MEIO AMBIENTE
País e empresas calculam efeitos
de mudança no clima
Desmatamento aquece Amazônia em até 4C,
diz Inpe
Marina cobra Stephanes sobre cana
Cana na floresta cria mal-estar entre
ministros
UE critica plano de cultivar cana na
Amazônia
Será que o sertão vai virar 'desertão'?
País quer etanol e orgânicos em
lista ambiental
Brasil quer convencer UE de que etanol
não afeta florestas
ONGs propõem zerar desmate em 7
anos
Mangabeira pretende rediscutir
Amazônia
Canaviais e queimadas já desafiam
Amazônia
Embrapa analisa áreas para
produção de álcool
Nova lei deve reduzir os conflitos
ambientais
R$ 15 bi contra apagão florestal
R$ 7 bilhões para salvar a
Amazônia
Café:
estiagem faz preço externo subir
O desmatamento não escapa nem das
revistas de bordo
Projeto permite trocar floresta
por dendê
Desmatamento volta a crescer e faz
governo rever plano para Amazônia
Amazônia: governo admite alta na devastação
Desmatamento cresce 8% na Amazônia
Preservação do cerrado em
discussão
Desmatamento deixa Brasil entre
maiores poluidores
Mercado de CO2 reduz 70% do
desmate
Política agrícola
do país já considera aquecimento
Estados tentam
barrar restrição à agropecuária
Temperatura
aumenta em áreas desmatadas
Para
Mangabeira, floresta não é parque.
Zoneamento
ecológico só sairá em meados de 2008, diz governo.
Para ministro, Amazônia tem que
ficar 'como está’
Metade da Amazônia pode cair até
2030.
Desmatamento da Amazônia cai pelo
terceiro ano
Valor Econômico
31/08/2007
Meio Ambiente
Daniela Chiaretti
Julio
Bittencourt/Valor

Marco Antonio Fujihara, da Fiesp: carbono pode ser investimento ou custo.
Se as
emissões da queima de combustíveis fósseis fossem taxadas no Brasil em US$ 20
por tonelada de carbono, o Produto Interno Bruto (PIB) encolheria apenas 0,02%
e as receitas fiscais cresceriam 27%. Os setores de transporte e aço sofreriam
mais, os que trabalham com tecnologias limpas naturalmente se beneficiariam,
mas a taxação de carbono, uma idéia que começa a tomar força em países
europeus, não causaria grande impacto na economia brasileira.
O
diagnóstico é de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA,
de 2002. "A rigor, a taxação de carbono pode ser comparada ao aumento do
barril do petróleo nos últimos anos", diz Ronaldo Seroa da Mota, um dos
autores do trabalho. "Mas o nosso problema de emissões é o desmatamento. E
aí não se trata apenas de uma questão de vontade política", prosseguiu
Mota, falando em painel no seminário sobre mudanças climáticas promovido pela
Câmara dos Deputados, em Brasília.
Citando
outro estudo do IPEA, Mota disse que renda sustentável na Amazônia, obtida com
extrativismo ou ecoturismo, dá cerca de US$ 40 por hectare. "Pesquisas
apontam que os países desenvolvidos estariam dispostos a pagar até US$ 100 por
hectare para preservar a Amazônia", lembrou. "O controle da floresta
requer agregar valor a ela." Quando se quer mais terra vai se abrindo a
fronteira agrícola, a pressão sobre a Amazônia só se resolve se o regime de
propriedade na região for alterado. "Tem que dar direitos seguros de
propriedade e reservar terras boas para agricultura e pecuária",
defendeu.
No
embalo das notícias que o Brasil "está fazendo a lição de casa" com
três anos sucessivos de redução no desmatamento, Telma Krug, secretária de
mudanças climáticas do Ministério do Meio Ambiente, citou recente estudo da ONG
americana Center for Clean Air Policy. "Eles dizem que Brasil e China
adotaram ações de cortes de emissões que se comparam ao que, em 2010, os EUA
projetam fazer em termos voluntários e está próximo aos 40% do que a União
Européia fará", contou. "O Brasil, sem metas, tem feito um esforço
hercúleo no combate ao aquecimento."
O setor
privado começa a analisar com lupa o risco embutido nas mudanças climáticas.
Marco Antonio Fujihara, membro do Conselho de Meio Ambiente da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo exibiu a ilha de São Luís, no Maranhão, com
parte de seu território sob as águas, um dos cenários mais pessimistas diante
do aumento do nível do mar. "Aqui se pretende fazer uma siderurgia de US$
1 bilhão. Claro que se está analisando o risco." Ele reclamou da falta de
regulamentação do mercado de carbono no Brasil - algo que a Índia já fez em
2001 e a China, em 2003. "Tem gente vendendo carbono no Brasil passando
pelas Ilhas Cayman. O que é isso?”
As
empresas estão entendendo que uma economia de baixo carbono é melhor que uma de
alto carbono, e que a transição, mesmo se cara no início pode trazer avanços
tecnológicos, disse. Inventários de carbono, feitos pelas empresas, tornam-se
instrumentos gerenciais que apontam onde se pode economizar energia,
racionalizar processos. "Carbono pode ser um vetor de investimentos ou de
custos. O que precisa é ver se ele é parte do problema ou da solução.”
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Folha
de S. Paulo
31/08/2007
Meio Ambiente
CLAUDIO
ANGELO
EDITOR
DE CIÊNCIA
Uma das perguntas
que mais tiram o sono dos estudiosos da Amazônia é quanto desmatamento precisa
ocorrer para que o clima local mude. Pelo menos para uma região da floresta,
cientistas brasileiros acreditam já ter uma resposta: 40%.
Substituir
esse total de mata nativa por soja ou pasto pode causar aumentos de temperatura
de até 4C e uma redução de até 24% nas chuvas durante a estação seca na porção
leste do território amazônico.
A área
em questão abarca Pará, Amapá, Roraima, Maranhão, Tocantins e um pedaço do Amazonas.
Trata-se da metade naturalmente mais seca dos 5 milhões de quilômetros
quadrados da Amazônia Legal. E também uma das mais desmatadas: de 18% a 20% das
florestas ali já cederam lugar à agropecuária, contra 15% da média amazônica
total.
A
conclusão é de um estudo feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais), com participação de pesquisadores das universidades federais de
Minas Gerais e de Viçosa. O trabalho, que será publicado em setembro no
periódico "Geophysical Research Letters", cruza pela primeira vez
modelos climáticos computacionais com cenários realistas de desmatamento.
Ele
aponta que, além do aquecimento global, a destruição da floresta também pode
levar à chamada savanização, processo no qual o clima quente e úmido típico da
Amazônia dá lugar a um clima quente e seco característico do cerrado. Nesse
clima, a vegetação densa da floresta tropical não sobrevive -e cede lugar à
savana.
O
conceito de savanização foi proposto em 2003 por Marcos Oyama e Carlos Nobre,
do Inpe. Com base em modelos que uniam clima e vegetação, eles estimaram que o
aumento da concentração de gases-estufa poderia levar a floresta a um novo
"estado de equilíbrio".
Os
cientistas sabiam que o desmatamento também tem potencial
"savanizante". Isso porque o clima na Amazônia depende das árvores,
que regulam a umidade e a quantidade de luz solar que chega ao solo. Quanto
menos floresta, em tese, mais quente e seca será a região (veja quadro à
direita).
Só que
até agora uma questão permanecia em aberto: quanto de desmatamento provocaria
essa mudança de equilíbrio?
A
pergunta era difícil de responder com os modelos usados até então. "Eles
eram aleatórios, alimentados ou com um cenário extremo -de 100% de
desmatamento- ou com um total que o pesquisador chutava", disse à Folha
Gilvan Sampaio, climatologista do Inpe que liderou o novo estudo.
Destruição
gradual
Para
atacar a questão, Sampaio e seus colegas usaram as estimativas de desmatamento
produzidas pelo grupo de Britaldo Soares Filho, da UFMG (www.csr.ufmg.br/simamazonia).
"Esta é a primeira vez que são utilizados cenários futuros de mudanças no
uso da terra que se baseiam no que realmente vem ocorrendo na Amazônia. Com
isso, podemos analisar como será o comportamento da chuva, temperatura etc. à
medida que a Amazônia é gradualmente desmatada", diz o cientista do Inpe.
O modelo
também tentou capturar as diferenças de temperatura e precipitação causadas
pela substituição da floresta por soja ou pasto, os dois usos mais comuns (e
lucrativos) da terra na região.
O que as
simulações em computador mostram é que o clima começa realmente a mudar quando
a taxa de desmatamento é maior do que 40%.
A
redução mais grave no total de chuvas ocorre nos meses de verão amazônico
(junho, julho e agosto) e nas simulações nas quais a mata é substituída por
soja. Segundo Sampaio, isso acontece porque o ciclo anual da soja deixa o solo
mais claro, aumentando a incidência de radiação solar.
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O
Estado de S. Paulo
29/09/2007
Meio Ambiente
Fabíola
Salvador
A
ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ligou ontem para seu colega da
agricultura, Reinhold Stephanes, para cobrar esclarecimentos sobre a declaração
do ministro, que afirmou na quinta-feira que o governo poderá autorizar o
plantio de cana-de-açúcar em áreas degradadas ou devastadas da Amazônia. “Na
conversa, a ministra confirmou e reafirmou que não há a menor hipótese de o
governo estimular o plantio que leve direta ou indiretamente ao desmatamento da
Amazônia”, contou o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João
Paulo Capobianco. Marina está em Brasília e Stephanes viajou no fim da tarde de
quinta-feira para Curitiba.
Capobianco
lembrou que o governo está elaborando um zoneamento para a cana e o estudo deve
ficar pronto em meados do ano que vem. O zoneamento indicará as áreas ideais e
as proibidas para os canaviais, segundo ele. “Não haverá estímulo ou permissão
para o plantio de cana na Amazônia. A tendência, no governo, é a de não
estimular o plantio na região.”
Na
opinião do coordenador da campanha Amazônia, do Greenpeace, Paulo Adario, o
governo federal é contraditório quando o assunto é o plantio de cana na
Amazônia. Ele lembrou que há diferenças entre o discurso do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e a proposta do ministro Stephanes, que defende o plantio
de cana em áreas de savana e de pastagens degradadas da região, inclusive com
incentivos fiscais.
“Há dois
meses, em Bruxelas, o presidente Lula disse que a Amazônia não se prestava à
cana-de-açúcar e que se o plantio fosse possível os portugueses já teriam
plantado”, afirmou. Ele avaliou como “preocupante” a proposta do governo de
ordenar o plantio na Amazônia, ou seja, de fazer um zoneamento agrícola para a
cana.
O
zoneamento deverá ser lançado em junho de 2008 e será feito a partir de quatro
tipos de mapa, informou Stephanes. O primeiro vai trazer informações sobre a
produção existente. O segundo trará indicações de áreas de plantio do ponto de
vista agrícola (solo e clima) e onde haverá restrição para o plantio. Por fim,
o governo apresentará mapas indicando onde gostaria que a cana fosse plantada.
Como
possíveis áreas restritivas, ele citou a Mata Atlântica, Floresta Amazônica,
Pantanal e áreas indígenas.
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29/09/2007
Meio Ambiente
Andrea
Vialli e Jamil Chade
As
declarações do ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, favoráveis à
entrada da cana-de-açúcar em áreas da Amazônia repercutiram negativamente entre
representantes do movimento ambientalista no Brasil e também na União Européia.
“O
grande problema é que a expansão da cana para essas áreas pode repetir o
‘efeito dominó’ já verificado com outras culturas - quando a soja avançou para
áreas de pastagens e essas, por sua vez, migraram para áreas de florestas”,
explica Paulo Gustavo Prado, diretor de Política Ambiental da ONG Conservation
International.
“O
etanol está sendo proclamado pelo mundo afora como a primeira commodity
‘verde’, e não faz sentido que sua produção gere impactos sobre áreas de
preservação como a Amazônia”, diz. Segundo Prado, o argumento de que a cana vai
recuperar áreas degradadas é duvidoso. “A cana é uma cultura que tende a
esgotar mais o solo e não recuperar.”
Cláudio
Maretti, superintendente de Conservação do WWF, segue o mesmo raciocínio. “O
que temos notado é que o Brasil quer ser considerado um País ecológico apenas
por ter biocombustível. Não é plantando cana que seremos mais ‘verdes’.”
Maretti diz
que a produção de cana-de-açúcar ainda não pode ser considerada sustentável.
“Há 30 anos vemos os impactos ambientais da cultura em São Paulo. Ainda há
problemas com a queima e os canaviais continuam avançando sobre as matas
ciliares”, ressalta.
A União
Européia se surpreendeu com a decisão do governo brasileiro de autorizar o
plantio de cana na Amazônia e afirma que não permitirá a entrada no bloco de
biocombustível que gere danos ambientais. Deputados europeus e ONGs alertam que
a decisão prejudicará a imagem do etanol. “Vamos garantir que o que compremos
venha de fontes sustentáveis”, afirmou o porta-voz da Comissão Européia para
temas agrícolas, Michael Mann.
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01/10/2007
Meio Ambiente
Fabíola
Salvador
Depois
dos transgênicos, a polêmica envolvendo a autorização para plantio de
cana-de-açúcar na Amazônia será o novo embate entre os ministérios da
agricultura e do Meio Ambiente, que têm, obviamente, posições contrárias sobre
o assunto. Na semana passada, o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes,
reafirmou que o plantio na região deverá ser permitido e incentivado em áreas
já degradadas ou devastadas, o que provocou uma reação da ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva, que ligou para Stephanes.
Na
conversa, ela "confirmou e reafirmou" que o governo não vai estimular
o plantio que resulte direta ou indiretamente em desmatamento da Amazônia,
contou o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo
Capobianco.
A
polêmica extrapolou os gabinetes e chegou ao Congresso Nacional. A senadora
Kátia Abreu (DEM-TO), integrante da chamada bancada ruralista, acusou a
ministra de desrespeitar a Constituição Federal. "Os produtores têm
livre-arbítrio. Não tem cabimento impor restrição ao plantio em áreas
degradadas. É inconstitucional."
Já o
deputado Ivan Valente (PSol-SP) acredita que autorizar o plantio, com ou sem
incentivo, é um "erro crasso". "Autorizar o plantio é atentar
contra o interesse público de preservação da floresta", comentou. O
deputado discorda da proposta do ministro de autorizar a instalação de
canaviais apenas em áreas degradadas. "Primeiro (os agricultores) vão
degradar e depois plantar cana. A lei permite", ironizou.
Para o
senador Jonas Pinheiro (DEM-MT), que também faz parte da tropa de choque dos
ruralistas no Congresso, se a ministra mantiver uma "posição radical"
sobre o tema, o Mato Grosso estará condenado. "A posição de não plantar
representa um atraso para a economia do Estado", afirmou. Grande produtor
nacional de grãos, o Mato Grosso é acusado por grupos ambientais internacionais
de desmatar a Amazônia para plantar soja. O senador disse que não vê problemas
em permitir a instalação dos canaviais em áreas desmatadas da Amazônia.
"Elas já foram desmatadas, então porquê não ocupá-las?"
Para
Ivan Valente, o plantio de cana é "degradante e predatório". Ele
lembrou que os subprodutos do processo de produção de açúcar e álcool, entre
eles o vinhoto - resíduo poluente que sobra após a destilação da cana, são
altamente nocivos ao meio ambiente. "Além disso, a queimada da cana representa
um desastre para a Amazônia", afirmou.
O
deputado Chico Alencar (PSol-RJ), que integra a Frente Parlamentar
Ambientalista, lamentou a proposta de Stephanes e criticou o que ele chamou de
"absolutização do agronegócio". "Em nome da rentabilidade do
agronegócio e dos biocombustíveis, pode-se fazer tudo, inclusive abandonar o
princípio da precaução", disse.
Os
deputados do PSol sinalizaram temer que o Ministério do Meio Ambiente seja
perdedor nesse embate. Valente avaliou que o ministério tem sido
"frouxo" e citou que a autorização para que empresas privadas
explorem florestas públicas é "uma maneira de acelerar o
desmatamento". A primeira concessão foi dada no mês passado para uma
empresa de Rondônia. "O Meio Ambiente sempre perde", resumiu Alencar.
Além da
questão da exploração das florestas, ele lembrou que a ministra também foi
resistente quando o assunto era a liberação de transgênicos e a transposição do
Rio são Francisco. "O Meio Ambiente resiste, mas acaba cedendo. Temo que o
papel do ministério seja apenas simbólico; que não tenha força política."
FRASES
Kátia
Abreu
Senadora
(DEM-TO)
"O
produtor tem livre-arbítrio. Não tem cabimento impor restrições ao plantio da
cana"
Chico
Alencar
Deputado
(PSol-RJ)
"Em
nome do agronegócio pode-se fazer tudo, inclusive abandonar o princípio da
precaução"
30/09/2007
Meio Ambiente
GENEBRA (Suíça)
– A União Européia (UE) se surpreende com a decisão do governo brasileiro de
autorizar a plantação de cana-de-açúcar na Amazônia e alerta que a certificação
do etanol, que será criada nos próximos meses, não permitirá a entrada de
biocombustível no mercado europeu que gere danos ambientais.
Deputados
europeus e organizações não-governamentais (ONGS) também atacaram a idéia de
autorizar o uso de áreas desmatadas na Amazônia e alertam que a decisão
prejudicará a imagem do etanol.
“Diante
de nossa estratégia de ter 10% de nossos combustíveis a partir do etanol até
2020, sabemos que teremos de importar biocombustível. Mas vamos garantir que o
que compremos venha de fontes sustentáveis”, afirmou à reportagem o porta-voz
da Comissão Européia para temas agrícolas, Michael Mann.
Até o
final do ano, a Comissão deve estabelecer um sistema de certificação que imporá
condições para o etanol que seja comercializado.
O
governo brasileiro já deixou claro aos europeus que não aceitará barreiras
abusivas e que poderá levar o caso até mesmo aos tribunais da Organização
Mundial do Comércio (OMC) se sentir que está sendo prejudicado.
Para a
eurodeputada Britta Thomsen, não é possível tecnicamente cultivar cana na
Amazônia. “Parece que o governo brasileiro decidiu mesmo cultivar a cana em
todo o País”, afirmou.
Nesta
semana, Thomsen conseguiu aprovar no Parlamento seu projeto pedindo que os
critérios de certificação não se limitem a aspectos ambientais. O deputada
sugeriu que critérios sociais, de padrões trabalhistas e ainda de uso de águas
sejam considerados. “Um regime de quase escravidão existe em muitas partes”,
acusou.
Na
avaliação de Nina Holland, representante da entidade Corporate Europe
Observatory, a medida deve ser considerada como uma “loucura absoluta”. “O
governo brasileiro sempre disse que nenhuma mata seria cortada na Amazônia para
a cana. Mas se o governo agora legaliza a destruição da Amazônia para permitir
a produção de cana, isso será um desastre para a credibilidade dos biocombustíveis
como uma solução para o clima”, afirmou a ativista.
Em sua
opinião, a decisão do governo terá “um enorme impacto sobre o debate do etanol
na Europa.”
Já o
coordenador da campanha Amazônia, do Greenpeace, Paulo Adario, afirmou sexta-feira
passada que o governo brasileiro é contraditório quando o assunto é o plantio
de cana-de-açúcar na região da Amazônia.
Ele
lembrou que há diferenças entre o discurso do presidente Lula e a proposta do
ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, que defende o plantio de cana em
áreas de savana e de pastagens degradadas da região, inclusive com incentivos
fiscais. “Há dois meses, em Bruxelas, o presidente Lula disse que a Amazônia
não se prestava à cana-de-açúcar e que se o plantio fosse possível os
portugueses já teriam plantado”, disse.
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30/09/2007
Meio Ambiente
Eduardo
Nunomura
É de
seca em seca que o nordestino vem se tornando vilão de si mesmo. No semi-árido,
cortar madeira nativa da caatinga virou ganha-pão. Rende só o pouco para
aliviar o drama da estiagem. Jurema, catingueira, juazeiro, marmeleiro,
pereiro, espécies originárias da região são arrancadas sem dó para serem
vendidas a carradas. Outra árvore, a algaroba, trazida do deserto de Piúma, no
Peru, cinco décadas atrás, vai ocupando o espaço perdido do bioma original.
Espalha-se pela paisagem como praga e também não escapa do machado e do facão
daqueles que precisam sobreviver.
Na
região do Seridó, no Rio Grande do Norte e na Paraíba, madeira vira lenha.
Serve para alimentar fornos de cerâmicas que encontraram ali terreno fértil.
Pois é do chão castigado pela falta de chuvas que as fábricas buscam argila.
Alguns, por necessidade, vendem a terra boa do quintal para os ceramistas. Mas
o grosso é retirado dos açudes. Homens munidos de pás arrancam o que podem.
Deixam o solo nu. Contribuem para a erosão no local e além dele. Antes, a água
baixava e o sertanejo plantava uma hortinha.
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada em Nova York, anunciou
que o País prepara um plano para enfrentar as mudanças climáticas. Lembrou que
a Amazônia não padecerá isolada. A desertificação é uma ameaça. Especialistas
já alertavam: o semi-árido está virando um grande deserto. Com a elevação da
temperatura global - e de 2° a 5° no Nordeste - a evaporação de água na região
aumentaria. A vegetação viraria mais cactácea, típica de zonas áridas. O solo,
já pobre e de baixa produtividade, estaria sujeito a processos mais intensos de
desertificação. É o Seridó atual.
Quem vê
o trabalho de uma cerâmica ou mesmo as telhas assentadas nas casas do Nordeste
se sente alheio ao dano ambiental. Ainda mais se considerar que traz
prosperidade ao Seridó com salários de R$ 350 a R$ 1.000. Cada unidade emprega
de 30 a 200 trabalhadores. Foi a partir dos anos 1990 que a atividade se
expandiu velozmente. Antes disso, eram um ou outro galpão nas cidades. Hoje são
mais de 150 fábricas em menos de uma dezena de municípios.
"Não
tem mais açude para retirar lama por aqui. Temos de buscar cada vez mais
longe", reconhece Alex de Medeiros Cavalcanti, de 28 anos, gerente de uma
cerâmica potiguar. No caso da madeira, ele admite que, até o mês passado
queimava jurema e catingueira. A fiscalização, contudo, alertou-os de que a
prática será punida. E o preço da telha do Seridó é dos mais baratos do Brasil:
R$ 80 a 110 o milheiro. A solução para os ceramistas têm sido produzir mais e
queimar escondido a mata nativa. "Mas, se pedirmos ajuda, qual governo vai
querer ajudar uma atividade como a nossa?"
José
Rodrigues Gomes, de 69 anos, viu seus seis filhos mudarem-se para a zona urbana
de Currais Novos. Ninguém quis ficar para dividir os 80 hectares do pai. Nem os
nove irmãos de Gomes resistiram, cada qual tendo herdado o mesmo tanto de
terra. O aposentado vive bem sozinho, com uma ou outra jovem aparecendo de vez
em quando de olho em sua aposentadoria. Tem 15 cabeças de gado e planta milho.
Mas como a renda é pouca, o jeito tem sido cortar madeira. "Isso custou o
meu suor, essa propriedade não devo a ninguém. Se tiro um caminhão de lenha não
é por brincadeira", reage, ao responder se não tem medo do Ibama.
"Já
tem donos de terra ganhando mais com algaroba do que com gado", diz o
coordenador ambiental de Currais Novos, Getson Luis Dantas de Medeiros. A
planta exótica, que verdeja o paisagem dando a impressão de que a seca não está
braba, tem um ciclo de 3 anos. Para crescer o mesmo tanto, uma árvore nativa
leva de 7 a 10 anos.
No fim
dos anos 1970, a região viveu a decadência do algodão e da mineração. E aí o
homem foi abraçando as causas que via pela frente. "Não era vantagem,
porque o custo foi o desmatamento. Mas não havia escolhas", afirma o
presidente da Agência de Desenvolvimento do Seridó (Adese), Francisco Galvão
Freire Neto. Um levantamento que vem sendo feito pela Adese, com apoio da
Cooperação Técnica Alemã, descobriu que o metro ester do produto varia de R$
0,58 a R$ 13. Uma carrada são 20 metros esteres. A entidade propõe, como
solução efetiva, a interligação de bacias hídricas da região para acabar com a
falta de água e a construção de um gasoduto, que reduzirá o corte de madeira.
Outra
ameaça é a pecuária de bodes e cabras. Espraia-se como erva daninha. São 9,5
milhões de cabeças (92,6% do rebanho brasileiro). É raro encontrar uma produção
confinada e com manejo adequado. Os animais ficam soltos no pasto. Comem o que
vêem pela frente. Devoram até a mata nativa, porque também querem sobreviver.
No passado, o desmatamento em larga escala ocorreu por causa do gado bovino de
corte e leiteiro. Ambos baseados no pastoreio exagerado. No longo prazo, a
ciprinicultura vai reduzir ainda mais a caatinga.
No
semi-árido são conhecidos outros três núcleos de desertificação: Gilbués (PI),
cuja atividade de mineração devastou a terra fértil; Irauçuba (CE), vítima da
ocupação desordenada do solo; e Cabrobó (PE), que não resistiu à agricultura e
à pecuária sem manejo. Em todos, um denominador comum: a ação do homem. No
quadro mais amplo, o cenário é assustador: à exceção do Maranhão, todos os
Estados nordestinos podem estar sujeitos ao fenômeno. São 1.201 municípios,
área de 1,13 milhão de quilômetros quadrados e população de 32 milhões de
habitantes.
As secas
severas que castigam o Nordeste de tempos em tempos são conseqüência do
fenômeno climático El Niño, que se forma no Oceano Pacífico. Nos últimos anos, sua
antípoda, a La Niña, tem prevalecido. Isso significa inverno chuvoso e verão
seco para o sertanejo. É quando chove que o pequeno agricultor se endivida,
planta e reza pedindo a Deus para que volte a chover na época certa do cultivo.
A cultura do sequeiro é primitiva, mas parece ser a única que resta já que
projetos de irrigação são poucos e voltados para uma minoria com dinheiro para
investir. Quando se perde a colheita, o jeito é remediar.
Nos
últimos anos, o nordestino desistiu de combater a seca para conviver com ela.
São a cisterna, que capta água da chuva e mata a sede de uma família na
estiagem, as barragens subterrâneas, poços e pequenas hortas. Aplacaram a fome,
mas restou a miséria. Neste ano, carros-pipa já atenderam 335 municípios,
segundo a Secretaria Nacional de Defesa Civil. Em 2006, foram 439 cidades e, no
ano anterior, 596. A distribuição de água pelo Exército tem sido mais intensa
nos Estados do Piauí, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Na
região de São João do Cariri (PB), choveu abaixo da média: 353,7 milímetros.
Para piorar, "as chuvas ficaram doidas", diz Getúlio José do Amaral,
chefe da Emater local. Em janeiro, caiu um sereno de 2,3 milímetros. Ninguém se
arriscou. Em fevereiro, foi aquela água. E dá-lhe tentar a sorte semeando
feijão e milho. "Em abril, foram 55,1 milímetros, muito pouco, e todo
mundo perdeu tudo. Agora, voltou a cair água, só que não serve mais."
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Valor Econômico
03/10/2007
Comércio Exterior
Assis
Moreira
O Brasil
fez nova ofensiva ontem para que o etanol e agora também a agricultura orgânica
sejam considerados bens ambientais e tenham as tarifas eliminadas num futuro
acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC). A proposta brasileira ocorre
no rastro da reunião organizada pelos Estados Unidos com outros 15 outros
grandes poluidores globais, em Washington, semana passada. Nela, o governo
americano insistiu que as tarifas de importação deveriam ser removidas para
novas tecnologias necessárias para combater as mudanças climáticas.
O
argumento do Brasil ontem na OMC foi de que os bens ambientais devem ser também
produtos agrícolas e não apenas produtos industriais. A inclusão do etanol numa
lista de bens ambientais é central para o país. A Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE) recentemente admitiu que o etanol brasileiro à
base de cana reduz as emissões de gases em até 90% comparado com gasolina e
diesel.
A
novidade agora é a introdução de produtos da agricultura orgânica, apoiada por
vários países em desenvolvimento. O Brasil argumenta que isso ajuda pequenos
agricultores, beneficia o meio ambiente e aumenta a confiança dos consumidores
em certificações.
Coincidindo
com a proposta brasileira, o Congressional Research Service (CRS), órgão
independente que prepara estudos para os congressistas e comitês do congresso
americano, completou estudo sobre a potencial cooperação entre o Brasil e os
EUA na área do etanol. Os dois países assinaram acordo em março com a chamada
"diplomacia do etanol" sendo vista, inclusive, como uma maneira de
frear a influência de Hugo Chávez na América Latina.
O estudo
mostra que os obstáculos, porém, são grandes para a cooperação
brasileiro-americana, inclusive por causa das tarifas impostas por Washington
contra o etanol brasileiro. Alguns parlamentares defendem prorrogar do fim de
2008 para 2011 ou mesmo tornar permanente essa tarifa.
Outra
dificuldade é propagar a produção de etanol em terceiros países. Primeiro
porque os governos não têm recursos ou não têm vontade política para fazer
enormes investimentos para desenvolver suas indústrias de etanol. Segundo,
alguns países não têm terra suficiente.
<Voltar>
O Estado de S. Paulo
03/10/2007
Comércio Exterior
Brasil
quer convencer UE de que etanol não afeta florestas
Jamil
Chade
O Brasil
está montando uma campanha para tentar convencer a opinião pública européia de
que a produção do etanol não está afetando a Amazônia e que o País está tomando
medidas para evitar o desmatamento com o cultivo da soja. Hoje, em Bruxelas, o
governo brasileiro e entidades de produtores se reunirão pela primeira vez com
deputados do Parlamento Europeu e com representantes da sociedade civil para
mostrar como a soja e o etanol estão sendo produzidos.
A União
Européia (UE) teme que o Brasil esteja ignorando aspectos ambientais na
produção agrícola e planeja a criação, até o fim deste ano, de um certificado
para controlar o comércio do etanol.
A missão
brasileira será composta por diplomatas, pela Associação Brasileira das
Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Instituto Brasileiro do Agronegócio
(Abag) e Associação de Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja).
"O
objetivo principal da visita é apresentar as ações do agronegócio brasileiro na
área ambiental, particularmente nos setores de soja e etanol", explicou um
diplomata em Bruxelas. Governo e setor privado garantem que não vão apenas
negar a existência dos problemas. Segundo diplomatas, as entidades pretendem
assumir uma "postura ativa" nos debates ambientais.
No setor
da soja, os debates serão concentrados na avaliação da moratória do comércio do
produto cultivado na Amazônia, que completa um ano. Outro ponto da agenda será
a garantia de que se desenvolva uma "soja responsável", ou seja, que
garanta padrões trabalhistas e ambientais. Por fim, a recente criação do
Instituto do Agronegócio Responsável será debatida.
Nas
discussões sobre o etanol, o vice-presidente da Abag, Luiz Carlos Carvalho, vai
mostrar as práticas de produção do combustível e as regiões no Brasil onde isso
ocorre. A relação entre o etanol e a redução das emissões de gases de efeito
estufa também será avaliada.
Entre os
deputados europeus, os alemães Karsten Hoppenstedt e Albert Dess estão
liderando a iniciativa. Mas muitos destacam que o Brasil não ganhará todo o
mercado que prevê se não convencer a opinião pública européia de que não está
causando mais danos que benefícios à ecologia.
As declarações do ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, favoráveis à entrada da cana em áreas da Amazônia, na semana passada, repercutiram negativamente na União Européia. Para deputados europeu e ONGs ligadas à preservação do meio ambiente, essa decisão vai prejudicar a imagem do etanol. O porta-voz da Comissão Européia para temas agrícolas, Michael Mann, reafirmou que a UE vai garantir que o combustível comprado pelos países do bloco seja de fontes sustentáveis.
04/10/2007
Meio Ambiente
NO
DISCURSO que proferiu na abertura da 62ª Assembléia Geral da ONU, o presidente
Lula prometeu "um completo zoneamento agroecológico do país para definir
quais áreas agricultáveis podem ser destinadas à produção de
biocombustíveis". Treze dias antes, em Estocolmo, havia afirmado:
"Quem conhece a Amazônia sabe que o solo amazônico não serve para o
plantio da cana".
O
ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, não parece ter dado a devida
atenção aos discursos. Chegou a anunciar que um zoneamento agrícola para a
cana-de-açúcar, previsto para 2008, daria incentivos para plantio, ainda que em
áreas degradadas, na Amazônia. Mencionou até "área de savana" em
Roraima, hoje usada como pastagem.
Bastaram
cinco dias para o ministro recuar. Diante da repercussão negativa e do temor de
que o cultivo de cana na Amazônia venha se somar à grilagem, à extração ilegal
de madeira, à pecuária e à soja para aumentar o desmatamento na região, após
três anos de queda, disse que havia sido mal interpretado: o zoneamento
permitirá cultivo de cana só em áreas já desmatadas.
O
ministro de fato escorregara ao menosprezar a savana, que no Brasil é chamada
de cerrado. Não é por ser usada como pasto que essa paisagem, das mais
ameaçadas e ricas em espécies do país, merece ser ainda mais devastada.
Um
verdadeiro zoneamento agroecológico deve levar em conta as condições de
topografia, solo, clima e infra-estrutura para dirigir o plantio às áreas
potencialmente mais produtivas para as diversas culturas. Também deve ser instrumento
para impedir que a expansão dos biocombustíveis, uma oportunidade para o país,
se faça desordenadamente. Sempre há o risco de cultivos mais rentáveis
empurrarem agricultores descapitalizados a avançar sobre habitats naturais com
prioridade de preservação.
É por
essa razão que o zoneamento, como disse Lula, tem de ser completo e considerar
todos os vetores do agronegócio, não só a commodity em ascensão.
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04/10/2007
Meio Ambiente
ONGS propõem zerar desmate em 7 anos
Brasília,
4 de Outubro de 2007 - O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, propôs uma
moratória para a plantação de qualquer cultura na Amazônia por cinco anos. Ele sugere
que sejam paralisadas todas as atividades agrícolas, até mesmo os 20% que são
autorizados por lei, com exceção do setor madeireiro de base, com plano de
manejo florestal já aprovado.
A
sugestão do governador foi feita ontem durante o lançamento do Pacto Nacional
pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia, na
Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados.
Maggi
ainda destacou que, apesar de ter sido chamado de "Nero da Amazônia",
seu estado vai assinar o pacto. Ele defendeu que os estados compreendidos na
região invistam na ampliação das estruturas de fiscalização. "Vamos
arrumar tudo o que tem para arrumar e depois voltar a discutir a expansão de
cultivos nessas áreas", afirmou.
O pacto
tem como meta reduzir o desmatamento em 100% nos próximos sete anos de forma
gradual. A queda seria de 25% nos dois primeiros anos até chegar 100% no fim do
período. Para alcançar a meta, as nove organizações não-governamentais que
propõe o pacto sugerem que anualmente sejam investidos R$ 1 bilhão. Esses
recursos seriam destinados a um fundo de gestão e viriam do orçamento público e
da iniciativa privada.
De
acordo com a ambientalista Mara Régia, o pacto propõe a criação de instrumentos
normativos e econômicos de valorização das florestas em pé. Ela explica que a
população responsável pela preservação e aqueles que tiram seu sustento da
terra passariam a contribuir através do chamado pagamento por serviços
ambientais. Além disso, o pacto sugere a criação de incentivos para utilização
de áreas que já foram desmatadas, proposta que vai ao encontro do zoneamento da
cana-de-açúcar, que será anunciado em junho de 2008 pelo Ministério da
Agricultura.
As ações
de fiscalização e controle da mata também seriam fortalecidas. "Nossa
proposta prevê a atração de investimentos nacionais e internacionais, por isso,
o BNDES é fundamental para criar as estruturas para receber esses
investimentos", disse Mara Régia.
A
ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que há quatro anos as preocupações
com a Amazônia eram básicas, "mas devido às mudanças implementadas pelo
governo", foi possível chegar à elaboração do pacto. O presidente do
BNDES, Luciano Coutinho, declarou apoio à iniciativa.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Alexandra Bicca)
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04/10/2007
Meio Ambiente

Área de floresta desmatada para agricultura
no município de Feliz Natal, norte de Mato Grosso
ÂNGELA
PINHO
DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA
CLAUDIO
ANGELO
EDITOR
DE CIÊNCIA
O
desmatamento na Amazônia pode ser zerado em sete anos se o governo federal
redefinir suas políticas para a região e colocar R$ 1 bilhão por ano num fundo
destinado a compensar financeiramente os produtores rurais que abrirem mão de
cortar árvores.
A
proposta foi feita ontem em Brasília por um grupo de nove organizações
ambientais e tem a adesão de três governadores amazônicos.
Batizado
de Pacto pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia, o
plano estabelece, pela primeira vez, metas de redução da expansão da fronteira
agrícola: o ritmo de desmatamento seria cortado 25% no primeiro ano, 25% no
segundo, 30% no terceiro ano e assim por diante até os 100%, a partir da taxa
atual, de 14.000 km2.
O
raciocínio é que a agricultura brasileira pode se manter competitiva só com as
terras que já foram desmatadas -cerca de 600.000 km2- e que o desmatamento é um
mau negócio em termos de produtividade e também de estratégia: as 200 milhões
de toneladas de carbono emitidas anualmente pelo corte raso na Amazônia agravam
o aquecimento global e colocam o Brasil na posição de quarto maior poluidor.
Na
semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nas Nações Unidas,
que o Brasil está produzindo um plano nacional de combate à mudança climática.
"O
objetivo é que o pacto contribua para que o Brasil possa ter um plano",
disse à Folha Paulo Adário, do Greenpeace. "Estamos vivendo um momento na
Amazônia que permite ousadias desse tipo. Se não agirmos agora, podemos perder
esse momento."
Adário
se refere à queda na taxa de desmatamento em 2005, 2006 e provavelmente 2007;
e, principalmente, ao debate sobre aquecimento global influenciado pela
publicação do último relatório do IPCC (o painel de climatologistas das Nações
Unidas), neste ano.
Ao lado
de Adário, ontem na Câmara dos Deputados, estava Blairo Maggi -um dos maiores
sojicultores do mundo, que o Greenpeace chamava de "estuprador da
floresta".
"Eu
sei que, algum tempo atrás, a figura do governador Blairo Maggi era ligada ao
desmatamento; eu já fui dado como um Nero da Amazônia. Mas sempre tive a
consciência tranqüila e sou parceiro deste movimento." Ele disse que vai
assinar o pacto e pediu ajuda da União para aumentar o número de fiscais no seu
Estado.
Também
presentes estavam o governador do Amapá, Waldez Góes, e o secretário do Meio
Ambiente do Amazonas, Virgílio Viana.
A
proposta das ONGs se baseia em um estudo encomendado a uma equipe independente
de economistas, que propõe a criação de um Fundo Amazônico de Governança.
O fundo
seria usado para compensar produtores rurais que mantiverem a floresta em pé,
por exemplo. "Se um produtor tem o direito de desmatar 20% de sua propriedade
e só desmata 5% ele poderia se candidatar a receber recursos desse fundo",
explica Paulo Barreto, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da
Amazônia).
O
projeto prevê que 70% do dinheiro -ou R$ 700 milhões por ano- venha do
Orçamento da União. A contribuição dos Estados da Amazônia Legal também
aumentaria, com a criação de uma Cide ambiental (Contribuição de Intervenção no
Domínio Econômico Ambiental) -tributo que incidiria sobre atividades que
prejudicam o ambiente, como o agronegócio e a indústria madeireira- e com o
comprometimento de um ponto percentual a mais do ICMS para a redução do
desmatamento.
A
proposta prevê também recursos privados para atingir o montante de R$ 7
bilhões. Eles viriam, principalmente, do mercado de carbono: o IPCC considera a
redução do desmatamento uma solução barata para a crise do clima e países ricos
poderiam pagar para que países com florestas reduzissem seu desmatamento. O
governo brasileiro propôs criar um pagamento voluntário pelo carbono que deixa
de ser emitido por essa redução.
O BNDES
entraria com a estruturação de um fundo de doações, nacionais e internacionais,
e de um que antecipe a receita de créditos de carbono. Segundo o presidente do
banco, Luciano Coutinho, uma das áreas em que o órgão poderá atuar é no
incentivo a atividades econômicas que se sobreponham a atividades que desmatam
a floresta.
A
ministra Marina Silva (Meio Ambiente) se comprometeu a analisar o projeto.
Porém, mostrou-se reticente em relação ao estabelecimento de metas anuais de
desmate.
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04/10/2007
Meio Ambiente
Fabíola
Salvador
Brasília
- Ainda sem pasta, mas falando como ministro, o professor e filósofo Roberto
Mangabeira Unger disse que a questão da Amazônia é um dos pontos de avaliação
do Ministério Extraordinário de Assuntos Estratégicos, pasta que será criada
para abrigá-lo novamente no governo. Em sua primeira aparição pública após os
ajustes no órgão que cuidará do planejamento de longo prazo e das críticas dos
parlamentares, ele disse, na Câmara, que há duas imagens da Amazônia. Uma é a
da região como um grande parque para deleite da humanidade, sem atividade
econômica. Outra é a de que vai ser tomada pela cultura da soja e pela
pecuária. “Essas duas idéias devem ser rejeitadas; não podemos aceitá-las.”
Na
semana passada, uma rebelião do PMDB levou o Senado a rejeitar a Medida
Provisória 377, que criava a Secretaria Especial de Planejamento de Longo
Prazo, ocupada pelo filósofo desde junho. A saída encontrada pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva foi criar o 37º ministério para acomodar Mangabeira -
que em 2005 classificou o atual governo de “o mais corrupto da história
nacional” e pregou seu impeachment.
Ontem,
Mangabeira não quis comentar se a extinção da secretaria atrapalharia seu
trabalho. “Minha função é ajudar a formatar e discutir uma proposta que atenda
ao desejo mais forte do País: elaborar um modelo de desenvolvimento baseado na
ampliação do crescimento econômico e da inclusão social.”
Ele
disse que o desafio é encontrar uma maneira de transformar economicamente a
Amazônia, preservando a “enorme” riqueza local. O ponto de partida, afirmou, é
a elaboração de um projeto de gestão territorial ou zoneamento econômico e
ecológico, além do desenvolvimento de projetos produtivos para cada uma das
microrregiões. “Com isso, conseguiremos construir uma relação íntima ou
orgânica entre o imperativo da produção e da preservação ambiental.”
Mangabeira
classificou o potencial energético da Amazônia de “imenso”. Ele lembrou das
disputas entre engenheiros e ambientalistas sobre o assunto. “Quando colocada
essa discussão, eu garanto que os engenheiros acabarão ganhando.”
Para
Mangabeira, o principal problema do País não é de natureza política nem econômica.
“É nossa disposição para obedecer, para aceitar o formulado, o que nos impõe ou
recomendam de fora”, criticou. “Audácia e imaginação, disposição para
revelar-se. É o que eu quero ver instalado no Brasil.”
Ele
contou que chegou a algumas constatações. A primeira é que não adianta formular
projetos conceituais abrangentes. “Seria peça de museu.” Outra foi a de que o
País está sob ameaça de ficar imprensado entre as economias de trabalho barato.
“Não queremos escapar pelo lado baixo, de aviltamento do trabalho. O Brasil não
tem futuro como uma China com menos gente.”
Uma
terceira constatação é a de que “não há estratégia de desenvolvimento nacional
sem estratégia nacional de defesa”. Ele disse que está trabalhando com o
ministro da Defesa, Nelson Jobim, e com as Forças Armadas na formulação de
estratégia para ação em hipóteses de paz e de guerra.
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Estado
de S. Paulo
07/10/2007
Agroenergia
Agnaldo
Brito
A
indústria sucroalcooleira, que assumiu a tarefa mundial de curar o planeta do
"vício do petróleo", continua a avançar rumo ao Norte. Nascida no
planalto paulista e no Nordeste brasileiro, a cultura da cana já encontra
fôlego para levar seus tentáculos para além da fronteira agrícola, no coração
da maior floresta do mundo, a Amazônica. O plantio de cana para produção de
açúcar e álcool, apesar de ainda modesto, recorre ao desmatamento e às
queimadas e usa 65% da força manual para a colheita.
A cana
desafia a Amazônia. Mais do que isso, a ousadia humana já encontrou formas de
driblar a hostilidade do ambiente. Somado ao ciclo de prosperidade do álcool
combustível no Brasil e no mundo, tem não só ressuscitado projetos do Proálcool
como atraído dinheiro para novas usinas, tanto na gigante Amazônia Legal quanto
na frágil e exuberante área do bioma amazônico, região que cobre cerca de 4% do
planeta e de onde se conhece apenas 50% das espécies que ali vivem.
O tema é
a mais nova batalha entre os integrantes do governo Lula. A definição de um
zoneamento agroecológico que indique vocações no País no próximo ano pôs em
choque o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, e a ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva. A pasta da agricultura admite a produção de
cana-de-açúcar em escala na Região Amazônica. A ministra reagiu e parece
disposta a não ceder.
A
velocidade dos investimentos em produção de cana e derivados na região está
longe de ser equivalente aos programados para o Centro-Sul do Brasil, área que
até o final do primeiro biênio da próxima década deverá receber US$ 17 bilhões,
o suficiente para erguer 90 usinas de etanol.
Além de
projetos no norte de Mato Grosso, a Região Amazônica tem planos de produção de
álcool no Acre (que pode começar a operar em 2008 e alcançar 3 milhões de
toneladas) e no Pará. Há dois novos projetos previstos para Roraima. Mas a
prova de que a Amazônia, apesar de tudo, tem condições de produzir cana está em
Presidente Figueiredo, 100 quilômetros ao norte de Manaus, localizada às
margens da BR-174, que liga a capital do Amazonas a Boa Vista, capital de
Roraima. A estrada, de piso novo, corta a mata fechada. O clima é úmido ao
extremo, em alguns momentos acima de 80%.
A chuva
é freqüente, principalmente a partir de agora. Mas quis a natureza que o céu
desaguasse mais a partir de agosto. "Este ano choveu demais. Os canaviais
ficaram encharcados, não havia como colher. Teve dia que a usina ficou
parada", diz Waltair Prata Carvalho, superintendente da Agropecuária
Jayoro, em Presidente Figueiredo. Em toda a Amazônia, é o projeto que mais
desafia o ambiente. E, apesar das apostas de que é um projeto inviável, tem
conseguido sobreviver.
A
reportagem do Estado esteve na área, uma imensidão de 59 mil hectares, 4 mil
deles cobertos com cerca de 8 variedades de cana mais adaptadas às condições.
"Apesar de todas as dificuldades de se produzir cana na região, o projeto
sobrevive, já encontrou o equilíbrio econômico-financeiro e precisa somente
ampliar a escala para alcançar rentabilidade", assegura Carvalho.
A Jayoro
é a parceira da Coca-Cola e só está de pé graças a um acordo assinado pelos
controladores e a multinacional, em 1996. Todo o açúcar usado pela Recofarma, a
indústria responsável pela produção da base da Coca-Cola, localizada em Manaus,
sai da cana produzida naquelas glebas. Sai de lá também todo o extrato de
guaraná que a companhia utiliza para a produção do refrigerante Kuat.
A Jayoro
é a maior agroindústria do Amazonas. Emprega, neste momento, período de safra,
900 trabalhadores, tanto na usina quanto na colheita manual e mecânica da cana.
A Jayoro tem cinco colhedoras de cana que rasgam os canaviais às margens da
imensidão da floresta. "Já vi onça, veado, todo o tipo de bicho nesse
canavial", diz Osvaldino Santos de Oliveira, o operador de uma das
máquinas há oito safras.
Criada
no final da década de 70, a agroindústria surgiu no Proálcool. Tinha uma
missão: levar o novo combustível para Manaus. O desconhecimento do ambiente, os
custos elevados de manutenção e o declínio do programa no fim da década de 80
transformaram a Jayoro numa mera produtora de cachaça. O novo ciclo do etanol,
referendado agora pelo mundo, reacendeu expectativas e pode, em pouco tempo,
fazer a Jayoro elevar em mais de 50% a capacidade de produção, de 300 mil
toneladas por ano para 450 mil.
"Não
vamos derrubar uma árvore. Toda a produção de cana até agora ocorreu rigorosamente
no mesmo espaço desmatado na década de 70. E assim continuará a ser",
garante Arislando Prado, diretor da empresa contratada pela família Magid
(controladora do projeto) para gerir o negócio.
A
polêmica entre a ministra Marina Silva e seu colega Reinhold Stephanes
reverberou na floresta. "Essa discussão nos preocupa. Não podem proibir o
plantio de cana aqui. Não vamos tomar nenhuma decisão sobre expansão sem saber
o que o governo vai decidir sobre a cana na Amazônia", explica Prado.
Uma área
de 2,6 mil hectares, no limite da imensa gleba da Jayoro, pode se tornar uma
opção para o plano de expansão. Ali, um pasto degradado descansa sob os olhos
da Amazônia. Como no resto do País, é uma área candidata a se tornar um
canavial, apesar de o endereço ser "bioma amazônico".
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O Estado de S. Paulo
07/10/2007
Agroenergia
Embrapa
analisa áreas para produção de álcool
A palavra
final sobre a viabilidade ou não do plantio de cana-de-açúcar na grande Região
Amazônica será dada só no segundo semestre de 2008. Porém, há claras indicações
de que o governo pode liberar a implantação de projetos agroindustriais em
áreas da Amazônia, apesar da polêmica com o Ministério do Meio Ambiente.
"Há
áreas de cerrado na Amazônia Legal. O bioma amazônico também não é uniforme. O
zoneamento que será feito pelo governo dirá quais são as regiões proibidas e
aquelas liberadas, e, dentre essas, informará onde há competitividade de
produção de etanol para exportação ou para o atendimento de demandas
locais", diz Frederico Durães, chefe-geral da Embrapa Agroenergia.
O
trabalho começou pelas áreas tradicionais de produção de cana-de-açúcar, como em
São Paulo, e nas áreas de expansão, como Triângulo Mineiro e Centro-Oeste. Nas
áreas mais remotas, como a Amazônica, o estudo pretende - além de considerar as
condições de solo e clima - dar ao setor privado informações sobre as condições
econômicas e de logística da produção de cana ou de matérias-primas para a
produção de biodiesel.
Enquanto
na Região Amazônica cada hectare produz cerca de 80 toneladas de cana-de-açúcar
(semelhante à Região Nordeste), no Sudeste essa produtividade chega a 110
toneladas. E cada tonelada rende no máximo 90 quilos de açúcar na Amazônia,
enquanto no Sudeste são 135 quilos por tonelada. Com a produtividade reduzida e
o transporte caro, resta como fator positivo apenas o custo da terra, cujo
viabilidade de plantio não está definida.
Durães
afirma que o governo está empenhado em, finalmente, criar um ordenamento
agroecológico no Brasil a partir do qual o setor privado poderá se basear para tomar
suas decisões de investimento. Por enquanto, isso não existe, e o que ocorre em
todo o País é a escolha de áreas única e exclusivamente a critério de quem
investe.
Daí a
razão do embate entre os Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura. Se o zoneamento
encontrar razões - nos mapas de clima e de solo e nas informações de satélites
- de assegurar o acesso de áreas como a Amazônia para o plantio de cana, fica
referendado qualquer empreendimento.
O
WWF-Brasil, uma das organizações ambientalistas envolvidas na discussão sobre
ordenamento da atividade da agroenergia no País, avalia que o problema não é
exatamente elaborar um grande mapa do País no qual se definam as vocações
locais, mas fazer com que esse imenso trabalho de fato subsidie a formação de
uma política nacional para o setor e garanta a implementação.
A ONG
também considera falsa a versão do setor sucroalcooleiro, de que é totalmente
inviável a produção de cana em Região Amazônica. "A questão,
definitivamente, não é essa. O problema é mercadológico e logístico. Não acho
que o avanço da cana na Região Amazônica vai ocorrer com vigor neste momento.
Mas o problema, definitivamente, não está na inviabilidade agrícola. O que
freia o avanço é uma mera questão mercadológica e logística. Se isso for
equacionado, não tenho dúvida de que a região se tornará uma opção para a
produção de álcool e de açúcar", diz Luiz Fernando Laranja, coordenador do
Programa Agricultura e Meio Ambiente do WWF-Brasil.
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07/10/2007
Meio Ambiente
Nova
lei deve reduzir os conflitos ambientais
O
emaranhado judicial em torno das licenças ambientais, apontado como um forte empecilho
para os investimentos, deve ser fortemente reduzido depois que for aprovado o
Projeto de Lei Complementar 388, que divide a responsabilidade de avaliação
entre União, Estados e municípios. A avaliação é do relator do projeto na
Câmara, deputado Nilson Pinto (PSDB-PA). A proposta integra o Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC).
Pelo
desenho proposto pelo relator, os Estados serão os responsáveis pela maior
parte dos licenciamentos. Ao Ibama ficarão restritos projetos que tenham
impacto ambiental em mais de um Estado ou estejam em áreas de fronteira,
reservas indígenas, unidades federais de conservação ou, ainda, na plataforma
continental.
"É
preciso dar clareza na legislação para os conflitos judiciais serem reduzidos
ao máximo", disse o deputado. "Os empresários precisam saber para
onde encaminhar seu pedido de licenciamento, ou serão desestimulados a
empreender."
A
confusão existe porque a Constituição diz, em seu artigo 23, que o
licenciamento ambiental é responsabilidade de União, Estados e municípios. Diz,
também, que a divisão de atribuições será fixada em lei complementar -
exatamente essa que é relatada pelo deputado, 19 anos após a promulgação da
Carta.
A
divisão proposta pelo relator é a que já vem sendo usada pelo Ibama. Porém,
como ainda não há regulamentação, pipocam ações na Justiça contestando licenças
ambientais por causa do órgão que a emitiu.
Segundo
o presidente do Ibama, Bazileu Margarido, o Ministério Público costuma usar um critério
diferente, que é o de domínio. Por ele, caberia ao governo federal avaliar o
impacto ambiental de todas as ações que afetassem biomas importantes, como a
Amazônia ou a Mata Atlântica. Os Estados, por sua vez, usam outro critério,
pelo qual a União seria responsável pela análise só dos projetos localizados em
fronteiras. "Por um conceito, teríamos de licenciar praticamente tudo,
pelo outro não licenciaríamos quase nada", diz Bazileu."Nós usamos um
conceito intermediário."
Nilson
Pinto propõe que sejam criadas comissões de arbitragem para dirimir dúvidas
quando não estiver claro a qual esfera de governo cabe o licenciamento.
"Elas vão decidir quem é o responsável, sem levar a questão à
Justiça." As comissões, uma em cada Estado, se reuniriam quando fosse
necessário e teriam prazo para se manifestar.
O
deputado acha que o projeto de lei não envolve grandes polêmicas e por isso a
tramitação será fácil. Mas ele próprio informa que retirou algumas mudanças
introduzidas no texto quando este passou pela Comissão de Agricultura da
Câmara.
Lá, os
ruralistas propuseram que unidades de conservação, como parques nacionais, só
podiam ser criadas após aprovação de lei pelo Congresso. Hoje, basta um decreto
presidencial. Nilson Pinto retirou a exigência da lei e manteve o decreto. A
comissão também havia criado uma indenização pela área que os donos de terra
são impedidos de utilizar na atividade produtiva por exigência de conservação.
"Isso ia criar uma indústria, por isso retirei", afirma o relator.
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Estado de Minas
08/10/2007
Meio Ambiente
Marta
Vieira
O ritmo
acelerado de crescimento da produção siderúrgica, de papel e celulose agravou o
risco da falta de madeira para alimentar os fornos das indústrias, ameaça já
batizada de apagão florestal. Para garantir auto-suficiência na matéria-prima a
partir de florestas plantadas em Minas Gerais, investimentos de R$ 1,5 bilhão
por ano durante os próximos 10 anos terão de ser feitos pelas produtores de
ferro-gusa (insumo na fabricação de aço), siderúrgicas, metalúrgicas e
fabricantes de papel celulose. Os recursos foram calculados pela Associação
Mineira de Silvicultura (AMS) e o Sindicato da Indústria do Ferro de Minas
(Sindifer) para bancar uma espécie de pacto de sustentabilidade, que acaba de
ser apresentado ao governo estadual.
Os investimentos
serão aplicados na compra de terras, preparo de solo, produção de mudas e na
contratação de pessoal, mas as empresas precisam do apoio do estado, para
promover mudanças na legislação e tornar mais ágeis as licenças dos órgãos de
meio ambiente, segundo Bernardo de Vasconcelos, presidente da AMS. “Um apagão
florestal será tão sério ou ainda mais grave que o apagão na área de energia.
Minas tem um terço das florestas plantadas no País, com área 1,2 milhão de
hectares de eucalipto”, afirma o executivo.
Para que
o programa seja implantado, as indústrias movidas à base florestal pedem a
modernização da legislação e adaptações que permitam os maciços florestais de
eucalipto em áreas degradadas de pastagem, aquelas que já foram desmatadas ou estão
subutilizadas na agricultura. De acordo com o estudo que serviu como base para
a montagem do projeto, há potencial em Minas para que a agroindústria da
madeira ocupe mais 5% do território do estado.
A atual
área plantada mantida pelas empresas reunidas na AMS – são 70 siderúrgicas e
fábricas de papel e celulose, com atuação em todo o país e no exterior – se
estende por 120 municípios de Minas, ocupando 2,1% das terras do estado. A
intenção é dobrar a capacidade de plantio, portanto alcançando 300 mil hectares
por ano. Bernardo de Vasconcelos informa que a expectativa do setor é começar
os investimentos no ano que vem, financiando 50% a 60% da necessidade de
recursos, inclusive com empréstimo no exterior e o uso dos chamados Mecanismos
de Desenvolvimento Limpo, a exemplo da venda de créditos de carbono.
“Enfrentamos
um déficit de madeira muito preocupante, não só em Minas como em todo o Brasil,
por diversas razões. Elas vão desde problemas de infra-estrutura até a
necessidade de regulamentação e desburocratização da legislação”, afirma o
presidente da AMS. Ele lembra que há estudos mostrando que Minas perde cerca de
R$ 200 milhões por ano em tributos, pelo fato de as empresas consumirem carvão
produzido em outros estados.
Os
produtores independentes de ferro-gusa reunidos no Sindifer-MG – são 54
empresas associadas – produzem cerca de 4,5 milhões de toneladas por ano,
consumindo 15 milhões de metros cúbicos anuais de carvão vegetal. Se for
adotado o plano para tornar o estado auto-suficiente na produção de florestas,
as indústrias que aderiram à proposta vão criar, ao todo, 300 mil
empregos.
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06/10/2007
Meio Ambiente
JULIANA
ARINI, COM MARCELA BUSCATO
O futuro
do clima do planeta depende, em parte, do que o agricultor Roberto Carlos
Kosakz vai fazer com suas florestas. Ele vai receber um lote do tamanho de 45
hectares no município de Cotriguaçu, em Mato Grosso. Pretende derrubar 20% da
área, conforme a lei permite, para fazer uma roça. Mas a opção de derrubar o
resto da mata para criar bois pode ser mais interessante. Se ele fizer isso,
quando queimar as árvores vai lançar na atmosfera 120 toneladas de carbono por
hectare. Queimadas assim são a principal contribuição do Brasil para o
aquecimento global. Hoje, estima-se que nosso país seja o quarto maior responsável
pelas emissões de gás carbônico, o principal fator responsável pelas mudanças
no clima da Terra. Cerca de 75% de nossas emissões vêm justamente de lugares
como Cotriguaçu, um dos campeões de desmatamento do país.
Foi por
isso que cientistas e economistas dos nove principais institutos de pesquisa e
ONGs ambientalistas do país, como Imazon, WWF, Greenpeace, Instituto
Socioambiental e Ipam, se juntaram para responder à seguinte pergunta: quanto
custa frear a destruição da Amazônia? A resposta que eles encontraram,
divulgada na quarta-feira passada no Congresso Nacional, é R$ 1 bilhão por ano.
Não é um investimento tão alto. Só as usinas do Rio Madeira, em Rondônia,
deverão custar R$ 17 bilhões. A estimativa é o resultado do estudo mais
abrangente sobre a economia do desmatamento. Segundo seus autores, esse
investimento poderia, em sete anos, reduzir a destruição da floresta, hoje em
torno de 1,4 milhão de hectares por ano, para índices inferiores aos da década
de 80, quando o ritmo era de 40.000 hectares por ano. A partir de 2015, já se
teria formado uma economia sustentável na região, baseada na exploração
legalizada de madeira, e a pecuária e a agricultura ficariam restritas às áreas
já abertas. (Hoje, 70% das áreas desmatadas estão abandonadas, porque é mais
fácil desmatar uma região nova que recuperar a terra para plantio.) No
lançamento do estudo, os pesquisadores propuseram um compromisso, o Pacto pela
Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia. Receberam o
apoio dos governadores do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso e Pará, e o do
presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e da própria ministra do Meio Ambiente,
Marina Silva. É uma proposta factível?
O
desmatamento é um problema que o Brasil terá de enfrentar nas próximas décadas
durante as negociações mundiais para o controle do clima. Não fosse por ele, o
país seria um dos heróis mundiais na guerra contra as mudanças climáticas. O
Brasil é um dos poucos países que podem se orgulhar de sua matriz energética.
Mais de 80% de nossa eletricidade vem de usinas s hidrelétricas. Essa energia
não depende da queima de combustíveis fósseis e não gera resíduos radioativos.
Também temos um dos programas de geração de combustíveis mais inovadores do
mundo. Cerca de 45% de nossos veículos são movidos a partir de fontes
renováveis, como o álcool ou o biodiesel, que não contribuem para o aquecimento
do planeta. A média mundial é de menos de 15%. O país seria um dos mais isentos
de culpa pelas mudanças climáticas se não fosse o desmatamento.
O
governo tem conseguido algumas vitórias. Em dois anos, reduziu pela metade o
ritmo da devastação. O plano nacional de combate ao desmatamento foi um dos
mais eficazes da História. “Conseguimos integrar 11 ministérios para reduzir as
derrubadas na Amazônia. Foi um feito inédito”, diz André Lima, diretor de
articulação de ações para a Amazônia, do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Os
pontos altos das ações foram a fiscalização integrada do Ibama com a Polícia
Federal, a criação de novas bases de fiscalização na fronteira do desmatamento
e a exoneração de funcionários corruptos dos órgãos ambientais. Nos últimos
três anos, o governo federal criou 20 milhões de hectares de terras protegidas.
Com tudo isso, em 2006, estima-se que o Brasil tenha evitado a emissão de 410
milhões de toneladas de gás carbônico.
Mas
ainda é pouco. O próprio governo concorda que o índice atual de desmatamento é
alto. “Estamos acima da média da década de 90”, diz Lima, do MMA. O país
derruba um Sergipe a cada dois anos na floresta. Para evitar que o desmatamento
volte a crescer, o plano federal de combate ao desmatamento terá de sofrer
mudanças. “A proximidade das eleições municipais, que se caracterizam como anos
de pico de desmatamento, somada à melhora no setor agrícola, vai exigir uma
maior articulação dos governos federal e estaduais em relação ao problema”, diz
Lima. O governo está certo em se adiantar. A revalorização dos produtos
agrícolas começa a induzir a abertura de novas áreas na mata. Em Mato Grosso,
maior produtor de grãos e carne do país, dados do Instituto do Homem e Meio
Ambiente da Amazônia (Imazon) mostram que o desmatamento cresceu 200%. “O leão
do desmatamento está s adormecido, mas pode acordar a qualquer momento, e com
muita fome”, diz o governador do Estado, Blairo Maggi. “Eu, que já fui dado
como o Nero da Amazônia (quando declarou que o desmatamento era pequeno e a
floresta podia ser mais derrubada), estou nessa mesa para ajudar.”
O estudo
que serve de base para o pacto foi elaborado pelo economista Carlos Eduardo
Young, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O levantamento considera
fatores como o preço da terra na região, o valor pago pela madeira ilegal e o
lucro da pecuária. A pesquisa foi inicialmente encomendada a Luciano Coutinho,
que interrompeu o trabalho para assumir o BNDES, mas endossa seus resultados.
“O banco se compromete não só com a redução do desmatamento, mas também com a
recuperação do passivo florestal”, diz. “Inovações financeiras e criação de
fundos vão contribuir para ações de uso sustentável dos recursos naturais, bem
como auxiliar em outras atividades econômicas substitutivas que bloqueiem a
depredação.”
O ponto
mais delicado da proposta é o prazo de sete anos para zerar o desmatamento.
Hoje, a discussão sobre as metas fixas para o fim do desmatamento é um dos
grandes debates ambientais do país. A questão foi citada pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva no início do mês, durante a Assembléia-Geral da ONU, em
Nova York. O tema é considerado uma das divisões dentro do governo federal. A
polêmica começou em 2006, quando o MMA lançou a proposta de inclusão da
proteção das florestas na 12a Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças
Climáticas (COP), que aconteceu em Nairóbi, no Quênia. O mecanismo proposto
pelo Brasil às 189 nações da COP visa à criação de um fundo espontâneo para
salvar as florestas tropicais do mundo. Os países ricos dariam dinheiro aos
países com florestas para que estes as preservassem. A idéia não foi bem
recebida. O secretário-executivo da Convenção sobre Mudanças Climáticas, Yvo de
Boer, limitou-se a qualificar a sugestão brasileira de interessante. “Vamos
analisar”, afirmou Boer. “A falta de comprometimento interno do Brasil em
estabelecer metas fixas de combate ao desmatamento foi o que mais irritou os
outros países”, diz Mauro Armelin, da WWF, que participou do encontro.
O
governo tem alguns motivos para não aceitar compromissos internacionais. Para Sérgio
Serra, embaixador especial do país para mudanças climáticas, as metas ferem a
soberania nacional na gestão da Amazônia. “Não podemos deixar outros países
dizerem como vamos administrar a região.” Outro argumento comum nos discursos
oficiais relaciona a imposição de metas fixas como barreira ao crescimento
econômico. “Os países desenvolvidos esquecem que a responsabilidade deles no
problema é muito maior”, afirma José Domingos Gonzalez Miguez,
coordenador-geral de mudanças globais do Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT). “Eles cresceram sem limitação. Agora, dizem que não podemos crescer
porque estamos sujando a atmosfera.”
Qual é o papel do Brasil
Por que
as mudanças climáticas preocupam e qual é nossa participação

O que
está implícito nesses argumentos é que combater o desmatamento seria contrário
aos interesses nacionais e prejudicial à economia. No entanto, durante a última
década, pesquisadores e economistas (inclusive os principais proponentes do
Pacto) vêm argumentando que preservar a floresta é um bom negócio. Um estudo
feito pelo Imazon para o Banco Mundial diz que o ciclo de extração predatória
de madeira e pecuária em um município típico rende US$ 100 milhões por ano. Mas
depois de oito anos entra em colapso com o fim da madeira, deixando apenas a
pecuária, que rende US$ 5 milhões por ano. Quando um município consegue
preservar a floresta, com coleta seletiva de madeira e extrativismo
sustentável, produz US$ 75 milhões por ano sem esgotar seus recursos. Segundo
estimativas, o desmatamento pode acabar, em algumas décadas, com os estoques de
madeira da Amazônia, o produto mais valorizado da floresta. Já o manejo
racional da mata em pé pode produzir madeira para abastecer toda a demanda
internacional para sempre.
Se, pela
lógica econômica, faria sentido preservar a floresta, por que isso não ocorre?
Segundo os estudos na região, as práticas ilegais desequilibram a conta a favor
da devastação. Um terço da Amazônia é formado por terras da União ou do Estado.
Sem titulação ou qualquer tipo de controle, essas áreas são atrativas para a
conversão de florestas em pastagens ilegais. Nesses locais o boi funciona como
um instrumento de garantia da posse. O rebanho ocupa a terra, mostra que ela
tem dono. Cerca de 70% das derrubadas são conversão de florestas em pastagens
extensivas. Esse avanço do gado estaria sendo patrocinado pela venda da
madeira. Sete em cada dez tábuas da Amazônia consumidas em São Paulo – o maior
mercado de madeira tropical do mundo – foram tiradas de terras públicas.
Os
incentivos oficiais à pecuária também desequilibram a equação da
sustentabilidade. Em Mato Grosso, segundo o estudo do Pacto, há uma isenção de
quase 100% dos impostos à criação de bois. “Além disso, os bancos dão créditos
para a pecuária mesmo em áreas ilegais”, diz Paulo Adário, coordenador do
Greenpeace na Amazônia. “Enquanto abrir novos pastos for mais barato que manter
a floresta em pé, a pecuária será uma ameaça”, diz Raul Lopes, do Instituto
Socioambiental (ISA).
Para
deter a devastação, o Pacto propõe investimentos em três frentes. A primeira
são as ações de fiscalização. Uma estratégia semelhante foi adotada em Terra do
Meio, no Pará, depois da morte da irmã Dorothy Stang, em 2005. O desmatamento e
a violência na região foram controlados com a presença do Exército e de
forças-tarefa do Ibama. “O país conta com um dos instrumentos mais modernos do
mundo de monitoramento de desmatamento e queimadas por satélite. Mas faltam
fiscais em campo”, diz Adário. Muitas das cidades onde pólos madeireiros
ilegais s atuam não têm sequer um posto do Ibama, como Aripuanã, em Mato
Grosso, e Castelo dos Sonhos, no Pará. O custo de montar uma estrutura de
fiscalização seria de aproximadamente R$ 350 milhões por ano, segundo o estudo
do Pacto. A segunda frente seria incentivar as atividades econômicas
sustentáveis. Hoje, é mais fácil obter autorização para derrubar a floresta que
para fazer retirada seletiva de árvores. Seria preciso reduzir os trâmites
burocráticos para essas empresas. Além disso, as madeireiras que praticam
manejo florestal teriam isenções fiscais. As isenções e os programas de
assistência técnica para manejo custariam R$ 300 milhões.
O
mecanismo mais polêmico para reduzir o desmatamento seria criar incentivos
financeiros à preservação. Proprietários rurais legalizados receberiam
compensações por manter as áreas preservadas que a lei exige. Pela lei, toda
propriedade deve manter uma reserva legal de 80% de floresta. O dinheiro viria
de um fundo pró-Amazônia. “Enquanto atividades sustentáveis como o manejo
florestal não são mais rentáveis do que a conversão da floresta em pasto, esse
mecanismo pode ajudar a valorizar a floresta”, diz Adário. “Mudar a cultura da
região também passa pelo bolso dos proprietários. Ninguém quer perder dinheiro
para salvar a Amazônia.” A ajuda custaria R$ 350 milhões por ano, segundo o
estudo do Pacto. Essa idéia sofre resistências. “Não é justo pagar as pessoas
para cumprirem a lei”, diz André Lima, do MMA.
Outro
ponto em discussão na proposta do Pacto é de onde tirar R$ 1 bilhão por ano. A
primeira idéia dos autores do plano é – como tantas vezes no Brasil – criar um imposto
específico para isso, que incidiria sobre atividades poluidoras como a gasolina
e a mineração. Outra alternativa é usar recursos do ICMS arrecadado nos Estados
da Amazônia. Para justificar esse repasse, lembram os serviços que a floresta
presta ao resto do país. “Seria uma forma de compensar a região pelos
benefícios que ela oferece”, diz Raul Lopes, do ISA. Cerca de 70% das chuvas
que caem em São Paulo têm origem em fenômenos na Amazônia.
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RIQUEZA SUSTENTÁVEL |
A opção
mais atraente é conseguir verbas externas. Se reduzir o desmatamento pode ser
bom para o Brasil, a vantagem de assumir metas, dizem os defensores do Pacto, é
criar uma moeda de troca internacional. “As florestas são 20% das emissões
mundiais de gás carbônico. Elas são parte do problema, mas também podem ajudar
nas soluções”, diz Paulo Moutinho, do Ipam. Se os países que integram a COP
aceitarem a inclusão das florestas tropicais nos acordos internacionais, o
Brasil poderá receber investimentos do mercado de carbono. É um sistema pelo
qual empresas emissoras de gases podem comprar créditos de projetos em outros
países que conseguiram reduzir suas emissões. A venda de créditos por evitar o
desmatamento poderia sozinha custear o Pacto. “Para isso precisamos provar ao
mundo que temos condições de controlar o desmatamento. Daí a necessidade das
metas que o governo federal nunca quis estabelecer”, diz Moutinho.
A proposta
do Pacto será levada pelas ONGs para a reunião mais decisiva nas negociações
internacionais de clima, a próxima COP, a ser realizada em dezembro na
Indonésia. Nesse encontro, os 169 países signatários do Protocolo de Kyoto, o
acordo global de redução de emissões, começam a acertar as próximas metas para
revisão do acordo em 2012. Ali será discutido se as florestas entram no novo
protocolo. E se países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil, deverão
ter limites de emissão de gás carbônico. “Nossa idéia é conciliar os interesses
próprios de países ricos em florestas e do mundo que deseja controlar as
mudanças climáticas”, diz Moutinho. Se esse mecanismo internacional conseguir
ajudar o agricultor Roberto Carlos Kosakz a produzir sem derrubar sua floresta,
pode ser um caminho para salvar a Amazônia, e ainda frear o aquecimento do
planeta.
COMO SALVAR A AMAZÔNIA
Segundo
o maior levantamento econômico já feito, um investimento de R$ 1 bilhão por ano
poderia salvar a floresta. Como esse dinheiro seria usado


Fiscalização
Cerca de
80% do desmatamento na Amazônia é ilegal. O país já possui o sistema mais
moderno de monitoramento por satélite de sua cobertura florestal. Falta a
presença de fiscais nas regiões críticas de desmatamento, como Machadinho (RO),
Colniza (MT) e Castelo dos Sonhos (PA)
Monitoramento
de unidades de conservação
O país
tem 1.400 funcionários do Ibama para fiscalizar 64 milhões de hectares. É um
fiscal por 480 km2. Não é o suficiente
Regularização
fundiária
Cerca de
33% da Amazônia são terras devolutas que pertencem aos Estados ou à União. No
Pará, mais da metade do território é formada por terras públicas. A falta de
controle sobre essas regiões induz o avanço do desmatamento ilegal e os
conflitos no campo
Incentivos
para produtores rurais manterem a floresta
Redução
do desmatamento em terras privadas. Quem decidisse manter uma área intacta
dentro de sua propriedade receberia verba de fundos para a conservação. Ainda é
um ponto polêmico
Incentivos
para usar as áreas já abertas
O país
tem 60 milhões de hectares abandonados. Essas áreas poderiam ser restauradas
para o uso agrícola n Estímulos fiscais para atividades sustentáveis Subsídios
e empréstimos podem ajudar práticas como manejo florestal e extração de óleos
vegetais, como de castanha
-
Tributação de atividades potencialmente poluidoras
-
Redistribuição do ICMS dos Estados da Amazônia
-
Criação de fundos internacionais para a Amazônia
-
Recursos do BNDES
- Mercado
de carbono
- Para
atividades incompatíveis com a floresta
Em
Estados como Mato Grosso, a pecuária possui quase 100% de incentivos fiscais
- Para
agricultura em áreas ilegais ou em situação irregular
Hoje, o
crédito vai para proprietários com histórico de multas por desmatamento e
queimadas. Muitos não têm documento de posse da terra
Fotos:
J.L. Bulcao/Tyba, Anderson Schneider/ÉPOCA, Paulo Santos e Marcelo
Lourença/Interfoto, Antonio Gauderio/Folha Imagem
09/10/2007
Clima
|
Edson Silva/Folha Imagem |
O produtor Manoel Oliveira Lima, que estima um prejuízo de 20% devido à seca no interior de SP |
MARCELO
TOLEDO
DA FOLHA
RIBEIRÃO
O clima
seco e a estiagem prolongada de até 70 dias na maior parte do Estado já comprometeram
a safra de café do ano que vem em São Paulo.
A
estimativa do setor é que a perda em 2008 já esteja em ao menos 5%, o que é
considerado muito ruim, já que a próxima safra será grande (a cultura é
bianual, e 2007 foi o ano de baixa produção). Alguns produtores na região de
Franca (400 km ao norte da capital) já falam em perdas de 20%.
O
problema é que, sem chuvas satisfatórias desde 26 de julho, os cafezais terão
no próximo ano a mistura de frutos novos com velhos nos pés. Nem mesmo uma forte
chuva hoje, por exemplo, poderia solucionar o problema. E isso vai acontecer
justamente por causa dos efeitos de uma chuva forte ocorrida em julho.
"Com
a chuva forte que houve em julho, seguida de uma elevação da temperatura, o
café "pensou" que era época de florescer. A florada atrapalhou o
ciclo do café. Ele vai florescer de novo e terá frutos misturados no pé, verdes
e maduros. Isso atrapalha a qualidade do café e da bebida", afirmou Hilton
Silveira Pinto, diretor do Cepagri (Centro de Ensino e Pesquisa em
Agricultura), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
O
produtor Manoel Oliveira Lima, que também é administrador de uma fazenda de
1.040 hectares de café (o equivalente a 1.350 campos de futebol) em Ribeirão
Corrente, na microrregião de Franca, está pessimista com a safra.
"Na
média, a perda foi de 20%, mas há alguns cafezais em que o prejuízo atinge 50%
porque alguns pés estão quase perdidos", afirmou Lima.
Segundo
ele, a solução para os produtores é "rezar para chover". "Só
assim conseguiremos salvar o que sobrou", disse ele. O agricultor estima
que o prejuízo mínimo na propriedade de 2,7 milhões de pés de café será de R$
1,5 milhão.
O
produtor José Mário Marques afirmou que as perdas em seu cafezal de 50
hectares, em Ubiraci (MG), somam 15% até agora. "Os institutos de
meteorologia não prevêem chuva nos próximos sete ou oito dias, o que é muito
ruim para a maioria dos produtores", disse.
Seria
preciso chover ao menos 50 mm para interromper os danos causados nos cafezais
-para quebrar a estiagem agrícola, é necessária uma chuva de no mínimo 10 mm.
De
acordo com o pesquisador da Unicamp, com o calor atual, a produção futura está
danificada, e a taxa de florescimento do café pode cair ainda mais, o que já é
esperado pelos cafeicultores.
"Lavouras
mais novas, de sete ou oito meses, ou de um ano e meio, estão em uma situação
crítica, de secamento de folhas", afirmou o engenheiro agrônomo Ricardo
Lima de Andrade, diretor-secretário da Cocapec (Cooperativa dos Cafeicultores e
Agropecuaristas de Franca), que tem 1.700 cooperados.
De
acordo com Andrade, o déficit hídrico, com o esgotamento das reservas do solo,
tem preocupado o setor, porque setembro e outubro compreendem o período de
floração. "A qualidade não fica muito boa. Muita seca ou muita chuva, o
que é diferente ou exagerado, causa problemas depois", afirmou Silveira
Pinto.
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09/10/2007
Clima
CÍNTIA
ACAYABA
DA
AGÊNCIA FOLHA
A forte
seca que atingiu o Espírito Santo entre maio e setembro fez com que a produção
de leite, carne e cana-de-açúcar no Estado registrasse as piores perdas dos
últimos quatro anos. Nesse período, choveu 66% menos do que a média no sul
capixaba.
A
conclusão é do Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e
Extensão Rural), órgão ligado ao governo estadual.
Pelo
menos 800 cabeças de gado morreram de fome no sul do Estado, região mais
atingida pela seca. O rebanho capixaba é formado por 2,1 milhões de cabeças
(40% no sul).
"O
capim secou e os animais foram perdendo peso e morreram. Nos anos anteriores
não registramos perdas significativas", disse Enio Bergoli, presidente do
Incaper.
Além das
mortes, Bergoli ressaltou que as cerca de 25 mil propriedades que trabalham com
pecuária bovina -de leite e corte- sofreram com a perda de peso dos animais e
com o prejuízo na reconstrução do pasto. A produção de leite, por exemplo, teve
queda de 24%.
Segundo
o Siag (Sistema de Informações Agrometeorológicas), de maio a setembro choveu
cerca de 80 mm no Estado, enquanto a média para o período é de 250 mm.
"A
estiagem deste ano é comparada à seca de 2003, que foi muito severa",
disse José Geraldo da Silva, coordenador técnico do Siag.
Embora a
cafeicultura, principal atividade agrícola no ES, não tenha sido afetada, a
seca pode trazer prejuízos futuros.
Institutos
de meteorologia prevêem que as chuvas continuarão abaixo da média até o fim do
ano. "Se não chover nos próximos 15 dias, teremos um problema sério na
cafeicultura", afirmou Bergoli.
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10/10/2007
Café
Tomas
Okuda
O clima
seco nas regiões produtoras brasileiras tem sustentado a alta dos contratos
futuros de café na New York Board of Trade (ICE Futures). Na segunda-feira, o
contrato com vencimento em dezembro marcou o nível mais alto dos últimos nove
meses e meio.
A falta
de chuva atrasa a florada nos cafezais e pode comprometer a produção do ano que
vem. No Triângulo Mineiro, a irrigação foi interrompida. O gerente de
Comercialização da Cooperativa Agrícola de Monte Carmelo (Copermonte), Érico
Suzuki, informa que os motores de irrigação foram lacrados por autoridades,
para impedir que rios sequem.
Em Monte
Carmelo e nas principais áreas produtoras do País, houve apenas chuvas
isoladas, sem condições de eliminar o déficit hídrico acumulado. Segundo
Suzuki, as lavouras estão preparadas para florescer, mas falta água. 'Sem
chuvas, os cafezais não vão florescer e perdem folhas.'
A
especulação sobre o clima no Brasil tem provocado alta volatilidade nos
contratos futuros em Nova York. A oscilação é resultado da dificuldade de
estimar com precisão quando as chuvas chegarão, já que as próprias agências de
meteorologia são cautelosas em suas previsões.
O câmbio
tem sido outro fator de sustentação dos preços, pois o dólar desvalorizado em
relação a outras moedas atrai investidores para o mercado de commodities, diz o
vice-presidente de Vendas da corretora Fimat Futures, Rodrigo Costa.
Conforme o Conselho dos Exportadores de Café (CeCafé), de outubro de 2006 a setembro deste ano, o Brasil exportou 28,7 milhões de sacas, volume 13% maior do que o embarcado nos 12 meses anteriores. A receita cambial, de US$ 3,77 bilhões, representa crescimento de 25,4% em relação ao período anterior
<Voltar>
O
Estado de S. Paulo
10/10/2007
Opinião
O
desmatamento não escapa nem das revistas de bordo
Marcos
Sá Corrêa*
“Olha o
Rio Amazonas!” diz, em voz alta, a passageira da poltrona 16F, mal o Airbus
decola de Milão, rumo aos Alpes italianos, envoltos em nuvens de tempestade.
Não, ela não vira miragem. Estava, simplesmente, de olho pregado na revista de
bordo. E, de fato, a Air France Magazine, número 126, dedica nove páginas ao
Brasil - espaço de sobra para reabastecer instantaneamente o ufanismo daquela
brasileira que, tudo indica, trazia para casa as saudades adquiridas durante as
férias na Europa.
Melhor
assim. Sem prestar maior atenção ao texto da jornalista Elisabeth Leclerc,
publicado em francês e inglês, ou mesmo às fotografias de Yann Arthus-Bertrand,
escancaradas em páginas duplas, ela nem notou que, por baixo do título “Brasil,
terra de água”, havia um libelo contra nossa imprudência ambiental. E libelo é
coisa rara de se encontrar entre anúncios de relógios Vaucheron Constantin,
guias dos “melhores pequenos hotéis do mundo” ou reportagens do gênero “Dez
bons motivos para visitar Kiev”.
Arthus-Bertrand
é mais conhecido como paisagista. Fotografa, sempre, a terra vista do alto. A
quem o nome não diz nada, talvez lhe sirva de apresentação a capa, exposta há
anos em vitrines de livrarias, em que uma clareira forma um coração no meio de
uma floresta da Nova Caledônia. Até no Saara ele conseguiu flagrar, da cesta de
um balão, a presença da vida no deserto, pela sombra de uma caravana que o sol
baixo projeta nas dunas vermelhas.
Mas a
Amazônia ele pegou pelo avesso. Fora a clássica fotografia aérea de abertura,
com o labirinto fluvial serpenteando na selva até onde o horizonte se dissolve
em calor e umidade, o resto é uma paisagem onde a natureza está faltando. Há o
rio, “perto de Manaus”, atravancado por troncos que bóiam a caminho das
serrarias. O Pantanal, resumido ao arabesco que as patas dos bois desenham no
chão. E a desolação de um garimpo em Poconé, onde o solo não passa de barro
gretado.
Revista
de bordo, como se sabe, não é feita para incomodar ninguém. Isso, os aviões
cada vez maiores e as poltronas cada vez menores fazem melhor do que qualquer
jornalista. Na mesma edição, a Escócia e até o Yunnam, o ermo da China “mais
próximo do paraíso”, oferecem um doce consolo à imagem lúgubre da Amazônia,
descrita por Elisabeth Leclercq como lugar condenado pela conspiração de
avarezas que é o atual modelo de desenvolvimento regional. “A indústria
florestal”, diz ela, “penetra o coração da selva e ameaça os ecossistemas”.
Ela
conta que, em 40 anos, 17% da floresta já caiu. E que, “nesse ritmo”, pelo
menos 40% terão sumido até 2050. “O desflorestamento pouco beneficia a
população local”, segundo Leclercq. “Serve principalmente para abrir terras
para a o cultivo agrícola a baixo custo.” No Pantanal, a exuberância das 650
espécies de aves e 250 de peixes “está ameaçada pela superpopulação dos pastos,
a introdução de gramíneas exóticas e a derrubada das florestas periféricas”. O
garimpo contaminou os rios “com 5 mil toneladas de mercúrio”. E por aí vai.
Como diria a passageira da 16F, chegamos lá.
* É jornalista e editor do site O Eco (www.oeco.com.br
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Época
13/10/2007
Meio
Ambiente
Alexandre
Mansur
A
agricultora Francinete Alves Marinho, de 29 anos, vai ajudar a preservar o
clima do planeta. Ela vive em uma comunidade no interior de uma reserva
extrativista no município de São Sebastião do Uatumã, no Amazonas. Mora a cinco
horas de barco da cidade mais próxima. Com seu marido e seis filhos, faz uma
roça em um pequeno trecho aberto de seus 2 hectares de floresta. Às vezes,
vende bananas e mandioca. Ou carvão, que diz produzir a partir dos galhos
mortos das árvores. Também tira um pouco de castanha e açaí. Segundo o marido,
Manoel, o trabalho da família rende algo entre R$ 50 e R$ 100 nos meses de
maior produção. Nos piores meses, nada. Desde setembro, a família de Francinete
conseguiu uma renda mais estável. Ela passou a receber R$ 50 por mês do governo
do Estado. Em troca, assumiu o compromisso de não abrir nem mais 1 metro
quadrado da floresta em seu terreno.
Francinete
faz parte da primeira comunidade a receber o Bolsa-Floresta, um programa criado
pelo governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), uma estrela verde emergente
na política. Braga paga para os habitantes de reservas extrativistas
preservarem a mata. É um sinal para pequenos agricultores e coletores cuja
única opção de melhorar de vida, até então, era buscar um empréstimo para
derrubar a mata e abrir pastagens. Francinete tem uma noção do que sejam as
mudanças climáticas. “As pessoas de outros países jogaram ar sujo no céu e isso
está fazendo o planeta ficar mais quente”, diz. “Agora, a gente que cuida dessa
floresta tem de garantir que ela vai continuar mandando ar limpo para o céu.
Isso vai garantir que a temperatura não fique mais quente do que está.”
Francinete ouviu essa explicação do próprio governador Braga. No início de
setembro, ele pousou de hidroavião no Rio Arumã para entregar as primeiras
bolsas. Em um galpão de madeira entre uma dúzia de casas (o centro da vila),
sob o sol do meio-dia, reuniu os moradores vizinhos de rios (ribeirinhos),
secretários de Estado e prefeitos dos municípios da região para lembrar seu
slogan: “A floresta vale mais em pé do que deitada”.
O
Bolsa-Floresta é uma das faces mais charmosas do programa ecologicamente
correto do governo do Amazonas. Desde que assumiu o primeiro mandato, em 2003,
Braga multiplicou áreas de conservação e criou mecanismos econômicos para
incentivar a produção sustentável da floresta. Isso é relevante em um Estado
que tem um terço da Amazônia e ainda guarda 98% de suas florestas. O projeto
que tenta valorizar a mata é o grande trunfo político de Braga para crescer na
política nacional – e até ganhar projeção fora do país. Braga vem sendo chamado
de “Al Gore brasileiro” por Michel Temer, presidente do PMDB. Neste mês, foi
convidado pela fundação do ex-presidente americano Bill Clinton para exibir
suas iniciativas em um encontro sobre mudanças climáticas, em Nova York.
O
governador já tem alguns sucessos para mostrar. Ele mudou o foco da agência
estadual de fomento, que passou a investir em negócios sustentáveis na
floresta. Desde sua criação, a agência investiu R$ 2,5 milhões para treinar
técnicos e realizar planos de manejo florestal. Eles permitem extrair madeira
sem destruir a floresta. A agência também conseguiu triplicar o preço pago ao
produtor pela castanha extraída de forma não predatória. Agora está instalando
usinas de processamento de óleos vegetais, como o buriti, em 11 municípios. Uma
dessas comunidades já obteve certificação do selo mais reconhecido internacionalmente,
o FSC, programa eleito pela ONU um dos 20 melhores projetos com inovação
social. “As pessoas que vivem na floresta querem soluções simples”, diz Braga.
“Elas têm bons produtos. Só precisam de ajuda para chegar aos mercados.”
Braga diz
ter descoberto isso na campanha política de 1998, quando foi conhecer a Reserva
de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a primeira reserva extrativista do
país, tida como o melhor exemplo de economia baseada na manutenção da floresta.
Para surpresa do então candidato a governador, os negócios em Mamirauá eram
precários. “Os pescadores da reserva tinham produzido a primeira leva de
pirarucus de forma não predatória”, diz. “Só que eles entregaram todo o peixe
para um caboclo que ia vender na cidade. E ele sumiu. Foi ali que compreendi
que a base da economia da floresta podia ser sustentável, s mas o Estado
precisava ajudar a acabar com o atravessador.” No ano passado, a agência
estadual fechou um contrato com o Grupo Pão de Açúcar para vender pirarucu em 170
supermercados do país.
O
governador vem conquistando aliados entre as ONGs. O coordenador do Greenpeace
na Amazônia, Paulo Adário, não é de elogiar autoridades. Mas deu-lhe voto de confiança
em 2003, quando Braga criou um bloco de unidades de conservação na divisa com o
norte de Mato Grosso, o Mosaico de Apuí. As áreas ajudam a conter a pressão de
desmatamento e grilagem de terras que vem do Estado vizinho. Em quatro anos,
Braga dobrou o tamanho das áreas de conservação ambiental, criando 9 milhões de
hectares de parques e reservas. “É claro que ele pensa em ter ganho político
com isso”, diz Adário. “Mas a gente precisava de alguém que decidisse ser o
campeão verde do Brasil. Pelo menos é um governador que vai contra o senso de
que é preciso desmatar para desenvolver.”
‘‘Ele
está mostrando que é possível proteger as florestas que beneficiam as
comunidades’’
PAULO
ADÁRIO, do Greenpeace
Ironicamente,
Braga entrou na cena política do Amazonas como protegido do ex-governador
Amazonino Mendes, um homem que se gabava de distribuir motosserras para os
fazendeiros. Em 1993, Braga, então secretário de obras de Amazonino, elegeu-se
prefeito de Manaus. Em 1998, teria o apoio de Amazonino para o governo. Com a
aprovação da emenda da reeleição, Amazonino decidiu concorrer e os dois
romperam. “Foi um divisor de águas em minha carreira. A partir dali desenvolvi
uma identidade política própria.”
O principal mentor e articulador da
vertente ambiental de Braga é Virgílio Viana, o secretário de Estado do Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Engenheiro florestal pela Escola
Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Viana foi um dos criadores do
instituto Imaflora, pioneiro na certificação de madeira produzida de forma
sustentável. Em 2002, foi convidado a fazer o programa de governo do candidato
Braga. “Era o desafio de pôr em prática, em larga escala, aquilo em que eu
acreditava”, diz Viana. Um dos maiores orgulhos de Viana – e de Braga – foi a
redução da contaminação de mercúrio nos garimpos na Bacia do Rio Madeira. A
substância é usada para separar o ouro das impurezas. O mercúrio, que ataca o
sistema nervoso, intoxica os garimpeiros e entra na cadeia alimentar do rio
através da carne dos peixes contaminados. “Depois de dois dias percorrendo o
rio em uma voadeira, fiz uma assembléia com 300 garimpeiros”, diz Viana.
“Descobri que são ribeirinhos que, na época chuvosa, colhem açaí e castanha. Na
seca, pegam o cachorro e a família e passam a semana tirando ouro dos
barrancos.” Esses garimpeiros-ribeirinhos, segundo Viana, não sabiam que o
mercúrio fazia mal. “Eles diziam que a substância era saudável, que fazia até
ficar forte”, afirma. A secretaria criou cooperativas que orientam e financiam
os garimpeiros a comprar um equipamento simples, o cadinho, para recuperar o
mercúrio usado. Em dois anos, o consumo de mercúrio nos garimpos caiu 73%,
segundo a secretaria.
Mas a
política ambiental do governador tem limites. Ela cria opções para manter em pé
as florestas em regiões de extrativismo organizado, dentro de unidades de
conservação. Só que a maior parte da Amazônia ainda é composta de terras
públicas devolutas. São florestas que, teoricamente, pertencem à União ou aos
Estados. Mas que não têm a posse regularizada. Isso abre espaço para uma luta
por usurpação da terra por fazendeiros. O desmatamento é o efeito colateral. É
isso que acontece em regiões do sul do Amazonas, como os municípios de Apuí e
Humaitá. Ali, madeireiras ilegais ainda retiram toras de terras invadidas.
Depois da pilhagem, a mata é queimada por pecuaristas, que espalham seus bois
entre os troncos calcinados, enquanto tentam negociar a terra com documentos
precários de posse. Graças a essa especulação imobiliária, o ritmo de
desmatamento do Estado voltou a crescer. Tinha caído 53% nos primeiros anos de
governo Braga. Subiu 3,7% no ano passado, o pior índice do país.
A essas
questões, o governador dá duas respostas. A primeira é que lhe falta poder para
regularizar a bagunça fundiária. “Isso tem de começar com uma ação do governo
federal, através do Incra.” Enquanto isso, Braga diz preparar-se para lançar
uma espécie de força policial especial que fiscalize áreas de conflito. A
idéia, ainda não apresentada oficialmente, é usar os oficiais e soldados da
reserva do Exército, com treinamento para ação na selva, como uma divisão
subordinada à Secretaria de Segurança Pública. “Eles atuariam junto com os
órgãos estaduais ou federais como uma SWAT ambiental”, diz Braga, referindo-se
à unidade tática da polícia americana.
A
principal diferença do programa de Braga em relação a outras iniciativas de
salvar a floresta são as vantagens aos ribeirinhos. Segundo Carlos Miller,
coordenador da Fundação Avina na Amazônia, o mundo quer preservar a floresta,
mas ninguém oferece uma forma prática de fazer os recursos chegar a quem está
na ponta da linha. “Quando criam uma reserva no meio do mato, a gente sempre
fica com a expectativa de que vão nos expulsar”, diz Angela Ferreira, outra moradora
do Uatumã. “Agora parece que enxergaram a gente.”
O que
ele fez
Bolsa-Floresta
Abriu um
fundo com R$ 20 milhões. Os rendimentos servirão para pagar uma bolsa de R$ 50
aos ribeirinhos de comunidades extrativistas para não desmatar
Fomento
A agência
estadual está treinando técnicos em manejo sustentável de madeira. Também
triplicou o preço pago pela castanha, um produto que não degrada a mata
Conservação
Criou 9
milhões de hectares em unidades de preservação. Elas servem para evitar a
usurpação de terras públicas em áreas de pressão dos grileiros
Desmatamento
A taxa
no Estado tinha caído 53% nos primeiros anos de governo. Mas subiu 3,7% no ano
passado
Foto:
Frederic Jean/época
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Folha
de S. Paulo
16/10/2007
Meio Ambiente
DA
REPORTAGEM LOCAL
Um projeto
de lei a ser votado amanhã na Câmara dos Deputados dá a produtores rurais na
Amazônia a possibilidade de ampliar o plantio de culturas para o biodiesel em
vez de recuperar a floresta nativa em áreas que já foram desmatadas.
O
projeto de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) -que depois recebeu um
anexo feito pelo ex-deputado José Thomaz Nonô- permite o plantio de palmeiras
exóticas, como o dendezeiro (uma das plantas usadas na produção de biodiesel),
como forma de "flexibilizar" a reposição florestal em toda a região
amazônica.
"Isso
seria um estímulo para que o camarada pudesse fazer a recomposição dos 30% com
algo que desse algum tipo de retorno", disse à Folha o deputado Jorge
Khoury (DEM-BA), relator do projeto na Câmara. Ele também apresentou
substitutivos ao texto que está na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável, onde o projeto será votado amanhã. O parecer do relator é
favorável a aprovação.
A
recomposição florestal é um mecanismo pelo qual proprietários que desmataram
além do permitido por lei (20% da propriedade, no caso da Amazônia) compensem a
área destruída pelo plantio de espécies nativas e/ou da compra de terras com
floresta para ampliar áreas de conservação.
Pela
proposta, o dono de uma área de mil hectares 100% desmatados na Amazônia poderá
plantar dendê em até 300 hectares a título de reposição.
"Estamos
falando de áreas já abertas. Ficar da forma que está será pior. E são os órgãos
ambientais estaduais que vão regulamentar onde pode. Até hoje se tentou vários
mecanismos e não se conseguiu nada."
Para os
ambientalistas, a proposta é injustificável. "Isso é o mesmo que contratar
um monte de estagiários e dizer que está aumentando o número de empregos",
compara Ricardo Machado, da ONG Conservação Internacional.
"O
plantio de espécies exóticas tem uma contribuição ambiental quase nula",
afirma.
Paulo
Adário, do Greenpeace, vai mais longe: diz que os deputados da comissão correm
o risco de se comportar como "agentes do agronegócio e dos
biocombustíveis" se aprovarem o texto amanhã.
Para o
Ministério do Meio Ambiente, a proposta é "pobre", mas não absurda.
"Não é nenhuma aberração", disse o secretário-executivo do Ministério
do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. O governo trabalha para que a medida
seja votada juntamente com outros dispositivos, ainda em discussão, para
intensificar o uso de áreas já degradadas e impedir o avanço do desmatamento.
"Não significa que vamos conseguir. A medida, sozinha, pode passar a idéia
de que a flexibilização da reposição florestal vai de encontro à
conservação."
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16/10/2007
Meio Ambiente
Cristina
Amorim
O
governo federal prepara uma ação emergencial para tentar conter a retomada da
curva ascendente de desmatamento na Amazônia. Segundo dados independentes e
oficiais, a derrubada - que foi controlada por três anos consecutivos - ganhou
nova força em 2007 e, sem ações de controle, pode crescer ainda mais no próximo
ano.
Informações
preliminares do próprio governo, obtidas pelo sistema por satélite Deter,
indicam que o desmatamento em Mato Grosso cresceu 107% entre junho e setembro
deste ano, comparado ao mesmo período do ano anterior. Em Rondônia, o índice é
de 53% e, no Acre, de 3%.
Já o
Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), elaborado regularmente pelas
organizações não-governamentais Imazon e Instituto Centro de Vida (ICV),
mostram que o corte em Mato Grosso subiu pelo quarto mês consecutivo: 262
quilômetros quadrados, 147% a mais do que agosto de 2006.
Os
índices destoam devido a diferenças de metodologia, porém a tendência de alta
se mantém. O Estado é o que mais derruba na região e serve como termômetro da
tendência a ser seguida pelos demais Estados amazônicos.
Frente
aos números, o Plano de Combate ao Desmatamento da Amazônia, que passa
atualmente por revisão para divulgação em 2008, foi desmembrado em três
momentos. O primeiro, de curtíssimo prazo, prevê ações de comando e controle
ainda neste ano, especialmente no Pará, em Mato Grosso e Rondônia.
“Esse é
um fator de preocupação. Os sinais são de recuperação do mercado de commodities
e, com a expectativa de lucro presente, as pessoas se arriscam mais”, disse o
diretor de ações da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente (MMA), André Lima.
“Além disso, em 2008 há eleições municipais, que normalmente são acompanhadas
pelo crescimento do desmatamento.”
No ano
que vem, a intenção do governo é trabalhar com os cerca de 30 municípios
amazônicos que derrubam mais. Entre 2008 e 2010, o ministério promete lançar
mecanismos - especialmente financeiros - que promovam a exploração sustentada
da floresta, além de exigir uma participação maior dos poderes estaduais e
municipais para controlar a derrubada.
Para o
secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, a volta da curva ascendente
é um indicativo de que é preciso “acertar alguns controles e reformular algumas
estratégias de fiscalização”, mas ela não fará com que o País apresente
novamente taxas anuais positivas e elevadas de desmatamento. “Há sinais de que,
em tese, está havendo um reaquecimento do desmatamento e estamos trabalhando
para que isso não se consolide”, afirmou.
PROVA
O
governo federal tem comemorado a queda da taxa de desmatamento da Amazônia nos
últimos anos, numa média de 30% em relação ao pico de 2004 - que atingiu 27.379
quilômetros quadrados, o segundo maior já contabilizado. Duas frentes
principais do Plano de Combate ao Desmatamento, lançado há três anos, tiveram
resultados positivos.
A
primeira foram as ações de comando e controle, que desarticularam quadrilhas
especializadas em grilagem e exploração ilegal da madeira. Isso segurou o corte
indiscriminado e coibiu a prática. Outra foi a criação de unidades de
conservação em áreas que sofrem grande pressão de grileiros e madeireiros, como
a Terra do Meio, no Pará.
Especialistas
e ambientalistas afirmavam que as medidas eram bem-sucedidas, porém de forma
relativa. O lançamento do plano coincidiu com uma queda no preço das
commodities, especialmente a soja, e com uma rejeição estrangeira ao gado
brasileiro por causa da febre aftosa.
O
governo, que negava a influência econômica, agora assume seu papel na dinâmica
da retomada do desmatamento em 2007. Para Capobianco, o aumento dos preços das
commodities é um dos motivos que transformaram este em um ano complicado - além
da seca prolongada observada na região Norte, que estende o período propício
para o corte e a queimada das árvores.
“O
governo se beneficiou de uma conjuntura, mas algumas coisas estão deixando de
ser favoráveis, como os preços da soja e da carne”, diz Paulo Adário,
coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace. “Por enquanto, o crescimento
é pequeno. Mas esta é uma tendência preocupante.”
<Voltar>
O
Globo
17/10/2007
Meio Ambiente
BRASÍLIA.
O Ministério do Meio Ambiente informou que vai reforçar as operações de combate
ao desmatamento na Amazônia. Satélites do sistema Deter, do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe), detectaram um aumento na derrubada de árvores em
três estados da região entre junho e setembro. A situação mais preocupante é a
de Mato Grosso, onde o desmatamento avançou 107% nesses quatro meses em relação
ao mesmo período do ano passado. Em Rondônia, o crescimento foi de 53%, e no
Acre, de 3%.
O
governo admitiu que houve, de fato, um aumento na devastação, mas, para o
secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o
impacto desse crescimento só poderá ser dimensionado no ano que vem, no próximo
balanço de derrubada de árvores na Amazônia.
A taxa
de desmatamento é medida anualmente de 1º de agosto a 31 de julho do ano
seguinte.
-
Acendemos a luz amarela, mas não sabemos se a curva vai prosseguir em alta.
Vamos trabalhar para que isso não ocorra - prometeu.
De
acordo com Capobianco, o reforço na fiscalização foi decidido há duas semanas,
em reunião com responsáveis pelo monitoramento das florestas no Ibama.
O
ministério atribui a alta a três fatores: a seca prolongada nas regiões Norte e
Centro-Oeste; o aumento no preço internacional de commodities como a soja; e a
proximidade das eleições municipais, período em que as prefeituras costumam
afrouxar o combate ao desmatamento.
Com
discurso otimista, o secretário afirmou que o balanço de 2007, a ser divulgado
em dezembro, deve apresentar a maior queda no desmatamento da Amazônia desde o
início das medições anuais por satélite, em 1988.
O
governo espera uma redução de pelo menos 30% no índice, que vem caindo nos
últimos dois anos.
-
Segundo o Inpe, a redução pode ser de até 36% em relação a 2006. Não há dúvida
de que teremos o terceiro ano seguido de queda no desmatamento da Amazônia -
afirmou Capobianco.
Nas próximas
semanas, o governo deve anunciar um plano para reforçar o combate à ação de
grileiros e madeireiros na Amazônia. Apesar da mobilização, o Ministério do
Meio Ambiente alega ter pouco poder para inibir os responsáveis pelo
desmatamento. A lei permite o embargo de atividades econômicas em áreas
preservadas, mas não prevê punições.
Em 2008,
uma das prioridades da área será acelerar a concessão de florestas para
exploração pela iniciativa privada. No próximo dia 31, a ministra Marina Silva
abre a primeira licitação do gênero, para "privatizar" a Floresta
Nacional do Jamari, em Rondônia.
<Voltar>
18/10/2007
Meio Ambiente
CLAUDIO
ANGELO
EDITOR
DE CIÊNCIA
Duas
novas análises prenunciam um ano de 2008 com motosserras e tratores a toda na
Amazônia. O governo federal divulgou ontem uma estimativa que mostra que o
desmatamento cresceu 8% no período de junho a setembro de 2007 em comparação
com o mesmo período de 2006. E dados produzidos por um sistema independente de
monitoramento da floresta indicam que um dos pilares da política do governo
federal para conter a devastação -as unidades de conservação criadas no Pará-
começa a dar sinais de fadiga.
Os dados
do governo são estimativas feitas pelo Deter, o sistema de detecção do
desmatamento em tempo real por imagens de satélite desenvolvido pelo Inpe
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Eles
mostram que, na média dos nove Estados amazônicos, o desmatamento em julho,
agosto e setembro cresceu 4%, 53% e 107% em comparação com os mesmos meses de
2006, respectivamente. O mês de junho foi o único que apresentou queda -de
33%-, seguindo a tendência do ano anterior.
"É um
aumento significativo, que mostra um recrudescimento do desmatamento",
afirmou à Folha o diretor do Inpe, Gilberto Câmara. "Dificilmente a taxa
de 2007/2008 ficará na queda observada neste ano", afirmou o cientista,
referindo-se aos 30% de desaceleração estimados pelo Deter para 2006 e
comemorados pelo Ministério do Meio Ambiente.
Aumentos
significativos foram observados em Rondônia, Mato Grosso e Pará. No primeiro
Estado, a devastação cresceu acachapantes 602% em setembro, em comparação com
setembro do ano passado.
A
estimativa independente, feita pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da
Amazônia e divulgada hoje na internet, mostra que no Pará a devastação explodiu
nas unidades de conservação criadas pelo governo federal no sul do Estado nos
últimos anos para combater a grilagem: 25% do desmatamento no Estado entre
agosto de 2006 e julho de 2007 aconteceu em áreas protegidas.
As
maiores derrubadas estão justamente na zona de influência da rodovia BR-163
(Cuiabá-Santarém), onde o governo criou em 2005 um mosaico de reservas de 8
milhões de hectares, tido como um dos maiores trunfos da política de
ordenamento fundiário do Ministério do Meio Ambiente. Também há desmatamentos
na região de Carajás e na Terra do Meio, área de conflito fundiário que recebeu
unidades de conservação após o assassinato da freira Dorothy Stang, em 2005.
O
fenômeno representa uma reversão da tendência histórica do desmatamento: em
toda a Amazônia, até julho de 2006, a devastação em áreas protegidas representava
em média apenas 1,16% do total.
"O
padrão de desmatamento em unidades de conservação no Pará é alarmante. Foi uma
surpresa para nós", disse Adalberto Veríssimo, do Imazon.
O
pesquisador é um dos criadores do SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento),
ferramenta que usa imagens de satélite para acompanhar a ação do homem sobre a
floresta mês a mês. O sistema, que já é usado para monitorar Mato Grosso há
quatro meses, acaba de ser ampliado ao Pará.
O
SAD-Pará tem a princípio uma boa notícia para a ministra Marina Silva (Meio
Ambiente): o corte raso no Estado caiu 54% em agosto de 2007, se comparado ao
mesmo mês do ano passado. Isso destoa do Deter, que aponta um aumento de 59% no
Estado nesse mesmo período.
Mesmo
essa queda, no entanto, tende a estar superestimada, devido à presença de
nuvens que impediram a observação de áreas importantes.
A má
notícia é que o fato de que há tantas derrubadas acontecendo em unidades de
conservação federais e terras indígenas pode ser um sinal de que os grileiros estão
de volta à ativa no Pará, depois de dois anos reprimidos pelo governo.
Segundo
Veríssimo, os grileiros estão apostando na impunidade. "O governo aumentou
sua exposição ao risco quando criou as unidades de conservação em áreas de
conflito fundiário [BR-163 e Terra do Meio], mas não conseguiu estabelecer sua
presença ali", disse o pesquisador. Uma vez que a maioria das reservas da
região ficou apenas no papel, sem implementação efetiva, as áreas foram
reinvadidas.
A
estimular os grileiros está a elevação dos preços das commodities, em especial
a carne, o milho e a soja. O mercado desses bens passou dois anos desaquecido,
período que viu o desmate cair. O governo teme que o reaquecimento, as eleições
municipais do ano que vem e a própria taxa baixa de desmatamento de 2006 tragam
junto uma explosão das derrubadas.
"O
ano de 2008 vai ser quente para nós", disse o secretário-executivo do
Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. Ele diz que os dados do
Imazon sobre as unidades de conservação do Pará são algo "absolutamente
fora da história da Amazônia", e que precisam ser analisados.
Capobianco
afirma, no entanto, que ainda não dá para falar de aumento total na taxa de
desmatamento de 2007, já que após setembro começa uma redução natural da
atividade agrícola devido às chuvas.
O
governo está revendo o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e pretende
reforçar a fiscalização e o fomento às atividades sustentáveis, além de aumentar
a eficiência da arrecadação das multas por crime ambiental.
"Francamente,
estamos trabalhando com um cenário que não é de catástrofe."
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19/10/2007
Meio Ambiente
O
DESMATAMENTO na Amazônia brasileira voltou a crescer -8%, nos últimos quatro
meses, sobre o mesmo período de 2006- após três anos em queda. As taxas estão
longe do recorde de 2004 (27 mil km2), mas não é desprezível a chance de que
esteja em gestação o "cenário de catástrofe" descartado pelo
Ministério do Meio Ambiente.
As
cifras do desmatamento sempre foram um ponto nevrálgico. Descontada alguma
mentalidade colonialista ainda presente em países desenvolvidos, a preocupação
de seus cidadãos com uma floresta a milhares de quilômetros de distância não é
de todo impertinente. Na Amazônia está o maior remanescente contínuo de
floresta tropical do globo, e o Brasil concentra cerca de 60% desse patrimônio.
Não se
trata só de valorização sentimental da natureza. A Amazônia concentra em
quantidade incontrastável três ativos com potencial para influenciar cada vez mais
o rumo da economia mundial: biodiversidade, água e carbono fixado (na queima da
mata, ele alcança a atmosfera e ajuda a agravar o efeito estufa). O estoque e a
produtividade do ecossistema nessas áreas lhe conferem alto valor estratégico,
ainda que isso hoje traga pouco benefício para mais de 20 milhões de
brasileiros na região.
Enquanto
não se desenvolvem arranjos produtivos que agreguem mais valor aos produtos
desse acervo biológico, permanece o incentivo a dilapidar o capital natural.
Grileiros e madeireiros ilegais são acionados por pecuaristas interessados na
abertura de novas áreas, após vender sua terra já desmatada a empresários do
agronegócio, como a soja que avança por Mato Grosso e na região de Santarém
(PA). Quando sobem os preços da commodity, como agora, a engrenagem se põe em
marcha no chamado Arco do Desmatamento, que inclui ainda Rondônia.
Não
surpreende, assim, ver as taxas de desmate de setembro nesses Estados crescerem
59% (PA), 84% (MT) e até 602% (RO), na comparação com setembro de 2006. Também
houve aumentos em relação ao mês anterior (respectivamente 191%, 48% e 65%). É
preocupante o caso do Pará: um quarto do desmatamento ocorrido ali de agosto de
2006 a julho de 2007 atingiu unidades de conservação, segundo o Instituto do Homem
e Meio Ambiente da Amazônia.
Esgota-se,
portanto, o expediente de decretar reservas sem dotá-las de pessoal e
equipamentos. Ainda que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, feche 2007 com
uma taxa anual abaixo de 10 mil km2 (pois a data-base do desmatamento é 1º de
agosto, anterior ao repique), seu ministério será talvez obrigado a retomar
grandes ações de repressão com a Polícia Federal para conter a tendência.
O ímpeto
da fronteira agrícola já não parece deter-se diante da interdição fundiária nas
áreas protegidas. Ele só será disciplinado com um zoneamento agroecológico
abrangente da Amazônia, desde que ele também não fique no papel, e com o avanço
da experiência de concessões florestais inaugurada há um mês em Rondônia -maior
aposta do governo para legalizar, monitorar e reduzir o impacto da exploração
madeireira.
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23/10/2007
Meio Ambiente
Leonel
Rocha
Da
Equipe do Correio
Um
projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional sobre a exploração comercial
das reservas florestais transformou-se na mais nova polêmica entre produtores
rurais e ambientalistas. A proposta altera o antigo Código Florestal Brasileiro
para permitir o cultivo de espécies exóticas em 30% das áreas degradadas e que
deverão ser recompostas obrigatoriamente pelos fazendeiros. A idéia é que,
tanto nas fazendas da Amazônia Legal quanto nas localizadas no que resta da
Mata Atlântica, os produtores possam regularizar sua situação fundiária
replantando palmáceas como o dendê, o babaçu e outras oleaginosas. Tudo para
viabilizar o empreendimento rural.
“O
projeto cria estímulos para recuperar áreas degradadas de inúmeras fazendas que
passarão a ter reserva florestal e viabilidade econômica”, defende o relator do
projeto na Câmara, deputado Jorge Khoury (DEM-BA). Segundo o parlamentar, caso
venha a ser aprovada, a lei permitirá a regularização fundiária de inúmeras
propriedades cujos fazendeiros faliram depois de terem suas terras interditadas
por terem reduzido o tamanho das reservas legais.
A
proposta não altera os atuais limites nacionais de reserva florestal. Na
Amazônia, os fazendeiros só podem explorar 20% da área. O restante deve
permanecer como reserva. Na área da Mata Atlântica, o limite de reserva é
metade de cada uma das propriedades. Nas regiões com exploração intensa,
classificadas tecnicamente como antropizadas, a exploração pode chegar a 80%
das fazendas.
O projeto
original é do senador Flexa Ribeiro (PMDB-AM) e tinha sido aprovado
inicialmente prevendo a redução de 80% para 50% do tamanho das reservas legais
nas fazendas da Amazônia. Ao chegar à comissão de Meio Ambiente da Câmara, no
final do ano passado, o texto foi alterado pelo relator Jorge Khoury. Ficou
mantido o tamanho original das reservas na região, mas permitiu-se a exploração
de 30% das áreas a serem recompostas como reserva florestal.
A
proposta do parlamentar permite a produção de óleos vegetais para a utilização
na composição do biodiesel em fazendas hoje interditadas pelo Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por
falta de reserva florestal legal, a criminalização dos desmatamentos fora das
áreas de reserva, entre outras medidas (veja quadro).
O
presidente da Frente Ambientalista da Câmara, deputado Sarney Filho (PV-MA),
classificou a proposta de inoportuna e tecnicamente inadequada. De acordo com o
parlamentar, na prática, o projeto abre uma brecha legal para que as áreas de
reserva legal na Amazônia sejam diminuídas. “Como está, o projeto de lei
permite o fim das reservas florestais nas fazendas. No momento em que o mundo
discute o aquecimento global e a captação de carbono, o Congresso brasileiro
pode ir na contramão do debate internacional”, lamenta. Sarney Filho prevê
dificuldades para o governo brasileiro nos debates em fóruns ambientalistas
internacionais se o projeto for aprovado como está.
O
congressista alerta que a permissão para o plantio de espécies exóticas na
recomposição das reservas florestais, tanto na Amazônia quanto na Mata
Atlântica, é um risco para a política ambiental brasileira. Segundo Sarney
Filho, agora que o governo precisa de votos no Senado para aprovar a CPMF, o
projeto de lei poderá fazer parte das moedas de negociação entre o Palácio do
Planalto e senadores que apoiariam a prorrogação do imposto do cheque em troca
da mudança no Código Florestal.
A
proposta divide os ambientalistas. A direção do Greenpeace no Brasil, por
exemplo, considera que o projeto acaba com o conceito de reserva florestal nas
fazendas, já que o plantio de espécies exóticas acaba com a característica da
área a ser replantada. “As concessões feitas são inaceitáveis e transformam as
reservas em uma área a mais para a exploração do agronegócio”, criticou o
diretor de Políticas Públicas do Greenpeace, Sérgio Leitão. Uma nota contra o
projeto elaborada no final de semana foi assinada pelas ONGs Instituto
Sócio-Ambiental (ISA), WWF, Conservation International e Amigos da Terra. A SOS
Mata Atlântica, contudo, é simpática à proposta.
No
governo, a divisão repete o racha das ONGs ligadas à defesa ambiental. A
ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ainda não se posicionou. O secretário-executivo
do ministério, João Carlos Capobianco, é simpático ao projeto. A proposta foi
requisitada pela comissão de agricultura da Câmara para ser discutida e votada.
Com uma composição majoritariamente de parlamentares ligados à bancada
ruralista, a tendência na comissão é a ampliação das concessões ao agronegócio.
“No
momento em que o mundo discute o aquecimento global e a captação de carbono, o
Congresso brasileiro pode ir na contramão do debate internacional”
Sarney Filho, presidente da Frente
Ambientalista da Câmara
Órgãos
do governo federal, instituições de pesquisa e usuários não comerciais têm
acesso, desde ontem, às imagens de satélite de alta resolução para fins de
monitoramento de desastres ambientais, levantamento de recursos naturais e
elaboração de cartas e mapas. O recurso está disponível no portal Alos
(Advanced Land Observing Satellite) lançado oficialmente pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua página na internet.
A
iniciativa resulta de acordo de cooperação científica firmado em outubro de
2006 entre o IBGE e a Agência Espacial Japonesa (Jaxa), que criou o Alos e
montou uma rede mundial de distribuição de dados com base em diversos países. O
diretor do Departamento de Geociências do IBGE, Luís Paulo Souto Fortes, disse
que a entrada em operação do satélite no Brasil “vai subsidiar o IBGE na
melhora do conhecimento do território, por meio da produção de cartas e mapas
atualizados de todo o território nacional”.
30% das
áreas de reservas florestais degradadas poderão ser recompostas pelos
fazendeiros com o plantio de espécies nativas ou exóticas que possam ser
exploradas, como dendê, babaçu e outras palmáceas.
Criminalização
dos desmatamentos feitos fora das áreas de preservação
Zoneamento
econômico-ecológico obrigatório para as fazendas que resolverem explorar
economicamente 30% das áreas de reserva florestal
Fonte:
Câmara dos Deputados
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01/11/2007
Meio Ambiente
Bettina
Barros
Uma
nova aliança a favor do meio ambiente foi lançada ontem em São Paulo. Desta vez,
o foco da discussão é o cerrado, segundo maior bioma do Brasil (atrás da
Amazônia) e reconhecidamente marginalizado pelas políticas públicas de
proteção.
Não que
ele será efetivamente protegido - há um longo caminho para isso. Mas trata-se
da primeira iniciativa elaborada em conjunto por organizações ambientais e um
peso-pesado da indústria para elevar a conscientização de comunidades e
produtores da região, o que é um primeiro passo.
Por trás
do movimento "Aliança BioCerrado" estão a gigante Bunge, a
Conservação Internacional (CI) e a ONG goiana Oréades. "Mas não queremos a
paternidade, queremos mais parceiros", afirma Adalgiso Telles, diretor
corporativo da Bunge.
A idéia é
criar um canal de troca de experiências e disseminação de informações para
viabilizar projetos sustentáveis no cerrado, uma lacuna já preenchida por
alianças como a da Mata Atlântica, Amazônia e caatinga.
"Cerca
de 75% das propriedades do cerrado têm problemas de cumprimento da lei e 59%
não tem interesse imediato em resolver a situação", diz Renato Moreira, da
Oreádes. "Eles acham que nunca serão penalizados e apostam na deficiência
da fiscalização".
Monteiro
falava para uma pequena e atenta platéia de representantes de empresas como
Klabin, Unilever, Nestlé e Mc Donald"s e interessados no bioma.
São
essas pessoas, diz Telles, que podem condicionar suas compras à
sustentabilidade, tal como com a moratória da soja, em 2006. "Não pensamos
em moratória a quem desmatar o cerrado. Antes, precisamos convencer os
stakeholders".
Tacitamente,
a aliança atesta a inevitabilidade da expansão da agricultura pelo que restou
do cerrado. Com a lupa voltada à proteção da Amazônia e preços de grãos em
alta, o campo se voltou com ambição ao bioma. Os produtores de grãos alegam que
entrariam só nos 90 milhões de hectares já abertos. Mas há dúvidas. Nas últimas
décadas, o agronegócio ajudou a desmatar quase 80% do cerrado.
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03/11/2007
Opinião
Deputado
federal pelo PSB/DF
Tramita
há 12 anos no Congresso Nacional a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
115/95, que consagra cerrado e caatinga como patrimônios nacionais na
Constituição Federal. Os constituintes de 1988 cometeram equívoco ao não
incluir esses dois biomas na Carta Magna, a exemplo do que foi feito com a
Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Pantanal, Serra do Mar e Zona Costeira.
O
cerrado ocupa 24% do território nacional. Por sua localização central, serve de
zona de integração entre os diversos biomas brasileiros. É o berço das águas,
sendo responsável por 70% das descargas dos rios São Francisco, Paraná e
Tocantins.
No que se
refere à biodiversidade, é um dos biomas mais ricos do planeta. Estima-se que
existam 10 mil espécies de plantas, das quais 4.400 são endêmicas, ou seja,
encontradas apenas na região e constituem material genético precioso para
melhoramentos e desenvolvimento de plantas resistentes a longos períodos de
estiagem e mudanças bruscas de temperatura, fundamentais para possíveis
adaptações ao aquecimento global.
Só no
Centro-Oeste vivem 50 grupos étnicos, em 123 terras indígenas, com cerca de 82
mil pessoas, destacando-se os xavantes, guaranys, cintas largas, terenas,
jurunas,
karajás
e kayapós. Recentemente tive a oportunidade de conhecer um grupo da etnia
krahô, em Tocantins.
Mesmo
com todas essas características, o cerrado corre perigo e pede socorro. Sua
taxa de desmatamento, de 1,5% ao ano, é alarmante e já superou as taxas de
desflorestamento da Amazônia. As carvoarias ilegais, que produzem carvão,
sobretudo para as usinas siderúrgicas mineiras, são as grandes responsáveis por
sua destruição criminosa. As ações de fiscalização dos governos federal e
estaduais são tímidas e insuficientes.
A região
que abriga o cerrado tem grande potencial econômico e constitui área nobre para
a expansão da agroenergia. Esse potencial, se bem explorado, com zoneamento
ecológico-econômico, deve significar desenvolvimento e geração de renda. Se
explorado de forma desordenada, significará o fim do que resta de cerrado. No
estado de Goiás existem 15 usinas de açúcar e álcool que ocupam 0,8% do
território estadual.
Mais 51
novos projetos estão aprovados e, quando implantados, ocuparão 5% do território
goiano, área equivalente à ocupada pela soja atualmente. Somente na região
Centro-Oeste existem 50 milhões de hectares de pastagens degradadas que devem
ser usadas para a expansão da agroenergia (etanol, biodiesel, florestas
energéticas) evitando a expansão da agricultura sobre novas áreas de cerrado.
Instituições
como a Embrapa, universidades federais e estaduais, ministérios da C&T e do
Meio Ambiente já se articulam em torno da rede de pesquisa para conservação e
uso sustentável do cerrado. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre fatores
ambientais e socioeconômicos que interferem na situação do bioma, com enfoque
para o uso da terra e desenvolvimento de tecnologias de aproveitamento
sustentável da biodiversidade e demais recursos naturais. É necessário tornar
disponível o conhecimento científico para a formulação e implementação de
políticas públicas na região.
Todas
essas razões são suficientes para justificar a aprovação da PEC 115/95, que se
encontra pronta para votação. Sua aprovação não gera efeitos práticos
imediatos, mas reflete o reconhecimento pelo Congresso Nacional da importância
desse bioma brasileiro, consagrando o que o eminente jurista Paulo Bonavides
denomina de “supremacia dos princípios” na Constituição Federal.
O
cerrado, ao receber status de patrimônio da nação na Constituição Federal,
obriga a todos a agirem com responsabilidade em relação ao seu manejo,
colocando os interesses públicos acima dos particulares. E será, sem dúvida,
grande demonstração de sensibilidade e de sabedoria do Congresso brasileiro,
que entenderá que o cerrado é patrimônio nacional de fato. Precisa ser de
direito.
06/11/2007
Meio Ambiente
Cristina
Amorim
O Brasil
continua entre os maiores emissores de dióxido de carbono (CO2), o principal
gás do efeito estufa, porque mantém taxas elevadas de desmatamento da Amazônia.
Segundo uma projeção feita pelo especialista José Goldemberg, do Instituto de
Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, à qual o Estado teve
acesso, o País emitiu 1,141 bilhão de toneladas em 2006, das quais cerca de 855
milhões (75%) viriam de mudanças no solo - corte e queimada da floresta. O
valor mantém o País em 5º lugar (sem contar a contribuição da União Européia).
A
secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug,
contesta a informação e diz que o número está superestimado. Em uma projeção
feita para o Estado, ela afirma que as emissões em 2006 provenientes do
desmatamento da Amazônia girariam em torno de 684 milhões de toneladas de CO2.
Os
cálculos feitos pelos dois cientistas não são oficiais e usam como base o
primeiro e único inventário brasileiro de emissões de gases do efeito estufa.
Ele foi lançado em 2004, mas apresenta um corte do passado, uma vez que usa
dados registrados entre 1990 e 1994. “Esse não é um cálculo com valor
científico. Porém, mostra que o problema continua o mesmo”, afirma Goldemberg.
“Se o desmatamento fosse zerado, o Brasil ficaria na 18ª posição.”
Poucas
nações estão na lista dos maiores emissores globais por causa da perda de
florestas. O outro caso notável é a Indonésia, que tem derrubado a mata nativa
para plantar dendê e alimentar o mercado europeu de biocombustíveis. O maior
problema dos outros países, especialmente no Hemisfério Norte, é a geração de
energia com queima de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão.
Segundo
informações divulgadas ontem pelo Secretariado de Mudança no Clima da
Organização das Nações Unidas (ONU), em Bonn, a emissão total dos 40 países mais
industrializados do mundo atingiu 18,2 bilhões de toneladas em 2005, apenas
meio bilhão abaixo do nível registrado em 1990.
Ainda
que não concorde com o valor apresentado por Goldemberg, a secretária considera
que o desmatamento ainda é a principal contribuição brasileira para o
agravamento do efeito estufa, e na mesma proporção observada 12 anos antes:
responde por 75% do total emitido pelo País. “A proporção é semelhante à do
período 1990/1994”, diz.
Conforme
o inventário nacional, 96% das emissões líquidas do setor de mudança no uso da
terra podem ser creditadas à conversão de florestas em atividades de
agricultura e pecuária. O desmatamento é uma importante fonte de emissão porque
a vegetação naturalmente armazena carbono. O elemento é estocado em seus
tecidos devido à fotossíntese, quando o CO2, o gás carbônico, é absorvido pelas
plantas. Quando são cortadas, esse carbono volta para a atmosfera. As queimadas
emitem, além de CO2, outros gases-estufa, como o metano (CH4).
Para
Goldemberg, não existe justificativa para que a conversão da Amazônia em pasto
e plantação mantenha o País entre os maiores emissores do mundo. “Nós sabemos
mais agora sobre essas questões do que há 20 anos”, afirma.
A
secretária de Mudanças Climáticas diz que o próximo inventário nacional de
emissões será divulgado em 2009, com informações coletadas entre 1995 e 2000.
Ao contrário dos países desenvolvidos, as nações em desenvolvimento não têm a
obrigação de entregar relatórios anuais às Nações Unidas.
Além
desse, Krug afirma que o ministério trabalha para entregar, na mesma época, uma
estimativa das emissões entre 2001 e 2006. “Queremos incluir a matriz da
conversão da terra: o que se perdeu e seu destino, se é uma vegetação perene”,
explica. “O projeto está em andamento, com contratos já em execução.”
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07/11/2007
Meio Ambiente
|
Fernando Donasci -
06.jun.2005/Folha Imagem |
Queimada em floresta derrubada para plantio de soja em MT |
DA
REDAÇÃO
Custa
muito pouco reduzir 70% do desmatamento na Amazônia. Um novo cálculo feito por uma
ONG, que será apresentado hoje em Brasília, estima que a maior parte da
devastação -e das emissões de carbono dela decorrentes- pode ser contida a
menos de US$ 10 por tonelada de carbono.
Esse é o
valor que deveria ser pago a produtores rurais em várias regiões do Norte do
país para que deixar suas florestas em pé fosse mais lucrativo do que
derrubá-las para dar lugar a pasto e lavoura.
A conta,
explique-se, leva em consideração um fato econômico ainda inexistente: um
mercado de carbono no qual a redução do desmatamento pudesse valer créditos
para países como o Brasil, que detêm florestas tropicais e que têm na
destruição destas uma fonte importante de emissões dos gases que causam o
aquecimento global (dois terços das emissões brasileiras vêm dessa fonte).
Tal
mercado, no entanto, não é um delírio de ambientalistas: uma coalizão de países
tropicais deve colocar sua criação na mesa no mês que vem, numa reunião na
Indonésia que começará a definir os rumos da proteção ao clima depois de 2012,
quando expira o Protocolo de Kyoto. E o Banco Mundial lançou neste ano um fundo
experimental para comercializar o carbono de florestas -baseado justamente na
lógica de que, em algumas regiões, não desmatar faz muito mais sentido do ponto
de vista econômico.
O novo
cálculo foi feito por pesquisadores do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da
Amazônia) e do Woods Hole Research Center, nos EUA. Ele integra o relatório
"Três Estratégias Fundamentais para a Redução do Desmatamento", que
será lançado hoje na Câmara dos Deputados.
"Nós
calculamos o chamado custo de oportunidade, ou o quanto se deveria pagar para
um proprietário em terra privada com aptidão agrícola para não desmatar, mais
um fomento a povos da floresta para a proteção de terras indígenas com dignidade
e boa qualidade de vida [para os índios]", afirmou Paulo Moutinho, diretor
de Pesquisa do Ipam.
O estudo
econômico, do qual o Ipam prepara uma versão aprofundada, estabelece um teto
para a chamada "redução factível" do desmatamento, ou seja, aquela
que pode ser obtida sem prejuízo de atividades econômicas rentáveis.
"A
curva de custo não é linear", diz Moutinho. "Para evitar emissões por
fogo florestal e queimadas o custo é muito baixo. À medida que você adiciona
nessa curva o custo de não formar pasto em áreas marginais, o custo é pequeno.
Até que você entra numa parte onde o custo sobe exponencialmente, que é a
região mais apta à soja, onde manter floresta por opção [econômica] seria
burrice."
Moutinho
diz que o valor a ser pago é baixo -cerca de metade do preço da tonelada de
carbono no mercado hoje-, o que tornaria o carbono de florestas uma opção
atraente para países que tenham metas de redução a cumprir por Kyoto.
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07/11/2007
Política agrícola
Adauri
Antunes Barbosa
SÃO
PAULO. O aquecimento global já norteia a política agrícola do governo. O chamado
zoneamento de risco climático determina onde plantar, em que períodos e se
haverá financiamento. Como pelo menos 90% das perdas na agricultura são
motivadas por chuvas, secas e geadas, o zoneamento tem como base volume de
precipitações e clima, indicando cenários que levam em conta a elevação da
temperatura.
- Se não
há 80% de boas condições para plantar, o cultivo não é recomendado. Estamos
trabalhando direto com dados relativos à chuva e temperatura - explicou o
pesquisador Eduardo Delgado Assad, da Embrapa, ontem, em São Paulo, durante a
III Conferência Regional sobre Mudanças Globais: América do Sul.
Segundo
o cientista, estão sendo observados dados como o aumento de temperatura e a
ocorrência de chuvas mais extremas.
- Isso
influencia no zoneamento. Então ele é refeito todos os anos, exatamente para,
aos poucos, ir incorporando as variações das mudanças climáticas.
Por
enquanto, lembrou Assad, esses estudos ainda não estão sendo aplicados em
outras áreas:
- Isso
está sendo estudado. Há pouca aplicação porque estamos na parte do estudo de
vulnerabilidade, ou seja, onde estão os problemas - explicou o pesquisador. - A
partir de agora, vamos partir para a questão da mitigação, como resolver parte
dos problemas. Uma outra questão é da adaptabilidade. É preciso fazer
melhoramento genético para resolver os problemas.
Soja,
café e feijão podem ter perdas incalculáveis
No
encontro, discutiu-se também o impacto do aquecimento em três importantes
culturas agrícolas do país: soja, café e feijão. Estima-se que haja perdas
incalculáveis a médio prazo, conforme resultado de estudo coordenado por Assad.
- Soja,
café e feijão são as plantas que, em um primeiro momento, percebemos como as
mais vulneráveis - resumiu o pesquisador durante o painel que debateu
"Impactos, vulnerabilidade e adaptação".
Segundo
ele, a soja, mantidas as características genéticas atuais, terá uma possível
redução de área de baixo risco para plantio.
- Ela
vai caminhar mais para o Centro-Oeste, deixando o Sul - garantiu.
O
feijão, conforme o trabalho coordenado por Assad, ficará mais suscetível a
doenças. Mas no cultivo do café são encontrados as mais graves conseqüências
das mudanças climáticas.
- É o ponto
mais grave, o abortamento de flor do café. Para isso temos de ter o
melhoramento genético ou o manejo para reduzir os efeitos - explicou o
pesquisador.
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20/11/2007
Meio Ambiente
|
Guto Kuerten -
18.out.07/"Diário Catarinense" |
Produção de maçã em São Joaquim; lei pode restringir atividade |
FELIPE
BÄCHTOLD
DA AGÊNCIA
FOLHA
Governos
de Estados do Sul se mobilizam para evitar que o Ministério do Meio Ambiente
aprove uma resolução que restringe a produção agropecuária em regiões de
altitude.
O
ministério estuda a regulamentação de um ponto da Lei da Mata Atlântica,
sancionada no fim do ano passado, que considera "campos de altitude"
como áreas de preservação.
Apesar
de a lei estar em vigor, ainda não foi definido a partir de que altura uma área
deve ser incluída no conceito.
O
governo de Santa Catarina teme a aprovação de uma proposta que considera
regiões acima de 850 metros como sujeitas a preservação, o que iria prejudicar
o setor agropecuário local.
A
Secretaria da Agricultura do Estado diz que, como cerca de 30% do território
fica acima do parâmetro, a regulamentação, no formato apresentado pelo
ministério, iria gerar perdas de mais de R$ 400 milhões ao ano só no setor de
pecuária para Santa Catarina.
O
assessor técnico da secretaria, Fernando Driessen, diz que a medida iria
provocar perdas em lavouras que só podem ser cultivadas em altitude, como as de
maçã ou uva.
O
governo do Rio Grande do Sul tem a mesma posição. São Paulo, Paraná e Bahia
também enviaram propostas sobre a questão ao Ministério do Meio Ambiente.
O parâmetro
será definido pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). No texto de uma
proposta, membros do conselho dizem que os campos de altitude no país estão sob
"elevado grau de ameaça" por conta da expansão da atividade
econômica.
O
relator do grupo de trabalho que estuda a questão, Wigold Schaffer, diz que a
regulamentação não deve afetar produtores já estabelecidos em regiões de
altitude. A legislação somente evitaria a expansão de novos empreendimentos em
áreas do tipo.
Schaffer
afirma que o Conama não deve aprovar restrições a partir de uma altitude fixa
para todos os Estados. Variáveis como clima e vegetação, seguindo critérios
regulamentados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
deverão definir se uma área é considerada um campo de altitude ou não.
Segundo
o relator, essa proposta implicaria em restrições a partir de 800 metros no Rio
Grande do Sul e em área com mais de 900 metros em Santa Catarina.
O grupo de trabalho do Conama deve definir na próxima semana uma proposta sobre o assunto. A seguir, a câmara técnica e uma plenária do conselho vão analisar o projeto. O fim do trâmite só deve ocorrer a partir de janeiro
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23/11/2007
Meio Ambiente
Verônica
Falcão
Enviada
especial (*)
SÃO
PAULO – Áreas desmatadas para dar lugar ao pasto e à agricultura apresentam
temperatura maior que as florestadas, contribuindo para o aquecimento global. A
diferença, segundo estudo apresentado ontem em workshop sobre mudanças climáticas,
é de até quatro graus.
A
medição é feita na Amazônia por equipe da Universidade de São Paulo (USP). Ao
meio-dia, no pico da incidência da radiação solar, os termômetros apontam 30
graus na altura da copa das árvores. Em plantações de soja ou pasto, a
temperatura é de 34 graus.
O
aumento da temperatura, informa o coordenador da pesquisa, Humberto Ribeiro da
Rocha, reduz o processo de evaporação. “Com isso, as possibilidades de formação
de nuvens também diminuem”, informa o pesquisador, ligado ao Departamento de
Ciências Atmosféricas da USP.
Os dados
são coletados em plataformas instrumentadas localizadas no alto de torres em
meio à floresta. O projeto, intitulado Rede de Torres de Fluxo, tem como
objetivo medir o ciclo de carbono e outras trocas ocorridas entre a floresta e
a atmosfera. “Acompanhamos o ritmo funcional do ecossistema.”
As
perturbações atmosféricas causadas pelo desmatamento, segundo o professor,
ocorrem em escala local, quando o corte da floresta se estende por um quilômetro,
regional (de 10 a 500 quilômetros), continental (superior a 1.000 quilômetros)
e global (acima de 10 mil quilômetros).
A
redução da evaporação por causa do aumento da temperatura ocorre em escala
local. Em nível regional, também aumenta o calor, mas os pesquisadores ainda
não sabem se chove mais ou menos. Em termos continentais, o resultado é uma
maior absorção dos raios infravermelhos, emitidos pelo Sol, pelos aerossóis das
queimadas.
Os dados
coletados revelam ainda que, na Amazônia, a evaporação aumenta de julho a
novembro, durante a estação seca, quando aumenta a evaporação. “A evaporação
está ligada à assimilação de carbono pela floresta. Na época seca a assimilação
é maior.”
O
carbono é um dos gases do efeito estufa, processo natural de aquecimento da
Terra que está sendo intensificado por atividades humanas. O que mais contribui
com o efeito, segundo os cientistas, é a queima de combustíveis fósseis (carvão
mineral, petróleo e gás natural), seguido do desmatamento e da criação de gado
e da agricultura. Já os efeitos do desmatamento da Amazônia em escala global
são o aumento da temperatura e da emissão de carbono.
(*) A
repórter viajou a convite da Embaixada Britânica
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24/11/2007
Opinião
NESTE
ANO demorou a chover. Atrasadas, as chuvas só vieram na segunda quinzena de
outubro. Mas, generosas, molharam o vasto interior brasileiro, que despertou do
sofrimento prolongado imposto pela seca inclemente, pelo calor sufocante, pelo
vento impiedoso que varreu, meses a fio, as últimas umidades.
Agora,
quem anda pelo interior vê e sente um outro quadro. Não mais o cinzento das
gramíneas todas, o esfumaçado da atmosfera, os incêndios recorrentes. Não mais
o ar poeirento e irrespirável, o cheiro execrável da morte das plantas.
Agora, o
verde tomou conta de tudo: de tons variados, revestiu todos os tipos de
vegetação. Há uma efervescência de vida buliçosa por onde se olhe. Os
canaviais, ao sabor da brisa primaveril, dançam o baile do crescimento
esmeraldino; flores das primaveras, dos últimos ipês, dos jacarandás contrastam
coloridas com esse verde encantador, sob o azul maravilhoso do céu novembrino,
onde passeiam nuvens anunciando mais uma chuvinha criadeira.
As
laranjeiras, os cafeeiros e as fruteiras em geral se vestem de flores alvas e
perfumam deliciosamente seus arredores. Uma algazarra de passarada, qual bando
de crianças saindo em férias, corta os ares em bailados coletivos: periquitos,
maritacas, sabiás, pássaros-pretos, pica-paus, sanhaços, bem-te-vis, corruíras,
alegres com essa natureza rediviva, fazem desmaiar o canto monótono dos
pardais; os joões-de-barro alardeiam suas novas construções, e os beija-flores
buscam o abundante néctar das floradas. Um alarido de insetos polinizadores dá
a sensação de um novo tempo se abrindo.
Tudo se
renova no campo com a chuvarada. Não só as plantas; não só os regatos que
ressurgem; não só os gados diversos que engordam e mostram o pêlo luzidio; não
só as aves e os insetos.
Também o
sertanejo. Quando as primeiras chuvas molham seu rosto cansado de olhar para o
céu, misturam-se às lágrimas de gratidão e de esperança. A esperança de uma
nova colheita, por sua vez, fertiliza sua fé e sua confiança em seu trabalho e
em seu país.
O cheiro
inigualável da terra molhada funciona quase como um feromônio para os homens e
mulheres do campo. Invade suas casas e seus barracões e, elas e eles, febris,
precipitam-se sobre suas máquinas e caminhões, carregando-os de adubos, de
sementes, e a palavra de ordem, repetida há séculos, é a mesma: "Plantar,
que no ano que vem as coisas vão melhorar...".
Logo,
logo mesmo, multiplicam-se, campo afora, roncos de milhares de tratores, que,
equipados com plantadeiras, vão penteando a terra preparada e nela lançando as
sementes de mais uma safra. De mais uma expectativa plantada.
E agora,
duas ou três semanas depois das primeiras águas, já se pode ver o milagre da
preservação da vida: por onde se anda no vasto sertão brasileiro, os
cotilédones da soja romperam a camada de cobertura de terra e já sorriem ao sol
tropical; milhões de hectares de terra vermelha vão ganhando o verde dos
milharais, algodoais, feijoais, arrozais e amendoinzais nascentes. Crescem os
girassóis, os sorgos, e os agricultores se apressam em plantar suas mudas de
citrus, de café, de eucaliptos, de pinus, de frutas, de seringueiras.
Essa parceria
formidável do homem com a natureza, única capaz de garantir a sobrevivência da
humanidade, se renova e se fortalece na dura faina cotidiana dos agricultores
perdidos na imensidão do território brasileiro. Agora molhado, porque, enfim,
choveu.
Graças a
Deus!
--------------------------------------------------------------------------------
ROBERTO
RODRIGUES, 65, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho
Superior do Agronegócio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo) e professor do Departamento de Economia Rural da Unesp - Jaboticabal foi
ministro da Agricultura. Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.
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30/11/2007
Meio Ambiente
No
programa ‘Bom Dia Ministro’, ele defendeu crescimento como prioridade
Tânia
Monteiro, BRASÍLIA
O ministro
extraordinário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto
Mangabeira Unger, defendeu ontem que se encontre “um modelo de desenvolvimento
na Amazônia que nos permita crescer sem depredar a natureza”. Mas avisou que,
“se o Brasil tiver de escolher entre ambientalismo e desenvolvimento, escolherá
desenvolvimento, e qualquer País faria essa escolha”. O ministro classificou a
Amazônia como “um grande e privilegiado laboratório para esse experimento
nacional”.
Mangabeira
falou sobre sua idéia de futuro da Amazônia no programa semanal de rádio Bom
Dia, Ministro. “Há duas idéias inaceitáveis a respeito do futuro da Amazônia
que predominam no País hoje: uma delas é que a Amazônia deve virar um parque
para benefício e deleite da humanidade, e outra que deve ser aberta às forças
inexoráveis de uma produção predatória e ser desmatada para dar lugar à soja e
à pecuária”, disse.
“Precisamos
de um grande projeto de zoneamento econômico e ecológico que tenha como
pressuposto a construção de estratégias econômicas distintas para diferentes
partes da Amazônia”, declarou o ministro, afirmando que é preciso “ter uma
estratégia para a Amazônia já desmatada e outra para a que não foi desmatada”.
Para o ministro, é preciso “organizar o manejo controlável e sustentável que
assegure que a floresta em pé vale (sic) mais do que a floresta derrubada”.
Depois
de lembrar que a Amazônia representa um terço do território brasileiro, ele
disse que “há um descompasso perigoso entre o fervor do ambientalismo e o
relativo centrismo das idéias econômicas”. Foi a primeira participação do
ministro no programa, onde foi entrevistado por jornalistas de todo o País.
<Voltar>
Valor
Econômico
30/11/2007
Cana-de-açúcar
Ana
Paula Grabois
O
zoneamento ecológico da cana-de-açúcar, preparado pelo governo federal, deve
ficar pronto em julho de 2008. O trabalho, uma parceria dos ministérios da
agricultura e do Meio Ambiente, da Conab e Embrapa, vai identificar as áreas
onde o plantio da cultura não afeta o meio ambiente, como matas ciliares e a
região do cerrado. Parte do zoneamento já foi feita pelo Ministério do Meio
Ambiente, Conab e alguns Estados, mas vários dados precisam ser consultados com
municípios.
"Queremos
mostrar para o mundo que vamos fazer o desenvolvimento da cana-de-açúcar sob
critérios sustentáveis. Não é porque os outros países estão pedindo, é um
interesse brasileiro", disse o secretário de Agroenergia do Ministério da
Agricultura, Manoel Bertone, que participou ontem de uma reunião com os
secretários estaduais de agricultura do país.
Sobre o
plantio da cana na Amazônia, Bertone disse que não é necessário proibi-lo sob o
simples argumento de que a atividade não é viável economicamente na região.
"A lucratividade da cana na Amazônia é baixa. A cana exige período seco e
período frio e lá não é o lugar mais adequado. A Amazônia não é problema,
ninguém vai plantar cana lá. Tecnicamente, em grande parte da Amazônia, não se
plantaria cana", afirmou Bertone, para quem a questão da proibição do
plantio na Amazônia está na esfera estritamente política.
"O
trabalho que vamos fazer é técnico, em parceria com os Estados, para mostrar
onde podemos e devemos plantar e onde não é recomendável plantar. Do ponto de
vista político, quem resolve é o governo e o Congresso", afirmou.
Ele
disse não ser um bom negócio levar uma usina para a área porque não existe
mercado consumidor e a produtividade da cana é 15% inferior à das demais
regiões brasileiras, pois o nível de sacarose é mais baixo devido ao clima.
Para Bertone, o crescimento da cultura da cana pode se dar por meio do uso de
terras de pastagens degradadas. A estimativa é de que o país tenha hoje cerca
de 90 milhões de hectares de pastagens degradadas, enquanto a cana plantada
ocupa 7 milhões de hectares. Somente no Centro-Oeste, há mais de 20 milhões de
hectares degradados. "O governo pode induzir o crescimento do plantio
nessas áreas".
O
secretário disse que o zoneamento servirá para orientar políticas públicas,
como o financiamento para aumentar a produção em determinadas áreas. "É
interesse do setor de açúcar e álcool crescer com sustentabilidade. Caso
contrário, ele não vai acessar mercados", completou.
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04/12/2007
Cana-de-Açúcar
Patrick
Cruz
O
zoneamento ecológico da cana-de-açúcar deveria manter sem alterações áreas que
atualmente já são ocupadas pela cultura, segundo o ministro da agricultura,
Reinhold Stephanes. "Essa não é uma opinião de governo porque há uma
instância encarregada desse trabalho. Mas, na minha opinião pessoal, tem que se
manter como está", disse.
O
trabalho de zoneamento, que identificará áreas onde o plantio não afeta o meio
ambiente, está sendo preparado em conjunto pelos ministérios da agricultura e
do Meio Ambiente, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Embrapa.
A previsão é que o trabalho será concluído em julho de 2008.
Um dos
argumentos do ministro é o fato de a produção de cana-de-açúcar ocupar pouco
mais de 6 milhões de hectares. "O Brasil é um país de mais de 800 milhões
de hectares. Essa fatia [da cana] representa 0,7% do território nacional".
Há alguma confusão, segundo o ministro, principalmente no exterior, quando se
fala de Amazônia e Amazônia Legal, região que inclui áreas não ocupadas pela
floresta amazônica dos estados de Mato Grosso e Maranhão . "Às vezes uma
plantação está no Mato Grosso, mas em área fora da floresta",
afirmou.
Stephanes
relatou a preocupação de pesquisadores europeus em recente viagem que fez à
Holanda de que o agronegócio, em especial a cana e a soja, poderia ocupar áreas
de floresta. O argumento do ministro foi o mesmo. "É um país de mais de
800 milhões de hectares, mas a agricultura utiliza apenas uma pequena parte
disso. Quando eles ouviram isso, acabou a discussão".
Os
Estados do Pará, Amazonas e Tocantins, no Norte do país, têm participação
marginal na produção de etanol, mas a área a ser ocupada pela cana deverá subir
na próxima safra, segundo a última pesquisa do Conab sobre o setor. Dos 19,8
mil hectares da safra 2006/07, a cultura deverá ocupar 21,5 mil hectares em
2007/08 nesses Estados, um avanço de 8,5%. No Brasil todo, o crescimento deverá
ser de 13%, para 6,9 milhões de hectares.
Para o
ministro, o potencial maior para a cana está nas regiões atualmente ocupadas
por pastagens. "A produtividade da pecuária é de menos de uma cabeça de
gado por hectare. Se crescer a produtividade, a área de pastagem pode ser
utilizada pela agricultura", disse ele.
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06/12/2007
Meio Ambiente
CLAUDIO
ANGELO
ENVIADO
ESPECIAL A BALI
A
mudança climática e o desmatamento já estão empurrando a floresta amazônica
rumo à transformação em savana, e até 2030 metade da mata será derrubada,
explorada por madeireiros ou afetada pela seca. A previsão é de um relatório
feito por um dos maiores especialistas em ecologia amazônica, o americano
Daniel Nepstad.
Intitulado
"Os Ciclos Viciosos da Amazônia", o documento, encomendado pela ONG
WWF, tem dados científicos novos e um objetivo político: levar a agenda da
redução das emissões por desmatamento (REDD, na sigla em inglês) para as
negociações do acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto após 2012. Espera-se
que a COP-13, a Conferência do Clima de Bali, aborde isso, e que a manutenção
da estabilidade do clima pela conservação de florestas entre na pauta.
Mas
mesmo a delegação brasileira, maior interessada em incluir a redução do
desmatamento no acordo, parece ter posição contraditória. Apesar de o governo
já ter manifestado a vontade de ver um fundo de compensação por desmate
reduzido funcionando antes de 2012, membros da delegação têm expressado
dúvidas.
Na
terça, Thelma Krug, secretária brasileira de Mudanças Climáticas, havia dito
que era "prematuro" incluir florestas no acordo -foi corrigida ontem
pelo chefe da delegação, Luiz Alberto Figueiredo Machado, para quem a
secretária fora "infeliz" na colocação.
Logo
depois, Sergio Serra, embaixador extraordinário para mudança do clima, disse
que o Brasil não quer ver as florestas na negociação. "Para a delegação
brasileira, Bali não é o fórum de discutir se floresta entra ou não." Pare
ele, é uma "reunião de processo", ou seja, não define modos de ação.
Cenário
apocalíptico
O
relatório do WWF dá um tom de urgência ao debate ao afirmar que o ponto de não-retorno
da Amazônia -ou seja, o momento a partir do qual a floresta se transforma em
savana e não volta mais- pode estar mais perto do que se pensava.
Até
agora, modelos de clima e de vegetação têm mostrado que o colapso da floresta
deveria acontecer só depois de 2080. Cruzando um modelo de desmatamento com
novos dados sobre exploração madeireira e sobre chuvas ao longo dos últimos dez
anos, além de tendências recentes de expansão da cana, da soja e da pecuária,
Nepstad produziu o que ele chama de "um dos piores cenários que eu já vi
em 23 anos de Amazônia": a savanização ocorrendo nos próximos 15 a 25
anos, com a emissão de 15 a 25 bilhões de toneladas de carbono até o final do
período -algo como quatro vezes o que o Kyoto se propôs a cortar.
A seca
prevista para a Amazônia pode já ter se instalado. No nordeste de Mato Grosso,
onde Nepstad mantém um projeto de pesquisa, 2007 foi um ano atípico, muito seco
e muito quente. "Normalmente faz 32C na sombra da mata no verão [época de
seca]. Neste ano fez 38C", diz. A fumaça das queimadas pode estar
colaborando para secar a floresta, ao inibir a formação de nuvens.
Nepstad
assume que os cenários propostos por ele -a área desmatada crescendo de 17%
para 31% e a área seca ou danificada pelo corte seletivo chegando a 24% da
mata- são parciais, baseados em só cinco anos de dados de desmatamento e dez de
precipitação. Mas afirma que "em vários sentidos o relatório é
conservador".
Políticas
como a REDD poderiam ajudar a evitar a catástrofe. Com ela, seria possível, por
exemplo, pagar pecuaristas para não desmatarem.
"Duas
faces"
Em
referência à cobrança para o Brasil reduzir suas emissões, o chanceler Celso
Amorim disse ontem que países ricos possuem "duas faces".
"Há
uma face de bom moço, de quem está defendendo as causas benéficas para o mundo
[o ambiente], e uma face, que em geral fica escondida, que é a face
protecionista", afirmou, aludindo às tarifas sobre biocombustíveis e à
pressão da Europa de exportar pneus reformados. "É preciso saber com que
voz eles falam na Conferência de Bali e com que voz eles falam na OMC
[Organização Mundial do Comércio]."
Colaborou
a Sucursal de Brasília
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07/12/2007
Meio Ambiente
Herton
Escobar
O
desmatamento na Amazônia caiu pelo terceiro ano seguido, quase igualando o
menor índice da história. Entre 2006 e 2007, foram derrubados 11.224
quilômetros quadrados de floresta - 20% a menos do que no período 2005-2006. O
resultado pode ser considerado um empate técnico com o índice de 1991, o mais
baixo já registrado na região, de 11.030 km². Ainda assim, trata-se de uma área
devastada do tamanho da Jamaica, ou duas vezes o território do Distrito
Federal.
Mais
números da Amazônia
A
expectativa do governo era que o índice ficasse abaixo, de fato, da taxa de
1991. Mesmo assim, os resultados foram considerados “excelentes” pelo
secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo
Capobianco. “Se você considerar que a população, a economia e a capacidade de
ocupação territorial hoje são muito maiores do que em 1991, o feito de reduzir
o desmatamento também foi muito maior”, comparou.
Em
relação a 2004, quando foi registrado o segundo maior índice de desmatamento da
história (27.379 km²), a queda neste ano foi de 59%. De 2004 para 2005, a
redução foi de 31%; e de 2005 para 2006, de 25%. Os números foram apresentados
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma reunião com governadores em
Belém, no Pará, no início da noite de ontem.
A taxa é
calculada com base em imagens de satélite processadas pelo programa Prodes, do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A marca de 11.224 km² é ainda
uma estimativa, baseada na análise de 90% das imagens disponíveis para o
período de monitoramento, que vai de agosto de um ano a agosto do outro. O
relatório final, com o detalhamento total dos dados, só ficará pronto em meados
de 2008. Pela margem de erro, ainda é possível que a taxa fique abaixo da de
1991.
Os
números estão acima do que era esperado com base no sistema de Detecção de
Desmatamento em Tempo Real (Deter), outro sistema de monitoramento via satélite
que “enxerga” apenas os desmatamentos maiores (acima de 50 hectares), usado
para fins de fiscalização. A estimativa feita com o Deter, anunciada em agosto,
era de 9.600 km².
“Estava
todo mundo arredondando para 10 mil km²; agora vão ter de arredondar para 11
mil”, disse o pesquisador Adalberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio
Ambiente da Amazônia (Imazon). Um fator crítico ainda incomoda: o tamanho da
área desmatada. “Onze mil quilômetros quadrados é um número muito alto, não
podemos tolerar esse patamar”, completou Veríssimo.
“Os
números são muito positivos, mas não estamos comemorando”, reconheceu
Capobianco. “Ainda estamos muito longe da meta do governo, que é o desmatamento
ilegal zero.” Pelo Código Florestal, proprietários de terra na Amazônia podem
desmatar, legalmente, até 20% da área total do terreno. A maioria derruba muito
mais. Cerca de 80% dos desmatamentos na região são ilegais.
DESAFIOS
A
princípio, o terceiro ano consecutivo de queda vai na contramão das previsões
mais pessimistas sobre o futuro da Amazônia. Mais de17% da cobertura original
da floresta já foi destruída, principalmente para a abertura de pastos. Alguns
pesquisadores estimam que esse índice poderá chegar a 40% até 2050, se não
forem adotadas medidas efetivas de controle.
Um
estudo preparado pelo cientista Daniel Nepstad e divulgado anteontem pela
organização WWF na Conferência do Clima, em Bali, na Indonésia, prevê que 50%
da floresta amazônica poderá ser desmatada ou virar savana até 2030.
Muito se
especula sobre as causas que estariam por trás da desaceleração dos
desmatamentos. O governo mostra uma coleção de resultados acumulados desde
2003: 17 grandes operações de fiscalização e repressão, 1 milhão de metros
cúbicos de madeira apreendidos, 650 pessoas presas (incluindo 121 servidores do
Ibama), 66 mil cadastros rurais cancelados, 194 mil km² de novas unidades de
conservação criadas, principalmente em zonas de conflito e expansão da
fronteira agrícola.
Para
alguns pesquisadores e ambientalistas, porém, a redução pode estar muito mais
relacionada a questão econômicas (queda dos preços da soja e carne no mercado
internacional) do que à ação do governo. A prova de fogo será 2008. Nos últimos
meses, com o reaquecimento dos mercados, o desmatamento já voltou a crescer. O
aumento, na somatória de junho a setembro, foi de 7,5% em relação ao mesmo
período de 2006.
“O
governo está comemorando um feito do passado, quando sabe que os dados do
presente são completamente diferentes e apontam na direção oposta”, disse ao
Estado Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace. “O governo
não teve nenhum efeito significativo. Na prática, estamos à mercê do sono do
leão do agronegócio.”
O
pesquisador Eneas Salati, da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento
Sustentável, também não se impressionou. “É claro que o governo fez muitas
ações, mas o desmatamento não caiu coisa nenhuma, simplesmente voltou à média
dos últimos 30 anos”, disse. “Não existe uma política real para o controle do
desmatamento.”
Paulo
Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), disse que é
impossível negar o mérito do governo na redução do desmatamento, ainda que o
mercado também tenha tido um papel significativo.
Para
Capobianco, houve uma “sinergia” entre os dois fatores. “Houve uma ação
decidida e decisiva do governo na Amazônia, num momento de mercado favorável, o
que beneficiou os resultados dessas ações”, disse.
ESTADOS
Dos nove
Estados da Amazônia Legal, apenas dois registraram aumento de área desmatada em
relação a 2005-2006: Pará e Roraima. O primeiro, apesar de um aumento pequeno (apenas
64 km²) isolou-se na liderança dos Estados que mais desmatam, com 5.569 km²
derrubados em apenas um ano.
Mato
Grosso, o outro grande campeão histórico, reduziu sua taxa em 43%, para 2.476
km² (veja tabela). No extremo oposto ficou o Amapá: o desmatamento foi tão
pequeno no Estado que nem pôde ser calculado com precisão nessa primeira
análise.
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