CLIPPING RURAL CNA

ECONOMIA

 

Câmbio e alimentos pressionam IGPM, que registra alta de 0,98% em agosto.

 

Campo vai pesar mais na inflação

 

 PR deve colher 1,7% a mais nesta safra

 

 CMN reduz taxa de juros para os recursos do Funcafé

 

 Demanda por máquinas no RS anima as indústrias 

 

 Sistema S tem arrecadação de R$ 10 bi por ano

 

Agricultura e inflação

 

  Sobre leite, batatas e juros

 

  Cresce captação externa para financiar o campo  

 

  Agricultura e inflação : Hélio Tollini

 

 Agricultura, câmbio e poder de troca: Roberto Rodrigues   

 

 Primeiro o faroeste e só depois o xerife?: Washington Novaes   

 

Plantio de grãos cresce até 3,4%

 

Conab confirma safra maior, mas teme clima     

 

Pela primeira vez, safra agrícola e receita do produtor serão recordes.

 

Branco Peres investe em café no Japão e mira cana no Brasil   

 

Sinais de faturamento recorde para o café 

 

Um velho tema: inflação e agricultura

 

Apesar de problemas crônicos, PIB agrícola deve ser recorde em 2007

 

Preço de carne bovina sobe e de suínos cai

 

Cenário positivo para máquinas em 2008

 

Avicultores ameaçam reduzir produção

 

Renda agrícola em ritmo de alta

 

O esforço do campo exige contrapartida

 

OIC questiona estatística brasileira

 

Diminui a fatia da cana no valor da produção paulista

 

Canaviais sufocam o São Francisco

 

O dinheiro que vem da pecuária

 

Preços recebidos pelos produtores paulistas têm valorização de 1,44%

 

Grandes grupos lideram a expansão dos canaviais

 

China quer tarifa mais baixa para importar soja

 

Ritmo de execução decepciona em 2007

 

Doha: esperança de progresso: Hélio Tollini

 

Oferta escassa de milho preocupa indústrias

 

Milho sobe mais de 60% e elevará preço do frango

 

Fornecedores de cana vão vender álcool à Petrobras

 

Minas Gerais lidera setor agropecuário

 

Produtor de soja do MT corre para evitar multa

 

Preço dos alimentos freia alta da inflação, e índice fica em 0,69%

 

Álcool remunera melhor do que açúcar

 

Nova dor de cabeça

 

Vaivém das commodities  

 

Frete ficará até 50% mais caro na colheita

 

Mercado interno faz indústria bater recorde

 

 A forte subida nos preços dos produtos agrícolas

 

 FAO alerta para alta dos preços de alimentos em 2008

 

 Cenário otimista para o campo nos próximos cinco anos  

 

Valor Econômico

30/08/2007

 

Preços Agrícolas

Câmbio e alimentos pressionam IGPM, que registra alta de 0,98% em agosto. 

 

Raquel Salgado

 

 

Pressionado pela forte alta dos preços agrícolas, o mais recente indicador de preços, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), divulgado ontem, surpreendeu analistas e mostrou uma variação de 0,98% em agosto. Só a variação dos preços agrícolas no atacado foi de 4%, contribuindo com 0,63 ponto percentual no índice cheio. Do lado industrial, também não houve refresco. Os produtos metalúrgicos deixaram de apresentar variações negativas e a cadeia dos itens químicos ficou mais cara em agosto. Em parte, esses movimentos refletem a recente desvalorização do real em relação ao dólar. 

 

A pressão dos alimentos, com destaque para grãos, carnes e leite, era esperada, mas veio mais forte do que as expectativas. Os analistas acreditavam que estes preços teriam um leve recuo ou, no mínimo, que ficassem estáveis. Não foi o que se viu. Em relação ao IGP-10, divulgado dez dias antes, a elevação dos preços agrícolas foi de 2,64% para 4%. Já os alimentos industrializados foram de uma alta de 1,88% para 2,28%, na mesma comparação. 

 

 

 

Para Zeina Latif, economista-chefe para o Brasil do ABN Amro Real, os resultados mostram que o movimento de alta dos alimentos é mais duradouro do que se imaginava. "Não estamos falando de choques pontuais de oferta, estamos vendo uma recomposição de preços em nível internacional", explica Zeina. 

 

Ela acredita que os preços de legumes, frutas, grãos e carnes não devem subir muito mais até o próximo mês, mas também não vão ceder muito. Antes, diz a economista, os movimentos eram mais voláteis. Agora, como a demanda doméstica está mais aquecida, há maior rigidez. 

 

No IGP-M de agosto o item cereais e grãos mostrou alta de 6,32%, após ter subido 3,38% no IGP-10. O item animais, que leva em conta carnes, foi de uma alta de 5,87% para 6,1%. Já o grupo chamado lavoura de exportação, que inclui café, soja e cacau, subiu de 1,1% para 3,4%. 

 

Ainda assim, o IGP-M de setembro será mais modesto do que o de agosto. A projeção do ABN é de uma alta de 0,55%. Otávio Aidar, da Rosenberg & Associados, ainda não fez sua estimativa, mas calcula que ficará entre 0,5% e 0,6%. O economista argumenta que os preços do leite e da carne, que foram pontos de forte pressão de alta na inflação, já não mostram aceleração nos preços ao produtor e, por isso, o IGP-M deve desacelerar. Ainda assim, o patamar de 0,5% a 0,6% não é tão confortável. Ele lembra que além da alta de preços dos agrícolas, a desvalorização do real em relação ao dólar ocorrida nas últimas semanas também contribui para a elevação dos preços. 

 

Aidar e Zeina, no entanto, não planejam revisar suas projeções para os preços ao consumidor, como a do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Eles acreditam que haverá repasse do atacado para o varejo, mas este movimento já estava embutido em suas estimativas. "Pelo resultado do IPCA-15 de agosto já foi possível perceber algum tipo de repasse de preços, por conta de uma demanda mais forte, mas não acho que seja preocupante", diz Aidar, que projeta alta de 3,9% no IPCA até o final do ano. Mas, assim como Zeina, o economista acredita que o Banco Central já deve parar de cortar juros, estacando o processo de flexibilização da política monetária. 

 

<Voltar>

 

Valor Econômico

30/08/2007

 

Preços Agrícolas

Campo vai pesar mais na inflação

 

 

São Paulo, 30 de Agosto de 2007 - Estimativas é que até novembro continue a pressão sobre os índices ao consumidor. Pelo menos até novembro o consumidor brasileiro continuará sofrendo com os preços agropecuários mais altos. Estimativas da RC Consultores apontam para um aumento no índice de preços ao consumidor para patamares de 0,40% em outubro e novembro, ante os 0,25% verificados nos últimos meses diante de cotações mais elevadas nos principais produtos do campo. Ontem, mais uma vez, os números da Fundação Getúlio Vargas mostraram que os alimentos têm contribuído para a inflação.

 

O mês de agosto já tem registrado patamares de preços agrícolas valorizados - são os mais elevados desde março de 2005, quando atingiram 7,5%. Segundo o índice da RC, as cotações no atacado acumulam alta de 7% no mês em relação a julho. É a segunda consecutiva - no mês passado o incremento foi de 0,9%. Na comparação com o ano passado, a valorização é de 25,5%.

 

"Todo ano tem um pouco disso, nesta época, mas desta vez a alta foi ainda mais elevada. Houve uma disparada nos preços em função de uma conjunção de fatores", afirma o economista da RC Consultores, Fábio Silveira. Entre eles estão a oferta restrita de carne bovina - em virtude de entressafra, volume grande exportações e abate de matrizes nos últimos anos - e os preços internacionais mais altos do milho e soja que se refletem também nas cotações dos suínos e frangos; além do início da entressafra de grãos no Brasil, da desvalorização do câmbio após a crise financeira dos Estados Unidos e um aumento da demanda por alimentos no País, decorrente da maior renda.

 

Silveira explica que, por questões de metodologia, a alta nos preços agrícolas de reflete de forma mais instantânea no Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que no Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPC-A) - neste há uma diluição das valorizações e que, por isso, o impacto da alta nas cotações do campo será sentida ainda nos próximos meses nele. "O que vem de pressão altista sobre os índices de preços ao consumidor pela frente é maior do que já teve até o momento", conclui.

 

Pelas projeções da RC Consultores, no período de 45 a 60 dias diminui a pressão das carnes com o fim da entressafra na pecuária de corte. Por outro lado, a consultoria prevê também mudanças nos patamares dos preços agrícolas em um universo de 60 a 75 dias a partir da perspectiva de que a safra brasileira de grãos será mais uma vez recorde - a empresa prevê 144,1 milhões de toneladas. "Isso não significa que os preços vão desabar, mas que se interrompe a série de alta", afirma o economista.

 

Segundo o levantamento mensal da consultoria, em agosto, as maiores valorizações nos preços agropecuários ocorreram no boi, com alta de 7%, e no leite, 9,6% - ambos são influenciados pela menor disponibilidade de pastagem devido ao "período de seca" tradicional no inverno nas regiões produtoras. No acumulado do ano, o tomate registra o maior incremento nas cotações, com valorização de 50,1%, seguido suínos (20,2%), milho (17,1%) e feijão (11,7%).

 

No ano, apenas em fevereiro o Índice RC de preços agrícolas no atacado havia sido superior a um dígito. Ocasião em que a taxa foi de 2% - influenciada sobretudo pela valorização da laranja e do frango.

 

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Neila Baldi) 

 

<Voltar>

  

Valor Econômico

30/08/2007

 

Grãos

PR deve colher 1,7% a mais nesta safra

 

 

Marli Lima

 

 

O Paraná poderá colher 30 milhões de toneladas de grãos na safra 07/08, sendo 21,59 milhões de toneladas no verão. A Secretaria da Agricultura do Estado divulgou ontem a primeira previsão de safra e mostrou que, para a soja, haverá aumento de apenas 0,1% na área plantada e de 1,6% na produção, estimada em 11,995 milhões de toneladas. O milho deverá ocupar espaço 3% maior, mas a expectativa de colheita é de 8,7 milhões de toneladas, 1,7% menor que a do período anterior, quando a produtividade média obtida, de 6,68 mil quilos por hectare, foi 24,7% superior à das últimas quatro safras. 

 

A área de cultivo foi mantida em 5,8 milhões de hectares porque a fronteira agrícola do Paraná está praticamente esgotada. Mas o clima é de otimismo, devido aos preços da soja e do milho. A secretaria informou que o preço médio da saca de 60 quilos de milho ontem era de R$ 17,50, 48,3% maior que em agosto de 2006. No caso da soja a alta foi de 14,5%, para R$ 31,64. A isso se soma o uso de tecnologia, o clima bom e aumento na produtividade, condições que o secretário Valter Bianchini espera que se repitam em 2007/08. 

 

A maior produção do Estado foi obtida em 2002/03, quando a colheita foi de 30,2 milhões de toneladas. Mas depois os agricultores enfrentaram problemas climáticos. Na safra 05/06, por exemplo, foram colhidas 23,9 milhões de toneladas. Na 06/07, que está sendo concluída, o volume deverá chegar a 29,5 milhões de toneladas. 

 

A área plantada com milho será de 1,367 milhão de hectares e a com soja, de 3,95 milhões de hectares. A área de cana-de-açúcar deverá crescer 5,4%, para 582,2 mil hectares, principalmente sobre áreas de pastagens na noroeste. A produção está estimada em 49,3 milhões de toneladas, alta de 5,7%. De acordo com Bianchini, a expansão dessa cultura no Paraná é limitada pelo clima e competição com outras culturas lucrativas. 

 

A secretaria prevê que a área de feijão deverá sofrer redução de 15,3% para dar espaço para o milho, porque os agricultores tiveram perdas em função de chuvas na colheita e preços baixos na comercialização. A produção poderá ser 2,3% menor, ou de 552 mil toneladas. Para o café, a área cresce 0,7%, mas a produção será 20% maior, de 124,2 mil toneladas.

 

<Voltar>

 

Valor Econômico

30/08/2007

 

Café

CMN reduz taxa de juros para os recursos do Funcafé 

Arnaldo Galvão

 

 

O Conselho Monetário Nacional (CMN) reduziu de 9,5% para 7,5% ao ano a taxa de juros dos financiamentos com recursos do Funcafé contratados a partir de 1º de julho de 2007. O spread bancário de 4,5% ao ano foi mantido. Ainda no âmbito do Funcafé, o limite de crédito para custeio e colheita subiu de R$ 1,44 mil por hectare para R$ 2 mil. O máximo por tomador foi elevado de R$ 200 mil para R$ 250 mil. 

 

Outras duas medidas completam o conjunto de apoio aos produtores de café. Na primeira, o CMN aprovou a vinculação de garantias adicionais para financiamento de estocagem, mantida a exigência de penhor de documento de depósito representativo de café financiado. Na segunda, admitiu que o prazo de reembolso dos financiamentos de estocagem pode ser feito em pagamento único ou parcelado com o agente financeiro. Para que isso ocorra, na safra 2007/08, tem de ser respeitado o limite de 30 de maio de 2008. 

 

O CMN estabeleceu novos fatores de ponderação da poupança para garantir mais recursos a taxas de juros controladas (6,75% ao ano). O objetivo é reduzir custos do Tesouro com equalização de juros entre 1º de julho de 2007 e 30 de junho de 2008. Os novos fatores são: 1,489 para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e 1,839 aos financiamentos dos demais produtores rurais. 

 

Segundo o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, os recursos destinados à safra 2007/08 no Pronaf são quase de R$ 12 bilhões, dos quais R$ 1,7 bilhão oriundos da poupança. Na produção agrícola empresarial, a safra atual terá crédito de R$ 60 bilhões. Desses, cerca de R$ 4,5 bilhões são da poupança. 

 

Outros dois votos aprovados no CMN detalharam as condições para a redução e a prorrogação de dívidas rurais. É a regulamentação dos Decretos 6.200 e 6.201 publicados ontem no Diário Oficial da União. A base de todas essas normas é a Lei 8.427 de 1992. 

 

Segundo Bittencourt, o total de vencimentos de dívidas referentes ao custeio de safras anteriores neste ano é de R$ 1,8 bilhão. Para os financiamentos de investimento, gira em torno de R$ 6 bilhões. 

 

Os custos com a redução de dívidas que envolvem os programas Moderfrota, Moderagro, Moderinfra, Prodecoop, Prodefruta, Prodeagro, Propflora, Proger Rural e Finame Agrícola Especial que usam recursos do FAT, do BNDES e dos fundos constitucionais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste são de R$ 417 milhões. Entre as culturas beneficiadas estão algodão, arroz, milho, soja, sorgo e trigo. Desses R$ 417 milhões, R$ 309 milhões são da União e R$ 108 milhões do BNDES. Para Bittencourt, a concessão de reduções e prorrogações de dívidas no âmbito do Pronaf terá custo de R$ 405 milhões para o Tesouro. Do total, R$ 23 milhões são referentes à safra 2003/04 e R$ 160 milhões de 2004/05. "A expectativa é limpar as dívidas da safra 2006/07 tentando receber o maior volume possível de dinheiro e evitar levar mais problemas para o futuro.”

 

<Voltar>

Valor Econômico

31/08/2007

 

Máquinas Agrícolas

Demanda por máquinas no RS anima as indústrias

 

  

Sérgio Bueno

 

 

O crescimento da produção e os bons preços obtidos pelas commodities agrícolas na safra deste ano estão se refletindo nas vendas de máquinas e implementos agrícolas da 30ª edição da Expointer, que começou sábado e vai até domingo em Esteio (RS). Segundo empresas do setor, esta é a melhor edição da feira desde 2004. 

 

O Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers) estima R$ 120 milhões em vendas, 38% acima do valor de 2006, mas abaixo dos R$ 220 milhões de 2004. "Nos últimos anos o Rio Grande do Sul havia enfrentado duas frustrações de safra devido à seca e em 2006 os preços dos grãos também estavam achatados", diz o presidente da entidade, Cláudio Bier. 

 

"O astral está melhor neste ano", constata o diretor de marketing da Massey Ferguson, marca da AGCO do Brasil, Fábio Piltcher. Segundo ele, a procura está aquecida no segmento de tratores pequenos, destinados à agricultura familiar, mas há um aumento maior nas linhas de máquinas de maior porte, acima de 150 cavalos de potência. 

 

Piltcher ainda não tem números fechados sobre as vendas na Expointer, mas afirma que o desempenho confirma a tendência de aumento da demanda por colheitadeiras. De janeiro a julho, a empresa vendeu 202 máquinas no país, 110% a mais do que no mesmo período de 2006. O mercado total cresceu 105,5%, para 1.034 equipamentos, conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). 

 

"Os produtores estão confiantes no resultado da atividade, há necessidade de novas tecnologias e linhas de crédito disponíveis", acrescenta o gerente de vendas da John Deere, Paulo Kowalski. Segundo ele, depois de dois anos ruins o setor está se recuperando, auxiliado pela redução das taxas de juros do Finame Moderfrota, para 7,5% e 9,5% ao ano, de acordo com o porte dos agricultores. 

 

A Valtra espera crescimento de 30% nas vendas na Expointer deste ano em comparação com a exposição do ano passado, diz o gerente de marketing, Jak Torreta. Ele não detalha volumes, mas relata que a demanda está forte no segmento de tratores de média potência, na faixa de 120 cavalos. O mesmo ocorre nas linhas destinadas à silvicultura devido aos investimentos em florestamento realizados no setor no Estado por empresas como Aracruz, VCP e Stora Enso. 

 

De acordo com levantamento divulgado ontem pela Secretaria da Agricultura do Estado, a venda de animais também já superou a marca registrada em toda a feira do ano passado. Até a noite de quarta-feira o valor havia alcançado R$ 7,6 milhões, ante R$ 7,3 milhões durante todos os dias da exposição em 2006. 

 

<Voltar>

Folha de S. Paulo

01/10/2007

 

Sistema S

Sistema S tem arrecadação de R$ 10 bi por ano  

 

 DA SUCURSAL DE BRASÍLIA  

 

Financiado com a receita de contribuições sobre a folha de salários das empresas, o Sistema S reúne nove instituições: Sesi e Senai (indústria), Sesc e Senac (comércio), Senar (agricultura), Sescoop (cooperativas), Senat e Sest (transportes) e Sebrae (micro e pequenas empresas). Recentemente o governo incluiu duas entidades na lista dos beneficiados com os recursos das contribuições: Apex (Agência de Promoção de Exportações) e ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial).

 

No ano passado, segundo informações do Fórum Nacional do Sistema S, as entidades arrecadaram R$ 10 bilhões, e a previsão é fechar 2007 com uma receita de R$ 11 bilhões. Os recursos vêm de contribuições parafiscais, de mensalidades de associados, de receitas financeiras e de aluguel de imóveis.

 

As contribuições são chamadas parafiscais porque têm natureza tributária, mas são destinadas a entidades privadas. Por atuarem em cooperação com o Estado nas tarefas de serviço social e de formação profissional, tais entidades, que são vinculadas ao sistema sindical, recebem as contribuições, que estão garantidas nos artigos 149 e 240 da Constituição.

 

Os ministérios do Trabalho, do Desenvolvimento Social e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio atuam na supervisão do sistema, que tem suas contas fiscalizadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e pela CGU (Controladoria Geral da União). Embora as entidades não estejam sujeitas à lei de licitações ou à realização de concursos para admissão de pessoal, os órgãos de controle vêm cada vez mais definindo regras para o sistema similares às do setor público.

 

Uma parcela expressiva das contribuições é arrecadada para os "Ss" pela Receita Federal. Algumas entidades, no entanto, podem arrecadar diretamente as contribuições, desde que tenham autorização legal para isso. As entidades da indústria atualmente recebem recursos diretos de mais de 4.500 grandes empresas.

 

No primeiro semestre deste ano, a Receita arrecadou R$ 2,865 bilhões para o sistema, o que significa um aumento real de 30% em relação ao mesmo período de 2006. Cada uma das entidades tem uma alíquota de contribuição que varia, na maior parte dos casos, de 1% a 1,5% sobre a folha. (JS)

 

<Voltar>

 

Folha de S. Paulo

29/09/2007

 

Opinião

Agricultura e inflação

Nos últimos anos, o Brasil teve grande crise agrícola e os preços caíram muito; agora, eles passam por recuperação.

 

 

Quando os preços agrícolas despencam por qualquer razão (em geral por causa do excesso de oferta), e não cobrem os custos de produção, os agricultores -como qualquer empresário eficiente- deixam de plantar. Se acontecer uma seca muito ampla e intensa, a produção pode cair demais, não atendendo à oferta, e os preços sobem de novo. Aí os agricultores voltam a plantar e a oferta excede a demanda, os preços caem outra vez e assim vai a vida no campo nos países onde não existem políticas estabilizadoras da renda rural. É a instabilidade, ruim para todos, produtores e consumidores.

 

O pior é que, quando um país está lutando para combater a inflação, o desastre dos agricultores é a felicidade do governo, porque os preços baixos permitem maior consumo com oferta abundante, e os consumidores -sobretudo os de baixa renda- podem ficar com a sensação de que aquilo é resultado de uma boa ação governamental. Na verdade, trata-se de um incidente do mercado, com a vantagem, do ponto de vista oficial, de derrubar os índices inflacionários.

 

Porém, milhares de produtores quebram principalmente os pequenos, deixam a atividade e a produção acaba diminuindo. Os preços voltam ao patamar anterior e, não raro, a agricultura é acusada de ser causadora da inflação, quando, na verdade, o que acontece é apenas uma recuperação.

 

Acrescenta-se a isso o dado óbvio de que existe a safra e a entressafra. Na safra, os agricultores precisam pagar suas contas e vendem a produção a qualquer preço. Mercado não tem coração, aperta os mais fracos. Na entressafra, aqueles que conseguem agüentar vendem a preços melhores. Ora, isso é outra perversidade, porque concentra a renda: quem agüenta mais tempo vende melhor; quem está mais apertado ganha menos ou até perde, vendendo abaixo do custo.

 

Os governos dos países em desenvolvimento geralmente não entendem isso ou, se entendem, não ligam, porque os consumidores têm muito mais votos que os produtores. Por outro lado, sabem que, na economia globalizada, sempre dá para importar e cobrir a falta eventual de produtos. Mas a sociedade precisa compreender.

 

Nos últimos anos, o Brasil viveu uma das suas piores crises agrícolas, com grande quebradeira no campo, necessidade de prorrogação das dívidas e outras medidas extremas para sustentar a atividade. Os preços foram parar lá embaixo. Era evidente que uma hora voltariam a subir, recuperando-se. E, é claro, logo surgiriam vozes acusando a agricultura de alimentar a inflação, esquecidos do contrário acontecido antes.

 

Estamos perto disso, até porque há um aquecimento dos preços dos alimentos em razão da demanda por milho nos Estados Unidos e na China. No entanto, os números não mentem. Dados do IBGE indicam que de janeiro de 1994 (ano da implementação do Plano Real) a agosto de 2007, o IPCA aumentou 212%.

 

No mesmo período, leite aumentou 181%, aves e ovos, 170%, carnes, 155%, hortaliças e verduras, 150%, cereais e leguminosas (arroz, feijão, soja, milho, trigo etc.), 124%, e frutas diminuíram 34%. Tudo abaixo do IPCA.

 

No entanto, serviços de comunicação aumentaram 661%, combustíveis, 634%, aluguéis, 477%, transporte, 442%, eletricidade, 393%, tudo acima do IPCA. Os agricultores pagam por todos esses serviços, assim como os demais consumidores. Seu custo aumenta. E a sua renda?

 

Como pode a agricultura ser responsabilizada pelo aumento da inflação?

 

 

--------------------------------------------------------------------------------

ROBERTO RODRIGUES, 65, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e professor do Departamento de Economia Rural da Unesp - Jaboticabal, foi ministro da agricultura. Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.

 

<Voltar>

 

 

Folha de S. Paulo

30/09/2007

 

Opinião

Sobre leite, batatas e juros

 

 

VINICIUS TORRES FREIRE

 

 

--------------------------------------------------------------------------------

Não há alta geral de preços, há ainda dúvida sobre "excesso" de consumo e sobre a duração da carestia da comida no país

--------------------------------------------------------------------------------

 

 

O ESPECTRO da inflação da agricultura, "agflation", está à solta no mundo. Mexicanos reclamam da tortilha cara, franceses, da baguete, e italianos, do macarrão. A agrinflação permeia também o debate brasileiro sobre preços e juros.

 

A comida teve o peso mais importante na alta da inflação brasileira de 2006 para 2007, é sabido. "Leite e derivados" vão à frente, com "tubérculos, raízes e legumes" e "aves e ovos" no segundo posto, embora o leite tenha pesado cerca de três vezes mais que cada um desses outros grupos de produtos. No Brasil, o caso pior é o da lactoinflação.

 

Embora a exportação brasileira de leite e derivados seja pequena, além de o leite não ser um produto negociado como grãos no mercado global, o preço mundial desses produtos subiu 40% neste ano, segundo dados elaborados pelo Dieese. No Brasil, os lácteos ficaram 35% mais caros, contra 2% em 2006.

 

Discute-se o fator mais relevante no aumento do leite (e comida em geral), se a alta do consumo mundial, o tempo ruim ou o desânimo do produtor nacional com os preços dos últimos anos, que contiveram o ritmo de aumento da produção.

 

O aumento do consumo dos mais pobres no Brasil decerto deve ter tido papel importante. Também devem ter influenciado o preço de "tubérculos, raízes e legumes", em alta de 21,5% no ano (queda de 34% em 2006). Sim, trata-se de abóbora, batata, chuchu, cebola e mandioca. Aves e ovos subiram menos, 9%, mas pesam mais na cesta de consumo e, pois, no IPCA. As exportações nacionais de frango são importantes.

 

O preço médio da venda externa desse produto cresceu 21% no ano e o das vendas brasileiras de milho subiu 36%. O milho dispara devido à alta de consumo global, influenciada pelo ineficiente álcool americano, feito com o grão. As carnes, que na média mundial consistem de grãos sobre quatro patas, são o próximo item do ranking do aumento da inflação de 2006 para 2007 -e o Brasil exporta cada vez mais carne.

 

Por que a minúcia sobre frangos, chuchus e milho? Parece evidente que grãos mais caros no mundo e o povo a comer mais, até no Brasil, tendem a pressionar a inflação.

 

O quanto, e por quanto tempo, é o nó da questão. Nem todo preço dispara, nem mesmo o da comida, nem em serviços. Sim, a média de aumentos elevou-se de 2006 para 2007; o preço da comida depende ainda de custos como salários.

 

Mas, apesar dos recordes globais, ainda não se conhece o efeito de preços maiores sobre o aumento da produção, e há analistas no mercado mundial que já estimam queda forte no preço do trigo (sim, estimativas econômicas são o que se sabe). O preço doméstico do leite se aquieta um pouco, e é esperada mais reação dos produtores. É mais complicada a situação de trigo e milho, que não é só insumo de carnes, mas da cadeia industrial de muitos alimentos.

 

O Banco Central ressaltou no seu relatório trimestral que a inflação da comida tende a contaminar com mais força a expectativa geral de inflação. Mas ainda há dúvida sobre "excesso" generalizado de consumo.

 

Uma pausa de uns três meses no corte de juros, de mísero 0,25 ponto percentual, não vai fazer lá grande diferença. Porém, espraiar a fobia de inflação também não é razoável.

 

vinit@uol.com.br

 

<Voltar>

 

Valor Econômico

01/10/2007

 

Agronegócio

Cresce captação externa para financiar o campo  

 

 

Mauro Zanatta

 

 

Em busca de reduzir o custo do dinheiro, e favorecido pela elevada liquidez nos mercados financeiros globais, o setor de agronegócios tem provocado um forte aumento na demanda por captação de recursos no exterior. Tradings, cooperativas e produtores rurais têm sofisticado suas operações para aproveitar o bom momento de de queda na percepção de risco de crédito do país, a estabilidade da moeda e a demanda internacional por alimentos aquecida nos principais mercados. 

 

Dados do Banco Central consolidados pelo Banco do Brasil mostram a ampliação do fluxo das operações para R$ 177,82 bilhões entre janeiro e agosto deste ano. Este volume significa um aumento de 4,7% em relação aos R$ 169,85 bilhões registrados em todo o ano de 2006. Nesse cálculo estão incluídas transações comerciais e financeiras em modalidades como Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC), Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE) e operações de pré-pagamento para investimentos, internalização de recursos (Resolução nº 4131 do BC) e a chamada "63 Caipira". 

 

As operações de financiamento externo ajudam a fixar margens de lucro, financiar e comercializar a produção de forma antecipada. Com isso, induz à adoção de mecanismos de proteção (hedge) cambial, o que evita o descasamento entre os contratos em dólar ou euro e a cotação do produto em real. O hedge é feito por contratos futuros em bolsas ou a termo, como o "Non-Deliverable Forward" (NDF), que garante uma taxa de câmbio futura para a moeda base do contrato.   

 

 

 

 

 

"Há um interesse cada vez maior do capital estrangeiro pelo Brasil por causa da redução do riscos e pelo agronegócio em razão de nossa competitividade natural", analisa o diretor de agronegócios do BB, José Carlos Vaz. Mas o executivo alerta para a necessidade de "casar" as operações de captação externa com hedge de preços e de câmbio. "Não basta só um deles". 

 

Embora encarada como uma operação complexa, que exige ainda mais organização e instrumentos de auditoria das atividades, a captação externa tem seduzido grandes produtores. Dono da Vanguarda do Brasil S.A, o mega-produtor Otaviano Pivetta, que planta 180 mil hectares de soja, algodão, milho e arroz em onze fazendas de Mato Grosso, afirma que o mecanismo "melhora a performance" da atividade, desde que bem gerenciado. "Há um deslocamento natural das operações com tradings para esses mecanismos", afirma Pivetta, cujo grupo estima faturar US$ 200 milhões neste ano. 

 

O diretor financeiro da Vanguarda, Silas Lima, informa que o grupo já captou US$ 50 milhões para financiar a nova safra, que começa a ser plantada neste mês. Os recursos de pré-pagamento, por exemplo, são usados como capital de giro com juros bem mais baratos do que cobrado no Brasil. Com prazo de 12 a 42 meses, o dinheiro custa 8% ao ano. Nas tradings, os juros chegam a 15% e nos bancos, a 12%. 

 

A garantia é uma Cédula de Produto Rural (CPR), cujo custo é reduzido em razão de um sistema de monitoramento feito por uma empresa externa desde o plantio até o embarque da produção. No total, as captações externas da Vanguarda significam dois terços dos recursos usados para movimentar as atividades. 

 

Produtor de 30 mil hectares em Rondonópolis (MT), Bruno Goellner afirma que a captação externa responde por 60% da necessidade de financiamento, estimada em US$ 20 milhões por safra. Os juros ficam entre 8,5% e 9% ao ano. Segundo ele, 80% está "travada" em operações de NDF ou em bolsas. "Dá para evoluir ainda mais. Ficar na mão de tradings nunca mais", diz. Goellner avalia que será possível reduzir o custo do dinheiro com certificados socioambientais, auditoria de balanços, organização e gestão profissionalizada. 

 

As tradings brasileiras confirmam a tendência de adoção dos mecanismos. Como os preços internacionais da commodities subiram, será preciso mais recursos. "As condições estão melhores e está aumentando a comercialização futura", diz o vice-presidente da Caramuru, Cesar Borges de Sousa

 

<Voltar>

 

Valor Econômico

05/10/2007

 

Opinião

Agricultura e inflação : Hélio Tollini  

 

 

Tem-se falado muito ultimamente no aumento dos preços de produtos da agricultura. O consumidor preocupa-se com esses aumentos e as autoridades responsáveis pela estabilização da economia também. Para avaliar os efeitos da agricultura na economia, porém, é necessário examinar um período de tempo maior, e não apenas as últimas semanas. A figura 1 mostra o que aconteceu com a produção de cinco produtos agrícolas importantes na formação do custo da cesta básica e na composição dos índices de preços durante as três últimas décadas. 

 

A linha de baixo mostra a evolução da área colhida no país. Aumentou muito pouco nesse período. As duas linhas superiores representam a produção e a produtividade. O gráfico mostra que a agricultura brasileira cresceu via ganhos de produtividade

 

O efeito dos ganhos de produtividade é representado na figura 2, que mostra a evolução do custo de alimentos básicos para a população da cidade de São Paulo. Apesar do enorme crescimento da população da cidade nesse quase meio século e do aumento da renda pessoal, os preços dos alimentos básicos decresceram continuamente desde meados da década dos setenta. 

 

Seria altíssimo o custo dos alimentos básicos hoje caso a produtividade permanecesse nos níveis dos anos setenta. Ganhou o consumidor e a economia como um todo, pois isso significou menor custo de alimentação e menor pressão inflacionária. Há mais de trinta anos que a agricultura contribui para a redução da inflação. A inflação devida a alimentos é a mais socialmente danosa, pois prejudica principalmente o consumidor de baixa renda. 

 

 

--------------------------------------------------------------------------------

Mercado é globalizado e nele a demanda aquecida decorre do aumento da exportação e da redução da oferta de importados

--------------------------------------------------------------------------------

 

 

A preocupação atual com os preços dos alimentos esquece a contribuição da agricultura e do agronegócio para a redução dos preços ao longo de todas essas décadas. E a agricultura deu essas enorme contribuição aos consumidores e à estabilização da economia, ao mesmo tempo que gerava crescentes saldos na balança comercial. Nos últimos anos, a agricultura foi responsável por quase o total do saldo comercial brasileiro. A figura 3 mostra essa outra contribuição da agricultura. 

 

O produtor agrícola de produtos básicos não teve seus preços elevados de forma significativa. No caso do feijão, alimento básico, os preços recebidos pelos agricultores são declinantes, como mostra a figura 4. Dessa forma, boa parte dos ganhos de produtividade alcançados pelos produtores foram repassados para os consumidores, como esperado em mercados de demanda inelástica. 

 

A partir dos anos 70 a agricultura se modernizou e tornou-se muito mais produtiva, como visto na figura 1. Isso possibilitou a diminuição nos preços de alimentos básicos como arroz, feijão, milho, soja e trigo, como visto na figura 2. Possibilitou também a geração líquida de divisas pela expansão do saldo comercial da agricultura e agronegócio, como mostra a figura 3. Apesar disso, os produtores não receberam ganhos exagerados. Um exemplo é o de produtores de feijão. A figura 4 mostra a evolução do preço recebido por produtores de feijão nas últimas décadas. Há sensível queda de preços. Vários fatores interferem nesse quadro, mas ganho de produtividade é o mais importante deles. 

 

Em conclusão, aumentos de preços de produtos agrícolas ocorre neste momento em que a demanda está aquecida por aumento de compras de países importadores e redução de oferta de países exportadores. Este é um mercado globalizado. Os produtos agrícolas de modo geral são bens exportáveis. O que é certo é que a agricultura responde rapidamente a esses incentivos de preços, a menos que autoridades competentes facilitem importações, promovendo a produção em países concorrentes e desestimulando a produção interna, uma volta ao passado. 

 

Aumento de preços de alguns produtos nem sempre configura um processo inflacionário. Importar desnecessariamente pode criar condições para tal processo. A agricultura brasileira não precisa nem quer subsídios ou proteção exagerada. Sem essas condições, ela foi capaz de ajudar em muito o Brasil, como mostram as quatro figuras acima. 

 

 

Hélio Tollini é Ph.D. em Economia. 

 

<Voltar>

 

Gazeta Mercantil

05/10/2007

 

Opinião

Agricultura, câmbio e poder de troca: Roberto Rodrigues   

 

 

5 de Outubro de 2007 - Em 4 safras, plantou-se com uma cotação do dólar e colheu-se com outra, bem pior.

 

Na safra agrícola colhida no ano de 2003, os agricultores ganharam dinheiro: os preços estavam bons para a maioria dos produtos anuais (em dólares) e o câmbio era favorável. Os produtores investiram em máquinas, equipamentos e tecnologia, e se endividaram.

 

Logo depois, já na safra de 2004/2005, o ciclo de bons preços acabou e, adicionalmente, o dólar foi perdendo valor em relação ao real. A renda no campo desmoronou e o juro continuou correndo, sábado, domingo, feriado, Natal, réveillon, carnaval...

 

Aí vieram as secas de 2004 e 2005 e a quebra da safra foi brutal, especialmente no Sul. E tome juro. E tome dólar barato.

 

Os números são exuberantes e falam por si: entre janeiro e junho de 2004, a desvalorização cambial foi pequena, de 2,7%; no mesmo período de 2005, foi de 12,2%; em 2006, de 5,2%; e em 2007, de 7,6%. Isto significa que, nas últimas quatro safras, os produtores plantaram com um câmbio e colheram com outro, sempre pior, perdendo quase 30% no período, só no câmbio. E sem vantagens, como têm os setores industriais que importam componentes e depois reexportam produtos montados no Brasil. A agricultura praticamente só importa fertilizantes e, neste caso, o câmbio barato não ajudou, porque os preços dos fertilizantes subiram demais no mundo inteiro, em função da crescente demanda norte-americana para o milho do etanol e a dos países asiáticos, especialmente a China.

 

Só para falar de 2007, o número já é impressionante. Dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) mostram que no Rio Grande do Sul, em janeiro deste ano, eram necessários 17 sacas de 60 quilos de soja para comprar 1 tonelada de fertilizantes. E, em maio, já se precisavam de 26 sacas!

 

No Paraná, a variação foi de 19,60 sacasonelada para 27,12 sacasonelada. E no Mato Grosso, mais afetado pela tragédia da logística, em janeiro se precisavam de 26,30 sacas e em maio, de 31,26 sacas. Só para o fertilizante! E os outros custos todos: mão-de-obra, máquinas, combustíveis, sementes, transporte, armazenagem? Os preços ao câmbio atual não os cobrem. Uma boa produtividade agrícola, de 55 sacas de soja por hectare, por exemplo, custa quase 60% só em fertilizantes no norte do MT.

Mas não é só na soja, ou só no Mato Grosso.

 

Dados do Departamento de Economia Rural (Deral) do Estado do Paraná mostram que, para comprar um trator de 75cv de potência, em 2000 eram necessários 3.638 fardos de algodão de 15 quilos cada; em 2007, são necessários 4.914 fardos, cerca de 40% a mais.

Para comprar a mesma máquina, em 2000 eram necessárias 1.943 sacas de 60 quilos de soja. Hoje são 2.660 sacas; para trigo, era preciso 2.510, hoje 2.840; para milho, de 3.096 foi para 4.944 sacas; e para arroz foi de 2.306 para 2.647 sacas.

 

Estamos diante de uma clara transferência de renda rural-urbana. O câmbio vem tirando dos produtores uma chance de recuperarem sua renda perdida entre 2004 e 2006. Os preços hoje estão bons para a maioria das commodities, em dólares. Os agricultores argentinos estão felizes, pagando 3,2 pesos por dólar. E nós aqui, além de não nos beneficiarmos com os bons preços, acabamos criando uma divisão entre os agricultores brasileiros, em dois grupos: os "costeiros", aqueles localizados em regiões próximas dos portos e dos grandes centros de consumo, que ainda conseguem se equilibrar; e os da fronteira agrícola, do Mato Grosso, do Tocantins, de Rondônia, do Maranhão, estes heróis que deixaram seus estados natais e foram abrir fazendas, gerando empregos, riquezas, impostos e renda para o País; na distância em que estão, a logística come o que o dólar e os juros ainda não tomaram. E a atividade vai ficando inviável, em um momento no qual há até uma inflação mundial dos preços, em dólares, seja porque temos os menores estoques mundiais, em anos, de milho, trigo e arroz, seja pelo crescimento da demanda, já referida. E não falta quem culpe a agricultura brasileira pelo crescimento da inflação interna, o que é pura desinformação.

 

É por isso que uma política de renda rural é fundamental no País. O seguro vem vindo aí, novos mecanismos de mercado também, especialmente com a popularização da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), mas não dá para esperar. É urgente reduzir os estragos do câmbio, com pelo menos três caminhos além da recorrente muito triste renegociação das dívidas: menos tributos e menos juros; e, sem dúvida, muito investimento em logística e infra-estrutura, conforme projetado no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

 

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3)(Roberto Rodrigues - Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp, professor de Economia Rural da Unesp (Jaboticabal) e ex-ministro da agricultura. Próximo artigo do autor em 26 de outubro)

<Voltar>

 

O Estado de S. Paulo

05/10/2007

 

Opinião

Primeiro o faroeste e só depois o xerife?: Washington Novaes

 

Nos idos de 1971, quando era o manda-chuva da área econômica, o então ministro da Fazenda Delfim Netto, numa entrevista coletiva, perguntado pelo autor destas linhas sobre o que o governo pretendia fazer diante das notícias de que as políticas do Polocentro e Polonoroeste já provocavam intenso desmatamento em Mato Grosso e Rondônia, respondeu: “Nada. Você está querendo inverter a ordem dos fatores; primeiro vem o faroeste, só depois é que chega o xerife.” Deu no que deu. Na semana passada, num simpósio em Goiânia, deu ele resposta parecida, ao se manifestar contra um zoneamento ecológico-econômico para a expansão da cana-de-açúcar destinada à produção de etanol; primeiro, disse ele, deve vir a “regulação pelo mercado”.

 

Curiosamente, o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, que poucos dias antes, em depoimento na Câmara dos Deputados, se manifestara a favor de que o zoneamento proibisse a expansão da cana na Amazônia e no Pantanal, na semana passada afirmou que o zoneamento previsto para agosto de 2008 (quando a maior parte da expansão já terá ocorrido) “deverá não apenas permitir como incentivar o plantio em áreas já degradadas ou devastadas da Amazônia”. E não só citou como adequadas áreas de pastagem em Roraima, como disse que a essa expansão será oferecida isenção de impostos e contribuições. Dias depois, foi contraditado pela ministra do Meio Ambiente.

 

Seria interessante que o ministro da agricultura demonstrasse que estruturas serão capazes da fiscalização que mencionou e que até hoje não funcionaram. Capazes de impedir a expansão para outras áreas, as migrações de trabalhadores, a pressão por infra-estruturas de transportes e sociais, a reivindicação de alcooldutos, etc. E, na verdade, a expansão da cana em certas áreas da Amazônia já está ocorrendo (O Globo, 29/7): segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita de cana ali já passou na última safra de 17,6 milhões para 19,3 milhões de toneladas, graças ao aumento em vários Estados (AM, PA, MA, TO, RO, MT). Em Mato Grosso, cresceu 10%; no Tocantins, 13%; no Amazonas, 8%. Com isso, a safra amazônica já representa quase 5% da safra brasileira, de 400 milhões de toneladas.

 

Em seu discurso da semana passada na ONU, quando se referiu ao zoneamento, o presidente Lula disse que a cana só ocupa 1% da área agricultável do País - e o jornalista Marcelo Leite lembrou (Folha de S.Paulo, 26/9) que essa é a área agricultável total; se se considerar apenas a área já cultivada no País, a cana representará uns 10%.

 

A produção de etanol já está sob ataque em vários fronts, o mais importante deles a ONU, onde o relator especial para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, propôs uma moratória de cinco anos na expansão do etanol derivado da cana, do milho e outras fontes, para que não cresça o problema da alimentação no mundo. É uma tese que o presidente brasileiro tem refutado, dizendo que o problema da fome decorre da concentração da renda no mundo, não da falta de alimentos. E ainda lembrando que o etanol já evitou no Brasil a emissão de 644 milhões de toneladas de dióxido de carbono.

 

E nesse ponto se entra mais diretamente na questão das mudanças climáticas. O presidente Lula, ao propor na ONU a realização da Rio + 20, na qual se avaliariam os resultados no mundo duas décadas depois da reunião do Rio de Janeiro em que foi aprovada a Convenção do Clima, disse que “não haverá solução para a humanidade” se não forem mudadas as matrizes energéticas no mundo e os atuais padrões globais de produção e consumo. É verdade, pelo que dizem hoje praticamente todos os estudos. Mas haverá acordo quanto aos caminhos na próxima reunião da convenção, em dezembro (Bali, na Indonésia)? O embaixador especial da ONU, o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos, acha que o acordo acontecerá. E que o discurso de Lula “traz nas entrelinhas o reconhecimento de que os países em desenvolvimento aceitarão um acordo que estabeleça metas para todos os países, eles incluídos” - o que não tem acontecido até aqui.

 

Acontecerá mesmo? Na ONU, o presidente brasileiro disse ser a favor da manutenção do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. E o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que todos os países precisam comprometer-se a reduzir suas emissões em 50% até 2050. Na mesma semana, entretanto, o presidente dos EUA deixou claro que seu país não aceitará metas obrigatórias: “Cada país deve definir seus métodos de combate à poluição, sem comprometer o crescimento econômico.” E não aceitará nenhum acordo que não defina as obrigações dos chamados países emergentes (China, Brasil, Índia, México, África do Sul). Por essa rota da não-aceitação de metas obrigatórias, os emergentes acabam justificando os EUA e estes justificam os emergentes. No fundo, os EUA continuam confiando em que viabilizarão tecnologias de seqüestro de carbono no fundo de antigos campos de petróleo e no fundo dos oceanos, assim como a utilização de hidrogênio como combustível. E apostando que essas e outras tecnologias lhes permitirão manter a supremacia econômica e política no mundo.

 

Haverá tempo? As notícias dos desastres climáticos e correlatas são a cada dia mais graves, inclusive no Brasil: seca sem precedentes no Centro-Oeste, perda de mais de 20% na safra de café, recrudescimento das queimadas e do desmatamento na Amazônia, previsão do Inpe de que a desertificação no semi-árido atingirá 400 mil quilômetros quadrados, seguradoras brasileiras pedindo um fundo anticatástrofes (coluna de Sônia Racy, 28/9) para cobrir prejuízos com quebras de safras. E o degelo no Ártico aumentando este ano em mais de 1 milhão de quilômetros quadrados.

 

Teremos juízo em dezembro, em Bali?

 

P. S. - Depois de escrito este artigo, o ministro da agricultura voltou a se desdizer quanto à cana na Amazônia.

 

Washington Novaes é jornalista

E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

 

<Voltar>

 

O Estado de S. Paulo

05/10/2007

 

Abastecimento e Armazenagem

Plantio de grãos cresce até 3,4%

 

 

 

Segundo estimativa da Conab, área plantada pode chegar a 47,7 milhões de hectares na temporada 2007/08

 

 

Fabíola Salvador

 

 

A área plantada com grãos e algodão na safra 2007/08, que começou a ser cultivada no mês passado, deve crescer de 1,1% a 3,4%, mostra a primeira estimativa de intenção de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A área plantada deve ficar entre 46,7 e 47,7 milhões de hectares, ante 46,15 milhões de hectares na safra que terminou de ser colhida.

 

Segundo a Conab, a produção da nova safra, que começa a ser colhida em fevereiro do próximo ano, poderá bater novo recorde e alcançar 138,3 milhões de toneladas. No intervalo inferior da projeção, a Conab estima colheita de 134,9 milhões de toneladas. Com relação à safra 2006/07, quando a produção somou 131,5 milhões de toneladas, o crescimento ficará entre 2,6% e 5,2%.

 

O diretor de logística e gestão empresarial da Conab, Sílvio Porto, disse que os técnicos da estatal esperavam ampliação de até 5% da área plantada, mas explicou que a expectativa de clima menos chuvoso durante o período de cultivo e de desenvolvimento das lavouras fez os produtores repensarem o plantio.

 

Ele lembrou que a falta de chuvas já compromete os trabalhos de campo. "No Paraná, alguns plantios estão comprometidos e há atraso também no plantio em Goiás, especialmente no município de Rio Verde", disse Porto. O levantamento foi feito entre 17 e 21 de setembro em 305 municípios da região Centro-Sul do País.

 

SOJA E MILHO

 

Para a soja, principal lavoura cultivada no País, a estimativa é de plantio de 21,2 a 21,9 milhões de hectares, com crescimento entre 2,4% e 5,7% em relação à safra 2006/07, quando a soja ocupou 20,7 milhões de hectares. De acordo com Porto, haverá crescimento nas áreas plantadas com soja no Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e no oeste da Bahia. O avanço ocorrerá em áreas que antes eram ocupadas pela pastagem. No Mato Grosso, a área crescerá de 7% a 11%.

 

Na Região Sul, no entanto, o crescimento será menor em virtude da boa rentabilidade do milho na comparação com a soja. Para a Conab, a área com soja pode cair 1,5% ou crescer 2% na região.

 

Em relação ao milho, a Conab informou que a área plantada vai oscilar entre 9,6 e 9,8 milhões de hectares, um crescimento de 2,3% a 4,5% em relação ao plantio de 9,4 milhões de hectares na safra 2006/07. A produtividade média das lavouras deve cair 0,2%, de 3.853 para 3.843 quilos por hectare.

 

A produção de milho de verão deve crescer de 1,7% a 4,6%, atingindo entre 37 milhões e 38 milhões de toneladas, ante 36,4 milhões de toneladas na safra 2006/07. "Os preços remuneradores, a melhora na demanda interna e o crescimento das exportações vão estimular o plantio de milho", disse Porto. Em 2007, as exportações devem bater o reorde e atingir 9,5 milhões de toneladas.

 

 

 

 

 

Valor Econômico

05/10/2007

 

Abastecimento e Armazenagem

Conab confirma safra maior, mas teme clima     

 

Fernando Lopes

 

 

O primeiro relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre as intenções de plantio dos produtores brasileiros de grãos na safra 2007/08, divulgado ontem (dia 4) em Brasília, confirmou as expectativas de consultorias e corretoras do país e ratificou ao menos uma grande certeza. 

 

Como era esperado a partir do comportamento dos diversos mercados agrícolas e de insumos - as vendas de sementes, fertilizantes, defensivo e máquinas estão aquecidas -, o órgão vinculado ao Ministério da Agricultura captou no levantamento que fez entre os dias 17 e 21 de setembro que a área plantada será de fato maior na nova temporada, um novo recorde. 

 

Levando-se em conta a produtividade média das lavouras nos últimos cinco ciclos, a produção também caminha para se tornar a maior da história. Mas, como já advertiam especialistas e confirmou ontem a Conab, o clima pode não corroborar o resultado sinalizado pela matemática. 

 

Expectativas confirmadas, fica a certeza, ainda, que permanece inabalável a vocação brasileira em produzir soja. Carro-chefe do campo nacional, a oleaginosa não perdeu a liderança nem com os baixos preços que antecederam o plantio da safra 2006/07. E agora, com cotações internacionais extremamente atraentes, é a soja que puxa o aumento da área de grãos. 

 

Cálculos do Valor Data deixam mais cristalina esta relação direta entre os preços internacionais - que refletem o quadro global de oferta e demanda - e o plantio doméstico. Em 15 de setembro, às vésperas do início do levantamento da Conab, os contratos futuros da soja estavam 69,73% mais valorizados que em meados do mesmo mês de 2006 na bolsa de Chicago. 

 

No caso do milho, mais "vedete" do que nunca nos EUA graças à onda do etanol, a alta chegava a "apenas" 36,59% na mesma comparação de contratos de segunda posição de entrega negociados em Chicago. "Roubar" espaço da soja, assim, ficou mais difícil, ainda que sejam mercados de características diferentes - a soja sofre maior influência do cenário internacional do que o milho brasileiro, que busca, graças à boa demanda, se firmar como um produto "confiável" de exportação. 

 

Ao fim e ao cabo, a Conab calculou para a soja em 2007/08 uma área plantada de 2,4% a 5,7% maior que a de 2006/07 - na melhor das hipóteses, serão 21,872 milhões de hectares. Apesar da pressão dos agricultores de Mato Grosso para uma nova rolagem de dívidas agrícolas, que será definida pelo governo até o fim do ano, é o Estado que puxa esse avanço. Para o milho também haverá aumento, entre 1,5% e 3%, o que representará até 14,423 milhões de hectares no total (verão e inverno). 

 

No total, portanto, ambos responderão por até 76,1% da área plantada de grãos do país na nova temporada. Segundo a Conab, todos os grãos semeados no Brasil ocuparão entre 46,685 milhões e 47,724 milhões de hectares - 1,2% e 3,4% a mais que no ciclo passado, respectivamente. 

 

Obviamente a prevalência de ambos também aparece nos cálculos do governo para a produção. Conforme a projeção apresentada ontem, a colheita de soja renderá entre 59,354 milhões e 61,259 milhões de toneladas, enquanto a de milho será de 51,755 milhões e 52,798 milhões de toneladas. No total, a Conab prevê a safra brasileira entre 134,889 milhões e 138,323 milhões de toneladas. 

 

E aí entra o risco climático. Como os números são baseados na produtividade média das últimas cinco temporadas, e há estiagem em áreas do Sul e do Mato Grosso, o recorde poderá não acontecer. "Teremos um ano em que o clima não será tão generoso como foi na safra 2006/07", disse Silvio Porto, diretor de logística e gestão empresarial da Conab, ao anunciar as previsões. 

 

Mas, como já informou o Valor, se tudo correr bem a renda dos produtores de grãos poderá voltar ao pico de 2004. A RC Consultores prevê que o salto em 2008 na comparação com este ano poderá chegar a 18,6%, para R$ 70 bilhões.

 

<Voltar>

  O Estado de S. Paulo

08/10/2007

 

Abastecimento e Armazenagem

Pela primeira vez, safra agrícola e receita do produtor serão recordes.

Estimativa do mercado é que colheita 2007/2008 chegue a 143 milhões de toneladas, com receita de R$ 76 bilhões.

 

Márcia De Chiara

 

 

A receita da safra de grãos que começa a ser plantada neste mês no Centro-Sul do País deverá atingir R$ 76 bilhões com a produção de 143 milhões de toneladas, segundo cálculos da RC Consultores. É a primeira vez que tanto a produção como a receita serão recordes. Se as previsões se confirmarem, serão R$ 14 bilhões adicionais de receita em relação à safra passada e um acréscimo de 8 milhões de toneladas de grãos.

 

Do lado do produtor, o cenário é favorável porque se trata da segunda safra consecutiva em que há recuperação da atividade, depois do fundo do poço atingido em 2006. Do ponto de vista macroeconômico, a projeção afasta para 2008 o risco de alta de preços dos alimentos, o vilão da inflação deste ano.

 

A projeção de safra da RC supera as estimativas iniciais do governo. Nas contas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2007/2008 deve oscilar entre 134,9 milhões e 138,3 milhões de toneladas e superar o recorde atingido na safra 2006/2007, de 131,5 milhões de toneladas. Para o diretor da consultoria e responsável pelas projeções, Fábio Silveira, as estimativas do governo estão subestimadas. "O levantamento foi feito em setembro, quando parte dos produtores ainda não tinha definido o que plantar."

 

Silveira, que levou em conta nos cálculos os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços coletados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o vigoroso ritmo das vendas de insumos até agora, acredita que esse volume possa até ser superado. De janeiro a agosto, as vendas de fertilizantes, por exemplo, cresceram 44,8% em relação a igual período de 2006, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

 

Em oito meses, foram entregues aos agricultores 14,508 milhões de toneladas, ante 10,021 milhões no mesmo período de 2006. Desse total, mais da metade (52%) do volume de fertilizantes é destinado ao plantio de soja e milho, diz o diretor-executivo da Anda, Eduardo Daer.

 

"A indústria de fertilizantes trabalha com a perspectiva de um ano recorde para a venda de adubos", diz Daer. A projeção é encerrar o ano com 24 milhões de toneladas - em 2006, foram 20,9 milhões de toneladas. "É um crescimento significativo. Imaginávamos que haveria uma recuperação da agricultura de grãos, porém num prazo mais longo."

 

Avaliação semelhante é feita por Gilberto Zago, vice-presidente para o segmento de máquinas agrícolas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A entidade acaba de ampliar de 28,4% para 40% a projeção de crescimento de vendas de máquinas agrícolas no mercado interno. A estimativa inicial - vendas de 33 mil máquinas em 2008 -, foi revista para 36 mil. Em 2006, foram vendidas 25,7 mil. De janeiro a setembro, o crescimento foi de 43,1% ante 2006. "É um número impactante", diz o executivo.

 

As estatísticas do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) revelam que, de janeiro a agosto, as vendas de defensivos acompanharam o ritmo de fertilizantes e máquinas e cresceram 44% ante 2006. O Sindag pondera que 2006 foi um ano fraco, por isso a taxa de crescimento é expressiva. De qualquer forma, em relação a 2005, um ano de melhores resultados para a agricultura, o acréscimo foi de 14%, aponta a entidade.

 

A dobradinha soja e milho deve impulsionar o desempenho da safra de grãos, aponta Silveira, da RC. Segundo ele, a soja e o milho juntos devem responder por 80% da produção e mais de 75% da receita prevista. O patamar das cotações dos grãos no mercado internacional mudou desde o segundo semestre do ano passado, quando os EUA revelaram a intenção de produzir álcool a partir do milho.

 

"Esse cenário fez com os preços da soja, do milho e do trigo ficassem hoje acima da média histórica", diz o superintendente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), Ricardo Cotta. Em 12 meses até outubro, o preço da soja subiu 75% em dólar na Bolsa de Chicago. A cotação do milho subiu 48% em dólar no mesmo período, enquanto o preço do trigo subiu 116%.

 

Segundo Cotta, as cotações desses grãos devem ficar acima da média histórica nos próximos dois anos em razão da menor oferta de produtos por causa do uso do milho para obter álcool, combinado com o aumento da demanda da China.

 

Silveira destaca que o episódio do etanol obtido a partir do milho fez com que o Brasil tivesse representatividade no mercado internacional com esse grão. A expectativa para este ano é de que a exportação brasileira de milho atinja 9,5 milhões de toneladas, um recorde, observa.

 

Segundo o economista, o trigo tem sido uma das revelações das últimas safras. A produção atingiu o pico de 6 milhões de toneladas em 2004, caiu para 2 milhões em 2006 e agora, pela segunda safra consecutiva será de 4 milhões de toneladas, mas com um crescimento de 50% na receita. "O trigo vem renascendo. É a segunda safra consecutiva de recuperação de receita", observa.

 

Em contrapartida, as projeções da consultoria mostram uma estagnação na produção e recuo na receita do feijão e do arroz. Porém, como são produtos voltados para o mercado doméstico e não há tradição de exportação, o impacto da alta desses grãos no mercado internacional é nulo

 

<Voltar>

 

Valor Econômico

09/10/2007

 

Café

Branco Peres investe em café no Japão e mira cana no Brasil   

 

 

Mônica Scaramuzzo

 

 

O grupo paulista Branco Peres reforça suas apostas no mercado de café e de cana-de-açúcar. A empresa é hoje administrada pelos netos de seu fundador, que estão imprimindo sangue novo à gestão da companhia. 

 

Contrariando o movimento de mercado, a café do Centro, torrefadora controlada pelo grupo, está investindo em cafeterias fora do país. Até o fim deste ano, inaugura sua terceira loja no Japão e já faz planos para ampliar a rede de lojas para outros países da Ásia em 2008. Os investimentos no Japão são em sociedade com executivos locais. 

 

 

 

 

 

A escolha do Japão foi uma decisão estratégica acertada. "Se vira moda no Japão, outros países da Ásia querem copiar", acredita Rafael Branco Peres, diretor-sócio da café do Centro. As duas lojas do grupo ficam em Tóquio e a terceira vai ser inaugurada na mesma cidade. 

 

No Brasil, o grupo quer ampliar sua presença em pontos-de-venda, mas não há planos para abrir cafeterias. "No país, iríamos concorrer com os nossos próprios clientes" diz Rafael Branco Peres, que ao lado de seu primo, Rodrigo Branco Peres, convenceu a família de que a café do Centro seria um bom negócio. 

 

Os dois adquiriram a torrefadora em 1995, com um "empurrãozinho do pai". Inaugurada há 91 anos, a café do Centro é uma das mais antigas marcas de café do Brasil. "A empresa foi uma das primeiras a apostar na década de 90 em cafés especiais", conta Rodrigo Branco Peres, diretor-sócio da torrefadora. 

 

Com uma fábrica em Adamantina (SP), com capacidade para processar 4,2 mil toneladas de grão por ano e também para industrialização de café solúvel, a café do Centro está presente em cerca de 2 mil pontos-de-venda do país, principalmente em hotéis e restaurantes, além de supermercados de luxo na capital paulista. No Sul do país, fechou parceria para a distribuição de seu café na rede varejista Angeloni, de Santa Catarina. Um outra parceria fechada há dois anos com a Rei do Mate permitiu ao grupo ultrapassar as fronteiras do Sul e Sudeste do país. 

 

 

Mas nem só de café vive a empresa. O grupo também tem planos para crescer no segmento de açúcar e álcool. Com uma usina em Adamantina, o grupo planeja sua segunda unidade para os próximos cinco anos. 

 

 

João Paulo Branco Peres, diretor de açúcar e álcool do grupo, diz que a família estuda construir sua segunda usina fora do Estado de São Paulo, "provavelmente em Goiás". Os estudos indicam uma usina de 3 milhões de toneladas de cana, em um aporte estimado em US$ 200 milhões. 

 

Na contramão do setor sucroalcooleiro, o grupo não quer se associar a investidores. Pelo menos, por enquanto. "Já recebemos proposta pela nossa usina. Mas a família não quer se desfazer do negócio", diz João Paulo Branco Peres. A atual unidade do grupo deverá receber investimentos de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões para ampliar a capacidade de moagem, dos atuais 1,1 milhão de toneladas em 2007/08 para 1,5 milhão em 2009, podendo chegar a 2 milhões de toneladas. 

 

Com faturamento da ordem de R$ 300 milhões, a cana representa 40% do total da receita do grupo. Outros 20% referem-se às exportações de café verde. O café do Centro, considerado a menina dos olhos do grupo, representa 10%. A produção de laranja fica com uma fatia de 30% dos negócios do grupo, que fornece laranja para a Cutrale. 

 

Com forte tradição agrícola, a família deu início aos seus negócios há 50 anos. Deolindo Branco Peres, fundador do grupo, começou como negociante de café. O fundador do grupo passou os negócios para seus filhos, que repassaram a responsabilidade para a terceira geração da família. "Meu pai continua bem atuante, mas não fica mais no dia-a-dia", diz João Paulo Branco Peres. 

 

Apesar do sangue novo na administração da empresa, o grupo ainda não aderiu à onda de IPOs (Oferta Pública de Ações) no mercado nacional. "Não temos esse projeto no curto prazo. Não é porque todos estão fazendo, que vamos junto", afirma João Paulo. 

 

<Voltar>

 

 

 Valor Econômico

 16/10/2007

 

Café

Sinais de faturamento recorde para o café

 

 

Mônica Scaramuzzo

 

 

A expectativa da uma supersafra de café no Brasil no ciclo 2008/09, que começa a ser colhido a partir de março do ano que vem, dá os primeiros sinais de arrefecimento. No mercado, as projeções indicavam que a produção poderia superar a marca de 48,5 milhões de sacas de 60 quilos, volume recorde alcançado em 2002/03. Mas o longo período de estiagem que atinge as principais regiões produtoras de grãos do país, como o sul de Minas e a Mogiana Paulista, está afetando o desenvolvimento dos cafezais, que estão em fase de floração. 

 

A floração do café vai de setembro até novembro e é essencial para o desenvolvimento dos grãos. Com a seca, as flores das árvores abrem, mas os frutos não vingam. Mesmo com a previsão de chuvas a partir deste mês, as perdas anteriores são consideradas irreversíveis. 

 

Analistas de mercado trabalhavam com projeções otimistas, indicando colheita superior a 48,5 milhões de sacas, podendo ultrapassar os 50 milhões de sacas. Além do período de bianualidade da cultura - a safra 2008/09 será mais produtiva que a atual, de 32,6 milhões de sacas, segundo a Conab -, os melhores tratos culturais nas lavouras também induzem a uma maior produção. Mas, por conta da seca, parte dos analistas, sobretudo os mais conservadores, passou a estimar produção da ordem de 40 milhões de sacas, com quebra de 20% a 30% provocada pela seca. 

 

Os dados oficiais do governo e do setor só serão divulgados no fim do ano, após um balanço feito após o período das floradas, afirma Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC). 

 

"As chuvas que deverão ocorrer devem estancar a quebra, mas não reverter o que já se estragou", observa Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, de Santos (SP). 

 

Mas, apesar da quebra da safra, os ganhos da cadeia produtiva de café continuarão firmes. Dados preliminares da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) indicam que o faturamento da cadeia (produtores, exportadores e indústrias) deverá atingir US$ 11 bilhões nesta safra 2007/08, 13,4% maior que o ciclo anterior (de US$ 9,7 bilhões). Para 2008/09, a expectativa é de que a receita atinja US$ 12 bilhões, alta de 9%, afirma Nathan Herszkowicz, diretor da Abic. Se confirmadas as estimativas, o faturamento terá novo recorde. 

 

Conforme Ximenes, a desvalorização do dólar em relação ao real está comprometendo a rentabilidade dos produtores brasileiros. 

 

Em Nova York, os preços do café registram as maiores cotações desde 1999. Nos últimos 12 meses, as cotações do arábica acumulam alta de 24%. Em Londres, o café robusta subiu 21,14% no mesmo período e apresenta as maiores cotações desde 1998, diz Rodrigo Costa, da Fimat Futures. Ontem, os contratos de março em Nova York despencaram 995 pontos, para US$ 1,3395 a libra-peso. "Se chover, os preços devem cair. Mas as cotações devem oscilar entre US$ 1,20 a US$ 1,25 no médio prazo". 

 

A alta dos preços já levou algumas empresas, como a Nestlé, a reajustar o produto. No Brasil, as torrefadoras ainda não têm previsão de reajuste, diz Herszkowicz. 

 

No mercado global, a produção está estimada em 114 milhões de sacas em 2007/08, queda de 6% sobre o ciclo anterior, segundo a Organização Internacional do Café (OIC). "O país deverá exportar 28 milhões de sacas e consumir no mercado interno cerca de 45 milhões de sacas. A produção tem de ser, no mínimo, de 45 milhões de sacas", acredita Herszkowicz. 

 

<Voltar>

  

Valor Econômico

18/10/2007

 

Opinião

Um velho tema: inflação e agricultura

 

 

José Roberto Mendonça de Barros  

 

 

Está de volta um velho tema: está a agricultura gerando inflação? Se buscarmos a resposta nos índices de preços dos principais países do mundo, a resposta é não. Como se sabe, nestas regiões utiliza-se o conceito de núcleo da inflação, que resulta da retirada dos elementos voláteis, como energia e alimentos, dos cálculos globais. Na Europa, nos Estados Unidos e no Japão os núcleos de inflação estão estáveis ou em queda, ou seja, as altas recentes das cotações de vários preços agrícolas não contaminaram, pelo menos por hora, a inflação. 

 

A questão a ser respondida a seguir é qual será a possível trajetória dos preços agrícolas para o ano próximo, ou seja, continuaremos a ter preços agrícolas mais elevados em 2008? 

 

Para responder a esta pergunta temos antes que lembrar as causas que colocaram os preços, especialmente de grãos, onde estão hoje. Creio que haverá pouca discordância com relação à seguinte lista: aumento da demanda de alimentos por conta da elevação da renda; quebra de safra, especialmente importante no caso do trigo; elevação na demanda de milho, nos EUA, para a produção de etanol; elevação na demanda por biodiesel, estimulada pelos altos preços do petróleo; a desvalorização do dólar, que pressiona e corrige as cotações nas bolsas de mercadorias; e, finalmente, o contínuo crescimento dos volumes de recursos alocados nos fundos de "commodities". 

 

Nosso argumento básico, após considerar a lista acima, é que os preços agrícolas não continuarão em trajetória ascendente no próximo ano, exceto por distúrbios climáticos que, hoje, não se pode prever. Antes de tudo temos que considerar a resposta da oferta agrícola: no caso do trigo, a safra quebrou de forma importante, no ano em curso, na Austrália, Rússia, Ucrânia e outros lugares, levando as cotações às alturas. É, pois, natural que o plantio cresça na próxima estação, trazendo os preços para patamares mais razoáveis. O próprio mercado futuro assim sinaliza, com as cotações de maio (quando entra o trigo de inverno americano) já muito mais baixas. O mesmo deverá ocorrer com o plantio de soja e milho, especialmente na América do Sul. Por outro lado, o salto na produção de etanol de milho levou a uma derrocada de preços nos EUA, que de quase US$ 4 por galão no ano passado vieram para US$ 1,6 nos dias de hoje, o que deverá reduzir a fúria no crescimento da demanda de milho. Como o Brasil já sabe, a construção de uma infra-estrutura de distribuição de etanol leva tempo e custa dinheiro. Da mesma forma, a altura atingida nos preços de óleos vegetais vai desestimular, em certa medida, a demanda de biodiesel. No caso do Brasil, o biodiesel está inviável, exceto para projetos destinados ao consumo no local de produção. 

 

 

--------------------------------------------------------------------------------

No Brasil, os preços agrícolas estão no topo e devem recuar, mas a forte demanda interna na economia acena para uma inflação não mais decrescente

--------------------------------------------------------------------------------

 

 

Em resumo, o processo de elevação da oferta e redução relativa na demanda está em pleno andamento, como é tradicional na agricultura. Ademais, é provável que dentro de poucos meses a desvalorização do dólar seja contida, em virtude do ajuste externo em andamento nos Estados Unidos. Restam, portanto, dos elementos altistas, a elevação da demanda de alimentos, que vai continuar, e a entrada de recursos nos fundos de "commodities". Como já coloquei várias vezes neste espaço, os fundos continuarão a ser elementos decisivos nos mercados futuros. Entretanto, estou convencido que eles nunca vão contra os fundamentos, mas ampliam as variações positivas ou negativas pelo tamanho de suas posições. Em outras palavras, nenhum mercado será persistentemente altista contra os fundamentos. Por outro lado, é a atuação dos fundos que abre possibilidades maiores de "hedge" para os produtores. 

 

Em conclusão, a elevação da demanda por produtos agrícolas deverá manter os preços em patamares relativamente elevados. Entretanto, em relação aos níveis atingidos neste ano, é muito mais provável uma correção negativa de certos produtos, como o trigo, e uma descompressão nos mercados de grãos como um todo. Ao longo do tempo, estou convicto que assistiremos, como muitas vezes no passado, a uma elevação do uso de tecnologia no campo, aumento da área cultivada em vários países do mundo (e no Brasil, em particular), reduzindo, senão eliminando, as chances de uma elevação da inflação mundial por conta da agricultura. 

 

No caso do Brasil, a influência dos alimentos na inflação é muito maior, pois trabalhamos com os índices cheios. Mas, apenas a título de exercício, o núcleo do IPCA, sem alimentos e preços administrados, está em setembro subindo 2,7% no ano e 3,6% em 12 meses. No IPCA cheio os alimentos sobem 11,2% em 12 meses. 

 

Para o Brasil tenho a mesma perspectiva acima exposta para os preços agrícolas: os preços estão num topo do qual deverão recuar. Em alguns casos, como o leite e o álcool isto já está acontecendo. Em outros, como os grãos, a elevação do plantio e a queda do dólar deverão levar a níveis menores em 2008, afetando positivamente o preço das carnes. Em resumo, não tenho preocupação quanto a uma eventual inflação agrícola, desde que o clima não atrapalhe. Tenho, entretanto, alguma preocupação com a inflação em 2008 por outras razões, que coloco a seguir. 

 

Em primeiro lugar, a demanda interna está crescendo a taxas muito elevadas; as vendas ao varejo (que são apenas parte da demanda agregada) até julho estão crescendo 9,7% no ano e 8,7% em doze meses. Embora as importações estejam crescendo muito rapidamente, a produção destinada ao mercado interno também. É perceptível, nestas condições, uma recuperação cada vez mais generalizada de margens nas cadeias produtivas, como na automobilística e na construção civil (o INCC cresceu 4,62% no ano e a mão de obra 5,33%). Mesmo que as importações venham a crescer mais, isto leva tempo e ainda assim restará a questão dos não-comercializáveis. Com a alta do petróleo, os óleos combustíveis cresceram, até setembro 21,8%, a nafta 27%, o querosene 9,3% e o GNV 7,1%. A cadeia do plástico e os custos de energia serão pressionados. Finalmente, projetamos preços administrados maiores no ano que vem, da ordem de 3,8%. 

 

Em conclusão, a inflação está em leve aceleração e deve ser maior no IPCA no ano que vem, algo como 4.3%. A inflação brasileira, ainda que baixa, não é mais sempre decrescente. 

 

José Roberto Mendonça de Barros é economista da MB Associados. Escreve mensalmente às quintas-feiras.

 

<Voltar>

 

Valor Econômico

19/10/2007

 

 

Apesar de problemas crônicos, PIB agrícola deve ser recorde em 2007

 

Mauro Zanatta

 

Demanda internacional em alta, preços externos acima dos níveis históricos e produção interna recorde devem levar o agronegócio a expressar o melhor desempenho já registrado pelo setor. Mesmo com graves problemas de logística, câmbio desfavorável e elevação de custos de produção, o PIB do agronegócio deve crescer 5,1% e bater na marca histórica de R$ 567,1 bilhões em 2007 - os recordes, até agora, foram os R$ 563,8 bilhões de 2004 e a expansão nominal de 8,81%, em 2002. 

 

As projeções divulgadas ontem pela Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea) estão lastreadas na elevação de 2,94% do PIB nos primeiros sete meses deste ano em comparação a igual período de 2006. O PIB do setor primário, que inclui a riqueza gerada por agricultura e pecuária, cresceu 5,26% de janeiro a julho. O estudo CNA-Cepea estima uma expansão de 6,14% no setor primário neste ano - 8,58% na pecuária e 3,7% na agricultura. Em 2006, o agronegócio cresceu 0,45% e a agropecuária recuou 2,12%. "Está havendo uma recuperação provocada por preços internos bons, demanda firme e safra recorde", analisa o superintendente técnico da CNA, Ricardo Cotta. "Mas as dívidas e os custos altos ainda pressionam a renda". Os bons resultados são a tendência para a próxima safra, que começa a ser colhida em janeiro. "Se o clima ajudar, teremos uma safra muito boa em 2008", afirma Cotta. 

 

Mesmo com o setor primário em boa fase, a indústria ligada ao campo ainda patina. A expansão do segmento foi muito prejudicada pela performance negativa do sucroalcooleiro (-21,8%) e do têxtil (-2,13%). Até julho, o PIB da agroindústria somou só 0,94%. Também recuaram o PIB de papel e celulose (1,82%), vestuário (1,97%) e calçados (1,96%). No setor de distribuição, o PIB cresceu 2,5% e na área de insumos expandiu-se 5,54%. 

 

O cenário favorável para o PIB do setor está concentrado nos bons resultados das lavouras de grãos, que devem avançar 21,4% neste ano, segundo estimativa para o Valor Bruto da Produção (VBP), índice que mede a receita dos 25 principais produtos do setor. Soja (17,6%), cana-de-açúcar (25,6%) e milho (44%) puxam a fila. Na pecuária, os segmentos de bovinos, frango e leite devem crescer 10,2% em 2007. 

 

Embalado pelo cenário mundial favorável, o VBP deve fechar o ano com expansão de 12,8%, segundo a CNA. A projeção evidencia uma recuperação de R$ 22,6 bilhões no faturamento bruto das 20 principais lavouras neste ano. 

 

A tendência futura é positiva, segundo Cotta. O cenário para o leite indica que as cotações do produto mudaram definitivamente de nível. A forte elevação de preços deste ano deve recuar um pouco, mas o custo ao consumidor deve permanecer acima da média histórica porque a demanda externa segue em alta. "A União Européia acabou com subsídios à exportação e a Nova Zelândia tem restrições territoriais para crescer. Então, resta o Brasil, onde não há grande oferta do produto porque os produtores estão ressabiados com a tradicional gangorra de preços", analisa o superintendente da CNA. 

 

<Voltar>

 

Estado de Minas

23/10/2007

 

Economia Rural

Preço de carne bovina sobe e de suínos cai

Filé mignon teve a maior alta em dois meses. Pertences de feijoada tiveram queda de até 9%

 

Graziela Reis 

 

 

6,01% - Alta no preço do quilo do filé mignon em 2 meses

 

9,02% - Queda no preço do quilo do pé de porco no período

 

6,02% - Queda do preço do quilo do frango congelado inteiro

 

 

O mercado de carnes passa por um momento de contrastes. Por um lado, o calor dos últimos meses provocou alta nos preços dos cortes bovinos, por outro, representou queda nos de suínos. O filé mignon foi a peça que mais encareceu. O reajuste no preço do quilo chegou a 6,01%. A peça custava perto de R$ 13,82, na média, em agosto, e agora custa R$ 14,65, de acordo com levantamento do site MercadoMineiro. Já o preço do pé de porco, usado na tradicional feijoada, apresentou queda de 9,02%, em dois meses. Seu preço médio no mercado de BH era de R$ 3,66 e agora é de R$ 3,33.

 

Entre os cortes que apresentaram maiores reajustes também se destacam o patinho, com alta de 3,59%, e o lagarto, que está 3,42% mais caro, na comparação com os valores médios de agosto. O quilo dos dois cortes (em pedaço) custa atualmente R$ 8,37 e R$ 8,46, respectivamente. Do lado oposto, seguindo a trajetória de queda, outros pertences da feijoada ficaram mais baratos. O quilo da orelha de porco sai, na média, a R$ 2,27. A redução foi de 8,47%. Já o rabo de suíno apresentou queda de 6,8% e agora é vendido por R$ 5,07. Os preços do frango estão mais estáveis. Porém, a pesquisa indicou alta no quilo de asinha, de 1,91%, e redução no valor do frango congelado inteiro, de 6,02%.

 

O dono da loja Feijoada de Minas, do Mercado Central, Rogério Fábio Belo, explica que o calor se reflete diretamente no preço dos pertences do tradicional prato com feijão preto. “Quando está muito quente, ninguém faz feijoada”, observa. Agora, que começaram as chuvas, ele acredita em uma ligeira recuperação de preços. Mas observa que as carnes mais nobres de suínos, como lombo, estão com seus valores estáveis.

 

O auxiliar de balconista do Frigorífico Serradão do Bairro Milionários, Rogério Mendes da Silva, confirma que basta esquentar para caírem os preços dos cortes suínos mais usados na feijoada. “A carne de boi está aumentando porque o pasto secou, não deu para engordar os animais e começou a faltar no mercado”, explica. O frigorífico, segundo o levantamento do MercadoMineiro, foi o que apresentou alguns dos menores preços no quilo de coração de frango, pé de porco e pernil sem osso. Silva explica que a rede consegue boas negociações para compra dos produtos porque faz parte da cooperativa frigorífica Frigobet, de Betim.

 

Em BH, as maiores variações de preços encontradas foram para o toucinho comum, de 302,02%, e para o toucinho para torresmo, de 236,36%. Para os cortes bovinos, a picanha ficou com a maior diferença de preços da cidade, de 147,15%. O quilo pode custar de R$ 9,99, no Frigorífico Alvorada da Rua Caetés, até R$ 24,69, no Extra do Minas Shopping. 

 

<Voltar>

 

Valor Econômico

01/11/2007

 

Máquinas Agrícolas

Cenário positivo para máquinas em 2008

  

Cibelle Bouças

 

 

O ano positivo para os produtores brasileiros de grãos, devido aos bons preços internacionais, e a expectativa de uma nova safra recorde em 2008 leva as indústrias de máquinas agrícolas a apostarem na entrada de um novo ciclo de alta para o setor, que deve durar pelo menos até 2010. "Não há previsões de alteração nos atuais parâmetros de preços pelo menos nos próximos três anos, reflexo do aumento da demanda global por alimentos e a disputa por área para culturas voltadas à bioenergia", afirma Milton Rego, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). 

 

Para as indústrias de máquinas agrícolas, que devem encerrar 2007 com crescimento de 41% nas vendas para o país , a expectativa é, no próximo ano, voltar aos níveis recordes alcançados em 2002. Para o mercado interno, Rego prevê crescimento entre 15% e 20% no próximo ano, chegando a 41,4 mil unidades - em 2002 as vendas chegaram a 42,47 mil unidades. "Só não vamos repetir o resultado porque o segmento de colheitadeiras ainda demorará a voltar àqueles níveis", observa Rego. 

 

No segmento de tratores de rodas, a Anfavea projeta aumento de até 15%, chegando a 38 mil unidades - maior volume desde 1994, quando as vendas somaram 38,5 mil unidades. Para colheitadeiras, a previsão é de expansão de 20%, para 2,4 mil unidades (até 2004, a média de vendas no país era de 5,5 mil unidades por ano). "As vendas para o Centro-Oeste ainda não alcançarão o seu melhor nível, devido ao alto volume de dívidas", pondera Rego. Ele observa ainda que a maior demanda por setores como os de cana, café e fruticultura ajudam a compensar as vendas mais tímidas de tratores para o setor de grãos. Mas não há quem compense a demanda dos setores de grãos por colheitadeiras. 

 

 

"Não haverá recorde em colheitadeiras. Mas teremos uma safra de grãos 7 milhões de toneladas maior. Isso significa R$ 10 bilhões a mais. É renda que vai aumentar no campo", afirma Rego. Segundo dados do Ministério da Agricultura, já houve aumento na renda agrícola ("da porteira para dentro") de R$ 15 bilhões neste ano, ou de 11,6%, para R$ 116 bilhões. "Essa renda extra já permitiu a recuperação do setor agrícola neste ano", afirmou o executivo. 

 

Já as exportações, segundo ele, devem se manter estáveis em 24 mil unidades, entre tratores e colheitadeiras. "No exterior, os demais países recebem o mesmo estímulo que o Brasil para aumentar a produção agrícola. Mas o câmbio não está favorável para competir em mercados mais distantes, como Estados Unidos, Europa e África", lamenta Rego. Segundo ele, as indústrias tenderão a respeitar os contratos de entregas na América Latina, que são os mais antigos. "Provavelmente perderemos alguns mercados conquistados nos últimos anos", diz. A produção deve crescer 9%, chegando a 65,4 mil unidades em 2008. O maior volume de produção já alcançado foi em 2004, de 69,4 mil unidades. 

 

<Voltar>

 

Agrolink

07/11/2007

 

Avicultura

Avicultores ameaçam reduzir produção

 

 

O setor de carnes se reúne hoje para tentar calcular o real estoque de milho no País. Produtores e exportadores de aves, suínos e outros integrantes da cadeia de carnes se reúnem hoje para discutir abastecimento de milho no Brasil. O consenso até agora é de que daqui até o final de janeiro a oferta estará muito crítica. O setor avícola considera até a possibilidade de reduzir a produção, alojando menos aves, para ajustar o consumo das granjas à oferta de milho disponível, segundo Clóvis Puperi, diretor-executivo da União Brasileira de Avicultura (Uba).

 

Fonte: Gazeta Mercantil

 

<Voltar>

 

Valor Econômico

19/11/2007

 

Renda agrícola

Renda agrícola em ritmo de alta

 

 

Fernando Lopes

 

 

As projeções de que a produção brasileira de grãos será em geral maior e mais valorizada nesta safra 2007/08 deverão garantir a continuidade da recuperação da renda agrícola ("da porteira para dentro") no país no ano que vem. 

 

Levantamento concluído na semana passada por José Garcia Gasques, coordenador de planejamento estratégico do Ministério da Agricultura, sinaliza que a receita conjunta dos 20 principais produtos do campo nacional alcançará R$ 119,7 bilhões em 2008, 2,6% acima do montante previsto para 2007 (R$ 116,7 bilhões, 11,6% superior ao do ano anterior). 

 

É a primeira estimativa de renda agrícola do governo para o próximo ano. Foi finalizada a partir da publicação, em 8 de novembro, do primeiro prognóstico do IBGE para a safra de grãos que está sendo plantada - que indicou colheita de 137,1 milhões de toneladas em 2008, 2,9% mais que neste ano. O valor envolve apenas produção agrícola. Os demais elos das cadeias não são objeto do trabalho. 

 

Os números de Gasques reforçam pelo menos duas tendências apontadas nos últimos meses também por outros especialistas. 

 

A primeira delas é que, se o clima não atrapalhar demais, será o segundo ano seguido de elevação da renda. Depois de subir entre 2000 e 2003, quando atingiu recorde histórico (R$ 128,8 bilhões) - em grande medida graças à guinada cambial de 1999, que estimulou as exportações -, a receita registrou quedas em 2004, 2005 e 2006, em razão de uma crise de liquidez e endividamento dos produtores de grãos, sobretudo soja. 

 

A segunda é que a alta será mesmo puxada pela retomada dos grãos, já que a evolução da renda da cana, contínua entre 2005 e 2007, será interrompida. Estrela global em 2007, o etanol, no Brasil produzido a partir da cana, encara um período de crescimento da oferta e demanda internacional contida, ainda que no país o consumo deva continuar aquecido. 

 

Para a soja, que não deixou de ser o carro-chefe do campo brasileiro mesmo com a crise recente, Gasques estima renda agrícola de R$ 28,2 bilhões em 2008, 1,4% mais que neste ano (R$ 27,8 bilhões, 17,8% mais que em 2006). É o maior valor desde 2004, mas ainda longe do recorde de 2003 (R$ 40,6 bilhões). 

 

As cotações da soja estão em picos históricos na bolsa de Chicago (principal referência internacional para os preços do grão), e a colheita nacional deverá ser 1,8% maior em 2008 do que foi em 2007, conforme o IBGE. Segundo o ministério, no Mato Grosso, maior celeiro de soja do país, o produto deverá render R$ 6,7 bilhões em 2007, 6,3% mais que no ano passado. 

 

Nos cálculos de Gasques, a receita da cana deverá estacionar, mas a matéria-prima para açúcar e álcool continuará perdendo apenas para a soja. A renda projetada para 2008 é de R$ 21 bilhões, 1,7% menor que a deste ano (R$ 21,4 bilhões, 11,5% mais que em 2006). Em São Paulo, locomotiva sucroalcooleira do país, a cana deverá gerar R$ 12 bilhões em 2007, 8,6% mais que no ano passado. 

 

A receita do milho, que só perde para soja e cana, tende a avançar pelo terceiro ano consecutivo, ainda embalada pela onda de etanol feito de milho nos EUA. O Ministério da agricultura prevê R$ 16,5 bilhões para o grão no próximo ano, valor 2,5% superior ao estimado para 2007 (R$ 16,1 bilhões, 34,2% mais que em 2006). No maior produtor de milho do Brasil, o Paraná, a receita deverá engordar 38,5% neste ano, para R$ 3,6 bilhões. 

 

Na quarta posição do ranking de renda de Gasques, a laranja deverá amargar mais um ano de queda, ainda que o mercado continue atraente apesar do recuo dos preços internacionais. O montante previsto para 2008 é de R$ 6,6 bilhões, 12% menor que o deste ano (R$ 7,5 bilhões, 10,7% abaixo de 2006). Em São Paulo, que abriga o maior parque citrícola do planeta, a receita deverá diminuir 16,4% em 2007, para R$ 5,1 bilhões. 

 

Também se destaca no horizonte a projeção do ministério para a receita proporcionado pelo arroz. O valor previsto para 2008 é de R$ 6,2 bilhões, 10,7% superior ao deste ano (R$ 5,6 bilhões, mesmo patamar de 2006). A renda no Rio Grande do Sul, Estado que lidera o segmento, deverá atingir R$ 2,7 bilhões este ano, 3,6% menos que em 2006. 

 

<Voltar>

 

Gazeta Mercantil

19/11/2007

 

Editorial

O esforço do campo exige contrapartida

 

 

19 de Novembro de 2007 - Parcela considerável das fazendas do Centro-Sul do País adotou o terceiro turno para cumprir o calendário de plantio de grãos, com máquinas operando em regime de 24 horas diárias de trabalho. O motivo de tamanha intensificação da produção foi a necessidade de compensar o atraso nas culturas provocado pelas dificuldades climáticas.

 

O fato representa significativa mudança de expectativas no campo, e para melhor. O analista da AgRural, Daniel Sebbem, com razão, notou que o produtor deverá correr mais riscos e, portanto, "os custos tendem a aumentar". Outros analistas do setor, no entanto, já quantificaram que, apesar do esforço para recuperar o atraso, neste período do ano passado, o cultivo do milho já atingira 72,8% da safra, enquanto neste ano o plantio alcançou até agora 65%. Vale notar, no entanto, que no cultivo de soja recuperou-se o tempo perdido e estamos no mesmo ponto de plantio alcançado nesse período do ano em 2006.

 

Há, portanto, maior profissionalização da atividade rural, enfrentando-se a adversidade climática com mais planejamento e mais tecnologia. Vários produtores usam avançadas técnicas de domínio meteorológico para usar com competência as "janelas de tempo bom". O turno extra de plantio, inclusive com aluguel de mais máquinas, buscou acelerar o cronograma para inibir qualquer risco de atrasos maiores.

 

O efeito multiplicador dessas expectativas favoráveis no agronegócio já chegou a outros setores da economia brasileira. As vendas de tratores de maior potência, que despencaram sem parar desde 2003 até 2006, recuperaram neste primeiro semestre os níveis alcançados no começo da década, quando os preços das commodities agrícolas atingiram recordes históricos. Os dados do mês passado da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostraram que, nos oito primeiros meses deste ano, a venda de tratores com potência superior a 100 cavalos aumentou 72% em relação ao mesmo período de 2006. A venda desses veículos de maior preço e potência representou quase 40% do total das vendas de tratores no período. A tendência foi tão forte que revendedores anunciaram novos investimentos no setor porque, na visão deles, a mecanização de lavouras, como a de laranja e a de café, é um movimento de busca de produtividade que "não tem volta".

 

Esse conjunto de fatos deve gerar bons resultados para o agronegócio nesta safra, com significativo impacto no PIB do setor. As expectativas da Confederação da Agricultura e Pecuária, divulgadas no final de setembro, estimam aumento desse PIB da ordem de 2,06% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2006. O fato fez a entidade projetar uma expansão de 4,6% para o setor neste ano, calculando que a renda do agronegócio atinja R$ 565 bilhões neste ano. O quadro só não é melhor porque a agroindústria não dá sinais de que acompanhará plenamente a aceleração de produção do campo. O motivo é a retração superior a 25% no primeiro semestre, em relação aos seis primeiros meses de 2006, provocada pelos problemas enfrentados pelo setor sucroalcooleiro, em especial com exportação. A rigor, quando comparado ao valor exportado de álcool entre janeiro e agosto, a queda ultrapassa 17%. Outro setor da agroindústria que também enfrenta problemas com vendas externas é o de carne bovina. Os investimentos feitos nos dois setores não obtiveram correspondência com a abertura de novos mercados. Por diferentes razões, inclusive fortes pressões de produtores da União Européia contra a carne brasileira.

 

Portanto, para efetivamente acompanhar o esforço de profissionalização que é feito pelo produtor rural, é preciso aumentar as exportações, tanto agregando novas culturas, para enfrentar as pressões internacionais localizadas, como construir os apoios necessários para que outros produtos multipliquem as exportações do agronegócio. Por exemplo, o artigo do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, publicado na edição de sexta-feira deste jornal, exibiu uma das contradições que prejudica o agronegócio. Rodrigues mostrou que o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas, mas 95% de seu consumo ainda se destina ao mercado interno. Há um impressionante potencial de crescimento nesse negócio, inclusive aproveitando, como notou o ex-ministro, a possibilidade aberta quando o corte de cana for totalmente mecanizado, liberando cerca de 10% da área plantada com cana para ser usada pelo cultivo de frutas.

As hipóteses de crescimento são muitas, mas, por enquanto, o produtor rural está sozinho em seu esforço modernizador. Por exemplo, a infra-estrutura que facilitaria o escoamento da safra reduzindo o custo da exportação não sai do papel, como os atrasos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) apenas confirmam.

 

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 2) 

 

<Voltar>

 

 

Gazeta Mercantil

19/11/2007

 

Café

OIC questiona estatística brasileira  

 

IPOJUCA (PE), 19 de Novembro de 2007 - O diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC), Néstor Osorio, questionou o Ministério da Agricultura sobre os dados estatísticos da cafeicultura brasileira. Para Osorio, os números referentes à produção, exportações, consumo e estoques não fecham as contas, se comparados à realidade do mercado. "A diferença é 10 milhões de sacas", concordou o secretário de Produção e Agroenergia do ministério, Manoel Vicente Bertone. que participou do 15 Encafé, promovido pela Indústria Brasileira da Indústria do Café (ABIC), em Ipojuca(PE), na semana passada.

 

Bertone quer rever os dados. "Precisamos saber o que está acontecendo, pois mais uma vez fui questionado por Osorio", disse Bertone, "Se não mudarmos isso vamos tomar decisões com base em informações erradas", acrescenta.

 

O diretor-executivo do Conselho Nacional do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafe), Guilherme Braga também vê contradição entre os números oficiais. Para ele, isso ficou mais evidente no ano passado, quando os estoques caíram mais que o esperado. Segundo ele, no ano agrícola 2006/07, de julho a julho, faltaram 3 milhões de sacas de café nos dados do mercado. Isso porque o consumo interno foi de 16 milhões de sacas, as exportações, 29 milhões, e a produção, 42 milhões. Já na safra 2007/08 a expectativa, diz Braga, é que os números fechem com 12 milhões de sacas a menos. Ele se baseia na produção de 32,6 milhões de sacas, 27 milhões exportadas e 17,3 milhões de consumo.

 

Preços firmes

 

Para o diretor da OIC, Néstor Osório, os preços do café no mercado internacional devem manter-se firmes em 2008. "Os estoques são de cerca de 20 milhões, suficientes para atender ao consumo por dois a três meses; isto é, quase nada", disse Osório. A previsão dele, para este ano, é de déficit mundial de 7 milhões de sacas, com consumo previsto em 121 milhões e a produção, em 114 milhões. As exportações mundiais devem oscilar entre 97 e 98 milhões, afirmou.

 

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Viviane Monteiro) 

 

 

Valor Econômico

19/11/2007

 

Cana-de-açúcar

Diminui a fatia da cana no valor da produção paulista

 

 

De São Paulo

 

 

A participação da cana-de-açúcar no valor da produção agropecuária de São Paulo recuará significativamente em 2007, conforme levantamento preliminar do Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado à Secretaria de Agricultura do Estado. O estudo abrange 50 produtos (42 de origem vegetal e oito de origem animal) e foi realizado a partir de dados de mercado disponíveis até julho passado. 

 

Conforme o IEA, o valor da produção paulista deverá totalizar R$ 30,6 bilhões neste ano, 7,2% menos que em 2006. O tombo decorre da queda da receita da cana, até agora estimada em 24,5%, para R$ 11,2 bilhões. Sendo assim, a fatia do produto no total estadual será de 36,6%, ante 44,9% no ano passado. O revés canavieiro se deve a preços 32,7% menores que os de 2006. Na mesma comparação, a produção aumenta 12,2%. 

 

"Ninguém gosta de estatística negativa, mas, devido à desvalorização da cana, eu esperava um resultado pior", afirma João Sampaio, secretário da agricultura de São Paulo. "Ainda assim, e graças à cana, o Estado segue como o principal do país em valor bruto da produção agropecuária", observa Alfredo Tsunechiro, um dos pesquisadores do IEA responsáveis pelo levantamento preliminar. 

 

Apesar de envolver apenas 20 culturas agrícolas - e não os 50 produtos agropecuários pesquisados pelo IEA -, pesquisa de José Garcia Gasques, coordenador estratégico do Ministério da Agricultura, confirma o que diz Tsunechiro. Nos cálculos de renda de Gasques, a receita paulista, a maior no ranking estadual, é projetada em R$ 21,9 bilhões em 2007, 1,8% menos que no ano passado. Tanto o valor da produção do IEA como a renda agrícola do ministério medem a receita das lavouras "da porteira para dentro". 

 

Com o revés projetado, a cana será o principal produto de um número menor de regiões de São Paulo neste ano. A secretaria divide o Estado em 40 Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDR), e a cana será líder em valor da produção agropecuária em "apenas" 23 deles. Em 2006, o produto reinou em 25 EDRs. A liderança foi perdida nas regiões de Presidente Prudente e Campinas. Na primeira, para a carne bovina; na segunda, para a uva de mesa. 

 

Entre as 15 Regiões Administrativas (RAs) estaduais, a cana deverá prevalecer em nove em 2007, conforme o IEA. Em 2006, eram 11. Na lista preliminar de RAs deste ano, a carne bovina substitui a cana em Presidente Prudente e o milho assume a liderança em Sorocaba. 

 

Desde o início de sua gestão Sampaio manifesta algum desconforto com a forte participação da cana. Por isso ele realça as estimativas de crescimento, em 2007, do valor de produtos como laranja para indústria (22,1%), carne de frango (21,5%), milho (23,5%) e ovos (27,9%). 

 

Na fruticultura, ele destaca, houve avanços expressivos da manga (47,8%), do caqui (52,7%), do abacaxi (18,7%) e da goiaba para mesa (97,1%) e para a indústria (148,6%). É claro que são produtos com menor relevância econômica do que a cana, mas que vêm conquistando espaço no Estado. "O impacto desses produtos na economia é mais localizado, mas eles têm alto valor", diz Alfredo Tsunechiro. 

 

Com o recuo da participação da cana no valor da produção agropecuária do Estado, a fatia da carne bovina, segunda principal atividade no campo paulista, deverá aumentar de 11,5%, em 2006, para 12,4% neste ano. Isso apesar de uma leve queda em seu valor absoluto, que na mesma comparação chega a 0,41%, para R$ 3,8 bilhões. O pequeno recuo se explica pela queda da produção (6,71%), uma vez que os preços subiram (6,76%). 

 

Com o crescimento realçado por Sampaio, o gomo da laranja para indústria no valor total tende a subir significativamente. Foi de 6,5% em 2006 e agora chega a 8,6%. O avanço decorre da valorização dos preços praticados (20,82%), nos contratos de fornecimento entre citricultores e indústria e no mercado spot. A oferta em si cresceu 1,07%. (FL) 

 

 

Ver mais em www.iea.sp.gov.br 

 

<Voltar>

 

 


Estado de Minas

19/11/2007

 

Cana-de-açúcar

Canaviais sufocam o São Francisco

Plantio de cana-de-açúcar avança no Centro-Oeste de Minas e põe em risco as nascentes do rio. Outra ameaça é o projeto que pode diminuir a área do Parque da Serra da Canastra

 

 

Luiz Ribeiro 

 

 

O crescimento de 58,31% na área destinada ao plantio de cana-de-açúcar no Centro-Oeste de Minas Gerais, onde estão as nascentes do São Francisco, põe em risco a vida no nascedouro do rio. Os dados referentes ao avanço são da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg) e mostram o crescimento acelerado dos canaviais, estimulado pelas novas perspectivas de uso do etanol. De julho de 2006 a julho de 2007, a área reservada à cultura na região passou de 22.842 hectares para 33.876 hectares. No mesmo período, a produção aumentou de 1,7 milhão para 2,57 milhões de toneladas por ano, o equivalente a um crescimento de 50,63%.

 

Entre outras conseqüências para o meio ambiente, especialistas destacam o assoreamento, contaminação do lençol freático, desmatamento e comprometimento das matas ciliares. As empresas de açúcar e álcool se defendem, alegando que trazem desenvolvimento, obedecem à legislação e a atividade não causa danos à natureza. “As pessoas que falam em ameaças estão desinformadas”, afirma Luciano Rogério de Castro, superintendente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais.

 

O Estado de Minas conferiu essa expansão e ouviu depoimentos sobre os riscos da monocultura canavieira. Foram percorridos centenas de quilômetros em oito municípios do Alto São Francisco: Lagoa da Prata, Iguatama, Bambuí, Medeiros, São Roque de Minas, Piumhi, Delfinópolis e Luz. Também foram constatadas as marcas da degradação na área da “nascente geográfica” do São Francisco, no município de Medeiros – descoberta em 2002 e reconhecida em 2004. São erosões e sinais de queimadas. No entorno do Parque Nacional da Serra da Canastra, onde fica a “nascente histórica”, é visível o passivo ambiental deixado por mineradoras que foram fechadas por determinação do Ministério Público Federal.

 

A expansão da cana começou a ser estimulada, há anos, por uma grande usina de açúcar e álcool instalada em Lagoa da Prata, hoje controlada por um grupo francês. Atualmente, está sendo construída uma destilaria de álcool em Bambuí. A região vive a expectativa da montagem de uma outra unidade, em Iguatama. Nesses três municípios, o cultivo ocupa áreas cada vez maiores, com os proprietários rurais arrendando suas terras para as usinas. A mesma situação se repete em Luz.

 

A área de proteção das nascentes do Velho Chico sofre ameaça de redução, representada por um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional. A proposta altera os limites do Parque da Serra da Canastra, retirando dos seus 200 mil hectares (área prevista no decreto que o criou, há 35 anos) perto de 50 mil hectares, onde foram iniciadas atividades de exploração agrícola e de mineração. Para a administração do parque, o projeto abre caminho para que o plantio da cana avance e ocupe mais áreas na região das nascentes.

 

“O aumento do plantio em direção à cabeceira do São Francisco só vai prejudicar a região e o rio”, alerta o presidente do Comitê da Bacia dos Afluentes do Alto São Francisco, Lessandro Gabriel da Costa, que mora em Lagoa da Prata. Segundo ele, o desmatamento é o maior estrago provocado pela monocultura da cana. “Com a retirada da vegetação, o solo fica descoberto. Se não for feito um trabalho preventivo, aumenta o processo de erosão dos pequenos rios”, diz.

 

O presidente do comitê salienta que 80% das águas do Velho Chico saem de Minas Gerais. “Mas, em torno de 60% dessa quantidade sai da nossa região”, observa. Já o ambientalista Geraldo Gentil Vieira, técnico da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codesvaf) e morador de Iguatama, teme o aumento do desmatamento. “O plantio da cana força a abertura de novas áreas, atingindo encostas, que deveriam ser reservas legais. Assim, acabam matando os cursos d’água”, afirma.

 

Próximo à zona urbana de Iguatama, a cerca de 400 metros da margem do São Francisco, há um canavial e queimadas recentes. Segundo Gentil, num terreno abaixo da área hoje ocupada pela cana, há alguns anos, existia uma lagoa marginal, que teria sido drenada. Hoje, o terreno é coberto pela vegetação nativa, que serve como pastagem.

 

Além do assoreamento, a monocultura pode acarretar problemas para a fauna. O alerta é dos estudantes de biologia Paolo Verne e Cristina Martins Simões, que desenvolvem um estudo sobre as aves migratórias numa fazenda à beira do Rio São Francisco, em Iguatama.

 

Na propriedade existe uma área, próxima ao leito, que inunda durante o período das chuvas, sendo formadas lagoas marginais. Por essa condição, a região recebe aves migratórias do pantanal mato-grossense, como o tuiuiú. A fazenda está sendo cercada por plantios de cana. Por essa razão, os estudantes temem que, dentro de algum tempo, as lagoas marginais venham a desaparecer, o que afastaria as aves da região. 

 

<Voltar>

Zero Hora

18/11/2007

 

Pecuária de Corte

O dinheiro que vem da pecuária

 

 Está comprovado. Os pecuaristas do Estado retomaram a capacidade de investimento na recente temporada de venda de bovinos. Os bons resultados nas pistas e a movimentação gerada pelos leilões são a face mais visível do bom momento da pecuária, que ajuda a irrigar a economia do Rio Grande.

 

Em Uruguaiana, o caminhoneiro Marco Antônio Dorneles pensa em trocar de carro com o dinheiro que recebeu pelos serviços prestados no carregamento de animais. Em Bagé, uma agroveterinária viu seu faturamento crescer. Em Santa Maria, uma concessionária de caminhões finalmente está recebendo o pagamento de dívidas deixadas para trás. A valorização de preços do gado extrapolou a porteira das fazendas.

 

O quilo do boi gordo vale hoje R$ 2,28, segundo a Emater - cerca de 15% a mais do que no final de 2006, quando a recuperação da atividade já havia começado. No país, conforme a consultoria Scot, o preço do boi gordo atingiu a maior marca em dólar dos últimos 10 anos. De acordo com cálculo da consultoria DTOffice com base em dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE), o Produto Interno Bruto (PIB) da produção animal gaúcha (bovinos, ovinos, suínos e aves, entre outros) no ano passado somou R$ 13,4 bilhões, 8,6% do PIB do Estado.

 

Para o economista Paulo de Tarso Pinheiro Machado, essa participação deve aumentar em 2007, puxada pela bovinocultura.

 

- O efeito multiplicador da pecuária é menor do que o da lavoura, porque emprega menos gente. Mas claro que a elevação de preços mobiliza o comércio no Interior - complementa o agrônomo e professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Carlos Nielitz.

 

Conforme o indicador da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado (Fecomércio-RS) e da FEE, de 19 segmentos varejistas e atacadistas pesquisados, o que mais cresceu neste ano foi o atacado de matérias-primas agropecuárias, com avanço de 20,5% de janeiro a agosto.

 

- Como o ciclo do gado é longo, tudo indica que em 2008 esse processo continuará - projeta o economista Argemiro Brum, da Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul.

 

O bom momento é reflexo da crise que se abateu sobre o setor nos últimos anos. Para ter dinheiro, o pecuarista teve de reduzir a criação que, agora, ganha novo fôlego.

 

* Colaboraram Eduardo Cecconi, Estela Facchin, Marina Lopes, Patrícia Meira e Ronan Dannemberg

 

 

SEBASTIÃO RIBEIRO*

QUEM GANHA NO GIRO DOS ANIMAIS

 

1º Remates

 

Somente neste período chamado de primavera, a pecuária já vendeu quase o triplo da Expointer, a mais tradicional feira agropecuária da América Latina. O faturamento em remates particulares e feiras ultrapassa R$ 30 milhões, 209,94% mais que o total obtido nas pistas de Esteio. Uma das principais praças de venda de animais é o município de Uruguaiana, onde nesta época a economia cresce em razão dos remates. Os leilões arrecadaram 100% a mais do que em 2006.

 

- O excelente banco genético dos criatórios de Uruguaiana atrai os compradores e movimenta a economia do município - ressalta o presidente do Sindicato Rural de Uruguaiana, Júlio Alberto Silveira Filho.

 

Cavalo crioulo

 

Um show à parte. As vendas dos eqüinos crioulos, que já ganham até megaprodução - como foi o remate do diretor de cinema e televisão Jayme Monjardim, um conjunto de cinema, programa de TV e espetáculos musicais - , ultrapassam a marca de R$ 51 milhões em 99 remates realizados durante o ano. Como ainda faltam 17 pregões até o final do ano, o recorde de R$ 57,38 milhões alcançado em 2006 será superado, prevê a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC).

 

- E temos mercado para crescer muito mais - comemora o leiloeiro Fábio Crespo, ao destacar o papel estratégico do Canal Rural nos negócios.

 

Entre os novos investidores do centro do país, ganham espaço os famosos. Na lista de criadores e de apaixonados pela raça - um dos símbolos do Estado - , figuram nomes como o da apresentadora de televisão Eliana.

 

2º Transporte

 

O automóvel Polo 1994 vai dar lugar a um modelo mais novo na garagem dos Dorneles, em Uruguaiana, na Fronteira Oeste. Os dois caminhões, principal meio de sustento da família, receberão, além de tinta fresca, novas peças e outros reparos. Nada disso, entre outros investimentos, seria possível sem a pecuária. O motorista de caminhão Marco Antônio Dorneles, 45 anos, contratado para transportar os animais da Cabanha Paineiras, não revela quanto ganha, mas afirma que o valor é suficiente para garantir um final de ano de fartura para a mulher e os dois filhos, que moram em Alegrete.

 

Mesmo sem estimativas concretas, o presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Éder DalLago, destaca que as negociações feitas em remates e feiras têm reflexo positivo no serviço prestado pelos caminhoneiros. E, conseqüentemente, nas vendas de caminhões. De acordo com Flávio Hippler, gerente de vendas de uma concessionária de caminhões de Santa Maria, os consumidores do setor representam 30% da saída de veículos de carga. Mas quem quiser comprar um caminhão vai ter de esperar na fila. A aquisição pode levar de 60 a 90 dias, devido ao número de vendas ter crescido cerca de 30% impulsionado pela indústria, pelo comércio e pelo aumento dos fretes feitos por grandes transportadoras.

 

3º Venda de veículos

 

O bom momento da pecuária está contribuindo para que as concessionárias de veículos gaúchas comemorem resultados acima da média nacional. O setor, que esperava um crescimento de 10% nas vendas neste

 

ano, já projeta aumento de até 20%. Somente em outubro, foram vendidos 23.520 veículos no Rio Grande do Sul - crescimento de 28% com relação a setembro (no Brasil, esse percentual foi de 18%) e de 5,2% com relação a outubro do ano anterior.

 

- No Rio Grande do Sul é assim: quando a pecuária e a lavoura vão bem, tudo vai bem. Hoje, tendo produto, se vende - afirma Reinaldo Sbardelotto, diretor regional da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.

4º Hotéis

 

Em todo o Estado, os leilões de gado fazem os hotéis ficarem constantemente lotados. Segundo o diretor de planejamento da seccional gaúcha da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, José Justo, um terço do movimento nos 2.261 estabelecimentos que existem no Rio Grande do Sul é de hóspedes ligados à atividade pecuária.

 

- O setor não vive somente do turismo, vive de negócios. Candiota, Bagé, Alegrete, entre outros municípios, absorvem esse mercado. Sempre há remates, quase um por dia - explica Justo.

 

A rede hoteleira de Pelotas também se beneficia. Mesmo sendo uma cidade com enfoque mais urbano no setor de serviços, eventos de agronegócios movimentam as reservas nos hotéis. O impacto maior é nos finais de semana, afirma Adalgiso Malaguez, gerente de uma rede local de hotéis. Em média, comparado a outros finais de semana da baixa temporada, o aumento nas reservas fica entre 30% e 40% na época dos remates de primavera.

 

5º Comércio

 

O ciclo virtuoso permite ao pecuarista investir na sanidade do rebanho. Mais do que comprar uma quantidade maior de medicamentos, a tendência com o bom momento é adquirir produtos melhores, revela Glênio Prudente, diretor de uma das principais distribuidoras de produtos veterinários do Estado.

 

Em uma agroveterinária de Bagé, a venda de vermífugos, e, principalmente, carrapaticidas cresceu em torno de 50%. Do total de clientes que o estabelecimento tem, cerca de 35% são oriundos do setor pecuarista. Rogério Rosa, sócio-proprietário do estabelecimento, afirma que se vende mais pelo bom momento do gado, mas não atribui o sucesso somente a esse motivo.

 

- Também trabalhamos para isso, não é somente pelo boi - enfatiza.

6º Imóveis

 

Segundo o presidente do Sindicato da Habitação da Zona Sul do Estado (Secovi-Zona Sul), Sérgio José Abreu Neves, a recuperação econômica do campo tem resultado em uma melhora nos negócios de vendas e aluguéis na região desde o final de 2006.

 

- De um ano para cá, melhorou muito. Temos feitos ótimos negócios, como há muitos anos não realizávamos - afirma.

 

7º Máquinas agrícolas

 

Com mais dinheiro no bolso, os pecuaristas passam a investir não somente em mais animais, mas em equipamentos para modernizar a propriedade. Bom para a indústria de máquinas agrícolas gaúchas. Entre os itens mais procurados, estão plantadeiras (para fazer pastagens), balança para o gado, carretas de feno utilizadas em semiconfinamento e tratores.

 

- Com o bom momento da agricultura e da pecuária, estimamos um crescimento de 40% a 45% nas vendas na comparação com o ano passado - afirma Cláudio Bier, presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado.

 

Bruno Gonçalves, consultor de vendas de uma revenda de implementos agrícolas de Bagé, comemora negócios. Comparando os negócios dos últimos três meses deste ano com o mesmo período em 2006, a comercialização de tratores e outros implementos praticamente dobrou no estabelecimento em que trabalha. O faturamento passou de R$ 180 mil para R$ 320 mil. A média de dois tratores sendo vendidos por mês passou para quatro no mesmo espaço de tempo. No ramo de peças, os rendimentos ficavam entre R$ 30 mil e R$ 40 mil. Hoje estão passando dos R$ 80 mil.

 

O pecuarista João Borba, 48 anos, é um dos que compraram um novo trator. Conforme Borba, os rendimentos na pecuária aliados ao que ganha com o florestamento lhe proporcionaram a aquisição do veículo.

 

Os R$ 75 mil pagos pelo touro aberdeen angus Paineiras Arpão Guri 4918 são suficientes para se comprar três carros populares.

 

A valorização de BT Doriana, R$ 675 mil, maior preço pago por uma égua crioula, equivale a um apartamento, de 160 metros quadrados, com três suítes e três garagens, no bairro Moinhos de Vento da Capital.

 

Em alguns estabelecimentos, o aumento das reservas chega a ficar entre 30% e 40%.

 

<Voltar>

 

Valor Econômico

20/11/2007

 

Economia Agrícola

Preços recebidos pelos produtores paulistas têm valorização de 1,44% 

 

De São Paulo

 

O índice de preços recebidos (IqPR) pelos produtores agropecuários de São Paulo pesquisado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado à Secretaria de Agricultura do Estado - encerrou a segunda quadrissemana de novembro com variação positiva de 1,44%. Foi a quinta valorização quadrissemanal consecutiva do indicador, que não registra queda desde setembro. 

 

O último levantamento mostra, entretanto, que não foram os produtos de origem vegetal que determinaram a nova valorização, como vinha acontecendo, mas sim o resultado da média das oscilações no grupo de produtos de origem animal, cuja curva ascendente se consolidou. Mas ambos subiram: os vegetais, 0,29%, e os animais, 3,81%. 

 

No grupo de produtos de origem animal, aumentaram na segunda quadrissemana de novembro os preços recebidos pelos produtores de carne suína (9,09%), de carne bovina (8,28%) e de leite C (2,39%). O IEA destacou que, no caso da carne bovina, "a valorização deveu-se à restrição de animais para abate por parte dos pecuaristas que aguardam um melhor momento para vender o seu produto, frente a uma pressão de demanda oriunda das exportações e do consumo interno". 

 

Ainda entre os produtos de origem animal, houve redução no valor recebido pelos produtores de ovos (4,38%), carne de frango (2,69%) e leite B (2,04%). 

 

Entre os vegetais, as maiores variações positivas observadas foram as do feijão (44,88%), batata (30,12%) e amendoim (10,54%). Os valores recebidos pelos sojicultores tiveram incremento de 7,21%, ao passo que os produtores de milho passaram a ganhar 7,01% a mais. Para a soja, conforme o IEA, pesou a valorização no mercado internacional, melhor traduzida por saltos na bolsa de Chicago. 

 

Recuaram entre os vegetais os preços de algodão (0,72%), arroz (2,46%), banana nanica (23,12%), café (6,67%), cana (1,68%), laranja para indústria (0,15%), laranja para mesa (0,57%), tomate para mesa (39,50%) e trigo (4,93%). 

 

<Voltar>

 

O Estado de S. Paulo

21/11/2007

 

Cana-de-Açúcar

Grandes grupos lideram a expansão dos canaviais

Lavoura cresce em todo o Centro-Sul. Investimentos de apenas quatro empresas chegam à casa dos R$ 7 bilhões

 

José Maria Tomazela

 

 

O potencial para expansão da produção de açúcar e álcool no País, aliado ao crescimento na demanda mundial por energia de fontes alternativas, deu novo dinamismo ao agronegócio brasileiro. Grandes grupos estão sendo atraídos para o setor sucroalcooleiro de olho, não só na produção do açúcar e do álcool, mas na possibilidade de agregar a esses insumos a produção de biocombustível e de bioeletricidade.

 

O grupo Odebrecht escolheu o Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo, para criar seu pólo sucroalcooleiro. A região ficou conhecida pelos conflitos de terras, mas isso não inibiu a empresa: os investimentos podem chegar a R$ 3 bilhões.

 

CINCO ANOS

 

O plano da Odebrecht é estar entre os maiores grupos do setor no País em cinco anos. Para isso, adquiriu uma usina tradicional na região, a Alcídia, em Euclides da Cunha Paulista, e outra em obras, a Conquista do Pontal, em Teodoro Sampaio, e planeja a construção da terceira unidade em Presidente Epitácio. No futuro, a Odebrecht deve investir em Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas.

 

O projeto de uma usina em Rio Brilhante (MS) está em andamento. A Odebrecht é uma das empresas que devem ser atendidas pelo álcoolduto que interligará as regiões produtoras ao terminal da Petrobrás em Paulínia (SP) e ao porto Paranaguá (PR). A expectativa é a de que, em dez anos, o setor sucroalcooleiro represente até 25% do faturamento do grupo.

 

O secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio, acredita que os investimentos contribuirão para o desenvolvimento do Pontal. 'Haverá geração de emprego qualificado e de renda.' Ele diz que a renovação dos canaviais, à razão de 20% ao ano, deverá estimular também a produção de grãos.

 

ENERGIA

 

A Companhia de Energia Renovável (Cerona) optou por Mato Grosso do Sul para investir. Um de seus diferenciais será a geração de eletricidade a partir do bagaço da cana e do eucalipto. O grupo recém-formado vai investir R$ 1,5 bilhão no projeto, que prevê a construção de duas usinas em Nova Andradina e Bataíporã. Na entressafra da cana, as fornalhas serão abastecidas com um mix de bagaço, palha e cavaco de eucalipto. No futuro, serão construídas mais duas usinas em Jateí e Anaurilândia. Até 2014, serão criados 3 mil empregos diretos. A Cerona é formada pela Brazilian Energy Partners (BEP), um fundo americano, especializado em energia renovável, que detém 95% da empresa.

 

A Cerona ingressa no setor com disposição: juntas, as duas usinas processarão de 8 milhões a 10 milhões de toneladas de cana/ano, sendo 7 milhões de área própria. A produção anual será de 700 mil toneladas de açúcar e 450 milhões de litros de álcool. Mas a grande aposta é na geração de energia.

 

EXCEDENTE

 

A Cerona espera dispor de 1 milhão de megawatts ao longo do ano. Além de atender ao consumo próprio, o excedente será vendido para o sistema elétrico. 'Estamos falando de uma receita extra de R$ 140 milhões/ano', diz Dupire. Além da cana, a empresa planta 6 mil hectares de eucalipto para mover as turbinas na entressafra.

 

Os canaviais já se espalham pelos arredores de Nova Andradina. Até 2009, a cultura ocupará 15 mil hectares, em parceria com agricultores. Conforme o agrônomo Edson Mitsuo Okumura, os plantios iniciais, irrigados, destinam-se à produção de mudas das 15 variedades adaptadas à região. O superintendente-agrícola do grupo, João Rossi, diz que os canaviais avançam sobre áreas de pastos degradados. 'As reservas de mata serão preservadas e ampliadas.' A região terá, ainda, uma unidade do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) para pesquisas e seleção de variedades.

 

<Voltar>

 

O Globo

22/11/2007

 

Grãos

China quer tarifa mais baixa para importar soja

Medida beneficia exportadores brasileiros

 

 

Gilberto Scofield Jr.

 

 

PEQUIM e SÃO PAULO. Depois de minérios e petróleo, a vez da soja. Com medo da escalada da inflação, o governo da China estuda estender para todo o ano de 2008 uma redução na tarifa de importação sobre a soja em grão (de 3% para 1%) que venceria ao fim de dezembro. Além disso, o governo chinês pensa em reduzir a tarifa de importação de óleo de soja e isentar os dois produtos do imposto de valor agregado.

 

As medidas vão beneficiar os exportadores de soja do Brasil, e a Bolsa de Chicago já refletiu isso com a soja atingindo as maiores cotações dos últimos 34 anos, segundo a agência Bloomberg News. As importações de soja e óleo de soja aumentaram 81% nos primeiros dez meses do ano, numa tentativa do governo de reduzir os preços dos alimentos.

 

A inflação na China voltou a crescer e atingiu o recorde histórico de 6,5% em outubro - o mesmo de agosto, a maior taxa nos últimos 11 anos - pressionada pelos aumentos nos preços dos alimentos, que subiram em média 17,6%. No acumulado do ano, segundo o Índice de Preços ao Consumidor, a inflação na China acumula 4,4%, bem acima da meta de 3%. O Índice de Preços ao Produtor, que mede a inflação no atacado, subiu 3,2% em outubro, o maior aumento dos últimos nove meses.

 

A alta na inflação ocupa o noticiário dos jornais chineses, com analistas apostando em nova elevação dos juros, a sexta do ano. O primeiro-ministro, Wen Jiabao, disse que a preocupação agora é reduzir a inflação e estabilizar os preços dos alimentos.

 

Segundo o secretário-geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Fábio Trigueirinho, "qualquer desoneração é positiva", mas ele alerta para a manutenção de barreiras à entrada do farelo de soja na China. O produto continua sujeito à taxa de importação de 5%. Além disso, paga 13% de valor agregado:

 

- Os chineses só se interessam por nossa matéria-prima. Querem processar a matéria-prima, agregar valor a elas. Isso não mudou.

 

Ainda assim, os produtores esperam um cenário positivo. O presidente da Associação de Produtores de Soja do Mato Grosso, Glauber Silveira, afirmou que só este ano recebeu a visita de três missões de empresários da China, interessados em aumentar a importação do produto. (Com Aguinaldo Novo)

 

<Voltar>

 

Valor Econômico

22/11/2007

 

Orçamento

Ritmo de execução decepciona em 2007   

 

 

De Brasília

 

 

O nível de execução orçamentária dos principais programas e ações de investimento do Ministério da Agricultura destoa da elevação do volume de recursos previstos para 2008. No geral, segundo dados do próprio ministério consolidados até a última terça-feira, a aplicação atingiu apenas 52% do total de R$ 195,8 milhões autorizados em lei pelo Congresso Nacional para investimentos neste 2007. 

 

Desse cálculo, estão excluídos os gastos com emendas parlamentares e apoio administrativo. Quando agregados ao total, o desempenho recua para 33,6%. Mas o resultado é ainda mais complicado, de acordo com especialistas consultados pelo Valor, se considerados apenas os gastos de investimento sob conceito de liquidação, sem contabilizar os compromissos de gastos (empenhos). Por este cálculo, a execução recua a apenas 18,1% do total previsto neste ano, com gastos de R$ 35,5 milhões. 

 

Dentro dos números mais abrangentes, é possível ver os problemas de alguns programas. Mesmo as ações mais robustas sofrem com a baixa execução, que pode ser derivada do contingenciamento de recursos pela equipe econômica do governo ou das dificuldades operacionais do Ministério da Agricultura. 

 

Os programas de Desenvolvimento da Bovideocultura, que contemplam ações como a erradicação da febre aftosa, têm gasto efetivo de 44%. No caso específico da aftosa, por exemplo, o governo gastou 56% dos R$ 66,5 milhões disponíveis (incluídos R$ 25 milhões para as indenizações de pecuaristas em Mato Grosso do Sul). 

 

Os gastos com laboratórios de apoio animal somaram 54% dos R$ 17,7 milhões. Na área vegetal, a execução atingiu apenas 35% do total de R$ 20,28 milhões disponíveis. Muito criticadas por missões estrangeiras, a vigilância animal nas divisas e fronteiras têm baixo desempenho. Na fiscalização dos Estados, gastou-se 44% dos R$ 2,5 milhões. Nas fronteiras internacionais, foram 27,5% dos R$ 3,5 milhões. No controle de resíduos e contaminantes, pivô de recente crise com a União Européia, o governo gastou somente 1,4% do total de R$ 22,57 milhões até o último dia 20 de novembro. (MZ) 

 

<Voltar>

 

Correio Braziliense

24/11/2007

 

Opinião

Doha: esperança de progresso: Hélio Tollini

 

 

Hélio Tollini: Ph. D. em economia, Consultor Nacional e Internacional em Política Agrícola e trabalhou no Contencioso do algodão.

 

 

A Rodada Doha de negociações da OMC, iniciada em 2001, tem o objetivo de acelerar o desenvolvimento econômico no mundo. As negociações visam reduzir barreiras comerciais e subsídios que distorcem o comércio e ampliar a participação dos países em desenvolvimento no mercado internacional. Após seis anos de negociações, o objetivo não foi alcançado.

 

Há dois grupos de interesse nessas negociações. De um lado, países em desenvolvimento interessados em maior abertura dos mercados agrícolas nos países industrializados. Estes, por sua vez, querem maior abertura dos mercados de produtos não-agrícolas dos países em desenvolvimento.

 

Liberar os mercados de produtos agrícolas das barreiras comerciais e de subsídios ajudam na expansão das atividades produtivas e na exportação dos países em desenvolvimento. Isso representa ganhos de emprego, de renda e de divisas e fortalece o processo de desenvolvimento em muitos países.

 

Até a rodada anterior de negociações, chamada de Rodada Uruguai, os países em desenvolvimento pouca participação tinham nas decisões tomadas. Na Rodada Uruguai, esses países conseguiram fazer com que fosse aprovado um acordo sobre agricultura. Grande conquista, se for considerado que durante meio século de negociações nada havia sido dito sobre esse setor econômico. Os países que dominavam essas negociações não tinham interesse algum em mudanças nos mercados agrícolas.

 

Hoje, os países em desenvolvimento estão mais participativos e não aceitam decisões unilaterais por parte dos países industrializados. Estão também mais organizados. Um grupo de 20 países, liderados pelo Brasil e Índia, o chamado G20, está ativo em mostrar aos países desenvolvidos que seu interesse principal é abrir o mercado de produtos agrícolas. Há dois caminhos para se discutir normas de mercado: uma é a negociação, como a que ocorre na Rodada Doha da OMC; outra é a contestação, através de contenciosos, também na OMC, contra subsídios e barreiras tarifárias que impedem ou prejudicam o comércio internacional.

 

Em 2002, o Brasil tomou a decisão de abrir contencioso na OMC contra os subsídios americanos ao algodão, decisão essa confirmada em 2003. Até agora, tem havido firmeza e persistência na busca da condenação dos subsídios. O Brasil ganhou a causa do algodão em três instâncias: no painel original, que recomendou a eliminação de todos esses subsídios, no processo em que os Estados Unidos recorreram da decisão do primeiro painel, e no novo processo aberto pelo Brasil para fazer com que os Estados Unidos cumpram as decisões da OMC para a retirada dos subsídios ao algodão.

 

Agora, novo processo está sendo aberto na OMC. Desta vez, Brasil e Canadá contestam os subsídios, dados nos Estados Unidos, a todos os produtos agrícolas. O objetivo é ter um mercado agrícola livre de distorções e onde todos os países possam competir em igualdade de condições. Pode parecer que isso interessa apenas a produtores agrícolas, mas não é assim. Interessa a todo o povo de um país como o Brasil, com potencial agrícola.

 

O grande objetivo é chegar algum dia à abertura do comércio mundial. O Brasil não busca trocar ganhos realizados no contencioso do algodão, por exemplo, por alguma vantagem comercial. Não interessam compensações que permitam aos concorrentes continuar distorcendo os mercados dos produtos em que somos competitivos. As perdas são maiores do que os ganhos com compensações. É hora de contestar práticas danosas de comércio de forma permanente e geral.

 

A esperança é que a Rodada Doha seja um passo adiante no longo esforço de liberar o comércio mundial. Que Doha fique como símbolo de atenção real com as necessidades de desenvolvimento dos países menos desenvolvidos. E que em alguma próxima rodada de negociações o bem-estar das populações de todos os países se sobreponha aos interesses de grupos que se beneficiam de subsídios e de proteção indevida a seus negócios, sempre às custas do desenvolvimento onde ele é mais necessário. Isso é importante para que não troquemos “pau Brasil por espelhinhos”, ganhos fundamentais no contencioso do algodão por ganhos irrelevantes de aumento de quota de exportação para algum setor produtivo. A luta é por objetivos maiores, é por princípios. Já é ganho considerável ter o direito do nosso lado, mesmo que, por enquanto, não se consiga justiça

 

<Voltar>

 

Valor Econômico

26/11/2007

 

Avicultura

Oferta escassa de milho preocupa indústrias

 

 

De Curitiba e São Paulo

 Representantes da avicultura de Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, que respondem por cerca de 90% da produção nacional de aves, decidiram na sexta-feira pressionar o governo para garantir oferta de milho até a colheita de safra de verão. O setor fez duas propostas: autorização para importar milho da Argentina e redução dos alojamentos de pintinhos em 30% no período de dezembro a fevereiro. 

 

Conforme Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), o setor está preocupado com um possível desabastecimento. "Existe escassez nos estoques e não sabemos ao certo se ele será suficiente", afirmou. Como houve atraso no plantio da safra de verão devido à estiagem, a colheita também se iniciará mais tarde, por isso a preocupação maior é com a oferta do grão a partir de março. 

Martins observou que o milho responde por 65% da alimentação do frango. Além da oferta, há preocupação com o preço, que subiu de R$ 14 a saca em meados do ano para R$ 28 em novembro no Paraná. "Propomos viabilizar a importação da Argentina, porque o preço de fora está mais barato", disse. Pelos cálculos dos avicultores, o milho do país vizinho chegaria a São Paulo por R$ 29 a saca, abaixo dos R$ 34 pagos por produtores de frango atualmente. 

 

Cesar Borges, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Milho (Abimilho), disse que a tonelada do milho no Brasil está US$ 100 mais cara que o grão vendido no exterior. "E o mercado futuro sinaliza para preços mais altos", afirmou. Segundo ele, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná têm estoques mais confortáveis, mas, ainda assim, há risco de desabastecimento. 

 

Conforme estudo da Câmara Setorial de Milho da Secretaria de Agricultura de São Paulo, a demanda no Estado deve crescer 3,1% neste ano, para 7,7 milhões de toneladas, e a oferta aumentará 1,8%, para 8,1 milhões de toneladas. Segundo Alfredo Tsunechiro, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), São Paulo deve importar 5,4% mais milho de outras regiões. O Estado - segundo maior consumidor de milho, depois do Paraná - importa volume equivalente a 43% de sua demanda. 

 

No Paraná, segundo o Sindiavipar, o setor avícola deve postergar aportes em ampliações até março. "Nossa maior preocupação não é pagar caro pelo milho, mas não ter o grão, e tememos que isso aconteça em março", disse Martins. Ele informou que houve unanimidade entre os presentes sobre as ações que devem ser tomadas, mas cada produtor decidirá o que fazer. "Quem quiser correr riscos, pode correr.” (Marli Lima e Cibelle Bouças).

 

<Voltar>

 

Jornal do Comércio

27/11/2007

 

Avicultura

Milho sobe mais de 60% e elevará preço do frango   

 

 

O presidente da Associação Avícola de Pernambuco, Antonio Correia, revela que os produtores estão se organizando para reduzir a produção se não conseguirem garantir o abastecimento da ração.

 

O preço do frango está em alta e tende a aumentar, segundo o presidente da Associação Avícola de Pernambuco, Antonio Correia. O principal motivo é o reajuste que ocorreu no preço do milho, que é usado para alimentar as aves. O grão teve um reajuste superior aos 60%, de acordo com a associação.

 

“Os empresários já estão se preparando para reduzir as suas criações, caso não consigam se abastecer de milho”, comentou Correia. Ele afirmou que cada empresa vai se organizar de uma maneira diferente para enfrentar o problema que vai atingir mais os pequenos e médios. A associação representa 70 empresas que compram ou fazem parcerias com 1.100 produtores.

 

Ele informou que uma saca de 60 quilos de milho era vendida por R$ 20 em junho e hoje o preço varia entre R$ 33 e R$ 36, enquanto no mercado internacional a mesma quantidade do produto é comercializada por R$ 26.

 

A alta no preço do milho resulta do fato de que “não se pode importar milho, porque temos restrições aos transgênicos e também não se pode plantar pelo mesmo motivo”, de acordo com o empresário.

 

JUSTIÇA

 

A restrição ao milho transgênico resulta de uma liminar da Justiça Federal do Paraná que determina que o produto não pode ser comercializado. A União entrou com um recurso contra esta liminar. No entanto, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Raphael de Barros Monteiro Filho, negou o pedido de suspensão de liminar da União, que pretendia conseguir a liberação do comércio do milho transgênico. A decisão do presidente do STJ ocorreu na última sexta-feira.

 

Segundo a assessoria de imprensa do STJ, o pedido foi negado por que a atual situação não causa lesão a ordem, a saúde ou a economia pública.

 

Ao entrar com a liminar, a União argumentou que a manutenção da liminar pode causar a entrada no País, pela via da clandestinidade, de sementes de milho geneticamente modificadas que sequer foram liberadas definitivamente, como informou o site do STJ.

 

Ainda na argumentação, a União também alegou que a utilização de organismos geneticamente modificados aumentaria a produtividade do milho brasileiro.

 

<Voltar>

 

Jornal do Commercio

27/11/2007

 

Cana – de - Açúcar

Fornecedores de cana vão vender álcool à Petrobras

Cooperativa Agroindustrial da Mata Sul conseguiu do Banco do Brasil um crédito de R$ 31 milhões para construção de uma destilaria em Palmares

  

Os fornecedores de cana-de-açúcar da Zona da Mata Sul de Pernambuco vão comercializar álcool para a Petrobras. O Banco do Brasil vai financiar cerca de R$ 31 milhões para a construção de uma destilaria e ampliação do plantio de cana no município de Palmares. Batizada de Destilaria Miguel Arraes, a unidade terá capacidade para produzir 16 milhões de litros de álcool por safra. Ontem, na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, foi assinado um memorando de entendimentos entre a BR Distribuidora e a Cooperativa Agroindustrial da Mata Sul de Pernambuco (Coopeagro) para tocar o projeto.

 

O presidente da cooperativa, Roberto Carvalho, destaca a importância do projeto para agregar valor à produção e reduzir custos. “Com o fechamento da Usina Serro Azul, em Palmares, precisávamos percorrer uma distância de até 35 quilômetros para levar nossa cana até a usina mais próxima (Pumati, no município de Joaquim Nabuco). E esse custo de frete representa 33% do valor da cana”, observa.

 

Fundada em 2005, a Coopeagro conta com 350 cooperados dos municípios de Palmares, Bonito e Catende. Nesta safra (2007/2008), a expectativa é atingir uma produção de 82 mil toneladas de cana. No projeto com a Petrobras, os fornecedores serão responsáveis pela produção e a BR pela distribuição e comercialização do álcool. Após a liberação do financiamento, a expectativa é que a destilaria comece a operar num prazo de um ano e meio.

 

Pesquisador da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Francisco Dutra, foi o idealizador do projeto, que beneficia os pequenos produtores. As discussões sobre uma possível parceria com a BR Distribuidora foram iniciadas ainda quando Maria das Graças Foster era a diretora da BR e desenvolveu um projeto de etanol com agricultores familiares do Rio Grande do Sul. A idéia começou a ser discutida no âmbito da Câmara Setorial de cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool de Pernambuco, que agrega produtores, usineiros, setores do governo e universidades.

 

“A idéia é que o projeto seja replicado com fornecedores de cana da Mata Norte, onde já está sendo formalizada uma cooperativa para articular os produtores dos municípios de Nazaré da Mata, Vicência, Aliança e Itaquitinga”, adianta Dutra. A Coopenorte (Cooperativa de Produtores de Cana da Mata Norte) deve começar com 300 sócios e pleitear um projeto semelhante de construção de uma destilaria com capacidade para produzir 16 milhões de litros de álcool. A expectativa dos produtores é que o álcool seja comercializado para a Petrobras ao preço praticado pelo mercado.

 

BIOMASSA

 

Os fornecedores também terão a oportunidade de comercializar o bagaço da cana-de-açúcar para produção de biomassa. “Antes, vendíamos apenas a cana, sem nem mesmo saber qual era o real valor do nosso produto, porque não dispúnhamos de laboratórios. Agora, poderemos faturar até R$ 8 milhões por safra só com a venda do bagaço. A UFRPE está tentando uma parceria com uma empresa alemã para adquirir esse bagaço”, afirma Roberto Carvalho.

 

Na avaliação do presidente do Sindicato do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar), Renato Cunha, o projeto estimula o associativismo e a produção em regiões distantes das usinas, onde existia uma lacuna. “A cana-de-açúcar é um produto que não suporta ser vendido para grandes distâncias porque encarece o frete”, frisa.

 

<Voltar>

 

Estado de Minas

27/11/2007

 

Economia Rural

Minas Gerais lidera setor agropecuário

 

O novo cálculo do PIB para 2005 alçou Minas Gerais ao lugar de principal produtor agropecuário do Brasil, em detrimento de São Paulo, que perdeu participação no segmento. Nesse período, a agricultura e a pecuária mineira responderam por 14,8% do PIB brasileiro, ante 10,7% em São Paulo, 10,22% no Mato Grosso, 8,9% no Paraná e 8,3% no Rio Grande do Sul. Em 2004, tomando como parâmetro a base antiga, o valor adicionado da agropecuária mineira (total bruto produzido menos o custo da produção), era de 8,7% do total nacional, enquanto São Paulo aparecia com 21,3%. Com o novo cálculo, passou a 13,4% em Minas e a 10,2% em São Paulo para o mesmo período.

 

O ganho de participação já era esperado pela coordenadora de contas regionais da Fundação João Pinheiro (FJP), Maria Helena Magnavaca, e pela pesquisadora do Centro de Estatística e Informações da FJP, Maria de Fátima Almeida Barbosa Gomes. Segundo ela, a participação da agropecuária cresceu de 8,3% para 9,3% dentro do próprio estado. “A atividade ganhou pouca participação porque em Minas os números estavam bem medidos e nos outros estados tinham valores superestimados”, disse. A pecuária leiteira foi a principal responsável pela primeira posição de Minas no PIB acropecuário.

 

De modo geral, o PIB de Minas Gerais cresceu 4% em 2005 em comparação com 2004, ligeiramente acima do brasileiro, que teve expansão de 3,16%. Com isso, o estado mantém sua participação de terceiro colocado no ranking nacional, com 9% na soma das riquezas produzidas no país. O resultado ocorreu em virtude do bom desempenho da indústria extrativa mineral (11,9%), da indústria de transformação (3,5%), do comércio e serviços de manutenção e reparação (4,3%), da intermediação financeira, seguro e previdência complementar (6,6%) e de atividades imobiliária e de aluguel (4,8%).

 

Na indústria de transformação, o destaque foi o setor de alimentos e bebidas (5,6% entre 2004 e 2005). No comércio, chama a atenção o desempenho das vendas de veículos, motocicletas, partes e peças (18%) e o comércio atacadista, exceto o de combustível (4%). (ZF) 

 

<Voltar>

Valor Econômico

30/11/2007

 

Grãos

Produtor de soja do MT corre para evitar multa

 

 

Patrick Cruz

 

 

O atraso no início do plantio de soja em Mato Grosso, Estado que tradicionalmente inaugura a semeadura do grão no país, poderá postergar a entrega do produto às esmagadoras. Com isso, contratos fechados por produtores para entrega em janeiro e fevereiro poderão não ser cumpridos - e, se isso acontecer, as indústrias poderão exigir o pagamento de multas. 

 

As regiões do Estado em que o atraso foi mais pronunciado são o oeste e o meio-norte. "Ainda é difícil precisar o volume, mas alguns contratos com certeza vão perder o prazo", diz Daniel Sebben, analista da AgRural. "Até agora, o atraso não trouxe grandes seqüelas; mas, no ano passado, as primeiras entregas ocorreram até antes do prazo normal". 

 

Em 2006, o início do plantio em Mato Grosso ocorreu entre 10 e 15 de setembro. Neste ano, acabou acontecendo na primeira semana de outubro. O atraso refletiu a falta de chuvas. 

 

Segundo a última estimativa de plantio da AgRural, os produtores do Mato Grosso haviam plantado, até o dia 27 de novembro, 94% da área prevista para o grão nesta safra 2007/08. No mesmo período de 2006/07, o percentual era de 99%. Uma das alternativas usuais para acelerar o ponto de colheita é o método da dessecagem, mas a ferramenta acaba elevando os custos. 

 

Em todo o país, o plantio da soja chegou a 77% da área estimada para a atual safra, conforme a AgRural. No mesmo período de 2006, o plantio estava em 84%. O atraso mais significativo, é o do Rio Grande do Sul, que plantou 55% até o dia 27 de novembro, ou 13 pontos percentuais a menos que no ano passado. 

 

Entre os Estados produtores mais relevantes, apenas Goiás está com o plantio adiantado na comparação com o mesmo período de 2006. Com os 91%, o Estado está nove pontos percentuais à frente de seu desempenho em 2006. A soja deverá ocupar 22,4 milhões de hectares nesta safra no país. No ciclo passado, o grão foi plantado em 21,3 milhões de hectares. 

 

<Voltar>

 

Jornal do Brasil

30/11/2007

 

Preços Agrícolas

Preço dos alimentos freia alta da inflação, e índice fica em 0,69%

 

 

Os preços dos alimentos mantiveram a tendência de queda e diminuíram a pressão sobre o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), que subiu 0,69% em novembro, contra 1,05% registrado em outubro. Os dados foram divulgados ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

 

O indicador de preços dos produtos agrícolas teve recuo de 4,57% em outubro para 2,63% neste mês, com destaque para soja em grão (de 9,77% para 3,77%), leite in natura (de 0,58% para -7,35%) e tomate (15,17% para -38,83%). Os preços de bovinos (-0,85% para 6,78%), laranja (11,26% para 32,08%) e mandioca (14,71% para 22,77%), no entanto, registraram alta.

 

O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. O indicador é aplicado no cálculo de reajustes de aluguéis, tarifas de energia elétrica e contratos do mercado financeiro.

 

O IPA (Índice de Preços por Atacado) teve alta de 0,97% neste mês, contra 1,42% um mês antes. O indicador de preços de Bens Finais teve alta de 1,13% neste mês, superando o 0,80% visto em outubro. Excluídos os subgrupos alimentos in natura" e combustíveis, o indicador subiu 0,47%, contra 0,24% em outubro.

 

Já o índice do grupo Bens Intermediários recuou para 0,39%, contra 0,45% em outubro, com destaque para a queda no indicador referente ao subgrupo materiais e componentes para a manufatura, que caiu de 0,37% para 0,08%. Excluído o subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, o indicador caiu para 0,26%, ante 0,62%, em outubro.

 

<Voltar>

 

 

Valor Econômico

04/12/2007

 

Cana-de-Açúcar

Álcool remunera melhor do que açúcar

 

 

Cibelle Bouças e Mônica Scaramuzzo

 

 

Apesar de se manter em patamares baixos de preços entre abril e novembro, o álcool remunerou melhor as usinas que o açúcar nesta safra 2007/08, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). 

 

No balanço feito na semana encerrada no dia 30 de novembro, o álcool hidratado pagou 18% mais que o açúcar. O anidro, 24% mais, segundo o Cepea. "É a primeira vez que o álcool remunerou mais que o açúcar em muito tempo", afirmou Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica. 

 

Segundo Padua, o álcool esteve remunerador entre abril e maio. Já entre junho e setembro, houve empate entre os dois produtos. Em outubro e novembro, o combustível levou a melhor. Na comparação com o açúcar para exportação, o álcool levou vantagem desde abril. 

 

 

 

Conforme Júlio Maria Martins Borges, presidente da Job Economia e Planejamento, uma vantagem do álcool no balanço de toda a safra não ocorria desde a década de 1980 - época do Proálcool -, e reflete a forte desvalorização nos preços do açúcar neste ano, por conta do superávit global de produção. 

 

Segundo ele, as usinas deverão encerrar o ano com queda na receita com exportações de açúcar da ordem de 34%. A queda é explicada pela desvalorização de 24% no preço médio da commodity negociado na bolsa de Nova York, que passou de uma média de 12,50 centavos de dólar por libra-peso em 2006, para 9,50 centavos de dólar neste ano. 

 

Outro fator é a queda de 13,5% no valor médio do dólar em relação ao real, na comparação entre o câmbio médio de 2007 (R$ 1,85) e o de 2006 (R$ 2,14). "O açúcar exportado cobre os custos operacionais das usinas, mas não é capaz de gerar lucro. Os balanços das usinas não serão bons neste ano", afirmou Martins Borges. 

 

De janeiro a outubro, as exportações de açúcar recuaram 2,8% em volume, para 10,35 milhões de toneladas, e 15,5% em receita, para US$ 2,62 bilhões, de acordo com a Secex (Secretaria de Comércio Exterior). A Job Economia calcula que as exportações devam se manter em 20 milhões de toneladas neste ano. No ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura, as exportações de açúcar totalizaram 18,87 milhões de toneladas, gerando receita de US$ 6,167 bilhões. Borges estima que a receita com exportações neste ano ficará 34% abaixo desse valor. 

 

Na avaliação do consultor, o açúcar é o produto mais rentável na relação custo e preço de venda. Essa relação se inverte nos períodos de entressafra, quando a oferta de álcool diminui consideravelmente. Para Padua, os preços do álcool deverão ter uma recuperação durante a entressafra (janeiro a abril). "Mas a expectativa não é a mesma para o açúcar." Levantamento do Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) mostra que o preço médio do álcool ao consumidor ficou em R$ 1,398 em novembro passado no país, aumento de 6% sobre outubro. A tendência é que os preços subam mais na entressafra. 

 

O baixo desempenho do açúcar no mercado interno comprometeu o desempenho geral das indústrias de São Paulo, segundo levantamento da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo). De acordo com o indicador de nível de atividade, o segmento de alimentos e bebidas teve um crescimento de 0,9% em outubro comparado a setembro, com ajuste sazonal abaixo da média geral, de 2,7%. No ano, o indicador apresenta aumento de 3,8% para o setor de alimentos e bebidas, contra média nacional de 4,9%. 

 

O resultado foi comprometido sobretudo pelo desempenho das usinas sucroalcooleiras, segundo Paulo Francini, diretor da Fiesp. "O açúcar sofreu nas bolsas internacionais e a desvalorização do dólar comprometeu as exportações". 

 

<Voltar>

 

 

Correio Braziliense

04/12/2007

 

Preço Agrícola

Nova dor de cabeça

Valor dos alimentos dispara, faz Índice de Preços ao Consumidor Semanal triplicar e reforça tese de que taxa básica de juros não deve cair agora. Consumidores reclamam das compras mais caras

 

Vicente Nunes

Da equipe do Correio

 

 

Iano Andrade/CB

Rosangela Fátima de Souza, historiadora, reclama da alta nos preços: “O feijão está um absurdo de caro. Só estou levando um quilo para casa”

 Os preços dos alimentos voltaram a pesar no bolso dos brasileiros. Desde a segunda quinzena de novembro, embicaram para cima e já estão fazendo a diferença nos índices de inflação, que se mostravam bastante comportados. É uma nova dor de cabeça para governo e Banco Central (BC). Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), no acumulado do mês passado, o grupo alimentação registrou alta de 0,60%. Foi o suficiente para que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) atingisse 0,27%, triplicando em relação à taxa registrada nos 30 dias encerrados em 22 de novembro, de 0,09%. Três produtos comandaram a arrancada do IPC-S: a batata inglesa, que ficou 20,68% mais cara, o feijão carioquinha, com alta de 22,60%, e a carne de boi, com reajuste de 5,95%. Também as hortaliças e legumes fizeram a diferença, com elevação de 2,27%.

 

A disparada dos preços levou boa parte dos analistas a rever para cima as estimativas de inflação para dezembro. Nas contas do economista-chefe da Corretora Concórdia, Elson Teles, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a meta de inflação do governo, fechará este mês entre 0,45% e 0,50%. Até uma semana atrás, as estimativas giravam entre 0,30% e 0,35%. Gian Barbosa, economista da Consultoria Tendências, também refez as contas e elevou sua projeção: de 0,35% para 0,41%. “A alta dos preços dos alimentos está mais forte do que imaginávamos”, disse Barbosa. Pela pesquisa Focus, do BB, a estimativa para o IPCA deste ano saltou de 3,83%, há quatro semanas, para 3,96%.

 

O pior, na avaliação do economista Adriano Lopes, do Unibanco, é que os consumidores ainda nem sentiram o grosso do aumento dos alimentos. A maior parte dos reajustes ainda está concentrada na indústria, que usa três dos principais grãos — soja, trigo e milho — para produzir alimentos processados. Esses grãos, que têm cotação internacional (são commodities), vêm registrando consecutivos recordes de valorização. Ou seja, a indústria certamente vai repassar parte do aumento de custos à clientela. “Com isso, as estimativas de inflação para 2008 já estão se deteriorando”, afirmou. E o resultado disso será a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 11,25% ao ano por um período mais prolongado do que o desejado. Tal indicativo será dado amanhã pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

 

Consumo menor

Diante dos fortes reajustes da carne bovina, o servidor público João Bosco Barbosa, 40 anos, decidiu substituir o produto. “Passei a comprar mais frango, porco e peixe”, afirmou. Casado e pai de um casal de filhos, um menino de 8 anos e uma menina de 12, Bosco questionou os índices. “A gente ouve dizer que a inflação está controlada, mas não creio que seja verdade. Os preços de vários alimentos estão subindo todos os dias”, reclamou. A historiadora Rosangela Fátima de Souza, 36, foi radical. Simplesmente cortou a quantidade de feijão consumida em casa, diante do encarecimento do produto, vendido por até R$ 4,50 o quilo. “O feijão está um absurdo de caro. Em vez de comprar três quilos por mês, só estou levando um para casa”, assinalou. A posição de Rosangela é seguida por vários consumidores. “Tanto que a venda do feijão caiu 33,4% em novembro ante o mesmo mês de 2006”, assinalou o gerente comercial dos supermercados Caíque, Omiro Rodrigues da Trindade.

 

Para a dona de casa Lucélia Pereira Nunes, 37, a alta dos alimentos não afetou apenas o consumo da família. Também prejudicou seu negócio. Ela costumava engordar a renda de casa fazendo pães caseiros à base de batata. Como os preços do produto avançaram além da conta, ela teve de pisar no freio. “Costumava comprar até quatro quilos de batata por semana. Agora, só compro um”, afirmou. “Para driblar esses aumentos, tive de incluir mandioca e abóbora na receita dos pães”, contou.

 

Na avaliação de Elson Teles, da Corretora Concórdia, os reajustes dos alimentos estão sendo facilitados pelo aumento da renda. “Muita gente conseguiu emprego nos últimos meses e várias pessoas que estavam empregadas tiveram reajustes acima da inflação”, explicou. O economista ressaltou, porém, que o encarecimento dos alimentos não é um fato isolado do Brasil. “É um fenômeno mundial. O consumo de proteínas aumentou, sobretudo, por causa da entrada de milhões de pessoas nos mercados de consumo da China e da Índia. Além disso, parcela importante das safras de milho e de soja está sendo usada para a produção de etanol, reduzindo a oferta dos grãos”, assinalou.

 

Gian Barbosa, da Tendências, acrescentou que os consumidores sentirão mais o impacto da alta dos alimentos daqui por diante, porque os preços do leite, que vinham em queda livre, estão recuperando as forças. “A queda no leite já não compensa mais a alta dos demais alimentos, como víamos há semanas”, frisou. Quem vai sofrer mais com os reajustes será a população pobre, com renda mensal de até seis salários mínimos (R$ 2.280). Desse rendimento, mais da metade vai para a compra de alimentos.

 

ÁLCOOL SOBE 2%

O preço do álcool hidratado nos postos brasileiros subiu, em média, 2% na semana passada e chegou a R$ 1,460 por litro, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Nas últimas quatro semanas, o combustível tem aumento acumulado de 10%, na média nacional. A alta das últimas semanas, porém, já foi suficiente para reduzir a competitividade do álcool em relação à gasolina em algumas regiões. Atualmente, a gasolina tem vantagem em sete estados: Acre, Amapá, Pará, Piauí, Rio Grande do Sul, Roraima e Sergipe. No Distrito Federal e em outros quatro estados — Amazonas, Ceará, Paraíba e Rondônia — a relação entre os preços dos dois combustíveis se aproxima do teto de 70%, após o qual o derivado de petróleo é mais vantajoso. A ANP não detectou variações significativas nos preços dos demais combustíveis pesquisados. Na média nacional, o diesel e a gasolina fecharam a semana a R$ 1,860 e R$ 2,496 por litro, respectivamente.

 

 

Reajuste maior no DF

 

Luciana Navarro

Da equipe do Correio

 

 

Adauto Cruz/CB - 18/2/06

A carne foi um dos produtos que contribuíram para a alta da cesta

 

 s produtos de primeira necessidade estão mais caros em Brasília. Pesquisa da cesta básica realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em novembro, mostra que o custo dos gêneros alimentícios subiu 6,4% na cidade em relação a outubro, maior taxa frente a outras 10 capitais que registraram aumento. Entre as 16 cidades pesquisadas, a mais cara foi encontrada em São Paulo, por R$ 205,48. Porto Alegre veio em segundo lugar, com R$ 205,18, e o Rio de Janeiro em terceiro, com R$ 194,92. Na capital federal, o preço encontrado foi de R$ 189,20.

 

Nos supermercados brasilienses, o item que teve a maior alta foi a batata: 85,57% em relação a novembro de 2006. A farinha e a carne subiram 35,12% e 12,30%, respectivamente. Mesmo com a queda registrada nas últimas semanas, o leite ainda apresenta taxa positiva de variação anual de 18,19%. O feijão subiu 34,15% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Esse foi o item que registrou maior acréscimo de preços em novembro em todas as capitais. Em Aracaju, Natal, Recife e Belo Horizonte, a variação anual foi maior que 100%. A capital sergipana foi a campeã de aumento no grão, que passou a custar 160% a mais.

 

A carne ficou mais cara em 15 capitais. O maior aumento, de 13,01% em comparação a outubro, foi registrado em Brasília e seguido de Salvador (9,46%), Recife (9%) e Natal (8,76%). A única redução, de 0,55%, ocorreu em Porto Alegre. O óleo de soja também encareceu em 15 capitais. Belém apresentou a taxa mais alta: 7%. Apenas no Rio de Janeiro o item teve queda de 0,40%. De acordo com o Dieese, o plantio de soja e de outros grãos foi prejudicado pelo mau tempo com conseqüente atraso na colheita. O preço do trigo está 50% acima do valor de um ano atrás, o que aumenta o preço do pão e da farinha. Em Brasília, esses itens subiram 4,88% e 7,21%, respectivamente, em comparação a outubro. Na variação mensal, o custo do açúcar recuou em 10 capitais e, na anual, em todas as cidades pesquisadas.

 

Por causa dos aumentos verificados na cesta básica de novembro, o tempo de trabalho necessário para a aquisição desses produtos também subiu. A jornada passou de 100 horas e 29 minutos em novembro de 2006 para 101 horas e 11 minutos no mês passado, quase duas horas a mais que em outubro deste ano.

 

 Alta no preço dos grãos

 

Luciano Pires

Da equipe do Correio

 

A valorização das commodities que tanto dói no bolso das famílias brasileiras é influenciada pela corrida mundial dos biocombustíveis e pelo aumento no consumo — puxado especialmente pela China. Produtos como milho, soja e trigo estão com os preços nas alturas. Aproveitando-se disso, alguns dos grandes bancos de investimento passaram a enxergar chances de ganhos fáceis com a compra e a venda de papéis atrelados a itens agrícolas.

 

Com o clima favorável nos países produtores, a tendência é que em 2008 o cenário se mantenha. De acordo com a assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rosemeire Cristina dos Santos, apesar de o fenômeno ser puramente especulativo, os reflexos no mercado interno já são sentidos. “No ano que vem, os preços devem continuar sustentados”, explica.

 

Para o produtor essa é uma boa notícia. Significa que quem plantou será melhor remunerado. A soja, por exemplo, está com os preços internacionais em torno de US$ 11 por bushel (medida padrão) — fato que não acontecia desde 2004. O milho, por causa da produção recorde de etanol nos Estados Unidos, vale mais do que em qualquer outro período. Já o trigo, devido à escassez em algumas regiões, também está custando mais. Fernando Pimentel, sócio da Agrosecurity, afirma que o mercado aguarda o fim das safras do Brasil e da Argentina. O especialista alerta: “Se tivermos um problema de clima, a soja vai bater recorde”.

 

<Voltar>

 

 

Folha de S. Paulo

04/12/2007

 

Commodities

Vaivém das commodities  

 

MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br

 

PREÇOS BAIXOS

"Os tempos de preços baixos dos produtos agrícolas provavelmente acabaram." A frase é do ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, que destacou ontem, em SP, o aumento da importância do Brasil no cenário externo. Os principais países exportadores têm taxas de crescimento estáveis, como os EUA (0,5%), enquanto o Brasil consegue 16% ao ano.

 

ZONEAMENTO

A partir de junho de 2008, o Brasil terá zoneamento da cana-de-açúcar, segundo Stephanes. Um conjunto de mapas vai indicar as principais áreas agroclimáticas especiais para o produto; outro, onde não se poderá plantar; e um terceiro, onde o governo recomenda o plantio -nas áreas degradadas recuperadas, por exemplo.

 

BIODIESEL

Em uma análise pessoal sobre o setor de biodiesel, Stephanes diz que o mercado vai passar por um período de ajuste. "Houve uma certa euforia e algumas precipitações de alguns empresários".

 

ESTRANGULAMENTO

A agricultura passa por um estrangulamento, na avaliação do ministro. "Apenas quatro ou cinco empresas fornecem insumos no Brasil e no mundo." E essas mesmas empresas são responsáveis pela compra da produção. O esquema tem de ser rompido, segundo ele.

 

COMO ROMPER

O governo montou um grupo de inteligência para fazer, a médio e longo prazos, propostas para romper essa situação.

 

AINDA NÃO PREOCUPA

O novo boom de investimentos hoje é na bioenergia, inclusive com aumento de participação externa. Por ora, o ministro não vê a repetição, nesse setor, do que ocorreu com o de grãos. "Mas estamos de olho, inclusive em quem compra terras. Até agora, tudo normal."

 

EM ALTA

Demanda na Ásia e oferta menor podem elevar em 50% os preços das commodities em 2008, segundo informações da corretora Schroders Plc., à Bloomberg. O equilíbrio entre oferta e demanda está muito apertado, avalia a corretora.

 

ALTA NO CAMPO

A saca de feijão, que já atingiu R$ 280 no mercado atacadista de São Paulo, segundo o IEA, continua subindo no campo. Ontem, a Safras & Mercado indicava R$ 230 para as regiões paulistas de Avaré e Barretos. Pesquisa da Folha mostrou R$ 260 no norte do Estado.

 

AFETA O CONSUMO

A alta do feijão, que poderá bater em R$ 300 por saca nos próximos dias, deve segurar o consumo. A evolução dos preços ocorre porque há redução da oferta, devido à safra menor e ao atraso na produção.

 

<Voltar>

 

Gazeta Mercantil

04/12/2007

 

Logística

Frete ficará até 50% mais caro na colheita

 

São Paulo, 4 de Dezembro de 2007 - O atraso no plantio de soja no Centro-Oeste vai concentrar a colheita em um período mais curto e inflacionar os fretes. A estimativa é de que a alta do transporte nos períodos de pico seja de 50%, quando o "normal" é um acréscimo de até 30%. Em Mato Grosso, por exemplo, estado líder na produção de soja, a janela de colheita encolherá duas semanas, para apenas 45 dias, e o volume a ser colhido somente desse grão aumentará em 1 milhão de toneladas, para 16,8 milhões de toneladas. Em todo País, a previsão na safra 2007/08 é colher 3,8 milhões de toneladas a mais de grãos, segundo estimativas oficiais.

 

O transporte de uma tonelada de soja, por exemplo, de Lucas do Rio Verde (Médio Norte de Mato Grosso) até Maringá (Noroeste do Paraná) - 1.750 quilômetros - deve valer a partir da segunda quinzena de fevereiro em torno de US$ 150, quando em janeiro (entressafra do frete) esse valor seria de US$ 100, conforme compara Cláudio Coelho Adamucho, coordenador da Câmara Técnica do Agronegócio da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística). "Em safras colhidas normalmente o aumento é de 30% entre a entressafra e a safra", compara Adamucho.

 

De acordo com levantamento da consultoria Agrosecurity, a alta no valor do frete em reais deve atingir 9%, saindo de R$ 197 em março do ano passado para R$ 215, em março deste ano, no trecho entre Sorriso (MT) e Paranaguá (PR). Mas, em dólar, esse aumento é de 30% e é a forma como o desconto ocorre para o produtor, conforme explica Fernando Pimentel, diretor da consultoria. "O que importa ao exportador é a referência cambial do frete que ele paga. E o desconto no preço ao produtor é feito também nessa moeda", detalha.

 

O diretor-executivo da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Marcelo Duarte, reforça que a maior parte dos contratos que o produtor faz com tradings é fixado em dólar. "Inclusive o desconto do frete é feito em dólar. Quando o produtor vai receber o valor pela saca em reais, é considerado o câmbio do momento, independente de o frete ter incidido em um período anterior, com o real mais valorizado", detalha Duarte.

 

Assim, explica Pimentel, da Agrosecurity, como o dólar está desvalorizado, um frete de R$ 215 representa desconto de US$ 126 por tonelada de soja, considerando um câmbio de R$ 1,70 em março de 2008. No mesmo mês de 2007, o frete de R$ 197 impactou em US$ 96,60 por tonelada de soja ao produtor, isso porque o câmbio na época era de R$ 2,06.

 

Duarte, da Aprosoja, acredita que a alta do frete não ocorrerá por causa do encurtamento da colheita. "O setor de transporte estava com margem apertada e vai aproveitar a alta dos grãos para recuperar", avalia.

 

O diretor da central de comercialização de soja, Centrogrãos, João Birkhan, explica o valor de frete estimado para a safra incidirá na produção que ainda não foi comercializada antecipadamente que, para o caso de Mato Grosso, representa 34% da safra. "Para quem fixou antes, o desconto do frete foi de cerca de US$ 105 por tonelada, mas os preços da soja também estavam menores que os de agora", diz.

 

Com a tonelada de soja valendo atualmente por volta de US$ 407 (porto), o frete passa a representar 30% do produto, um pouco menos que em igual período da safra passada (32%), quando a tonelada custava US$ 280. "O fato de o peso do frete no valor do produto ser semelhante (pois a soja também se valorizou), não significa que o produtor não perdeu. A situação piorou, sim. São quase US$ 30 dólares a menos por tonelada no bolso do produtor", diz Pimentel.

 

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Fabiana Batista) 

 

<Voltar>

 

Valor Econômico

06/12/2007

 

Economia

Mercado interno faz indústria bater recorde

 

 Ana Paula Grabois e Rafael Rosas*

  

O consumo interno aquecido causou forte alta da produção da indústria brasileira em outubro. Com a renda e o emprego em alta e condições de crédito favoráveis, o setor respondeu além do esperado e a produção cresceu 10,3% em relação a outubro do ano passado, na maior taxa desde agosto de 2004, quando ficara em 13,3%, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

 

Na comparação com setembro deste ano, a produção subiu 2,8% em termos dessazonalizados, o maior aumento desde setembro de 2003, quando houve alta de 4,6%. "Em 2007, a dinâmica do desempenho industrial está muito associada à demanda interna, embora as exportações também apresentem bons resultados", disse o coordenador de Indústria do IBGE, Silvio Sales. 

 

O coordenador do instituto ressalta a generalização da expansão do setor - 23 dos 27 ramos pesquisados apresentaram alta sobre outubro de 2006 - e a robustez dos resultados. Não somente a indústria chegou ao maior nível de produção, como os bens de capital, intermediários e duráveis também bateram em outubro o maior nível produtivo da série histórica. 

 

Sales diz que a boa distribuição da expansão se reflete ainda no índice de difusão do crescimento entre produtos industriais abrangidos pela pesquisa. Em outubro, o índice ficou em 62,5% e no acumulado do ano, a média correspondeu a 64%, taxas bem acima dos 54,6% de 2006. 

 

A expansão industrial de outubro mudou as expectativas para 2007. Se antes a previsão dos economistas variava para uma taxa em torno de 5,5%, agora a estimativa subiu para uma expansão de 6%. "Foi um resultado muito forte. A indústria vem acelerando desde o segundo trimestre e até o fim do ano deve fechar em 6% ou um pouco mais", afirmou a economista Marcela Prada, da consultoria Tendências. 

 

O resultado indica um Natal com vendas mais elevadas em 2007, diz o coordenador do IBGE, apesar dos meses de outubro e de agosto registrarem os picos anuais de produção por concentrarem as encomendas para as vendas de fim de ano. "Se a indústria se prepara, sinaliza um bom fim de ano", disse Sales, acrescentando que as sondagens com empresários já apontam para um maior aquecimento para o final do ano. 

 

A equipe de análises econômicas do Bradesco avalia que além do crédito, do emprego e da renda, a inflação baixa e o câmbio valorizado foram importantes para fomentar a demanda neste ano, ao ajudarem a manter em alta a renda real da população. Os economistas do banco ressaltam que, embora o Banco Central tenha parado de reduzir os juros nas duas últimas reuniões do Copom, a economia ainda recebe os efeitos expansivos dos cortes anteriores. 

 

Todos os gêneros industriais registraram expansão em outubro. O maior avanço ficou com os bens de capital, cuja alta chegou a 26,8% em comparação com outubro do ano passado, sinalizando a continuidade dos investimentos em máquinas e equipamentos. Todos os segmentos dos bens de capital tiveram acréscimo de produção, com destaque para os voltados para a agricultura (60,6%), energia (52,6%) e transporte (30,1%). Os bens de capital para fins industriais registraram aumento de produção de 13,2%. 

 

Segundo Sales, a agricultura entrou em fase de recuperação depois de dois anos fracos, enquanto a energia elétrica cresce desde o ano passado, refletindo também os programas de estímulo à eletrificação. 

 

Os bens duráveis, estimulados pelo crédito farto, juros mais baixos e prazos mais longos, aumentaram a produção em 18,2% na comparação com outubro de 2006. Os automóveis deram a principal contribuição nos duráveis, com elevação de 26,1% na comparação com outubro do ano passado. A indústria de eletrodomésticos também reagiu bem à demanda interna e cresceu 13,9%. 

 

Os bens intermediários, que detêm o maior peso na indústria geral, subiram 8,8% em outubro, com destaque para os insumos para a construção civil (10,2%). Outro resultado relevante nos intermediários foi obtido pelo segmento de papel e celulose, cuja alta alcançou 14,8%, depois de avançar apenas 1% nos primeiros nove meses do ano, sob a influência negativa em setembro de uma parada para manutenção de uma grande unidade da Aracruz. O bom desempenho de bens intermediários aconteceu a despeito da queda de 5,3% na produção de petróleo e gás, que sofreu com paradas e atrasos de plataformas da Petrobras. 

 

Já os bens de consumo semi e não-duráveis subiram 5,9%, puxados pelos semiduráveis (calçados, têxteis e vestuário), que cresceram 11,4% em relação a outubro do ano passado, na primeira alta de dois dígitos desde 2004, reforçando, diz Sales, a importância do mercado interno para o desempenho da indústria ao longo do ano. Nos semiduráveis, a alta mais relevante, de 5,2%, ocorreu nos alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico A economista Thaís Zara, da consultoria Rosenberg & Associados, ressalta que este ramo é menos afetado pela concorrência com os importados, que tem afetado mais a produção nacional de calçados e confecções. 

 

No ano, a indústria geral acumulou alta 5,9% e nos 12 meses encerrados em outubro, a expansão chegou a 5,3%. (* Do Valor Online) 

 

<Voltar>

Gazeta Mercantil

10/12/2007

 

Preços Agrícolas

A forte subida nos preços dos produtos agrícolas

 

 

9 de Dezembro de 2007 - escalada dos preços internacionais das commodities agrícolas é um fato. O aquecimento da economia global provocou significativa recuperação dos preços dos grãos, com reflexos nos preços do frango e das carnes bovina e suína, que aumentaram com a subida dos preços dos grãos, base das rações. No Brasil, mesmo com as safras recordes, o abastecimento interno do agronegócio enfrentou sérias dificuldades porque as cotações externas dos produtos agrícolas cresceram muito.

 

Um estudo da ONU, divulgado no começo de setembro, mostrou que o preço de alimentos e commodities alcançaram aumento de quase 50% entre 2002 e 2006. Nesse período, o açúcar subiu 114%; o arroz, 58%; café, 98%; soja, 26%; e trigo, 32%. E a tendência, segundo este estudo da ONU, é de que a alta continuará "por mais alguns anos". A subida nos preços agrícolas pressionou o custo de vida em muitos países. É fato que há uma correlação entre preços do petróleo e custo de commodities agrícolas. Diferentes pesquisas já confirmaram que os preços da soja, milho e trigo reagem sempre que as cotações do óleo sobem nos Estados Unidos. Essa correlação se acentuou com a expansão dos biocombustíveis. A corrida pela produção de biodiesel, a partir de diferentes culturas, especialmente milho para a produção de etanol, alterou ainda mais os preços relativos das principais commodities.

 

A Organização Internacional do Açúcar (OIA), com sede em Genebra, estima que o aumento da produção de etanol no mundo em 2007 será de 28%, em relação ao ano anterior. Segundo a entidade, o mundo produzirá 50,4 bilhões de litros neste ano, frente aos 39 bilhões produzidos em 2006. No Brasil, o aumento na oferta entre a safra de 2006 e a de 2007 de etanol será de 14%, segundo a OIA, evolução menor que a dos EUA, que neste ano devem ter expansão de 22% na produção de combustível em relação ao ano passado. As 126 refinarias norte-americanas devem produzir 24 bilhões de litros. Em três anos, com a entrada em operação de mais 76 refinarias, a produção deve atingir 37 bilhões de litros. Apesar dessa produção acelerada, a demanda por etanol nos EUA é bem maior que a oferta, já em 2007. Até o final do ano os EUA devem acumular um déficit de 17 bilhões de litros de etanol. E esse déficit deve se agravar. Por essa razão, no final de junho o governo Bush sancionou a Energy Bill, a lei do etanol, aprovada no Senado um mês antes. O impacto dessa lei pode ser avaliado pelo fato de que já neste ano a cultura de milho nos EUA, principal matéria-prima do etanol, já deve receber aproximadamente US$ 11,4 bilhões em subsídios. Não há dúvida de que está aberto um mercado muito alto para o etanol. Inclusive para o álcool brasileiro.

 

Esse fato já provocou sérios reflexos na produção rural do Brasil. Desde o primeiro semestre, consultorias especializadas alertam que, apesar dos preços mais altos das demais commodities, a velocidade de expansão da cana-de-açúcar afeta outras atividades agrícolas. Mesmo com todas as estimativas favoráveis de expansão do PIB agrícola, a safra 2007/2008 deve registrar aumentos de produção apenas na soja e arroz. Isso quando as vendas de tratores de grande potência, acima de 100 cavalos, que recuaram sem parar entre 2003 e 2006, neste ano tiveram alta de 71,9% em relação ao número de unidades vendidas no ano passado.

 

No final de agosto, frente ao quadro de acelerada expansão do cultivo de cana, a prefeitura de Rio Verde, no interior de São Paulo, sancionou lei para frear a cultura da cana. Muitas cidades da nova fronteira canavieira paulista iniciaram debates semelhantes, com os mesmos argumentos de RioVerde: influenciar a organização agrícola desses municípios preocupados com o monopólio da cultura canavieira. Até mesmo o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, considerou de necessidade premente o desenvolvimento de um zoneamento agrícola para o País.

 

Curiosamente, no entanto, o comércio internacional de biocombustíveis, especialmente etanol, está estagnado no mundo. O principal motivo são as barreiras que os grandes consumidores mundiais mantêm para o produto. No caso dos EUA, a importação de etanol, apesar de todas as pressões da demanda, não deve superar US$ 5 bilhões neste ano, praticamente o mesmo de 2006. Washington resiste a abrir negociações sobre essas barreiras.

 

O estudo da ONU mostrou que apenas 12% do etanol produzido no mundo é exportado e, desse total, o Brasil controla 60% dos negócios. Nesse quadro, com os preços agrícolas subindo de forma persistente, de pouco adianta culpar exclusivamente os biocombustíveis por essa escalada. Está na hora de procurar uma solução negociada entre produtores e consumidores. E cabe a Washington iniciar tais conversas, principalmente por sua condição de maior consumidor de energia do planeta.

 

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 2) 

 

<Voltar>

 

  

O Estado de S. Paulo

08/12/2007

 

Preços Agrícolas

FAO alerta para alta dos preços de alimentos em 2008

Pressão sobre a inflação deve continuar mesmo com a colheita de 2,1 bilhões de toneladas de cereais este ano

 

Jamil Chade

 

Os preços dos alimentos continuarão a pressionar em 2008 a inflação em todo o mundo, afetando principalmente os países em desenvolvimento e as camadas mais pobres das populações. O alerta é da Organização das Nações Unidas para agricultura e Alimentação (FAO) e é feito no mesmo momento em que a entidade divulga que a colheita de cereais no mundo atingirá em 2007 um volume recorde - 2,1 bilhões de toneladas. Em 2008, a produção tende a ser ainda maior.

 

Nos Estados Unidos, a safra de milho atingiu volumes recordes, com produção em alta de 25% em relação a 2006. O crescimento de um ano ao outro é também o maior já registrado e, segundo a FAO, o motivo é o boom na produção de etanol no país, o que também está contribuindo para alta nos preços de alimentos. No total, as fazendas americanas produziram 334 milhões de toneladas de milho em 2007.

 

Para 2008, a FAO estima que a produção de milho, tanto no Brasil como na Argentina, sofrerá um aumento diante dessa demanda pelo produto no mercado internacional para alimentar as usinas de etanol.

 

O problema, segundo a FAO, é que nem mesmo essa produção recorde está dando conta da demanda por trigo, milho e outros produtos. O resultado é uma alta no valor dessas commodities. No caso da América do Sul, a FAO aposta numa alta na produção de grãos no Brasil, Argentina, Uruguai e Chile em 2008. Mas alerta que a pressão sobre a inflação continuará a ser sentida.

 

Neste ano, a produção de trigo na América do Sul já foi recorde em alguns países, mas a região manterá a produção de 22,1 milhões de toneladas. O volume é 10,5% acima da taxa de 2006, considerado um ano ruim para o continente.

 

Um dos destaques de 2007 é ainda a produção recorde de grãos na China e Índia, permitindo que o crescimento mundial chegue a 4%. A produção de milho na Ásia, por exemplo, atinge um recorde de 198,1 milhões de toneladas. 207 milhões de toneladas de trigo ainda estão sendo previstas para a região, que também apresenta a maior demanda pelos produtos diante da maior renda da população.

 

O resultado foi a alta nos preços dos alimentos em vários países. Em algumas regiões, como na África, já se prevê uma queda no consumo de grãos pela população por causa dos preços. Nos últimos 12 meses, o valor da importação de grãos já atingiu um recorde. A compra de alimentos custou aos países em desenvolvimento US$ 745 bilhões neste ano, 21% a mais que em 2006, e afetou suas balanças comerciais.

 

Para 2008, a perspectiva é de crescimento da produção de trigo, com o fim dos limites na União Européia para o cultivo e as condições climáticas consideradas como adequadas.

 

<Voltar>

 

Gazeta Mercantil

12/12/2007

 

Economia Agrícola

Cenário otimista para o campo nos próximos cinco anos  

 

São Paulo, 12 de Dezembro de 2007 - Se depender das projeções para o campo, os agricultores e pecuaristas só têm a comemorar nos próximos cinco anos. Estimativas da RC Consultores apontam taxas de crescimento médias de 4,5% ao ano sendo que os produtores de carnes terão aumento superior em 2008 e 2009. O desempenho é melhor que os cinco anos anteriores, quando houve, inclusive, taxa negativa.

 

"O cenário internacional é favorável para o setor", avalia o economista Fábio Silveira, da RC Consultores. Segundo ele, a perspectiva do uso de grãos para a produção de biodiesel tem elevado as cotações das commodities agrícolas, que devem se manter em patamares superiores aos históricos, além de o crescimento do consumo de proteínas, sobretudo nos países emergentes são os fatores determinantes para este otimismo. "No caso das carnes, o crescimento só não é maior por causa do protecionismo, colocado até por meio de barreiras sanitárias", conclui Silveira. Segundo ele, este é o principal entrave ao setor. Atualmente, o País não tem acesso a importantes mercados por questões sanitárias, apesar de boa parte do Brasil ser, por exemplo, livre de febre aftosa. Ele cita como protecionismo, além dos embargos recorrentes por condições sanitárias, os subsídios à produção na Europa e barreiras tarifárias.

 

Apesar dos fatores negativos, ele acredita que entre as carnes, as aves são as que tendem a ganhar mais espaço nos novos mercados, ou seja, os países emergentes. E, por isso, podem ter crescimento de produção superior à média. Segundo ele, além de ser uma carne ,mais magra é mais "adaptável" aos padrões de consumo das novos mercados.

 

"Há uma combinação favorável de mercado e externo, aliada `alta competitividade e, no caso da bovinocultura, um potencial de áreas de pastagem", afirma. Pelas estimativas da consultoria, a taxa de crescimento entre 2008 e 2012 só perde para a registrada neste ano: 5,5%. Mas é bem superior aos cinco anos anteriores, quando chegou a registrar queda de 0,9%.

 

Pelas projeções da RC Consultores, a agricultura cresce nos próximos anos estimulada pelas cotações dos grãos. Desta forma, haverá aumento tanto de área quanto de produtividade - apesar de que ele disse ter sido conservador. As estimativas da empresa apontam para uma produção de 140 milhões de toneladas de grãos em 2008, chegando a 180 milhões em 2012. O cenário para a agricultura mostra ainda números surpreendentes para o milho - estimulado pelo uso do grão nos Estados Unidos para a produção de etanol. Enquanto a safra de soja passará de 58 milhões de toneladas para 80 milhões, a de milho sairá de 54 milhões de para 70 milhões, na mesma comparação. Por isso, pelas projeções de Silveira, em 2012 o País terá dobrado a exportação de milho, de 10 milhões de toneladas para 20 milhões de toneladas. Mais que a taxa média das exportações globais que, de acordo com o economista, deve crescer no mesmo ritmo do aumento da produção projetada para o período. Os patamares mais elevados das cotações dos grãos também vão elevar a renda do setor. A consultoria indica uma receita de R$ 150 bilhões no ano que vem, ante a R$ 123 bilhões projetados para 2007.

 

Segundo os números da RC Consultores, o crescimento entre 2008 e 2012 será o maior dos últimos cinco anos, mantendo-se em taxas estáveis. Neste ano, a projeção é de 4%, mas chegou a minguados 0,8% em 2005.

 

"Outro fator que vai fazer a agricultura dinamizar é a expansão da frota de veículos flex", afirma o economista. Pelas projeções da RC Consultores, a produção de álcool, por exemplo, passará de 18 bilhões para 25 bilhões de litros em 2012.

 

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Neila Baldi) 

 

<Voltar>