CLIPPING RURAL – CNA

PECUÁRIA DE CORTE

 

 

 

 

O dinheiro que vem da pecuária

 

Política Agricultura debate imposto sindical de agricultores

 

Ministério fará mudanças no Sisbov para atender a exigências européias

 

UE cobra fiscalização mais rígida da carne brasileira

 

UE exige e país pode mudar as guias de trânsito animal

 

Carne deve subir com suspensão de embargo russo

 

Falhas na defesa sanitária

 

Proposta de "nacionalizar" cota de exportação de carne ganha adeptos

 

Rússia suspende embargo a carnes

 

Stephanes critica seus antecessores pela demora em derrubar restrição

 

Reabertura russa pode não ser imediata

 

UE volta a subsidiar carne suína

 

Uma nova certificação para exportar à Rússia

 

Itália quer aumentar a importação de bovinos vivos de Santa Catarina

 

  Itália quer até 200 mil bezerros por ano   

 

Governo e empresários evitam comentar

 

Frigorífico terá de ser habilitado por auditores europeus   

Rebanho de MG é o que mais cresce

 

Zero Hora

18/11/2007

 

Pecuária de Corte

O dinheiro que vem da pecuária

  

Está comprovado. Os pecuaristas do Estado retomaram a capacidade de investimento na recente temporada de venda de bovinos. Os bons resultados nas pistas e a movimentação gerada pelos leilões são a face mais visível do bom momento da pecuária, que ajuda a irrigar a economia do Rio Grande.

 

Em Uruguaiana, o caminhoneiro Marco Antônio Dorneles pensa em trocar de carro com o dinheiro que recebeu pelos serviços prestados no carregamento de animais. Em Bagé, uma agroveterinária viu seu faturamento crescer. Em Santa Maria, uma concessionária de caminhões finalmente está recebendo o pagamento de dívidas deixadas para trás. A valorização de preços do gado extrapolou a porteira das fazendas.

 

O quilo do boi gordo vale hoje R$ 2,28, segundo a Emater - cerca de 15% a mais do que no final de 2006, quando a recuperação da atividade já havia começado. No país, conforme a consultoria Scot, o preço do boi gordo atingiu a maior marca em dólar dos últimos 10 anos. De acordo com cálculo da consultoria DTOffice com base em dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE), o Produto Interno Bruto (PIB) da produção animal gaúcha (bovinos, ovinos, suínos e aves, entre outros) no ano passado somou R$ 13,4 bilhões, 8,6% do PIB do Estado.

 

Para o economista Paulo de Tarso Pinheiro Machado, essa participação deve aumentar em 2007, puxada pela bovinocultura.

 

- O efeito multiplicador da pecuária é menor do que o da lavoura, porque emprega menos gente. Mas claro que a elevação de preços mobiliza o comércio no Interior - complementa o agrônomo e professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Carlos Nielitz.

 

Conforme o indicador da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado (Fecomércio-RS) e da FEE, de 19 segmentos varejistas e atacadistas pesquisados, o que mais cresceu neste ano foi o atacado de matérias-primas agropecuárias, com avanço de 20,5% de janeiro a agosto.

 

- Como o ciclo do gado é longo, tudo indica que em 2008 esse processo continuará - projeta o economista Argemiro Brum, da Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul.

 

O bom momento é reflexo da crise que se abateu sobre o setor nos últimos anos. Para ter dinheiro, o pecuarista teve de reduzir a criação que, agora, ganha novo fôlego.

 

* Colaboraram Eduardo Cecconi, Estela Facchin, Marina Lopes, Patrícia Meira e Ronan Dannemberg

 

 

SEBASTIÃO RIBEIRO*

QUEM GANHA NO GIRO DOS ANIMAIS

 

1º Remates

 

Somente neste período chamado de primavera, a pecuária já vendeu quase o triplo da Expointer, a mais tradicional feira agropecuária da América Latina. O faturamento em remates particulares e feiras ultrapassa R$ 30 milhões, 209,94% mais que o total obtido nas pistas de Esteio. Uma das principais praças de venda de animais é o município de Uruguaiana, onde nesta época a economia cresce em razão dos remates. Os leilões arrecadaram 100% a mais do que em 2006.

 

- O excelente banco genético dos criatórios de Uruguaiana atrai os compradores e movimenta a economia do município - ressalta o presidente do Sindicato Rural de Uruguaiana, Júlio Alberto Silveira Filho.

 

Cavalo crioulo

 

Um show à parte. As vendas dos eqüinos crioulos, que já ganham até megaprodução - como foi o remate do diretor de cinema e televisão Jayme Monjardim, um conjunto de cinema, programa de TV e espetáculos musicais - , ultrapassam a marca de R$ 51 milhões em 99 remates realizados durante o ano. Como ainda faltam 17 pregões até o final do ano, o recorde de R$ 57,38 milhões alcançado em 2006 será superado, prevê a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC).

 

- E temos mercado para crescer muito mais - comemora o leiloeiro Fábio Crespo, ao destacar o papel estratégico do Canal Rural nos negócios.

 

Entre os novos investidores do centro do país, ganham espaço os famosos. Na lista de criadores e de apaixonados pela raça - um dos símbolos do Estado - , figuram nomes como o da apresentadora de televisão Eliana.

 

2º Transporte

 

O automóvel Polo 1994 vai dar lugar a um modelo mais novo na garagem dos Dorneles, em Uruguaiana, na Fronteira Oeste. Os dois caminhões, principal meio de sustento da família, receberão, além de tinta fresca, novas peças e outros reparos. Nada disso, entre outros investimentos, seria possível sem a pecuária. O motorista de caminhão Marco Antônio Dorneles, 45 anos, contratado para transportar os animais da Cabanha Paineiras, não revela quanto ganha, mas afirma que o valor é suficiente para garantir um final de ano de fartura para a mulher e os dois filhos, que moram em Alegrete.

 

Mesmo sem estimativas concretas, o presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Éder DalLago, destaca que as negociações feitas em remates e feiras têm reflexo positivo no serviço prestado pelos caminhoneiros. E, conseqüentemente, nas vendas de caminhões. De acordo com Flávio Hippler, gerente de vendas de uma concessionária de caminhões de Santa Maria, os consumidores do setor representam 30% da saída de veículos de carga. Mas quem quiser comprar um caminhão vai ter de esperar na fila. A aquisição pode levar de 60 a 90 dias, devido ao número de vendas ter crescido cerca de 30% impulsionado pela indústria, pelo comércio e pelo aumento dos fretes feitos por grandes transportadoras.

 

3º Venda de veículos

 

O bom momento da pecuária está contribuindo para que as concessionárias de veículos gaúchas comemorem resultados acima da média nacional. O setor, que esperava um crescimento de 10% nas vendas neste

 

ano, já projeta aumento de até 20%. Somente em outubro, foram vendidos 23.520 veículos no Rio Grande do Sul - crescimento de 28% com relação a setembro (no Brasil, esse percentual foi de 18%) e de 5,2% com relação a outubro do ano anterior.

 

- No Rio Grande do Sul é assim: quando a pecuária e a lavoura vão bem, tudo vai bem. Hoje, tendo produto, se vende - afirma Reinaldo Sbardelotto, diretor regional da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.

4º Hotéis

 

Em todo o Estado, os leilões de gado fazem os hotéis ficarem constantemente lotados. Segundo o diretor de planejamento da seccional gaúcha da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, José Justo, um terço do movimento nos 2.261 estabelecimentos que existem no Rio Grande do Sul é de hóspedes ligados à atividade pecuária.

 

- O setor não vive somente do turismo, vive de negócios. Candiota, Bagé, Alegrete, entre outros municípios, absorvem esse mercado. Sempre há remates, quase um por dia - explica Justo.

 

A rede hoteleira de Pelotas também se beneficia. Mesmo sendo uma cidade com enfoque mais urbano no setor de serviços, eventos de agronegócios movimentam as reservas nos hotéis. O impacto maior é nos finais de semana, afirma Adalgiso Malaguez, gerente de uma rede local de hotéis. Em média, comparado a outros finais de semana da baixa temporada, o aumento nas reservas fica entre 30% e 40% na época dos remates de primavera.

 

5º Comércio

 

O ciclo virtuoso permite ao pecuarista investir na sanidade do rebanho. Mais do que comprar uma quantidade maior de medicamentos, a tendência com o bom momento é adquirir produtos melhores, revela Glênio Prudente, diretor de uma das principais distribuidoras de produtos veterinários do Estado.

 

Em uma agroveterinária de Bagé, a venda de vermífugos, e, principalmente, carrapaticidas cresceu em torno de 50%. Do total de clientes que o estabelecimento tem, cerca de 35% são oriundos do setor pecuarista. Rogério Rosa, sócio-proprietário do estabelecimento, afirma que se vende mais pelo bom momento do gado, mas não atribui o sucesso somente a esse motivo.

 

- Também trabalhamos para isso, não é somente pelo boi - enfatiza.

6º Imóveis

 

Segundo o presidente do Sindicato da Habitação da Zona Sul do Estado (Secovi-Zona Sul), Sérgio José Abreu Neves, a recuperação econômica do campo tem resultado em uma melhora nos negócios de vendas e aluguéis na região desde o final de 2006.

 

- De um ano para cá, melhorou muito. Temos feitos ótimos negócios, como há muitos anos não realizávamos - afirma.

 

7º Máquinas agrícolas

 

Com mais dinheiro no bolso, os pecuaristas passam a investir não somente em mais animais, mas em equipamentos para modernizar a propriedade. Bom para a indústria de máquinas agrícolas gaúchas. Entre os itens mais procurados, estão plantadeiras (para fazer pastagens), balança para o gado, carretas de feno utilizadas em semiconfinamento e tratores.

 

- Com o bom momento da agricultura e da pecuária, estimamos um crescimento de 40% a 45% nas vendas na comparação com o ano passado - afirma Cláudio Bier, presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado.

 

Bruno Gonçalves, consultor de vendas de uma revenda de implementos agrícolas de Bagé, comemora negócios. Comparando os negócios dos últimos três meses deste ano com o mesmo período em 2006, a comercialização de tratores e outros implementos praticamente dobrou no estabelecimento em que trabalha. O faturamento passou de R$ 180 mil para R$ 320 mil. A média de dois tratores sendo vendidos por mês passou para quatro no mesmo espaço de tempo. No ramo de peças, os rendimentos ficavam entre R$ 30 mil e R$ 40 mil. Hoje estão passando dos R$ 80 mil.

 

O pecuarista João Borba, 48 anos, é um dos que compraram um novo trator. Conforme Borba, os rendimentos na pecuária aliados ao que ganha com o florestamento lhe proporcionaram a aquisição do veículo.

 

Os R$ 75 mil pagos pelo touro aberdeen angus Paineiras Arpão Guri 4918 são suficientes para se comprar três carros populares.

 

A valorização de BT Doriana, R$ 675 mil, maior preço pago por uma égua crioula, equivale a um apartamento, de 160 metros quadrados, com três suítes e três garagens, no bairro Moinhos de Vento da Capital.

 

Em alguns estabelecimentos, o aumento das reservas chega a ficar entre 30% e 40%.

 

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Agência Câmara

19/11/2007

 

Pecuária de Corte

Política Agricultura debate imposto sindical de agricultores

O debate foi proposto pelo deputado Celso Maldaner (PMDB-SC), em razão de denúncia feita à polícia por agricultores de Santa Catarina

 

 

Da Redação

 

 

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural realiza nesta terça-feira (20) audiência pública para discutir o Projeto de Lei 751/03, do deputado Assis do Couto (PT-PR), que define critérios de enquadramento de atividade rural para fins de recolhimento da contribuição sindical.

 

O debate foi proposto pelo deputado Celso Maldaner (PMDB-SC), em razão de denúncia feita à polícia por agricultores de Santa Catarina. Eles foram procurados por pessoas que se apresentaram como assessores jurídicos e "quase oficiais de justiça" e traziam consigo um "termo de acordo de contribuição sindical". Os agricultores disseram ainda que receberam ameaças, inclusive de cancelamento do CPF, caso não assinassem o documento.

 

Foram convidados para a audiência o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Fábio Salles Meirelles; o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel José dos Santos; representantes de federações da Agricultura e de Trabalhadores na Agricultura.

 

A audiência será realizada às 14 horas, no plenário 6.

 

O projeto

 

O PL 751/03 pretende eliminar divergências da atual legislação sobre os conceitos de trabalhador e de empregador rural. Conforme o projeto, trabalhador é a pessoa física que presta serviço a empregador rural mediante remuneração de qualquer espécie; e quem, proprietário ou não, trabalhe individualmente ou em regime de economia familiar, assim entendido o trabalho dos membros da mesma família, indispensável à própria subsistência e exercido em condições de mútua dependência e colaboração, ainda que com ajuda eventual de terceiros.

 

O empresário ou empregador rural, por sua vez, é assim definido: a pessoa física ou jurídica que, tendo empregado, empreende, a qualquer título, atividade econômica rural; quem, proprietário ou não, e mesmo sem empregado, em regime de economia familiar, explore imóvel rural que lhe absorva toda força de trabalho e lhe garanta a subsistência e progresso social e econômico em área superior a quatro módulos rurais da respectiva região; e os proprietários de mais de um imóvel rural, desde que a soma de suas áreas seja superior a quatro módulos rurais da respectiva região.

 

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Valor Econômico

20/11/2007

 

Pecuária de Corte

Ministério fará mudanças no Sisbov para atender a exigências européias

 

 

Mauro Zanatta

 

 

O Ministério da Agricultura prepara novas alterações nas normas do sistema de rastreamento de bovinos (Sisbov) para atender às exigências adicionais feitas por uma missão de nove especialistas da União Européia em visita de 14 dias ao país. A principal modificação deve ser a integração das bases de dados do Sisbov e dos sistemas de saúde animal dos Estados habilitados a exportar carne bovina à Europa.

 

Outras medidas devem reforçar a convergência dos dados listados na guia de trânsito animal (GTA), emitida pelos Estados para cada lote de animais, e a identificação individualizada dos bovinos prevista no Sisbov. As empresas certificadoras também serão submetidas a um maior rigor de auditoria realizada pelo ministério. 

 

Em longa reunião na sede do ministério, ontem, os técnicos europeus voltaram a cobrar das autoridades sanitárias brasileiras o cumprimento de uma ampla e detalhada relação de exigências, já detectadas em missões anteriores nas áreas de saúde animal, controle da febre aftosa, certificação da exportação e o gerenciamento dos focos surgidos em 2005. 

 

A avaliação também incluiu o controle das movimentações do gado, a identificação dos animais, o registro das propriedades no Sisbov, os controles internos dos frigoríficos e a rotulagem da carne. Outro ponto abordado foi o reforço dos controles dos animais de áreas autorizadas e não-habilitadas, como, por exemplo, as zonas intra-estaduais existentes em Minas Gerais e Mato Grosso. "Os europeus perceberam que, em função das exigências de missões anteriores, houve avanços em todos os aspectos", diz o secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Inácio Kroetz. "Mas eles ainda não fizeram julgamentos". 

 

Sob crescente pressão política de pecuaristas irlandeses e ingleses, a UE aumentou o rigor com o sistema e o produto brasileiros. O governo brasileiro avalia que as recomendações da missão, cujo rascunho deve chegar ao Brasil em 20 dias úteis, podem aumentar a demora para a retomada das exportações de Estados hoje suspensos pela UE ou levar à interdição de alguns estabelecimentos habilitados. Também está em jogo o acordo bilateral que faculta ao ministério a habilitação de plantas para exportação de carne bovina. 

 

Em seu relato preliminar, que levou em conta as dezenas de visitas feitas a fazendas, frigoríficos e portos, os europeus acusaram a falta de "auditoria sistemática" em saúde animal das autoridades federal e estaduais. Desta vez, a missão ampliou a auditoria a toda a cadeia produtiva, desde o porto até a criação do gado. 

 

Pelo relato inicial, houve ressalvas sobre treinamento dos fiscais agropecuários. Mas, segundo fontes que participaram da reunião de ontem, houve respostas "convincentes" aos controles do trânsito de gado nas áreas de fronteira, eficácia da vacinação (comprovada com um amplo estudo no gado imunizado), a modernização de laboratórios de análise animal e o aumento dos controles sobre a emissão de certificados sanitários internacionais para a carne bovina. Na questão legal, o ministério apresentou as mudanças para atender a definição de "foco de aftosa". 

 

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O Estado de S. Paulo

20/11/2007

 

Pecuária de Corte

UE cobra fiscalização mais rígida da carne brasileira

Europeus temem que animais de áreas não aprovadas sejam abatidos em áreas aprovadas e a carne exportada

  

Fabíola Salvador

 

 

Técnicos da União Européia (UE) que estiveram inspecionando fazendas no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas, Paraná e São Paulo apontaram falhas no combate de doenças no rebanho nacional, principalmente a febre aftosa. Numa reunião tensa com representantes da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, eles pediram mais agilidade nas ações do governo e alertaram para a necessidade de que os programas para eliminar a doença sejam colocados em prática.

 

Atualmente, a União Européia não importa carne in natura do Mato Grosso do Sul e do Paraná, devido ao surgimento de focos de aftosa em 2005. Pela proximidade geográfica, também a produção de São Paulo foi barrada. A UE é o principal mercado para a carne brasileira, absorvendo 33% das exportações.

 

FISCALIZAÇÃO

 

Na reunião de ontem, os europeus demonstraram preocupação em relação ao sistema de fiscalização de trânsito de animais. Eles temem que animais de áreas não aprovadas pela Comissão Européia sejam abatidos em áreas aprovadas e que a carne seja enviada para o bloco. Sobre o controle de trânsito de gado nas fronteiras do País, os técnicos não apontaram inconformidades, disse uma fonte do governo.

 

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz, disse que os europeus apontaram problemas pontuais, mas assegurou que as deficiências serão sanadas. “Nada é tão é perfeito que não possa ser melhorado”, afirmou.

 

Durante a visita de 14 dias, os europeus avaliaram de forma positiva o sistema de análises laboratoriais do Brasil e também o novo modelo de rastreabilidade, que prevê a certificação por propriedade e não por animal. O novo Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov) prevê a identificação de todos os animais criados numa fazenda, do nascimento até o abate, o que garante a classificação do Sisbov. No modelo antigo, podiam conviver, numa mesma propriedade, animais rastreados e não rastreados. No novo sistema, isso não será permitido, de acordo com o governo.

 

Apesar da avaliação positiva, os técnicos demonstraram preocupação com o fato de os dois modelos de certificação estarem convivendo. A certificação por fazenda será única a partir de 1º de janeiro de 2008.

 

RELATO

 

A expectativa do ministério é de que a missão elabore um relatório com as impressões da visita e encaminhe o documento ao Brasil num prazo de até 20 dias úteis. O País poderá responder e prestar esclarecimentos adicionais às informações técnicas. Esse documento será remetido para Bruxelas, que só então se manifestará de forma conclusiva sobre as exportações de carne bovina brasileira para o bloco. Como o documento será técnico, no caso de possível suspensão das compras de carne do Brasil, a decisão será política e caberá ao comissário europeu, Markos Kyprianou.

 

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Valor Econômico

21/11/2007

 

Pecuária de Corte

UE exige e país pode mudar as guias de trânsito animal

 

Mauro Zanatta

  

O Ministério da Agricultura planeja impor a pecuaristas e indústrias exportadoras de carne bovina para a União Européia um novo tipo de guia de trânsito animal (GTA) para dar mais transparência às movimentações do gado no país, apurou o Valor. 

 

A medida, em discussão técnica interna no ministério, tem aval político do ministro Reinhold Stephanes e será apresentada amanhã a representantes de criadores, frigoríficos e das empresas certificadoras que operam o sistema de rastreamento de bovinos (Sisbov). Parlamentares e secretários estaduais de agricultura também devem participar da decisão. 

 

A alteração atende a uma exigência feita pela missão veterinária da UE em visita oficial ao país: a integração das bases de dados do Sisbov e dos sistemas de saúde animal dos Estados habilitados a exportar carne bovina à Europa. Em reunião na sede do ministério, na segunda-feira, os membros da missão foram explícitos ao vincular a manutenção das exportações às alterações. Em jogo, estão embarques ao bloco de US$ 1,3 bilhão registrados em 2006. 

 

Ao apresentar relato parcial sobre os "achados" e as "inconsistências" dos sistemas de saúde pública e animal do Brasil, os europeus exigiram a convergência dos dados contidos na guia de trânsito animal (GTA), emitida pelos Estados para cada lote de animais movimentados, e no Documento de Identificação Animal (DIA), uma relação individualizada para cada boi registrado no Sisbov. "Eles foram bastante claros: ou fazemos as mudanças ou ficamos fora do mercado europeu", revelou uma fonte envolvida nas negociações. 

 

Hoje, os técnicos das secretarias de Defesa Agropecuária e de Desenvolvimento Agropecuário debaterão duas alternativas. A primeira, mais arriscada sob o ponto de vista europeu, seria anexar a relação detalhada (DIA) ao lote discriminado (GTA). Mais trabalhosa e transparente, a outra opção seria tornar obrigatória a emissão de um novo documento eletrônico que reuniria as informações da GTA e do DIA. 

 

A transformação de informações sigilosas como os estoques de gado nas fazendas em relatórios abertos torna altamente complexa a escolha e a discussão dentro da cadeia produtiva. Os pecuaristas não admitem abrir os dados, e os frigoríficos tampouco querem arcar com novos custos do processo. 

 

Por outro lado, há a pressão econômica traduzida na forte demanda por carne na Europa. Nos bastidores, o ministério avalia ter chegado o momento de tornar mais transparentes e acessíveis os dados sobre trânsito animal no país. Alguns especialistas do governo avaliam que, ao abrir os dados, poderiam vir a tona eventuais fraudes existentes no atual sistema de GTA manual. O foco de aftosa no Paraná em outubro de 2005, por exemplo, só foi confirmado em razão do sistema de GTA eletrônica implantada no Estado. Por ali, foi possível rastrear o caminho percorrido pelos animais infectados em Mato Grosso do Sul e transportados até o Paraná. 

 

As mudanças também devem alcançar as certificadoras do Sisbov, já que a missão relatou algumas fraudes no sistema. Hoje, 20 das 52 certificadoras registradas pelo ministério têm problemas que resultaram em desligamento, suspensão ou advertência. 

 

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Folha de S. Paulo

24/11/2007

 

Pecuária de Corte

Carne deve subir com suspensão de embargo russo

Após 2 anos, Rússia volta a comprar carne brasileira.

Ministro afirma que produto pode ficar mais caro

  

IURI DANTAS

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

  

Após dois anos de embargo por problemas de defesa sanitária, a Rússia informou que voltará a importar carne bovina e suína de oito Estados brasileiros - São Paulo, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás e Pará.

 

Os russos são os principais consumidores de carne brasileira, sendo responsáveis pela importação de 25% da carne exportada pelo país.

 

Dado o tamanho do mercado russo, o fim do embargo anunciado ontem pode resultar em aumento de preço da carne para o consumidor brasileiro, na avaliação do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

 

"Os preços de forma geral estão sendo ditados pelo mercado internacional. Os preços no mercado lá fora têm melhorado e isso provoca reflexo no mercado interno", analisou.

Especialistas e representantes do setor têm avaliação diferente da do ministro.

 

"Não haverá impacto tão grande no mercado interno, as exportações são muito boas para o consumidor brasileiro, pois os frigoríficos vendem alguns cortes e o restante da carcaça vai para o mercado interno", analisou o professor Sérgio de Zen, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo.

 

De acordo com Zen, cortes tradicionais como maminha, picanha, acém, patinho e lagarto costumam sair do pasto para os supermercados, enquanto filé mignon, alcatra, contrafilé, coxão duro e coxão mole embarcam para o exterior.

 

Para o presidente da Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos), Péricles Pessoa Salazar, os embargos enfrentados pelo Brasil geram capacidade ociosa na indústria e o consumidor só verá aumento substancial no preço depois que o problema for superado.

 

"Não acredito em aumento de preço, isso não acontece. À medida que usarmos a capacidade ociosa vai vir o aumento." O Brasil ainda enfrenta embargos de alguns países asiáticos e da União Européia.

 

Para Paulo Mustefaga, assessor técnico da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária), o fim do embargo russo exigirá "mudanças de logística" dos produtores, que voltarão a exportar para aproveitar os bons preços lá fora.

 

A Rússia suspendeu a compra de carnes brasileiras no dia 13 de dezembro de 2005, mas retomaram as compras do Mato Grosso, Rondônia e Rio Grande do Sul. Além da queda nas exportações, a decisão russa acabava impedindo o trânsito de carne entre Estados brasileiros.

 

Principal commodity

O apetite pela carne do Brasil deve elevar o produto à primeira posição da balança do agronegócio, segundo o ministro da Agricultura, ultrapassando as exportações de soja. "No médio prazo, vamos suplantar a soja", disse Salazar, da Abrafrigo.

 

Hoje, o Brasil exporta cerca de US$ 12 bilhões do chamado complexo carnes, que inclui aves, suínos e bovinos.

 

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O Estado de S. Paulo

25/11/2007

 

Pecuária de Corte

Falhas na defesa sanitária

 

 

Foram tensas as discussões entre técnicos do Ministério da Agricultura e membros da missão da União Européia (UE) que, durante duas semanas, inspecionaram fazendas em seis Estados brasileiros e viram falhas no combate a doenças no rebanho nacional, principalmente a febre aftosa. Pressionada por pecuaristas irlandeses e ingleses, a UE fez exigências mais rigorosas para comprar carne brasileira. Dentro de três semanas, encaminhará a Brasília um relatório da visita. Se necessário, o governo responderá à UE, que só então se manifestará de maneira conclusiva.

 

A UE suspendeu a importação de carne in natura de Mato Grosso do Sul e do Paraná, onde foram identificados focos de febre aftosa em 2005. Por causa da proximidade, também a carne de São Paulo teve a importação suspensa. Na reunião com técnicos do Ministério da Agricultura, os representantes da UE cobraram o cumprimento de providências que haviam sido exigidas por missões anteriores que estiveram no Brasil e disseram estar preocupados com falha no sistema de fiscalização do trânsito de animais. Eles temem que animais de áreas não aprovadas pela UE sejam abatidos em áreas aprovadas e que a carne seja exportada para o bloco.

 

O grau de exigência dos europeus irritou produtores brasileiros. O presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), Antenor Nogueira, disse que o governo brasileiro deveria exigir que a UE aplicasse a seu rebanho as mesmas regras que quer ver aplicadas no Brasil. É uma proposta inócua. Se a UE fizesse isso, seu efeito prático seria nulo para nós: o Brasil não compra carne da Europa. Já a Europa, sim, compra carne do Brasil, e em grandes quantidades. Ela absorve 33% da carne bovina exportada pelo País. Por isso, suas exigências devem ser examinadas com atenção.

 

Mas elas não são novas. A pressão européia apenas reforça a necessidade de se recuperar com urgência o sistema de defesa agropecuária, cuja fragilidade ficou evidente com o ressurgimento da febre aftosa há mais de dois anos. A resposta do governo ao problema tem sido tímida - e, no fundo, foi isso que disseram os europeus. Prova da pouca atenção das autoridades à questão se tem quando se examinam os recursos orçados para os programas de defesa animal e a execução orçamentária. O valor destinado para esses programas é insuficiente e, ainda assim, só uma parte é efetivamente aplicada.

 

Na proposta de Orçamento para 2008, mostrou o jornal Valor, o governo aumentou em 70% os recursos para a rede de laboratórios de análise animal do Ministério da Agricultura e dobrou os recursos para o Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa. Mas o valor previsto para a vigilância sanitária de animais nas divisas estaduais, que mereceu críticas dos importadores de carne, será apenas 13% maior. Já as áreas de vigilância e fiscalização do trânsito de animais nas fronteiras, de controle de resíduos e contaminantes de animais e vegetais e de inspeção industrial de produtos e derivados de origem animal terão orçamento menor em 2008.

 

O que a execução orçamentária ao longo do ano tem mostrado é que, mesmo quando há recursos, eles não são utilizados adequadamente. Faltando pouco mais de um mês para terminar o ano, o Ministério da Agricultura só aplicou 52% dos investimentos de R$ 195,8 milhões que o Congresso Nacional aprovou para 2007. Do cálculo, foram excluídos os gastos autorizados por emendas parlamentares e os referentes a apoio administrativo. Se contados esses valores, o volume aplicado cai para 33,6%. Se considerar apenas o que foi efetivamente pago (ou liquidado, como se diz na linguagem oficial), o índice se reduz para 18,1%.

 

Parte da lenta gestão orçamentária se deve ao contingenciamento de verbas necessário para o cumprimento das metas de superávit primário. Mas outra parte se deve ao próprio Ministério da Agricultura. Se estivesse efetivamente preocupado em combater a febre aftosa, ele teria aplicado mais do que os 44% que aplicou dos recursos destinados ao desenvolvimento da bovinocultura, que inclui a erradicação da moléstia. Se assim tivesse agido, teria mais argumentos para expor aos importadores, cujas queixas seriam menores. 

 

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Valor Econômico

26/11/2007

 

Pecuária-de-Corte

Proposta de "nacionalizar" cota de exportação de carne ganha adeptos

 

 De Buenos Aires

 

 A Câmara dos Deputados da Argentina já tem três projetos de lei propondo a nacionalização da chamada Cota Hilton - índice que fixa a participação de cada país no mercado europeu de carne in natura. O principal deles é de autoria do deputado Alberto Cantero, da coligação Frente Para a Vitória (FPV), do presidente Néstor Kirchner. Cantero, que é membro da Comissão de Agricultura da casa, defende não apenas a prioridade de distribuição da cota para indústrias controladas por empresários nacionais, mas também que pelo menos 20% da cota sejam destinados aos micros e pequenos frigoríficos das províncias mais pobres, no Norte e Nordeste do país. 

 

"O que queremos discutir é por que vamos vender a nossa Cota Hilton para os estrangeiros", disse ao Valor Pablo Checura, principal assessor do deputado Cantero. "O projeto não é contra o Brasil nem contra outros países. Mas seria bom se o Brasil negociasse para ampliar sua cota na União Européia e não comprasse frigoríficos argentinos apenas para beneficiar-se da nossa cota", disse ele. 

 

A Cota Hilton é um sistema de compensação da União Européia a alguns países exportadores (entre eles Brasil, Argentina e Uruguai), negociado nos anos 80. Por esse sistema, os exportadores de carne bovina de primeira qualidade podem vender na Europa sem passar pelas travas tarifárias e não-tarifárias pelas quais passa a carne vendida fora da cota. Cada país tem uma cota diferente, calculada de acordo com um histórico de venda no mercado europeu. 

 

A cota argentina é quase seis vezes maior que a do Brasil. São 28 mil toneladas anuais, vendidas a um preço que varia de US$ 10 mil a US$ 15 mil, o dobro do que se paga pela carne fora da cota, que rendem ao país US$ 300 milhões. Ter acesso a esse filão do mercado europeu foi o motivo que levou frigoríficos brasileiros a investir centenas de milhões de dólares na aquisição de empresas na Argentina e também no Uruguai. 

 

Atualmente, a distribuição das cotas é feita anualmente pela Secretaria de Agricultura. O critério vigente hoje divide as cotas pelos produtores, na maior parte (70%) tomando por base as exportações realizadas nos últimos três anos ("past performance"). Os 30% restantes são entre um grupo de produtores em geral, pequenos e grandes, independentemente da quantidade vendida. Os projetos no Congresso fazem mais ou menos a mesma proposta: substituir o critério de "past performance" por origem do capital dos frigoríficos, com prioridade para os nacionais. 

 

Segundo o Consórcio de Exportadores de Carnes da Argentina (ABC), cinco frigoríficos estrangeiros detêm mais de 40% da Cota Hilton do país, já que respondem também por 45% a 50% das exportações de carne argentina, que beira as 300 mil toneladas anuais, com faturamento acima de US$ 700 milhões. São eles o Swift (que pertence ao JBS), Finexcor e Carnes Pampeanas (controlados pelas americanas Cargill e Tyson Food respectivamente), AB&P e Quickfood, do brasileiro Marfrig. 

 

O JBS (Friboi), um dos que serão atingidos pela nacionalização da Cota Hilton, já investiu US$ 100 milhões na aquisição de seis frigoríficos no país e tem a Argentina como parte fundamental de seu projeto de expansão internacional. O presidente do grupo, Joesley Batista, disse que a proposta "não faz sentido" e que não acredita que o Congresso argentino vá aprovar a medida. "É uma proposição que não vai adiante, a não ser que queiram abrir uma guerra comercial contra o Brasil", afirmou Batista. 

 

Segundo Checura, as discussões sobre o projeto de lei ainda são incipientes (o Congresso argentino está discutindo o orçamento de 2008), mas ele acredita que até meados de 2008 os deputados terão entrado em acordo para consolidar um único documento a partir dos três apresentados. (JR)

 

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Valor Econômico

26/11/2007

 

Pecuária-de-Corte

Rússia suspende embargo a carnes

 

Mauro Zanatta, Alda do Amaral Rocha e Vanessa Jurgenfeld, de Brasília, São Paulo e Florianópolis.

 

 

O Ministério da Agricultura confirmou sexta-feira a reabertura do mercado russo para as carnes suína e bovina produzidas em Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Amazonas e no sul do Pará. A medida, que vigora a partir de 1º de dezembro, permitirá atender a um mercado que compra 15% da carne bovina e 70% da carne suíno brasileira. "Servirá como efeito-demonstração para outros países, o que, com certeza, favorece nossa condição externa", disse o ministro Reinhold Stephanes. 

 

Esses Estados sofriam embargo desde outubro de 2005, mas a Rússia começou uma gradativa liberação em 2006. Em abril, permitiu a compra de carne suína e bovina do Rio Grande do Sul. Em agosto, liberou suínos e bovinos de Mato Grosso e carne bovina de Goiás e São Paulo. 

 

As negociações entre Brasil e Rússia começaram há seis meses, quando o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, teve reunião com o diretor do Serviço de Inspeção Federal russo, Evgueni Neplokonov. De lá para cá, houve três encontros bilaterais para restabelecer o comércio. 

 

A desconfiança russa estava nas dificuldades do governo brasileiro em comprovar controle sobre os focos de aftosa descobertos em Mato Grosso do Sul e Paraná. Em seguida, passaram a exigir garantias sobre os certificados sanitários emitidos pelo Brasil, afirmando ter apreendido em seus portos cargas com documentação falsificada. O ministério passou a emitir, desde agosto, o certificado em papel-moeda. Outro problema eram as "inconformidades" detectadas em alguns frigoríficos habilitados a exportar para a Rússia. Pelo menos dez das 180 plantas habilitadas para exportação foram descredenciadas pelo ministério nesses seis meses. 

 

Fontes do setor afirmam que a alta dos preços, principalmente de carne suína, no mercado russo, também contribuiu para o fim do embargo. Segundo uma dessas fontes graduadas, a Rússia importava 500 mil toneladas de carne suína por ano da China, país onde a suinocultura é afetada pela doença da "orelha azul". A menor oferta chinesa de suínos já eleva os preços, por isso a Rússia quer garantir o fornecimento no futuro. 

 

O presidente da Abipecs (reúne exportadores de carne suína), Pedro de Camargo Neto, disse que a medida significa ganhos para 2008, com o aumento de vendas para a Rússia e manutenção de mercados conquistados pós-embargo. Entre janeiro e outubro de 2005, o país exportou US$ 695 milhões em carne suína para a Rússia, valor que caiu US$ 499,3 milhões no mesmo período deste ano. 

 

Para Ricardo Gouveia, diretor do Sindicarnes-SC, o fim do embargo é o reconhecimento do trabalho de defesa sanitária catarinense, que conseguiu status de livre de aftosa sem vacinação junto à OIE em maio deste ano, e do trabalho de informações junto à Rússia. Wolmir de Souza, presidente da Associação dos Criadores de Suínos de SC (ACCS), diz que o prejuízo do período em que o Estado esteve sem exportar à Rússia "é incalculável". Segundo ele, o preço ao produtor caiu para abaixo de R$ 1 o quilo, animais ficaram represados no campo e produtores que saíram da atividade. 

 

A Rússia era o principal mercado de Santa Catarina, responsável pela compra de cerca de 70% do total exportado pelo Estado. Segundo a secretaria de agricultura de SC, antes do embargo, o Estado vendia quase 20 mil toneladas por mês aos russos. Em quase dois anos de embargo, o Estado perdeu cerca de US$ 750 milhões. De janeiro a outubro deste ano, o Estado exportou 140 mil toneladas (US$ 246 milhões), uma média de 14 mil toneladas por mês. 

 

Apesar do embargo, as exportações de carne bovina para a Rússia até cresceram, uma vez que os frigoríficos conseguiram redirecionar a produção destinada à exportação. Entre janeiro e outubro de 2005 eram de US$ 487,9 milhões e subiram para US$ 763,2 milhões no mesmo período este ano. "A Rússia é cada vez mais dependente da carne do Brasil e quer aumentar as fontes de suprimentos", disse Pratini de Moraes, presidente Abiec (exportadores de carne bovina). 

 

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Valor Econômico

26/11/2007

 

Pecuária-de-Corte

Stephanes critica seus antecessores pela demora em derrubar restrição

  

De Brasília

  

O ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, aproveitou o anúncio da retomada das exportações de carnes à Rússia, após dois anos de embargo, para alfinetar seus antecessores pela demora em derrubar a restrição. 

 

Em duas ocasiões, ele apontou estratégias equivocadas e criticou a falta de decisão para reabrir um dos mais importantes mercados consumidores da carne brasileira. "Faltava decisão, atitude, trabalho e ação", declarou. "Nosso problema era adotar ações, que simplesmente não eram tomadas. Não é problema de pessoal nem de recursos. É de sistemas, métodos e ações", afirmou o ministro. 

 

No posto desde março deste ano, Stephanes substituiu o atual vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Luís Carlos Guedes Pinto. Os focos de aftosa eclodiram em outubro de 2005, na gestão Roberto Rodrigues. 

 

"O Brasil contestava as exigências e o setor privado discordava da Rússia. Nós resolvemos cumprir as exigências. Vamos fazer a quarta viagem à Rússia em seis meses, mostrando a importância desse mercado, para superar as divergências". Questionado sobre eventual "má gestão" de seus antecessores, o ministro reagiu: "Não vou responder nem há necessidade de responder.”.

 

O ministro também elogiou as ações do ministério para atender às exigências da UE, sobretudo na melhoria do sistema de rastreamento de bovinos (Sisbov). Segundo ele, as alterações anunciadas na semana passada, inclusive a unificação do comando na Secretaria de Defesa Agropecuária, "resolveu em grande parte os problemas de controle". E emendou: "Possivelmente, estaremos no caminho para resolver as questões com a União Européia." (MZ).

 

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Valor Econômico

27/11/2007

 

Pecuária de Corte

Reabertura russa pode não ser imediata

 

 Mauro Zanatta

 

 A "retomada imediata" dos embarques de carnes bovina e suína do Brasil para a Rússia, anunciada na sexta-feira pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, corre o risco de não ser tão imediata assim. 

 

Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Inácio Kroetz, a retomada dependerá do status sanitário de cada unidade industrial à época da declaração do embargo - que foi imposto no fim de 2005 depois da descoberta de casos de febre aftosa em bovinos no Mato Grosso do Sul e no Paraná. 

 

Kroetz esclareceu que as plantas que até então eram habilitadas para vender o produto aos russos terão de atender aos novos requisitos de embalagem individual das peças com etiquetas de origem, envio das cargas diretamente da indústria aos entrepostos nos portos e emissão do certificado sanitário internacional em papel-moeda. 

 

Para estas unidades, o secretário de Defesa Agropecuária informou que será necessária a realização de uma nova auditoria do ministério para confirmar o cumprimento das medidas. "Temos que verificar se está havendo o atendimento dessas exigências", afirmou, por telefone, de Pequim, onde está negociando um acordo bilateral sanitário com a China para a venda de carnes bovina, suína e de frango. 

 

A habilitação de novas plantas, que ainda não exportavam para a Rússia à época do embargo, dependerá de uma auditoria conjunta composta por especialistas brasileiros e russos. Nesse caso, informou Kroetz, as autorizações para exportar devem ficar para 2008. 

 

Para acertar os detalhes da reabertura do mercado russo, o secretário brasileiro deverá ter, em Moscou, uma reunião final nesta semana com o chefe do Serviço de Sanidade Animal e Vegetal da Rússia, Sergei Dankvert. Kroetz afirmou que ainda não há uma decisão sobre a necessidade da visita de uma missão veterinária russa ao Brasil antes da retomada acordo. "Em princípio, não vejo necessidade de nova missão. Mas vamos decidir isso na reunião desta semana". (Colaborou FL) 

 

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Valor Econômico

27/11/2007

 

Pecuária de Corte

UE volta a subsidiar carne suína

 

 Assis Moreira

 

Marisa Cauduro/Valor

Pedro de Camargo Neto, presidente da associação dos exportadores brasileiros de carne suína: "tremendo retrocesso"

 

 

A União Européia anunciou ontem que voltará a subsidiar as exportações de carne suína do bloco, para ajudar os criadores locais a encarar o ganho competitivo que Brasil, Estados Unidos e Canadá tiveram no mercado internacional em razão da contínua desvalorização do dólar.

 

Encarada como um "tremendo retrocesso" por Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), a notícia emergiu no mesmo dia em que Bruxelas decidiu suspender as taxas de importação de cereais. Na contramão do "protecionismo" para a carne suína, a "liberalização" para os cereais - que poderá aliviar os custos dos suinocultores - decorre do forte aumento dos preços agrícolas no exterior. 

 

Vale observar, ainda, que a comissária de agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, comunicou aos ministros europeus sua intenção de retomar os subsídios à exportação de carne suína apenas um mês depois de ter rejeitado a mesma demanda, então apresentada por França, Polônia e Irlanda. A ajuda servirá para compensar a diferença entre os atuais preços do produto no mercado internacional e o preço mais elevado em países da UE. 

 

Na Europa, há excesso de produção de suínos. Esta superoferta derrubou os preços em 11% em um ano, período em que os criadores viram a fatura subir com a alta das matérias-primas para a ração de seus animais. Recentemente, o governo francês reclamou que 30% da produção de suínos do país era vendida fora da UE, sobretudo para Rússia, Japão e Coréia do Sul. E, com o euro forte, pedia ajuda para enfrentar a concorrência, que exporta mais, com preço menor e em dolar americano "fraco". Um plano europeu de assistência para a formação de estoques privados de carne suína fracassou. A idéia era que os produtores guardassem pelo menos parte da produção em frigoríficos à espera de recuperação dos preços, mas isso não aconteceu. 

 

Neste cenário, os criadores europeus de suínos tiveram na decisão do bloco de suspender as taxas de importação de cereais outro alento, uma vez a produção européia de grãos é modesta. A UE espera estimular importações de todos as origens, principalmente de trigo com menos qualidade - que pode ser utilizado em rações - da Rússia, Ucrânia e Cazaquistão. Mas poderá haver surpresas, já que Moscou pretende restringir suas exportações de cereais para evitar problemas de abastecimento em pleno período eleitoral. A Rússia já aplica taxa de 10% sobre suas exportações de trigo, e quer aumentá-la para 30% ou 50%. 

 

Para a Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), a tensão no mercado de grãos deverá continuar. Afinal, pelo terceiro ano consecutivo, o consumo poderá superar a produção mundial. Na safra 2006/07, a produção global declinou 4,6% e os estoques baixaram 15%, menor nível em 20 anos. Para 2007/08, as projeções são de que produção e consumo vão aumentar - e os estoques deverão recuar de 102 milhões para 92 milhões de toneladas. O movimento reflete a queda nas produções agrícolas de Austrália e Ucrânia, principalmente. Embora a oferta global de milho deva ser recorde este ano após colheita excepcional nos EUA, o preço do grão deve seguir em alta diante da demanda para a produção de etanol altamente subsidiado. (Colaborou Fernando Lopes, de São Paulo) 

 

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Valor Econômico

04/12/2007

 

Pecuária de Corte

Uma nova certificação para exportar à Rússia

 

 Alda do Amaral Rocha

 

 

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz, esclareceu, sábado, que as plantas brasileiras que estavam habilitadas a exportar para a Rússia carne para processamento naquele país terão de ser certificadas para o varejo para retomarem as vendas. No fim de novembro, o ministério anunciou o fim do embargo russo às carnes bovina e suína de oito Estados brasileiros, imposto em dezembro de 2005 por conta de focos de aftosa em Mato Grosso do Sul e no Paraná. 

 

Segundo Kroetz, que esteve em Kaliningrado no último fim de semana na inauguração da fábrica da Sadia no enclave russo, as plantas que antes do embargo estavam habilitadas para processamento terão agora que ter habilitação conjunta de Brasil e Rússia para varejo, que é mais rigorosa. Só atendendo a essa exigência poderão voltar a exportar para o mercado russo. 

 

Além disso, Kroetz já havia informado em 27 de novembro que as plantas que exportam à Rússia terão também de atender a requisitos de embalagem individual das peças com etiqueta de origem, envio das cargas diretamente da indústria aos entrepostos nos portos e emissão de certificado sanitário internacional em papel moeda. 

 

Kroetz informou que as medidas que vêm sendo acertadas entre Brasil e Rússia fazem parte de um memorando de entendimentos entre os dois países que culminará num novo acordo sanitário. "A Rússia está caminhando para a OIE [Organização Internacional de Saúde Animal], por isso está adequando os requisitos sanitários". Como mira a OMC, a Rússia precisa se adequar às regras da OIE, que é o órgão consultivo para saúde animal daquela entidade. 

 

Dessa forma, disse Kroetz, a Rússia caminha para aceitar o critério de zona de contenção, estabelecido em maio pela OIE. Para acertar outros detalhes do acordo, Kroetz deve voltar a se encontrar com representantes da área de sanidade animal da Rússia ainda este ano. 

 

A jornalista viajou a convite da Sadia. 

 

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Valor Econômico

04/12/2007

 

Pecuária de Corte

Itália quer aumentar a importação de bovinos vivos de Santa Catarina

  

Patrick Cruz

  

Anna Carolina Negri / Valor

Uma redução de tarifas poderia aumentar as vendas de alimentos italianos no Brasil, acredita o ministro De Castro

 

 

A Itália, que importa metade dos mais de 3 milhões de bovinos que abate por ano, pretende comprar até 200 mil cabeças de gado brasileiro. A missão do governo italiano que está nesta semana no país chega hoje a Santa Catarina para se reunir com o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e com pecuaristas do Estado. 

 

"Temos interesse em tudo, gado vivo ou carne processada, além de outros produtos. Existe potencial para que a Itália compre de 150 mil a 200 mil cabeças de gado brasileiro", diz o ministro da agricultura da Itália, Paolo De Castro. "Com negociação e ajustes na logística, é possível aproveitar essa oportunidade". 

 

O maior empecilho para o aumento das vendas de carne brasileira para o mercado italiano caiu em maio passado, quando Santa Catarina foi declarada pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) zona livre de febre aftosa sem vacinação - a União Européia só autoriza a compra de animais vivos de áreas que têm o certificado. Agora, os governos devem trabalhar para reduzir barreiras tarifárias. 

 

As tratativas têm que ocorrer no âmbito da Comissão Européia, o braço executivo da União Européia, mas é possível criar uma alternativa que reduziria a até 0% a taxa de importação para os animais vivos que embarcarem para a Itália, conforme Giorgio Starace, conselheiro do Ministério da Agricultura italiano. "Não poderia valer para toda a importação italiana, mas existe a possibilidade de isso ser feito para uma parte dela", afirma. 

 

Alemanha, França e Polônia estão entre os principais fornecedores de animais vivos à Itália. De acordo com Starace, o país tem interesse de reduzir a dependência de gado de outros países da Europa em virtude do aumento dos custos de criação no continente. A redução dos subsídios à agricultura tem diminuído a produção pecuária no bloco. 

 

Hoje, durante a visita da comitiva da Itália a Lages, principal pólo da pecuária em Santa Catarina, o governo do Estado lançará o programa de rastreabilidade de bovinos e bubalinos. Até junho do próximo ano, todo o rebanho do Estado, de aproximadamente 3,5 milhões de cabeças, deverá receber brincos de identificação. No Brasil, já são mais de 200 milhões de cabeças de gado. 

 

A passagem da comitiva italiana pelo Brasil não se limitará às negociações ligadas à pecuária. As taxas de importação de produtos alimentícios, como vinho e massas, que chegam a até 35%, inibem as exportações da Itália para o mercado brasileiro, afirma o ministro Paolo De Castro. "A Itália pode ser porta-voz do Brasil na Europa, mas é preciso que o Brasil mostre maior atenção com nossos problemas", disse ele. Vinhos e massas são os dois principais produtos alimentícios vendidos pelos italianos ao Brasil. 

 

No setor de alimentos, a balança comercial entre ambos é altamente desfavorável à Itália. Em 2006, o Brasil importou US$ 69 milhões em produtos alimentícios italianos, volume 22% superior ao do ano anterior. A Itália, em contrapartida, importou US$ 3,6 bilhões de artigos alimentícios brasileiros, um crescimento de 37,1% em relação a 2005. 

 

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Folha de S. Paulo

04/12/2007

 

Pecuária de Corte

Itália quer até 200 mil bezerros por ano   

  

DA REDAÇÃO

 

Muita conversa e pouco resultado. Esse tem sido o caminho tortuoso das relações comerciais do Brasil com a Itália. Para melhorá-las, especialmente no campo da agroindústria, Paolo de Castro, ministro de agricultura da Itália, está no Brasil.

 

Para tanto, Brasil e Itália devem buscar a redução das taxas e das proibições de entradas de produtos. No caso da Itália, isso pode ser feito com pedidos específicos pelos dois países, em Bruxelas, para a redução de tarifas.

 

Com isso, os brasileiros poderiam exportar vários produtos, inclusive carnes, com alíquota zero. A lista de compras dos italianos inclui carnes, soja, milho, álcool e biodiesel. Só em gado, os italianos prevêem a compra de 150 mil a 200 mil bezerros em pé por ano, 10% das importações do país.

 

Mas a Itália não quer apenas um local de compras. "Queremos reforçar a cooperação entre Brasil e Itália" e facilitar a "difícil relação" do Brasil com a Europa, tornando-se uma porta-voz dos brasileiros no continente europeu", diz Castro.

 

Em contrapartida, o Brasil deve reduzir as restrições a produtos italianos. Ele cita a bresaola, feita 100% com carne bovina brasileira, mas proibida de entrar no país. Outra reclamação dos italianos é a tributação às importações de "grano duro", especial para massas e produzido na Itália. (MZ)

 

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O Estado de S. Paulo

12/12/2007

 

Pecuária de Corte

Governo e empresários evitam comentar

  

Fabíola Salvador

  

Técnicos do governo e representantes de empresas evitaram comentar ontem a possibilidade de a União Européia (UE) impor novos embargos à exportação brasileira de carne bovina. Apesar de informações de Bruxelas indicarem que o bloco poderia limitar de forma significativa o número de empresas e frigoríficos autorizados a exportar, um representante do governo brasileiro disse que a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura não havia recebido nenhum comunicado oficial.

 

Já o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte, Antenor Nogueira, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), disse que por enquanto o assunto é “especulação”. “É difícil comentar qualquer coisa. Precisamos esperar o relatório oficial da missão européia.” Ele se refere ao relatório que começou a ser preparado depois da auditoria feita no mês passado por inspetores da UE nos Estados que têm autorização para venda de carne ao bloco.

 

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Valor Econômico

12/12/2007

 

Pecuária de Corte

Frigorífico terá de ser habilitado por auditores europeus   

 

 

Mauro Zanatta

 

 A manifesta disposição da União Européia de restringir ainda mais a importação de carne bovina brasileira deve incluir o fim da habilitação sanitária automática das unidades frigoríficas situadas em zonas autorizadas e a suspensão temporária do abate de bois originários de confinamentos. Nos bastidores, o Ministério da Agricultura já está preparado para enfrentar essas eventuais limitações, conforme apurou o Valor. 

 

A imposição de uma "cota branca" para os embarques brasileiros, avalia-se no governo, deve passar pela adoção da obrigatoriedade de habilitação dos frigoríficos exportadores por auditores europeus. O modelo, visto como um retrocesso na relação comercial bilateral, é adotado por alguns parceiros do Brasil, como Rússia e México, também em outros produtos. 

 

"É protecionismo, mas pode atender aos interesses internos deles", disse um dirigente do ministério. Dessa forma, a UE reduziria o volume exportado por meio da limitação das autorizações a poucas unidades industriais. Isso abriria espaço no bloco para absorver mais produtos ingleses e irlandeses, o que reduziria a forte pressão política dos pecuaristas daquela região. Além disso, seria um sinal importante de ampliação do rigor sanitário aos fornecedores e consumidores da UE. 

 

Descontentes com os precários controles adotados por algumas empresas de confinamento de bois, os europeus também devem impor restrições ao gado originário desse sistema de criação. Das 9 milhões de cabeças atualmente registradas no sistema de rastreamento de bovinos (Sisbov), quase 2 milhões estão localizadas em aproximadamente 25 confinamentos. 

 

O "aperto" poderia ser a aplicação da regra do prazo mínimo de permanência do gado no estabelecimento antes do abate - são 90 dias nas zonas habilitadas e 40 dias na última propriedade autorizada a exportar. Ou seja, quando entrar um animal novo no confinamento, o prazo seria zerado. Isso inviabilizaria a compra desse gado pelos frigoríficos habilitados a vender à UE. 

 

O arrocho contra os confinamentos estaria embasado no relatório da recente missão veterinária européia, que esteve por 14 dias no Brasil. Em uma companhia, os auditores afirmaram ter encontrado indícios de "bois fantasmas", sem registro no Sisbov ou sem a devida baixa na base de dados. Também disseram ter flagrado brincos do Sisbov de outro Estado, não-habilitado para exportar gado à União Européia. "Eles viram que não há garantia de 100% nesse sistema de criação", reconheceu uma fonte do ministério. 

 

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Estado de Minas

12/12/2007

 

Pecuária de Corte

Rebanho de MG é o que mais cresce

  

Graziela Reis

 

O Brasil amargou uma redução de 0,6% no rebanho bovino em 2006. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou no país 205,9 milhões de animais no fim do ano passado. Em dezembro de 2005, os dados indicavam a existência de 207,1 milhões de cabeças. A crise enfrentada pelos pecuaristas, frente aos baixos preços pagos pela arroba, é uma das justificativas para a queda no número de bovinos. Porém, em Minas, apesar do cenário de baixa valorização da carne não ter sido diferente, houve aumento de 3,7%. Foi o maior crescimento registrado entre os oito estados que se destacam pela criação de gado.

 

Nas fazendas mineiras, a Pesquisa Pecuária Municipal, divulgada ontem, registrou 22,3 milhões de animais no ano passado. O acréscimo foi de cerca de 800 mil sobre o resultado de 2005. Com isso, o rebanho mineiro passou a representar 10,8% do nacional. Em volume de animais, só perde para o Mato Grosso (12,7%) e para o Mato Grosso do Sul (11,5%). Segundo o gerente de Pecuária do IBGE, Octávio Costa de Oliveira, a diminuição do total de cabeças no país não ocorria desde 1996. “Mas as taxas de crescimento estavam em ritmo menor, por causas de problemas com a rentabilidade. Como os preços não eram estimulantes, houve venda de matrizes, o que comprometeu o crescimento”, explica.

 

O presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Corte da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Paulo Roberto Gomes de Almeida, explica que o aumento do rebanho mineiro é justificado por negócios não tão ruins entre os produtores que apostam no gado de elite e nos que optaram pelo leite. Ele lembra que o preço da arroba ficou entre R$ 45 e R$ 50 por muito tempo. “Só nos últimos meses que começou a melhorar”, diz. Atualmente está perto de R$ 70.

 

O sócio da Estância VRJO, de Uberaba (MG), Rafael Cunha Mendes, diz que na fazenda onde criam nelore conseguiram manter os negócios estáveis. “Foi uma vitória porque focamos na genética e não tivemos perdas no meio da forte crise que atingiu a pecuária”, comenta. Mas nas propriedades do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Acre, onde estão os gados de corte, ele confirma a redução nos últimos dois anos. Em sua opinião, só os pecuaristas voltados para a atividade leiteira conseguiram continuar investindo na ampliação do plantel de matrizes.

 

GADO LEITEIRO

 

De acordo com Oliveira, do IBGE, Minas ainda é o maior produtor de leite do Brasil. O levantamento mostrou que houve um aumento de 3,2% em 2006, quando a mesma atingiu 25,4 bilhões de litros. Minas responde por 27,9% do total, com 7,09 bilhões de litros. Os maiores municípios mineiros produtores de leite são Ibiá, Pompéu e Patos de Minas. Os que se destacam na criação de gado são Campina Verde, Prata e Unaí.

 

Apesar de Minas ser um estado forte na pecuária bovina, outras criações também estão ganhando força. Oliveira observa que o maior município produtor de suínos do país é Uberlândia, com 538,2 mil animais. A explicação para tamanha produção está na demanda expressiva pelas unidades da Sadia no município do Triângulo Mineiro. No país, o estado já é o quarto produtor de suínos, com 3,8 milhões de cabeças, ou 11% do rebanho nacional.

 

Minas ainda se destaca na criação de equinos, com o primeiro lugar e 15,1% do número de cavalos no país; de muares, com a segunda colocação ou 12,6% do rebanho nacional; na produção de ovos também com o segundo lugar ou 12,6% do Brasil; e, ainda, na criação de codornas. Em Minas, a criação das pequenas aves já é a terceira maior do país, com 616.784 cabeças, ou 8,6% do total nacional. 

 

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