PECUÁRIA LEITEIRA
Insumos derrubam poder de compra do produtor de leite
Operação da PF prende acusados de adulterar leite
Longa vida à base de soda cáustica e água
oxigenada
Procuradoria vai investigar falhas na
fiscalização do leite
Pesquisa aponta resíduo de antibióticos em leite cru
coletado em quatro Estados
Governo diz que leite não é risco
Mais nove empresas de leite sob suspeita
Mineira Itambé busca ampliar
venda externa
Análise da PF aponta
adulteração em 8 amostras de leite da Copervale
Laudo da PF confirma soda
cáustica em leite
Laudo confirma fraude em leite
Adulteração de leite é conhecida
Gazeta
Mercantil
04/10/2007
Pecuária de Leite
São
Paulo, 4 de Outubro de 2007 - A alta dos insumos diminuiu o poder de compra dos
produtores de leite no mês passado, mas apesar disso a valorização dos preços
do leite no ano e a volta das chuvas devem garantir a continuidade do aumento
da captação - que está em alta há três meses. A tendência é de volumes recordes
até dezembro - tradicionalmente o mês com maior captação. Com isso, as cotações
do produto tendem a se arrefecer, mas ficarem em patamares superiores aos de
2006. A expectativa é que a produção brasileira aumente entre 5% a 6% ante aos
2,3% do ano passado, quando o volume chegou a 25 bilhões de litros.
Segundo
analistas, a expectativa é que neste mês os preços pagos aos pecuaristas caiam.
Entre os laticínios consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia
Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) e a Scot Consultoria mais de
60% - em ambas as pesquisas - demonstraram intenção de reduzir as cotações e
cerca de 30% de manter os patamares - entre R$ 0,76 a R$ 0,80 o litro. "O
leite, que foi o vilão da inflação, pode ajudar a derrubá-la", diz Fábio
Silveira, economista da RC Consultores.
Cristiane
de Paula Turco, da Scot Consultoria, explica que quando analisados os oito
concentrados que compõem a suplementação alimentar o poder de compra do
produtor aumentou 23,27% em setembro na comparação com o mesmo período do ano
passado porque o preço do leite subiu mais que o dos insumos no período - 58,8%
contra 24%. No entanto, o milho é o principal ingrediente e, neste caso, houve
perda. Em setembro do ano passado, um litro de leite comprava 2,06 quilos de
milho. No mês passado a equação era de 2,01 quilos por litro. No período, a
melhor relação de troca ocorreu em julho: 2,77 quilos de milho para um litro de
leite, segundo a Scot Consultoria.
De
acordo com Cristiane, quando a comparação é apenas de setembro com agosto, os
números mostram que começa haver perda de poder de compra em todos os oito
concentrados. Estes produtos tiveram reajuste de 12%, enquanto a valorização do
leite foi de apenas 2,5%. "Mas a partir de agora, com as chuvas, as vacas
voltam para o pasto", diz a analista.
Os
preços do leite mais elevados durante todo o ano é que estimularam o aumento da
captação mesmo na entressafra. O índice do Cepea foi de 129,58 - recorde.
Segundo Gustavo Beduschi, pesquisador do Cepea, a volta das chuvas indica que os
volumes devem continuar recordes. "Com isso, haverá acomodação dos preços,
mas não há limite para quedas acentuadas", diz Rodrigo Alvim, presidente
da Comissão Nacional de Pecuária Leiteira da Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil (CNA). Em sua avaliação os valores de R$ 0,40 a R$ 0,50 o
litro praticados no ano passado não devem se repetir.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Neila Baldi)
Folha
de S. Paulo
23/10/2007
Pecuária de Leite
|
L. Adolfo |
|
Empregados de mercado
em Uberaba recolhem leite Centenário
PAULO
PEIXOTO
DA
AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
RENATA
BAPTISTA
DA
AGÊNCIA FOLHA
A
Polícia Federal prendeu ontem 27 pessoas suspeitas de adulterar leite longa
vida integral de várias marcas. A quadrilha, segundo a PF, usava produtos
impróprios para o consumo, como água oxigenada e citrato de sódio, para
aumentar o prazo de validade do produto.
As
prisões ocorreram nas cidades mineiras de Uberaba e de Passos. Dos detidos, 26
são ligados a duas cooperativas, que produziam cerca de 400 mil litros diários
de leite (a produção nacional é de 68,5 milhões de litros por dia). O outro é
do Ministério da Agricultura.
Entre os
presos está um químico de Batatais (353 km de SP), que, segundo a PF, criou a
fórmula usada pela cooperativa de Uberaba. O órgão diz que outras cooperativas
do país podem usar o mesmo método.
A
Direção Geral da PF determinou que sejam recolhidas amostras de leite em
comércios locais para detectar se há irregularidades em mais Estados. Segundo o
delegado-chefe da PF em Uberaba, Davidson José Chagas, funcionários da Casmil
(Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de Passos, e Copervale
(Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande), de Uberaba,
confirmaram a adição de produtos nocivos à saúde no leite.
Na
Copervale, a PF apreendeu cerca de mil litros de uma solução aquosa que seria
misturada ao leite. A cada litro de leite, cerca de 8% era constituído dessa
mistura (água oxigenada, soda cáustica, ácido cítrico, citrato de sódio, sal e
açúcar). A fórmula foi para análise.
A
professora-doutora Mirna Lúcia Gigante, que estuda a área de tecnologia de
leite e derivados na Unicamp, afirma que a mistura possivelmente foi usada para
conservar e para aumentar o volume do leite.
Ela cita
o citrato de sódio, cujo uso é permitido na fabricação do leite longa vida, e
que atua como um conservante.
Mirna
diz que outros componentes da mistura podem ter a função de mascarar a adição
dos componentes ou manter o PH semelhante ao do leite "puro" para que
a indústria não perceba que está comprando um leite modificado.
Edson
Credidio, diretor da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), afirma que a
água oxigenada tem um papel muito potente contra "bactérias
anaeróbias" (que não utilizam oxigênio ) e que poderia ser usada para
camuflar contaminantes bacterianos.
A PF
investiga a fraude há quatro meses, acompanhada dos Ministérios Públicos
Federal e Estadual, a partir de denúncias. Amostras do leite foram analisadas
pelo Ministério da Agricultura.
"O
laboratório verificou alta alcalinidade e baixa acidez. O laudo diz que os
produtos analisados são impróprios para o consumo humano", diz Chagas.
Segundo
ele, um outro laudo que deve indicar a quantidade dos produtos encontrados e
possíveis efeitos na saúde ainda não foi entregue à PF.
A Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária) diz que vai, preventivamente,
monitorar as indústrias que utilizam leite dessas cooperativas.
A
gerente de Vigilância em Alimentos da Secretaria da Saúde do Estado, Cláudia
Parma, afirma que o departamento não foi notificado para recolher os produtos
do mercado.
Segundo
ela, o consumidor que sentir alterações na textura ou odor do leite deve
comunicá-las à Vigilância Sanitária de cada município mineiro.
A PF
afirma também que ao menos três fabricantes compravam o produto das duas
cooperativas: Parmalat, Calu e Centenário. O órgão diz que não sabe para onde
esse leite era enviado e vendido.
Os
investigados deverão responder por crimes de falsificação e adulteração de
produto alimentício e formação de quadrilha. As penas podem chegar a até oito
anos de reclusão.
Valor
Econômico
23/10/2007
Pecuária de Leite
Agências
de notícias
A
operação "Ouro Branco" da Polícia Federal, em Minas Gerais, prendeu
ontem 26 pessoas - 17 em Uberaba e nove em Passos - acusadas de adulterar
leite. De acordo com a PF, os responsáveis pela Coopervale - Cooperativa de
Produtores de Leite do Vale do Rio Grande e Casmil - Cooperativa Agropecuária
do Sudoeste Mineiro, que estão entre os presos, admitiram a fraude no
leite.
As
cooperativas mineiras são acusadas de adicionar substâncias proibidas ao leite
para aumentar seu volume e conservar o produto por mais tempo.
A
Parmalat e a Calu (Cooperativa Agropecuária Ltda. de Uberlândia) estavam entre
os compradores de leite da Coopervale e da Casmil , segundo a Polícia
Federal.
Os
acusados tiveram prisões temporárias - de cinco dias, renováveis por mais cinco
- decretadas. A fraude foi descoberta após denúncias de outras cooperativas e
de ex-funcionários das empresas.
Entre os
produtos químicos manipulados pelas cooperativas, os policiais encontraram
grandes quantidades de soda cáustica (hidróxido de sódio) e de água oxigenda.
Amostras do leite longa vida estão sendo recolhidas em todo o Brasil, já que,
segundo a PF, o leite é fornecido para várias empresas. A operação teve a
participação de 200 policiais federais e servidores do Ministério da
Agricultura.
A
Parmalat disse, em nota, que não adquire produtos processados, envasados ou
embalados na Casmil e na Coopervale, segundo a Folha Online.
23/10/2007
Pecuária de Leite
Longa
vida à base de soda cáustica e água oxigenada
Kayo
Iglesias
A
Polícia Federal analisa amostras de leite vendido em todo o país depois da ação
que descobriu ontem contaminação no produto que era comercializado para os
Estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo. A Operação Ouro Branco prendeu 27
pessoas ligadas a duas cooperativas nas cidades mineiras de Uberaba e Passos.
Para aumentar o volume e o tempo de conservação, eram adicionadas ao leite
longa vida substâncias como água oxigenada e soda cáustica.
A
suspeita da PF é que a técnica tenha sido negociada e repassada a outras
produtoras. Segundo os agentes federais, foram apreendidas notas fiscais de
venda do leite da Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil) e da
Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale) para
grandes empresas alimentícias, como as multinacionais Nestlé e Parmalat. Em nota,
as empresas dizem não haver riscos no consumo de seus produtos.
Participaram
da operação, além dos agentes da PF, promotores do Ministério Público Estadual
e Federal. A fraude foi descoberta devido a denúncias de outras cooperativas e
de ex-funcionários das empresas. Depois das denúncias, amostras de leite
industrializado comprado das cooperativas foram analisadas.
- Foi
constatado um nível de substâncias alcalinas acima do normal, o que torna o
leite impróprio para consumo humano - contou o delegado Ricardo Ruiz da Silva,
um dos coordenadores da Ouro Branco.
Nas
sedes das cooperativas, os policiais apreenderam tonéis com substâncias usadas
para batizar o leite. A Coopervale e a Casmil produziam 450 mil litros de leite
por dia.
Técnicos
do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - que ajudaram a PF nas
análises - vão realizar novos testes com o leite recolhido. A Agência Nacional
de Vigilância Sanitária prefere esperar o resultado dos exames laboratoriais
para decidir pela retirada ou não de produtos lácteos do mercado.
Folha
de S. Paulo
01/11/2007
Pecuária de Leite
|
Lula Marques/Folha Imagem |
Assessores do deputado federal
Paulo Piau (PMDB-MG)
servem leite que ele levou à
Câmara
Da Folha
Ribeirão, em Uberaba
O
Ministério Público Federal de Minas Gerais abriu um inquérito civil para apurar
falhas no sistema de fiscalização do SIF (Serviço de Inspeção Federal), do
Ministério da Agricultura, e a possível existência de fraudes similares em
outros laticínios das regiões de Uberaba e Passos.
O
procurador da República de Uberaba, Bruno Nominato de Oliveira, pretende ouvir
nos próximos dias pessoas e autoridades mineiras envolvidas na fraude do leite.
"A permanência do fiscal do Ministério da Agricultura dentro dos
laticínios pode ter contribuído para as fraudes", afirmou.
A Folha
procurou ontem o ministério para comentar o assunto, mas não houve resposta até
o fechamento desta edição.
Na
semana passada, a operação Ouro Branco da Polícia Federal prendeu em Uberaba 19
pessoas acusadas de adicionar no leite substâncias como soda cáustica e água
oxigenada para aumentar o volume e o prazo de validade, entre elas diretores da
Copervale (Cooperativa Regional de Leite do Vale do Rio Grande).
Cinco
deles foram soltos na sexta-feira e, ontem à noite, seria libertado o
presidente, Luiz Gualberto Ribeiro Ferreira. Mesmo após sua saída, a Copervale
continuará sendo dirigida pelo interventor Geraldo Cardoso Sobrinho, segundo a
Justiça Federal.
Outros
quatro detidos em Passos também deixariam a cadeia ontem à noite.
As
suspeitas de adulteração do leite produzido no país já existiam há quatro anos,
de acordo com Jorge Rubez, 70, presidente da Associação Brasileira dos
Produtores de Leite.
Segundo
ele, há quatro anos foi feita a análise em parte dos laticínios e marcas do
Brasil e em aproximadamente 3% foram constatadas irregularidades, mas nada foi
feito e ninguém foi punido. "Não deu em nada porque o caso se perdeu na
burocracia."
Rubez
disse que, à época, poucos laboratórios do país tinham condições técnicas para
fazer a análise do soro do leite e que equipamentos foram comprados para
municiar os centros, mas o caso se perdeu em questões jurídicas.
"Nem
os nomes e a quantidade de empresas envolvidas foram divulgadas, mas o episódio
foi positivo para o setor", disse.
Apesar
de não ter havido punição, Rubez afirmou que a fiscalização acabou com a
fraude, porque todas as cooperativas sabiam que os órgãos estavam aparelhados
para encontrar possíveis irregularidades.
No caso
de Uberaba, na avaliação dele, a fraude só foi possível porque houve
participação de fiscais do SIF. "Tinha a conivência dos fiscais. Senão,
não faz [a fraude]. Muito raramente consegue fazer isso."
Apesar
de se dizer favorável à ação da PF, ele disse que foi exagerada. "Era
preciso ter prova, contraprova, multar e fechar. Depois da contraprova, tem
direito de defesa e, só depois disso, [poderia] prender."
Folha
de S. Paulo
01/11/2007
Pecuária de Leite
Pesquisa
aponta resíduo de antibióticos em leite cru coletado em quatro Estados
CÍNTIA ACAYABA
DA
AGÊNCIA FOLHA
Pesquisa
coordenada pela UEL (Universidade Estadual de Londrina) detectou a presença de
resíduos de antibióticos em amostras de leite cru do Paraná, de Minas Gerais,
de São Paulo e do Rio Grande do Sul.
Em 2005,
foram coletadas 210 amostras de leite direto do produtor ou em mercado
informal. Dessas, 24 (11,4%) apresentaram antibióticos. As amostras
ultrapassaram os LMRs (Limites Máximos de Resíduos), estipulados pelo
Ministério da Agricultura.
Nas 63
amostras de Londrina (PR), 13 (20,6%) tinham resíduos. Nas 48 de Viçosa (MG),
quatro (8,5%). Nas 50 de Botucatu (SP), quatro (8%). Nas 50 de Pelotas (RS),
três (6%).
O
Laboratório de Inspeção de Produtos de Origem Animal da UEL não acompanhou para
quais cooperativas locais as amostras colhidas foram encaminhadas.
"Não
há nenhum processo [fermentação, refrigeração, pasteurização] que retire o
antibiótico. Nas cooperativas, a concentração de antibióticos cai muito porque
o leite com resíduos é misturado com outros", disse Vanerli Beloti,
coordenadora do laboratório. "O leite mais perigoso é o do mercado
informal, porque não há diluição." O leite cru é consumido por 25% da
população, segundo o IBGE.
Os
antibióticos são usados, principalmente, no tratamento de mastites (inflamação
nas glândulas mamárias). Nas pessoas, podem causar reações alérgicas e bloquear
a ação de outros antibióticos em tratamentos médicos.
Instrução
normativa do Ministério da Agricultura que entrou em vigor em 2005 determinou
realização de análise periódica de antibióticos no leite.
Jornal do Brasil
01/11/2007
Pecuária de Leite
Governo
diz que leite não é risco
Vasconcelo
Quadros
Brasília.
A Agência Nacional da Saúde (Anvisa) e o Ministério da Agricultura garantiram
ontem em comunicado oficial conjunto que os lotes de leite apreendido pela
Polícia Federal em Minas Gerais durante a Operação Ouro Branco, na semana
passada, não oferecem riscos iminentes à saúde da população que já consumiu o
produto. As análises não explicam, entretanto, se o consumidor está livre de
eventuais efeitos nocivos a longo e médio prazos dos produtos químicos
utilizados.
Segundo
o comunicado, a mistura de soda cáustica, água oxigenada e outros produtos químicos
adicionados para gerar lucros caracteriza fraude econômica, que está sendo
apurada em inquéritos criminal e administrativo.
Embora o
Ministério da Agricultura garanta que vem reforçando a fiscalização em torno do
produto, as investigações da Polícia Federal demonstram que o uso de soda
cáustica e água oxigenada - que eram usadas apenas para lavar os tanques e as
caixinhas de leite - foi um drible dos produtores e do químico Pedro Renato
Borges, que inventou a fórmula nos alegados controles oficiais.
A fraude
vinha ocorrendo há cerca de três anos e o governo não descarta que a fórmula
tenha se espalhado pelo país inteiro. O dono da Coopervale, de Uberaba,
confessou em seu depoimento à polícia que a fórmula oferecida pelo químico
paulista gerava pelo menos 10% a mais do volume de leite. A cada 50 mil litros
de leite, a cooperativa misturava cinco mil litros de água, que não apareciam
nas análises porque a adição de 15 quilos de soda cáustica impedia que a
adulteração fosse identificada nas análises químicas.
Até a
Operação Ouro Branco, os técnicos do ministério concentravam as análises apenas
para detectar se havia adulteração com adição de soro do leite, uma das fraudes
mais antigas no ramo de laticínios. Na nota, o ministério informa que faz, diariamente,
10 mil análises sobre qualidade de leite, e a Anvisa diz que interditou os
produtos identificados com problemas - as marcas Parmalat, Centenário e Calu.
Dos 27
presos durante a operação, 22 foram libertados. A polícia estuda a
possibilidade de pedir a prisão preventiva dos cinco, entre os quais, estão o
presidente da Coopervale e Borges. O delegado responsável pelas investigações
em Uberaba e Passos, Ricardo Ruiz, vai ajudar os policiais de outras regiões do
país onde inquéritos forem abertos.
Jornal
do Comércio
01/11/2007
Pecuária de Leite
BRASÍLIA
– O presidente da Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande
(Coopervale), Luiz Galberto Ribeiro, confessou, em depoimento à Polícia Federal
que, de fato, misturava soda cáustica ao leite vendido a grandes empresas do
País. A Coopervale despejava em média 15 quilos de soda cáustica, produto
altamente corrosivo, em cada lote de 50 mil litros de leite. A pedido da PF, o
Laboratório Nacional Agropecuário, do Ministério da Agricultura, está fazendo
análise do material para avaliar o risco da mistura à saúde humana.
Ribeiro
foi um dos 27 presos pela Operação Ouro Branco, da PF, na semana passada. Mas,
mesmo depois da confissão do crime, o empresário foi solto.
O prazo
da prisão provisória, que era de cinco dias, se esgotou e a polícia não pediu a
renovação da ordem de detenção. O delegado Ricardo Ruiz, que está à frente das
investigações, entende que não há, no momento, necessidade de manter Ribeiro
preso.
O
presidente da Cooperavale disse que misturava a soda cáustica ao leite por
sugestão do químico identificado até o momento apenas como Pedro. “Ele disse
que seguia orientação do químico”, disse Ruiz, depois de participar de uma
reunião com o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa.
Também
interrogada por Ruiz, a maioria dos 19 funcionários da Cooperavale confirmou
que cabia ao químico combinar as doses da mistura de soda e água ao leite. O
grupo costumava adicionar 5 mil litros de água em cada 50 mil litros de leite.
O objetivo era aumentar o volume de leite longa vida.
O
químico negou a adição de soda cáustica ao leite. Pedro prestava serviços a
Cooperavale e a outros dez cooperativas e laticínios. Todos estão sob
investigação.
Na mesma
operação, a PF investiga ainda a adição de água oxigenada em leite vendido pela
Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), em Passos, próximo à
Uberaba (MG). A água oxigenada tem como objetivo retardar a deterioração do
produto, esticando o prazo de validade.
A PF não
soube dizer ainda se houve falha de fiscais agropecuários do Sistema de
Inspeção Federal (SIF) na vigilância do leite produzido em larga escala pelas
duas cooperativas mineiras. Ainda estão sendo recolhidas amostras de leite em
todo o País. A polícia poderá abrir outros inquéritos.
A polícia
suspeita de adulteração de leite também em Goiás. Um dos responsáveis pela
adição de água oxigenada ao leite da Casmil teria trabalhado para empresas
goianas antes de se mudar para Minas.
Numa
outra frente de investigação, a PF tenta descobrir outros tentáculos do esquema
de venda de queijo com data de validade vencida. O comércio do queijo
apodrecido foi descoberto logo depois da deflagração da Operação Ouro Branco.
Um empresário de Uberaba é acusado de vender 20 toneladas de queijo com data de
validade vencida ou prestes a vencer por semana para cidades do interior de São
Paulo. O queijo era comprado em Goiás.
O
Ministério da Agricultura e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
publicaram ontem um comunicado informando à população que o leite consumido no
Brasil é seguro.
Também
ontem, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG) levou à Comissão de Agricultura da
Câmara dos Deputados sacos de leite e embalagens com derivados produzidos pela
Casmil e Coopervale, numa tentativa de defendê-las da acusação de fraudar a
produção de leite do tipo longa vida. Diante de jornalistas, o deputado bebeu
do leite das cooperativas. O deputado Luiz Carlos Setin (DEM-PR) também tomou
do leite, com um pouco de café.
Correio
Braziliense
01/11/2007
Pecuária de Leite
Mais
nove empresas de leite sob suspeita
Edson
Luiz
Da
equipe do Correio
A Polícia
Federal vai investigar outras nove empresas do ramo de laticínios em Minas
Gerais e São Paulo, onde trabalha o químico que criou a fórmula com soda
cáustica usada na adulteração de leite. A fraude foi descoberta na semana
passada, durante a Operação Ouro Branco, desencadeada pela PF, que prendeu 27
pessoas. Investigadores suspeitam que o método foi usado em outros laticínios
não só no Triângulo Mineiro, mas também em outros estados. A PF vai apurar o
envolvimento de fazendeiros e empresas que tinham negócios com as cooperativas.
Os
policiais suspeitam que o profissional, que é natural de São Paulo, tenha
distribuído a fórmula em laticínios, fazendas, cooperativas de produtores de
leite e outras firmas do ramo. A maioria dos 19 depoimentos, tomados pelo
delegado Ricardo Ruiz, da delegacia da PF em Uberaba, confirmaram que a
determinação do uso da soda foi dada pelo químico. No caso da água oxigenada,
usada por cooperativas de Passos, no interior mineiro, a orientação era dada
por um profissional de Goiás, segundo os depoimentos prestados na Polícia
Federal.
Mais uma
fornecedora de leite está na mira dos ministérios públicos estadual e federal:
a Cooperativa Rural de Alpinópolis (Cooral), no Sul de Minas, por suspeita de
adicionar soda cáustica ao produto. Além da Cooral, estão sob investigação a
Casmil, de Passos, no sudoeste de Minas, e a Coopervale, em Uberaba, no
Triângulo Mineiro.
Foram
encontrados na Cooral produtos químicos como água oxigenada, carbonato de sódio
e sulfato de alumínio. Amostras de leite foram coletadas na empresa para
análise. Policiais militares recolheram no depósito da empresa cinco sacas de
25 quilos de carbonato de sódio, cinco de 25 quilos de sulfato de alumínio e 10
galões de peróxido de hidrogênio (água oxigenada de 200 volumes).
Testes
Em Belo
Horizonte, as primeiras amostras de leite longa vida analisadas pela Vigilância
Sanitária Municipal passaram no teste de qualidade. Em nenhuma das caixas de
cinco marcas — Cotochés, Karinho, Piracanjuba, Fazenda Mineira e Milênio —,
recolhidas segunda-feira em supermercados da região do Barreiro, foram
encontradas água oxigenada, soda cáustica ou outras substâncias prejudiciais à
saúde, conforme divulgou ontem a Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com a
gerente de Vigilância, Mara Corradi, o nível de acidez está dentro do
permitido.
MAIS
QUEIJO VENCIDO
A PF
apreendeu em Uberaba mais duas toneladas de queijo com data de validade vencida
e que seriam revendidas para outros estados com prazo adulterado. Na
segunda-feira já haviam sido apreendidas 16 toneladas, e o proprietário do
galpão onde estava o produto já foi identificado. O delegado Ricardo Ruiz, que
preside o inquérito, espera sua apresentação para os próximos dias. As
apurações vão se estender a Goiás, onde estão os laticínios que vendiam o
queijo fora do prazo de validade.(EL)
Como
funcionava a fraude
§
§
Para mascarar os exames
crioscópios — que identificam o uso excessivo de soro no leite — as
cooperativas contrataram um químico, que criou uma fórmula com soda cáustica.
§
§
Para cada 50 mil litros
de leite, eram usados 5 mil litros de água, 15 quilos de soda cáustica, além de
açúcar, sal e outros ingredientes. Com isso, as cooperativas ganhavam 10% a
mais em volume de água.
§
§
Fazendeiros deixam o
leite à beira da estrada esperando pelos caminhões das cooperativas
§
§
Para evitar a
deterioração do leite ou recuperar o produto deteriorado, fazendeiros
adicionavam a água oxigenada ao alimento.
§
§
Os exames não
identificam imediatamente o uso do produto químico, que só é detectado até duas
horas após sua adição.
Mariana
Flores e Luciano Pires
Da
equipe do Correio
|
Iano Andrade/CB |
|
|
|
Em apoio às empresas, deputado mineiro Paulo Piau bebe leite da Casmil e da Coopervale |
Depois
dos empresários, ontem foi a vez de parlamentares saírem em defesa do leite.
Durante reunião da Comissão de Agricultura da Câmara, políticos ligados ao
agronegócio atacaram uma suposta campanha de difamação contra o produto que,
segundo eles, teria se alastrado pelo país depois que a Polícia Federal passou
a investigar duas das mais importantes cooperativas de Minas Gerais. De
improviso, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG) chegou a beber leite da Casmil e da
Coopervale, justamente as empresas acusadas de adicionar água oxigenada e soda
cáustica ao leite entregue por produtores.
Piau
afirmou que apóia a apuração das fraudes, mas advertiu que o setor de
laticínios poderá sofrer danos irreparáveis. Já o presidente da comissão,
deputado Marcos Montes (DEM-MG), não economizou elogios à Coopervale, a quem
chamou de “instituição”. O parlamentar disse que a cooperativa é garantia de
renda a centenas de pecuaristas e tem uma história de sucesso em Minas Gerais.
Deputados contrários às manifestações de apoio protestaram afirmando que não
tiveram o mesmo espaço para se pronunciar. As comissões de Agricultura e de
Defesa do Consumidor farão uma audiência pública conjunta no dia 14 para
discutir a fraude do leite. O ministro Reinhold Stephanes foi convidado e
confirmou presença.
Os fiscais
agropecuários também fizeram lobby ontem. A entidade que os representa, a
Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), protocolou no
Ministério da Agricultura um ofício de três páginas em que defende a
contratação de mais servidores, melhoria da estrutura e a criação de uma escola
de aperfeiçoamento e treinamento. Os fiscais criticam as indicações políticas
para cargos de gestão do ministério.
05/11/2007
Pecuária de Leite
Edna
Simão
Da
equipe do Correio
|
Jose
Varella/CB - 14/10/07 |
|
|
|
Marcos Montes (DEM-MG): acalmar a população é uma prioridade |
O
Congresso Nacional vai acompanhar de perto as medidas adotadas pelo governo
federal para evitar que a adulteração do leite longa vida se alastre e provoque
mais prejuízos ao setor. Os deputados e senadores também querem saber quais
problemas o consumo do leite adulterado pode trazer à saúde e apresentar
sugestões de aprimoramento da fiscalização. A criação de uma Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as irregularidades é cogitada, mas
ainda não há consenso entre os parlamentares.
Na
semana passada, o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou medidas
para dificultar fraudes. As auditorias nos laticínios serão aleatórias e não
mais permanentes nas principais indústrias. Uma equipe de três fiscais — dois
médicos veterinários e um agente de inspeção sanitária — vai fazer visitas
surpresas às empresas pelo menos uma vez por mês. O governo propôs a alteração
depois que a Polícia Federal desarticulou, no último dia 22, um grupo acusado
de adicionar soda cáustica e água oxigenada ao leite longa vida. A operação
ficou conhecida como Ouro Branco.
A
maratona de audiências começa nesta quarta-feira no Senado. As comissões de
Agricultura e Reforma Agrária, do Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e
Fiscalização e Controle realizam um debate no qual é esperada a presença do
ministro Stephanes.
No dia
14, será a vez dos deputados. O presidente da Comissão de Agricultura, Marcos
Montes (DEM-MG), disse que a audiência conjunta com representantes da comissão
de Defesa do Consumidor tentará deixar claro o que está sendo feito pelo
governo para evitar que as vendas do produto caiam. A idéia é tranqüilizar os
brasileiros de que a situação está sob controle. Ao contrário dos colegas da
comissão de Defesa do Consumidor, Montes acredita que não há necessidade de uma
CPI. “O trabalho de investigação já está sendo feito pela Polícia Federal e
pelo Ministério Público”, afirmou.
Para o
deputado Odacir Zonta (PP-SC), a abertura de uma CPI não vai resolver as
irregularidades cometidas até o momento. “É um fato isolado e os envolvidos
devem ser punidos.” O secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Inácio
Koertz, considera importante as audiências para informar e tranqüilizar os
consumidores.
|
Beto Novaes/EM - 23/10/07 |
|
|
|
Especialista analisa leite: produto de três empresas em avaliação |
A
Parmalat está liberada para comercializar o leite produzido em sua unidade de Carazinho
(RS). A venda havia sido suspensa até que técnicos do governo atestassem a
qualidade do produto. A autorização do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento saiu no sábado à noite. O mesmo havia acontecido com a unidade de
Santa Helena (GO), que obteve permissão na sexta-feira. A Coopervale, Casmil e
Avipal continuam impedidas, por tempo indeterminado, de vender caixinhas de
leite longa vida. As empresas estão envolvidas na Operação Ouro Branco da
Polícia Federal, que desarticulou grupo que adulterava o leite com adição de
soda cáustica e água oxigenada.
O
presidente do Conselho de Administração da Parmalat, Marcus Elias, afirmou que
a companhia, assim como outras, é vítima da fraude. “Os testes estão sendo
feitos a partir de uma nova rotina em função dessa celeuma envolvendo as duas
cooperativas. Aumentaram as inspeções e isso é bom para mostrar que não é só o
leite da Parmalat que é bom. Não é porque cooperativas adulteravam o produto
que todos são ruins”, afirmou.
O
secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Koertz,
destacou que essas cinco fábricas tiveram a comercialização do leite suspensa
até que os laudos técnicos comprovando a qualidade do produto fossem
concluídos. Dessas unidades, apenas duas — as da Parmalat —foram liberadas.
Sobre a Casmil, o secretário destacou que já não estava produzindo leite, assim
como a Avipal. Já a Coopevale não obteve autorização porque não apresentou ao
governo o programa de controle de qualidade que pratica. (ES e JO)
Junia
Oliveira
Do
Estado de Minas
As
denúncias de adulteração do leite longa vida em Minas serão debatidas numa
audiência pública, amanhã, às 9h30, na Assembléia Legislativa. A Comissão de
Defesa do Consumidor e do Contribuinte de Minas Gerais vai se reunir para
analisar a situação do leite vendido no estado, principalmente nas regiões de
Uberaba, no Triângulo, e em Passos, no sudoeste. O objetivo da reunião é saber
qual garantia o consumidor terá de que está comprando um produto de qualidade.
Para o
deputado Délio Malheiros (PV), autor do requerimento, é importante que todos os
órgãos envolvidos na questão encontrem a melhor forma de resolver o problema.
“A situação é muito complicada, há informações para todos os gostos e o consumidor
está no meio disso tudo sem saber o que fazer”, afirma. O deputado questiona as
inspeções feitas recentemente nos supermercados da capital. “Documentos
comprovam que quatro horas depois de se adicionar peróxido de hidrogênio e soda
cáustica não é mais possível detectar a mistura, pois eles evaporam. A
Vigilância Sanitária de BH não vai mesmo encontrar qualquer rastro de produtos
químicos”, diz. Délio Malheiros adiantou que a hipótese da criação de uma
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso está descartada. “A
CPI é feita quando há fato grave envolvendo a administração pública. Como a
fiscalização é federal, não temos qualquer viés dela com participação de
servidor do estado. Em Brasília, sim, caberia uma CPI”, explica.
Entre os
convidados para a audiência, estão representantes da Federação da Agricultura e
Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Ministério Público Estadual, vigilâncias
sanitária estadual e municipal, Procuradoria da República, Associação
Brasileira de Leite Longa Vida (ABLLV), Polícia Federal, Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), além dos presidentes das comissões de Assuntos
Municipais, Agropecuária e Saúde.
Estado
de Minas
06/11/2007
Pecuária de Leite
Junia
Oliveira
O
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou, ontem, que os
leites produzidos pela Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio
Grande (Coopervale), de Uberaba, no Triângulo Mineiro, da marca Centenário;
Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), de Passos, no Sudoeste
do estado; e pelo Aviário Porto-Alegrense (Avipal), de Itumbiara (GO), que
embala o Calu, estão fora dos padrões de qualidade. Ressaltou que não se trata
de um problema de manipulação, como vem sendo investigado pela Polícia Federal
e pelo Ministério Público Federal (MPF). Entre os pontos em desacordo com a
legislação, estão a qualidade da gordura e a quantidade de proteínas e de água.
O ministério
suspendeu sexta-feira a venda do longa vida integral dessas empresas. Mas a
interdição se refere somente à distribuição do fabricante para os pontos de
venda e não ao leite que está nos supermercados, que é de responsabilidade da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência, por sua vez,
informou que não definiu quais procedimentos vai adotar em relação ao caso.
Hoje,
uma audiência pública na Assembléia Legislativa (Alemg) vai debater, em Belo
Horizonte, as denúncias de adulteração do leite no estado. Um dos pontos que o
deputado Délio Malheiros (PV), autor do requerimento, vai questionar está no
documento do MPF, que deflagrou a Operação Ouro Branco. Informações do
Laboratório Nacional Agropecuário em Minas Gerais (Lanagro/MG), do Ministério
da Agricultura, mostram que o peróxido de hidrogênio, se misturado ao leite
numa concentração de até 200 partes por milhão (ppm), evapora em até quatro
horas.
Malheiros
questiona as inspeções que estão sendo feitas pela Vigilância Sanitária Municipal
nas nove regionais de BH. “Não vão encontrar qualquer rastro de produtos
químicos”, diz. Foram recolhidas amostras de 10 marcas diferentes nas regiões
Leste e Barreiro semana passada. O resultado das análises mostrou que todas são
recomendáveis para consumo. Ontem, foram recolhidas mais cinco caixas na Região
Norte e, amanhã, será a vez da Nordeste.
O
farmacêutico-bioquímico e gerente do Laboratório de Bromatologia da Prefeitura
de BH, Luiz Antônio Neto Valente, confirmou que é possível ocorrer a evaporação
no tempo mencionado pelo laudo do MPF. “Por isso, a Anvisa informou que o
problema não é um risco iminente à saúde. A esterilização do leite UHT é feita
entre 130 e 142 graus centígrados, em três a quatro segundos. A quantidade de
água oxigenada teria de ser enorme para existir algum resíduo dela depois desse
processo porque a temperatura é muito alta. O leite UHT é seguro”, ressaltou.
O
Estado de S. Paulo
06/11/2007
Pecuária de Leite
O
Ministério da Agricultura deu início ontem ao novo modelo de fiscalização do
leite. Vistorias-surpresa começaram a ser feitas aleatoriamente em empresas de
leite em quatro Estados do País. Antes, fiscais atuavam fixos nas cooperativas.
No
Maranhão, 4,5 toneladas de queijo foram apreendidas pela Polícia Rodoviária
Federal (PRF) ontem. O carregamento era transportado em caminhão de carroceria
aberta, de Tocantins. Na Bahia, a PRF apreendeu 400 kg de queijo em Jequié. O
queijo estava na carroceria de uma picape, sem acondicionamento térmico.
07/11/2007
Pecuária de Leite
Mineira
Itambé busca ampliar venda externa
De
Brasília
Em meio
à forte turbulência gerada pelas denúncias de fraude na industrialização de
leite no país, a Itambé reforçou sua estratégia para ampliar as vendas de leite
em pó ao exterior.
O foco
principal da central cooperativa mineira está no mercado da Argélia, o quarto
maior importador mundial de produtos lácteos. A Itambé aproveita hoje a viagem
ao Brasil do ministro argelino da agricultura, Said Barkat, para fazer uma
demonstração sobre o ciclo de produção do leite, da ordenha na fazenda ao
envase pela indústria. "Vamos mostrar que temos plenas condições de
atender ao mercado deles com alta qualidade", diz o vice-presidente da
cooperativa, Jacques Gontijo. A empresa fará apresentações de sua mais nova
planta industrial, em Uberlândia (MG), cujo processo de envase é todo
automatizado. "Tem fábrica igual no mundo, mas melhor, não tem", diz
Gontijo.
Em jogo,
está uma venda potencial de até 10 mil toneladas de leite em pó aos africanos.
A Argélia compra anualmente 200 mil toneladas de leite em pó. A Itambé
participa de uma licitação internacional feita pela estatal argelina MilkTrade
para a compra de 40 mil toneladas de leite em pó, o equivalente a US$ 190
milhões. Sozinha, a Itambé estima embarcar US$ 120 milhões em lácteos ao exterior
neste ano.
O
mercado lácteo da Argélia, cujo tamanho equivale a 2,1 bilhões de litros em
leite fluído, é o mais aberto ao produto brasileiro dentre os principais
importadores. Os outros mercados, como Rússia, México e Japão, ainda mantêm
barreiras técnicas e comerciais ao leite nacional. (MZ)
09/11/2007
Pecuária de Leite
DA
AGÊNCIA FOLHA
O
presidente do conselho de administração da Parmalat, Marcus Elias, disse ontem
que os testes da Vigilância Sanitária de Minas não são determinantes para
avaliar a qualidade do leite nem são exigidos pelo Ministério da Agricultura.
Segundo
o dirigente, o teste de cinzas, usado para medir a presença de neutralizantes
de acidez, não é eficaz porque o estabilizante permitido por lei no leite longa
vida altera o resultado.
Ele
disse ainda que não há padrões para presença de sódio no leite brasileiro.
Em nota,
a Parmalat pediu "isonomia de tratamento" à Vigilância mineira e
imediata suspensão da interdição dos lotes até que a empresa tenha acesso aos
resultados das análises e apresente contraprova.
A Calu
informou, em nota, que dispõe de análise de dois laboratórios credenciados pelo
ministério atestando a qualidade do leite nos produtos interditados. A empresa
informou que vai retirar os lotes do mercado, apesar de não entender a
divergência dos resultados. A empresa solicitou ainda que os mesmos testes
sejam aplicados a outras marcas.
A Folha
não localizou representantes da Centenário.
Estado
de Minas
05/11/2007
Pecuária de Leite
Junia
Oliveira
As
denúncias de adulteração do leite longa vida serão debatidas numa audiência
pública, amanhã, às 9h30, na Assembléia Legislativa. A Comissão de Defesa do
Consumidor e do Contribuinte de Minas Gerais vai se reunir para analisar a
situação do leite vendido no estado, principalmente nas regiões de Uberaba, no
Triângulo, e em Passos, no Sudoeste.
Hoje,
mais lotes de leite poderão sofrer alguma intervenção em todo o país. A Anvisa
vai determinar o destino das marcas à venda nos supermercados das quatro
empresas cuja comercialização foi suspensa, sexta-feira, pelo Ministério da
Agricultura, Pesca e Abastecimento. A medida é por tempo indeterminado e foi
adotada na Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande
(Coopervale), de Uberaba, no Triângulo Mineiro, dona da marca Centenário; na
Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), de Passos, no Sudoeste
do estado; no Aviário Porto-Alegrense (Avipal), de Itumbiara (GO), que embala o
produto Calu; e na sede da Parmalat em Carazinho (RS).
As
cooperativas estão sendo investigadas pela Polícia Federal (PF) e Ministério
Público Federal (MPF) por suspeita de adição ao longa vida integral de água
oxigenada, soda cáustica, ácido nítrico e outras substâncias químicas usadas
para aumentar o prazo de validade do produto. A suspensão não se refere ao
leite que está nas prateleiras dos supermercados, mas à distribuição do
fabricante para os pontos-de-venda. A Vigilância Sanitária Estadual (Visa)
espera comunicado oficial do ministério para definir quais procedimentos vai
adotar. A retirada do leite dos estabelecimentos comerciais é de
responsabilidade das vigilâncias estaduais e municipais.
CONVIDADOS
Entre os convidados para a audiência, estão representantes da Federação da
Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Ministério Público Estadual,
vigilâncias sanitária estadual e municipal, Procuradoria da República,
Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLLV), Polícia Federal, Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além dos presidentes das comissões
de Assuntos Municipais, Agropecuária e Saúde.
“O consumidor está no meio disso tudo sem saber o que fazer”, diz o deputado Délio Malheiros (PV), autor do requerimento que pediu a reunião. Ele adiantou que a hipótese da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso está descartada. “A CPI é feita quando há fato grave envolvendo a administração pública. Como a fiscalização é federal, não temos qualquer viés dela com participação de servidor do estado. Em Brasília, sim, caberia uma CPI”, explica
06/11/2007
Opinião
Há males
que vêm para bem. O recente escândalo da adulteração do leite vai ajudar na
modificação do antigo sistema de defesa agropecuária do País. O Brasil merece
trabalho melhor.
O modelo
atual é sabidamente ineficiente. Vem desde 1934 a sua conformação, com as
primeiras instruções para a inspeção de carnes, leite e seus derivados. Em 1950
surge a lei básica do sistema, obrigando à inspeção sanitária o processamento
alimentar. Nasce o Sistema de Inspeção Federal (SIF).
A base
do sistema é a chamada inspeção permanente, aquela exercida por médico
veterinário oficial, cujo escritório funciona dentro dos laticínios e
frigoríficos. O pressuposto é que, com a presença física, ali, no pátio da
agroindústria, o profissional verifica, ao vivo, todo o processo. Exerce assim,
diretamente, seu poder de polícia sanitária.
No
começo, funcionou bem. Poucas eram as empresas, muitos os fiscais sanitários.
Vivia-se a época do Estado-patrão. Precários os métodos de controle, difícil a
comunicação - afinal, nem fax havia, somente os olhos do veterinário resolviam
a parada. Bons anos.
Quanto
mais se fortalecia o setor agroindustrial, porém, ganhando escala para atender
à urbanização brasileira, a defesa agropecuária encolhia sua eficiência. As
empresas e o mercado cresciam em tamanho e complexidade. A fiscalização
tradicional, aquela do mano a mano, não dava mais conta do recado. Nem inchando
a máquina estatal.
Problema
semelhante inquietara muitos países. A saída exigiu mudança do paradigma
sanitário. Em vez de fiscalizar diretamente na ponta do consumo, dentro da
empresa, a legislação repassou aos próprios empresários a tarefa do controle
sanitário. E sacramentou ao governo a função dos supervisores, por meio de
auditorias aleatórias.
Riscos
sanitários em toda a cadeia produtiva, e não apenas na ponta final, passaram a
ser investigados. Essa migração configurou novo método de trabalho, intitulado
Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). Coube às empresas
adotar o novo sistema. E os governos garantem sua credibilidade.
No
Brasil, o corporativismo jamais permitiu tal modernização. Os técnicos preferem
manter seu “poder de polícia” a repartir com a iniciativa privada a responsabilidade
pela qualidade dos alimentos processados. O discurso atrasado é forte:
supondo-se impolutos e onipresentes, argumentam que as parcerias privadas
significam uma subversão da estrutura natural do Estado. Parece coisa getulina.
Já
surgiu, no governo de Fernando Henrique Cardoso, proposta para criar uma
Agência de Defesa Sanitária no País. Não vingou. Continua, com alguns
aperfeiçoamentos, dominando o paradigma antigo. Resultado: o sistema acabou
precário, por culpa não propriamente dos veterinários, mas do modelo
ultrapassado de fiscalização.
A
política de empurrar a sujeira para debaixo do tapete engana há tempos. Entram
e saem ministros da agricultura sem que a poderosa corporação sanitária seja
enfrentada. Na gestão do então ministro Roberto Rodrigues, desgraçadamente,
ressurgiu a febre aftosa, afetando Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.
Percebeu-se, claramente, que o sistema de defesa agropecuária do País estava em
frangalhos.
Agora,
rolou o leite derramado. Uma vergonha pública. A fraude dos laticínios prova,
definitivamente, que o velho sistema está falido. Virou um faz-de-conta. A
isenção na fiscalização, imaginada a partir da presença fixa do profissional
dentro da empresa, também suscita dúvidas. Afinal, a fraqueza humana não escolhe
lugar.
O
assunto lembra as auditorias da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia
(Sudam) na década de 1970. Projetos de pecuária bovina, espalhados na selva,
somente permitiam acesso por via aérea. E os fiscais do governo, a pé, pegavam
carona no avião dos empresários para verificar o correto uso do dinheiro
público. Os laudos eram, obviamente, favoráveis. Nunca viram a dinheirama
desviada.
O tema
da fiscalização sanitária é tabu no Brasil. Falta coragem para pôr o dedo na
ferida. Tudo se abafa em nome do interesse nacional. Ocorre que, nesta época de
árduas negociações internacionais, reconhecer as fraquezas internas pode
significar “um tiro no pé”. Causam tremedeira, por aqui, as investigações das
missões estrangeiras. Seus duros relatórios fomentam a guerra comercial,
entremeada com questões sanitárias, como procedem os malandros irlandeses.
A
pecuária leiteira cumpre uma agenda positiva, discutida há dez anos, finalmente
estabelecida na Instrução Normativa 51, de 2002. Esta impõe melhorias na cadeia
produtiva, desde a ordenha até o resfriamento, agora obrigatório. O bucólico e
mal asseado latão de leite na beira da estrada teve seus dias contados. Ainda
bem.
Essa
evolução tecnológica abriu as portas do mercado internacional. De grande
importador - em 1998 foram cerca de US$ 500 milhões -, o Brasil começou a
exportar leite e derivados. Em 2006 arrecadou US$ 140 milhões em divisas. Esse
bom trabalho levou uma bordoada dos picaretas da soda cáustica.
O SIF
está numa encruzilhada. Precisa vencer seu corporativismo e se abrir para as
novas tecnologias de controle sanitário. Nesse processo, os serviços estaduais
de defesa sanitária, sempre desprezados por Brasília, merecem apoio. E os
empresários do setor que arquem com sua responsabilidade. Lição de casa, para
todos, a cumprir.
Na
sanidade animal, antes tarde que nunca, chegou a hora da verdade.
* Xico
Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.
E-mail: xico@xicograziano.com.br
Site:
www.xicograziano.com.br
06/11/2007
Opinião
Viver no
Brasil pode ser uma aventura perigosa. Não me refiro ao risco de ter o relógio
roubado no meio do trânsito, de ser vítima de uma bala perdida ou de sofrer um
acidente em estradas esburacadas; tampouco penso na possibilidade de ser
tragado pela água da chuva que transforma ruas em rios por falta de
infra-estrutura de escoamento ou limpeza de bueiros; ou de acabar soterrado por
deslizamento de terra à primeira chuva de verão. Nem me lembro de acidentes
aéreos que não saem das manchetes. Um bom estatístico não teria dificuldade de
apresentar sólida evidência de que a probabilidade de ocorrência desses eventos
é pequena, muito menor do que a de ganhar sozinho na Mega Sena, e que eu não
deveria me preocupar com estes riscos da mesma maneira que não devo gastar o
dinheiro da loteria antes de o bilhete ser sorteado.
O risco
a que me refiro é mais real, palpável e não pode ser evitado, já que é
recomendável - e deveria ser saudável - que as pessoas se alimentem, de
preferência três vezes ao dia. A verdade é que já fazia parte, como se diz na
linguagem popular, adquirir combustível batizado, medicamentos vencidos,
brinquedos defeituosos que comprometem a segurança das crianças, etc. Mas a
“descoberta” de fraude na fabricação de leite industrializado, com a adição de
produtos químicos para mascarar a falta de higiene na produção e a má qualidade
do produto, põe em tela um tema cada vez mais importante nos países
desenvolvidos: o da qualidade e segurança dos alimentos. Revela para a
sociedade o que especialistas, produtores e governos já sabiam: a ineficácia do
sistema de inspeção e fiscalização sanitária. O presidente da Comissão Nacional
de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA),
Rodrigo Alvim, declarou que os produtores “sabiam que estava havendo
adulteração do produto, com adição de soro, água ou amido”, mas que não imaginavam
“que a situação fosse tão grave quanto o que está sendo colocado”. E reconhece
que “o governo não tem condições de fazer uma fiscalização efetiva na cadeia
produtiva do leite, que é produzido em todos os 5.565 municípios do País”.
Se o
problema fosse circunscrito a este produto, seria apenas adotar a
revolucionária “dieta do leite” - que suprime a ingestão de todo produto
lácteo. O prejuízo ficaria limitado aos produtores de leite, que, depois de
anos de dificuldades que levaram milhares à troca de atividade, finalmente
estavam retomando os bons negócios. Mas quem garante que o problema seja só com
o leite, se as instituições que deveriam zelar pela qualidade e sanidade dos
alimentos se mostram incapazes de cumprir suas funções? A capacidade dos consumidores
para avaliar os alimentos é limitada. Podem inferir alguns atributos a partir
da aparência, antes mesmo de tomar a decisão de consumi-los; para conhecer o
sabor precisam prová-los; mas mesmo assim não saberão identificar algumas
características dos produtos - reveladas por testes laboratoriais -, que, por
isso, são consumidos em confiança. Daí a importância das marcas usadas pelas
empresas para transmitir uma mensagem ao consumidor, conquistá-lo e
fidelizá-lo. Produtos saudáveis, de qualidade, durabilidade e produzidos com
respeito ao meio ambiente são associados a marcas e consumidos em confiança.
O
problema é que semanalmente os canais de TV apresentam avaliações da
conformidade de produtos às normas estabelecidas e raramente os resultados são
animadores. Mesmo marcas conhecidas de alimentos são reprovadas em quesitos
básicos, como a quantidade de caloria, a não declaração de ingredientes que
podem causar alergia ao consumidor, açúcar em produtos para diabéticos, entre
outros. A explicação usual é que o teste aplicado não corresponde ao usado pela
empresa. Quando problemas que deveriam ser detectados pela fiscalização o são
pela Polícia Federal, é porque a situação já fugiu do controle.
É
provável que o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) tenha razão
ao afirmar que “se outros alimentos forem testados, também vão apresentar
problemas”. A simples contratação ou rodízio de fiscais não resolverá o
problema. Enquanto a fraude for fonte de lucro, e não de punição, a indústria
da falsificação se manterá forte e dinâmica. E, quando se fala em punição, e se
olha para cima, não há muitas razões para otimismo neste Brasil que insiste em
reclamar e não reagir, em responsabilizar o governo e permanecer inerte.
*Antônio
Márcio Buainain é professor do Instituto de Economia da Unicamp. E-mail:
buainain@eco.unicamp.br
Estado
de Minas
06/11/2007
Pecuária de Leite
Junia
Oliveira
O
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou, ontem, que os
leites produzidos pela Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio
Grande (Coopervale), de Uberaba, no Triângulo Mineiro, da marca Centenário;
Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), de Passos, no Sudoeste
do estado; e pelo Aviário Porto-Alegrense (Avipal), de Itumbiara (GO), que
embala o Calu, estão fora dos padrões de qualidade. Ressaltou que não se trata
de um problema de manipulação, como vem sendo investigado pela Polícia Federal
e pelo Ministério Público Federal (MPF). Entre os pontos em desacordo com a
legislação, estão a qualidade da gordura e a quantidade de proteínas e de água.
O
ministério suspendeu sexta-feira a venda do longa vida integral dessas
empresas. Mas a interdição se refere somente à distribuição do fabricante para
os pontos de venda e não ao leite que está nos supermercados, que é de
responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A
agência, por sua vez, informou que não definiu quais procedimentos vai adotar
em relação ao caso.
Hoje,
uma audiência pública na Assembléia Legislativa (Alemg) vai debater, em Belo
Horizonte, as denúncias de adulteração do leite no estado. Um dos pontos que o
deputado Délio Malheiros (PV), autor do requerimento, vai questionar está no
documento do MPF, que deflagrou a Operação Ouro Branco. Informações do
Laboratório Nacional Agropecuário em Minas Gerais (Lanagro/MG), do Ministério
da Agricultura, mostram que o peróxido de hidrogênio, se misturado ao leite
numa concentração de até 200 partes por milhão (ppm), evapora em até quatro
horas.
Malheiros
questiona as inspeções que estão sendo feitas pela Vigilância Sanitária
Municipal nas nove regionais de BH. “Não vão encontrar qualquer rastro de
produtos químicos”, diz. Foram recolhidas amostras de 10 marcas diferentes nas
regiões Leste e Barreiro semana passada. O resultado das análises mostrou que
todas são recomendáveis para consumo. Ontem, foram recolhidas mais cinco caixas
na Região Norte e, amanhã, será a vez da Nordeste.
O
farmacêutico-bioquímico e gerente do Laboratório de Bromatologia da Prefeitura
de BH, Luiz Antônio Neto Valente, confirmou que é possível ocorrer a evaporação
no tempo mencionado pelo laudo do MPF. “Por isso, a Anvisa informou que o
problema não é um risco iminente à saúde. A esterilização do leite UHT é feita
entre 130 e 142 graus centígrados, em três a quatro segundos. A quantidade de
água oxigenada teria de ser enorme para existir algum resíduo dela depois desse
processo porque a temperatura é muito alta. O leite UHT é seguro”, ressaltou.
O
Estado de S. Paulo
06/11/2007
Pecuária de Leite
O
Ministério da Agricultura deu início ontem ao novo modelo de fiscalização do
leite. Vistorias-surpresa começaram a ser feitas aleatoriamente em empresas de
leite em quatro Estados do País. Antes, fiscais atuavam fixos nas cooperativas.
No
Maranhão, 4,5 toneladas de queijo foram apreendidas pela Polícia Rodoviária
Federal (PRF) ontem. O carregamento era transportado em caminhão de carroceria
aberta, de Tocantins. Na Bahia, a PRF apreendeu 400 kg de queijo em Jequié. O
queijo estava na carroceria de uma picape, sem acondicionamento térmico.
Valor
Econômico
07/11/2007
Pecuária de Leite
Mauro
Zanatta
Atingidas
em cheio pelas denúncias de fraude no leite investigadas pela Polícia Federal,
as indústrias do produto longa vida partiram para o ataque ao sugerir que parte
do leite adulterado com soda cáustica poderia ter sido dirigida à
exportação.
O
presidente da Associação Brasileira do Leite Longa Vida (ABLV), Wellington
Silveira Braga, levantou ontem, durante seminário sobre exportação de lácteos,
a hipótese sobre uma eventual contaminação dos embarques. "Se o destino
desse leite que estava contaminado com soda cáustica foi para um outro local
que não seja o leite longa vida, pode-se correr o risco de ter ido para alguma
empresa que esteja exportando, criando uma dificuldade", disse à Agência
Brasil. "Um caso isolado, podendo afetar todo o mercado internacional do
Brasil". A ABLV representa 27 indústrias, nacionais e multinacionais, além
de centrais cooperativas.
A
afirmação suscitou uma forte reação das indústrias exportadoras. "Os
testes para as mercadorias de exportação são os mais rigorosos do país. O
comprador também faz testes na chegada do produto. Jamais seria possível que
isso ocorresse. Ele está delirando", rebateu o diretor-executivo da Confederação
Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL), Paulo Bernardes. Questionada
sobre as declarações, Silveira Braga esclareceu, via assessoria, que a ação da
Polícia Federal inibiu a eventual contaminação das exportações.
Em meio
às acusações mútuas, industriais e produtores de leite acreditam que a crise
pode até resultar em um saldo positivo no médio prazo. Desde que as
fiscalizações do ministério não parem no meio do caminho e sirvam para,
efetivamente, inibir a rentável fraude econômica no setor lácteo. "Isso
foi um caso isolado. Tem ladrão em toda parte do mundo. Mas isso indica um
caminho para a melhoria do setor", diz Paulo Bernardes. O produto
brasileiro, segundo ele, goza de "extremo respeito" aqui e no
exterior e o Ministério da Agricultura utiliza as melhores ferramentas para
evitar casos como o identificado em duas cooperativas de Minas Gerais.
O
coordenador de Integração para Exportação do ministério, Daniel Amin Ferraz,
disse, no seminário, que a situação pode realmente prejudicar as vendas externas.
"Com certeza, é um problema sério. Ninguém pode imaginar que uma situação
dessas vai passar de alguma forma impune e despercebida no mercado, porque não
vai".
07/11/2007
Pecuária de Leite
A
Operação Ouro Branco da Polícia Federal tornou pública a prática de adulterar o
leite pela adição de água oxigenada, soda caustica, soro de leite e outras
substâncias que, combinadas, atuam como conservantes e promovem o milagre da
multiplicação do leite.
Há muito
alguns segmentos da cadeia láctea discutiam, reservadamente, o problema da
fraude no leite longa vida e se manifestavam preocupados com a eventual
divulgação desse problema e o risco de se provocar grave crise no setor pela
queda no consumo.
Confiavam
em que, para resolver a questão, bastaria que o Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento intensificasse as fiscalizações. Em algumas ocasiões
houve ação do Ministério, que chegou a identificar leite fraudado em marcas
analisadas, mas com tímida divulgação.
O lobby
da adição de soro ao leite sempre foi forte e atua não só no sentido de
dificultar as fiscalizações, como também no de legalizar a adição de soro ao leite,
criando uma verdadeira aberração tupiniquim, o “leite modificado”.
Há
alguns anos, qualificado funcionário de um laticínio me enumerou os “esses” do
leite longa vida. Recordo-me de alguns, como S de suborno, S de sorbato de
potássio, S de soda e S de soro. As conseqüências desse descalabro se fazem
sentir por toda a cadeia produtiva.
A
indústria, promovendo o milagre da multiplicação do leite, satisfaz sua avidez
por lucros fáceis vendendo um líquido branco por leite a preços que não
poderiam ser praticados se todo o conteúdo da caixa fosse, de fato, leite.
O
varejo, por sua vez, faz do leite de preços irrisórios chamariz para atrair o
consumidor e exerce sobre a indústria enorme pressão para redução de preços.
O
governo prefere se omitir. Primeiro, pelo obsessivo combate à inflação, em que
os fins justificam os meios. Alimento tem de ser barato. Não importa que isso
signifique enorme passivo aos produtores ou produto de baixa qualidade.
Segundo, porque é um dos maiores compradores do produto para distribuição à
população de baixa renda. Dói no bolso do Estado o preço do leite justo.
A
situação do consumidor merece análise mais detalhada. A principal qualidade que
o consumidor brasileiro preza no leite é o preço baixo. Isso ocorre porque o
consumidor não está habituado a consumir o leite sem adição de café,
achocolatados, açúcar e outras substâncias que mascaram seu sabor natural.
Desde a tenra idade dos filhos, as mães, ao cessar o aleitamento materno e
introduzir o leite na dieta das crianças, fazem-no sempre com adição dessas
substâncias. Resultado disso é que as crianças crescem sem saber distinguir o
verdadeiro leite pelo sabor. Para o consumidor, sendo líquido e branco é leite.
Independentemente dessa condição, os consumidores brasileiros estão sendo
lesados quando compram leite e recebem outras substâncias.
Os
produtores de leite sofrem sérios prejuízos com as fraudes. O milagre da
multiplicação do leite promove o aviltamento dos preços que lhes são pagos,
normalmente insuficientes para cobrir os custos de produção. Os preços baixos
são sempre justificados pelo excesso de matéria-prima no mercado. O resultado
disso é a dilapidação do seu patrimônio e a diminuição da capacidade de
investimento, o que afeta a obtenção de produtos de qualidade superior.
O leite
longa vida caiu no gosto popular pelas facilidades que proporciona. Não é
necessário, contudo, ser versado em ciências econômicas para constatar a
impossibilidade de que 1 litro de leite longa vida custe por volta de R$ 1. Se
apenas a caixinha, ou seja, o continente, custa aproximadamente R$ 0,40,
significa que sobra R$ 0,60 para remunerar o leite que contém o transporte da
fazenda ao laticínio, todos os custos industriais, as comissões de venda, o
transporte até o varejo, os lucros da indústria e do varejista, os impostos,
etc. A conta não fecha se não houver o milagre da multiplicação do leite.
A
sociedade brasileira precisa deixar o cinismo de lado e assumir que,
definitivamente, não é possível ter leite com qualidade a preços módicos sem
que se leve o produtor à falência.
As
sociedades evoluídas respeitam aqueles que produzem alimentos e reconhecem a
sua importância para a segurança da nação. A sociedade brasileira os despreza e
apenas se lembra que os produtores rurais existem quando o preço dos seus
produtos sobe e os torna os “vilões da inflação”.
Tudo na
vida tem seu preço. Qualidade do leite, também.
*Fernando
José Ribeiro Kachan, agrônomo, é um dos fundadores e presidente por dois
mandatos da Associação dos Produtores de Leite do Noroeste Paulista (Láctea
Noroeste)
07/11/2007
Pecuária de Leite
De
Brasília
Em meio
à forte turbulência gerada pelas denúncias de fraude na industrialização de
leite no país, a Itambé reforçou sua estratégia para ampliar as vendas de leite
em pó ao exterior.
O foco
principal da central cooperativa mineira está no mercado da Argélia, o quarto
maior importador mundial de produtos lácteos. A Itambé aproveita hoje a viagem
ao Brasil do ministro argelino da agricultura, Said Barkat, para fazer uma
demonstração sobre o ciclo de produção do leite, da ordenha na fazenda ao
envase pela indústria. "Vamos mostrar que temos plenas condições de atender
ao mercado deles com alta qualidade", diz o vice-presidente da
cooperativa, Jacques Gontijo. A empresa fará apresentações de sua mais nova
planta industrial, em Uberlândia (MG), cujo processo de envase é todo
automatizado. "Tem fábrica igual no mundo, mas melhor, não tem", diz
Gontijo.
Em jogo,
está uma venda potencial de até 10 mil toneladas de leite em pó aos africanos.
A Argélia compra anualmente 200 mil toneladas de leite em pó. A Itambé
participa de uma licitação internacional feita pela estatal argelina MilkTrade
para a compra de 40 mil toneladas de leite em pó, o equivalente a US$ 190
milhões. Sozinha, a Itambé estima embarcar US$ 120 milhões em lácteos ao
exterior neste ano.
O
mercado lácteo da Argélia, cujo tamanho equivale a 2,1 bilhões de litros em
leite fluído, é o mais aberto ao produto brasileiro dentre os principais
importadores. Os outros mercados, como Rússia, México e Japão, ainda mantêm
barreiras técnicas e comerciais ao leite nacional. (MZ)
09/11/2007
Pecuária de Leite
DA
AGÊNCIA FOLHA
O
presidente do conselho de administração da Parmalat, Marcus Elias, disse ontem
que os testes da Vigilância Sanitária de Minas não são determinantes para
avaliar a qualidade do leite nem são exigidos pelo Ministério da Agricultura.
Segundo
o dirigente, o teste de cinzas, usado para medir a presença de neutralizantes
de acidez, não é eficaz porque o estabilizante permitido por lei no leite longa
vida altera o resultado.
Ele
disse ainda que não há padrões para presença de sódio no leite brasileiro.
Em nota,
a Parmalat pediu "isonomia de tratamento" à Vigilância mineira e
imediata suspensão da interdição dos lotes até que a empresa tenha acesso aos
resultados das análises e apresente contraprova.
A Calu
informou, em nota, que dispõe de análise de dois laboratórios credenciados pelo
ministério atestando a qualidade do leite nos produtos interditados. A empresa
informou que vai retirar os lotes do mercado, apesar de não entender a
divergência dos resultados. A empresa solicitou ainda que os mesmos testes
sejam aplicados a outras marcas.
A Folha
não localizou representantes da Centenário.
09/11/2007
Pecuária de Leite
Alda do
Amaral Rocha
"Fazer
leite com leite custa mais caro". A frase, que soa absurda, dita por um
especialista em lácteos que prefere não se identificar, dá uma pista do futuro
do setor no Brasil, principalmente no segmento de longa vida. As recentes
descobertas de adulteração do leite, com a adição de soda cáustica e água
oxigenada no produto cru por duas cooperativas mineiras, podem reforçar o
movimento de consolidação do longa vida no país, no qual existem cerca de 140
marcas e aproximadamente 70 empresas.
A
avaliação de especialistas é de que, até hoje, algumas empresas só conseguiam
ser competitivas porque faziam algum tipo de adulteração no leite com o
objetivo de aumentar o volume e melhorar as margens. Se a fiscalização do
Ministério da Agricultura ficar realmente mais rigorosa após as descobertas da
Operação da Polícia Federal, essas companhias terão de mudar de prática ou
sairão do mercado, avaliam. "Vai ter gente que, sem fraude, vai perceber que
não pode produzir leite longa vida, vai sair do mercado", diz o analista
Maurício Palma Nogueira, da Scot Consultoria. Ele acrescenta que algumas
empresas só tinham competitividade porque atuavam de "maneira
ilícita".
Um outro
analista diz que o setor irá se consolidar se "a fiscalização
continuar". Ele observa que o retorno hoje no segmento é muito baixo - só
a embalagem longa vida tem custo unitário de R$ 0,40 num produto cujo preço
varia de R$ 1,30 a R$ 1,40 no atacado - por isso o maior rigor na fiscalização
provocará mudanças no setor. De acordo com uma fonte da indústria, a margem no
longa vida hoje é de apenas R$ 0,03 por litro.
A
recente compra da Eleva pela Perdigão é um exemplo de que a consolidação já
está em curso no setor, observa Marcelo Carvalho, da consultoria Agripoint. A
Eleva, que produz o leite Elegê, comprou no primeiro semestre os ativos da
Paulista em Goiás, e acaba de ser adquirida pela Perdigão, dona da Batávia.
"Esse é um segmento de rentabilidade muito apertada e que deve passar por
consolidação".
Para o
vice-presidente da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), Laércio
Barbosa, o processo de consolidação vai se acelerar "porque será dado
maior valor à marca, à segurança, à confiança do consumidor" após a
descobertas das fraudes. Até agora, afirma, a questão preço era a mais visada.
Commodity, o leite longa vida trabalha com margens apertadas, por vezes
negativas. "Qualidade tem preço", resume Barbosa.
Ele diz
que os problemas verificados nas cooperativas mineiras Casmil e Coopervale
"foram isolados" e argumenta que não existe laudo do Ministério da
Agricultura dizendo que foi detectada soda cáustica no longa vida. A exposição
do setor foi injustificada, diz, já que outros segmentos de lácteos também adquiriram
leite das cooperativas.
Uma das
que mais sofreu com o episódio foi a Parmalat, que havia comprado leite das
cooperativas por três meses e as descrendenciou assim que surgiram as
acusações.
O
presidente do conselho de administração da Parmalat, Marcus Elias, afirma que a
empresa devolveu 100 mil litros de leite "fora de padrão" às duas
cooperativas. Após a descoberta das fraudes, o Ministério da Agricultura
inspecionou fábricas da Parmalat em Carazinho (RS) e Santa Helena de Goiás
(GO), e divulgou laudo dizendo que seus produtos estavam "de acordo com
parâmetros estabelecidos pelo Regulamento Técnico de Identidade e
Qualidade".
Sobre o
impacto do episódio nas vendas da empresa, Elias diz que "outubro estava
vendido". Agora, a Parmalat está monitorando novembro, segundo ele. O
empresário afirma "não ter nenhuma dúvida" de que a Parmalat
"vai dar a volta por cima" após o episódio. "Temos uma marca
forte e estamos trabalhando para esclarecer a opinião pública", declara. Sobre
uma possível queda nas vendas de longa vida, ele diz que, caso isso ocorra, a
empresa vai vender mais outros itens, como o leite em pó.
Segundo
o analista Antônio Xavier, da AEX Consultoria, um efeito das fraudes em Minas
Gerais é a valorização dos leites A e do pasteurizado em detrimento do longa
vida, que estão sendo mais procurados pelos consumidores.
Se
macula a imagem do leite no curto prazo, a descoberta de fraudes também tem
aspectos positivos. "Com a eliminação da fraude, os empresários que
trabalham corretamente serão favorecidos, tanto as pequenas e médias indústrias
e cooperativas", diz Palma Nogueira. Ele explica que as fraudes aumentavam
o volume do leite, pressionando o mercado. O consumidor também será
beneficiado, se houver fiscalização mais rigorosa, assim como as empresas e os
produtores de leite, afirma outro especialista do setor.
19/11/2007
Pecuária de Leite
Centro de pesquisa da Embrapa garantirá o melhoramento genético de gado leiteiro no DF. Objetivo é produzir mais e melhor
Luciano
Pires
Da
equipe do Correio
Kleber Lima/CB - 6/11/07

Segundo Moacir Saueressig, os primeiros beneficiados serão os pequenos produtores
No
momento em que o país busca respostas para a crise do leite e o consumidor
exige mais garantias em relação à qualidade do produto, o Distrito Federal
prepara-se para se tornar referência em pesquisa de gado leiteiro. Inaugurado
no início do mês, o Centro de Transferência de Tecnologias de Raças Zebuínas
com Aptidão Leiteira (CTZL) é um verdadeiro laboratório a céu aberto. A meta é,
no médio prazo, criar condições técnicas e estruturais para a expansão das
produções nacional e local.
Para
funcionar, o CTZL conta com o apoio de associações de criadores e cientistas. O
centro vai oferecer treinamento a agricultores, estudantes e técnicos. “Vamos
criar uma espécie de carteira de identidade para cada zebuíno que entrar aqui”,
explica Moacir Saueressig, presidente do Conselho Técnico Administrativo do
CTZL. O foco, segundo ele, está na pequena propriedade — alicerce das
principais bacias leiteiras regionais —, mas nada impede que os grandes
produtores também se beneficiem dos avanços obtidos com a pesquisa e o
intercâmbio de conhecimento.
O acesso
a material genético de ponta e à biotecnologia impulsionará o rebanho nacional,
uma vez que só 7% do gado leiteiro é inseminado artificialmente. A estação de
pesquisa, idealizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa), em parceria com os ministérios da agricultura e da Ciência e
Tecnologia, fica próxima à BR-060, no Gama. O fato de estar fisicamente
instalada no DF, apostam os produtores, elevará o nível da atividade na região
em pouco tempo. “A produção de leite do DF sofrerá um impacto significativo
dentro de cinco anos”, prevê Saueressig.
Hoje, o
mercado local é quase que totalmente abastecido pelo leite de Minas Gerais e de
Goiás — os produtores do DF ofertam apenas 20% do que a demanda exige. O
rebanho é reduzido e a produtividade, uma das mais baixas do país. Com a
aplicação de técnicas adequadas, haverá uma expansão sem precedentes.
Pesquisadores da Embrapa e especialistas do CTZL vão formar e treinar pessoal
qualificado. Do gerente da fazenda ao peão, todos serão capacitados.
Do ponto
de vista de negócios, o CTZL também oferecerá vantagens. Inclusive para os
grandes criadores. Ao “emprestar” matrizes de alta performance, por exemplo, os
produtores levarão de volta para suas fazendas animais mapeados e um completo
raio-x genético, o que valoriza o animal. “As vacas serão mapeadas e as que
tiverem aptidão genética terão o material recolhido. Uma parte será repassada
ao proprietário, outra ficará em nosso banco de germoplasma e outra irá para a
assistência aos pequenos produtores”, afirma Saueressig. A expectativa, segundo
ele, é de que grandes e renomados produtores mandem para o CTZL as melhores
vacas do país.
O
secretário de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social do Ministério da
Ciência e Tecnologia, Joe Valle, acredita que com o interesse da comunidade
científica e a participação do produtor o CTZL ganhará projeção internacional.
“Estamos criando condições para isso. Teremos a oportunidade de estudar e
melhorar raças adaptadas para o ambiente tropical”, completa.
Estado
de S. Paulo
21/11/2007
Pecuária de Leite
O
Ministério da Agricultura está alterando, em diversos Estados, o sistema de
fiscalização em laticínios sob controle do Serviço de Inspeção Federal (SIF),
que já havia sido adotado em Minas. O novo modelo prevê que as inspeções sejam
feitas de forma aleatória, por uma equipe de, no mínimo, três auditores.
O
Estado de S. Paulo
21/11/2007
Opinião
Não
interessa ao Brasil, neste momento, o ingresso da Venezuela no Mercosul. Não há
justificativa econômica, nem diplomática, para se acolher no bloco o país
comandado pelo presidente Hugo Chávez. Aprovar a adesão da Venezuela, agora,
seria entregar um cheque em branco a um parceiro que nem sequer assumiu os
compromissos mínimos para a associação. Em contrapartida, sobram razões para se
recusar, nas condições de hoje, a pretensão venezuelana de participar da união
aduaneira formada por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Se o Congresso
aprovar essa participação, atendendo às pressões do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, será cúmplice de mais um erro de política externa - um dos mais graves
praticados na gestão petista.
Para
começar, falta discutir detalhes técnicos da inclusão de mais um sócio no
Mercosul. O governo venezuelano tem conseguido adiar a discussão, embora
insista em obter a aprovação do Congresso brasileiro. Se tem tanto interesse,
por que não procura eliminar todas as dúvidas definitivamente?
Em
segundo lugar, as condições fixadas até agora são muito desiguais e interessam
muito mais à Venezuela do que ao Brasil. A maior parte dos produtos
venezuelanos poderá entrar livremente no mercado brasileiro a partir de 2010.
Os exportadores brasileiros terão a vantagem recíproca dois anos mais tarde.
Além disso, a Tarifa Externa Comum (TEC) só deverá valer para o novo sócio a
partir de 2014 - e isso na melhor hipótese, pois o governo do presidente Chávez
nem sequer aceitou formalmente essa cláusula, essencial ao funcionamento de uma
união aduaneira.
Em
terceiro lugar, o presidente Hugo Chávez já declarou, para quem quiser ouvir,
que pretende entrar no Mercosul para mudá-lo. Não explicou em que consistirá a
mudança, nem o presidente Lula parece haver-se importado com isso. Mas os
brasileiros menos propensos a fantasias ideológicas não podem menosprezar esse
detalhe. Que associação é essa que aceita um sócio que anuncia a intenção de
transformá-la segundo seus planos particulares?
Em
quarto lugar, não tem sentido, neste caso, tratar separadamente dos objetivos
econômicos do bloco e das bandeiras políticas de um candidato a sócio - entre
as quais a da “destruição do império”. Só um bloco suicida sujeitaria suas
possibilidades de acordos com quaisquer parceiros às idiossincrasias e
preferências ideológicas de um de seus membros, especialmente de um membro não
fundador.
O
projeto de inclusão da Venezuela deve ser votado hoje pela Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, quase um mês depois de
ter sido aprovado pela Comissão de Relações Exteriores. O relator do projeto na
CCJ, deputado Paulo Maluf (PP-SP), votou a favor da aprovação, “apesar de Hugo
Chávez”. Segundo Maluf, convém tratar separadamente do país e de seu
governante: “A Venezuela é eterna”, disse o deputado, “mas o Chávez é
psicopata, cafajeste, palhaço e maluco.”
Mas não
há como separar, nesse caso, o país, seu governante e o regime que ele pretende
construir. É uma irresponsabilidade avaliar a inclusão da Venezuela no
Mercosul, neste momento, sem levar em conta o projeto de poder de seu atual
presidente e a possibilidade de instauração, em breve, de um novo regime no
país.
Não se
trata, ao contrário do que dizem parlamentares favoráveis à aprovação, de
interferir na política de um vizinho. Trata-se de evitar, por mera prudência,
que o Mercosul aceite como sócio um país que poderá, em breve, estar submetido
a uma ditadura, fortemente armada e ameaçadora da estabilidade regional.
Mais que
irresponsabilidade, será um erro de proporções amazônicas imaginar que o
Mercosul possa domesticar e civilizar um caudilho faminto de poder e disposto a
investir bilhões de petrodólares para alcançar seus objetivos políticos.
Até
aqui, Brasil e Venezuela têm mantido relações econômicas satisfatórias. Não há
por que supor que o intercâmbio possa ser muito melhor com a inclusão daquele
país no Mercosul. Mas há razões mais que suficientes para afirmar que esse
passo seria muito arriscado. O melhor, portanto, é preservar a relação
bilateral nos bons termos de hoje e evitar complicações desnecessárias. Haverá
novas oportunidades para reexaminar o assunto.
04/12/2007
Leite
DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA
Análise
feita pelo INC (Instituto Nacional de Criminalística), da Polícia Federal,
identificou em oito de nove amostras de leite colhidas na Copervale
(Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande) a existência de
substâncias alcalinas. Segundo a PF, isso é forte indicativo de que houve adição
de soda cáustica no material selecionado para perícia durante a Operação Ouro
Branco, em outubro.
As
análises técnicas também revelaram que houve adição de água, sacarose, sal e
soro ao leite in natura, provavelmente com o propósito de aumentar a quantidade
de produto. As investigações continuam.
A Folha
procurou ontem representantes da Copervale, que disseram que não se
pronunciariam sobre o laudo. Na Ouro Branco, a PF revelou a ação de um grupo
criminoso que adicionava soda cáustica e água oxigenada ao leite in natura
para, além de aumentar a quantidade do produto, prolongar seu prazo de
validade.
Nos
depoimentos dos 26 funcionários e empresários suspeitos de envolvimento na
fraude, houve a confirmação de que, usando uma fórmula química específica, a
Copervale, de Uberaba (MG), adicionava soda ao leite que seria vendido na
modalidade longa vida.
As
técnicas utilizadas para a análise do material pelo INC seguiram a metodologia
desenvolvida pelo Lanagro (Laboratório Nacional Agropecuário), o laboratório
oficial do Ministério da Agricultura.
Deflagrada
em 22 outubro, a Ouro Branco descobriu a adição de substâncias impróprias para
o consumo, como soda cáustica e água oxigenada, no leite fornecido pela
Copervale e por outra cooperativa, Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste
Mineiro), de Passos (MG). Laudo do Lanagro apontou a presença de peróxido de
hidrogênio no leite produzido pela Casmil. No caso da Copervale, o laudo que
havia até agora era inconclusivo.
A
operação prendeu 28 pessoas, que já estão soltas.
--------------------------------------------------------------------------------
Colaborou
a FOLHA RIBEIRÃO
04/12/2007
Leite
Jailton
de Carvalho
BRASÍLIA.
Laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal
confirmou a presença de soda cáustica em amostras do leite apreendido na
Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale) durante
a Operação Ouro Branco, no fim de outubro. Outro laudo, que deve ser concluído
hoje, igualmente aponta indícios de água oxigenada no leite recolhido pela PF
na Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil) - também alvo da
investigação. As duas empresas são fornecedoras de grandes empresas
distribuidoras de leite e queijo.
As
análises preliminares já apontavam a adição de soda cáustica e água oxigenada
ao leite das duas cooperativas. Segundo a polícia, os laudos reforçam as provas
contra diretores e funcionários daquelas empresas. No primeiro dia da operação,
27 pessoas foram presas, entre eles dois fiscais do Ministério da Agricultura
encarregados de zelar pela qualidade do leite.
A idéia
de se misturar a soda cáustica ao leite teria partido do químico responsável
pela produção da Coopervale. O objetivo era aumentar em até 30% o volume do
produto e, com isso, ampliar os lucros da cooperativa. A adição de água
oxigenada servia para retardar a deterioração de parte do leite produzido na
Casmil.
A PF
está investigando cooperativas de todo o país, e o sistema de fiscalização do
Ministério da Agricultura está sendo reestruturado.
04/12/2007
Leite
Laudo do
Instituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal confirmou a
presença de soda cáustica em amostras do leite apreendido na Cooperativa dos
Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Copervale), em Minas Gerais, durante
a Operação Ouro Branco, no fim de outubro. Outro laudo, que deve ser concluído
hoje, igualmente aponta indícios de água oxigenada no leite recolhido pela PF
na Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil) — também alvo da
investigação. As duas empresas são fornecedoras de grandes empresas
distribuidoras de leite e queijo.
As
análises preliminares já apontavam a adição de soda cáustica e água oxigenada
ao leite das duas cooperativas. Segundo a polícia, os laudos reforçam as provas
contra diretores e funcionários dessas empresas. No primeiro dia da operação,
27 pessoas foram presas, entre elas dois fiscais do Ministério da Agricultura
encarregados de zelar pela qualidade do leite.
A idéia
de se misturar a soda cáustica ao leite teria partido do químico responsável
pela produção da Copervale. O objetivo era aumentar em até 30% o volume do
produto e, com isso, ampliar os lucros da cooperativa. A adição de água
oxigenada servia para retardar a deterioração de parte do leite produzido na
Casmil.
Depois
das denúncias de fraude no leite a Polícia Federal decidiu investigar
cooperativas em todo o país e o sistema de fiscalização do Ministério da
agricultura está sendo reestruturado.
09/12/2007
Leite
Felipe
Lima
A
Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) vinha recebendo (e repassando ao
Ministério da Agricultura), há cinco anos, denúncias de adulteração de leite em
cooperativas. Em outubro, a Operação Ouro Branco, da Polícia Federal, desmontou
um esquema de adulteração praticado pela Coopervale e Casmil, em Minas Gerais.
Vinte e sete pessoas foram presas por adicionarem substâncias como soda
cáustica e água oxigenada ao leite para aumentar a sua longevidade. O
presidente da OCB, Márcio Lopes, que participou na semana passada do 23º
Encontro Estadual Encontro Estadual do Cooperativismo de Pernambuco, em
Gravatá, diz que enviou diversas correspondências ao Ministério da Agricultura
pedindo que se intensificasse a fiscalização. “Mas a alegação era sempre que
faltavam recursos”, afirmou.
JC –
Após quase dois meses da Operação Ouro Branco qual foi o impacto para o
movimento cooperativista no Brasil do episódio?
MÁRCIO
LOPES – O impacto foi na imagem, na hora em que membros de uma cooperativa do
sistema cometem uma irregularidade. O cooperativismo é sempre reconhecido pelos
seus princípios e seus valores e praticar um crime dessa magnitude acaba
prejudicando não só a imagem de uma cooperativa, mas de todo o sistema. Isso é
irreversível, é uma mancha, que nós só procuramos saneá-la mostrando que foi um
fato isolado cometido por um dirigente de uma cooperativa, que já recebeu sua
punição.
JC
– Na época, a Organizações das Cooperativas Brasileiras reagiu de uma forma
muito discreta. Por quê?
LOPES –
A OCB é uma instituição de representação do movimento cooperativista
brasileiro. Nós representamos 7.516 cooperativas de todas as atividades. Só de
cooperativas que trabalham com leite são 345 espalhadas pelo Brasil. Não temos
poder de polícia, de intervenção e nem de punição. Perante a opinião pública
nosso posicionamento foi de esclarecimento. Foi de não compactuar com aquelas
atitudes, de repudiar, mas também de não ficar trazendo mais atenção em um
momento negativo para a imagem do cooperativismo.
JC – O
que aconteceu em Minas Gerais é de fato um caso isolado?
LOPES –
Nós temos mais de 1.700 laticínios no Brasil, 345 são cooperativas e o resto
são privados. Sabíamos há muitos anos que estavam sendo cometidas fraudes. Em
todas as reuniões que eu participei como presidente da OCB com cooperativas de
laticínios elas reclamavam dessas fraudes. Enviei correspondências e
comunicados ao Ministério da agricultura pedindo que se intensificasse a
fiscalização. Chegou a um ponto que há dois anos atrás, quando o ministério
alegava não ter recursos para fazer essa fiscalização, a OCB, juntamente com a
Confederação Nacional da Agricultura, aportou recursos num fundo para garantir
que a fiscalização fosse feita.
JC –
Quanto foi investido nessa fiscalização?
LOPES –
Na época, nós fizemos um fundo que chegou a R$ 300 mil. Depois houve uma
inibição pelas contas públicas, pelas secretarias gerais de controle, pois a
iniciativa privada não podia aportar recursos para uma ação que é
obrigatoriedade do governo. Tivemos que recuar por força de lei.
JC –
Então o brasileiro vinha consumindo um leite que na verdade não era leite há
muito tempo.
LOPES –
Que poderia não ser leite. Isso eu não vou dizer porque eu não sou de nenhum
órgão de fiscalização. Mas o brasileiro vinha sem garantia de qualidade no que
estava consumindo há muito tempo.
JC – E
que outros segmentos produzidos por cooperativas atuam merecem um incremento na
fiscalização? Já recebeu denúncias sobre adulterações em outros produtos?
LOPES –
Sim, em toda a indústria de carnes, principalmente na de aves.
JC – Que
irregularidades são essas?
LOPES –
Eu não sou um técnico no assunto, mas há problemas no processo de congelamento
das aves, com a presença de salmoura (líquido salgado saturado, que se prepara
para conservar carnes, peixes e legumes), ou seja, se injeta salmoura no frango
antes do congelamento para aumentar o peso em até 10%, 12%. Na realidade o
consumidor está pagando por salmoura em vez de estar pagando por carne de
frango.
JC – E a
OCB já comunicou isso ao ministério? Há algo sendo feito para evitar essa
prática?
LOPES -
Já foi anunciado, falado ao Ministério. As cooperativas têm feito essas
denúncias, que deixam em posição de concorrência desleal as que agem
incorretamente.
JC – E
qual a resposta do ministério?
LOPES –
A alegação é sempre a dificuldade de fiscalização, de não ter fiscais
suficientes para colocar de forma permanente dentro de cada agroindústria do
Brasil. Com essa mudança no modelo de fiscalização, eu acredito que vai
melhorar. O próprio ministro disse que precisaria de mais recursos orçamentário
para melhorar e intensificar essa fiscalização. Então nós estamos pedindo na
Comissão de Agricultura na Câmara dos Deputados que se destine no orçamento de
2008 mais recursos para o Ministério da Agricultura intensificar os seus
processos de fiscalização.
JC – As
denúncias de irregularidades nos laticínios e essas na indústria avícola se
estendem por todo País? Você já recebeu alguma denúncia de fraude em
Pernambuco?
LOPES –
Especificamente de Pernambuco eu não recebi nenhuma denúncia, mas nós sabemos
que essas possibilidades de irregularidades existem em todos os lugares. São
mais de 1.700 laticínios espalhados pelo Brasil, muitos deles trabalhando de
forma informal e rudimentar, nos rincões do interior, distantes de processos de
fiscalização. Acreditamos que o risco de problemas existe em todo território
nacional. Isso é crime. Crime contra o consumidor e contra o produtor.
Adulterar para ganhar dinheiro é roubo.
JC – O
deputado federal Júlio Delgado (PPS) está recolhendo assinaturas na Câmara para
instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o episódio de
Minas Gerais. Como a OCB vê essa movimentação?
LOPES –
Acho que o Congresso Nacional tem outras preocupações que não essa. Mas também não
tenho nenhuma dificuldade em aceitar CPI. Só acho que esse assunto deve ser
tratado pelo Ministério da Agricultura e pela Polícia Federal.