuará perdendo apenas para a soja. A renda projetada
para 2008 é de R$ 21 bilhões, 1,7% menor que a deste ano (R$ 21,4 bilhões,
11,5% mais que em 2006). Em São Paulo, locomotiva sucroalcooleira do país, a
cana deverá gerar R$ 12 bilhões em 2007, 8,6% mais que no ano passado.
A
receita do milho, que só perde para soja e cana, tende a avançar pelo terceiro
ano consecutivo, ainda embalada pela onda de etanol feito de milho nos EUA. O
Ministério da agricultura prevê R$ 16,5 bilhões para o grão no próximo ano,
valor 2,5% superior ao estimado para 2007 (R$ 16,1 bilhões, 34,2% mais que em
2006). No maior produtor de milho do Brasil, o Paraná, a receita deverá
engordar 38,5% neste ano, para R$ 3,6 bilhões.
Na
quarta posição do ranking de renda de Gasques, a laranja deverá amargar mais um
ano de queda, ainda que o mercado continue atraente apesar do recuo dos preços
internacionais. O montante previsto para 2008 é de R$ 6,6 bilhões, 12% menor
que o deste ano (R$ 7,5 bilhões, 10,7% abaixo de 2006). Em São Paulo, que
abriga o maior parque citrícola do planeta, a receita deverá diminuir 16,4% em
2007, para R$ 5,1 bilhões.
Também
se destaca no horizonte a projeção do ministério para a receita proporcionado
pelo arroz. O valor previsto para 2008 é de R$ 6,2 bilhões, 10,7% superior ao
deste ano (R$ 5,6 bilhões, mesmo patamar de 2006). A renda no Rio Grande do
Sul, Estado que lidera o segmento, deverá atingir R$ 2,7 bilhões este ano, 3,6%
menos que em 2006.
Gazeta
Mercantil
19/11/2007
Editorial
19 de
Novembro de 2007 - Parcela considerável das fazendas do Centro-Sul do País
adotou o terceiro turno para cumprir o calendário de plantio de grãos, com máquinas
operando em regime de 24 horas diárias de trabalho. O motivo de tamanha
intensificação da produção foi a necessidade de compensar o atraso nas culturas
provocado pelas dificuldades climáticas.
O fato
representa significativa mudança de expectativas no campo, e para melhor. O
analista da AgRural, Daniel Sebbem, com razão, notou que o produtor deverá
correr mais riscos e, portanto, "os custos tendem a aumentar". Outros
analistas do setor, no entanto, já quantificaram que, apesar do esforço para
recuperar o atraso, neste período do ano passado, o cultivo do milho já
atingira 72,8% da safra, enquanto neste ano o plantio alcançou até agora 65%.
Vale notar, no entanto, que no cultivo de soja recuperou-se o tempo perdido e
estamos no mesmo ponto de plantio alcançado nesse período do ano em 2006.
Há,
portanto, maior profissionalização da atividade rural, enfrentando-se a
adversidade climática com mais planejamento e mais tecnologia. Vários
produtores usam avançadas técnicas de domínio meteorológico para usar com
competência as "janelas de tempo bom". O turno extra de plantio,
inclusive com aluguel de mais máquinas, buscou acelerar o cronograma para
inibir qualquer risco de atrasos maiores.
O efeito
multiplicador dessas expectativas favoráveis no agronegócio já chegou a outros
setores da economia brasileira. As vendas de tratores de maior potência, que
despencaram sem parar desde 2003 até 2006, recuperaram neste primeiro semestre
os níveis alcançados no começo da década, quando os preços das commodities agrícolas
atingiram recordes históricos. Os dados do mês passado da Associação Nacional
dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostraram que, nos oito
primeiros meses deste ano, a venda de tratores com potência superior a 100
cavalos aumentou 72% em relação ao mesmo período de 2006. A venda desses
veículos de maior preço e potência representou quase 40% do total das vendas de
tratores no período. A tendência foi tão forte que revendedores anunciaram
novos investimentos no setor porque, na visão deles, a mecanização de lavouras,
como a de laranja e a de café, é um movimento de busca de produtividade que
"não tem volta".
Esse
conjunto de fatos deve gerar bons resultados para o agronegócio nesta safra,
com significativo impacto no PIB do setor. As expectativas da Confederação da
Agricultura e Pecuária, divulgadas no final de setembro, estimam aumento desse
PIB da ordem de 2,06% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de
2006. O fato fez a entidade projetar uma expansão de 4,6% para o setor neste
ano, calculando que a renda do agronegócio atinja R$ 565 bilhões neste ano. O
quadro só não é melhor porque a agroindústria não dá sinais de que acompanhará
plenamente a aceleração de produção do campo. O motivo é a retração superior a
25% no primeiro semestre, em relação aos seis primeiros meses de 2006,
provocada pelos problemas enfrentados pelo setor sucroalcooleiro, em especial
com exportação. A rigor, quando comparado ao valor exportado de álcool entre
janeiro e agosto, a queda ultrapassa 17%. Outro setor da agroindústria que
também enfrenta problemas com vendas externas é o de carne bovina. Os
investimentos feitos nos dois setores não obtiveram correspondência com a
abertura de novos mercados. Por diferentes razões, inclusive fortes pressões de
produtores da União Européia contra a carne brasileira.
Portanto,
para efetivamente acompanhar o esforço de profissionalização que é feito pelo
produtor rural, é preciso aumentar as exportações, tanto agregando novas
culturas, para enfrentar as pressões internacionais localizadas, como construir
os apoios necessários para que outros produtos multipliquem as exportações do
agronegócio. Por exemplo, o artigo do ex-ministro da Agricultura Roberto
Rodrigues, publicado na edição de sexta-feira deste jornal, exibiu uma das
contradições que prejudica o agronegócio. Rodrigues mostrou que o Brasil é o
terceiro maior produtor mundial de frutas, mas 95% de seu consumo ainda se
destina ao mercado interno. Há um impressionante potencial de crescimento nesse
negócio, inclusive aproveitando, como notou o ex-ministro, a possibilidade
aberta quando o corte de cana for totalmente mecanizado, liberando cerca de 10%
da área plantada com cana para ser usada pelo cultivo de frutas.
As
hipóteses de crescimento são muitas, mas, por enquanto, o produtor rural está
sozinho em seu esforço modernizador. Por exemplo, a infra-estrutura que
facilitaria o escoamento da safra reduzindo o custo da exportação não sai do
papel, como os atrasos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) apenas
confirmam.
(Gazeta
Mercantil/Caderno A - Pág. 2)
Gazeta
Mercantil
19/11/2007
Café
IPOJUCA
(PE), 19 de Novembro de 2007 - O diretor-executivo da Organização Internacional
do Café (OIC), Néstor Osorio, questionou o Ministério da Agricultura sobre os
dados estatísticos da cafeicultura brasileira. Para Osorio, os números
referentes à produção, exportações, consumo e estoques não fecham as contas, se
comparados à realidade do mercado. "A diferença é 10 milhões de
sacas", concordou o secretário de Produção e Agroenergia do ministério,
Manoel Vicente Bertone. que participou do 15 Encafé, promovido pela Indústria
Brasileira da Indústria do Café (ABIC), em Ipojuca(PE), na semana passada.
Bertone
quer rever os dados. "Precisamos saber o que está acontecendo, pois mais
uma vez fui questionado por Osorio", disse Bertone, "Se não mudarmos
isso vamos tomar decisões com base em informações erradas", acrescenta.
O
diretor-executivo do Conselho Nacional do Conselho dos Exportadores de Café do
Brasil (Cecafe), Guilherme Braga também vê contradição entre os números
oficiais. Para ele, isso ficou mais evidente no ano passado, quando os estoques
caíram mais que o esperado. Segundo ele, no ano agrícola 2006/07, de julho a
julho, faltaram 3 milhões de sacas de café nos dados do mercado. Isso porque o
consumo interno foi de 16 milhões de sacas, as exportações, 29 milhões, e a
produção, 42 milhões. Já na safra 2007/08 a expectativa, diz Braga, é que os
números fechem com 12 milhões de sacas a menos. Ele se baseia na produção de
32,6 milhões de sacas, 27 milhões exportadas e 17,3 milhões de consumo.
Para o
diretor da OIC, Néstor Osório, os preços do café no mercado internacional devem
manter-se firmes em 2008. "Os estoques são de cerca de 20 milhões,
suficientes para atender ao consumo por dois a três meses; isto é, quase
nada", disse Osório. A previsão dele, para este ano, é de déficit mundial
de 7 milhões de sacas, com consumo previsto em 121 milhões e a produção, em 114
milhões. As exportações mundiais devem oscilar entre 97 e 98 milhões, afirmou.
(Gazeta
Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Viviane Monteiro)
Valor
Econômico
19/11/2007
Cana-de-açúcar
De São
Paulo
A
participação da cana-de-açúcar no valor da produção agropecuária de São Paulo
recuará significativamente em 2007, conforme levantamento preliminar do
Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado à Secretaria de Agricultura do
Estado. O estudo abrange 50 produtos (42 de origem vegetal e oito de origem
animal) e foi realizado a partir de dados de mercado disponíveis até julho
passado.
Conforme
o IEA, o valor da produção paulista deverá totalizar R$ 30,6 bilhões neste ano,
7,2% menos que em 2006. O tombo decorre da queda da receita da cana, até agora
estimada em 24,5%, para R$ 11,2 bilhões. Sendo assim, a fatia do produto no
total estadual será de 36,6%, ante 44,9% no ano passado. O revés canavieiro se
deve a preços 32,7% menores que os de 2006. Na mesma comparação, a produção
aumenta 12,2%.
"Ninguém
gosta de estatística negativa, mas, devido à desvalorização da cana, eu
esperava um resultado pior", afirma João Sampaio, secretário da agricultura
de São Paulo. "Ainda assim, e graças à cana, o Estado segue como o
principal do país em valor bruto da produção agropecuária", observa
Alfredo Tsunechiro, um dos pesquisadores do IEA responsáveis pelo levantamento
preliminar.
Apesar
de envolver apenas 20 culturas agrícolas - e não os 50 produtos agropecuários
pesquisados pelo IEA -, pesquisa de José Garcia Gasques, coordenador
estratégico do Ministério da Agricultura, confirma o que diz Tsunechiro. Nos
cálculos de renda de Gasques, a receita paulista, a maior no ranking estadual,
é projetada em R$ 21,9 bilhões em 2007, 1,8% menos que no ano passado. Tanto o
valor da produção do IEA como a renda agrícola do ministério medem a receita
das lavouras "da porteira para dentro".
Com o
revés projetado, a cana será o principal produto de um número menor de regiões
de São Paulo neste ano. A secretaria divide o Estado em 40 Escritórios de
Desenvolvimento Rural (EDR), e a cana será líder em valor da produção
agropecuária em "apenas" 23 deles. Em 2006, o produto reinou em 25
EDRs. A liderança foi perdida nas regiões de Presidente Prudente e Campinas. Na
primeira, para a carne bovina; na segunda, para a uva de mesa.
Entre as
15 Regiões Administrativas (RAs) estaduais, a cana deverá prevalecer em nove em
2007, conforme o IEA. Em 2006, eram 11. Na lista preliminar de RAs deste ano, a
carne bovina substitui a cana em Presidente Prudente e o milho assume a
liderança em Sorocaba.
Desde o
início de sua gestão Sampaio manifesta algum desconforto com a forte
participação da cana. Por isso ele realça as estimativas de crescimento, em
2007, do valor de produtos como laranja para indústria (22,1%), carne de frango
(21,5%), milho (23,5%) e ovos (27,9%).
Na
fruticultura, ele destaca, houve avanços expressivos da manga (47,8%), do caqui
(52,7%), do abacaxi (18,7%) e da goiaba para mesa (97,1%) e para a indústria
(148,6%). É claro que são produtos com menor relevância econômica do que a
cana, mas que vêm conquistando espaço no Estado. "O impacto desses produtos
na economia é mais localizado, mas eles têm alto valor", diz Alfredo
Tsunechiro.
Com o
recuo da participação da cana no valor da produção agropecuária do Estado, a
fatia da carne bovina, segunda principal atividade no campo paulista, deverá
aumentar de 11,5%, em 2006, para 12,4% neste ano. Isso apesar de uma leve queda
em seu valor absoluto, que na mesma comparação chega a 0,41%, para R$ 3,8
bilhões. O pequeno recuo se explica pela queda da produção (6,71%), uma vez que
os preços subiram (6,76%).
Com o
crescimento realçado por Sampaio, o gomo da laranja para indústria no valor
total tende a subir significativamente. Foi de 6,5% em 2006 e agora chega a
8,6%. O avanço decorre da valorização dos preços praticados (20,82%), nos
contratos de fornecimento entre citricultores e indústria e no mercado spot. A
oferta em si cresceu 1,07%. (FL)
Ver mais
em www.iea.sp.gov.br
Estado
de Minas
19/11/2007
Cana-de-açúcar
Luiz
Ribeiro
O
crescimento de 58,31% na área destinada ao plantio de cana-de-açúcar no
Centro-Oeste de Minas Gerais, onde estão as nascentes do São Francisco, põe em
risco a vida no nascedouro do rio. Os dados referentes ao avanço são da
Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg) e mostram o
crescimento acelerado dos canaviais, estimulado pelas novas perspectivas de uso
do etanol. De julho de 2006 a julho de 2007, a área reservada à cultura na
região passou de 22.842 hectares para 33.876 hectares. No mesmo período, a
produção aumentou de 1,7 milhão para 2,57 milhões de toneladas por ano, o
equivalente a um crescimento de 50,63%.
Entre
outras conseqüências para o meio ambiente, especialistas destacam o
assoreamento, contaminação do lençol freático, desmatamento e comprometimento
das matas ciliares. As empresas de açúcar e álcool se defendem, alegando que
trazem desenvolvimento, obedecem à legislação e a atividade não causa danos à
natureza. “As pessoas que falam em ameaças estão desinformadas”, afirma Luciano
Rogério de Castro, superintendente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do
Álcool de Minas Gerais.
O Estado
de Minas conferiu essa expansão e ouviu depoimentos sobre os riscos da
monocultura canavieira. Foram percorridos centenas de quilômetros em oito
municípios do Alto São Francisco: Lagoa da Prata, Iguatama, Bambuí, Medeiros,
São Roque de Minas, Piumhi, Delfinópolis e Luz. Também foram constatadas as
marcas da degradação na área da “nascente geográfica” do São Francisco, no
município de Medeiros – descoberta em 2002 e reconhecida em 2004. São erosões e
sinais de queimadas. No entorno do Parque Nacional da Serra da Canastra, onde
fica a “nascente histórica”, é visível o passivo ambiental deixado por
mineradoras que foram fechadas por determinação do Ministério Público Federal.
A
expansão da cana começou a ser estimulada, há anos, por uma grande usina de
açúcar e álcool instalada em Lagoa da Prata, hoje controlada por um grupo
francês. Atualmente, está sendo construída uma destilaria de álcool em Bambuí.
A região vive a expectativa da montagem de uma outra unidade, em Iguatama.
Nesses três municípios, o cultivo ocupa áreas cada vez maiores, com os
proprietários rurais arrendando suas terras para as usinas. A mesma situação se
repete em Luz.
A área
de proteção das nascentes do Velho Chico sofre ameaça de redução, representada
por um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional. A proposta altera os
limites do Parque da Serra da Canastra, retirando dos seus 200 mil hectares
(área prevista no decreto que o criou, há 35 anos) perto de 50 mil hectares,
onde foram iniciadas atividades de exploração agrícola e de mineração. Para a
administração do parque, o projeto abre caminho para que o plantio da cana
avance e ocupe mais áreas na região das nascentes.
“O
aumento do plantio em direção à cabeceira do São Francisco só vai prejudicar a
região e o rio”, alerta o presidente do Comitê da Bacia dos Afluentes do Alto
São Francisco, Lessandro Gabriel da Costa, que mora em Lagoa da Prata. Segundo
ele, o desmatamento é o maior estrago provocado pela monocultura da cana. “Com
a retirada da vegetação, o solo fica descoberto. Se não for feito um trabalho
preventivo, aumenta o processo de erosão dos pequenos rios”, diz.
O
presidente do comitê salienta que 80% das águas do Velho Chico saem de Minas
Gerais. “Mas, em torno de 60% dessa quantidade sai da nossa região”, observa.
Já o ambientalista Geraldo Gentil Vieira, técnico da Companhia de
Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codesvaf) e morador de
Iguatama, teme o aumento do desmatamento. “O plantio da cana força a abertura
de novas áreas, atingindo encostas, que deveriam ser reservas legais. Assim,
acabam matando os cursos d’água”, afirma.
Próximo
à zona urbana de Iguatama, a cerca de 400 metros da margem do São Francisco, há
um canavial e queimadas recentes. Segundo Gentil, num terreno abaixo da área
hoje ocupada pela cana, há alguns anos, existia uma lagoa marginal, que teria
sido drenada. Hoje, o terreno é coberto pela vegetação nativa, que serve como
pastagem.
Além do
assoreamento, a monocultura pode acarretar problemas para a fauna. O alerta é
dos estudantes de biologia Paolo Verne e Cristina Martins Simões, que
desenvolvem um estudo sobre as aves migratórias numa fazenda à beira do Rio São
Francisco, em Iguatama.
Na
propriedade existe uma área, próxima ao leito, que inunda durante o período das
chuvas, sendo formadas lagoas marginais. Por essa condição, a região recebe
aves migratórias do pantanal mato-grossense, como o tuiuiú. A fazenda está
sendo cercada por plantios de cana. Por essa razão, os estudantes temem que,
dentro de algum tempo, as lagoas marginais venham a desaparecer, o que
afastaria as aves da região.
18/11/2007
Pecuária de Corte
Está
comprovado. Os pecuaristas do Estado retomaram a capacidade de investimento na
recente temporada de venda de bovinos. Os bons resultados nas pistas e a
movimentação gerada pelos leilões são a face mais visível do bom momento da
pecuária, que ajuda a irrigar a economia do Rio Grande.
Em
Uruguaiana, o caminhoneiro Marco Antônio Dorneles pensa em trocar de carro com
o dinheiro que recebeu pelos serviços prestados no carregamento de animais. Em
Bagé, uma agroveterinária viu seu faturamento crescer. Em Santa Maria, uma
concessionária de caminhões finalmente está recebendo o pagamento de dívidas
deixadas para trás. A valorização de preços do gado extrapolou a porteira das
fazendas.
O quilo
do boi gordo vale hoje R$ 2,28, segundo a Emater - cerca de 15% a mais do que no
final de 2006, quando a recuperação da atividade já havia começado. No país,
conforme a consultoria Scot, o preço do boi gordo atingiu a maior marca em
dólar dos últimos 10 anos. De acordo com cálculo da consultoria DTOffice com
base em dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE), o Produto Interno
Bruto (PIB) da produção animal gaúcha (bovinos, ovinos, suínos e aves, entre
outros) no ano passado somou R$ 13,4 bilhões, 8,6% do PIB do Estado.
Para o
economista Paulo de Tarso Pinheiro Machado, essa participação deve aumentar em
2007, puxada pela bovinocultura.
- O
efeito multiplicador da pecuária é menor do que o da lavoura, porque emprega
menos gente. Mas claro que a elevação de preços mobiliza o comércio no Interior
- complementa o agrônomo e professor do Departamento de Economia da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul Carlos Nielitz.
Conforme
o indicador da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado
(Fecomércio-RS) e da FEE, de 19 segmentos varejistas e atacadistas pesquisados,
o que mais cresceu neste ano foi o atacado de matérias-primas agropecuárias,
com avanço de 20,5% de janeiro a agosto.
- Como o
ciclo do gado é longo, tudo indica que em 2008 esse processo continuará -
projeta o economista Argemiro Brum, da Universidade Regional do Noroeste do Rio
Grande do Sul.
O bom
momento é reflexo da crise que se abateu sobre o setor nos últimos anos. Para
ter dinheiro, o pecuarista teve de reduzir a criação que, agora, ganha novo
fôlego.
*
Colaboraram Eduardo Cecconi, Estela Facchin, Marina Lopes, Patrícia Meira e
Ronan Dannemberg
SEBASTIÃO
RIBEIRO*
QUEM
GANHA NO GIRO DOS ANIMAIS
1º
Remates
Somente
neste período chamado de primavera, a pecuária já vendeu quase o triplo da
Expointer, a mais tradicional feira agropecuária da América Latina. O
faturamento em remates particulares e feiras ultrapassa R$ 30 milhões, 209,94%
mais que o total obtido nas pistas de Esteio. Uma das principais praças de
venda de animais é o município de Uruguaiana, onde nesta época a economia cresce
em razão dos remates. Os leilões arrecadaram 100% a mais do que em 2006.
- O
excelente banco genético dos criatórios de Uruguaiana atrai os compradores e
movimenta a economia do município - ressalta o presidente do Sindicato Rural de
Uruguaiana, Júlio Alberto Silveira Filho.
Um show
à parte. As vendas dos eqüinos crioulos, que já ganham até megaprodução - como
foi o remate do diretor de cinema e televisão Jayme Monjardim, um conjunto de
cinema, programa de TV e espetáculos musicais - , ultrapassam a marca de R$ 51
milhões em 99 remates realizados durante o ano. Como ainda faltam 17 pregões
até o final do ano, o recorde de R$ 57,38 milhões alcançado em 2006 será
superado, prevê a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC).
- E
temos mercado para crescer muito mais - comemora o leiloeiro Fábio Crespo, ao
destacar o papel estratégico do Canal Rural nos negócios.
Entre os
novos investidores do centro do país, ganham espaço os famosos. Na lista de
criadores e de apaixonados pela raça - um dos símbolos do Estado - , figuram
nomes como o da apresentadora de televisão Eliana.
2º
Transporte
O
automóvel Polo 1994 vai dar lugar a um modelo mais novo na garagem dos
Dorneles, em Uruguaiana, na Fronteira Oeste. Os dois caminhões, principal meio
de sustento da família, receberão, além de tinta fresca, novas peças e outros
reparos. Nada disso, entre outros investimentos, seria possível sem a pecuária.
O motorista de caminhão Marco Antônio Dorneles, 45 anos, contratado para
transportar os animais da Cabanha Paineiras, não revela quanto ganha, mas
afirma que o valor é suficiente para garantir um final de ano de fartura para a
mulher e os dois filhos, que moram em Alegrete.
Mesmo
sem estimativas concretas, o presidente da Federação dos Caminhoneiros
Autônomos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Éder DalLago, destaca que as
negociações feitas em remates e feiras têm reflexo positivo no serviço prestado
pelos caminhoneiros. E, conseqüentemente, nas vendas de caminhões. De acordo
com Flávio Hippler, gerente de vendas de uma concessionária de caminhões de
Santa Maria, os consumidores do setor representam 30% da saída de veículos de
carga. Mas quem quiser comprar um caminhão vai ter de esperar na fila. A
aquisição pode levar de 60 a 90 dias, devido ao número de vendas ter crescido
cerca de 30% impulsionado pela indústria, pelo comércio e pelo aumento dos
fretes feitos por grandes transportadoras.
3º Venda
de veículos
O bom
momento da pecuária está contribuindo para que as concessionárias de veículos
gaúchas comemorem resultados acima da média nacional. O setor, que esperava um
crescimento de 10% nas vendas neste
ano, já
projeta aumento de até 20%. Somente em outubro, foram vendidos 23.520 veículos
no Rio Grande do Sul - crescimento de 28% com relação a setembro (no Brasil,
esse percentual foi de 18%) e de 5,2% com relação a outubro do ano anterior.
- No Rio
Grande do Sul é assim: quando a pecuária e a lavoura vão bem, tudo vai bem.
Hoje, tendo produto, se vende - afirma Reinaldo Sbardelotto, diretor regional
da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.
4º
Hotéis
Em todo
o Estado, os leilões de gado fazem os hotéis ficarem constantemente lotados.
Segundo o diretor de planejamento da seccional gaúcha da Associação Brasileira
da Indústria de Hotéis, José Justo, um terço do movimento nos 2.261
estabelecimentos que existem no Rio Grande do Sul é de hóspedes ligados à
atividade pecuária.
- O
setor não vive somente do turismo, vive de negócios. Candiota, Bagé, Alegrete,
entre outros municípios, absorvem esse mercado. Sempre há remates, quase um por
dia - explica Justo.
A rede
hoteleira de Pelotas também se beneficia. Mesmo sendo uma cidade com enfoque
mais urbano no setor de serviços, eventos de agronegócios movimentam as
reservas nos hotéis. O impacto maior é nos finais de semana, afirma Adalgiso
Malaguez, gerente de uma rede local de hotéis. Em média, comparado a outros
finais de semana da baixa temporada, o aumento nas reservas fica entre 30% e 40%
na época dos remates de primavera.
5º
Comércio
O ciclo
virtuoso permite ao pecuarista investir na sanidade do rebanho. Mais do que
comprar uma quantidade maior de medicamentos, a tendência com o bom momento é
adquirir produtos melhores, revela Glênio Prudente, diretor de uma das
principais distribuidoras de produtos veterinários do Estado.
Em uma
agroveterinária de Bagé, a venda de vermífugos, e, principalmente,
carrapaticidas cresceu em torno de 50%. Do total de clientes que o
estabelecimento tem, cerca de 35% são oriundos do setor pecuarista. Rogério
Rosa, sócio-proprietário do estabelecimento, afirma que se vende mais pelo bom
momento do gado, mas não atribui o sucesso somente a esse motivo.
- Também
trabalhamos para isso, não é somente pelo boi - enfatiza.
6º
Imóveis
Segundo
o presidente do Sindicato da Habitação da Zona Sul do Estado (Secovi-Zona Sul),
Sérgio José Abreu Neves, a recuperação econômica do campo tem resultado em uma
melhora nos negócios de vendas e aluguéis na região desde o final de 2006.
- De um
ano para cá, melhorou muito. Temos feitos ótimos negócios, como há muitos anos
não realizávamos - afirma.
7º
Máquinas agrícolas
Com mais
dinheiro no bolso, os pecuaristas passam a investir não somente em mais
animais, mas em equipamentos para modernizar a propriedade. Bom para a
indústria de máquinas agrícolas gaúchas. Entre os itens mais procurados, estão
plantadeiras (para fazer pastagens), balança para o gado, carretas de feno
utilizadas em semiconfinamento e tratores.
- Com o
bom momento da agricultura e da pecuária, estimamos um crescimento de 40% a 45%
nas vendas na comparação com o ano passado - afirma Cláudio Bier, presidente do
Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado.
Bruno
Gonçalves, consultor de vendas de uma revenda de implementos agrícolas de Bagé,
comemora negócios. Comparando os negócios dos últimos três meses deste ano com
o mesmo período em 2006, a comercialização de tratores e outros implementos
praticamente dobrou no estabelecimento em que trabalha. O faturamento passou de
R$ 180 mil para R$ 320 mil. A média de dois tratores sendo vendidos por mês
passou para quatro no mesmo espaço de tempo. No ramo de peças, os rendimentos
ficavam entre R$ 30 mil e R$ 40 mil. Hoje estão passando dos R$ 80 mil.
O
pecuarista João Borba, 48 anos, é um dos que compraram um novo trator. Conforme
Borba, os rendimentos na pecuária aliados ao que ganha com o florestamento lhe
proporcionaram a aquisição do veículo.
Os R$ 75
mil pagos pelo touro aberdeen angus Paineiras Arpão Guri 4918 são suficientes
para se comprar três carros populares.
A
valorização de BT Doriana, R$ 675 mil, maior preço pago por uma égua crioula,
equivale a um apartamento, de 160 metros quadrados, com três suítes e três
garagens, no bairro Moinhos de Vento da Capital.
Em
alguns estabelecimentos, o aumento das reservas chega a ficar entre 30% e 40%.
Valor
Econômico
20/11/2007
Economia Agrícola
De São
Paulo
O índice
de preços recebidos (IqPR) pelos produtores agropecuários de São Paulo
pesquisado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado à Secretaria
de Agricultura do Estado - encerrou a segunda quadrissemana de novembro com
variação positiva de 1,44%. Foi a quinta valorização quadrissemanal consecutiva
do indicador, que não registra queda desde setembro.
O último
levantamento mostra, entretanto, que não foram os produtos de origem vegetal
que determinaram a nova valorização, como vinha acontecendo, mas sim o
resultado da média das oscilações no grupo de produtos de origem animal, cuja
curva ascendente se consolidou. Mas ambos subiram: os vegetais, 0,29%, e os
animais, 3,81%.
No grupo
de produtos de origem animal, aumentaram na segunda quadrissemana de novembro
os preços recebidos pelos produtores de carne suína (9,09%), de carne bovina
(8,28%) e de leite C (2,39%). O IEA destacou que, no caso da carne bovina,
"a valorização deveu-se à restrição de animais para abate por parte dos
pecuaristas que aguardam um melhor momento para vender o seu produto, frente a
uma pressão de demanda oriunda das exportações e do consumo
interno".
Ainda
entre os produtos de origem animal, houve redução no valor recebido pelos
produtores de ovos (4,38%), carne de frango (2,69%) e leite B (2,04%).
Entre os
vegetais, as maiores variações positivas observadas foram as do feijão
(44,88%), batata (30,12%) e amendoim (10,54%). Os valores recebidos pelos sojicultores
tiveram incremento de 7,21%, ao passo que os produtores de milho passaram a
ganhar 7,01% a mais. Para a soja, conforme o IEA, pesou a valorização no
mercado internacional, melhor traduzida por saltos na bolsa de Chicago.
Recuaram
entre os vegetais os preços de algodão (0,72%), arroz (2,46%), banana nanica
(23,12%), café (6,67%), cana (1,68%), laranja para indústria (0,15%), laranja
para mesa (0,57%), tomate para mesa (39,50%) e trigo (4,93%).
O
Estado de S. Paulo
21/11/2007
Cana-de-Açúcar

José
Maria Tomazela
O
potencial para expansão da produção de açúcar e álcool no País, aliado ao
crescimento na demanda mundial por energia de fontes alternativas, deu novo
dinamismo ao agronegócio brasileiro. Grandes grupos estão sendo atraídos para o
setor sucroalcooleiro de olho, não só na produção do açúcar e do álcool, mas na
possibilidade de agregar a esses insumos a produção de biocombustível e de
bioeletricidade.
O grupo
Odebrecht escolheu o Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo, para
criar seu pólo sucroalcooleiro. A região ficou conhecida pelos conflitos de
terras, mas isso não inibiu a empresa: os investimentos podem chegar a R$ 3
bilhões.
CINCO
ANOS
O plano
da Odebrecht é estar entre os maiores grupos do setor no País em cinco anos.
Para isso, adquiriu uma usina tradicional na região, a Alcídia, em Euclides da
Cunha Paulista, e outra em obras, a Conquista do Pontal, em Teodoro Sampaio, e
planeja a construção da terceira unidade em Presidente Epitácio. No futuro, a
Odebrecht deve investir em Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas.
O
projeto de uma usina em Rio Brilhante (MS) está em andamento. A Odebrecht é uma
das empresas que devem ser atendidas pelo álcoolduto que interligará as regiões
produtoras ao terminal da Petrobrás em Paulínia (SP) e ao porto Paranaguá (PR).
A expectativa é a de que, em dez anos, o setor sucroalcooleiro represente até
25% do faturamento do grupo.
O
secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio, acredita que os
investimentos contribuirão para o desenvolvimento do Pontal. 'Haverá geração de
emprego qualificado e de renda.' Ele diz que a renovação dos canaviais, à razão
de 20% ao ano, deverá estimular também a produção de grãos.
ENERGIA
A
Companhia de Energia Renovável (Cerona) optou por Mato Grosso do Sul para
investir. Um de seus diferenciais será a geração de eletricidade a partir do
bagaço da cana e do eucalipto. O grupo recém-formado vai investir R$ 1,5 bilhão
no projeto, que prevê a construção de duas usinas em Nova Andradina e
Bataíporã. Na entressafra da cana, as fornalhas serão abastecidas com um mix de
bagaço, palha e cavaco de eucalipto. No futuro, serão construídas mais duas
usinas em Jateí e Anaurilândia. Até 2014, serão criados 3 mil empregos diretos.
A Cerona é formada pela Brazilian Energy Partners (BEP), um fundo americano,
especializado em energia renovável, que detém 95% da empresa.
A Cerona
ingressa no setor com disposição: juntas, as duas usinas processarão de 8
milhões a 10 milhões de toneladas de cana/ano, sendo 7 milhões de área própria.
A produção anual será de 700 mil toneladas de açúcar e 450 milhões de litros de
álcool. Mas a grande aposta é na geração de energia.
EXCEDENTE
A Cerona
espera dispor de 1 milhão de megawatts ao longo do ano. Além de atender ao
consumo próprio, o excedente será vendido para o sistema elétrico. 'Estamos
falando de uma receita extra de R$ 140 milhões/ano', diz Dupire. Além da cana,
a empresa planta 6 mil hectares de eucalipto para mover as turbinas na
entressafra.
Os
canaviais já se espalham pelos arredores de Nova Andradina. Até 2009, a cultura
ocupará 15 mil hectares, em parceria com agricultores. Conforme o agrônomo
Edson Mitsuo Okumura, os plantios iniciais, irrigados, destinam-se à produção
de mudas das 15 variedades adaptadas à região. O superintendente-agrícola do grupo,
João Rossi, diz que os canaviais avançam sobre áreas de pastos degradados. 'As
reservas de mata serão preservadas e ampliadas.' A região terá, ainda, uma
unidade do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) para pesquisas e seleção de
variedades.
22/11/2007
Grãos
Gilberto Scofield Jr.
PEQUIM e
SÃO PAULO. Depois de minérios e petróleo, a vez da soja. Com medo da escalada
da inflação, o governo da China estuda estender para todo o ano de 2008 uma
redução na tarifa de importação sobre a soja em grão (de 3% para 1%) que
venceria ao fim de dezembro. Além disso, o governo chinês pensa em reduzir a
tarifa de importação de óleo de soja e isentar os dois produtos do imposto de
valor agregado.
As
medidas vão beneficiar os exportadores de soja do Brasil, e a Bolsa de Chicago
já refletiu isso com a soja atingindo as maiores cotações dos últimos 34 anos,
segundo a agência Bloomberg News. As importações de soja e óleo de soja
aumentaram 81% nos primeiros dez meses do ano, numa tentativa do governo de
reduzir os preços dos alimentos.
A
inflação na China voltou a crescer e atingiu o recorde histórico de 6,5% em
outubro - o mesmo de agosto, a maior taxa nos últimos 11 anos - pressionada
pelos aumentos nos preços dos alimentos, que subiram em média 17,6%. No
acumulado do ano, segundo o Índice de Preços ao Consumidor, a inflação na China
acumula 4,4%, bem acima da meta de 3%. O Índice de Preços ao Produtor, que mede
a inflação no atacado, subiu 3,2% em outubro, o maior aumento dos últimos nove
meses.
A alta
na inflação ocupa o noticiário dos jornais chineses, com analistas apostando em
nova elevação dos juros, a sexta do ano. O primeiro-ministro, Wen Jiabao, disse
que a preocupação agora é reduzir a inflação e estabilizar os preços dos
alimentos.
Segundo
o secretário-geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais
(Abiove), Fábio Trigueirinho, "qualquer desoneração é positiva", mas
ele alerta para a manutenção de barreiras à entrada do farelo de soja na China.
O produto continua sujeito à taxa de importação de 5%. Além disso, paga 13% de
valor agregado:
- Os
chineses só se interessam por nossa matéria-prima. Querem processar a
matéria-prima, agregar valor a elas. Isso não mudou.
Ainda
assim, os produtores esperam um cenário positivo. O presidente da Associação de
Produtores de Soja do Mato Grosso, Glauber Silveira, afirmou que só este ano
recebeu a visita de três missões de empresários da China, interessados em
aumentar a importação do produto. (Com Aguinaldo Novo)
Valor
Econômico
22/11/2007
Orçamento
De
Brasília
O nível
de execução orçamentária dos principais programas e ações de investimento do
Ministério da Agricultura destoa da elevação do volume de recursos previstos
para 2008. No geral, segundo dados do próprio ministério consolidados até a
última terça-feira, a aplicação atingiu apenas 52% do total de R$ 195,8 milhões
autorizados em lei pelo Congresso Nacional para investimentos neste 2007.
Desse
cálculo, estão excluídos os gastos com emendas parlamentares e apoio
administrativo. Quando agregados ao total, o desempenho recua para 33,6%. Mas o
resultado é ainda mais complicado, de acordo com especialistas consultados pelo
Valor, se considerados apenas os gastos de investimento sob conceito de
liquidação, sem contabilizar os compromissos de gastos (empenhos). Por este
cálculo, a execução recua a apenas 18,1% do total previsto neste ano, com
gastos de R$ 35,5 milhões.
Dentro
dos números mais abrangentes, é possível ver os problemas de alguns programas.
Mesmo as ações mais robustas sofrem com a baixa execução, que pode ser derivada
do contingenciamento de recursos pela equipe econômica do governo ou das
dificuldades operacionais do Ministério da Agricultura.
Os
programas de Desenvolvimento da Bovideocultura, que contemplam ações como a
erradicação da febre aftosa, têm gasto efetivo de 44%. No caso específico da
aftosa, por exemplo, o governo gastou 56% dos R$ 66,5 milhões disponíveis
(incluídos R$ 25 milhões para as indenizações de pecuaristas em Mato Grosso do
Sul).
Os
gastos com laboratórios de apoio animal somaram 54% dos R$ 17,7 milhões. Na
área vegetal, a execução atingiu apenas 35% do total de R$ 20,28 milhões
disponíveis. Muito criticadas por missões estrangeiras, a vigilância animal nas
divisas e fronteiras têm baixo desempenho. Na fiscalização dos Estados,
gastou-se 44% dos R$ 2,5 milhões. Nas fronteiras internacionais, foram 27,5%
dos R$ 3,5 milhões. No controle de resíduos e contaminantes, pivô de recente
crise com a União Européia, o governo gastou somente 1,4% do total de R$ 22,57
milhões até o último dia 20 de novembro. (MZ)
Correio
Braziliense
24/11/2007
Opinião
Hélio
Tollini: Ph. D. em economia, Consultor Nacional e Internacional em Política
Agrícola e trabalhou no Contencioso do algodão.
A Rodada
Doha de negociações da OMC, iniciada em 2001, tem o objetivo de acelerar o
desenvolvimento econômico no mundo. As negociações visam reduzir barreiras
comerciais e subsídios que distorcem o comércio e ampliar a participação dos
países em desenvolvimento no mercado internacional. Após seis anos de
negociações, o objetivo não foi alcançado.
Há dois
grupos de interesse nessas negociações. De um lado, países em desenvolvimento
interessados em maior abertura dos mercados agrícolas nos países
industrializados. Estes, por sua vez, querem maior abertura dos mercados de
produtos não-agrícolas dos países em desenvolvimento.
Liberar
os mercados de produtos agrícolas das barreiras comerciais e de subsídios ajudam
na expansão das atividades produtivas e na exportação dos países em
desenvolvimento. Isso representa ganhos de emprego, de renda e de divisas e
fortalece o processo de desenvolvimento em muitos países.
Até a
rodada anterior de negociações, chamada de Rodada Uruguai, os países em
desenvolvimento pouca participação tinham nas decisões tomadas. Na Rodada
Uruguai, esses países conseguiram fazer com que fosse aprovado um acordo sobre
agricultura. Grande conquista, se for considerado que durante meio século de
negociações nada havia sido dito sobre esse setor econômico. Os países que
dominavam essas negociações não tinham interesse algum em mudanças nos mercados
agrícolas.
Hoje, os
países em desenvolvimento estão mais participativos e não aceitam decisões
unilaterais por parte dos países industrializados. Estão também mais
organizados. Um grupo de 20 países, liderados pelo Brasil e Índia, o chamado
G20, está ativo em mostrar aos países desenvolvidos que seu interesse principal
é abrir o mercado de produtos agrícolas. Há dois caminhos para se discutir
normas de mercado: uma é a negociação, como a que ocorre na Rodada Doha da OMC;
outra é a contestação, através de contenciosos, também na OMC, contra subsídios
e barreiras tarifárias que impedem ou prejudicam o comércio internacional.
Em 2002,
o Brasil tomou a decisão de abrir contencioso na OMC contra os subsídios
americanos ao algodão, decisão essa confirmada em 2003. Até agora, tem havido
firmeza e persistência na busca da condenação dos subsídios. O Brasil ganhou a
causa do algodão em três instâncias: no painel original, que recomendou a
eliminação de todos esses subsídios, no processo em que os Estados Unidos
recorreram da decisão do primeiro painel, e no novo processo aberto pelo Brasil
para fazer com que os Estados Unidos cumpram as decisões da OMC para a retirada
dos subsídios ao algodão.
Agora,
novo processo está sendo aberto na OMC. Desta vez, Brasil e Canadá contestam os
subsídios, dados nos Estados Unidos, a todos os produtos agrícolas. O objetivo
é ter um mercado agrícola livre de distorções e onde todos os países possam
competir em igualdade de condições. Pode parecer que isso interessa apenas a
produtores agrícolas, mas não é assim. Interessa a todo o povo de um país como
o Brasil, com potencial agrícola.
O grande
objetivo é chegar algum dia à abertura do comércio mundial. O Brasil não busca
trocar ganhos realizados no contencioso do algodão, por exemplo, por alguma
vantagem comercial. Não interessam compensações que permitam aos concorrentes
continuar distorcendo os mercados dos produtos em que somos competitivos. As
perdas são maiores do que os ganhos com compensações. É hora de contestar
práticas danosas de comércio de forma permanente e geral.
A esperança é que a Rodada Doha seja um passo adiante no longo esforço de liberar o comércio mundial. Que Doha fique como símbolo de atenção real com as necessidades de desenvolvimento dos países menos desenvolvidos. E que em alguma próxima rodada de negociações o bem-estar das populações de todos os países se sobreponha aos interesses de grupos que se beneficiam de subsídios e de proteção indevida a seus negócios, sempre às custas do desenvolvimento onde ele é mais necessário. Isso é importante para que não troquemos “pau Brasil por espelhinhos”, ganhos fundamentais no contencioso do algodão por ganhos irrelevantes de aumento de quota de exportação para algum setor produtivo. A luta é por objetivos maiores, é por princípios. Já é ganho considerável ter o direito do nosso lado, mesmo que, por enquanto, não se consiga justiça
26/11/2007
Avicultura
De
Curitiba e São Paulo
Representantes
da avicultura de Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas
Gerais, que respondem por cerca de 90% da produção nacional de aves, decidiram
na sexta-feira pressionar o governo para garantir oferta de milho até a
colheita de safra de verão. O setor fez duas propostas: autorização para
importar milho da Argentina e redução dos alojamentos de pintinhos em 30% no
período de dezembro a fevereiro.
Conforme
Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas
do Estado do Paraná (Sindiavipar), o setor está preocupado com um possível
desabastecimento. "Existe escassez nos estoques e não sabemos ao certo se
ele será suficiente", afirmou. Como houve atraso no plantio da safra de
verão devido à estiagem, a colheita também se iniciará mais tarde, por isso a
preocupação maior é com a oferta do grão a partir de março.
Martins
observou que o milho responde por 65% da alimentação do frango. Além da oferta,
há preocupação com o preço, que subiu de R$ 14 a saca em meados do ano para R$
28 em novembro no Paraná. "Propomos viabilizar a importação da Argentina,
porque o preço de fora está mais barato", disse. Pelos cálculos dos
avicultores, o milho do país vizinho chegaria a São Paulo por R$ 29 a saca,
abaixo dos R$ 34 pagos por produtores de frango atualmente.
Cesar
Borges, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Milho (Abimilho),
disse que a tonelada do milho no Brasil está US$ 100 mais cara que o grão
vendido no exterior. "E o mercado futuro sinaliza para preços mais
altos", afirmou. Segundo ele, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná têm
estoques mais confortáveis, mas, ainda assim, há risco de
desabastecimento.
Conforme
estudo da Câmara Setorial de Milho da Secretaria de Agricultura de São Paulo, a
demanda no Estado deve crescer 3,1% neste ano, para 7,7 milhões de toneladas, e
a oferta aumentará 1,8%, para 8,1 milhões de toneladas. Segundo Alfredo
Tsunechiro, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), São Paulo deve
importar 5,4% mais milho de outras regiões. O Estado - segundo maior consumidor
de milho, depois do Paraná - importa volume equivalente a 43% de sua
demanda.
No
Paraná, segundo o Sindiavipar, o setor avícola deve postergar aportes em
ampliações até março. "Nossa maior preocupação não é pagar caro pelo
milho, mas não ter o grão, e tememos que isso aconteça em março", disse
Martins. Ele informou que houve unanimidade entre os presentes sobre as ações
que devem ser tomadas, mas cada produtor decidirá o que fazer. "Quem
quiser correr riscos, pode correr.” (Marli Lima e Cibelle Bouças).
27/11/2007
Avicultura
O
presidente da Associação Avícola de Pernambuco, Antonio Correia, revela que os
produtores estão se organizando para reduzir a produção se não conseguirem
garantir o abastecimento da ração.
O preço
do frango está em alta e tende a aumentar, segundo o presidente da Associação
Avícola de Pernambuco, Antonio Correia. O principal motivo é o reajuste que
ocorreu no preço do milho, que é usado para alimentar as aves. O grão teve um
reajuste superior aos 60%, de acordo com a associação.
“Os
empresários já estão se preparando para reduzir as suas criações, caso não
consigam se abastecer de milho”, comentou Correia. Ele afirmou que cada empresa
vai se organizar de uma maneira diferente para enfrentar o problema que vai
atingir mais os pequenos e médios. A associação representa 70 empresas que
compram ou fazem parcerias com 1.100 produtores.
Ele
informou que uma saca de 60 quilos de milho era vendida por R$ 20 em junho e
hoje o preço varia entre R$ 33 e R$ 36, enquanto no mercado internacional a
mesma quantidade do produto é comercializada por R$ 26.
A alta
no preço do milho resulta do fato de que “não se pode importar milho, porque
temos restrições aos transgênicos e também não se pode plantar pelo mesmo
motivo”, de acordo com o empresário.
JUSTIÇA
A
restrição ao milho transgênico resulta de uma liminar da Justiça Federal do
Paraná que determina que o produto não pode ser comercializado. A União entrou
com um recurso contra esta liminar. No entanto, o presidente do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), ministro Raphael de Barros Monteiro Filho, negou o
pedido de suspensão de liminar da União, que pretendia conseguir a liberação do
comércio do milho transgênico. A decisão do presidente do STJ ocorreu na última
sexta-feira.
Segundo
a assessoria de imprensa do STJ, o pedido foi negado por que a atual situação
não causa lesão a ordem, a saúde ou a economia pública.
Ao
entrar com a liminar, a União argumentou que a manutenção da liminar pode
causar a entrada no País, pela via da clandestinidade, de sementes de milho
geneticamente modificadas que sequer foram liberadas definitivamente, como
informou o site do STJ.
Ainda na
argumentação, a União também alegou que a utilização de organismos
geneticamente modificados aumentaria a produtividade do milho brasileiro.
Jornal
do Commercio
27/11/2007
Cana – de - Açúcar
Os
fornecedores de cana-de-açúcar da Zona da Mata Sul de Pernambuco vão
comercializar álcool para a Petrobras. O Banco do Brasil vai financiar cerca de
R$ 31 milhões para a construção de uma destilaria e ampliação do plantio de
cana no município de Palmares. Batizada de Destilaria Miguel Arraes, a unidade
terá capacidade para produzir 16 milhões de litros de álcool por safra. Ontem,
na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, foi assinado um memorando
de entendimentos entre a BR Distribuidora e a Cooperativa Agroindustrial da
Mata Sul de Pernambuco (Coopeagro) para tocar o projeto.
O presidente
da cooperativa, Roberto Carvalho, destaca a importância do projeto para agregar
valor à produção e reduzir custos. “Com o fechamento da Usina Serro Azul, em
Palmares, precisávamos percorrer uma distância de até 35 quilômetros para levar
nossa cana até a usina mais próxima (Pumati, no município de Joaquim Nabuco). E
esse custo de frete representa 33% do valor da cana”, observa.
Fundada
em 2005, a Coopeagro conta com 350 cooperados dos municípios de Palmares,
Bonito e Catende. Nesta safra (2007/2008), a expectativa é atingir uma produção
de 82 mil toneladas de cana. No projeto com a Petrobras, os fornecedores serão
responsáveis pela produção e a BR pela distribuição e comercialização do
álcool. Após a liberação do financiamento, a expectativa é que a destilaria
comece a operar num prazo de um ano e meio.
Pesquisador
da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Francisco Dutra, foi o
idealizador do projeto, que beneficia os pequenos produtores. As discussões
sobre uma possível parceria com a BR Distribuidora foram iniciadas ainda quando
Maria das Graças Foster era a diretora da BR e desenvolveu um projeto de etanol
com agricultores familiares do Rio Grande do Sul. A idéia começou a ser
discutida no âmbito da Câmara Setorial de cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool de
Pernambuco, que agrega produtores, usineiros, setores do governo e
universidades.
“A idéia
é que o projeto seja replicado com fornecedores de cana da Mata Norte, onde já
está sendo formalizada uma cooperativa para articular os produtores dos
municípios de Nazaré da Mata, Vicência, Aliança e Itaquitinga”, adianta Dutra.
A Coopenorte (Cooperativa de Produtores de Cana da Mata Norte) deve começar com
300 sócios e pleitear um projeto semelhante de construção de uma destilaria com
capacidade para produzir 16 milhões de litros de álcool. A expectativa dos
produtores é que o álcool seja comercializado para a Petrobras ao preço
praticado pelo mercado.
BIOMASSA
Os
fornecedores também terão a oportunidade de comercializar o bagaço da cana-de-açúcar
para produção de biomassa. “Antes, vendíamos apenas a cana, sem nem mesmo saber
qual era o real valor do nosso produto, porque não dispúnhamos de laboratórios.
Agora, poderemos faturar até R$ 8 milhões por safra só com a venda do bagaço. A
UFRPE está tentando uma parceria com uma empresa alemã para adquirir esse
bagaço”, afirma Roberto Carvalho.
Na
avaliação do presidente do Sindicato do Açúcar e do Álcool de Pernambuco
(Sindaçúcar), Renato Cunha, o projeto estimula o associativismo e a produção em
regiões distantes das usinas, onde existia uma lacuna. “A cana-de-açúcar é um
produto que não suporta ser vendido para grandes distâncias porque encarece o
frete”, frisa.
Estado
de Minas
27/11/2007
Economia Rural
O novo
cálculo do PIB para 2005 alçou Minas Gerais ao lugar de principal produtor
agropecuário do Brasil, em detrimento de São Paulo, que perdeu participação no
segmento. Nesse período, a agricultura e a pecuária mineira responderam por
14,8% do PIB brasileiro, ante 10,7% em São Paulo, 10,22% no Mato Grosso, 8,9%
no Paraná e 8,3% no Rio Grande do Sul. Em 2004, tomando como parâmetro a base
antiga, o valor adicionado da agropecuária mineira (total bruto produzido menos
o custo da produção), era de 8,7% do total nacional, enquanto São Paulo
aparecia com 21,3%. Com o novo cálculo, passou a 13,4% em Minas e a 10,2% em
São Paulo para o mesmo período.
O ganho
de participação já era esperado pela coordenadora de contas regionais da
Fundação João Pinheiro (FJP), Maria Helena Magnavaca, e pela pesquisadora do
Centro de Estatística e Informações da FJP, Maria de Fátima Almeida Barbosa
Gomes. Segundo ela, a participação da agropecuária cresceu de 8,3% para 9,3%
dentro do próprio estado. “A atividade ganhou pouca participação porque em
Minas os números estavam bem medidos e nos outros estados tinham valores
superestimados”, disse. A pecuária leiteira foi a principal responsável pela
primeira posição de Minas no PIB acropecuário.
De modo
geral, o PIB de Minas Gerais cresceu 4% em 2005 em comparação com 2004,
ligeiramente acima do brasileiro, que teve expansão de 3,16%. Com isso, o
estado mantém sua participação de terceiro colocado no ranking nacional, com 9%
na soma das riquezas produzidas no país. O resultado ocorreu em virtude do bom
desempenho da indústria extrativa mineral (11,9%), da indústria de
transformação (3,5%), do comércio e serviços de manutenção e reparação (4,3%),
da intermediação financeira, seguro e previdência complementar (6,6%) e de
atividades imobiliária e de aluguel (4,8%).
Na
indústria de transformação, o destaque foi o setor de alimentos e bebidas (5,6%
entre 2004 e 2005). No comércio, chama a atenção o desempenho das vendas de
veículos, motocicletas, partes e peças (18%) e o comércio atacadista, exceto o
de combustível (4%). (ZF)
Valor
Econômico
30/11/2007
Grãos
Patrick
Cruz
O atraso
no início do plantio de soja em Mato Grosso, Estado que tradicionalmente
inaugura a semeadura do grão no país, poderá postergar a entrega do produto às
esmagadoras. Com isso, contratos fechados por produtores para entrega em
janeiro e fevereiro poderão não ser cumpridos - e, se isso acontecer, as
indústrias poderão exigir o pagamento de multas.
As
regiões do Estado em que o atraso foi mais pronunciado são o oeste e o
meio-norte. "Ainda é difícil precisar o volume, mas alguns contratos com
certeza vão perder o prazo", diz Daniel Sebben, analista da AgRural.
"Até agora, o atraso não trouxe grandes seqüelas; mas, no ano passado, as
primeiras entregas ocorreram até antes do prazo normal".
Em 2006,
o início do plantio em Mato Grosso ocorreu entre 10 e 15 de setembro. Neste
ano, acabou acontecendo na primeira semana de outubro. O atraso refletiu a
falta de chuvas.
Segundo
a última estimativa de plantio da AgRural, os produtores do Mato Grosso haviam
plantado, até o dia 27 de novembro, 94% da área prevista para o grão nesta
safra 2007/08. No mesmo período de 2006/07, o percentual era de 99%. Uma das
alternativas usuais para acelerar o ponto de colheita é o método da dessecagem,
mas a ferramenta acaba elevando os custos.
Em todo
o país, o plantio da soja chegou a 77% da área estimada para a atual safra,
conforme a AgRural. No mesmo período de 2006, o plantio estava em 84%. O atraso
mais significativo, é o do Rio Grande do Sul, que plantou 55% até o dia 27 de
novembro, ou 13 pontos percentuais a menos que no ano passado.
Entre os
Estados produtores mais relevantes, apenas Goiás está com o plantio adiantado
na comparação com o mesmo período de 2006. Com os 91%, o Estado está nove
pontos percentuais à frente de seu desempenho em 2006. A soja deverá ocupar
22,4 milhões de hectares nesta safra no país. No ciclo passado, o grão foi
plantado em 21,3 milhões de hectares.
Jornal
do Brasil
30/11/2007
Preços Agrícolas
Os
preços dos alimentos mantiveram a tendência de queda e diminuíram a pressão
sobre o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), que subiu 0,69% em novembro,
contra 1,05% registrado em outubro. Os dados foram divulgados ontem pela
Fundação Getulio Vargas (FGV).
O
indicador de preços dos produtos agrícolas teve recuo de 4,57% em outubro para
2,63% neste mês, com destaque para soja em grão (de 9,77% para 3,77%), leite in
natura (de 0,58% para -7,35%) e tomate (15,17% para -38,83%). Os preços de
bovinos (-0,85% para 6,78%), laranja (11,26% para 32,08%) e mandioca (14,71%
para 22,77%), no entanto, registraram alta.
O IGP-M
é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20
do mês de referência. O indicador é aplicado no cálculo de reajustes de
aluguéis, tarifas de energia elétrica e contratos do mercado financeiro.
O IPA
(Índice de Preços por Atacado) teve alta de 0,97% neste mês, contra 1,42% um
mês antes. O indicador de preços de Bens Finais teve alta de 1,13% neste mês,
superando o 0,80% visto em outubro. Excluídos os subgrupos alimentos in
natura" e combustíveis, o indicador subiu 0,47%, contra 0,24% em outubro.
Já o
índice do grupo Bens Intermediários recuou para 0,39%, contra 0,45% em outubro,
com destaque para a queda no indicador referente ao subgrupo materiais e
componentes para a manufatura, que caiu de 0,37% para 0,08%. Excluído o
subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, o indicador caiu para
0,26%, ante 0,62%, em outubro.
04/12/2007
Cana-de-Açúcar
Cibelle
Bouças e Mônica Scaramuzzo
Apesar
de se manter em patamares baixos de preços entre abril e novembro, o álcool
remunerou melhor as usinas que o açúcar nesta safra 2007/08, conforme
levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da
União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).
No
balanço feito na semana encerrada no dia 30 de novembro, o álcool hidratado
pagou 18% mais que o açúcar. O anidro, 24% mais, segundo o Cepea. "É a
primeira vez que o álcool remunerou mais que o açúcar em muito tempo",
afirmou Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica.
Segundo
Padua, o álcool esteve remunerador entre abril e maio. Já entre junho e
setembro, houve empate entre os dois produtos. Em outubro e novembro, o
combustível levou a melhor. Na comparação com o açúcar para exportação, o
álcool levou vantagem desde abril.

Conforme
Júlio Maria Martins Borges, presidente da Job Economia e Planejamento, uma
vantagem do álcool no balanço de toda a safra não ocorria desde a década de
1980 - época do Proálcool -, e reflete a forte desvalorização nos preços do
açúcar neste ano, por conta do superávit global de produção.
Segundo
ele, as usinas deverão encerrar o ano com queda na receita com exportações de
açúcar da ordem de 34%. A queda é explicada pela desvalorização de 24% no preço
médio da commodity negociado na bolsa de Nova York, que passou de uma média de
12,50 centavos de dólar por libra-peso em 2006, para 9,50 centavos de dólar
neste ano.
Outro
fator é a queda de 13,5% no valor médio do dólar em relação ao real, na
comparação entre o câmbio médio de 2007 (R$ 1,85) e o de 2006 (R$ 2,14).
"O açúcar exportado cobre os custos operacionais das usinas, mas não é
capaz de gerar lucro. Os balanços das usinas não serão bons neste ano",
afirmou Martins Borges.
De
janeiro a outubro, as exportações de açúcar recuaram 2,8% em volume, para 10,35
milhões de toneladas, e 15,5% em receita, para US$ 2,62 bilhões, de acordo com
a Secex (Secretaria de Comércio Exterior). A Job Economia calcula que as
exportações devam se manter em 20 milhões de toneladas neste ano. No ano
passado, segundo dados do Ministério da Agricultura, as exportações de açúcar
totalizaram 18,87 milhões de toneladas, gerando receita de US$ 6,167 bilhões.
Borges estima que a receita com exportações neste ano ficará 34% abaixo desse
valor.
Na
avaliação do consultor, o açúcar é o produto mais rentável na relação custo e
preço de venda. Essa relação se inverte nos períodos de entressafra, quando a
oferta de álcool diminui consideravelmente. Para Padua, os preços do álcool
deverão ter uma recuperação durante a entressafra (janeiro a abril). "Mas
a expectativa não é a mesma para o açúcar." Levantamento do Agência
Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) mostra que o preço médio do
álcool ao consumidor ficou em R$ 1,398 em novembro passado no país, aumento de
6% sobre outubro. A tendência é que os preços subam mais na entressafra.
O baixo
desempenho do açúcar no mercado interno comprometeu o desempenho geral das
indústrias de São Paulo, segundo levantamento da Fiesp (Federação das
Indústrias de São Paulo). De acordo com o indicador de nível de atividade, o
segmento de alimentos e bebidas teve um crescimento de 0,9% em outubro
comparado a setembro, com ajuste sazonal abaixo da média geral, de 2,7%. No
ano, o indicador apresenta aumento de 3,8% para o setor de alimentos e bebidas,
contra média nacional de 4,9%.
O
resultado foi comprometido sobretudo pelo desempenho das usinas
sucroalcooleiras, segundo Paulo Francini, diretor da Fiesp. "O açúcar
sofreu nas bolsas internacionais e a desvalorização do dólar comprometeu as
exportações".
04/12/2007
Preço Agrícola
Vicente
Nunes
Da
equipe do Correio
Iano Andrade/CB

Rosangela Fátima de Souza, historiadora, reclama da alta nos preços: “O feijão está um absurdo de caro. Só estou levando um quilo para casa”
Os
preços dos alimentos voltaram a pesar no bolso dos brasileiros. Desde a segunda
quinzena de novembro, embicaram para cima e já estão fazendo a diferença nos
índices de inflação, que se mostravam bastante comportados. É uma nova dor de
cabeça para governo e Banco Central (BC). Segundo a Fundação Getúlio Vargas
(FGV), no acumulado do mês passado, o grupo alimentação registrou alta de
0,60%. Foi o suficiente para que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal
(IPC-S) atingisse 0,27%, triplicando em relação à taxa registrada nos 30 dias
encerrados em 22 de novembro, de 0,09%. Três produtos comandaram a arrancada do
IPC-S: a batata inglesa, que ficou 20,68% mais cara, o feijão carioquinha, com
alta de 22,60%, e a carne de boi, com reajuste de 5,95%. Também as hortaliças e
legumes fizeram a diferença, com elevação de 2,27%.
A
disparada dos preços levou boa parte dos analistas a rever para cima as
estimativas de inflação para dezembro. Nas contas do economista-chefe da
Corretora Concórdia, Elson Teles, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA), usado como referência para a meta de inflação do governo, fechará este
mês entre 0,45% e 0,50%. Até uma semana atrás, as estimativas giravam entre
0,30% e 0,35%. Gian Barbosa, economista da Consultoria Tendências, também refez
as contas e elevou sua projeção: de 0,35% para 0,41%. “A alta dos preços dos
alimentos está mais forte do que imaginávamos”, disse Barbosa. Pela pesquisa
Focus, do BB, a estimativa para o IPCA deste ano saltou de 3,83%, há quatro
semanas, para 3,96%.
O pior,
na avaliação do economista Adriano Lopes, do Unibanco, é que os consumidores
ainda nem sentiram o grosso do aumento dos alimentos. A maior parte dos
reajustes ainda está concentrada na indústria, que usa três dos principais
grãos — soja, trigo e milho — para produzir alimentos processados. Esses grãos,
que têm cotação internacional (são commodities), vêm registrando consecutivos
recordes de valorização. Ou seja, a indústria certamente vai repassar parte do
aumento de custos à clientela. “Com isso, as estimativas de inflação para 2008
já estão se deteriorando”, afirmou. E o resultado disso será a manutenção da
taxa básica de juros (Selic) em 11,25% ao ano por um período mais prolongado do
que o desejado. Tal indicativo será dado amanhã pelo Comitê de Política
Monetária (Copom).
Consumo
menor
Diante
dos fortes reajustes da carne bovina, o servidor público João Bosco Barbosa, 40
anos, decidiu substituir o produto. “Passei a comprar mais frango, porco e
peixe”, afirmou. Casado e pai de um casal de filhos, um menino de 8 anos e uma
menina de 12, Bosco questionou os índices. “A gente ouve dizer que a inflação
está controlada, mas não creio que seja verdade. Os preços de vários alimentos
estão subindo todos os dias”, reclamou. A historiadora Rosangela Fátima de
Souza, 36, foi radical. Simplesmente cortou a quantidade de feijão consumida em
casa, diante do encarecimento do produto, vendido por até R$ 4,50 o quilo. “O
feijão está um absurdo de caro. Em vez de comprar três quilos por mês, só estou
levando um para casa”, assinalou. A posição de Rosangela é seguida por vários
consumidores. “Tanto que a venda do feijão caiu 33,4% em novembro ante o mesmo
mês de 2006”, assinalou o gerente comercial dos supermercados Caíque, Omiro Rodrigues
da Trindade.
Para a
dona de casa Lucélia Pereira Nunes, 37, a alta dos alimentos não afetou apenas
o consumo da família. Também prejudicou seu negócio. Ela costumava engordar a
renda de casa fazendo pães caseiros à base de batata. Como os preços do produto
avançaram além da conta, ela teve de pisar no freio. “Costumava comprar até
quatro quilos de batata por semana. Agora, só compro um”, afirmou. “Para
driblar esses aumentos, tive de incluir mandioca e abóbora na receita dos
pães”, contou.
Na avaliação
de Elson Teles, da Corretora Concórdia, os reajustes dos alimentos estão sendo
facilitados pelo aumento da renda. “Muita gente conseguiu emprego nos últimos
meses e várias pessoas que estavam empregadas tiveram reajustes acima da
inflação”, explicou. O economista ressaltou, porém, que o encarecimento dos
alimentos não é um fato isolado do Brasil. “É um fenômeno mundial. O consumo de
proteínas aumentou, sobretudo, por causa da entrada de milhões de pessoas nos
mercados de consumo da China e da Índia. Além disso, parcela importante das
safras de milho e de soja está sendo usada para a produção de etanol, reduzindo
a oferta dos grãos”, assinalou.
Gian
Barbosa, da Tendências, acrescentou que os consumidores sentirão mais o impacto
da alta dos alimentos daqui por diante, porque os preços do leite, que vinham
em queda livre, estão recuperando as forças. “A queda no leite já não compensa
mais a alta dos demais alimentos, como víamos há semanas”, frisou. Quem vai
sofrer mais com os reajustes será a população pobre, com renda mensal de até
seis salários mínimos (R$ 2.280). Desse rendimento, mais da metade vai para a
compra de alimentos.
ÁLCOOL
SOBE 2%
O preço
do álcool hidratado nos postos brasileiros subiu, em média, 2% na semana
passada e chegou a R$ 1,460 por litro, segundo levantamento da Agência Nacional
do Petróleo (ANP). Nas últimas quatro semanas, o combustível tem aumento
acumulado de 10%, na média nacional. A alta das últimas semanas, porém, já foi
suficiente para reduzir a competitividade do álcool em relação à gasolina em
algumas regiões. Atualmente, a gasolina tem vantagem em sete estados: Acre,
Amapá, Pará, Piauí, Rio Grande do Sul, Roraima e Sergipe. No Distrito Federal e
em outros quatro estados — Amazonas, Ceará, Paraíba e Rondônia — a relação
entre os preços dos dois combustíveis se aproxima do teto de 70%, após o qual o
derivado de petróleo é mais vantajoso. A ANP não detectou variações
significativas nos preços dos demais combustíveis pesquisados. Na média
nacional, o diesel e a gasolina fecharam a semana a R$ 1,860 e R$ 2,496 por
litro, respectivamente.
Reajuste
maior no DF
Luciana
Navarro
Da
equipe do Correio
Adauto Cruz/CB - 18/2/06

A carne foi um dos produtos que contribuíram para a alta da cesta
s
produtos de primeira necessidade estão mais caros em Brasília. Pesquisa da
cesta básica realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese), em novembro, mostra que o custo dos gêneros
alimentícios subiu 6,4% na cidade em relação a outubro, maior taxa frente a
outras 10 capitais que registraram aumento. Entre as 16 cidades pesquisadas, a
mais cara foi encontrada em São Paulo, por R$ 205,48. Porto Alegre veio em
segundo lugar, com R$ 205,18, e o Rio de Janeiro em terceiro, com R$ 194,92. Na
capital federal, o preço encontrado foi de R$ 189,20.
Nos
supermercados brasilienses, o item que teve a maior alta foi a batata: 85,57%
em relação a novembro de 2006. A farinha e a carne subiram 35,12% e 12,30%,
respectivamente. Mesmo com a queda registrada nas últimas semanas, o leite
ainda apresenta taxa positiva de variação anual de 18,19%. O feijão subiu
34,15% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Esse foi o item que
registrou maior acréscimo de preços em novembro em todas as capitais. Em
Aracaju, Natal, Recife e Belo Horizonte, a variação anual foi maior que 100%. A
capital sergipana foi a campeã de aumento no grão, que passou a custar 160% a
mais.
A carne
ficou mais cara em 15 capitais. O maior aumento, de 13,01% em comparação a
outubro, foi registrado em Brasília e seguido de Salvador (9,46%), Recife (9%)
e Natal (8,76%). A única redução, de 0,55%, ocorreu em Porto Alegre. O óleo de
soja também encareceu em 15 capitais. Belém apresentou a taxa mais alta: 7%. Apenas
no Rio de Janeiro o item teve queda de 0,40%. De acordo com o Dieese, o plantio
de soja e de outros grãos foi prejudicado pelo mau tempo com conseqüente atraso
na colheita. O preço do trigo está 50% acima do valor de um ano atrás, o que
aumenta o preço do pão e da farinha. Em Brasília, esses itens subiram 4,88% e
7,21%, respectivamente, em comparação a outubro. Na variação mensal, o custo do
açúcar recuou em 10 capitais e, na anual, em todas as cidades pesquisadas.
Por
causa dos aumentos verificados na cesta básica de novembro, o tempo de trabalho
necessário para a aquisição desses produtos também subiu. A jornada passou de
100 horas e 29 minutos em novembro de 2006 para 101 horas e 11 minutos no mês
passado, quase duas horas a mais que em outubro deste ano.
Alta
no preço dos grãos
Luciano
Pires
Da
equipe do Correio
A
valorização das commodities que tanto dói no bolso das famílias brasileiras é
influenciada pela corrida mundial dos biocombustíveis e pelo aumento no consumo
— puxado especialmente pela China. Produtos como milho, soja e trigo estão com
os preços nas alturas. Aproveitando-se disso, alguns dos grandes bancos de
investimento passaram a enxergar chances de ganhos fáceis com a compra e a
venda de papéis atrelados a itens agrícolas.
Com o
clima favorável nos países produtores, a tendência é que em 2008 o cenário se
mantenha. De acordo com a assessora técnica da Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil (CNA), Rosemeire Cristina dos Santos, apesar de o fenômeno
ser puramente especulativo, os reflexos no mercado interno já são sentidos. “No
ano que vem, os preços devem continuar sustentados”, explica.
Para o
produtor essa é uma boa notícia. Significa que quem plantou será melhor
remunerado. A soja, por exemplo, está com os preços internacionais em torno de
US$ 11 por bushel (medida padrão) — fato que não acontecia desde 2004. O milho,
por causa da produção recorde de etanol nos Estados Unidos, vale mais do que em
qualquer outro período. Já o trigo, devido à escassez em algumas regiões,
também está custando mais. Fernando Pimentel, sócio da Agrosecurity, afirma que
o mercado aguarda o fim das safras do Brasil e da Argentina. O especialista
alerta: “Se tivermos um problema de clima, a soja vai bater recorde”.
04/12/2007
Commodities
MAURO
ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br
PREÇOS
BAIXOS
"Os
tempos de preços baixos dos produtos agrícolas provavelmente acabaram." A
frase é do ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, que destacou ontem, em
SP, o aumento da importância do Brasil no cenário externo. Os principais países
exportadores têm taxas de crescimento estáveis, como os EUA (0,5%), enquanto o
Brasil consegue 16% ao ano.
ZONEAMENTO
A partir
de junho de 2008, o Brasil terá zoneamento da cana-de-açúcar, segundo
Stephanes. Um conjunto de mapas vai indicar as principais áreas agroclimáticas
especiais para o produto; outro, onde não se poderá plantar; e um terceiro,
onde o governo recomenda o plantio -nas áreas degradadas recuperadas, por
exemplo.
BIODIESEL
Em uma
análise pessoal sobre o setor de biodiesel, Stephanes diz que o mercado vai
passar por um período de ajuste. "Houve uma certa euforia e algumas
precipitações de alguns empresários".
ESTRANGULAMENTO
A
agricultura passa por um estrangulamento, na avaliação do ministro.
"Apenas quatro ou cinco empresas fornecem insumos no Brasil e no
mundo." E essas mesmas empresas são responsáveis pela compra da produção.
O esquema tem de ser rompido, segundo ele.
COMO
ROMPER
O
governo montou um grupo de inteligência para fazer, a médio e longo prazos,
propostas para romper essa situação.
AINDA
NÃO PREOCUPA
O novo
boom de investimentos hoje é na bioenergia, inclusive com aumento de
participação externa. Por ora, o ministro não vê a repetição, nesse setor, do
que ocorreu com o de grãos. "Mas estamos de olho, inclusive em quem compra
terras. Até agora, tudo normal."
EM
ALTA
Demanda
na Ásia e oferta menor podem elevar em 50% os preços das commodities em 2008,
segundo informações da corretora Schroders Plc., à Bloomberg. O equilíbrio
entre oferta e demanda está muito apertado, avalia a corretora.
ALTA
NO CAMPO
A saca
de feijão, que já atingiu R$ 280 no mercado atacadista de São Paulo, segundo o
IEA, continua subindo no campo. Ontem, a Safras & Mercado indicava R$ 230
para as regiões paulistas de Avaré e Barretos. Pesquisa da Folha mostrou R$ 260
no norte do Estado.
AFETA
O CONSUMO
A alta
do feijão, que poderá bater em R$ 300 por saca nos próximos dias, deve segurar
o consumo. A evolução dos preços ocorre porque há redução da oferta, devido à
safra menor e ao atraso na produção.
04/12/2007
Logística
São
Paulo, 4 de Dezembro de 2007 - O atraso no plantio de soja no Centro-Oeste vai
concentrar a colheita em um período mais curto e inflacionar os fretes. A
estimativa é de que a alta do transporte nos períodos de pico seja de 50%,
quando o "normal" é um acréscimo de até 30%. Em Mato Grosso, por
exemplo, estado líder na produção de soja, a janela de colheita encolherá duas
semanas, para apenas 45 dias, e o volume a ser colhido somente desse grão
aumentará em 1 milhão de toneladas, para 16,8 milhões de toneladas. Em todo
País, a previsão na safra 2007/08 é colher 3,8 milhões de toneladas a mais de
grãos, segundo estimativas oficiais.
O
transporte de uma tonelada de soja, por exemplo, de Lucas do Rio Verde (Médio
Norte de Mato Grosso) até Maringá (Noroeste do Paraná) - 1.750 quilômetros -
deve valer a partir da segunda quinzena de fevereiro em torno de US$ 150,
quando em janeiro (entressafra do frete) esse valor seria de US$ 100, conforme
compara Cláudio Coelho Adamucho, coordenador da Câmara Técnica do Agronegócio
da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC &
Logística). "Em safras colhidas normalmente o aumento é de 30% entre a
entressafra e a safra", compara Adamucho.
De
acordo com levantamento da consultoria Agrosecurity, a alta no valor do frete
em reais deve atingir 9%, saindo de R$ 197 em março do ano passado para R$ 215,
em março deste ano, no trecho entre Sorriso (MT) e Paranaguá (PR). Mas, em
dólar, esse aumento é de 30% e é a forma como o desconto ocorre para o
produtor, conforme explica Fernando Pimentel, diretor da consultoria. "O
que importa ao exportador é a referência cambial do frete que ele paga. E o
desconto no preço ao produtor é feito também nessa moeda", detalha.
O
diretor-executivo da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso
(Aprosoja), Marcelo Duarte, reforça que a maior parte dos contratos que o
produtor faz com tradings é fixado em dólar. "Inclusive o desconto do
frete é feito em dólar. Quando o produtor vai receber o valor pela saca em
reais, é considerado o câmbio do momento, independente de o frete ter incidido
em um período anterior, com o real mais valorizado", detalha Duarte.
Assim,
explica Pimentel, da Agrosecurity, como o dólar está desvalorizado, um frete de
R$ 215 representa desconto de US$ 126 por tonelada de soja, considerando um
câmbio de R$ 1,70 em março de 2008. No mesmo mês de 2007, o frete de R$ 197
impactou em US$ 96,60 por tonelada de soja ao produtor, isso porque o câmbio na
época era de R$ 2,06.
Duarte,
da Aprosoja, acredita que a alta do frete não ocorrerá por causa do
encurtamento da colheita. "O setor de transporte estava com margem
apertada e vai aproveitar a alta dos grãos para recuperar", avalia.
O
diretor da central de comercialização de soja, Centrogrãos, João Birkhan,
explica o valor de frete estimado para a safra incidirá na produção que ainda
não foi comercializada antecipadamente que, para o caso de Mato Grosso,
representa 34% da safra. "Para quem fixou antes, o desconto do frete foi
de cerca de US$ 105 por tonelada, mas os preços da soja também estavam menores
que os de agora", diz.
Com a
tonelada de soja valendo atualmente por volta de US$ 407 (porto), o frete passa
a representar 30% do produto, um pouco menos que em igual período da safra
passada (32%), quando a tonelada custava US$ 280. "O fato de o peso do
frete no valor do produto ser semelhante (pois a soja também se valorizou), não
significa que o produtor não perdeu. A situação piorou, sim. São quase US$ 30
dólares a menos por tonelada no bolso do produtor", diz Pimentel.
(Gazeta
Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Fabiana Batista)
06/12/2007
Economia
Ana
Paula Grabois e Rafael Rosas*
O
consumo interno aquecido causou forte alta da produção da indústria brasileira
em outubro. Com a renda e o emprego em alta e condições de crédito favoráveis,
o setor respondeu além do esperado e a produção cresceu 10,3% em relação a
outubro do ano passado, na maior taxa desde agosto de 2004, quando ficara em
13,3%, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).
Na
comparação com setembro deste ano, a produção subiu 2,8% em termos
dessazonalizados, o maior aumento desde setembro de 2003, quando houve alta de
4,6%. "Em 2007, a dinâmica do desempenho industrial está muito associada à
demanda interna, embora as exportações também apresentem bons resultados",
disse o coordenador de Indústria do IBGE, Silvio Sales.
O
coordenador do instituto ressalta a generalização da expansão do setor - 23 dos
27 ramos pesquisados apresentaram alta sobre outubro de 2006 - e a robustez dos
resultados. Não somente a indústria chegou ao maior nível de produção, como os
bens de capital, intermediários e duráveis também bateram em outubro o maior
nível produtivo da série histórica.
Sales
diz que a boa distribuição da expansão se reflete ainda no índice de difusão do
crescimento entre produtos industriais abrangidos pela pesquisa. Em outubro, o
índice ficou em 62,5% e no acumulado do ano, a média correspondeu a 64%, taxas
bem acima dos 54,6% de 2006.
A
expansão industrial de outubro mudou as expectativas para 2007. Se antes a
previsão dos economistas variava para uma taxa em torno de 5,5%, agora a
estimativa subiu para uma expansão de 6%. "Foi um resultado muito forte. A
indústria vem acelerando desde o segundo trimestre e até o fim do ano deve
fechar em 6% ou um pouco mais", afirmou a economista Marcela Prada, da
consultoria Tendências.
O
resultado indica um Natal com vendas mais elevadas em 2007, diz o coordenador
do IBGE, apesar dos meses de outubro e de agosto registrarem os picos anuais de
produção por concentrarem as encomendas para as vendas de fim de ano. "Se
a indústria se prepara, sinaliza um bom fim de ano", disse Sales,
acrescentando que as sondagens com empresários já apontam para um maior
aquecimento para o final do ano.
A equipe
de análises econômicas do Bradesco avalia que além do crédito, do emprego e da
renda, a inflação baixa e o câmbio valorizado foram importantes para fomentar a
demanda neste ano, ao ajudarem a manter em alta a renda real da população. Os
economistas do banco ressaltam que, embora o Banco Central tenha parado de
reduzir os juros nas duas últimas reuniões do Copom, a economia ainda recebe os
efeitos expansivos dos cortes anteriores.
Todos os
gêneros industriais registraram expansão em outubro. O maior avanço ficou com
os bens de capital, cuja alta chegou a 26,8% em comparação com outubro do ano
passado, sinalizando a continuidade dos investimentos em máquinas e
equipamentos. Todos os segmentos dos bens de capital tiveram acréscimo de
produção, com destaque para os voltados para a agricultura (60,6%), energia
(52,6%) e transporte (30,1%). Os bens de capital para fins industriais
registraram aumento de produção de 13,2%.
Segundo
Sales, a agricultura entrou em fase de recuperação depois de dois anos fracos,
enquanto a energia elétrica cresce desde o ano passado, refletindo também os
programas de estímulo à eletrificação.
Os bens
duráveis, estimulados pelo crédito farto, juros mais baixos e prazos mais
longos, aumentaram a produção em 18,2% na comparação com outubro de 2006. Os
automóveis deram a principal contribuição nos duráveis, com elevação de 26,1%
na comparação com outubro do ano passado. A indústria de eletrodomésticos
também reagiu bem à demanda interna e cresceu 13,9%.
Os bens
intermediários, que detêm o maior peso na indústria geral, subiram 8,8% em
outubro, com destaque para os insumos para a construção civil (10,2%). Outro
resultado relevante nos intermediários foi obtido pelo segmento de papel e
celulose, cuja alta alcançou 14,8%, depois de avançar apenas 1% nos primeiros
nove meses do ano, sob a influência negativa em setembro de uma parada para
manutenção de uma grande unidade da Aracruz. O bom desempenho de bens
intermediários aconteceu a despeito da queda de 5,3% na produção de petróleo e
gás, que sofreu com paradas e atrasos de plataformas da Petrobras.
Já os bens
de consumo semi e não-duráveis subiram 5,9%, puxados pelos semiduráveis
(calçados, têxteis e vestuário), que cresceram 11,4% em relação a outubro do
ano passado, na primeira alta de dois dígitos desde 2004, reforçando, diz
Sales, a importância do mercado interno para o desempenho da indústria ao longo
do ano. Nos semiduráveis, a alta mais relevante, de 5,2%, ocorreu nos alimentos
e bebidas elaborados para consumo doméstico A economista Thaís Zara, da
consultoria Rosenberg & Associados, ressalta que este ramo é menos afetado
pela concorrência com os importados, que tem afetado mais a produção nacional
de calçados e confecções.
No ano,
a indústria geral acumulou alta 5,9% e nos 12 meses encerrados em outubro, a
expansão chegou a 5,3%. (* Do Valor Online)
10/12/2007
Preços Agrícolas
9 de
Dezembro de 2007 - escalada dos preços internacionais das commodities agrícolas
é um fato. O aquecimento da economia global provocou significativa recuperação
dos preços dos grãos, com reflexos nos preços do frango e das carnes bovina e
suína, que aumentaram com a subida dos preços dos grãos, base das rações. No
Brasil, mesmo com as safras recordes, o abastecimento interno do agronegócio
enfrentou sérias dificuldades porque as cotações externas dos produtos
agrícolas cresceram muito.
Um
estudo da ONU, divulgado no começo de setembro, mostrou que o preço de
alimentos e commodities alcançaram aumento de quase 50% entre 2002 e 2006.
Nesse período, o açúcar subiu 114%; o arroz, 58%; café, 98%; soja, 26%; e
trigo, 32%. E a tendência, segundo este estudo da ONU, é de que a alta
continuará "por mais alguns anos". A subida nos preços agrícolas
pressionou o custo de vida em muitos países. É fato que há uma correlação entre
preços do petróleo e custo de commodities agrícolas. Diferentes pesquisas já
confirmaram que os preços da soja, milho e trigo reagem sempre que as cotações
do óleo sobem nos Estados Unidos. Essa correlação se acentuou com a expansão
dos biocombustíveis. A corrida pela produção de biodiesel, a partir de
diferentes culturas, especialmente milho para a produção de etanol, alterou
ainda mais os preços relativos das principais commodities.
A
Organização Internacional do Açúcar (OIA), com sede em Genebra, estima que o
aumento da produção de etanol no mundo em 2007 será de 28%, em relação ao ano
anterior. Segundo a entidade, o mundo produzirá 50,4 bilhões de litros neste
ano, frente aos 39 bilhões produzidos em 2006. No Brasil, o aumento na oferta
entre a safra de 2006 e a de 2007 de etanol será de 14%, segundo a OIA,
evolução menor que a dos EUA, que neste ano devem ter expansão de 22% na
produção de combustível em relação ao ano passado. As 126 refinarias norte-americanas
devem produzir 24 bilhões de litros. Em três anos, com a entrada em operação de
mais 76 refinarias, a produção deve atingir 37 bilhões de litros. Apesar dessa
produção acelerada, a demanda por etanol nos EUA é bem maior que a oferta, já
em 2007. Até o final do ano os EUA devem acumular um déficit de 17 bilhões de
litros de etanol. E esse déficit deve se agravar. Por essa razão, no final de
junho o governo Bush sancionou a Energy Bill, a lei do etanol, aprovada no
Senado um mês antes. O impacto dessa lei pode ser avaliado pelo fato de que já
neste ano a cultura de milho nos EUA, principal matéria-prima do etanol, já
deve receber aproximadamente US$ 11,4 bilhões em subsídios. Não há dúvida de
que está aberto um mercado muito alto para o etanol. Inclusive para o álcool
brasileiro.
Esse
fato já provocou sérios reflexos na produção rural do Brasil. Desde o primeiro
semestre, consultorias especializadas alertam que, apesar dos preços mais altos
das demais commodities, a velocidade de expansão da cana-de-açúcar afeta outras
atividades agrícolas. Mesmo com todas as estimativas favoráveis de expansão do
PIB agrícola, a safra 2007/2008 deve registrar aumentos de produção apenas na
soja e arroz. Isso quando as vendas de tratores de grande potência, acima de
100 cavalos, que recuaram sem parar entre 2003 e 2006, neste ano tiveram alta
de 71,9% em relação ao número de unidades vendidas no ano passado.
No final
de agosto, frente ao quadro de acelerada expansão do cultivo de cana, a
prefeitura de Rio Verde, no interior de São Paulo, sancionou lei para frear a
cultura da cana. Muitas cidades da nova fronteira canavieira paulista iniciaram
debates semelhantes, com os mesmos argumentos de RioVerde: influenciar a
organização agrícola desses municípios preocupados com o monopólio da cultura
canavieira. Até mesmo o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, considerou
de necessidade premente o desenvolvimento de um zoneamento agrícola para o
País.
Curiosamente,
no entanto, o comércio internacional de biocombustíveis, especialmente etanol,
está estagnado no mundo. O principal motivo são as barreiras que os grandes
consumidores mundiais mantêm para o produto. No caso dos EUA, a importação de
etanol, apesar de todas as pressões da demanda, não deve superar US$ 5 bilhões
neste ano, praticamente o mesmo de 2006. Washington resiste a abrir negociações
sobre essas barreiras.
O estudo
da ONU mostrou que apenas 12% do etanol produzido no mundo é exportado e, desse
total, o Brasil controla 60% dos negócios. Nesse quadro, com os preços
agrícolas subindo de forma persistente, de pouco adianta culpar exclusivamente
os biocombustíveis por essa escalada. Está na hora de procurar uma solução
negociada entre produtores e consumidores. E cabe a Washington iniciar tais
conversas, principalmente por sua condição de maior consumidor de energia do
planeta.
(Gazeta
Mercantil/Caderno A - Pág. 2)
08/12/2007
Preços Agrícolas
Jamil
Chade
Os
preços dos alimentos continuarão a pressionar em 2008 a inflação em todo o
mundo, afetando principalmente os países em desenvolvimento e as camadas mais
pobres das populações. O alerta é da Organização das Nações Unidas para
agricultura e Alimentação (FAO) e é feito no mesmo momento em que a entidade
divulga que a colheita de cereais no mundo atingirá em 2007 um volume recorde -
2,1 bilhões de toneladas. Em 2008, a produção tende a ser ainda maior.
Nos
Estados Unidos, a safra de milho atingiu volumes recordes, com produção em alta
de 25% em relação a 2006. O crescimento de um ano ao outro é também o maior já
registrado e, segundo a FAO, o motivo é o boom na produção de etanol no país, o
que também está contribuindo para alta nos preços de alimentos. No total, as
fazendas americanas produziram 334 milhões de toneladas de milho em 2007.
Para
2008, a FAO estima que a produção de milho, tanto no Brasil como na Argentina,
sofrerá um aumento diante dessa demanda pelo produto no mercado internacional
para alimentar as usinas de etanol.
O
problema, segundo a FAO, é que nem mesmo essa produção recorde está dando conta
da demanda por trigo, milho e outros produtos. O resultado é uma alta no valor
dessas commodities. No caso da América do Sul, a FAO aposta numa alta na
produção de grãos no Brasil, Argentina, Uruguai e Chile em 2008. Mas alerta que
a pressão sobre a inflação continuará a ser sentida.
Neste
ano, a produção de trigo na América do Sul já foi recorde em alguns países, mas
a região manterá a produção de 22,1 milhões de toneladas. O volume é 10,5%
acima da taxa de 2006, considerado um ano ruim para o continente.
Um dos
destaques de 2007 é ainda a produção recorde de grãos na China e Índia,
permitindo que o crescimento mundial chegue a 4%. A produção de milho na Ásia,
por exemplo, atinge um recorde de 198,1 milhões de toneladas. 207 milhões de
toneladas de trigo ainda estão sendo previstas para a região, que também
apresenta a maior demanda pelos produtos diante da maior renda da população.
O
resultado foi a alta nos preços dos alimentos em vários países. Em algumas
regiões, como na África, já se prevê uma queda no consumo de grãos pela
população por causa dos preços. Nos últimos 12 meses, o valor da importação de
grãos já atingiu um recorde. A compra de alimentos custou aos países em
desenvolvimento US$ 745 bilhões neste ano, 21% a mais que em 2006, e afetou suas
balanças comerciais.
Para
2008, a perspectiva é de crescimento da produção de trigo, com o fim dos
limites na União Européia para o cultivo e as condições climáticas consideradas
como adequadas.
12/12/2007
Economia Agrícola
São
Paulo, 12 de Dezembro de 2007 - Se depender das projeções para o campo, os
agricultores e pecuaristas só têm a comemorar nos próximos cinco anos.
Estimativas da RC Consultores apontam taxas de crescimento médias de 4,5% ao
ano sendo que os produtores de carnes terão aumento superior em 2008 e 2009. O
desempenho é melhor que os cinco anos anteriores, quando houve, inclusive, taxa
negativa.
"O
cenário internacional é favorável para o setor", avalia o economista Fábio
Silveira, da RC Consultores. Segundo ele, a perspectiva do uso de grãos para a
produção de biodiesel tem elevado as cotações das commodities agrícolas, que
devem se manter em patamares superiores aos históricos, além de o crescimento
do consumo de proteínas, sobretudo nos países emergentes são os fatores
determinantes para este otimismo. "No caso das carnes, o crescimento só
não é maior por causa do protecionismo, colocado até por meio de barreiras sanitárias",
conclui Silveira. Segundo ele, este é o principal entrave ao setor. Atualmente,
o País não tem acesso a importantes mercados por questões sanitárias, apesar de
boa parte do Brasil ser, por exemplo, livre de febre aftosa. Ele cita como
protecionismo, além dos embargos recorrentes por condições sanitárias, os
subsídios à produção na Europa e barreiras tarifárias.
Apesar
dos fatores negativos, ele acredita que entre as carnes, as aves são as que
tendem a ganhar mais espaço nos novos mercados, ou seja, os países emergentes.
E, por isso, podem ter crescimento de produção superior à média. Segundo ele,
além de ser uma carne ,mais magra é mais "adaptável" aos padrões de
consumo das novos mercados.
"Há
uma combinação favorável de mercado e externo, aliada `alta competitividade e,
no caso da bovinocultura, um potencial de áreas de pastagem", afirma.
Pelas estimativas da consultoria, a taxa de crescimento entre 2008 e 2012 só
perde para a registrada neste ano: 5,5%. Mas é bem superior aos cinco anos anteriores,
quando chegou a registrar queda de 0,9%.
Pelas
projeções da RC Consultores, a agricultura cresce nos próximos anos estimulada
pelas cotações dos grãos. Desta forma, haverá aumento tanto de área quanto de
produtividade - apesar de que ele disse ter sido conservador. As estimativas da
empresa apontam para uma produção de 140 milhões de toneladas de grãos em 2008,
chegando a 180 milhões em 2012. O cenário para a agricultura mostra ainda
números surpreendentes para o milho - estimulado pelo uso do grão nos Estados
Unidos para a produção de etanol. Enquanto a safra de soja passará de 58
milhões de toneladas para 80 milhões, a de milho sairá de 54 milhões de para 70
milhões, na mesma comparação. Por isso, pelas projeções de Silveira, em 2012 o
País terá dobrado a exportação de milho, de 10 milhões de toneladas para 20
milhões de toneladas. Mais que a taxa média das exportações globais que, de
acordo com o economista, deve crescer no mesmo ritmo do aumento da produção
projetada para o período. Os patamares mais elevados das cotações dos grãos
também vão elevar a renda do setor. A consultoria indica uma receita de R$ 150
bilhões no ano que vem, ante a R$ 123 bilhões projetados para 2007.
Segundo
os números da RC Consultores, o crescimento entre 2008 e 2012 será o maior dos
últimos cinco anos, mantendo-se em taxas estáveis. Neste ano, a projeção é de
4%, mas chegou a minguados 0,8% em 2005.
"Outro
fator que vai fazer a agricultura dinamizar é a expansão da frota de veículos
flex", afirma o economista. Pelas projeções da RC Consultores, a produção
de álcool, por exemplo, passará de 18 bilhões para 25 bilhões de litros em
2012.
(Gazeta
Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Neila Baldi)