EXPORTAÇÃO
Geddel Vieira Lima: União
internacional para soluções
Oferta
maior derruba cotação do algodão
Pratini: "Não pretendemos derrubar preços.
Queremos apenas competir"
Piraju quer ser referência em café
Prestígio no exterior: Paulo do Carmo Martins
Receita com embarques de café sobe 22%
Exportação do campo soma US$ 57 bi em 12 meses
Avança o ritmo de venda de café da safra 2007/08
Desencontro entre números provoca troca de acusações
Chuva traz boa perspectiva ao café
Governo rechaça idéia de taxar as exportações
Expansão da cana substitui culturas tradicionais em SP
Embarque de carne suína do Brasil para a China ainda
parece distante
"Brasil
não tem como exportar mais álcool”
Soja
e carnes 'disputam' liderança na exportação
Valor
Econômico
31/08/2007
Agroindústria
Por
Marli Lima
Há um
dito sobre o Paraná que até economistas experientes costumam usar: as
cooperativas agrícolas costumam servir de termômetro da economia do Estado.
Isso quer dizer que vem dessas gigantes do agronegócio, que devem faturar R$
15,5 bilhões em 2007, o primeiro sinal mensurável sobre a saúde financeira das
empresas e cidadãos paranaenses. Normalmente, lugares-comuns como esse são
apenas frases de efeito que costumam ser repetidas até fazerem sentido. No caso
das cooperativas, no entanto, a sentença parece estar certa.
Depois
de enfrentar dois anos de estiagem e perder vendas de carne por conta da febre
aftosa, os dados deste ano servem para dar uma amostra do que vem por aí. A
previsão da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) é que 2007 supere o
melhor ano das exportações do setor, que foi 2004. Naquele ano, as cooperativas
paranaenses venderam US$ 992 milhões para o exterior. Para 2007, a expectativa
é chegar a US$ 1,25 bilhão. A cotação do dólar, apontada por lideranças de todo
o país como o grande entrave para a produção agrícola, ficou de lado: graças
aos bons preços das commodities agrícolas, o campo está vencendo o
câmbio.
"A
agroindústria tem um impacto multiplicador. As conseqüências de um bom
resultado se espalham pelo comércio e pelos serviços", explica Gilmar
Mendes Lourenço, economista e pesquisador do Instituto Paranaense de
Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Dados do IBGE, divulgados em
agosto, atestam sua declaração. Segundo o instituto, graças ao agronegócio, a
indústria "urbana" do Estado teve em 2007 o melhor semestre dos
últimos dez anos. A produção industrial cresceu 7% no período janeiro-junho. Na
ponta desse aumento, puxando a fila, vêm o que o IBGE classifica como
"outros produtos químicos", veículos automotores e máquinas e
equipamentos. Trocando em miúdos, o crescimento industrial do Paraná deve muito
ao bom momento das fábricas de colheitadeiras, implementos agrícolas, adubos e
fertilizantes.
Recordes
também aparecem nos dados da Federação das Indústrias do Estado do Paraná
(Fiep). No primeiro semestre, a receita das vendas industriais cresceu 10,39%
em relação ao mesmo período de 2006. O resultado é o melhor desde que a
federação começou a compilar estatísticas conjunturais, em 1986. Lideram a
pesquisa os grupos de máquinas e equipamentos (22,9%), confecção e artigos do
vestuário (21,5%), fabricação de veículos automotores (18,6%) e produtos
alimentícios e bebidas (17,5%).
De
acordo com o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, os empresários
esperam em 2007 superar pela primeira vez o resultado de 2002, o mais
significativo em termos de crescimento real até agora. "Ficamos cinco anos
sem crescimento.", afirmou o empresário, que também credita boa parte do
resultado à agricultura. "Quando ela vai bem, puxa outros setores da
economia." Com esse cenário, a geração de emprego também cresceu. Segundo
o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do
Trabalho e Emprego, o Estado gerou 105,3 mil empregos formais de janeiro a
julho, número quase 37% maior que o obtido em igual período de 2006. O Caged
mostra que o interior foi responsável por 73,6% dos novos empregos, enquanto a
região metropolitana de Curitiba respondeu por 26,4%.
O campo
é uma parcela importante da economia local e está passando por uma boa fase,
mas não é só nele que as coisas estão acontecendo no Paraná. A Secretaria
Estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul fez um levantamento com
os maiores investimentos anunciados nos últimos anos. Um dos principais é o da
ampliação da Refinaria Presidente Vargas (Repar), em Araucária. Serão US$ 2,5
bilhões em cinco anos, que resultarão em 19 novas unidades na usina, para
produção de coque de petróleo, gasolina, diesel e outros derivados.
Outro
grande investimento em andamento é o da Klabin, em Telêmaco Borba, onde a
empresa está usando US$ 850 milhões para ampliar sua unidade de produção de
papéis-cartões. Também na área embalagens, do tipo longa vida, o grupo
suíço-alemão Sig Combibloc vai instalar uma fábrica em Campo Largo, vizinho da
capital, que custará cerca de R$ 270 milhões. A lista inclui ainda
investimentos da Sadia, no oeste, e de empresas de ramos bem distintos, como
sucroalcooleiro, em especial no noroeste, e de informática e tecnologia da
informação, na região metropolitana de Curitiba.
Foi a
Piraquara, vizinha da capital, que o presidente Lula veio na semana passada
anunciar investimentos federais de R$ 1,066 bilhão para as áreas de saneamento
e urbanização de favelas. O local escolhido foi uma antiga área de ocupação, o
Jardim Guarituba. Os recursos fazem parte do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), que deve destinar ao Estado cerca de R$ 10 bilhões em obras
de infra-estrutura, como melhorias no aeroporto Afonso Pena e no Porto de
Paranaguá.
A esse
valor devem ser somados outros R$ 18,2 bilhões que foram incluídos na Política
de Desenvolvimento Econômico (PDE), apelidada de PAC do Paraná. Ou seja, o
Paraná tem dois PACs em andamento. O programa estadual de investimentos, que
vai até 2010, foi apresentado seis meses depois do programa federal. De acordo
com o secretário de Planejamento, Ênio Verri, "trata-se de um salto de
qualidade" para o Paraná.
O
secretário explicou que, por orientação do governador Roberto Requião (PMDB), o
Estado radicalizou na opção pelos pobres e isso foi levado em conta na PDE, que
deve privilegiar municípios com os menores índices de desenvolvimento econômico
e social.
Verri
contou que foi feito um levantamento técnico nos 399 municípios do Estado para
traçar um perfil econômico Para a realização dos investimentos o Paraná foi
dividido em seis regiões. A Leste, que inclui Curitiba, a região metropolitana
e o litoral, receberá 21,72% do total. O Centro Expandido, onde se encontra a
região mais pobre, ficará com 10,81%. Em seguida vêm o Norte (8,45%), Noroeste
(5,85%), Oeste (5,33%) e Sudoeste (2,96%). O secretário explicou que o restante
refere-se a investimentos transversais, que beneficiam todos os
paranaenses.
Os
recursos virão dos orçamentos da administração direta e indireta e autarquias,
mas a maior quantia, no valor de R$ 11 bilhões, será aplicada por estatais. O
maior volume será da Copel, empresa de energia que deve usar R$ 4,6 bilhões no
período, em especial na usina hidrelétrica de Mauá, que custará R$ 950 milhões.
Ela também estuda a construção, em conjunto com a iniciativa privada, de um
alcoolduto de Maringá até Paranaguá.
Para a
Sanepar, companhia de saneamento, está previsto R$ 1,339 bilhão. Os portos de
Paranaguá e Antonina investirão R$ 942 milhões. A Companhia de Habitação
(Cohapar) deve colaborar com R$ 591 milhões. Para as áreas em que existem
vinculações constitucionais, como educação e saúde, serão destinados R$ 2,368
bilhões. Segundo Verri, trata-se de um plano conservador, que pode ser ampliado
caso haja aumento da receita corrente líquida.
O
governo prometeu também financiar a iniciativa privada. O volume de créditos
previstos aos empresários nos próximos três anos e meio pode chegar a R$ 3,25
bilhões, sendo R$ 2,72 bilhões por meio do Banco Regional de Desenvolvimento do
Extremo Sul (BRDE), um dos maiores repassadores de recursos do BNDES do país, e
R$ 530 milhões da Agência de Fomento do Paraná.
O Paraná
segue a caminhada rumo à diversificação de sua economia para não ser tão
dependente da soja. De 1996 a 2001, viveu um grande ciclo de investimentos com
a chegada de montadoras de automóveis, atraídas principalmente por incentivos
fiscais. Hoje, incentivos são dados preferencialmente a micro e pequenas
empresas. Mas a mudança se dá aos poucos. Tanto no campo como nas cidades os
paranaenses continuam a olhar para céu, para ver se chove, e para o mercado
internacional de grãos, para saber quanto será pago por seu principal produto.
Em 2007, o Estado colheu cerca de 11,8 milhões de toneladas de soja, 26% a mais
que no ano passado.
Estado
de Minas
31/08/2007
Agroindústria
As
exportações da agroindústria de Minas Gerais cresceram 18% nos sete primeiros
meses do ano. Os bons resultados de culturas como café (foto) e cana-de-açúcar,
além do chamado complexo carnes e os laticínios, deram as maiores contribuições
para que as vendas atingissem US$ 2,69 bilhões entre janeiro e julho. Na média
nacional, o aumento foi de 16%. O levantamento, feito pela Secretaria de Estado
de Agricultura e Pecuária, mostra que o setor começa a se recuperar depois da
crise de 2004 e 2005. A importância das indústrias cafeeira e de carne dentro
da pauta de exportação de Minas garantiu US$ 1,4 bilhão e US$ 335 milhões.
30/09/2007
Opinião
QUANDO,
EM julho passado, a União Européia conferiu ao Brasil o estatuto de
"parceiro estratégico privilegiado", o presidente da Comissão
Européia, José Manuel Durão Barroso, logo anunciou a vontade da UE de ouvir dos
brasileiros propostas de cooperação sobre os diferentes temas de interesse
global, como combate à pobreza, mudança climática, energia renovável.
No dia 9
de outubro, estarei em Bruxelas representando o Brasil com idéias objetivas
para fazer prosperar essa importante parceria no tema do desenvolvimento
regional e sua dimensão internacional. O diagnóstico que apresentarei em nome
do presidente Lula é claro: as ações de desenvolvimento regional capazes de, ao
mesmo tempo, conquistar mercados e promover inclusão social são aquelas que
geram emprego principalmente pelo aproveitamento das vocações econômicas
locais.
Por esse
caminho trilham pequenos empreendedores do país, que, mesmo nem sempre contando
com o devido apoio das organizações do Estado brasileiro, operam o milagre da
geração e distribuição da renda, apoiando o combate às assimetrias nacionais,
com resultados internacionalmente reconhecidos.
No
Ministério da Integração Nacional, temos experimentado essa articulação
criativa, forjada na estruturação de economias locais em padrões competitivos,
por meio de práticas solidárias e gestão participativa, exercitadas nos
chamados arranjos produtivos locais (APLs).
Pelos
APLs, comunidades que antes viviam economicamente excluídas e se situavam
socialmente à margem da sociedade brasileira conquistam, por meio de ações
produtivas organizadas, uma vida mais digna. Em Irecê (Bahia), por exemplo,
dezenas de famílias que viviam do lixão foram instruídas sobre como operar uma
cooperativa de reciclagem. Passaram a ter renda e moradia, mais saúde e
educação, enquanto ajudam, com seu trabalho, a despoluir o ambiente e
desenvolver indústrias regionais.
Temos
estimulado APLs em todo o país com enorme variedade de mercados. Criando
peixes, fazendo artesanato, beneficiando mel, fabricando farinha, milhares de
brasileiros começam a participar do desenvolvimento regional e ampliar as
divisas do país pela exportação de produtos típicos das suas localidades, como
fibras de sisal, flores, frutas e até cachaça.
A
perspectiva é de expansão. Só neste ano, o governo federal está cadastrando
mais de 3.700 pequenos exportadores nos registros do comércio exterior que
operam pelo sistema simplificado, via Correios ou serviços de
"courrier". Com a inclusão desses microempreendimentos nas
estatísticas, poderemos observar as regiões mais exportadoras e quais produtos
têm perfil apropriado para atender a essas iniciativas locais, para que
possamos ampliar incentivos à criação de novos APLs.
Chegaremos
a Bruxelas amparados por esse contexto de vasto futuro para a gestão de nossas
regiões. Levando inclusive nosso pioneirismo e força crescente no mercado dos
biocombustíveis, um produto que tanto é fundamental aos interesses globais de
combate ao efeito estufa como é plenamente adaptável à eficiência e à economia
que os APLs representam.
Com o
processo de certificação em curso, para carimbar os biocombustíveis produzidos
de forma sustentável, ampliaremos ainda mais as condições de atrair
investimentos estrangeiros em APLs ligados ao setor de energia renovável.
Produzir
mamona, dendê, cana-de-açúcar e outras matérias-primas do biocombustível,
conforme as normas internacionais, de respeito ao meio ambiente e de
desenvolvimento social dentro da cadeia produtiva, significa ingresso seguro no
grande mercado que se abre, sobretudo depois da decisão européia de substituir,
até 2010, 10% dos combustíveis fósseis por biocombustível.
A
cooperação proposta pela UE exige do Brasil trabalho de amplitude e
participação capilarizada dos administradores públicos. Daí a importância da
presença dos diversos atores regionais -prefeituras, Sebrae, federações de
indústrias, ONGs- no levantamento das vocações econômicas locais e na
apresentação de propostas de novos APLs ao governo federal, por meio do Ministério
da Integração Nacional.
A medida
do sucesso dessa privilegiada parceria estará na nossa capacidade de aproveitar
as excepcionais condições postas para reduzirmos a pobreza e as desigualdades
-as questões globais que mais nos afligem.
Precisamos
estar unidos para construir uma integração internacional que tenha, sim, base
econômica, mas que também se baseie no anseio humano por um mundo mais
equilibrado, coerente e justo.
GEDDEL QUADROS VIEIRA LIMA, 48, administrador de empresas, pecuarista e cacauicultor, deputado federal pelo PMDB-BA (licenciado), é o ministro da Integração Nacional
03/10/2007
Café
Depois
de quatro anos de elaboração e organização, o café produzido com princípios do
Código Comum para a Comunicade Cafeeira, conhecido como 4C, deverá ser
comercializado no mercado internacional a partir deste mês. Até agora, o Brasil
desponta como o país com maior número de produtores no programa. A Cooxupé
(MG), maior cooperativa de café do mundo, e a Cocapec (SP) participam do
programa desde a sua elaboração, tendo participado do projeto-piloto de
verificação e adequação ao código. Site: www.sustainable-coffee.net
O
Estado de S. Paulo
10/10/2007
Algodão
Oferta
maior derruba cotação do algodão
Alexandre
Inacio
A
valorização dos preços do algodão, acumulada ao longo de setembro, se perdeu em
apenas dez dias. Entre os dias 20 de setembro, quando o indicador Esalq
alcançou a maior cotação desde maio deste ano, chegando a R$ 1,1994, e a
quarta-feira da semana passada, a queda nos preços foi de 1,3%.
A
demanda das indústrias e dos comerciantes, que vinha mantendo os preços da
pluma na casa de R$ 1,19 por libra, foi substituída por um aumento excessivo da
oferta dos produtores. Mesmo com o término da colheita em agosto e o aumento da
disponibilidade, as cotações no mercado interno permaneciam em trajetória
ascendente. Naquela época, os produtores estavam dando prioridade ao
cumprimento de contratos de exportação e destinando os primeiros fardos
beneficiados para os portos, deixando o mercado interno em segundo plano.
Com boa
parte dos contratos de exportação cumprida, os produtores passaram a aumentar a
disponibilidade de pluma no mercado interno nos últimos dez dias. A estratégia
começou a pressionar as cotações domésticas, uma vez que a demanda da ponta
compradora ainda não está tão aquecida. Aliada a esse fator, a chegada do fim
do mês obrigou os produtores a fazer caixa para cumprir os compromissos de
curto prazo.
No mesmo
período que o indicador Esalq caiu 1,3%, o preço do algodão em Nova York
apresentou retração de 2,22%. Os valores dos contratos para dezembro passaram
de 64,87 centavos de dólar por libra-peso no dia 20 de setembro para 63,43
centavos até o fechamento do pregão de sexta-feira.
Valor
Econômico
16/10/2007
Pecuária de Corte
Pratini:
"Não pretendemos derrubar preços. Queremos apenas competir"
De
Colônia
Nelson Perez/Valor

Presidente da Abiec, Pratini de Moraes defendeu a carne brasileira em entrevista a jornalistas europeus na feira de Anuga
O
presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Bovina (Abiec),
Pratini de Moraes, afirmou ontem em entrevista a jornalistas europeus e
brasileiros na feira de alimentos de Anuga, em Colônia (Alemanha), que o Brasil
não pretende derrubar os preços da carne na Europa, como acusam pecuaristas da
Irlanda, principalmente.
"Queremos
apenas competir no mercado europeu", afirmou. A declaração de Pratini vem
em um momento de expectativa para o segmento exportador de carne: pressionada
por pecuaristas irlandeses e do Reino Unido, que vêem falhas na rastreabilidade
do gado brasileiro, a União Européia anunciou que pode embargar a carne bovina
do Brasil se suas exigências em relação a controles não forem implementadas até
o fim deste ano.
Pratini
estará hoje em Bruxelas acompanhando o ministro da agricultura, Reinhold
Stephanes, que terá encontro com membros do Parlamento Europeu e o comissário
da área de saúde da UE, Markos Kyprianou. Aos jornalistas, entre eles
irlandeses, o presidente da Abiec fez uma apresentação didática sobre a
pecuária brasileira, rebatendo acusações acerca da sanidade da carne brasileira
e de que a pecuária estaria avançando sobre a Amazônia. "O gado criado na
Amazônia é para consumo local", sustentou.
Pratini
explicou aos jornalistas a diferença entre os conceitos de Amazônia Legal e
floresta amazônica. O primeiro, disse, foi criado para definir uma região que
teria direito a incentivos fiscais da antiga Sudam e abrange uma área de 5
milhões de hectares. Já a área de floresta é de cerca de 3,5 milhões de
hectares.
O
dirigente também apresentou os números grandiosos da pecuária brasileira, que
costumam assustar criadores de países menores. Com um rebanho de 207 milhões de
cabeças de gado (21% do total mundial), o Brasil produziu 8,95 milhões de
toneladas de carne em 2006, 16% do total produzido no mundo, e exportou 2,4
milhões de toneladas (32% do total). "Um em cada três quilos de carne
bovina consumido no mundo é brasileira, e estamos em 150 mercados",
afirmou.
Ele fez
questão de enfatizar que o Brasil nunca teve casos de "vaca louca" -
doença que persiste no Reino Unido e Irlanda - porque o gado é alimentado
basicamente a pasto e que o uso de hormônios na criação é proibido no país.
Sobre rastreabilidade, alvo preferido dos irlandeses, Pratini garantiu que toda
a carne brasileira exportada é rastreada.
Pratini
de Moraes aproveitou para reclamar das taxas que os europeus impõem à carne
brasileira, como a tarifa de 176% sobre cortes in natura. Mesmos com as taxas
elevadas, a UE foi, em valor, o maior mercado para o Brasil no ano passado, com
compras de aproximadamente US$ 1 bilhão.
O
presidente da Abiec também reiterou na Europa algo que tem repetido muito no Brasil
desde que foi ministro da agricultura, de 2000 a 2002: "Barreiras
sanitárias são o novo nome do protecionismo". E disparou: "Estamos
cheios das restrições a nossa carne".
À
pergunta de um jornalista da Irlanda do Norte, que o questionou sobre que
decisão esperava da UE acerca das exportações de carne ao bloco, Pratini
respondeu, em tom exaltado, não acreditar que a UE mudaria suas regras por
causa da pressão.
Em
conversa com o Valor, outro irlandês, do Irish Farmers Journal, publicação que
tem criticado a carne brasileira, disse que pessoalmente "não tem
problemas com a sanidade" do produto do Brasil. E admitiu que "o
problema é que os pecuaristas irlandeses estão tendo perdas com a carne"
devido aos maiores custos com controles do rebanho. Por isso, temem o efeito da
oferta de carne brasileira no mercado europeu. (AAR)
O
Estado de S. Paulo
17/10/2007
Café
Venilson
Ferreira
A união
entre quatro médicos paulistas e um agricultor de Piraju (SP) promete mudar o
perfil da cafeicultura da região e torná-la referência em café de qualidade. O
projeto começou há cinco anos, quando os médicos Rafael Colella, Fábio Nastari,
Sérgio Domingues e Fernando Ghilardi se uniram ao cafeicultor Osvaldo Vieira
para fundar a Unimesp Agropecuária.
O
investimento para o plantio de 3,7 milhões de cafeeiros, dos quais 2,5 milhões
já estão plantados, é de R$ 30 milhões. O restante será cultivado em dois anos,
totalizando 1,4 milhão de hectares. Neste ano, a empresa colheu a primeira
safra: 12 mil sacas de arábica, em 480 hectares espalhados em três fazendas, em
Piraju, Sarutaiá e Timburi. Na próxima safra a colheita prevista é de 15 mil
sacas e, ao fim do processo, deve atingir 50 mil sacas, com faturamento anual
de R$ 10 milhões, considerando o preço médio de R$ 200/saca. Desde o início, os
produtores visam à produção de café especial para exportação. Para isso
contaram com a consultoria holandesa Utz Certified e a Associação Brasileira de
Cafés Especiais (BSCA).
Nesta
primeira safra, apenas 10% serão exportados, para os Estados Unidos. A intenção
é fechar negócios diretamente com importadores e exportar 20 mil sacas em 2009,
principalmente para os mercados asiáticos, como o Japão.
Segundo
o sócio Rafael Colella, o processo de produção do café especial segue os
parâmetros exigidos no exterior em relação ao manejo, que resulta na qualidade
do grão, e ao respeito às questões sociais, trabalhistas e ambientais.
Na
colheita deste ano, 60% da produção foi de cereja e despolpado. O controle de
insetos é feito por meio do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que possibilitou
redução de 60% no uso de agrotóxicos em relação à média da região. A contagem
de pragas, feita por amostragem antes da aplicação do defensivo, revelou maior
economia no controle do bicho-mineiro, que teve redução de 75% no uso do
agrotóxico.
Os
trabalhadores, todos registrados em carteira, foram treinados para se adaptar
ao sistema de produção, alguns até com alfabetização.
Colella
reconhece que é difícil, no curto e médio prazos, tornar a região de Piraju um
centro de excelência em cafés especiais. Ele acredita que, no longo prazo, com
a divulgação das novas técnicas, será possível homogeneizar o manejo das
lavouras e chegar a um café com padrão especial, para então pensar em um
certificado de origem Piraju.
Segundo
o cafeicultor Oswaldo Vieira, do total de 20 grandes produtores existentes na
região de Piraju, apenas um, além da Unimesp, tem certificação de qualidade. No
total, na região, há cerca de mil cafeicultores, que cultivam 20 mil hectares e
colhem 300 mil sacas de café beneficiadas.
Vieira
afirma que a intenção é não só criar um selo de qualidade como uma nova marca e
um processo de torrefação que seja referência da região. O grupo pretende nos
próximos cinco anos ampliar o investimento, com aquisição de outras
propriedades. A projeção depende tanto da lucratividade do mercado de café
quanto da valorização das terras da região, que, embora ainda tenham a
cafeicultura como principal atividade, nos últimos anos têm recebido
investimentos na área do turismo rural e ecoturismo.
04/11/2007
Opinião
O
prestigiado jornal The New York Times (2/10), em matéria de página inteira,
atribuiu à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) o fato de o
Brasil ser superpotência agrícola, citando técnicos do Banco Mundial, o
ex-secretário de Estado norte-americano Colin Powel e o ganhador do Prêmio
Nobel da Paz, cientista Norman Borlaug. Na sua juventude, você se lembra de que
carne de frango era cara e rara, era prato de domingo. Lembra-se da carne de
boi, dura e cara, que laranja, melancia e abacaxi eram disponíveis somente num
período curto do ano. Você não conhecia soja. Hoje, tudo é diferente e isso não
caiu do céu. Foi resultado da visão de uns poucos brasileiros, chamada de
exótica nos anos 1970. Sonharam criar uma agricultura com as nossas
características sociais, ambientais e econômicas, num país de Terceiro Mundo.
Recentemente,
perdemos o nosso primeiro presidente, Irineu Cabral, que, na visão do cientista
e pensador Eliseu Andrade, era “paciente, hábil, competente no conciliar as
demandas do curto e do longo prazos, firme no seguir a rota traçada, sem fazer
concessões que comprometessem os fundamentos da Embrapa, sempre pronto ao
diálogo com o mundo do poder e da política, mas dentro do paradigma do
interesse maior da sociedade”. Herdamos esses valores.
Neste
mês, encerramos as comemorações dos 30 anos da Embrapa Gado de Leite, que se
iniciou com a visita do ex-presidente e ex-governador Itamar Franco. Como
presidente da República, ele lançou a pedra fundamental de nossa sede, em Juiz
de Fora, acompanhado de Mauro Durante, que, poucos sabem, era dos quadros da
Embrapa. E terminamos as comemorações dos 30 anos apresentando resultados,
lançando novas variedades de gramíneas e colocando à disposição dos pequenos
produtores uma nova tecnologia premiada para se produzir leite de qualidade.
Há três
pilares que sustentam o sucesso da Embrapa: 1) separamos política de política –
na língua inglesa existe esta diferença, com policy sendo a política feita com
bases técnicas para viabilizar mudanças (política econômica, agrícola),
enquanto que politics refere-se ao confronto de forças de poder para viabilizar
interesses, uns legítimos e outros nem tanto, e na Embrapa, fazemos policy; 2)
a continuidade – o sistema de gestão da Embrapa é premiado e reconhecido, em
qualidade e eficiência, nada deve ao do setor privado, com as decisões não
sendo personalistas; 3) tudo o que fazemos é em parceria. Por isso, apenas uma
pequena correção na matéria do The New York Times. Esta láurea é também das
universidades, institutos de pesquisa e setor produtivo. Sem essa união,
estaríamos como os demais países do Terceiro Mundo. Mas, juntos, todos os
brasileiros colhemos os resultados: o Brasil, superpotência agrícola, graças à
tecnologia, como deu no influente jornal norte-americano.
*Chefe
da Divisão Gado de Leite da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa)
06/11/2007
Café
De São
Paulo
As
exportações brasileiras de café renderam US$ 3,141 bilhões nos primeiros dez
meses do ano, um crescimento de 22% sobre igual período de 2006, segundo o
Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Em volume, os embarques
tiveram alta de 6,6%, para 22,967 milhões de sacas de 60 quilos. Em outubro, as
vendas externas somaram US$ 423,2 milhões, alta de 26,6%. Os embarques foram de
2,790 milhões de sacas, alta de 0,3%.
A
Alemanha continua sendo o principal mercado do café brasileiro, seguida por EUA
e Itália.
09/11/2007
Agronegócio
De
Brasília
As
exportações brasileiras do agronegócio dos primeiros dez meses de 2007 foram
19,4% superiores a igual intervalo de 2006. Empurradas por expressiva elevação
nos embarques de carnes (31,1%), complexo soja (22,7%) e sucos de frutas
(59,2%), as vendas somaram US$ 48,84 bilhões até outubro. O superávit comercial
positivo nesses dez meses atingiu US$ 41,8 bilhões, conforme o Ministério da
Agricultura.
Os
embarques dos últimos 12 meses terminados em outubro deste ano somaram US$
57,37 bilhões, um desempenho 18,8% superior aos 12 meses anteriores, até
outubro de 2006. Por outro lado, as importações dos últimos 12 meses foram
31,7% superiores ao período anterior, somando gastos totais de US$ 8,36
bilhões. O superávit comercial somou US$ 49 bilhões.
Quando
analisadas de forma separada, as exportações realizadas no mês passado
ultrapassaram US$ 6 bilhões, um novo recorde para o período, segundo o governo.
O volume embarcado ficou 24,6% acima de outubro de 2006. As importações também
foram as maiores já registradas: US$ 880,9 milhões, ou 33% acima de outubro de
2006. O superávit registrado em outubro somou US$ 5,1 bilhões.
De
acordo com dados da Secretaria de Relações Internacionais do ministério, a
elevação dos preços internacionais beneficiou as vendas de produtos como soja,
cereais e carnes, os principais responsáveis pela expansão das exportações do
agronegócio no mês passado. No complexo soja, o país vendeu US$ 1,21 bilhão em
outubro - 65% superior às exportações de outubro de 2006. A elevação de 44,4%
na cotação foi o principal fator para este crescimento.
Os
exportadores do complexo carnes venderam 25,2% a mais do que em outubro de
2006. O total embarcado somou US$ 1,08 bilhão. A quantidade embarcada aumentou
10,4% e os preços subiram 13,4%. Em frango in natura, foram embarcados US$
405,5 milhões (43,5%). Em cereais, sobretudo milho, a expansão chegou a
espantosos 523%. As vendas de fumo cresceram 110,5% no mês passado.
De outro
lado, continuaram a recuar as vendas do complexo sucroalcooleiro. Em outubro, a
queda somou 40%. Com preços do açúcar 24% inferiores, o volume exportado ficou
14,8% menor. Em valores, o retração foi de 35,3% no mês. As receitas com as
exportações de álcool tiveram uma redução de 53,1%. A explicação está no recuo
de 22,4% nas cotações, o que forçou uma queda de 39,6% no volume embarcado.
(MZ)
Valor
Econômico
20/11/2007
Café
De São
Paulo
O ritmo
de venda da safra 2007/08 está mais acelerado em relação ao ciclo anterior. Até
o final de outubro, os produtores tinham negociado 57% da produção, ante 48% em
igual período da safra 2006/07, segundo o relatório da
Safras&Mercado.
A
Safras&Mercado estima uma oferta de 36,5 milhões de sacas de 60 quilos, dos
quais 20,74 milhões de sacas já estariam comprometidas. A Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab) estima uma oferta de 32,6 milhões de sacas.
Em
outubro, os volumes de vendas foram maiores, com a maior volatilidade da commodity
nas bolsas internacionais. No mercado interno, os preços da commodity também se
recuperou, segundo informou a Safras.
De
acordo com a consultoria, os produtores de café também aproveitaram para escoar
o produto de safras mais antigas.
Neste ano
até o início deste mês, o Ministério da Agricultura já realizou 20 leilões de
café de sues estoques oficiais. Foram ofertadas 940 mil sacas do produto e
arrematadas 896.469. O total apurado foi de R$ 180,9 milhões, que são
repassados ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).
Apesar
do ritmo de comercialização mais acelerado em relação ao mesmo período de
2006/07, os produtores estão puxando o freio nas vendas, na expectativa de que
as cotações do grão possam subir mais. Os preços do café tiveram forte
recuperação em setembro por conta da seca, mas voltaram a cair após o período
de chuvas.
Gazeta
Mercantil
21/11/2007
Café
São
Paulo, 21 de Novembro de 2007 - A queixa feita pelo diretor-executivo da
Organização Internacional do Café (OIC), Néstor Osorio, na semana passada, de
que há um grave erro nas estatísticas da produção brasileira de café rendeu uma
troca de acusações entre produtores, torrefadoras e governo. O secretário de
produção e agroenergia do ministério, Manoel Vicente Bertone prometeu fazer uma
rígida fiscalização na cafeicultura para corrigir os possíveis erros nas
estatísticas, que são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A
distorção, segundo Bertone, estaria sendo provocada pela indústria que em vez
de café estaria adicionando palha ou outras impurezas ao produto que vendem no
mercado interno. "Pode existir erros em vários lugares, pode ser que os
dados da Conab, sobre consumo, estejam imprecisos. Ou seja, podemos estar
consumindo palha misturada ao café", disse Bertone à Gazeta Mercantil,
depois de fazer sua palestra no 15 Encafé, promovido pela Associação Brasileira
da Indústria de café (Abic), em Porto de Galinhas, em Ipojuca (PE). "Vamos
futucar (a indústria)", reforça Bertone.
Já
analistas de mercado e exportadores acreditam que os erros estejam na produção
e, por isso, subestimam os dados da Conab. Os números atuais sobre consumo,
produção, exportações, existentes no mercado não batem.
E a
indústria revida a acusação do secretário do ministérrio. "Fazemos o
monitoramento do setor há 18 anos, por meio do Selo de Pureza Abic", disse
o diretor-executivo da associação, Nathan Herszkowic. "Nosso selo, que
existe há 18 anos, é muito bem sucedido", confirma o presiente da
instituição, Guivan Bueno. Ele diz que os laboratórios da ABIC fazem mais de
duas mil análises de amostras de café por ano. Para efetuar as análises, diz,
as amostras são coletadas nos supermercados. "O resultado é apresentado a
todas a entidades representantivas (do consumidor), como Anvisa e Procon.
"Trata-se de um serviço com uma fiscalização bem-sucedida, independente da
falta de recursos públicos", destaca o presidente da Abic.
Bertone
diz que nem todas as empresas têm o selo Abic, por ser até um programa
voluntário.
Além do
consumo, acrescenta Bertone, serão reavaliados os últimos números de estoques
da estatal, anunciados em março deste ano. "Estamos em contato com a Conab
para aprimorar as informações relacionadas aos estoques de março, para termos
certeza em relação aos estoques. "O importante é tratar os números com
trasparência", diz. A meta dele é que a apuração dos dados ocorra até
março de 2008, quando serão divulgados os novos estoques de passagem.
Sem
querer entrar no mérito da discussão da adulteração do café, o analista de
mercado de café da Conab, Jorge Queiroz, diz que os números dos estoques
privados recebidos para o levantamento são confiáveis - foram analisados dados
de 1,364 mil empresas.
(Gazeta
Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Viviane Monteiro)
O
Estado de S. Paulo
21/11/2007
Café
Tomas
Okuda
A volta
de chuvas regulares nas regiões de café tem sido um alívio para os produtores,
depois de longo período de estiagem. As floradas nos cafezais ocorreram de modo
satisfatório, mas o clima ainda é preocupante no norte do Espírito Santo,
região produtora de conillon (robusta).
Naquela
área a florada ocorreu mais cedo, mas não foi seguida de chuvas abundantes. O
resultado é que o abortamento das flores pode ter sido expressivo, comprometendo
a produção do ano que vem.
Os
pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)
consideram que a próxima safra 2008/2009 deverá ser maior do que a atual (32,6
milhões de sacas de 60 quilos), já que a temporada 2007/2008 teve uma carga
pequena de café.
A
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) promete divulgar a primeira
estimativa para a safra 2008/2009, que começa a ser colhida a partir de abril
do próximo ano.
Quanto à
comercialização no mercado interno, corretores informam que as vendas estão
paradas. Os preços caíram por causa da chegada das chuvas e não estariam
cobrindo os custos de produção. Os cafeicultores reclamam, ainda, que o câmbio
prejudica os negócios.
REAL
E DÓLAR
O real
fortalecido em relação ao dólar reduz a competitividade do café brasileiro no
exterior. Os seguidos feriados também contribuem para afastar o interesse na
comercialização. Como a safra deste ano é pequena, comenta-se que vendedores
continuarão retraídos à espera de preço melhor.
No
mercado externo, os preços têm se sustentado basicamente pelo dólar fraco, que
tem atraído muitos investidores para o mercado de commodities.
No entanto, o cenário é baixista, com a entrada da safra do Vietnã no mercado. Além disso, o estoque de café certificado na ICE Futures de Nova York sobe gradativamente
23/11/2007
IURI
DANTAS
SHEILA
D"AMORIM
DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA
Se
depender do Brasil, a Argentina verá frustrada sua proposta de convencer os
países do Mercosul a tributar suas exportações de commodities para assegurar
suprimento interno e se beneficiar do aquecimento de preços no mercado mundial.
"Se
a Argentina resolve adotar isso como política é questão interna dela. Mas não aconselho
para o Brasil e muito menos acho aceitável um acordo no Mercosul para
tributação de produtos agrícolas", disse à Folha ontem o ministro da
agricultura, Reinhold Stephanes.
Segundo
o ministro, a Argentina vive situação bem diferente da brasileira em relação
aos grãos, por exemplo. "Além do câmbio ser totalmente favorável, o custo
da energia é muito mais barato, eles têm problemas de infra-estrutura menores
que nós, não tem que trazer a soja do Mato Grosso por 3.000 quilômetros de
estrada provavelmente ruim."
Em
entrevista na semana passada, o secretário de Comércio Exterior brasileiro,
Welber Barral, já havia adiantado que a tendência do governo é desonerar
exportadores, em vez de elevar alíquotas. "Há várias iniciativas do
governo tentando desonerar as exportações. Nenhum país do mundo quer onerar as
exportações, porque gera empregos."
A
Argentina já taxa suas exportações de trigo, soja e milho para evitar que boa
parte da produção vá para o exterior. A medida tem reflexo direto nos preços no
Brasil, que produz só 40% do trigo que consome.
Ontem, o
secretário de Comércio Internacional da Argentina, Alfredo Chiaradia, defendeu
em entrevista ao "Valor" que o Mercosul tributasse as exportações de
grãos, carnes e lácteos, dados os altos preços no mercado mundial.
A
proposta argentina, segundo Chiaradia, será apresentada na reunião de cúpula do
Mercosul prevista para 17 e 18 de dezembro em Montevidéu.
Segundo
a CNA (Confederação Nacional da Agricultura), a tributação sobre as exportações
levou a Argentina a perder mercado. Enquanto o país vizinho caiu da 3ª para 7ª
posição no ranking de exportadores de carne, o Brasil assumiu a liderança.
"É uma distorção do comércio agrícola internacional, uma prática em
desuso, contraproducente e que prejudica os produtores. O Mercosul ficaria
desacreditado se entrasse numa canoa furada dessas", disse Donizeti
Beraldo, coordenador de Comércio Exterior da CNA.
"Sou
visceralmente contra. Quem vai tirar vantagem é a Argentina, para o Brasil não
é interessante", disse Roberto Segatto, presidente da Abracex (Associação
Brasileira de Comércio Exterior).
26/11/2007
Cana-de-açúcar
Ribeirão
Preto (SP). Em um ano, a cana-de-açúcar plantada nas oito principais cidades
produtoras do Estado de São Paulo avançou 231,63 quilômetros, área maior que 27
dos 89 municípios da região individualmente. Em Morro Agudo, Jaboticabal,
Batatais, Barretos, Olímpia, Araraquara, Pitangueiras e Guaíra, a produção
chegou a 330.535 hectares no ano passado, de acordo com dados levantados pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano anterior, a área
ocupada pelo cultivo de cana atingia 307.372 hectares.
A área de
crescimento da cana superou, por exemplo, as extensões territoriais de Pirangi
(201 quilômetros quadrados), Aramina (199 Km2), Pradópolis (170 km2) e Dobrada
(154 km2).
O
levantamento do IBGE mostra que cinco cidades da região estão entre as 10 maiores
produtoras do país. Morro Agudo, que lidera o ranking, é responsável pela
produção de 1,7% da cana-de-açúcar do país. Os outros municípios presentes na
lista são Jaboticabal (3ª), Batatais (5ª), Barretos (6ª) e Olímpia (8ª), todas
produzindo ao menos 85 toneladas de cana por hectare.
Essas
cinco cidades, somadas, produzem 4,6% de toda a cana do país. Em Barretos, a
alta em relação ao ano anterior foi de 29,9% e, em Olímpia, o aumento chegou a
40%. Só Morro Agudo permaneceu, no mesmo período, com a produção estável.
- É uma
região consolidada com a cana, e o avanço mostra que ainda há onde crescer, em
convivência com outras culturas, como as seringueiras - afirmou João Sampaio,
secretário de agricultura do Estado de São Paulo.
O estudo
do IBGE indica que a cana avançou sobre outras culturas de maneira pulverizada.
Em dois anos, a produção cresceu 332.877 hectares, enquanto as demais culturas,
somadas, tiveram queda de 174.036 hectares. O restante do crescimento da cana
deveu-se ao avanço em pastagens.
Para
Maria de Fátima Benincaza, gerente da pesquisa do IBGE, a área plantada teve
crescimento devido à necessidade.
- Isso
ocorreu por necessidade da demanda por álcool no mercado interno, como os
carros bicombustíveis.
A
expansão do insumo, motivada pelos altos preços do petróleo no mercado
internacional, deverá provocar uma verdadeira revolução na geografia energética
mundial. De acordo com um estudo do professor Roberto Hukai, do Instituto de
Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), a intensificação do
álcool de cana como alternativa energética global deverá alavancar o Brasil à
condição de Arábia Saudita do etanol.
O
levantamento revela que nenhum outro país, além do Brasil, detém melhor
combinação de clima, topografia e produtividade para a produção do etanol em
escala para substituir, ou pelo menos minimizar, o uso dos combustíveis fósseis
como opção energética. A expectativa, de acordo com Hukai, é de que tal
fenômeno ocorra em um prazo de 15 a 20 anos. (FP)
Jornal
do Commercio
26/11/2007
Cana-de-Açúcar
O ETANOL
NOS ESTADOS UNIDOS
O etanol
cresce sem parar nos Estados Unidos, que desde 2005 é o maior produtor mundial
do combustível. Embora o Brasil seja pioneiro na tecnologia, consolidada a
partir da década de 70, os EUA estão dando um passo muito importante para fazer
um álcool mais eficiente: já começaram a implantar, experimentalmente, seis
fábricas de álcool de celulose, que é a segunda geração dos biocombustíveis. Os
americanos também estão liderando uma articulação para que seja criado um
mercado produtor e consumidor na América Latina e Caribe, que também vai
resultar na padronização do produto. O Brasil e os Estados Unidos respondem
hoje por 70% de todos os biocombustíveis produzidos no mundo, como mostra a
reportagem que o Jornal do Commercio publica até hoje.
Ângela
Fernanda Belfort
abelfort@jc.com.br
WASHINGTON
e DENVER – A produção de álcool nos Estados Unidos é um negócio que vem quebrando
recordes de produção, de capacidade instalada e de vendas. Lá, existem 130
usinas de álcool de milho e mais 73 unidades estão em construção, segundo
informações da Associação dos Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos (RFA,
na sigla em inglês). O atual boom do setor ocorreu, principalmente, por causa
da busca pelo substituto do MTBE, um oxigenante que era usado na gasolina e que
está quase banido do território americano por ser cancerígeno. Este ano, a
expectativa é que o volume de álcool cresça 33% naquele país, que é o maior
produtor do mundo. Em 2006, os EUA fabricaram 19,9 bilhões de litros contra
16,9 bilhões de litros no Brasil, segundo informações da Associação dos
Produtores de Combustíveis Renováveis (RFA).
Sem a
cana-de-açúcar, que é mais eficiente, as fábricas de álcool de milho que estão
em construção nos EUA representam um investimento de cerca de US$ 16,2 bilhões
e elas fabricarão mais 6,5 bilhões de galões por ano, de acordo com a RFA. A
indústria do etanol de milho americano já movimenta US$ 41,1 bilhões (cerca de
R$ 73 bilhões) e a produção triplicou desde 2002. Também contribuiu para esta
expansão a iniciativa do governo norte-americano de bancar um subsídio de US$
0,51 por galão de etanol. O subsídio já foi de US$ 0,54 por galão.
“O
etanol brasileiro já não precisa de subsídio. A mesma coisa vai acontecer
aqui”, comentou a conselheira do Laboratório Nacional de Energia Renovável
(NREL, na sigla em inglês), Helena Chum. No Brasil, a primeira grande expansão
da produção de álcool ocorreu em 1975, quando o governo federal deu incentivos
para a expansão da produção e estimulou a fabricação de veículos a álcool.
PRÓXIMO
ÁLCOOL
A
iniciativa privada e o governo norte-americano já começaram a fazer
investimentos em fábricas que vão produzir, experimentalmente, o “próximo”
álcool: o que terá como base a celulose. A iniciativa privada e o Departamento
de Energia dos Estados Unidos estão investindo mais de US$ 1,2 bilhão (cerca de
R$ 2,1 bilhões) em seis plantas industriais de álcool celulósico a partir das
mais diversas matérias-primas, como o resíduo do milho, a palha do arroz, os
restos de madeira e o switch grass, um capim nativo dos EUA.
Nos
próximos quatro anos, o Departamento de Energia dos Estados Unidos vai realizar
um investimento de US$ 385 milhões (cerca de R$ 693 milhões) nestas seis
unidades, que também vão se especializar na produção e refino do álcool
celulósico.
O
governo fez uma seleção para escolher os seis projetos que seriam implantados
em fevereiro deste ano e as fábricas já estão sendo implantadas. Os primeiros
resultados destas experiências devem ser colhidos em 2009 e 2010, de acordo com
o Departamento de Energia dos Estados Unidos.
Uma
destas seis plantas é a Range Fuels, no Colorado. A empresa vai transformar
madeira em gás e depois disso extrair o etanol. Seus donos são executivos que
atuaram na área de informática e que decidiram investir na área de
biocombustíveis depois de assistirem, em 2005, uma palestra do
ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, que inspirou o filme Uma verdade
inconveniente. O filme e a palestra abordam os impactos do aquecimento global.
Os principais acionistas da Range Fuels acreditam tanto no projeto, que já
iniciaram um grande plantio de árvores no Estado da Geórgia para garantir a
matéria-prima.
“O poder
da pesquisa nos faz acreditar que chegaremos ao álcool competitivo de
celulose”, comentou o subsecretário de Pesquisa, Educação e Economia do
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Gale Buchanan.
Valor Econômico
06/12/2007
Café
Mônica
Scaramuzzo
Muitas
são as lendas cultuadas no país. Pelo menos uma delas, a que diz que os
estoques de café do governo nunca acabam, está caindo por terra. Acumulados
desde o início do século XIX, quando o Brasil despontou como maior produtor e
exportador de café, esses estoques já eram considerados estratégicos na época
para o país, que despontava como o principal formador de preços no mercado
mundial.
Depois
de décadas lotando os armazéns credenciados pelo governo brasileiro, esses
estoques estão se esvaindo. Nas mãos do governo, hoje, há 865 mil sacas de 60
quilos. É pouco. Esse volume chegou a ser dez vezes maior em 1999. E vinte
vezes maior em 1989, com o fim do IBC (Instituto Brasileiro do Café).
Em 2008,
entretanto, esse volume deverá ser zerado, sobretudo com a continuidade dos
leilões oficiais, feitos para desovar cafés velhos e de menor qualidade,
normalmente utilizados em blends de café solúvel. Só neste ano foram 20.
Os
recursos arrecadados nos leilões são repassados para o Funcafé (Fundo de
Desenvolvimento da Economia Cafeeira). Outras 189 mil sacas de café também
estão nas mãos do governo, mas esse estoque pertence ao Tesouro, que financiou
há três anos a compra de café por meio dos contratos de opção para enxugar a
oferta no país.
A forte
demanda no mercado interno - com o consumo de 17 milhões de sacas, a taxas de
crescimento de 10% ao ano - e as exportações em torno de 28 milhões de sacas,
volume que tem se mantido nos últimos anos, têm ajudado a reduzir os estoques
do governo.
Lucas
Ferreira, diretor de café do Ministério da Agricultura, lembra que a decisão do
governo em se desfazer desses estoques também reflete, em parte, a idade
avançada desse café armazenado. A maioria foi adquirido durante os anos 1980.
Os custos para manter esses grãos armazenados também pesaram na decisão do
governo.
Para as
indústrias e exportadores do país, o fim dos estoques governamentais não trará
grande consequências para o mercado, uma vez que os volumes atuais estocados
são considerados inexpressivos. De acordo com Nathan Herszkowicz, diretor da
Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a história recente mostra
que as indústrias não são forte dependentes dos cafés estocados pelo governo
federal. "Nos últimos dez anos, houve pouca dependência", diz o
dirigente.
"Isso
vai ajudar a desmistificar a importância de um estoque estratégico. Os volumes
são inexpressivos para os preços", confirma Guilherme Braga, diretor do
Cecafé. Entre os cafeicultores, entretanto, o clima é de preocupação. Uma ala
do segmento já começou a se movimentar para que o governo volte a recompor seus
estoques.
De
acordo com Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes, em Santos
(SP), o Brasil nunca zerou seus estoques. "O Brasil responde por 40% do
mercado internacional." A demanda mundial cresce entre 1,7 milhão a 2
milhões de sacas por ano. "Há notícias de que os estoques de café nas mãos
dos países consumidores também estão caindo", afirma o especialista. O
mercado, contudo, está atento aos volumes estocados pelo setor privado, que não
divulga seus números.
A
produção mundial está em torno de 110 milhões de sacas de café, de acordo com
dados da Organização Internacional do Café (OIC). O Brasil produz em média 40
milhões de sacas, considerando a bianualidade da cultura (produtividade baixa a
cada dois anos).
Os
preços internacionais estão atraentes. Na bolsa de Nova York, as cotações acumulam
alta de 5,6% em 12 meses e 36,8% em 24 meses. Nem o dólar fraco afetará a
receita com as exportações, que deve atingir US$ 4 bilhões este ano, 11% mais
que em 2006, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Até novembro, foram US$ 3,57 bilhões, 19,7% mais que em igual intervalo do ano
passado.
06/12/2007
Suinocultura
Mauro
Zanatta
O
governo brasileiro deve adiar a finalização das negociações formais para o
início do comércio efetivo de carne suína com a China. O Itamaraty informou a
empresários do setor, em seminário sobre perspectivas comerciais com o parceiro
asiático realizado na terça, que o protocolo preliminar firmado pelo Ministério
da Agricultura deve ser oficializado apenas entre maio e setembro de
2008.
As
indústrias do setor esperavam uma decisão final até março do próximo ano, como
previsto no documento assinado pelo secretário de Defesa Agropecuária, Inácio
Kroetz, na semana passada, em Pequim. A ratificação do acordo inicial depende,
entretanto, de uma reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de
Cooperação (Cosban), criada em maio de 2004 para tratar das relações bilaterais.
Como
envolve os vice-presidentes dos países, está difícil fechar a agenda bilateral.
"Não é bom este atraso, mas também não é determinante. Porque se os
chineses quiserem comprar mesmo, pode ser feito só com a minuta de
Pequim", avalia o presidente da associação dos exportadores de carne suína
(Abipecs), Pedro de Camargo Neto.
As
negociações para o comércio bilateral de carnes se arrastam há três anos. Em
outubro, um protocolo sanitário bilateral abriu, após quase dois anos de
vaivéns, o mercado chinês à carne bovina cozida de Rio Grande do Sul, Santa
Catarina, Rondônia e Acre. Mas a situação da carne suína e de frangos segue
indefinida.
Divergências
da área técnica do Ministério da Agricultura também atrasaram o acordo
bilateral de suínos. Os chineses exigem reciprocidade comercial, porque também
querem vender miúdos de suínos ao Brasil. Mas veterinários brasileiros temiam
importar doenças exóticas da China, sobretudo a "orelha azul". Como
os asiáticos adotam o conceito de "zonificação", não-reconhecido pela
Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o Brasil resistia ao acordo
bilateral por questões sanitárias.
Como
precaução, o protocolo preliminar previu três etapas de inspeção: dos sistemas
de saúde animal, de saúde pública e de habilitação de plantas industriais de
abate de suínos. Com isso, se houver alguma ameaça de doença, será possível
"travar" a importação do produto chinês. No seminário, aliás, ficou
muito claro o potencial agropecuário dos asiáticos.
As
exportações do agronegócio chinês são maiores do que as vendas do Brasil. São
produtos como carnes processadas, pescados, rações animais, madeira, celulose,
couro e têxteis. Nos últimos cinco anos, os embarques asiáticos cresceram 120%,
semelhante aos 121% registrados pelo agronegócio nacional. A China avança
também no reflorestamento. Entre 2001 e 2005, o país replantou 4,06 milhões de
hectares de árvores - a Espanha, segunda no ranking, plantou 320 mil hectares.
Nesse período, o Brasil aumentou em 3 milhões de hectares o cultivo de
grãos.
08/12/2007
Entrevista
ANDREA
MURTA
DA
REDAÇÃO
Às
vésperas do vencimento -e provável renovação- das regras de taxação do álcool
brasileiro no mercado americano, em janeiro de 2008, o conselheiro de energia
do Departamento de Estado dos EUA, Greg Manuel, negou que haja tensão entre os
dois países devido aos impostos. Para ele, a produção brasileira mal consegue
acompanhar a demanda interna e "é muito improvável que o Brasil esteja em
posição de exportar quantidades significativas de álcool para os EUA nos
próximos anos" -o que esvaziaria uma potencial disputa.
Os EUA
impõe uma tarifa de US$ 0,14 por litro de álcool importado do Brasil, além de
2,5% sobre o preço de importação. Como 2,5 bilhões dos 3,5 bilhões de litros
que o Brasil exportou no ano passado foram para o país, o peso é considerável.
A posição não facilita o objetivo indicado pelo presidente americano, George W.
Bush, de substituir 20% de toda a gasolina consumida nos EUA por
biocombustíveis até 2010. Por outro lado, diz Manuel, EUA e Brasil investiram
nos últimos nove meses em projetos de desenvolvimento de um mercado para o
álcool, com foco na produção na América Central e Caribe. "Estamos trabalhando
com o Brasil e a União Européia para definir padrões internacionais para os
biocombustíveis, que permitirão o estabelecimento de um mercado de commodities
viável para substituir o petróleo", afirmou. Leia trechos da entrevista
que ele concedeu à Folha, por telefone, de Nova York.
FOLHA -
As regras de importação do álcool brasileiro expiram em 2008. O governo
favorece a queda?
GREG
MANUEL - Bem, é o Congresso que fixa as regras, não o governo. Vamos esperar
para ver. Mas é importante reconhecer que a produção de álcool do Brasil está
sendo inteiramente consumida no mercado interno, e não está sequer acompanhando
a demanda. É muito improvável que o Brasil esteja em posição de exportar
quantidades significativas de álcool para os EUA nos próximos anos. Portanto, a
taxação não é um ponto de tensão.
FOLHA -
O subsecretário de Estado americano para assuntos políticos, Nicholas Burns,
afirmou em visita a São Paulo em fevereiro ter planos para avançar acordos
entre Brasil e EUA sobre álcool em 12 meses. O que já foi alcançado na prática?
MANUEL -
Nosso acordo com o Brasil tem três áreas prioritárias -pesquisa,
estabelecimento de padrões internacionais e investimentos em países de Terceiro
Mundo. Desde o acordo tem havido trocas intensas entre cientistas dos dois
países. Especialistas brasileiros visitaram laboratórios americanos e
planejamos uma visita de reciprocidade para o começo de 2008. Estamos
trabalhando rapidamente com o Brasil e a União Européia para definir os padrões
internacionais para os biocombustíveis, que permitirão o estabelecimento de um
mercado de commodities viável para substituir o petróleo.
Há mais
de 15 propriedades do álcool sendo identificadas e padronizadas. Vamos
apresentar um acordo nas próximas semanas, mas EUA, Brasil e UE ainda
precisarão votá-lo. Nossa expectativa é ter isso pronto no primeiro trimestre
de 2008. Já começamos a trabalhar com República Dominicana, Haiti, El Salvador
e São Cristóvão e Névis. Identificamos mais de 30 projetos, todos com parcerias
privadas, e estamos agindo para implementá-los.
FOLHA -
Há planos para expandir a atuação, por exemplo para Nicarágua e até a África?
MANUEL -
Vamos expandir, e já estamos mantendo discussões com o Brasil a respeito de
quais países poderão ser os próximos alvos do trabalho. E vamos deixar a
questão por aí.
FOLHA -
Quanto já foi gasto?
MANUEL -
Não tenho valores, mas posso dizer que, além dos nossos parceiros privados, há
verba dos governos brasileiro e americano e também dos nossos três
colaboradores -o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a Fundação ONU
e a OEA (Organização dos Estados Americanos).
FOLHA -
A maior parte da produção de álcool americano vem do milho, menos eficiente do
que a cana. Vocês favorecem mudança na área?
MANUEL -
O milho é uma matéria-prima de primeira geração e muitos produtores já estão
buscando formas mais produtivas de obterem o álcool. Os EUA, em 2007,
identificaram seis usinas celulósicas, as quais o governo está assistindo
financeiramente e que usam uma variedade de diferentes matérias-primas. Mas a
questão é que não há apenas um vencedor.
FOLHA -
A falta de infra-estrutura para o transporte do álcool nos EUA atrasa
investimentos. Há planos de construção de dutos especiais?
MANUEL -
Há várias formas de transportar o álcool. Os EUA hoje usam prioritariamente as
rodovias, enquanto o Brasil tem formas mais dedicadas, com oleodutos. Estamos
investigando várias formas de baixar os custos da distribuição.
Isso
inclui pesquisa sobre novos tipos de biocombustíveis. Há várias pesquisas sobre
produtos que não apresentam as mesmas características negativas do álcool que
dificultam sua distribuição em oleodutos. Há também os que buscam produzir
álcool de forma mais distribuída, varrendo o problema do transporte da
logística. Mas não há nem haverá uma solução única.
FOLHA -
Como o Departamento de Estado aborda as críticas de que a produção de
biocombustíveis toma o lugar da agricultura alimentícia?
MANUEL -
Creio que há preocupações reais em várias partes do mundo acerca da dicotomia
combustível versus alimento e ambiente. Com relação ao ambiente, quero deixar
claro que a produção de álcool não compete com a Amazônia. E a razão não é
altruísta ou politicamente correta, é simplesmente econômica -a cana-de-açúcar
precisa de ambientes secos e mais frios para produzir. O Brasil está numa
posição excelente, pois tem muita terra boa para a cana e está se movendo
rapidamente nessa direção.
Já em
outras partes do mundo, entra a questão de uma nova indústria se desenvolvendo
muito rápido e que demanda a base agrícola já existente. No curto prazo, temos
visto uma elevação de preços em produtos como milho, açúcar e outros, mas com o
tempo -e isso já está acontecendo- os produtores aumentarão o plantio de
alimentos para reequilibrar fornecimento e demanda. Agricultura não é como a
internet, a mudança não acontece em três semanas. Leva tempo.
10/12/2007
Agronegócio
De São
Paulo
Anunciada
pelo Ministério da Agricultura na noite de quinta-feira, a balança comercial do
agronegócio em novembro trouxe as carnes (bovina, de frango e suína) como
líderes nas exportações do setor em novembro e praticamente empatadas com o
chamado complexo soja (inclui grão, farelo e óleo) nos embarques acumulados nos
primeiros onze meses do ano.
No mês
passado, as vendas de carnes ao exterior atingiram US$ 1,071 bilhões, 18,8%
mais que no mesmo mês de 2006. Em seguida no ranking das exportações aparecem os
produtos florestais (US$ 762,2 milhões, alta de 10,14% sobre novembro de 2006),
o complexo soja (US$ 633,3 milhões, aumento de 16,13%) e açúcar e álcool (514,8
milhões, queda de 32,42%).
O
ministério destaca que o avanço das carnes foi determinada pela valorização
média de 21,35% dos produtos, uma vez que o volume embarcado registrou queda de
2,13%. No caso dos produtos do segmento sucroalcooleiro, o tombo refletiu tanto
um volume menor de vendas ao exterior quanto pelas cotações menos atraentes.
De
janeiro a novembro, soja e derivados ainda lideraram as exportações, com
divisas da ordem de US$ 10,812 bilhões, 22,3% mais que no mesmo intervalo de
2006. Mas as carnes despontam logo atrás com US$ 10,239 bilhões e aumento de
29,72% na comparação.