INFRA-
ESTRUTURA
Presidente
lança pacote para atender zona rural
Vale
arremata trecho da Ferrovia Norte-Sul
Vale
leva ferrovia e investe em aço
Reinhold
Stephanes: A força da agricultura brasileira
Expansão
do agronegócio brasileiro esbarra no alto custo do transporte
IBGE e Conab vão
padronizar dados
O Estado de S. Paulo
31/08/2007
Política Agrícola
Presidente
lança pacote para atender zona rural
Lisandra
Paraguassú, Brasília
Com
o programa Territórios da Cidadania, que é um pacote social do Ministério do
Desenvolvimento Agrário, o governo tem como meta tirar do esquecimento áreas
inteiras do País - especialmente nas zonas rurais - onde água, luz, escola e
saúde demoram a chegar. São 120 zonas, reunindo 1.848 municípios, em que o
governo pretende usar os programas sociais existentes para tentar resolver o
problema da infra-estrutura social até 2010.
Veja
a lista completa
Só para
2008 foi reservado mais R$ 1 bilhão no orçamento do ministério, além dos R$ 2,5
bilhões que já estavam previstos para investimento. No total, a pasta quer
atender, até 2010, uma população que inclui 1,8 milhão de pequenos
agricultores, quase meio milhão de assentados, 507 comunidades quilombolas e
356 territórios indígenas. Se hoje, nessas áreas, 3,7 milhões de famílias
recebem o Bolsa-Família, boa parte delas não tem o resto: saneamento, luz,
escolas, atendimento de saúde, assistência técnica para a agricultura e
crédito.
O
programa vai mapear as necessidades de cada região e, de acordo com o secretário-executivo
do ministério, Marcelo Rocha, chegar em bloco, levando todos os programas
necessários. “Esse é o maior desafio, porque são, na maioria, programas
realizados por outros ministérios. Teremos de integrar e, muitas vezes,
encontrar alternativas”, explica.
A pasta
da Educação, por exemplo, já mapeou onde são necessárias mais escolas. Da mesma
forma, o Ministério de Minas e Energia troca informações sobre onde são
necessários mais pontos do Luz para Todos. Já o programa Farmácia Popular, do Ministério
da Saúde, só poderia ser instalado em municípios acima dos 70 mil habitantes.
“Por esse critério, nenhum dos nossos territórios poderia ser atendido”, conta
Rocha. “Fizemos um acordo para que haja pelo menos uma farmácia para atender a
região.”
A
primeira etapa, no ano que vem, deve começar com apenas a metade dos
territórios. São apenas 60 e o Ministério do Desenvolvimento Agrário tem
mapeada a situação de apenas 30. São os prioritários, que reúnem áreas em todo
o País e concentram 475 municípios. Justamente pelo grau de pobreza, os pontos
iniciais concentram-se em 16 territórios no Nordeste e 5 no Norte.
PARÂMETROS
Os
critérios usados para definir as regiões foram o Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH), os números de famílias atendidas pelo Bolsa-Família e de
agricultores familiares, a existência de assentamentos e quilombos, além do
porcentual de municípios com renda muito baixa ou estagnada.
De
acordo com o levantamento, metade das regiões tem mais de 90% que se encaixam
no critério de renda baixa ou estagnada. Nove dos 30 territórios - Sisal (BA),
Norte do Espírito Santo, Cocais e Vale do Itapecuru (MA), Baixo Amazonas (PA),
Borborema (PA), Agreste Meridional (PE), Sudoeste Paranaense e Bico do Papagaio
(TO) - têm 100% das cidades nessa classificação.
O IDH
nas regiões passa de 0,70 em apenas sete áreas. Com exceção do Entorno de
Manaus, a única capital da lista, todas ficam nas Regiões Sul e Sudeste. Como
no cálculo do IDH entra não apenas renda, mas expectativa de vida e educação,
regiões do Sul e Sudeste podem ter um IDH maior, mas entram na lista por terem
municípios em que a renda não avança. É o caso, por exemplo, do sudoeste
paranaense. Com IDH de 0,77, considerado de médio desenvolvimento, tem 100% dos
municípios estagnados.
O pacote do Ministério do Desenvolvimento Agrário foi apresentado há duas semanas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante uma reunião do comitê de políticas sociais do governo, que agrega 12 ministros. O projeto agradou ao presidente, que chegou a comentar, ao ver o casebre que ilustra a apresentação, que a casa em que morava no sertão pernambucano, quando criança, já era melhor do que aquela. Ali, o Ministério do Desenvolvimento Agrário garantiu a sua parte nos recursos que estavam sendo disputados por 12 pastas da área social
31/08/2007
Commodities
mzafalon@folhasp.com.br
CANA INDUSTRIAL
A
indústria brasileira sucroalcooleira vai esmagar 86,5% (473,2 milhões de
toneladas) da cana que será colhida na safra 2007/8. Desse total, 47% irão para
a fabricação de açúcar e 53% para a extração de álcool. Os dados são do segundo
levantamento da Conab.
MAIS
ÁLCOOL
Segundo
a Conab, a produção de açúcar será de 30 milhões de toneladas, com queda de
0,6% em relação à safra anterior -resultado do preço pouco remunerador. Já a
produção de álcool será 22% maior, de 21,3 bilhões de litros -crescimento
motivado pela demanda.
PRODUÇÃO
RECORDE
A
produção brasileira total de cana, que inclui a destinada ao setor
sucroalcooleiro e a outros fins (cachaça, ração etc.), será de 547,2 milhões de
toneladas, resultado recorde e 15,2% superior à colheita de 2006/7. A área
ocupada cresceu 12,3%, para 6,9 milhões de hectares.
MAIS
QUE A MÉDIA
As
exportações do agronegócio mineiro cresceram 4% em julho em relação ao mesmo
mês de 2006, totalizando US$ 393 milhões. Já as vendas externas do país tiveram
alta de apenas 0,7% em julho, somando US$ 5,3 bilhões.
RECEITA
MINEIRA
"Atender
às exigências dos países consumidores é fundamental para conquistar o mercado
mundial. Minas está investindo constantemente na qualidade e na segurança
alimentar", disse o secretário de agricultura de Minas Gerais, Gilman
Viana Rodrigues.
2º
RECORDE SEGUIDO
Pelo
segundo dia consecutivo, o preço do trigo bateu recorde em Chicago. Os motivos
são: crescimento da demanda pelas reservas dos EUA e previsão de que os
estoques mundiais do produto cairão para o patamar mais baixo dos últimos 26
anos.
ARCO-ÍRIS
Foi
lançada ontem no Brasil, na abertura da 26ª Expoflora, a rosa multicolorida. A
novidade, importada da Holanda, foi criada pelo produtor holandês Peter van de
Werken, que desenvolveu um corante natural que garante pétalas de diferentes cores
em uma mesma rosa. A exposição vai até o dia 23 de setembro, em Holambra (SP).
NOVA
SEMENTE
A
Monsanto lançou ontem uma nova semente de sorgo híbrida. A cultivar é derivada
do cruzamento de duas espécies diferentes de sorgo. As principais características
são rusticidade, alta produção de palhada e viabilização do plantio direto.
Globo
03/10/2007
Cabotagem
Medida,
que inclui isenção temporária de imposto, visa a criar mercado de cabotagem no
país
Eliane
Oliveira
BRASÍLIA.
A recuperação da indústria naval brasileira - reforçada a partir do início de
2006, com a encomenda dos primeiros 26 navios petroleiros, de um total de 44,
pela Transpetro - caminha a passos mais lentos do que o governo pretendia,
especialmente em se tratando da cabotagem (transporte de cargas por mar e rio
entre portos de um mesmo país). Por isso, segundo disse ao GLOBO o ministro do
Desenvolvimento, Miguel Jorge, estão sendo estudadas medidas para incrementar o
setor, entre as quais a polêmica isenção temporária do Imposto de Importação de
navios, atualmente em 55%.
Além da
redução tributária sobre bens e equipamentos navais importados, o governo
estuda diminuir os níveis de exigência de conteúdo local de bens usados pelo
setor, além de fazer ajustes em barreiras legais que dificultam a expansão do
uso de navios nos cerca de 8 mil quilômetros da costa brasileira.
No caso
da abertura das importações de navios, a idéia é liberar as compras no exterior
para que sejam feitos leasings pelos armadores (empresas que encomendam e
administram embarcações). Eles passariam a oferecê-los como opção de transporte
de carga, de modo a criar mercado para a cabotagem no país.
Miguel
Jorge acredita que a alíquota de importação, no nível em que está, é proibitiva
para segmentos que pretendem investir na compra das embarcações, como os de
mineração, siderurgia e automotivo. Para ele, se não for criado um mercado
consumidor de navios, a indústria naval não conseguirá voltar a produzir
embarcações.
- Temos
oito mil quilômetros de costa, mas só 17 navios fazem cabotagem no Brasil.
Miguel
Jorge tem o apoio do ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, para quem mar
e rios são alternativas de transporte aos milhões de toneladas de grãos que
atravessam estados até chegar aos grandes portos a cada colheita. A proposta do
Desenvolvimento, no entanto, não é consenso dentro do governo - o Ministério
dos Transportes tem se posicionado contra a idéia - e encontra forte
resistência de parte do setor privado.
- Tem
que haver um planejamento para a abertura do setor, para não prejudicar a
indústria nacional - afirmou o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes
Aquaviários (Antaq), Fernando Fialho.
Segundo
Floriano Pires, da Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia
(Coppe) da UFRJ, a indústria brasileira não produz navios oceânicos há 15 anos.
Ele ressaltou, porém, que, se o governo reduzir ou acabar com o Imposto de
Importação, eliminará qualquer possibilidade de recuperação do segmento.
- O
setor já começa a receber encomendas. O mercado vai se ajustando aos poucos, em
termos de oferta de navios e de contratação de mão-de-obra qualificada -
afirmou o especialista.
Pela
legislação em vigor, a cabotagem só pode ser realizada por navios de bandeira
brasileira e com um terço da tripulação nascida no Brasil. Segundo o Sindicato
Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval),
porém, numa tentativa de burlar a legislação em vigor, cresce o número de
embarcações estrangeiras fazendo o serviço, diante da falta de navios
brasileiros.
- A
implantação de uma indústria naval e de transporte marítimo seguindo a
legislação brasileira existente é o elemento para estimular o crescimento da
economia e construir as bases de um desenvolvimento sustentável - defendeu o
presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha.
Liberar
a nacionalidade de parte da tripulação driblaria a falta de pessoal, na opinião
de Miguel Jorge. De acordo com um relatório elaborado por um grupo de trabalho
formado por representantes dos ministérios dos Transportes e da Agricultura, da
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), da Antaq e do Sindicato Nacional
das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), as empresas brasileiras vêm
enfrentando o problema da baixa oferta de pessoal.
A
cabotagem é o transporte de cargas realizado entre os portos ou pontos do
território brasileiro, utilizando a via marítima ou vias navegáveis interiores.
Comparado ao transporte rodoviário, seu custo é de um quarto. Além disso, a
cabotagem contribui para a preservação ambiental, ao reduzir a demanda pelas
rodovias. Isso significa menos emissão de gases que provocam o efeito estufa na
atmosfera.
COLABOROU
Gustavo Paul
O Estado de S. Paulo
04/10/2007
Logística
PAULO DE
ARAUJO
COLABORAÇÃO
PARA A FOLHA
A
Companhia Vale do Rio Doce arrematou ontem em leilão a subconcessão do trecho
da Ferrovia Norte-Sul entre Açailândia (MA) e Palmas (TO). O lance foi de R$
1,478 bilhão, valor mínimo estipulado.
Com o
negócio, a empresa vai administrar, por 30 anos, 720 km da ferrovia. Dessa
extensão, a Vale já operava, desde 1996, 225 km, entre Açailândia e Estreito,
no Estado do Maranhão. Outros 134 km, já concluídos, necessitam de um prazo de
pelo menos quatro meses antes de entrar em operação.
O
restante do trecho sob concessão deve ser entregue até 2009. As obras ficarão a
cargo da estatal Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A.
Segundo
o diretor de logística da Vale do Rio Doce, Eduardo Bartolomeo, o transporte de
GRÃOS será a prioridade da empresa no corredor de cargas.
"Esse
é o corredor de maior crescimento da soja, daí a importância estratégica em
explorar esse negócio", afirmou.
Além da
soja, a companhia espera transportar arroz, milho, álcool e açúcar produzidos
na região centro-norte. "Essa região é onde o crescimento está
acontecendo", disse.
De
acordo com estimativas da Vale, deve ser movimentado neste ano cerca de 1,7
milhão de toneladas de grãos; para 2013, a previsão do volume é de 8,8 milhões
de toneladas de grãos.
A
concessão do trecho da Ferrovia Norte Sul à Vale já era esperada, uma vez que a
empresa foi a única habilitada a participar do leilão de ontem.
Além do
lance de R$ 1,478 bilhão, a Vale prevê investir R$ 66 milhões até 2010 em
infra-estrutura (sinalização, oficinas e postos de abastecimento).
A
empresa já opera a Estrada de Ferro Carajás, a Estrada de Ferro Vitória a Minas
e a Ferrovia Centro Atlântica, de acordo com a ANTF (Associação Nacional dos
Transportadores Ferroviários).
Segundo
um analista do setor, que pediu para não ser identificado, o negócio demonstra
que a malha ferroviária no Brasil está "demasiadamente concentrada nas
mãos de poucas empresas". A Vale discorda (leia texto abaixo).
Para o
diretor-executivo da ANTF, Rodrigo Vilaça, "ferrovia virou negócio para
grandes empresas" devido ao volume de investimentos envolvido. "O
problema é que a malha ferroviária ainda é muito pequena."
Lançada
em 1986, durante o governo José Sarney, a Ferrovia Norte-Sul foi concebida
inicialmente para ter um traçado de 1.550 km e cortar os Estados do Maranhão,
do Tocantins e de Goiás. Tornou-se uma obra polêmica e chegou a ser batizada
como "aquela que ligaria o nada a lugar nenhum", com custos previstos
de US$ 2,5 bilhões. Em 1987, conforme a Folha revelou na época, comprovou-se
fraude na concorrência de empresas que iriam participar da construção da
ferrovia.
Após 21
anos, foram concluídos apenas 359 km. Atualmente, segundo informações da Valec,
já foram iniciadas obras para a construção de mais 319 km.
Em 2006,
a ferrovia foi incluída no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A
respeito da sua retomada, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse, em
maio, que é "essencial para escoar a safra produzida no
Centro-Oeste".
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Com a
Reuters
O Estado de S. Paulo
04/10/07
Logística
Vale
leva ferrovia e investe em aço
Renée
Pereira
A
Companhia Vale do Rio Doce demorou pouco menos de cinco minutos para arrematar
os 720 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul, entre Açailândia, no Maranhão, e
Palmas, no Tocantins. Sem concorrentes, a mineradora ofereceu o preço mínimo,
de R$ 1,478 bilhão, e levou o maior empreendimento ferroviário concedido no
País desde a década de 90.
Agora, a
Vale passa a deter a concessão de quatro ferrovias: a Centro-Atlântica, Estrada
de Ferro Carajás, Estrada de Ferro Vitória-Minas e Norte-Sul. Com isso, contará
com 9.890 quilômetros, considerando a Norte-Sul construída até Palmas (TO). Até
2006, as ferrovias da mineradora transportavam 239 milhões de toneladas de
produtos, como minério, soja e farelo, produtos siderúrgicos e combustíveis.
Na
Norte-Sul, a expectativa é de que o volume transportado atinja 8,8 milhões de
toneladas em 2013, afirma o diretor de Logística da companhia, Eduardo
Bartolomeo. Segundo ele, neste ano a ferrovia, que já opera entre Porto Franco
e Açailândia, deve movimentar 1,7 milhão de toneladas de GRÃOS, a maioria soja.
Para
conseguir atender à demanda projetada, a Vale pretende investir R$ 416 milhões.
Desse total, R$ 66 milhões serão gastos em infra-estrutura, como sinalização,
oficinas e postos de abastecimento, entre 2007 e 2010. O restante será usado na
compra de 45 locomotivas e 550 vagões. Hoje a Vale já opera a estrada de ferro
com 450 vagões.
Segundo
Bartolomeo, por enquanto, a companhia não pensa em colocar trens de passageiros
nos trilhos da Norte-Sul. Ele explicou que isso poderá ocorrer futuramente, mas
dependerá de autorização da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT).
Ele
disse esperar que a Valec entregue as obras dentro do cronograma. A ferrovia
está pronta no trecho entre Açailândia (MA) e Araguaína (TO). A previsão é que
as obras até Palmas sejam concluídas até 2009.
O
presidente da Valec, José Francisco das Neves, garante que o cronograma será
cumprido. "Só estava faltando o dinheiro. Agora já temos", disse. As
obras continuam nas mãos da Valec, que usará o dinheiro do leilão na
construção.
Sobre a
falta de concorrentes na subconcessão, o diretor disse que o processo estava
aberto e a ferrovia está alinhada com as estratégias da empresa. A ministra da
Casa Civil, Dilma Rousseff, não viu problemas no fato de o leilão ter tido
apenas um concorrente. "Por que seria ponto de interrogação? Seria ruim se
estivesse vazio."
Além da
Norte-Sul, a Vale anunciou uma parceria com o grupo chinês Baosteel para a
construção de uma siderúrgica no Espírito Santo, que terá capacidade de
produzir 5 milhões de toneladas anuais. O investimento previsto é da ordem de
US$ 5 bilhões. As duas empresas procuram um terceiro sócio para o
empreendimento.
04/10/2007
Logística
Renée
Pereira
O
presidente da estatal Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, anunciou
ontem que um novo trecho da Ferrovia Norte-Sul deverá ser leiloado em março do
ano que vem. Trata-se do trecho Palmas (TO) - Aparecida do Taboado (MS), com
cerca de mil quilômetros. Até então a expectativa era que a Norte-Sul terminasse
em Anápolis, no Estado de Goiás.
Mas ele
afirmou que o traçado deve ser estendido até Mato Grosso do Sul. Assim, a
ferrovia superaria os 1.980 km previstos anteriormente, que ia de Belém (PA) a
Anápolis (GO). Juquinha explicou que, no momento, a empresa está fazendo o
estudo de viabilidade econômica e social da obra, que ficará pronto em breve.
Ao contrário do leilão de ontem, o executivo acredita que o novo trecho vai
despertar o interesse de outras empresas concessionárias já atuantes no setor ferroviário
brasileiro. Entra elas, ele citou a MRS Logística e a América Latina Logística
(ALL), além da Companhia Vale do Rio Doce.
A
explicação é que em Anápolis a Norte-Sul vai se interligar a outras ferrovias,
como a Centro Atlântica, da Vale, e a Ferronorte, da ALL. O diretor de
Logística da Vale, Eduardo Bartolomeo, afirma que a empresa ainda não pensou na
possibilidade de disputar esse outro trecho. "A Vale sempre investiu em
infra-estrutura, pois é um negócio que está alinhado com as estratégias da
companhia. Isso mostra nosso compromisso com o País e com o desenvolvimento da
infra-estrutura", destacou o executivo, completando que neste momento as
atenções estarão voltadas para o trecho arrematado ontem.
Ele
avaliou que a Norte-Sul é um novo e importante corredor de exportação para
carga geral, como soja, arroz, milho, combustíveis e fertilizantes, que dará
maior competitividade ao produto brasileiro. Além disso, tem um apelo social
significativo, pois vai fomentar a agricultura no cerrado brasileiro, cuja
oferta de terras produtivas para o cultivo de grãos e açúcar é ampla. Além
disso, vai acelerar o desenvolvimento portuário do Maranhão, onde está o Porto
de Itaqui. A expectativa da companhia é que o término da Norte-Sul e o
desenvolvimento da região criem cerca de 50 mil postos de trabalhos diretos e
indiretos, a partir de 2009.
Folha de S. Paulo
07/10/2007
Opinião
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PRECONCEITO
e desinformação costumam andar lado a lado, um sustentando o outro e
justificando a origem de ambos. É o que se depreende quando analisamos recentes
artigos publicados na imprensa européia sobre a expansão do cultivo da soja e
de outras culturas no Brasil.
Muitos
insistem em ignorar que o crescimento se deve, em grande parte, à eficiência de
pesquisadores e de produtores em encontrar plantas mais produtivas. Sem falar
no sucesso crescente de sistemas de industrialização e comercialização, apesar
da ainda deficitária infra-estrutura logística, em especial no Centro-Oeste
brasileiro.
No
entanto, há muita confusão entre a área ocupada pela floresta amazônica e a
chamada Amazônia Legal, esta criada para fins de planejamento econômico a
pedido dos Estados, englobando, além do território da floresta, biomas diversos
em Mato Grosso, Tocantins e parte do Maranhão.
A parte
brasileira da floresta amazônica representa 36% do território, e o bioma
amazônico abrange 50% do país. Para ter uma dimensão do bioma amazônico, vale
dizer que poderia envolver 20 países europeus.
Já a
Amazônia Legal ocupa 60% do Brasil e, por ser ainda mais abrangente, contém
parte do bioma cerrado, que se assemelha, em geral, à savana, com gramíneas,
arbustos e árvores esparsas.
Na
Amazônia Legal, que não significa apenas a floresta amazônica, mas sim vários
outros biomas e nove Estados, vivem 23 milhões de brasileiros -cerca de um
terço da população francesa. Lá estão, além de emprego e renda, os bons índices
de qualidade de vida medidos pelo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), da
ONU, que são superiores à média nacional.
Da
formação original, estimada em 600 milhões de hectares, o Brasil mantém
preservados 440 milhões de hectares, ou seja, 60% da área primitiva. Essa área
corresponde a 28% do total de florestas do planeta, atualmente. Enquanto isso,
a maioria dos países devastou suas florestas. Na Europa, por exemplo, o índice
de floresta original é inferior a 0,5%.
No
Brasil, as áreas com florestas protegidas são as indígenas, com 108 milhões de
hectares, e as de conservação federais e estaduais, com 111,6 milhões de
hectares. São mais de 219 milhões de hectares, ou seja, 25,9% do território.
Além disso, leis rígidas obrigam a criação de áreas de preservação permanente e
de reserva legal.
Afirmações
como "a soja vai sufocar a Amazônia" desconsideram que os 70 mil km2
-ou seja, 7 milhões de hectares- que são utilizados para o plantio na região
representam menos de meio ponto percentual (0,26%) do bioma amazônico. Tampouco
se leva em conta o esforço do governo Lula para a redução do desmatamento, em
declínio nos últimos anos.
Além
disso, registramos ações positivas da iniciativa privada e medidas como a
moratória da soja, em que o cultivo responsável beneficia as agroindústrias que
não compram soja proveniente de floresta desmatada desde 2006.
Seria
mais útil ao desenvolvimento sustentável do planeta o debate sobre a
necessidade de reduzir o protecionismo de países desenvolvidos sobre os
produtos que competem com os de países em desenvolvimento, como o Brasil. Essa
realidade faz com que tenhamos dificuldades em diversificar e agregar valor ao
que produzimos.
Para
fazermos chegar nossos produtos, a maior parte de commodities, ao mercado
exterior, nos submetemos a rígidas restrições tributárias e a tarifas altíssimas,
como 310% para carne suína (Japão); 167% para o açúcar (EUA); 177% para carne
bovina (UE); 95% para frango congelado em partes (UE). São tarifas que proíbem
o Brasil de plantar mais milho, por exemplo, e de beneficiar carnes para obter
remuneração adequada.
Ao
eleger a soja como inimiga número um da floresta amazônica, deixa-se esquecido
que o Brasil tem vocação para o desenvolvimento sustentável, possuindo uma
matriz energética em que 45% dos recursos provêm de fontes renováveis. Isso nos
coloca entre os poucos países com oferta de energia limpa e renovável, com
capacidade de se tornar um grande fornecedor nessa área.
No
entanto, o Brasil produz, primeiramente, para alimentar 190 milhões de
brasileiros, e da soja se extrai a proteína mais barata do mundo, que, além de
suprir as necessidades alimentares da população, auxilia na dieta de bovinos,
suínos e ovinos dos rebanhos europeus e asiáticos.
Esses
fatos incontestáveis, mas pouco abordados, mostram que está na hora de os
conceitos sobre o Brasil serem revistos e de o respeito ao povo brasileiro ser
mais exercitado.
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REINHOLD STEPHANES , 67, economista, deputado federal
licenciado (PMDB-PR), é o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Foi ministro do Trabalho e Previdência Social (1992-1995) e da Previdência e
Assistência Social (1995-1998).
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião
do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos
problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do
pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
25/11/2007
Infra-Estrutura e Logística
Eliane
Oliveira
BRASÍLIA.
O agronegócio brasileiro é o mais competitivo do mundo. Natureza, tecnologia de
produtos, altos índices de competitividade e 101 milhões de hectares sobrando
para plantar, sem precisar arrancar uma única árvore da floresta amazônica. No
entanto, a falta de infra-estrutura e logística, principalmente no Centro-Oeste
- região que assiste à expansão das fronteiras agrícolas - pode impedir que o
Brasil tenha força para atender à exponencial demanda global, devido ao
crescimento das nações emergentes, como a China.
Os
problemas são cada vez mais evidentes. No Centro-Oeste, onde a expansão de
culturas como soja, cana-de-açúcar e milho ganham força, tudo vai bem até a
porteira da fazenda. Só que, com as más condições das estradas, a ausência de
investimentos em ferrovias e hidrovias e os ainda tímidos corredores para
escoar a produção até o Norte, as mercadorias viajam até três mil quilômetros
para, por exemplo, ir de Mato Grosso ao Porto de Paranaguá.
A dor do
crescimento, portanto, é alta para os exportadores e para o próprio governo.
Estima-se que, dos cerca de R$2 bilhões que o Tesouro gastou em prêmios na
safra 2005/06, pelo menos R$1 bilhão foi usado para compensar só custos com
frete.
- Os
problemas não afetam só a renda do produtor rural, refletem-se nas contas
públicas - destacou o diretor de Infra-Estrutura e Logística do Ministério da
Agricultura, Biramar Nunes de Lima.
Segundo
Lima, 90% das propostas apresentadas pelo órgão relativas à criação de
corredores de escoamento da safra do Centro-Oeste (o de São Luís é prioritário)
estão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas ele observou que isso
adianta pouco sem que se invista em logística básica.
E deve
ser para ontem. Segundo o consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária
do Brasil (CNA), Luiz Antônio Fayet, hoje o Brasil exporta cerca de 90 milhões
de toneladas por ano, com potencial de aumento de 70 milhões em uma década:
- Isso
levaria o Brasil a ser responsável pelo suprimento de 60% da demanda mundial.
Para os
empresários, transporte é um custo alto: o equivalente a uma tonelada do
produto transportado, se o meio for hidrovia; dez, no caso da ferrovia; e cem,
no da rodovia.
Lima
disse que, excluídas áreas de pastagem degradadas, o país tem 101 milhões de
hectares não explorados, enquanto os EUA não têm mais como se expandir. Fayet
concorda. Os preços internacionais estão elevados não só por causa da demanda
dos países emergentes, mas também pelo chamado "efeito Bush". Com o
maior interesse na produção de etanol, os EUA provocaram a disparada nas
cotações de milho e soja.
27/11/2007
Abastecimento e Armazenagem
O
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e a Companhia Nacional
de Abastecimento (Conab) começam a padronizar as estimativas de safras para
acabar com as diferenças entre os números divulgados pelos dois órgãos. As duas
entidades estão compartilhando informações para construir uma estimativa única
de safras. "A idéia é ter um levantamento mais apurado, com uma única
referência nacional de estimativa de safra, para orientar melhor o
mercado", disse o coordenador de Agropecuária do IBGE, Flavio Bolliger.
O acordo
representa um esforço institucional da Conab, segundo diretor de Logística e
Gestão Empresarial da estatal, Silvio Porto. Desde o início do ano, as
estatísticas da entidade, sobretudo relativas à atividade cafeeira, vêm sendo
objeto de questionamento por analistas de mercado e, mais recentemente, pela
Organização Internacional do Café (OIC).
A meta
do coordenador do Instituto, Bolliger, é padronizar todos dos dados até o fim
de 2008. "Vamos ajustar os dados progressivamente", disse Bolliger.
As estimativa é de que alguma coisa seja divulgada em conjunto a partir de
janeiro, no dia 8, às 9 horas.
O
diretor da Conab informou ainda que a estatal fará parcerias com outros órgãos
públicos, para melhor ainda mais qualidade dos levantamentos da estatal. Entre
eles estão o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) , Sistema Meteorológico
do Paraná (Simepar) e com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para
trabalhar ainda a questão de meteorologia e de avaliação de rendimento das
culturas agrícolas. "Podemos ter indicativos em relação à tendência de
produtividade das plantas, principalmente em períodos de chuva e
estiagem", disse Porto.
Ainda
não houve, entretanto, um consenso entre as duas entidades em relação ao
unificação do calendário agrícola. Bolliger, coordenador do IBGE - que usa o
ano civil para a divulgação das estimativas de safras - acredita que a Conab -
que usa o ano agrícola - passará a usar o mesmo modelo do instituto. Já o
diretor da estatal, Porto, ainda não confirmou tal critério. "Talvez,
venhamos adotar o mesmo modelo do IBGE", disse Porto. Existe dificuldade
em unificar o calendário, porque, de acordo com Porto, existe uma defasagem de
seis meses na divulgação dos dados pelo IBGE. "O IBGE fará o fechamento da
safra de 2007 entre janeiro e fevereiro e a Conab já fechou esse ano agrícola
(2006/07). A divergência está na composição da safra de inverno", disse
Porto.
Bolliger
disse que o Instituto vem trabalhando para acompanhar os dados aos da Conab.
Sem citar valores de investimento, disse que o instituto aumentou o número de
prognóstico para a safra de verão, de dois para três meses. "O IBGE terá
um gasto maior, mas há otimização de recursos, pois as estatísticas serão
unificadas", disse.
(Gazeta
Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Viviane Monteiro)