O dinheiro que vem da pecuária
Política
Agricultura debate imposto sindical de agricultores
Ministério
fará mudanças no Sisbov para atender a exigências européias
UE cobra fiscalização
mais rígida da carne brasileira
UE exige e país pode mudar
as guias de trânsito animal
Carne deve subir com
suspensão de embargo russo
Proposta de
"nacionalizar" cota de exportação de carne ganha adeptos
Rússia suspende
embargo a carnes
Stephanes
critica seus antecessores pela demora em derrubar restrição
Reabertura russa
pode não ser imediata
UE volta a subsidiar carne
suína
Uma nova certificação
para exportar à Rússia
Itália quer
aumentar a importação de bovinos vivos de Santa Catarina
Governo e
empresários evitam comentar
Frigorífico terá de ser
habilitado por auditores europeus
Zero Hora
18/11/2007
Pecuária de Corte
Está
comprovado. Os pecuaristas do Estado retomaram a capacidade de investimento na
recente temporada de venda de bovinos. Os bons resultados nas pistas e a
movimentação gerada pelos leilões são a face mais visível do bom momento da
pecuária, que ajuda a irrigar a economia do Rio Grande.
Em
Uruguaiana, o caminhoneiro Marco Antônio Dorneles pensa em trocar de carro com
o dinheiro que recebeu pelos serviços prestados no carregamento de animais. Em
Bagé, uma agroveterinária viu seu faturamento crescer. Em Santa Maria, uma
concessionária de caminhões finalmente está recebendo o pagamento de dívidas
deixadas para trás. A valorização de preços do gado extrapolou a porteira das
fazendas.
O quilo
do boi gordo vale hoje R$ 2,28, segundo a Emater - cerca de 15% a mais do que
no final de 2006, quando a recuperação da atividade já havia começado. No país,
conforme a consultoria Scot, o preço do boi gordo atingiu a maior marca em
dólar dos últimos 10 anos. De acordo com cálculo da consultoria DTOffice com
base em dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE), o Produto Interno
Bruto (PIB) da produção animal gaúcha (bovinos, ovinos, suínos e aves, entre
outros) no ano passado somou R$ 13,4 bilhões, 8,6% do PIB do Estado.
Para o
economista Paulo de Tarso Pinheiro Machado, essa participação deve aumentar em
2007, puxada pela bovinocultura.
- O
efeito multiplicador da pecuária é menor do que o da lavoura, porque emprega
menos gente. Mas claro que a elevação de preços mobiliza o comércio no Interior
- complementa o agrônomo e professor do Departamento de Economia da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul Carlos Nielitz.
Conforme
o indicador da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado
(Fecomércio-RS) e da FEE, de 19 segmentos varejistas e atacadistas pesquisados,
o que mais cresceu neste ano foi o atacado de matérias-primas agropecuárias,
com avanço de 20,5% de janeiro a agosto.
- Como o
ciclo do gado é longo, tudo indica que em 2008 esse processo continuará -
projeta o economista Argemiro Brum, da Universidade Regional do Noroeste do Rio
Grande do Sul.
O bom
momento é reflexo da crise que se abateu sobre o setor nos últimos anos. Para
ter dinheiro, o pecuarista teve de reduzir a criação que, agora, ganha novo
fôlego.
*
Colaboraram Eduardo Cecconi, Estela Facchin, Marina Lopes, Patrícia Meira e
Ronan Dannemberg
SEBASTIÃO
RIBEIRO*
QUEM
GANHA NO GIRO DOS ANIMAIS
1º
Remates
Somente
neste período chamado de primavera, a pecuária já vendeu quase o triplo da
Expointer, a mais tradicional feira agropecuária da América Latina. O
faturamento em remates particulares e feiras ultrapassa R$ 30 milhões, 209,94%
mais que o total obtido nas pistas de Esteio. Uma das principais praças de
venda de animais é o município de Uruguaiana, onde nesta época a economia
cresce em razão dos remates. Os leilões arrecadaram 100% a mais do que em 2006.
- O
excelente banco genético dos criatórios de Uruguaiana atrai os compradores e
movimenta a economia do município - ressalta o presidente do Sindicato Rural de
Uruguaiana, Júlio Alberto Silveira Filho.
Um show
à parte. As vendas dos eqüinos crioulos, que já ganham até megaprodução - como
foi o remate do diretor de cinema e televisão Jayme Monjardim, um conjunto de
cinema, programa de TV e espetáculos musicais - , ultrapassam a marca de R$ 51
milhões em 99 remates realizados durante o ano. Como ainda faltam 17 pregões
até o final do ano, o recorde de R$ 57,38 milhões alcançado em 2006 será
superado, prevê a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos
(ABCCC).
- E
temos mercado para crescer muito mais - comemora o leiloeiro Fábio Crespo, ao
destacar o papel estratégico do Canal Rural nos negócios.
Entre os
novos investidores do centro do país, ganham espaço os famosos. Na lista de
criadores e de apaixonados pela raça - um dos símbolos do Estado - , figuram
nomes como o da apresentadora de televisão Eliana.
2º
Transporte
O
automóvel Polo 1994 vai dar lugar a um modelo mais novo na garagem dos
Dorneles, em Uruguaiana, na Fronteira Oeste. Os dois caminhões, principal meio
de sustento da família, receberão, além de tinta fresca, novas peças e outros
reparos. Nada disso, entre outros investimentos, seria possível sem a pecuária.
O motorista de caminhão Marco Antônio Dorneles, 45 anos, contratado para
transportar os animais da Cabanha Paineiras, não revela quanto ganha, mas
afirma que o valor é suficiente para garantir um final de ano de fartura para a
mulher e os dois filhos, que moram em Alegrete.
Mesmo
sem estimativas concretas, o presidente da Federação dos Caminhoneiros
Autônomos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Éder DalLago, destaca que as
negociações feitas em remates e feiras têm reflexo positivo no serviço prestado
pelos caminhoneiros. E, conseqüentemente, nas vendas de caminhões. De acordo
com Flávio Hippler, gerente de vendas de uma concessionária de caminhões de
Santa Maria, os consumidores do setor representam 30% da saída de veículos de
carga. Mas quem quiser comprar um caminhão vai ter de esperar na fila. A
aquisição pode levar de 60 a 90 dias, devido ao número de vendas ter crescido
cerca de 30% impulsionado pela indústria, pelo comércio e pelo aumento dos
fretes feitos por grandes transportadoras.
3º Venda
de veículos
O bom
momento da pecuária está contribuindo para que as concessionárias de veículos
gaúchas comemorem resultados acima da média nacional. O setor, que esperava um
crescimento de 10% nas vendas neste
ano, já
projeta aumento de até 20%. Somente em outubro, foram vendidos 23.520 veículos
no Rio Grande do Sul - crescimento de 28% com relação a setembro (no Brasil,
esse percentual foi de 18%) e de 5,2% com relação a outubro do ano anterior.
- No Rio
Grande do Sul é assim: quando a pecuária e a lavoura vão bem, tudo vai bem.
Hoje, tendo produto, se vende - afirma Reinaldo Sbardelotto, diretor regional
da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.
4º
Hotéis
Em todo
o Estado, os leilões de gado fazem os hotéis ficarem constantemente lotados.
Segundo o diretor de planejamento da seccional gaúcha da Associação Brasileira
da Indústria de Hotéis, José Justo, um terço do movimento nos 2.261
estabelecimentos que existem no Rio Grande do Sul é de hóspedes ligados à
atividade pecuária.
- O
setor não vive somente do turismo, vive de negócios. Candiota, Bagé, Alegrete,
entre outros municípios, absorvem esse mercado. Sempre há remates, quase um por
dia - explica Justo.
A rede
hoteleira de Pelotas também se beneficia. Mesmo sendo uma cidade com enfoque
mais urbano no setor de serviços, eventos de agronegócios movimentam as
reservas nos hotéis. O impacto maior é nos finais de semana, afirma Adalgiso
Malaguez, gerente de uma rede local de hotéis. Em média, comparado a outros
finais de semana da baixa temporada, o aumento nas reservas fica entre 30% e
40% na época dos remates de primavera.
5º Comércio
O ciclo
virtuoso permite ao pecuarista investir na sanidade do rebanho. Mais do que
comprar uma quantidade maior de medicamentos, a tendência com o bom momento é
adquirir produtos melhores, revela Glênio Prudente, diretor de uma das
principais distribuidoras de produtos veterinários do Estado.
Em uma
agroveterinária de Bagé, a venda de vermífugos, e, principalmente,
carrapaticidas cresceu em torno de 50%. Do total de clientes que o
estabelecimento tem, cerca de 35% são oriundos do setor pecuarista. Rogério
Rosa, sócio-proprietário do estabelecimento, afirma que se vende mais pelo bom
momento do gado, mas não atribui o sucesso somente a esse motivo.
- Também
trabalhamos para isso, não é somente pelo boi - enfatiza.
6º
Imóveis
Segundo
o presidente do Sindicato da Habitação da Zona Sul do Estado (Secovi-Zona Sul),
Sérgio José Abreu Neves, a recuperação econômica do campo tem resultado em uma
melhora nos negócios de vendas e aluguéis na região desde o final de 2006.
- De um
ano para cá, melhorou muito. Temos feitos ótimos negócios, como há muitos anos
não realizávamos - afirma.
7º
Máquinas agrícolas
Com mais
dinheiro no bolso, os pecuaristas passam a investir não somente em mais
animais, mas em equipamentos para modernizar a propriedade. Bom para a
indústria de máquinas agrícolas gaúchas. Entre os itens mais procurados, estão
plantadeiras (para fazer pastagens), balança para o gado, carretas de feno
utilizadas em semiconfinamento e tratores.
- Com o
bom momento da agricultura e da pecuária, estimamos um crescimento de 40% a 45%
nas vendas na comparação com o ano passado - afirma Cláudio Bier, presidente do
Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado.
Bruno
Gonçalves, consultor de vendas de uma revenda de implementos agrícolas de Bagé,
comemora negócios. Comparando os negócios dos últimos três meses deste ano com
o mesmo período em 2006, a comercialização de tratores e outros implementos
praticamente dobrou no estabelecimento em que trabalha. O faturamento passou de
R$ 180 mil para R$ 320 mil. A média de dois tratores sendo vendidos por mês
passou para quatro no mesmo espaço de tempo. No ramo de peças, os rendimentos
ficavam entre R$ 30 mil e R$ 40 mil. Hoje estão passando dos R$ 80 mil.
O
pecuarista João Borba, 48 anos, é um dos que compraram um novo trator. Conforme
Borba, os rendimentos na pecuária aliados ao que ganha com o florestamento lhe
proporcionaram a aquisição do veículo.
Os R$ 75
mil pagos pelo touro aberdeen angus Paineiras Arpão Guri 4918 são suficientes
para se comprar três carros populares.
A
valorização de BT Doriana, R$ 675 mil, maior preço pago por uma égua crioula,
equivale a um apartamento, de 160 metros quadrados, com três suítes e três
garagens, no bairro Moinhos de Vento da Capital.
Em
alguns estabelecimentos, o aumento das reservas chega a ficar entre 30% e 40%.
Agência Câmara
19/11/2007
Pecuária de Corte
Da
Redação
A
Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural
realiza nesta terça-feira (20) audiência pública para discutir o Projeto de Lei
751/03, do deputado Assis do Couto (PT-PR), que define critérios de
enquadramento de atividade rural para fins de recolhimento da contribuição
sindical.
O debate
foi proposto pelo deputado Celso Maldaner (PMDB-SC), em razão de denúncia feita
à polícia por agricultores de Santa Catarina. Eles foram procurados por pessoas
que se apresentaram como assessores jurídicos e "quase oficiais de
justiça" e traziam consigo um "termo de acordo de contribuição
sindical". Os agricultores disseram ainda que receberam ameaças, inclusive
de cancelamento do CPF, caso não assinassem o documento.
Foram
convidados para a audiência o presidente da Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil (CNA), Fábio Salles Meirelles; o presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel José dos Santos;
representantes de federações da Agricultura e de Trabalhadores na Agricultura.
A
audiência será realizada às 14 horas, no plenário 6.
O PL
751/03 pretende eliminar divergências da atual legislação sobre os conceitos de
trabalhador e de empregador rural. Conforme o projeto, trabalhador é a pessoa
física que presta serviço a empregador rural mediante remuneração de qualquer
espécie; e quem, proprietário ou não, trabalhe individualmente ou em regime de
economia familiar, assim entendido o trabalho dos membros da mesma família,
indispensável à própria subsistência e exercido em condições de mútua
dependência e colaboração, ainda que com ajuda eventual de terceiros.
O
empresário ou empregador rural, por sua vez, é assim definido: a pessoa física
ou jurídica que, tendo empregado, empreende, a qualquer título, atividade
econômica rural; quem, proprietário ou não, e mesmo sem empregado, em regime de
economia familiar, explore imóvel rural que lhe absorva toda força de trabalho
e lhe garanta a subsistência e progresso social e econômico em área superior a
quatro módulos rurais da respectiva região; e os proprietários de mais de um
imóvel rural, desde que a soma de suas áreas seja superior a quatro módulos
rurais da respectiva região.
Valor Econômico
20/11/2007
Pecuária de Corte
Mauro
Zanatta
O Ministério
da Agricultura prepara novas alterações nas normas do sistema de rastreamento
de bovinos (Sisbov) para atender às exigências adicionais feitas por uma missão
de nove especialistas da União Européia em visita de 14 dias ao país. A
principal modificação deve ser a integração das bases de dados do Sisbov e dos
sistemas de saúde animal dos Estados habilitados a exportar carne bovina à
Europa.
Outras
medidas devem reforçar a convergência dos dados listados na guia de trânsito
animal (GTA), emitida pelos Estados para cada lote de animais, e a
identificação individualizada dos bovinos prevista no Sisbov. As empresas
certificadoras também serão submetidas a um maior rigor de auditoria realizada
pelo ministério.
Em longa
reunião na sede do ministério, ontem, os técnicos europeus voltaram a cobrar
das autoridades sanitárias brasileiras o cumprimento de uma ampla e detalhada
relação de exigências, já detectadas em missões anteriores nas áreas de saúde
animal, controle da febre aftosa, certificação da exportação e o gerenciamento
dos focos surgidos em 2005.
A
avaliação também incluiu o controle das movimentações do gado, a identificação
dos animais, o registro das propriedades no Sisbov, os controles internos dos
frigoríficos e a rotulagem da carne. Outro ponto abordado foi o reforço dos
controles dos animais de áreas autorizadas e não-habilitadas, como, por
exemplo, as zonas intra-estaduais existentes em Minas Gerais e Mato Grosso.
"Os europeus perceberam que, em função das exigências de missões anteriores,
houve avanços em todos os aspectos", diz o secretário de Defesa
Agropecuária do ministério, Inácio Kroetz. "Mas eles ainda não fizeram
julgamentos".
Sob
crescente pressão política de pecuaristas irlandeses e ingleses, a UE aumentou
o rigor com o sistema e o produto brasileiros. O governo brasileiro avalia que
as recomendações da missão, cujo rascunho deve chegar ao Brasil em 20 dias
úteis, podem aumentar a demora para a retomada das exportações de Estados hoje
suspensos pela UE ou levar à interdição de alguns estabelecimentos habilitados.
Também está em jogo o acordo bilateral que faculta ao ministério a habilitação
de plantas para exportação de carne bovina.
Em seu
relato preliminar, que levou em conta as dezenas de visitas feitas a fazendas,
frigoríficos e portos, os europeus acusaram a falta de "auditoria
sistemática" em saúde animal das autoridades federal e estaduais. Desta
vez, a missão ampliou a auditoria a toda a cadeia produtiva, desde o porto até
a criação do gado.
Pelo
relato inicial, houve ressalvas sobre treinamento dos fiscais agropecuários.
Mas, segundo fontes que participaram da reunião de ontem, houve respostas
"convincentes" aos controles do trânsito de gado nas áreas de
fronteira, eficácia da vacinação (comprovada com um amplo estudo no gado
imunizado), a modernização de laboratórios de análise animal e o aumento dos
controles sobre a emissão de certificados sanitários internacionais para a
carne bovina. Na questão legal, o ministério apresentou as mudanças para
atender a definição de "foco de aftosa".
O Estado de S. Paulo
20/11/2007
Pecuária de Corte
Fabíola
Salvador
Técnicos
da União Européia (UE) que estiveram inspecionando fazendas no Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas, Paraná e São Paulo apontaram falhas no
combate de doenças no rebanho nacional, principalmente a febre aftosa. Numa
reunião tensa com representantes da Secretaria de Defesa Agropecuária do
Ministério da Agricultura, eles pediram mais agilidade nas ações do governo e
alertaram para a necessidade de que os programas para eliminar a doença sejam
colocados em prática.
Atualmente,
a União Européia não importa carne in natura do Mato Grosso do Sul e do Paraná,
devido ao surgimento de focos de aftosa em 2005. Pela proximidade geográfica,
também a produção de São Paulo foi barrada. A UE é o principal mercado para a
carne brasileira, absorvendo 33% das exportações.
Na
reunião de ontem, os europeus demonstraram preocupação em relação ao sistema de
fiscalização de trânsito de animais. Eles temem que animais de áreas não
aprovadas pela Comissão Européia sejam abatidos em áreas aprovadas e que a
carne seja enviada para o bloco. Sobre o controle de trânsito de gado nas
fronteiras do País, os técnicos não apontaram inconformidades, disse uma fonte
do governo.
O
secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz,
disse que os europeus apontaram problemas pontuais, mas assegurou que as
deficiências serão sanadas. “Nada é tão é perfeito que não possa ser
melhorado”, afirmou.
Durante
a visita de 14 dias, os europeus avaliaram de forma positiva o sistema de
análises laboratoriais do Brasil e também o novo modelo de rastreabilidade, que
prevê a certificação por propriedade e não por animal. O novo Serviço
Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos
(Sisbov) prevê a identificação de todos os animais criados numa fazenda, do
nascimento até o abate, o que garante a classificação do Sisbov. No modelo
antigo, podiam conviver, numa mesma propriedade, animais rastreados e não
rastreados. No novo sistema, isso não será permitido, de acordo com o governo.
Apesar
da avaliação positiva, os técnicos demonstraram preocupação com o fato de os
dois modelos de certificação estarem convivendo. A certificação por fazenda
será única a partir de 1º de janeiro de 2008.
A
expectativa do ministério é de que a missão elabore um relatório com as
impressões da visita e encaminhe o documento ao Brasil num prazo de até 20 dias
úteis. O País poderá responder e prestar esclarecimentos adicionais às informações
técnicas. Esse documento será remetido para Bruxelas, que só então se
manifestará de forma conclusiva sobre as exportações de carne bovina brasileira
para o bloco. Como o documento será técnico, no caso de possível suspensão das
compras de carne do Brasil, a decisão será política e caberá ao comissário
europeu, Markos Kyprianou.
Valor
Econômico
21/11/2007
Pecuária de Corte
Mauro
Zanatta
O
Ministério da Agricultura planeja impor a pecuaristas e indústrias exportadoras
de carne bovina para a União Européia um novo tipo de guia de trânsito animal
(GTA) para dar mais transparência às movimentações do gado no país, apurou o
Valor.
A
medida, em discussão técnica interna no ministério, tem aval político do
ministro Reinhold Stephanes e será apresentada amanhã a representantes de
criadores, frigoríficos e das empresas certificadoras que operam o sistema de
rastreamento de bovinos (Sisbov). Parlamentares e secretários estaduais de
agricultura também devem participar da decisão.
A
alteração atende a uma exigência feita pela missão veterinária da UE em visita
oficial ao país: a integração das bases de dados do Sisbov e dos sistemas de
saúde animal dos Estados habilitados a exportar carne bovina à Europa. Em
reunião na sede do ministério, na segunda-feira, os membros da missão foram
explícitos ao vincular a manutenção das exportações às alterações. Em jogo,
estão embarques ao bloco de US$ 1,3 bilhão registrados em 2006.
Ao
apresentar relato parcial sobre os "achados" e as
"inconsistências" dos sistemas de saúde pública e animal do Brasil,
os europeus exigiram a convergência dos dados contidos na guia de trânsito
animal (GTA), emitida pelos Estados para cada lote de animais movimentados, e
no Documento de Identificação Animal (DIA), uma relação individualizada para
cada boi registrado no Sisbov. "Eles foram bastante claros: ou fazemos as
mudanças ou ficamos fora do mercado europeu", revelou uma fonte envolvida
nas negociações.
Hoje, os
técnicos das secretarias de Defesa Agropecuária e de Desenvolvimento
Agropecuário debaterão duas alternativas. A primeira, mais arriscada sob o
ponto de vista europeu, seria anexar a relação detalhada (DIA) ao lote discriminado
(GTA). Mais trabalhosa e transparente, a outra opção seria tornar obrigatória a
emissão de um novo documento eletrônico que reuniria as informações da GTA e do
DIA.
A
transformação de informações sigilosas como os estoques de gado nas fazendas em
relatórios abertos torna altamente complexa a escolha e a discussão dentro da
cadeia produtiva. Os pecuaristas não admitem abrir os dados, e os frigoríficos
tampouco querem arcar com novos custos do processo.
Por
outro lado, há a pressão econômica traduzida na forte demanda por carne na
Europa. Nos bastidores, o ministério avalia ter chegado o momento de tornar
mais transparentes e acessíveis os dados sobre trânsito animal no país. Alguns
especialistas do governo avaliam que, ao abrir os dados, poderiam vir a tona
eventuais fraudes existentes no atual sistema de GTA manual. O foco de aftosa
no Paraná em outubro de 2005, por exemplo, só foi confirmado em razão do
sistema de GTA eletrônica implantada no Estado. Por ali, foi possível rastrear
o caminho percorrido pelos animais infectados em Mato Grosso do Sul e
transportados até o Paraná.
As
mudanças também devem alcançar as certificadoras do Sisbov, já que a missão
relatou algumas fraudes no sistema. Hoje, 20 das 52 certificadoras registradas
pelo ministério têm problemas que resultaram em desligamento, suspensão ou
advertência.
Folha de S. Paulo
24/11/2007
Pecuária de Corte
IURI
DANTAS
DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após
dois anos de embargo por problemas de defesa sanitária, a Rússia informou que
voltará a importar carne bovina e suína de oito Estados brasileiros - São
Paulo, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina,
Goiás e Pará.
Os
russos são os principais consumidores de carne brasileira, sendo responsáveis
pela importação de 25% da carne exportada pelo país.
Dado o
tamanho do mercado russo, o fim do embargo anunciado ontem pode resultar em
aumento de preço da carne para o consumidor brasileiro, na avaliação do
ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.
"Os
preços de forma geral estão sendo ditados pelo mercado internacional. Os preços
no mercado lá fora têm melhorado e isso provoca reflexo no mercado
interno", analisou.
Especialistas
e representantes do setor têm avaliação diferente da do ministro.
"Não
haverá impacto tão grande no mercado interno, as exportações são muito boas
para o consumidor brasileiro, pois os frigoríficos vendem alguns cortes e o
restante da carcaça vai para o mercado interno", analisou o professor
Sérgio de Zen, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da
Universidade de São Paulo.
De
acordo com Zen, cortes tradicionais como maminha, picanha, acém, patinho e
lagarto costumam sair do pasto para os supermercados, enquanto filé mignon,
alcatra, contrafilé, coxão duro e coxão mole embarcam para o exterior.
Para o
presidente da Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos), Péricles
Pessoa Salazar, os embargos enfrentados pelo Brasil geram capacidade ociosa na
indústria e o consumidor só verá aumento substancial no preço depois que o
problema for superado.
"Não
acredito em aumento de preço, isso não acontece. À medida que usarmos a
capacidade ociosa vai vir o aumento." O Brasil ainda enfrenta embargos de
alguns países asiáticos e da União Européia.
Para
Paulo Mustefaga, assessor técnico da CNA (Confederação Nacional da Agricultura
e Pecuária), o fim do embargo russo exigirá "mudanças de logística"
dos produtores, que voltarão a exportar para aproveitar os bons preços lá fora.
A Rússia
suspendeu a compra de carnes brasileiras no dia 13 de dezembro de 2005, mas
retomaram as compras do Mato Grosso, Rondônia e Rio Grande do Sul. Além da
queda nas exportações, a decisão russa acabava impedindo o trânsito de carne
entre Estados brasileiros.
O
apetite pela carne do Brasil deve elevar o produto à primeira posição da
balança do agronegócio, segundo o ministro da Agricultura, ultrapassando as
exportações de soja. "No médio prazo, vamos suplantar a soja", disse
Salazar, da Abrafrigo.
Hoje, o
Brasil exporta cerca de US$ 12 bilhões do chamado complexo carnes, que inclui
aves, suínos e bovinos.
O
Estado de S. Paulo
25/11/2007
Pecuária de Corte
Foram
tensas as discussões entre técnicos do Ministério da Agricultura e membros da
missão da União Européia (UE) que, durante duas semanas, inspecionaram fazendas
em seis Estados brasileiros e viram falhas no combate a doenças no rebanho
nacional, principalmente a febre aftosa. Pressionada por pecuaristas irlandeses
e ingleses, a UE fez exigências mais rigorosas para comprar carne brasileira.
Dentro de três semanas, encaminhará a Brasília um relatório da visita. Se
necessário, o governo responderá à UE, que só então se manifestará de maneira
conclusiva.
A UE
suspendeu a importação de carne in natura de Mato Grosso do Sul e do Paraná,
onde foram identificados focos de febre aftosa em 2005. Por causa da
proximidade, também a carne de São Paulo teve a importação suspensa. Na reunião
com técnicos do Ministério da Agricultura, os representantes da UE cobraram o
cumprimento de providências que haviam sido exigidas por missões anteriores que
estiveram no Brasil e disseram estar preocupados com falha no sistema de
fiscalização do trânsito de animais. Eles temem que animais de áreas não
aprovadas pela UE sejam abatidos em áreas aprovadas e que a carne seja
exportada para o bloco.
O grau
de exigência dos europeus irritou produtores brasileiros. O presidente do Fórum
Nacional de Pecuária de Corte da Confederação Nacional de Agricultura e
Pecuária (CNA), Antenor Nogueira, disse que o governo brasileiro deveria exigir
que a UE aplicasse a seu rebanho as mesmas regras que quer ver aplicadas no
Brasil. É uma proposta inócua. Se a UE fizesse isso, seu efeito prático seria
nulo para nós: o Brasil não compra carne da Europa. Já a Europa, sim, compra
carne do Brasil, e em grandes quantidades. Ela absorve 33% da carne bovina
exportada pelo País. Por isso, suas exigências devem ser examinadas com
atenção.
Mas elas
não são novas. A pressão européia apenas reforça a necessidade de se recuperar
com urgência o sistema de defesa agropecuária, cuja fragilidade ficou evidente
com o ressurgimento da febre aftosa há mais de dois anos. A resposta do governo
ao problema tem sido tímida - e, no fundo, foi isso que disseram os europeus.
Prova da pouca atenção das autoridades à questão se tem quando se examinam os
recursos orçados para os programas de defesa animal e a execução orçamentária.
O valor destinado para esses programas é insuficiente e, ainda assim, só uma
parte é efetivamente aplicada.
Na proposta
de Orçamento para 2008, mostrou o jornal Valor, o governo aumentou em 70% os
recursos para a rede de laboratórios de análise animal do Ministério da
Agricultura e dobrou os recursos para o Programa Nacional de Erradicação de
Febre Aftosa. Mas o valor previsto para a vigilância sanitária de animais nas
divisas estaduais, que mereceu críticas dos importadores de carne, será apenas
13% maior. Já as áreas de vigilância e fiscalização do trânsito de animais nas
fronteiras, de controle de resíduos e contaminantes de animais e vegetais e de
inspeção industrial de produtos e derivados de origem animal terão orçamento
menor em 2008.
O que a
execução orçamentária ao longo do ano tem mostrado é que, mesmo quando há
recursos, eles não são utilizados adequadamente. Faltando pouco mais de um mês
para terminar o ano, o Ministério da Agricultura só aplicou 52% dos
investimentos de R$ 195,8 milhões que o Congresso Nacional aprovou para 2007.
Do cálculo, foram excluídos os gastos autorizados por emendas parlamentares e
os referentes a apoio administrativo. Se contados esses valores, o volume
aplicado cai para 33,6%. Se considerar apenas o que foi efetivamente pago (ou
liquidado, como se diz na linguagem oficial), o índice se reduz para 18,1%.
Parte da
lenta gestão orçamentária se deve ao contingenciamento de verbas necessário
para o cumprimento das metas de superávit primário. Mas outra parte se deve ao
próprio Ministério da Agricultura. Se estivesse efetivamente preocupado em
combater a febre aftosa, ele teria aplicado mais do que os 44% que aplicou dos
recursos destinados ao desenvolvimento da bovinocultura, que inclui a
erradicação da moléstia. Se assim tivesse agido, teria mais argumentos para
expor aos importadores, cujas queixas seriam menores.
Valor Econômico
26/11/2007
Pecuária-de-Corte
De
Buenos Aires
A
Câmara dos Deputados da Argentina já tem três projetos de lei propondo a
nacionalização da chamada Cota Hilton - índice que fixa a participação de cada
país no mercado europeu de carne in natura. O principal deles é de autoria do
deputado Alberto Cantero, da coligação Frente Para a Vitória (FPV), do
presidente Néstor Kirchner. Cantero, que é membro da Comissão de Agricultura da
casa, defende não apenas a prioridade de distribuição da cota para indústrias
controladas por empresários nacionais, mas também que pelo menos 20% da cota
sejam destinados aos micros e pequenos frigoríficos das províncias mais pobres,
no Norte e Nordeste do país.
"O
que queremos discutir é por que vamos vender a nossa Cota Hilton para os
estrangeiros", disse ao Valor Pablo Checura, principal assessor do
deputado Cantero. "O projeto não é contra o Brasil nem contra outros
países. Mas seria bom se o Brasil negociasse para ampliar sua cota na União
Européia e não comprasse frigoríficos argentinos apenas para beneficiar-se da
nossa cota", disse ele.
A Cota
Hilton é um sistema de compensação da União Européia a alguns países
exportadores (entre eles Brasil, Argentina e Uruguai), negociado nos anos 80.
Por esse sistema, os exportadores de carne bovina de primeira qualidade podem
vender na Europa sem passar pelas travas tarifárias e não-tarifárias pelas
quais passa a carne vendida fora da cota. Cada país tem uma cota diferente,
calculada de acordo com um histórico de venda no mercado europeu.
A cota
argentina é quase seis vezes maior que a do Brasil. São 28 mil toneladas
anuais, vendidas a um preço que varia de US$ 10 mil a US$ 15 mil, o dobro do
que se paga pela carne fora da cota, que rendem ao país US$ 300 milhões. Ter
acesso a esse filão do mercado europeu foi o motivo que levou frigoríficos
brasileiros a investir centenas de milhões de dólares na aquisição de empresas
na Argentina e também no Uruguai.
Atualmente,
a distribuição das cotas é feita anualmente pela Secretaria de Agricultura. O
critério vigente hoje divide as cotas pelos produtores, na maior parte (70%)
tomando por base as exportações realizadas nos últimos três anos ("past
performance"). Os 30% restantes são entre um grupo de produtores em geral,
pequenos e grandes, independentemente da quantidade vendida. Os projetos no
Congresso fazem mais ou menos a mesma proposta: substituir o critério de
"past performance" por origem do capital dos frigoríficos, com
prioridade para os nacionais.
Segundo
o Consórcio de Exportadores de Carnes da Argentina (ABC), cinco frigoríficos
estrangeiros detêm mais de 40% da Cota Hilton do país, já que respondem também
por 45% a 50% das exportações de carne argentina, que beira as 300 mil
toneladas anuais, com faturamento acima de US$ 700 milhões. São eles o Swift
(que pertence ao JBS), Finexcor e Carnes Pampeanas (controlados pelas
americanas Cargill e Tyson Food respectivamente), AB&P e Quickfood, do
brasileiro Marfrig.
O JBS
(Friboi), um dos que serão atingidos pela nacionalização da Cota Hilton, já
investiu US$ 100 milhões na aquisição de seis frigoríficos no país e tem a
Argentina como parte fundamental de seu projeto de expansão internacional. O
presidente do grupo, Joesley Batista, disse que a proposta "não faz
sentido" e que não acredita que o Congresso argentino vá aprovar a medida.
"É uma proposição que não vai adiante, a não ser que queiram abrir uma
guerra comercial contra o Brasil", afirmou Batista.
Segundo
Checura, as discussões sobre o projeto de lei ainda são incipientes (o
Congresso argentino está discutindo o orçamento de 2008), mas ele acredita que
até meados de 2008 os deputados terão entrado em acordo para consolidar um
único documento a partir dos três apresentados. (JR)
Valor Econômico
26/11/2007
Pecuária-de-Corte
Mauro
Zanatta, Alda do Amaral Rocha e Vanessa Jurgenfeld, de Brasília, São Paulo e
Florianópolis.
O
Ministério da Agricultura confirmou sexta-feira a reabertura do mercado russo
para as carnes suína e bovina produzidas em Santa Catarina, São Paulo, Paraná,
Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Amazonas e no sul do Pará. A medida,
que vigora a partir de 1º de dezembro, permitirá atender a um mercado que
compra 15% da carne bovina e 70% da carne suíno brasileira. "Servirá como
efeito-demonstração para outros países, o que, com certeza, favorece nossa condição
externa", disse o ministro Reinhold Stephanes.
Esses
Estados sofriam embargo desde outubro de 2005, mas a Rússia começou uma
gradativa liberação em 2006. Em abril, permitiu a compra de carne suína e
bovina do Rio Grande do Sul. Em agosto, liberou suínos e bovinos de Mato Grosso
e carne bovina de Goiás e São Paulo.
As
negociações entre Brasil e Rússia começaram há seis meses, quando o secretário
de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, teve reunião com o diretor do Serviço de
Inspeção Federal russo, Evgueni Neplokonov. De lá para cá, houve três encontros
bilaterais para restabelecer o comércio.
A
desconfiança russa estava nas dificuldades do governo brasileiro em comprovar
controle sobre os focos de aftosa descobertos em Mato Grosso do Sul e Paraná.
Em seguida, passaram a exigir garantias sobre os certificados sanitários
emitidos pelo Brasil, afirmando ter apreendido em seus portos cargas com
documentação falsificada. O ministério passou a emitir, desde agosto, o
certificado em papel-moeda. Outro problema eram as "inconformidades"
detectadas em alguns frigoríficos habilitados a exportar para a Rússia. Pelo
menos dez das 180 plantas habilitadas para exportação foram descredenciadas
pelo ministério nesses seis meses.
Fontes
do setor afirmam que a alta dos preços, principalmente de carne suína, no
mercado russo, também contribuiu para o fim do embargo. Segundo uma dessas
fontes graduadas, a Rússia importava 500 mil toneladas de carne suína por ano
da China, país onde a suinocultura é afetada pela doença da "orelha
azul". A menor oferta chinesa de suínos já eleva os preços, por isso a
Rússia quer garantir o fornecimento no futuro.
O
presidente da Abipecs (reúne exportadores de carne suína), Pedro de Camargo
Neto, disse que a medida significa ganhos para 2008, com o aumento de vendas
para a Rússia e manutenção de mercados conquistados pós-embargo. Entre janeiro
e outubro de 2005, o país exportou US$ 695 milhões em carne suína para a
Rússia, valor que caiu US$ 499,3 milhões no mesmo período deste ano.
Para
Ricardo Gouveia, diretor do Sindicarnes-SC, o fim do embargo é o reconhecimento
do trabalho de defesa sanitária catarinense, que conseguiu status de livre de
aftosa sem vacinação junto à OIE em maio deste ano, e do trabalho de
informações junto à Rússia. Wolmir de Souza, presidente da Associação dos
Criadores de Suínos de SC (ACCS), diz que o prejuízo do período em que o Estado
esteve sem exportar à Rússia "é incalculável". Segundo ele, o preço
ao produtor caiu para abaixo de R$ 1 o quilo, animais ficaram represados no
campo e produtores que saíram da atividade.
A Rússia
era o principal mercado de Santa Catarina, responsável pela compra de cerca de
70% do total exportado pelo Estado. Segundo a secretaria de agricultura de SC,
antes do embargo, o Estado vendia quase 20 mil toneladas por mês aos russos. Em
quase dois anos de embargo, o Estado perdeu cerca de US$ 750 milhões. De
janeiro a outubro deste ano, o Estado exportou 140 mil toneladas (US$ 246
milhões), uma média de 14 mil toneladas por mês.
Apesar
do embargo, as exportações de carne bovina para a Rússia até cresceram, uma vez
que os frigoríficos conseguiram redirecionar a produção destinada à exportação.
Entre janeiro e outubro de 2005 eram de US$ 487,9 milhões e subiram para US$
763,2 milhões no mesmo período este ano. "A Rússia é cada vez mais
dependente da carne do Brasil e quer aumentar as fontes de suprimentos",
disse Pratini de Moraes, presidente Abiec (exportadores de carne bovina).
Valor
Econômico
26/11/2007
Pecuária-de-Corte
De
Brasília
O
ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, aproveitou o anúncio da retomada
das exportações de carnes à Rússia, após dois anos de embargo, para alfinetar
seus antecessores pela demora em derrubar a restrição.
Em duas
ocasiões, ele apontou estratégias equivocadas e criticou a falta de decisão
para reabrir um dos mais importantes mercados consumidores da carne brasileira.
"Faltava decisão, atitude, trabalho e ação", declarou. "Nosso
problema era adotar ações, que simplesmente não eram tomadas. Não é problema de
pessoal nem de recursos. É de sistemas, métodos e ações", afirmou o
ministro.
No posto
desde março deste ano, Stephanes substituiu o atual vice-presidente de
Agronegócios do Banco do Brasil, Luís Carlos Guedes Pinto. Os focos de aftosa
eclodiram em outubro de 2005, na gestão Roberto Rodrigues.
"O
Brasil contestava as exigências e o setor privado discordava da Rússia. Nós
resolvemos cumprir as exigências. Vamos fazer a quarta viagem à Rússia em seis
meses, mostrando a importância desse mercado, para superar as
divergências". Questionado sobre eventual "má gestão" de seus
antecessores, o ministro reagiu: "Não vou responder nem há necessidade de
responder.”.
O
ministro também elogiou as ações do ministério para atender às exigências da
UE, sobretudo na melhoria do sistema de rastreamento de bovinos (Sisbov).
Segundo ele, as alterações anunciadas na semana passada, inclusive a unificação
do comando na Secretaria de Defesa Agropecuária, "resolveu em grande parte
os problemas de controle". E emendou: "Possivelmente, estaremos no
caminho para resolver as questões com a União Européia." (MZ).
Valor Econômico
27/11/2007
Pecuária de Corte
Mauro
Zanatta
A
"retomada imediata" dos embarques de carnes bovina e suína do Brasil
para a Rússia, anunciada na sexta-feira pelo ministro da Agricultura, Reinhold
Stephanes, corre o risco de não ser tão imediata assim.
Segundo
o secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Inácio Kroetz, a retomada
dependerá do status sanitário de cada unidade industrial à época da declaração
do embargo - que foi imposto no fim de 2005 depois da descoberta de casos de
febre aftosa em bovinos no Mato Grosso do Sul e no Paraná.
Kroetz
esclareceu que as plantas que até então eram habilitadas para vender o produto
aos russos terão de atender aos novos requisitos de embalagem individual das
peças com etiquetas de origem, envio das cargas diretamente da indústria aos
entrepostos nos portos e emissão do certificado sanitário internacional em
papel-moeda.
Para
estas unidades, o secretário de Defesa Agropecuária informou que será
necessária a realização de uma nova auditoria do ministério para confirmar o
cumprimento das medidas. "Temos que verificar se está havendo o
atendimento dessas exigências", afirmou, por telefone, de Pequim, onde
está negociando um acordo bilateral sanitário com a China para a venda de
carnes bovina, suína e de frango.
A
habilitação de novas plantas, que ainda não exportavam para a Rússia à época do
embargo, dependerá de uma auditoria conjunta composta por especialistas
brasileiros e russos. Nesse caso, informou Kroetz, as autorizações para
exportar devem ficar para 2008.
Para
acertar os detalhes da reabertura do mercado russo, o secretário brasileiro
deverá ter, em Moscou, uma reunião final nesta semana com o chefe do Serviço de
Sanidade Animal e Vegetal da Rússia, Sergei Dankvert. Kroetz afirmou que ainda
não há uma decisão sobre a necessidade da visita de uma missão veterinária
russa ao Brasil antes da retomada acordo. "Em princípio, não vejo
necessidade de nova missão. Mas vamos decidir isso na reunião desta
semana". (Colaborou FL)
Valor Econômico
27/11/2007
Pecuária de Corte
Assis
Moreira
Marisa Cauduro/Valor

Pedro de Camargo Neto, presidente da associação dos exportadores brasileiros de carne suína: "tremendo retrocesso"
A União
Européia anunciou ontem que voltará a subsidiar as exportações de carne suína
do bloco, para ajudar os criadores locais a encarar o ganho competitivo que
Brasil, Estados Unidos e Canadá tiveram no mercado internacional em razão da
contínua desvalorização do dólar.
Encarada
como um "tremendo retrocesso" por Pedro de Camargo Neto, presidente
da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína
(Abipecs), a notícia emergiu no mesmo dia em que Bruxelas decidiu suspender as
taxas de importação de cereais. Na contramão do "protecionismo" para
a carne suína, a "liberalização" para os cereais - que poderá aliviar
os custos dos suinocultores - decorre do forte aumento dos preços agrícolas no
exterior.
Vale
observar, ainda, que a comissária de agricultura da UE, Mariann Fischer Boel,
comunicou aos ministros europeus sua intenção de retomar os subsídios à
exportação de carne suína apenas um mês depois de ter rejeitado a mesma
demanda, então apresentada por França, Polônia e Irlanda. A ajuda servirá para
compensar a diferença entre os atuais preços do produto no mercado
internacional e o preço mais elevado em países da UE.
Na Europa,
há excesso de produção de suínos. Esta superoferta derrubou os preços em 11% em
um ano, período em que os criadores viram a fatura subir com a alta das
matérias-primas para a ração de seus animais. Recentemente, o governo francês
reclamou que 30% da produção de suínos do país era vendida fora da UE,
sobretudo para Rússia, Japão e Coréia do Sul. E, com o euro forte, pedia ajuda
para enfrentar a concorrência, que exporta mais, com preço menor e em dolar
americano "fraco". Um plano europeu de assistência para a formação de
estoques privados de carne suína fracassou. A idéia era que os produtores
guardassem pelo menos parte da produção em frigoríficos à espera de recuperação
dos preços, mas isso não aconteceu.
Neste
cenário, os criadores europeus de suínos tiveram na decisão do bloco de
suspender as taxas de importação de cereais outro alento, uma vez a produção
européia de grãos é modesta. A UE espera estimular importações de todos as
origens, principalmente de trigo com menos qualidade - que pode ser utilizado
em rações - da Rússia, Ucrânia e Cazaquistão. Mas poderá haver surpresas, já
que Moscou pretende restringir suas exportações de cereais para evitar
problemas de abastecimento em pleno período eleitoral. A Rússia já aplica taxa
de 10% sobre suas exportações de trigo, e quer aumentá-la para 30% ou
50%.
Para a
Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), a
tensão no mercado de grãos deverá continuar. Afinal, pelo terceiro ano
consecutivo, o consumo poderá superar a produção mundial. Na safra 2006/07, a
produção global declinou 4,6% e os estoques baixaram 15%, menor nível em 20
anos. Para 2007/08, as projeções são de que produção e consumo vão aumentar - e
os estoques deverão recuar de 102 milhões para 92 milhões de toneladas. O
movimento reflete a queda nas produções agrícolas de Austrália e Ucrânia,
principalmente. Embora a oferta global de milho deva ser recorde este ano após
colheita excepcional nos EUA, o preço do grão deve seguir em alta diante da
demanda para a produção de etanol altamente subsidiado. (Colaborou Fernando
Lopes, de São Paulo)
04/12/2007
Pecuária de Corte
Alda
do Amaral Rocha
O
secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz,
esclareceu, sábado, que as plantas brasileiras que estavam habilitadas a
exportar para a Rússia carne para processamento naquele país terão de ser
certificadas para o varejo para retomarem as vendas. No fim de novembro, o
ministério anunciou o fim do embargo russo às carnes bovina e suína de oito
Estados brasileiros, imposto em dezembro de 2005 por conta de focos de aftosa
em Mato Grosso do Sul e no Paraná.
Segundo
Kroetz, que esteve em Kaliningrado no último fim de semana na inauguração da
fábrica da Sadia no enclave russo, as plantas que antes do embargo estavam
habilitadas para processamento terão agora que ter habilitação conjunta de
Brasil e Rússia para varejo, que é mais rigorosa. Só atendendo a essa exigência
poderão voltar a exportar para o mercado russo.
Além
disso, Kroetz já havia informado em 27 de novembro que as plantas que exportam
à Rússia terão também de atender a requisitos de embalagem individual das peças
com etiqueta de origem, envio das cargas diretamente da indústria aos
entrepostos nos portos e emissão de certificado sanitário internacional em
papel moeda.
Kroetz
informou que as medidas que vêm sendo acertadas entre Brasil e Rússia fazem
parte de um memorando de entendimentos entre os dois países que culminará num
novo acordo sanitário. "A Rússia está caminhando para a OIE [Organização
Internacional de Saúde Animal], por isso está adequando os requisitos
sanitários". Como mira a OMC, a Rússia precisa se adequar às regras da
OIE, que é o órgão consultivo para saúde animal daquela entidade.
Dessa
forma, disse Kroetz, a Rússia caminha para aceitar o critério de zona de
contenção, estabelecido em maio pela OIE. Para acertar outros detalhes do
acordo, Kroetz deve voltar a se encontrar com representantes da área de
sanidade animal da Rússia ainda este ano.
A
jornalista viajou a convite da Sadia.
04/12/2007
Pecuária de Corte
Patrick
Cruz
Anna Carolina Negri / Valor

Uma redução de tarifas poderia aumentar as vendas de alimentos italianos no Brasil, acredita o ministro De Castro
A
Itália, que importa metade dos mais de 3 milhões de bovinos que abate por ano,
pretende comprar até 200 mil cabeças de gado brasileiro. A missão do governo
italiano que está nesta semana no país chega hoje a Santa Catarina para se
reunir com o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e com pecuaristas do
Estado.
"Temos
interesse em tudo, gado vivo ou carne processada, além de outros produtos.
Existe potencial para que a Itália compre de 150 mil a 200 mil cabeças de gado
brasileiro", diz o ministro da agricultura da Itália, Paolo De Castro.
"Com negociação e ajustes na logística, é possível aproveitar essa
oportunidade".
O maior
empecilho para o aumento das vendas de carne brasileira para o mercado italiano
caiu em maio passado, quando Santa Catarina foi declarada pela Organização
Internacional de Saúde Animal (OIE) zona livre de febre aftosa sem vacinação -
a União Européia só autoriza a compra de animais vivos de áreas que têm o
certificado. Agora, os governos devem trabalhar para reduzir barreiras
tarifárias.
As tratativas
têm que ocorrer no âmbito da Comissão Européia, o braço executivo da União
Européia, mas é possível criar uma alternativa que reduziria a até 0% a taxa de
importação para os animais vivos que embarcarem para a Itália, conforme Giorgio
Starace, conselheiro do Ministério da Agricultura italiano. "Não poderia
valer para toda a importação italiana, mas existe a possibilidade de isso ser
feito para uma parte dela", afirma.
Alemanha,
França e Polônia estão entre os principais fornecedores de animais vivos à
Itália. De acordo com Starace, o país tem interesse de reduzir a dependência de
gado de outros países da Europa em virtude do aumento dos custos de criação no
continente. A redução dos subsídios à agricultura tem diminuído a produção
pecuária no bloco.
Hoje,
durante a visita da comitiva da Itália a Lages, principal pólo da pecuária em
Santa Catarina, o governo do Estado lançará o programa de rastreabilidade de
bovinos e bubalinos. Até junho do próximo ano, todo o rebanho do Estado, de
aproximadamente 3,5 milhões de cabeças, deverá receber brincos de
identificação. No Brasil, já são mais de 200 milhões de cabeças de gado.
A
passagem da comitiva italiana pelo Brasil não se limitará às negociações
ligadas à pecuária. As taxas de importação de produtos alimentícios, como vinho
e massas, que chegam a até 35%, inibem as exportações da Itália para o mercado
brasileiro, afirma o ministro Paolo De Castro. "A Itália pode ser
porta-voz do Brasil na Europa, mas é preciso que o Brasil mostre maior atenção
com nossos problemas", disse ele. Vinhos e massas são os dois principais
produtos alimentícios vendidos pelos italianos ao Brasil.
No setor
de alimentos, a balança comercial entre ambos é altamente desfavorável à
Itália. Em 2006, o Brasil importou US$ 69 milhões em produtos alimentícios
italianos, volume 22% superior ao do ano anterior. A Itália, em contrapartida,
importou US$ 3,6 bilhões de artigos alimentícios brasileiros, um crescimento de
37,1% em relação a 2005.
04/12/2007
Pecuária de Corte
DA
REDAÇÃO
Muita
conversa e pouco resultado. Esse tem sido o caminho tortuoso das relações
comerciais do Brasil com a Itália. Para melhorá-las, especialmente no campo da
agroindústria, Paolo de Castro, ministro de agricultura da Itália, está no
Brasil.
Para
tanto, Brasil e Itália devem buscar a redução das taxas e das proibições de
entradas de produtos. No caso da Itália, isso pode ser feito com pedidos
específicos pelos dois países, em Bruxelas, para a redução de tarifas.
Com
isso, os brasileiros poderiam exportar vários produtos, inclusive carnes, com
alíquota zero. A lista de compras dos italianos inclui carnes, soja, milho,
álcool e biodiesel. Só em gado, os italianos prevêem a compra de 150 mil a 200
mil bezerros em pé por ano, 10% das importações do país.
Mas a
Itália não quer apenas um local de compras. "Queremos reforçar a
cooperação entre Brasil e Itália" e facilitar a "difícil
relação" do Brasil com a Europa, tornando-se uma porta-voz dos brasileiros
no continente europeu", diz Castro.
Em
contrapartida, o Brasil deve reduzir as restrições a produtos italianos. Ele
cita a bresaola, feita 100% com carne bovina brasileira, mas proibida de entrar
no país. Outra reclamação dos italianos é a tributação às importações de
"grano duro", especial para massas e produzido na Itália. (MZ)
12/12/2007
Pecuária de Corte
Fabíola
Salvador
Técnicos
do governo e representantes de empresas evitaram comentar ontem a possibilidade
de a União Européia (UE) impor novos embargos à exportação brasileira de carne
bovina. Apesar de informações de Bruxelas indicarem que o bloco poderia limitar
de forma significativa o número de empresas e frigoríficos autorizados a
exportar, um representante do governo brasileiro disse que a Secretaria de
Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura não havia recebido nenhum comunicado
oficial.
Já o
presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte, Antenor Nogueira,
da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), disse que por
enquanto o assunto é “especulação”. “É difícil comentar qualquer coisa.
Precisamos esperar o relatório oficial da missão européia.” Ele se refere ao
relatório que começou a ser preparado depois da auditoria feita no mês passado
por inspetores da UE nos Estados que têm autorização para venda de carne ao
bloco.
12/12/2007
Pecuária de Corte
Mauro
Zanatta
A
manifesta disposição da União Européia de restringir ainda mais a importação de
carne bovina brasileira deve incluir o fim da habilitação sanitária automática
das unidades frigoríficas situadas em zonas autorizadas e a suspensão
temporária do abate de bois originários de confinamentos. Nos bastidores, o
Ministério da Agricultura já está preparado para enfrentar essas eventuais
limitações, conforme apurou o Valor.
A
imposição de uma "cota branca" para os embarques brasileiros,
avalia-se no governo, deve passar pela adoção da obrigatoriedade de habilitação
dos frigoríficos exportadores por auditores europeus. O modelo, visto como um
retrocesso na relação comercial bilateral, é adotado por alguns parceiros do
Brasil, como Rússia e México, também em outros produtos.
"É
protecionismo, mas pode atender aos interesses internos deles", disse um
dirigente do ministério. Dessa forma, a UE reduziria o volume exportado por
meio da limitação das autorizações a poucas unidades industriais. Isso abriria
espaço no bloco para absorver mais produtos ingleses e irlandeses, o que
reduziria a forte pressão política dos pecuaristas daquela região. Além disso,
seria um sinal importante de ampliação do rigor sanitário aos fornecedores e
consumidores da UE.
Descontentes
com os precários controles adotados por algumas empresas de confinamento de
bois, os europeus também devem impor restrições ao gado originário desse
sistema de criação. Das 9 milhões de cabeças atualmente registradas no sistema
de rastreamento de bovinos (Sisbov), quase 2 milhões estão localizadas em
aproximadamente 25 confinamentos.
O
"aperto" poderia ser a aplicação da regra do prazo mínimo de
permanência do gado no estabelecimento antes do abate - são 90 dias nas zonas
habilitadas e 40 dias na última propriedade autorizada a exportar. Ou seja,
quando entrar um animal novo no confinamento, o prazo seria zerado. Isso
inviabilizaria a compra desse gado pelos frigoríficos habilitados a vender à
UE.
O
arrocho contra os confinamentos estaria embasado no relatório da recente missão
veterinária européia, que esteve por 14 dias no Brasil. Em uma companhia, os
auditores afirmaram ter encontrado indícios de "bois fantasmas", sem
registro no Sisbov ou sem a devida baixa na base de dados. Também disseram ter
flagrado brincos do Sisbov de outro Estado, não-habilitado para exportar gado à
União Européia. "Eles viram que não há garantia de 100% nesse sistema de
criação", reconheceu uma fonte do ministério.
12/12/2007
Pecuária de Corte
Graziela
Reis
O Brasil
amargou uma redução de 0,6% no rebanho bovino em 2006. O Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) registrou no país 205,9 milhões de animais no
fim do ano passado. Em dezembro de 2005, os dados indicavam a existência de
207,1 milhões de cabeças. A crise enfrentada pelos pecuaristas, frente aos
baixos preços pagos pela arroba, é uma das justificativas para a queda no
número de bovinos. Porém, em Minas, apesar do cenário de baixa valorização da
carne não ter sido diferente, houve aumento de 3,7%. Foi o maior crescimento
registrado entre os oito estados que se destacam pela criação de gado.
Nas
fazendas mineiras, a Pesquisa Pecuária Municipal, divulgada ontem, registrou
22,3 milhões de animais no ano passado. O acréscimo foi de cerca de 800 mil
sobre o resultado de 2005. Com isso, o rebanho mineiro passou a representar
10,8% do nacional. Em volume de animais, só perde para o Mato Grosso (12,7%) e
para o Mato Grosso do Sul (11,5%). Segundo o gerente de Pecuária do IBGE,
Octávio Costa de Oliveira, a diminuição do total de cabeças no país não ocorria
desde 1996. “Mas as taxas de crescimento estavam em ritmo menor, por causas de
problemas com a rentabilidade. Como os preços não eram estimulantes, houve
venda de matrizes, o que comprometeu o crescimento”, explica.
O presidente
da Comissão Técnica de Pecuária de Corte da Federação de Agricultura e Pecuária
do Estado de Minas Gerais (Faemg), Paulo Roberto Gomes de Almeida, explica que
o aumento do rebanho mineiro é justificado por negócios não tão ruins entre os
produtores que apostam no gado de elite e nos que optaram pelo leite. Ele
lembra que o preço da arroba ficou entre R$ 45 e R$ 50 por muito tempo. “Só nos
últimos meses que começou a melhorar”, diz. Atualmente está perto de R$ 70.
O sócio
da Estância VRJO, de Uberaba (MG), Rafael Cunha Mendes, diz que na fazenda onde
criam nelore conseguiram manter os negócios estáveis. “Foi uma vitória porque
focamos na genética e não tivemos perdas no meio da forte crise que atingiu a
pecuária”, comenta. Mas nas propriedades do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e
Acre, onde estão os gados de corte, ele confirma a redução nos últimos dois
anos. Em sua opinião, só os pecuaristas voltados para a atividade leiteira
conseguiram continuar investindo na ampliação do plantel de matrizes.
GADO
LEITEIRO
De
acordo com Oliveira, do IBGE, Minas ainda é o maior produtor de leite do
Brasil. O levantamento mostrou que houve um aumento de 3,2% em 2006, quando a
mesma atingiu 25,4 bilhões de litros. Minas responde por 27,9% do total, com
7,09 bilhões de litros. Os maiores municípios mineiros produtores de leite são
Ibiá, Pompéu e Patos de Minas. Os que se destacam na criação de gado são
Campina Verde, Prata e Unaí.
Apesar
de Minas ser um estado forte na pecuária bovina, outras criações também estão
ganhando força. Oliveira observa que o maior município produtor de suínos do
país é Uberlândia, com 538,2 mil animais. A explicação para tamanha produção
está na demanda expressiva pelas unidades da Sadia no município do Triângulo
Mineiro. No país, o estado já é o quarto produtor de suínos, com 3,8 milhões de
cabeças, ou 11% do rebanho nacional.
Minas
ainda se destaca na criação de equinos, com o primeiro lugar e 15,1% do número
de cavalos no país; de muares, com a segunda colocação ou 12,6% do rebanho
nacional; na produção de ovos também com o segundo lugar ou 12,6% do Brasil; e,
ainda, na criação de codornas. Em Minas, a criação das pequenas aves já é a
terceira maior do país, com 616.784 cabeças, ou 8,6% do total nacional.