CLIPPING RURAL – CNA

EXPORTAÇÃO

 

 

Na rota da diversificação

 

Agroindústria

 

Geddel Vieira Lima: União internacional para soluções   

 

Café 4C começa a ser comercializado

 

Oferta maior derruba cotação do algodão 

 

Pratini: "Não pretendemos derrubar preços. Queremos apenas competir" 

 

Piraju quer ser referência em café

 

Prestígio no exterior: Paulo do Carmo Martins

 

Receita com embarques de café sobe 22%

 

Exportação do campo soma US$ 57 bi em 12 meses

 

Avança o ritmo de venda de café da safra 2007/08

 

Desencontro entre números provoca troca de acusações

 

Chuva traz boa perspectiva ao café

 

Governo rechaça idéia de taxar as exportações

 

Expansão da cana substitui culturas tradicionais em SP

 

Sem cana, EUA usam milho.

 

Estoques de café do governo vão zerar 

 

Embarque de carne suína do Brasil para a China ainda parece distante 

 

"Brasil não tem como exportar mais álcool”

 

Soja e carnes 'disputam' liderança na exportação

 

Valor Econômico

31/08/2007

 

Agroindústria

Na rota da diversificação

  

Por Marli Lima

 

Há um dito sobre o Paraná que até economistas experientes costumam usar: as cooperativas agrícolas costumam servir de termômetro da economia do Estado. Isso quer dizer que vem dessas gigantes do agronegócio, que devem faturar R$ 15,5 bilhões em 2007, o primeiro sinal mensurável sobre a saúde financeira das empresas e cidadãos paranaenses. Normalmente, lugares-comuns como esse são apenas frases de efeito que costumam ser repetidas até fazerem sentido. No caso das cooperativas, no entanto, a sentença parece estar certa. 

 

Depois de enfrentar dois anos de estiagem e perder vendas de carne por conta da febre aftosa, os dados deste ano servem para dar uma amostra do que vem por aí. A previsão da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) é que 2007 supere o melhor ano das exportações do setor, que foi 2004. Naquele ano, as cooperativas paranaenses venderam US$ 992 milhões para o exterior. Para 2007, a expectativa é chegar a US$ 1,25 bilhão. A cotação do dólar, apontada por lideranças de todo o país como o grande entrave para a produção agrícola, ficou de lado: graças aos bons preços das commodities agrícolas, o campo está vencendo o câmbio. 

 

"A agroindústria tem um impacto multiplicador. As conseqüências de um bom resultado se espalham pelo comércio e pelos serviços", explica Gilmar Mendes Lourenço, economista e pesquisador do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Dados do IBGE, divulgados em agosto, atestam sua declaração. Segundo o instituto, graças ao agronegócio, a indústria "urbana" do Estado teve em 2007 o melhor semestre dos últimos dez anos. A produção industrial cresceu 7% no período janeiro-junho. Na ponta desse aumento, puxando a fila, vêm o que o IBGE classifica como "outros produtos químicos", veículos automotores e máquinas e equipamentos. Trocando em miúdos, o crescimento industrial do Paraná deve muito ao bom momento das fábricas de colheitadeiras, implementos agrícolas, adubos e fertilizantes. 

 

Recordes também aparecem nos dados da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). No primeiro semestre, a receita das vendas industriais cresceu 10,39% em relação ao mesmo período de 2006. O resultado é o melhor desde que a federação começou a compilar estatísticas conjunturais, em 1986. Lideram a pesquisa os grupos de máquinas e equipamentos (22,9%), confecção e artigos do vestuário (21,5%), fabricação de veículos automotores (18,6%) e produtos alimentícios e bebidas (17,5%). 

 

De acordo com o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, os empresários esperam em 2007 superar pela primeira vez o resultado de 2002, o mais significativo em termos de crescimento real até agora. "Ficamos cinco anos sem crescimento.", afirmou o empresário, que também credita boa parte do resultado à agricultura. "Quando ela vai bem, puxa outros setores da economia." Com esse cenário, a geração de emprego também cresceu. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, o Estado gerou 105,3 mil empregos formais de janeiro a julho, número quase 37% maior que o obtido em igual período de 2006. O Caged mostra que o interior foi responsável por 73,6% dos novos empregos, enquanto a região metropolitana de Curitiba respondeu por 26,4%. 

 

O campo é uma parcela importante da economia local e está passando por uma boa fase, mas não é só nele que as coisas estão acontecendo no Paraná. A Secretaria Estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul fez um levantamento com os maiores investimentos anunciados nos últimos anos. Um dos principais é o da ampliação da Refinaria Presidente Vargas (Repar), em Araucária. Serão US$ 2,5 bilhões em cinco anos, que resultarão em 19 novas unidades na usina, para produção de coque de petróleo, gasolina, diesel e outros derivados. 

 

Outro grande investimento em andamento é o da Klabin, em Telêmaco Borba, onde a empresa está usando US$ 850 milhões para ampliar sua unidade de produção de papéis-cartões. Também na área embalagens, do tipo longa vida, o grupo suíço-alemão Sig Combibloc vai instalar uma fábrica em Campo Largo, vizinho da capital, que custará cerca de R$ 270 milhões. A lista inclui ainda investimentos da Sadia, no oeste, e de empresas de ramos bem distintos, como sucroalcooleiro, em especial no noroeste, e de informática e tecnologia da informação, na região metropolitana de Curitiba. 

 

Foi a Piraquara, vizinha da capital, que o presidente Lula veio na semana passada anunciar investimentos federais de R$ 1,066 bilhão para as áreas de saneamento e urbanização de favelas. O local escolhido foi uma antiga área de ocupação, o Jardim Guarituba. Os recursos fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que deve destinar ao Estado cerca de R$ 10 bilhões em obras de infra-estrutura, como melhorias no aeroporto Afonso Pena e no Porto de Paranaguá. 

 

A esse valor devem ser somados outros R$ 18,2 bilhões que foram incluídos na Política de Desenvolvimento Econômico (PDE), apelidada de PAC do Paraná. Ou seja, o Paraná tem dois PACs em andamento. O programa estadual de investimentos, que vai até 2010, foi apresentado seis meses depois do programa federal. De acordo com o secretário de Planejamento, Ênio Verri, "trata-se de um salto de qualidade" para o Paraná. 

 

O secretário explicou que, por orientação do governador Roberto Requião (PMDB), o Estado radicalizou na opção pelos pobres e isso foi levado em conta na PDE, que deve privilegiar municípios com os menores índices de desenvolvimento econômico e social. 

 

Verri contou que foi feito um levantamento técnico nos 399 municípios do Estado para traçar um perfil econômico Para a realização dos investimentos o Paraná foi dividido em seis regiões. A Leste, que inclui Curitiba, a região metropolitana e o litoral, receberá 21,72% do total. O Centro Expandido, onde se encontra a região mais pobre, ficará com 10,81%. Em seguida vêm o Norte (8,45%), Noroeste (5,85%), Oeste (5,33%) e Sudoeste (2,96%). O secretário explicou que o restante refere-se a investimentos transversais, que beneficiam todos os paranaenses. 

 

Os recursos virão dos orçamentos da administração direta e indireta e autarquias, mas a maior quantia, no valor de R$ 11 bilhões, será aplicada por estatais. O maior volume será da Copel, empresa de energia que deve usar R$ 4,6 bilhões no período, em especial na usina hidrelétrica de Mauá, que custará R$ 950 milhões. Ela também estuda a construção, em conjunto com a iniciativa privada, de um alcoolduto de Maringá até Paranaguá. 

 

Para a Sanepar, companhia de saneamento, está previsto R$ 1,339 bilhão. Os portos de Paranaguá e Antonina investirão R$ 942 milhões. A Companhia de Habitação (Cohapar) deve colaborar com R$ 591 milhões. Para as áreas em que existem vinculações constitucionais, como educação e saúde, serão destinados R$ 2,368 bilhões. Segundo Verri, trata-se de um plano conservador, que pode ser ampliado caso haja aumento da receita corrente líquida. 

 

O governo prometeu também financiar a iniciativa privada. O volume de créditos previstos aos empresários nos próximos três anos e meio pode chegar a R$ 3,25 bilhões, sendo R$ 2,72 bilhões por meio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), um dos maiores repassadores de recursos do BNDES do país, e R$ 530 milhões da Agência de Fomento do Paraná. 

 

O Paraná segue a caminhada rumo à diversificação de sua economia para não ser tão dependente da soja. De 1996 a 2001, viveu um grande ciclo de investimentos com a chegada de montadoras de automóveis, atraídas principalmente por incentivos fiscais. Hoje, incentivos são dados preferencialmente a micro e pequenas empresas. Mas a mudança se dá aos poucos. Tanto no campo como nas cidades os paranaenses continuam a olhar para céu, para ver se chove, e para o mercado internacional de grãos, para saber quanto será pago por seu principal produto. Em 2007, o Estado colheu cerca de 11,8 milhões de toneladas de soja, 26% a mais que no ano passado.

 

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Estado de Minas

31/08/2007

Agroindústria

 

Agroindústria 

As exportações da agroindústria de Minas Gerais cresceram 18% nos sete primeiros meses do ano. Os bons resultados de culturas como café (foto) e cana-de-açúcar, além do chamado complexo carnes e os laticínios, deram as maiores contribuições para que as vendas atingissem US$ 2,69 bilhões entre janeiro e julho. Na média nacional, o aumento foi de 16%. O levantamento, feito pela Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária, mostra que o setor começa a se recuperar depois da crise de 2004 e 2005. A importância das indústrias cafeeira e de carne dentro da pauta de exportação de Minas garantiu US$ 1,4 bilhão e US$ 335 milhões.

 

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Folha de S. Paulo

30/09/2007

 

Opinião

Geddel Vieira Lima: União internacional para soluções   

A cooperação proposta pela UE exige do Brasil trabalho de amplitude e participação capilarizada dos administradores públicos

 

QUANDO, EM julho passado, a União Européia conferiu ao Brasil o estatuto de "parceiro estratégico privilegiado", o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, logo anunciou a vontade da UE de ouvir dos brasileiros propostas de cooperação sobre os diferentes temas de interesse global, como combate à pobreza, mudança climática, energia renovável.

 

No dia 9 de outubro, estarei em Bruxelas representando o Brasil com idéias objetivas para fazer prosperar essa importante parceria no tema do desenvolvimento regional e sua dimensão internacional. O diagnóstico que apresentarei em nome do presidente Lula é claro: as ações de desenvolvimento regional capazes de, ao mesmo tempo, conquistar mercados e promover inclusão social são aquelas que geram emprego principalmente pelo aproveitamento das vocações econômicas locais.

 

Por esse caminho trilham pequenos empreendedores do país, que, mesmo nem sempre contando com o devido apoio das organizações do Estado brasileiro, operam o milagre da geração e distribuição da renda, apoiando o combate às assimetrias nacionais, com resultados internacionalmente reconhecidos.

 

No Ministério da Integração Nacional, temos experimentado essa articulação criativa, forjada na estruturação de economias locais em padrões competitivos, por meio de práticas solidárias e gestão participativa, exercitadas nos chamados arranjos produtivos locais (APLs).

 

Pelos APLs, comunidades que antes viviam economicamente excluídas e se situavam socialmente à margem da sociedade brasileira conquistam, por meio de ações produtivas organizadas, uma vida mais digna. Em Irecê (Bahia), por exemplo, dezenas de famílias que viviam do lixão foram instruídas sobre como operar uma cooperativa de reciclagem. Passaram a ter renda e moradia, mais saúde e educação, enquanto ajudam, com seu trabalho, a despoluir o ambiente e desenvolver indústrias regionais.

 

Temos estimulado APLs em todo o país com enorme variedade de mercados. Criando peixes, fazendo artesanato, beneficiando mel, fabricando farinha, milhares de brasileiros começam a participar do desenvolvimento regional e ampliar as divisas do país pela exportação de produtos típicos das suas localidades, como fibras de sisal, flores, frutas e até cachaça.

 

A perspectiva é de expansão. Só neste ano, o governo federal está cadastrando mais de 3.700 pequenos exportadores nos registros do comércio exterior que operam pelo sistema simplificado, via Correios ou serviços de "courrier". Com a inclusão desses microempreendimentos nas estatísticas, poderemos observar as regiões mais exportadoras e quais produtos têm perfil apropriado para atender a essas iniciativas locais, para que possamos ampliar incentivos à criação de novos APLs.

 

Chegaremos a Bruxelas amparados por esse contexto de vasto futuro para a gestão de nossas regiões. Levando inclusive nosso pioneirismo e força crescente no mercado dos biocombustíveis, um produto que tanto é fundamental aos interesses globais de combate ao efeito estufa como é plenamente adaptável à eficiência e à economia que os APLs representam.

 

Com o processo de certificação em curso, para carimbar os biocombustíveis produzidos de forma sustentável, ampliaremos ainda mais as condições de atrair investimentos estrangeiros em APLs ligados ao setor de energia renovável.

 

Produzir mamona, dendê, cana-de-açúcar e outras matérias-primas do biocombustível, conforme as normas internacionais, de respeito ao meio ambiente e de desenvolvimento social dentro da cadeia produtiva, significa ingresso seguro no grande mercado que se abre, sobretudo depois da decisão européia de substituir, até 2010, 10% dos combustíveis fósseis por biocombustível.

 

A cooperação proposta pela UE exige do Brasil trabalho de amplitude e participação capilarizada dos administradores públicos. Daí a importância da presença dos diversos atores regionais -prefeituras, Sebrae, federações de indústrias, ONGs- no levantamento das vocações econômicas locais e na apresentação de propostas de novos APLs ao governo federal, por meio do Ministério da Integração Nacional.

 

A medida do sucesso dessa privilegiada parceria estará na nossa capacidade de aproveitar as excepcionais condições postas para reduzirmos a pobreza e as desigualdades -as questões globais que mais nos afligem.

 

Precisamos estar unidos para construir uma integração internacional que tenha, sim, base econômica, mas que também se baseie no anseio humano por um mundo mais equilibrado, coerente e justo.

 

 

GEDDEL QUADROS VIEIRA LIMA, 48, administrador de empresas, pecuarista e cacauicultor, deputado federal pelo PMDB-BA (licenciado), é o ministro da Integração Nacional

 

O Estado de S. Paulo

03/10/2007

 

Café

Café 4C começa a ser comercializado

 

Depois de quatro anos de elaboração e organização, o café produzido com princípios do Código Comum para a Comunicade Cafeeira, conhecido como 4C, deverá ser comercializado no mercado internacional a partir deste mês. Até agora, o Brasil desponta como o país com maior número de produtores no programa. A Cooxupé (MG), maior cooperativa de café do mundo, e a Cocapec (SP) participam do programa desde a sua elaboração, tendo participado do projeto-piloto de verificação e adequação ao código. Site: www.sustainable-coffee.net

 

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O Estado de S. Paulo

10/10/2007

 

Algodão

Oferta maior derruba cotação do algodão 

 

Alexandre Inacio

 

A valorização dos preços do algodão, acumulada ao longo de setembro, se perdeu em apenas dez dias. Entre os dias 20 de setembro, quando o indicador Esalq alcançou a maior cotação desde maio deste ano, chegando a R$ 1,1994, e a quarta-feira da semana passada, a queda nos preços foi de 1,3%.

 

A demanda das indústrias e dos comerciantes, que vinha mantendo os preços da pluma na casa de R$ 1,19 por libra, foi substituída por um aumento excessivo da oferta dos produtores. Mesmo com o término da colheita em agosto e o aumento da disponibilidade, as cotações no mercado interno permaneciam em trajetória ascendente. Naquela época, os produtores estavam dando prioridade ao cumprimento de contratos de exportação e destinando os primeiros fardos beneficiados para os portos, deixando o mercado interno em segundo plano.

 

Com boa parte dos contratos de exportação cumprida, os produtores passaram a aumentar a disponibilidade de pluma no mercado interno nos últimos dez dias. A estratégia começou a pressionar as cotações domésticas, uma vez que a demanda da ponta compradora ainda não está tão aquecida. Aliada a esse fator, a chegada do fim do mês obrigou os produtores a fazer caixa para cumprir os compromissos de curto prazo.

 

No mesmo período que o indicador Esalq caiu 1,3%, o preço do algodão em Nova York apresentou retração de 2,22%. Os valores dos contratos para dezembro passaram de 64,87 centavos de dólar por libra-peso no dia 20 de setembro para 63,43 centavos até o fechamento do pregão de sexta-feira.

 

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Valor Econômico

16/10/2007

 

Pecuária de Corte

Pratini: "Não pretendemos derrubar preços. Queremos apenas competir" 

 

De Colônia

 

Nelson Perez/Valor

Presidente da Abiec, Pratini de Moraes defendeu a carne brasileira em entrevista a jornalistas europeus na feira de Anuga

 

 

O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Bovina (Abiec), Pratini de Moraes, afirmou ontem em entrevista a jornalistas europeus e brasileiros na feira de alimentos de Anuga, em Colônia (Alemanha), que o Brasil não pretende derrubar os preços da carne na Europa, como acusam pecuaristas da Irlanda, principalmente. 

 

"Queremos apenas competir no mercado europeu", afirmou. A declaração de Pratini vem em um momento de expectativa para o segmento exportador de carne: pressionada por pecuaristas irlandeses e do Reino Unido, que vêem falhas na rastreabilidade do gado brasileiro, a União Européia anunciou que pode embargar a carne bovina do Brasil se suas exigências em relação a controles não forem implementadas até o fim deste ano. 

 

Pratini estará hoje em Bruxelas acompanhando o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, que terá encontro com membros do Parlamento Europeu e o comissário da área de saúde da UE, Markos Kyprianou. Aos jornalistas, entre eles irlandeses, o presidente da Abiec fez uma apresentação didática sobre a pecuária brasileira, rebatendo acusações acerca da sanidade da carne brasileira e de que a pecuária estaria avançando sobre a Amazônia. "O gado criado na Amazônia é para consumo local", sustentou. 

 

Pratini explicou aos jornalistas a diferença entre os conceitos de Amazônia Legal e floresta amazônica. O primeiro, disse, foi criado para definir uma região que teria direito a incentivos fiscais da antiga Sudam e abrange uma área de 5 milhões de hectares. Já a área de floresta é de cerca de 3,5 milhões de hectares. 

 

O dirigente também apresentou os números grandiosos da pecuária brasileira, que costumam assustar criadores de países menores. Com um rebanho de 207 milhões de cabeças de gado (21% do total mundial), o Brasil produziu 8,95 milhões de toneladas de carne em 2006, 16% do total produzido no mundo, e exportou 2,4 milhões de toneladas (32% do total). "Um em cada três quilos de carne bovina consumido no mundo é brasileira, e estamos em 150 mercados", afirmou. 

 

Ele fez questão de enfatizar que o Brasil nunca teve casos de "vaca louca" - doença que persiste no Reino Unido e Irlanda - porque o gado é alimentado basicamente a pasto e que o uso de hormônios na criação é proibido no país. Sobre rastreabilidade, alvo preferido dos irlandeses, Pratini garantiu que toda a carne brasileira exportada é rastreada. 

 

Pratini de Moraes aproveitou para reclamar das taxas que os europeus impõem à carne brasileira, como a tarifa de 176% sobre cortes in natura. Mesmos com as taxas elevadas, a UE foi, em valor, o maior mercado para o Brasil no ano passado, com compras de aproximadamente US$ 1 bilhão. 

 

O presidente da Abiec também reiterou na Europa algo que tem repetido muito no Brasil desde que foi ministro da agricultura, de 2000 a 2002: "Barreiras sanitárias são o novo nome do protecionismo". E disparou: "Estamos cheios das restrições a nossa carne". 

 

À pergunta de um jornalista da Irlanda do Norte, que o questionou sobre que decisão esperava da UE acerca das exportações de carne ao bloco, Pratini respondeu, em tom exaltado, não acreditar que a UE mudaria suas regras por causa da pressão. 

 

Em conversa com o Valor, outro irlandês, do Irish Farmers Journal, publicação que tem criticado a carne brasileira, disse que pessoalmente "não tem problemas com a sanidade" do produto do Brasil. E admitiu que "o problema é que os pecuaristas irlandeses estão tendo perdas com a carne" devido aos maiores custos com controles do rebanho. Por isso, temem o efeito da oferta de carne brasileira no mercado europeu. (AAR) 

 

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O Estado de S. Paulo

17/10/2007

 

Café

Piraju quer ser referência em café

Grupo investe no plantio de 3,7 milhões de cafeeiros, que produzirão grãos especiais para exportação

 

Venilson Ferreira

 

A união entre quatro médicos paulistas e um agricultor de Piraju (SP) promete mudar o perfil da cafeicultura da região e torná-la referência em café de qualidade. O projeto começou há cinco anos, quando os médicos Rafael Colella, Fábio Nastari, Sérgio Domingues e Fernando Ghilardi se uniram ao cafeicultor Osvaldo Vieira para fundar a Unimesp Agropecuária.

 

O investimento para o plantio de 3,7 milhões de cafeeiros, dos quais 2,5 milhões já estão plantados, é de R$ 30 milhões. O restante será cultivado em dois anos, totalizando 1,4 milhão de hectares. Neste ano, a empresa colheu a primeira safra: 12 mil sacas de arábica, em 480 hectares espalhados em três fazendas, em Piraju, Sarutaiá e Timburi. Na próxima safra a colheita prevista é de 15 mil sacas e, ao fim do processo, deve atingir 50 mil sacas, com faturamento anual de R$ 10 milhões, considerando o preço médio de R$ 200/saca. Desde o início, os produtores visam à produção de café especial para exportação. Para isso contaram com a consultoria holandesa Utz Certified e a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

 

NEGÓCIOS DIRETOS

 

Nesta primeira safra, apenas 10% serão exportados, para os Estados Unidos. A intenção é fechar negócios diretamente com importadores e exportar 20 mil sacas em 2009, principalmente para os mercados asiáticos, como o Japão.

 

Segundo o sócio Rafael Colella, o processo de produção do café especial segue os parâmetros exigidos no exterior em relação ao manejo, que resulta na qualidade do grão, e ao respeito às questões sociais, trabalhistas e ambientais.

 

Na colheita deste ano, 60% da produção foi de cereja e despolpado. O controle de insetos é feito por meio do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que possibilitou redução de 60% no uso de agrotóxicos em relação à média da região. A contagem de pragas, feita por amostragem antes da aplicação do defensivo, revelou maior economia no controle do bicho-mineiro, que teve redução de 75% no uso do agrotóxico.

 

Os trabalhadores, todos registrados em carteira, foram treinados para se adaptar ao sistema de produção, alguns até com alfabetização.

 

Colella reconhece que é difícil, no curto e médio prazos, tornar a região de Piraju um centro de excelência em cafés especiais. Ele acredita que, no longo prazo, com a divulgação das novas técnicas, será possível homogeneizar o manejo das lavouras e chegar a um café com padrão especial, para então pensar em um certificado de origem Piraju.

 

CERTIFICAÇÃO

 

Segundo o cafeicultor Oswaldo Vieira, do total de 20 grandes produtores existentes na região de Piraju, apenas um, além da Unimesp, tem certificação de qualidade. No total, na região, há cerca de mil cafeicultores, que cultivam 20 mil hectares e colhem 300 mil sacas de café beneficiadas.

 

Vieira afirma que a intenção é não só criar um selo de qualidade como uma nova marca e um processo de torrefação que seja referência da região. O grupo pretende nos próximos cinco anos ampliar o investimento, com aquisição de outras propriedades. A projeção depende tanto da lucratividade do mercado de café quanto da valorização das terras da região, que, embora ainda tenham a cafeicultura como principal atividade, nos últimos anos têm recebido investimentos na área do turismo rural e ecoturismo.

 

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Estado de Minas

04/11/2007

 

Opinião

Prestígio no exterior: Paulo do Carmo Martins

 

 

O prestigiado jornal The New York Times (2/10), em matéria de página inteira, atribuiu à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) o fato de o Brasil ser superpotência agrícola, citando técnicos do Banco Mundial, o ex-secretário de Estado norte-americano Colin Powel e o ganhador do Prêmio Nobel da Paz, cientista Norman Borlaug. Na sua juventude, você se lembra de que carne de frango era cara e rara, era prato de domingo. Lembra-se da carne de boi, dura e cara, que laranja, melancia e abacaxi eram disponíveis somente num período curto do ano. Você não conhecia soja. Hoje, tudo é diferente e isso não caiu do céu. Foi resultado da visão de uns poucos brasileiros, chamada de exótica nos anos 1970. Sonharam criar uma agricultura com as nossas características sociais, ambientais e econômicas, num país de Terceiro Mundo.

 

Recentemente, perdemos o nosso primeiro presidente, Irineu Cabral, que, na visão do cientista e pensador Eliseu Andrade, era “paciente, hábil, competente no conciliar as demandas do curto e do longo prazos, firme no seguir a rota traçada, sem fazer concessões que comprometessem os fundamentos da Embrapa, sempre pronto ao diálogo com o mundo do poder e da política, mas dentro do paradigma do interesse maior da sociedade”. Herdamos esses valores.

 

Neste mês, encerramos as comemorações dos 30 anos da Embrapa Gado de Leite, que se iniciou com a visita do ex-presidente e ex-governador Itamar Franco. Como presidente da República, ele lançou a pedra fundamental de nossa sede, em Juiz de Fora, acompanhado de Mauro Durante, que, poucos sabem, era dos quadros da Embrapa. E terminamos as comemorações dos 30 anos apresentando resultados, lançando novas variedades de gramíneas e colocando à disposição dos pequenos produtores uma nova tecnologia premiada para se produzir leite de qualidade.

 

Há três pilares que sustentam o sucesso da Embrapa: 1) separamos política de política – na língua inglesa existe esta diferença, com policy sendo a política feita com bases técnicas para viabilizar mudanças (política econômica, agrícola), enquanto que politics refere-se ao confronto de forças de poder para viabilizar interesses, uns legítimos e outros nem tanto, e na Embrapa, fazemos policy; 2) a continuidade – o sistema de gestão da Embrapa é premiado e reconhecido, em qualidade e eficiência, nada deve ao do setor privado, com as decisões não sendo personalistas; 3) tudo o que fazemos é em parceria. Por isso, apenas uma pequena correção na matéria do The New York Times. Esta láurea é também das universidades, institutos de pesquisa e setor produtivo. Sem essa união, estaríamos como os demais países do Terceiro Mundo. Mas, juntos, todos os brasileiros colhemos os resultados: o Brasil, superpotência agrícola, graças à tecnologia, como deu no influente jornal norte-americano.

 

*Chefe da Divisão Gado de Leite da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) 

 

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Valor Econômico

06/11/2007

 

Café

Receita com embarques de café sobe 22%

 

De São Paulo

 

As exportações brasileiras de café renderam US$ 3,141 bilhões nos primeiros dez meses do ano, um crescimento de 22% sobre igual período de 2006, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Em volume, os embarques tiveram alta de 6,6%, para 22,967 milhões de sacas de 60 quilos. Em outubro, as vendas externas somaram US$ 423,2 milhões, alta de 26,6%. Os embarques foram de 2,790 milhões de sacas, alta de 0,3%. 

 

A Alemanha continua sendo o principal mercado do café brasileiro, seguida por EUA e Itália. 

 

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Valor Econômico

09/11/2007

 

Agronegócio

Exportação do campo soma US$ 57 bi em 12 meses

 

 De Brasília

 

As exportações brasileiras do agronegócio dos primeiros dez meses de 2007 foram 19,4% superiores a igual intervalo de 2006. Empurradas por expressiva elevação nos embarques de carnes (31,1%), complexo soja (22,7%) e sucos de frutas (59,2%), as vendas somaram US$ 48,84 bilhões até outubro. O superávit comercial positivo nesses dez meses atingiu US$ 41,8 bilhões, conforme o Ministério da Agricultura. 

 

Os embarques dos últimos 12 meses terminados em outubro deste ano somaram US$ 57,37 bilhões, um desempenho 18,8% superior aos 12 meses anteriores, até outubro de 2006. Por outro lado, as importações dos últimos 12 meses foram 31,7% superiores ao período anterior, somando gastos totais de US$ 8,36 bilhões. O superávit comercial somou US$ 49 bilhões. 

 

Quando analisadas de forma separada, as exportações realizadas no mês passado ultrapassaram US$ 6 bilhões, um novo recorde para o período, segundo o governo. O volume embarcado ficou 24,6% acima de outubro de 2006. As importações também foram as maiores já registradas: US$ 880,9 milhões, ou 33% acima de outubro de 2006. O superávit registrado em outubro somou US$ 5,1 bilhões. 

 

De acordo com dados da Secretaria de Relações Internacionais do ministério, a elevação dos preços internacionais beneficiou as vendas de produtos como soja, cereais e carnes, os principais responsáveis pela expansão das exportações do agronegócio no mês passado. No complexo soja, o país vendeu US$ 1,21 bilhão em outubro - 65% superior às exportações de outubro de 2006. A elevação de 44,4% na cotação foi o principal fator para este crescimento. 

 

Os exportadores do complexo carnes venderam 25,2% a mais do que em outubro de 2006. O total embarcado somou US$ 1,08 bilhão. A quantidade embarcada aumentou 10,4% e os preços subiram 13,4%. Em frango in natura, foram embarcados US$ 405,5 milhões (43,5%). Em cereais, sobretudo milho, a expansão chegou a espantosos 523%. As vendas de fumo cresceram 110,5% no mês passado. 

 

De outro lado, continuaram a recuar as vendas do complexo sucroalcooleiro. Em outubro, a queda somou 40%. Com preços do açúcar 24% inferiores, o volume exportado ficou 14,8% menor. Em valores, o retração foi de 35,3% no mês. As receitas com as exportações de álcool tiveram uma redução de 53,1%. A explicação está no recuo de 22,4% nas cotações, o que forçou uma queda de 39,6% no volume embarcado. (MZ) 

 

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Valor Econômico

20/11/2007

 

Café

Avança o ritmo de venda de café da safra 2007/08

 

De São Paulo

 

O ritmo de venda da safra 2007/08 está mais acelerado em relação ao ciclo anterior. Até o final de outubro, os produtores tinham negociado 57% da produção, ante 48% em igual período da safra 2006/07, segundo o relatório da Safras&Mercado. 

 

A Safras&Mercado estima uma oferta de 36,5 milhões de sacas de 60 quilos, dos quais 20,74 milhões de sacas já estariam comprometidas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma oferta de 32,6 milhões de sacas. 

 

Em outubro, os volumes de vendas foram maiores, com a maior volatilidade da commodity nas bolsas internacionais. No mercado interno, os preços da commodity também se recuperou, segundo informou a Safras. 

 

De acordo com a consultoria, os produtores de café também aproveitaram para escoar o produto de safras mais antigas. 

 

Neste ano até o início deste mês, o Ministério da Agricultura já realizou 20 leilões de café de sues estoques oficiais. Foram ofertadas 940 mil sacas do produto e arrematadas 896.469. O total apurado foi de R$ 180,9 milhões, que são repassados ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). 

 

Apesar do ritmo de comercialização mais acelerado em relação ao mesmo período de 2006/07, os produtores estão puxando o freio nas vendas, na expectativa de que as cotações do grão possam subir mais. Os preços do café tiveram forte recuperação em setembro por conta da seca, mas voltaram a cair após o período de chuvas. 

 

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Gazeta Mercantil

21/11/2007

 

Café

Desencontro entre números provoca troca de acusações  

 

São Paulo, 21 de Novembro de 2007 - A queixa feita pelo diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC), Néstor Osorio, na semana passada, de que há um grave erro nas estatísticas da produção brasileira de café rendeu uma troca de acusações entre produtores, torrefadoras e governo. O secretário de produção e agroenergia do ministério, Manoel Vicente Bertone prometeu fazer uma rígida fiscalização na cafeicultura para corrigir os possíveis erros nas estatísticas, que são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

 

A distorção, segundo Bertone, estaria sendo provocada pela indústria que em vez de café estaria adicionando palha ou outras impurezas ao produto que vendem no mercado interno. "Pode existir erros em vários lugares, pode ser que os dados da Conab, sobre consumo, estejam imprecisos. Ou seja, podemos estar consumindo palha misturada ao café", disse Bertone à Gazeta Mercantil, depois de fazer sua palestra no 15 Encafé, promovido pela Associação Brasileira da Indústria de café (Abic), em Porto de Galinhas, em Ipojuca (PE). "Vamos futucar (a indústria)", reforça Bertone.

 

Já analistas de mercado e exportadores acreditam que os erros estejam na produção e, por isso, subestimam os dados da Conab. Os números atuais sobre consumo, produção, exportações, existentes no mercado não batem.

 

E a indústria revida a acusação do secretário do ministérrio. "Fazemos o monitoramento do setor há 18 anos, por meio do Selo de Pureza Abic", disse o diretor-executivo da associação, Nathan Herszkowic. "Nosso selo, que existe há 18 anos, é muito bem sucedido", confirma o presiente da instituição, Guivan Bueno. Ele diz que os laboratórios da ABIC fazem mais de duas mil análises de amostras de café por ano. Para efetuar as análises, diz, as amostras são coletadas nos supermercados. "O resultado é apresentado a todas a entidades representantivas (do consumidor), como Anvisa e Procon. "Trata-se de um serviço com uma fiscalização bem-sucedida, independente da falta de recursos públicos", destaca o presidente da Abic.

 

Bertone diz que nem todas as empresas têm o selo Abic, por ser até um programa voluntário.

 

Além do consumo, acrescenta Bertone, serão reavaliados os últimos números de estoques da estatal, anunciados em março deste ano. "Estamos em contato com a Conab para aprimorar as informações relacionadas aos estoques de março, para termos certeza em relação aos estoques. "O importante é tratar os números com trasparência", diz. A meta dele é que a apuração dos dados ocorra até março de 2008, quando serão divulgados os novos estoques de passagem.

 

Sem querer entrar no mérito da discussão da adulteração do café, o analista de mercado de café da Conab, Jorge Queiroz, diz que os números dos estoques privados recebidos para o levantamento são confiáveis - foram analisados dados de 1,364 mil empresas.

 

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Viviane Monteiro) 

 

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O Estado de S. Paulo

21/11/2007

 

Café

Chuva traz boa perspectiva ao café

Produtores estão aliviados e Cepea calcula, agora, uma safra maior do que a anterior, que foi de 32,6 milhões de sacas

 

Tomas Okuda

 

A volta de chuvas regulares nas regiões de café tem sido um alívio para os produtores, depois de longo período de estiagem. As floradas nos cafezais ocorreram de modo satisfatório, mas o clima ainda é preocupante no norte do Espírito Santo, região produtora de conillon (robusta).

 

Naquela área a florada ocorreu mais cedo, mas não foi seguida de chuvas abundantes. O resultado é que o abortamento das flores pode ter sido expressivo, comprometendo a produção do ano que vem.

 

Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) consideram que a próxima safra 2008/2009 deverá ser maior do que a atual (32,6 milhões de sacas de 60 quilos), já que a temporada 2007/2008 teve uma carga pequena de café.

 

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) promete divulgar a primeira estimativa para a safra 2008/2009, que começa a ser colhida a partir de abril do próximo ano.

 

Quanto à comercialização no mercado interno, corretores informam que as vendas estão paradas. Os preços caíram por causa da chegada das chuvas e não estariam cobrindo os custos de produção. Os cafeicultores reclamam, ainda, que o câmbio prejudica os negócios.

 

REAL E DÓLAR

 

O real fortalecido em relação ao dólar reduz a competitividade do café brasileiro no exterior. Os seguidos feriados também contribuem para afastar o interesse na comercialização. Como a safra deste ano é pequena, comenta-se que vendedores continuarão retraídos à espera de preço melhor.

 

No mercado externo, os preços têm se sustentado basicamente pelo dólar fraco, que tem atraído muitos investidores para o mercado de commodities.

 

No entanto, o cenário é baixista, com a entrada da safra do Vietnã no mercado. Além disso, o estoque de café certificado na ICE Futures de Nova York sobe gradativamente

 

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Folha de S. Paulo

23/11/2007

 

Governo rechaça idéia de taxar as exportações

Argentina proporá medida no Mercosul para assegurar abastecimento interno

Ministro Stephanes diz que, se vizinho adotar medida, será "questão interna dela" e que um acordo dentro do bloco não é aceitável

 

 

IURI DANTAS

SHEILA D"AMORIM

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

 

 

Se depender do Brasil, a Argentina verá frustrada sua proposta de convencer os países do Mercosul a tributar suas exportações de commodities para assegurar suprimento interno e se beneficiar do aquecimento de preços no mercado mundial.

 

"Se a Argentina resolve adotar isso como política é questão interna dela. Mas não aconselho para o Brasil e muito menos acho aceitável um acordo no Mercosul para tributação de produtos agrícolas", disse à Folha ontem o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes.

 

Segundo o ministro, a Argentina vive situação bem diferente da brasileira em relação aos grãos, por exemplo. "Além do câmbio ser totalmente favorável, o custo da energia é muito mais barato, eles têm problemas de infra-estrutura menores que nós, não tem que trazer a soja do Mato Grosso por 3.000 quilômetros de estrada provavelmente ruim."

 

Em entrevista na semana passada, o secretário de Comércio Exterior brasileiro, Welber Barral, já havia adiantado que a tendência do governo é desonerar exportadores, em vez de elevar alíquotas. "Há várias iniciativas do governo tentando desonerar as exportações. Nenhum país do mundo quer onerar as exportações, porque gera empregos."

 

A Argentina já taxa suas exportações de trigo, soja e milho para evitar que boa parte da produção vá para o exterior. A medida tem reflexo direto nos preços no Brasil, que produz só 40% do trigo que consome.

 

Ontem, o secretário de Comércio Internacional da Argentina, Alfredo Chiaradia, defendeu em entrevista ao "Valor" que o Mercosul tributasse as exportações de grãos, carnes e lácteos, dados os altos preços no mercado mundial.

A proposta argentina, segundo Chiaradia, será apresentada na reunião de cúpula do Mercosul prevista para 17 e 18 de dezembro em Montevidéu.

 

Segundo a CNA (Confederação Nacional da Agricultura), a tributação sobre as exportações levou a Argentina a perder mercado. Enquanto o país vizinho caiu da 3ª para 7ª posição no ranking de exportadores de carne, o Brasil assumiu a liderança. "É uma distorção do comércio agrícola internacional, uma prática em desuso, contraproducente e que prejudica os produtores. O Mercosul ficaria desacreditado se entrasse numa canoa furada dessas", disse Donizeti Beraldo, coordenador de Comércio Exterior da CNA.

 

"Sou visceralmente contra. Quem vai tirar vantagem é a Argentina, para o Brasil não é interessante", disse Roberto Segatto, presidente da Abracex (Associação Brasileira de Comércio Exterior).

 

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Jornal do Brasil

26/11/2007

 

Cana-de-açúcar

Expansão da cana substitui culturas tradicionais em SP

 

Ribeirão Preto (SP). Em um ano, a cana-de-açúcar plantada nas oito principais cidades produtoras do Estado de São Paulo avançou 231,63 quilômetros, área maior que 27 dos 89 municípios da região individualmente. Em Morro Agudo, Jaboticabal, Batatais, Barretos, Olímpia, Araraquara, Pitangueiras e Guaíra, a produção chegou a 330.535 hectares no ano passado, de acordo com dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano anterior, a área ocupada pelo cultivo de cana atingia 307.372 hectares.

 

A área de crescimento da cana superou, por exemplo, as extensões territoriais de Pirangi (201 quilômetros quadrados), Aramina (199 Km2), Pradópolis (170 km2) e Dobrada (154 km2).

 

O levantamento do IBGE mostra que cinco cidades da região estão entre as 10 maiores produtoras do país. Morro Agudo, que lidera o ranking, é responsável pela produção de 1,7% da cana-de-açúcar do país. Os outros municípios presentes na lista são Jaboticabal (3ª), Batatais (5ª), Barretos (6ª) e Olímpia (8ª), todas produzindo ao menos 85 toneladas de cana por hectare.

 

Essas cinco cidades, somadas, produzem 4,6% de toda a cana do país. Em Barretos, a alta em relação ao ano anterior foi de 29,9% e, em Olímpia, o aumento chegou a 40%. Só Morro Agudo permaneceu, no mesmo período, com a produção estável.

 

- É uma região consolidada com a cana, e o avanço mostra que ainda há onde crescer, em convivência com outras culturas, como as seringueiras - afirmou João Sampaio, secretário de agricultura do Estado de São Paulo.

 

O estudo do IBGE indica que a cana avançou sobre outras culturas de maneira pulverizada. Em dois anos, a produção cresceu 332.877 hectares, enquanto as demais culturas, somadas, tiveram queda de 174.036 hectares. O restante do crescimento da cana deveu-se ao avanço em pastagens.

 

Para Maria de Fátima Benincaza, gerente da pesquisa do IBGE, a área plantada teve crescimento devido à necessidade.

 

- Isso ocorreu por necessidade da demanda por álcool no mercado interno, como os carros bicombustíveis.

 

A expansão do insumo, motivada pelos altos preços do petróleo no mercado internacional, deverá provocar uma verdadeira revolução na geografia energética mundial. De acordo com um estudo do professor Roberto Hukai, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), a intensificação do álcool de cana como alternativa energética global deverá alavancar o Brasil à condição de Arábia Saudita do etanol.

 

O levantamento revela que nenhum outro país, além do Brasil, detém melhor combinação de clima, topografia e produtividade para a produção do etanol em escala para substituir, ou pelo menos minimizar, o uso dos combustíveis fósseis como opção energética. A expectativa, de acordo com Hukai, é de que tal fenômeno ocorra em um prazo de 15 a 20 anos. (FP)

 

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Jornal do Commercio

26/11/2007

 

Cana-de-Açúcar

Sem cana, EUA usam milho.

 

O ETANOL NOS ESTADOS UNIDOS

 

O etanol cresce sem parar nos Estados Unidos, que desde 2005 é o maior produtor mundial do combustível. Embora o Brasil seja pioneiro na tecnologia, consolidada a partir da década de 70, os EUA estão dando um passo muito importante para fazer um álcool mais eficiente: já começaram a implantar, experimentalmente, seis fábricas de álcool de celulose, que é a segunda geração dos biocombustíveis. Os americanos também estão liderando uma articulação para que seja criado um mercado produtor e consumidor na América Latina e Caribe, que também vai resultar na padronização do produto. O Brasil e os Estados Unidos respondem hoje por 70% de todos os biocombustíveis produzidos no mundo, como mostra a reportagem que o Jornal do Commercio publica até hoje.

 

Ângela Fernanda Belfort

abelfort@jc.com.br

 

WASHINGTON e DENVER – A produção de álcool nos Estados Unidos é um negócio que vem quebrando recordes de produção, de capacidade instalada e de vendas. Lá, existem 130 usinas de álcool de milho e mais 73 unidades estão em construção, segundo informações da Associação dos Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos (RFA, na sigla em inglês). O atual boom do setor ocorreu, principalmente, por causa da busca pelo substituto do MTBE, um oxigenante que era usado na gasolina e que está quase banido do território americano por ser cancerígeno. Este ano, a expectativa é que o volume de álcool cresça 33% naquele país, que é o maior produtor do mundo. Em 2006, os EUA fabricaram 19,9 bilhões de litros contra 16,9 bilhões de litros no Brasil, segundo informações da Associação dos Produtores de Combustíveis Renováveis (RFA).

 

Sem a cana-de-açúcar, que é mais eficiente, as fábricas de álcool de milho que estão em construção nos EUA representam um investimento de cerca de US$ 16,2 bilhões e elas fabricarão mais 6,5 bilhões de galões por ano, de acordo com a RFA. A indústria do etanol de milho americano já movimenta US$ 41,1 bilhões (cerca de R$ 73 bilhões) e a produção triplicou desde 2002. Também contribuiu para esta expansão a iniciativa do governo norte-americano de bancar um subsídio de US$ 0,51 por galão de etanol. O subsídio já foi de US$ 0,54 por galão.

 

“O etanol brasileiro já não precisa de subsídio. A mesma coisa vai acontecer aqui”, comentou a conselheira do Laboratório Nacional de Energia Renovável (NREL, na sigla em inglês), Helena Chum. No Brasil, a primeira grande expansão da produção de álcool ocorreu em 1975, quando o governo federal deu incentivos para a expansão da produção e estimulou a fabricação de veículos a álcool.

 

PRÓXIMO ÁLCOOL

 

A iniciativa privada e o governo norte-americano já começaram a fazer investimentos em fábricas que vão produzir, experimentalmente, o “próximo” álcool: o que terá como base a celulose. A iniciativa privada e o Departamento de Energia dos Estados Unidos estão investindo mais de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 2,1 bilhões) em seis plantas industriais de álcool celulósico a partir das mais diversas matérias-primas, como o resíduo do milho, a palha do arroz, os restos de madeira e o switch grass, um capim nativo dos EUA.

 

Nos próximos quatro anos, o Departamento de Energia dos Estados Unidos vai realizar um investimento de US$ 385 milhões (cerca de R$ 693 milhões) nestas seis unidades, que também vão se especializar na produção e refino do álcool celulósico.

 

O governo fez uma seleção para escolher os seis projetos que seriam implantados em fevereiro deste ano e as fábricas já estão sendo implantadas. Os primeiros resultados destas experiências devem ser colhidos em 2009 e 2010, de acordo com o Departamento de Energia dos Estados Unidos.

 

Uma destas seis plantas é a Range Fuels, no Colorado. A empresa vai transformar madeira em gás e depois disso extrair o etanol. Seus donos são executivos que atuaram na área de informática e que decidiram investir na área de biocombustíveis depois de assistirem, em 2005, uma palestra do ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, que inspirou o filme Uma verdade inconveniente. O filme e a palestra abordam os impactos do aquecimento global. Os principais acionistas da Range Fuels acreditam tanto no projeto, que já iniciaram um grande plantio de árvores no Estado da Geórgia para garantir a matéria-prima.

 

“O poder da pesquisa nos faz acreditar que chegaremos ao álcool competitivo de celulose”, comentou o subsecretário de Pesquisa, Educação e Economia do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Gale Buchanan.

 

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Valor Econômico

06/12/2007

 

Café

Estoques de café do governo vão zerar

 

 Mônica Scaramuzzo

 

 Muitas são as lendas cultuadas no país. Pelo menos uma delas, a que diz que os estoques de café do governo nunca acabam, está caindo por terra. Acumulados desde o início do século XIX, quando o Brasil despontou como maior produtor e exportador de café, esses estoques já eram considerados estratégicos na época para o país, que despontava como o principal formador de preços no mercado mundial. 

 

Depois de décadas lotando os armazéns credenciados pelo governo brasileiro, esses estoques estão se esvaindo. Nas mãos do governo, hoje, há 865 mil sacas de 60 quilos. É pouco. Esse volume chegou a ser dez vezes maior em 1999. E vinte vezes maior em 1989, com o fim do IBC (Instituto Brasileiro do Café). 

 

Em 2008, entretanto, esse volume deverá ser zerado, sobretudo com a continuidade dos leilões oficiais, feitos para desovar cafés velhos e de menor qualidade, normalmente utilizados em blends de café solúvel. Só neste ano foram 20. 

 

Os recursos arrecadados nos leilões são repassados para o Funcafé (Fundo de Desenvolvimento da Economia Cafeeira). Outras 189 mil sacas de café também estão nas mãos do governo, mas esse estoque pertence ao Tesouro, que financiou há três anos a compra de café por meio dos contratos de opção para enxugar a oferta no país. 

 

A forte demanda no mercado interno - com o consumo de 17 milhões de sacas, a taxas de crescimento de 10% ao ano - e as exportações em torno de 28 milhões de sacas, volume que tem se mantido nos últimos anos, têm ajudado a reduzir os estoques do governo. 

 

Lucas Ferreira, diretor de café do Ministério da Agricultura, lembra que a decisão do governo em se desfazer desses estoques também reflete, em parte, a idade avançada desse café armazenado. A maioria foi adquirido durante os anos 1980. Os custos para manter esses grãos armazenados também pesaram na decisão do governo. 

 

Para as indústrias e exportadores do país, o fim dos estoques governamentais não trará grande consequências para o mercado, uma vez que os volumes atuais estocados são considerados inexpressivos. De acordo com Nathan Herszkowicz, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a história recente mostra que as indústrias não são forte dependentes dos cafés estocados pelo governo federal. "Nos últimos dez anos, houve pouca dependência", diz o dirigente. 

 

"Isso vai ajudar a desmistificar a importância de um estoque estratégico. Os volumes são inexpressivos para os preços", confirma Guilherme Braga, diretor do Cecafé. Entre os cafeicultores, entretanto, o clima é de preocupação. Uma ala do segmento já começou a se movimentar para que o governo volte a recompor seus estoques. 

 

De acordo com Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes, em Santos (SP), o Brasil nunca zerou seus estoques. "O Brasil responde por 40% do mercado internacional." A demanda mundial cresce entre 1,7 milhão a 2 milhões de sacas por ano. "Há notícias de que os estoques de café nas mãos dos países consumidores também estão caindo", afirma o especialista. O mercado, contudo, está atento aos volumes estocados pelo setor privado, que não divulga seus números. 

 

A produção mundial está em torno de 110 milhões de sacas de café, de acordo com dados da Organização Internacional do Café (OIC). O Brasil produz em média 40 milhões de sacas, considerando a bianualidade da cultura (produtividade baixa a cada dois anos). 

 

Os preços internacionais estão atraentes. Na bolsa de Nova York, as cotações acumulam alta de 5,6% em 12 meses e 36,8% em 24 meses. Nem o dólar fraco afetará a receita com as exportações, que deve atingir US$ 4 bilhões este ano, 11% mais que em 2006, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Até novembro, foram US$ 3,57 bilhões, 19,7% mais que em igual intervalo do ano passado. 

 

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Valor Econômico

06/12/2007

 

Suinocultura

Embarque de carne suína do Brasil para a China ainda parece distante

 

Mauro Zanatta

 

O governo brasileiro deve adiar a finalização das negociações formais para o início do comércio efetivo de carne suína com a China. O Itamaraty informou a empresários do setor, em seminário sobre perspectivas comerciais com o parceiro asiático realizado na terça, que o protocolo preliminar firmado pelo Ministério da Agricultura deve ser oficializado apenas entre maio e setembro de 2008. 

 

As indústrias do setor esperavam uma decisão final até março do próximo ano, como previsto no documento assinado pelo secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, na semana passada, em Pequim. A ratificação do acordo inicial depende, entretanto, de uma reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Cooperação (Cosban), criada em maio de 2004 para tratar das relações bilaterais. 

 

Como envolve os vice-presidentes dos países, está difícil fechar a agenda bilateral. "Não é bom este atraso, mas também não é determinante. Porque se os chineses quiserem comprar mesmo, pode ser feito só com a minuta de Pequim", avalia o presidente da associação dos exportadores de carne suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto. 

 

As negociações para o comércio bilateral de carnes se arrastam há três anos. Em outubro, um protocolo sanitário bilateral abriu, após quase dois anos de vaivéns, o mercado chinês à carne bovina cozida de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia e Acre. Mas a situação da carne suína e de frangos segue indefinida. 

 

Divergências da área técnica do Ministério da Agricultura também atrasaram o acordo bilateral de suínos. Os chineses exigem reciprocidade comercial, porque também querem vender miúdos de suínos ao Brasil. Mas veterinários brasileiros temiam importar doenças exóticas da China, sobretudo a "orelha azul". Como os asiáticos adotam o conceito de "zonificação", não-reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o Brasil resistia ao acordo bilateral por questões sanitárias. 

 

Como precaução, o protocolo preliminar previu três etapas de inspeção: dos sistemas de saúde animal, de saúde pública e de habilitação de plantas industriais de abate de suínos. Com isso, se houver alguma ameaça de doença, será possível "travar" a importação do produto chinês. No seminário, aliás, ficou muito claro o potencial agropecuário dos asiáticos. 

 

As exportações do agronegócio chinês são maiores do que as vendas do Brasil. São produtos como carnes processadas, pescados, rações animais, madeira, celulose, couro e têxteis. Nos últimos cinco anos, os embarques asiáticos cresceram 120%, semelhante aos 121% registrados pelo agronegócio nacional. A China avança também no reflorestamento. Entre 2001 e 2005, o país replantou 4,06 milhões de hectares de árvores - a Espanha, segunda no ranking, plantou 320 mil hectares. Nesse período, o Brasil aumentou em 3 milhões de hectares o cultivo de grãos. 

 

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Folha de S. Paulo

08/12/2007

 

Entrevista

"Brasil não tem como exportar mais álcool”

Conselheiro do Departamento de Estado dos EUA minimiza problema da tarifa alta imposta ao produto brasileiro

Para Greg Manuel, foco é investimento conjunto na produção na América Latina; segundo ele, já há projetos em 4 países

 

 

ANDREA MURTA

DA REDAÇÃO

 

Às vésperas do vencimento -e provável renovação- das regras de taxação do álcool brasileiro no mercado americano, em janeiro de 2008, o conselheiro de energia do Departamento de Estado dos EUA, Greg Manuel, negou que haja tensão entre os dois países devido aos impostos. Para ele, a produção brasileira mal consegue acompanhar a demanda interna e "é muito improvável que o Brasil esteja em posição de exportar quantidades significativas de álcool para os EUA nos próximos anos" -o que esvaziaria uma potencial disputa.

 

Os EUA impõe uma tarifa de US$ 0,14 por litro de álcool importado do Brasil, além de 2,5% sobre o preço de importação. Como 2,5 bilhões dos 3,5 bilhões de litros que o Brasil exportou no ano passado foram para o país, o peso é considerável. A posição não facilita o objetivo indicado pelo presidente americano, George W. Bush, de substituir 20% de toda a gasolina consumida nos EUA por biocombustíveis até 2010. Por outro lado, diz Manuel, EUA e Brasil investiram nos últimos nove meses em projetos de desenvolvimento de um mercado para o álcool, com foco na produção na América Central e Caribe. "Estamos trabalhando com o Brasil e a União Européia para definir padrões internacionais para os biocombustíveis, que permitirão o estabelecimento de um mercado de commodities viável para substituir o petróleo", afirmou. Leia trechos da entrevista que ele concedeu à Folha, por telefone, de Nova York.

 

 

FOLHA - As regras de importação do álcool brasileiro expiram em 2008. O governo favorece a queda?

GREG MANUEL - Bem, é o Congresso que fixa as regras, não o governo. Vamos esperar para ver. Mas é importante reconhecer que a produção de álcool do Brasil está sendo inteiramente consumida no mercado interno, e não está sequer acompanhando a demanda. É muito improvável que o Brasil esteja em posição de exportar quantidades significativas de álcool para os EUA nos próximos anos. Portanto, a taxação não é um ponto de tensão.

 

FOLHA - O subsecretário de Estado americano para assuntos políticos, Nicholas Burns, afirmou em visita a São Paulo em fevereiro ter planos para avançar acordos entre Brasil e EUA sobre álcool em 12 meses. O que já foi alcançado na prática?

MANUEL - Nosso acordo com o Brasil tem três áreas prioritárias -pesquisa, estabelecimento de padrões internacionais e investimentos em países de Terceiro Mundo. Desde o acordo tem havido trocas intensas entre cientistas dos dois países. Especialistas brasileiros visitaram laboratórios americanos e planejamos uma visita de reciprocidade para o começo de 2008. Estamos trabalhando rapidamente com o Brasil e a União Européia para definir os padrões internacionais para os biocombustíveis, que permitirão o estabelecimento de um mercado de commodities viável para substituir o petróleo.

 

Há mais de 15 propriedades do álcool sendo identificadas e padronizadas. Vamos apresentar um acordo nas próximas semanas, mas EUA, Brasil e UE ainda precisarão votá-lo. Nossa expectativa é ter isso pronto no primeiro trimestre de 2008. Já começamos a trabalhar com República Dominicana, Haiti, El Salvador e São Cristóvão e Névis. Identificamos mais de 30 projetos, todos com parcerias privadas, e estamos agindo para implementá-los.

 

FOLHA - Há planos para expandir a atuação, por exemplo para Nicarágua e até a África?

MANUEL - Vamos expandir, e já estamos mantendo discussões com o Brasil a respeito de quais países poderão ser os próximos alvos do trabalho. E vamos deixar a questão por aí.

 

FOLHA - Quanto já foi gasto?

MANUEL - Não tenho valores, mas posso dizer que, além dos nossos parceiros privados, há verba dos governos brasileiro e americano e também dos nossos três colaboradores -o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a Fundação ONU e a OEA (Organização dos Estados Americanos).

 

FOLHA - A maior parte da produção de álcool americano vem do milho, menos eficiente do que a cana. Vocês favorecem mudança na área?

MANUEL - O milho é uma matéria-prima de primeira geração e muitos produtores já estão buscando formas mais produtivas de obterem o álcool. Os EUA, em 2007, identificaram seis usinas celulósicas, as quais o governo está assistindo financeiramente e que usam uma variedade de diferentes matérias-primas. Mas a questão é que não há apenas um vencedor.

 

FOLHA - A falta de infra-estrutura para o transporte do álcool nos EUA atrasa investimentos. Há planos de construção de dutos especiais?

MANUEL - Há várias formas de transportar o álcool. Os EUA hoje usam prioritariamente as rodovias, enquanto o Brasil tem formas mais dedicadas, com oleodutos. Estamos investigando várias formas de baixar os custos da distribuição.

 

Isso inclui pesquisa sobre novos tipos de biocombustíveis. Há várias pesquisas sobre produtos que não apresentam as mesmas características negativas do álcool que dificultam sua distribuição em oleodutos. Há também os que buscam produzir álcool de forma mais distribuída, varrendo o problema do transporte da logística. Mas não há nem haverá uma solução única.

 

FOLHA - Como o Departamento de Estado aborda as críticas de que a produção de biocombustíveis toma o lugar da agricultura alimentícia?

MANUEL - Creio que há preocupações reais em várias partes do mundo acerca da dicotomia combustível versus alimento e ambiente. Com relação ao ambiente, quero deixar claro que a produção de álcool não compete com a Amazônia. E a razão não é altruísta ou politicamente correta, é simplesmente econômica -a cana-de-açúcar precisa de ambientes secos e mais frios para produzir. O Brasil está numa posição excelente, pois tem muita terra boa para a cana e está se movendo rapidamente nessa direção.

 

Já em outras partes do mundo, entra a questão de uma nova indústria se desenvolvendo muito rápido e que demanda a base agrícola já existente. No curto prazo, temos visto uma elevação de preços em produtos como milho, açúcar e outros, mas com o tempo -e isso já está acontecendo- os produtores aumentarão o plantio de alimentos para reequilibrar fornecimento e demanda. Agricultura não é como a internet, a mudança não acontece em três semanas. Leva tempo.

 

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Valor Econômico

10/12/2007

 

Agronegócio

Soja e carnes 'disputam' liderança na exportação

 

De São Paulo

 

 

Anunciada pelo Ministério da Agricultura na noite de quinta-feira, a balança comercial do agronegócio em novembro trouxe as carnes (bovina, de frango e suína) como líderes nas exportações do setor em novembro e praticamente empatadas com o chamado complexo soja (inclui grão, farelo e óleo) nos embarques acumulados nos primeiros onze meses do ano. 

 

No mês passado, as vendas de carnes ao exterior atingiram US$ 1,071 bilhões, 18,8% mais que no mesmo mês de 2006. Em seguida no ranking das exportações aparecem os produtos florestais (US$ 762,2 milhões, alta de 10,14% sobre novembro de 2006), o complexo soja (US$ 633,3 milhões, aumento de 16,13%) e açúcar e álcool (514,8 milhões, queda de 32,42%). 

 

O ministério destaca que o avanço das carnes foi determinada pela valorização média de 21,35% dos produtos, uma vez que o volume embarcado registrou queda de 2,13%. No caso dos produtos do segmento sucroalcooleiro, o tombo refletiu tanto um volume menor de vendas ao exterior quanto pelas cotações menos atraentes. 

 

De janeiro a novembro, soja e derivados ainda lideraram as exportações, com divisas da ordem de US$ 10,812 bilhões, 22,3% mais que no mesmo intervalo de 2006. Mas as carnes despontam logo atrás com US$ 10,239 bilhões e aumento de 29,72% na comparação. 

 

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