CLIPPING RURAL - CNA

 

PECUÁRIA LEITEIRA

 

 

Insumos derrubam poder de compra do produtor de leite    

Presa quadrilha acusada de adulterar leite  

Operação da PF prende acusados de adulterar leite

Longa vida à base de soda cáustica e água oxigenada    

Procuradoria vai investigar falhas na fiscalização do leite

Pesquisa aponta resíduo de antibióticos em leite cru coletado em quatro Estados 

Governo diz que leite não é risco 

Empresário confessa fraude

Mais nove empresas de leite sob suspeita 

Longa-vida fora do padrão 

Começam vistorias aleatórias em empresas de leite

Mineira Itambé busca ampliar venda externa

Parmalat e Calu contestam resultados

Audiência discute fraude

Leite derramado: Xico Graziano

Qualidade e segurança dos alimentos: Antônio Márcio Buainain

Longa-vida fora do padrão

Começam vistorias aleatórias em empresas de leite

ABLV sugere que leite com soda pode ter sido exportado

O milagre da multiplicação do leite : Fernando José R. Kachan

Mineira Itambé busca ampliar venda externa

Parmalat e Calu contestam resultados

Fraude acelera concentração no longa vida

Investimento em leite

Ministério altera fiscalização do leite

Um risco para o Mercosul 

Análise da PF aponta adulteração em 8 amostras de leite da Copervale   

Laudo da PF confirma soda cáustica em leite  

Laudo confirma fraude em leite

Adulteração de leite é conhecida

 

Gazeta Mercantil

04/10/2007

 

Pecuária de Leite

Insumos derrubam poder de compra do produtor de leite  

 

São Paulo, 4 de Outubro de 2007 - A alta dos insumos diminuiu o poder de compra dos produtores de leite no mês passado, mas apesar disso a valorização dos preços do leite no ano e a volta das chuvas devem garantir a continuidade do aumento da captação - que está em alta há três meses. A tendência é de volumes recordes até dezembro - tradicionalmente o mês com maior captação. Com isso, as cotações do produto tendem a se arrefecer, mas ficarem em patamares superiores aos de 2006. A expectativa é que a produção brasileira aumente entre 5% a 6% ante aos 2,3% do ano passado, quando o volume chegou a 25 bilhões de litros.

 

Segundo analistas, a expectativa é que neste mês os preços pagos aos pecuaristas caiam. Entre os laticínios consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) e a Scot Consultoria mais de 60% - em ambas as pesquisas - demonstraram intenção de reduzir as cotações e cerca de 30% de manter os patamares - entre R$ 0,76 a R$ 0,80 o litro. "O leite, que foi o vilão da inflação, pode ajudar a derrubá-la", diz Fábio Silveira, economista da RC Consultores.

 

Cristiane de Paula Turco, da Scot Consultoria, explica que quando analisados os oito concentrados que compõem a suplementação alimentar o poder de compra do produtor aumentou 23,27% em setembro na comparação com o mesmo período do ano passado porque o preço do leite subiu mais que o dos insumos no período - 58,8% contra 24%. No entanto, o milho é o principal ingrediente e, neste caso, houve perda. Em setembro do ano passado, um litro de leite comprava 2,06 quilos de milho. No mês passado a equação era de 2,01 quilos por litro. No período, a melhor relação de troca ocorreu em julho: 2,77 quilos de milho para um litro de leite, segundo a Scot Consultoria.

 

De acordo com Cristiane, quando a comparação é apenas de setembro com agosto, os números mostram que começa haver perda de poder de compra em todos os oito concentrados. Estes produtos tiveram reajuste de 12%, enquanto a valorização do leite foi de apenas 2,5%. "Mas a partir de agora, com as chuvas, as vacas voltam para o pasto", diz a analista.

 

Os preços do leite mais elevados durante todo o ano é que estimularam o aumento da captação mesmo na entressafra. O índice do Cepea foi de 129,58 - recorde. Segundo Gustavo Beduschi, pesquisador do Cepea, a volta das chuvas indica que os volumes devem continuar recordes. "Com isso, haverá acomodação dos preços, mas não há limite para quedas acentuadas", diz Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária Leiteira da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Em sua avaliação os valores de R$ 0,40 a R$ 0,50 o litro praticados no ano passado não devem se repetir.

 

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Neila Baldi) 

 

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Folha de S. Paulo

23/10/2007

 

Pecuária de Leite

Presa quadrilha acusada de adulterar leite  

 

Grupo usava produtos como água oxigenada para aumentar o prazo de validade do produto, segundo a Polícia Federal

Dos 27 detidos, 26 são ligados a duas cooperativas mineiras; PF determina a coleta e a análise de amostras em outros Estados

 

L. Adolfo

 

Empregados de mercado em Uberaba recolhem leite Centenário

 

PAULO PEIXOTO

DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE

 

RENATA BAPTISTA

DA AGÊNCIA FOLHA

 

 

A Polícia Federal prendeu ontem 27 pessoas suspeitas de adulterar leite longa vida integral de várias marcas. A quadrilha, segundo a PF, usava produtos impróprios para o consumo, como água oxigenada e citrato de sódio, para aumentar o prazo de validade do produto.

 

As prisões ocorreram nas cidades mineiras de Uberaba e de Passos. Dos detidos, 26 são ligados a duas cooperativas, que produziam cerca de 400 mil litros diários de leite (a produção nacional é de 68,5 milhões de litros por dia). O outro é do Ministério da Agricultura.

 

Entre os presos está um químico de Batatais (353 km de SP), que, segundo a PF, criou a fórmula usada pela cooperativa de Uberaba. O órgão diz que outras cooperativas do país podem usar o mesmo método.

 

A Direção Geral da PF determinou que sejam recolhidas amostras de leite em comércios locais para detectar se há irregularidades em mais Estados. Segundo o delegado-chefe da PF em Uberaba, Davidson José Chagas, funcionários da Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de Passos, e Copervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande), de Uberaba, confirmaram a adição de produtos nocivos à saúde no leite.

 

Na Copervale, a PF apreendeu cerca de mil litros de uma solução aquosa que seria misturada ao leite. A cada litro de leite, cerca de 8% era constituído dessa mistura (água oxigenada, soda cáustica, ácido cítrico, citrato de sódio, sal e açúcar). A fórmula foi para análise.

 

A professora-doutora Mirna Lúcia Gigante, que estuda a área de tecnologia de leite e derivados na Unicamp, afirma que a mistura possivelmente foi usada para conservar e para aumentar o volume do leite.

 

Ela cita o citrato de sódio, cujo uso é permitido na fabricação do leite longa vida, e que atua como um conservante.

 

Mirna diz que outros componentes da mistura podem ter a função de mascarar a adição dos componentes ou manter o PH semelhante ao do leite "puro" para que a indústria não perceba que está comprando um leite modificado.

 

Edson Credidio, diretor da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), afirma que a água oxigenada tem um papel muito potente contra "bactérias anaeróbias" (que não utilizam oxigênio ) e que poderia ser usada para camuflar contaminantes bacterianos.

 

A PF investiga a fraude há quatro meses, acompanhada dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, a partir de denúncias. Amostras do leite foram analisadas pelo Ministério da Agricultura.

 

"O laboratório verificou alta alcalinidade e baixa acidez. O laudo diz que os produtos analisados são impróprios para o consumo humano", diz Chagas.

 

Segundo ele, um outro laudo que deve indicar a quantidade dos produtos encontrados e possíveis efeitos na saúde ainda não foi entregue à PF.

 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) diz que vai, preventivamente, monitorar as indústrias que utilizam leite dessas cooperativas.

 

A gerente de Vigilância em Alimentos da Secretaria da Saúde do Estado, Cláudia Parma, afirma que o departamento não foi notificado para recolher os produtos do mercado.

 

Segundo ela, o consumidor que sentir alterações na textura ou odor do leite deve comunicá-las à Vigilância Sanitária de cada município mineiro.

 

A PF afirma também que ao menos três fabricantes compravam o produto das duas cooperativas: Parmalat, Calu e Centenário. O órgão diz que não sabe para onde esse leite era enviado e vendido.

 

Os investigados deverão responder por crimes de falsificação e adulteração de produto alimentício e formação de quadrilha. As penas podem chegar a até oito anos de reclusão.

 

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Valor Econômico

23/10/2007

 

Pecuária de Leite

Operação da PF prende acusados de adulterar leite

 

 Agências de notícias

 

 A operação "Ouro Branco" da Polícia Federal, em Minas Gerais, prendeu ontem 26 pessoas - 17 em Uberaba e nove em Passos - acusadas de adulterar leite. De acordo com a PF, os responsáveis pela Coopervale - Cooperativa de Produtores de Leite do Vale do Rio Grande e Casmil - Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro, que estão entre os presos, admitiram a fraude no leite. 

 

As cooperativas mineiras são acusadas de adicionar substâncias proibidas ao leite para aumentar seu volume e conservar o produto por mais tempo. 

 

A Parmalat e a Calu (Cooperativa Agropecuária Ltda. de Uberlândia) estavam entre os compradores de leite da Coopervale e da Casmil , segundo a Polícia Federal. 

 

Os acusados tiveram prisões temporárias - de cinco dias, renováveis por mais cinco - decretadas. A fraude foi descoberta após denúncias de outras cooperativas e de ex-funcionários das empresas. 

 

Entre os produtos químicos manipulados pelas cooperativas, os policiais encontraram grandes quantidades de soda cáustica (hidróxido de sódio) e de água oxigenda. Amostras do leite longa vida estão sendo recolhidas em todo o Brasil, já que, segundo a PF, o leite é fornecido para várias empresas. A operação teve a participação de 200 policiais federais e servidores do Ministério da Agricultura. 

 

A Parmalat disse, em nota, que não adquire produtos processados, envasados ou embalados na Casmil e na Coopervale, segundo a Folha Online. 

 

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Jornal do Brasil

23/10/2007

 

Pecuária de Leite

Longa vida à base de soda cáustica e água oxigenada    

 

Kayo Iglesias

 

A Polícia Federal analisa amostras de leite vendido em todo o país depois da ação que descobriu ontem contaminação no produto que era comercializado para os Estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo. A Operação Ouro Branco prendeu 27 pessoas ligadas a duas cooperativas nas cidades mineiras de Uberaba e Passos. Para aumentar o volume e o tempo de conservação, eram adicionadas ao leite longa vida substâncias como água oxigenada e soda cáustica.

 

A suspeita da PF é que a técnica tenha sido negociada e repassada a outras produtoras. Segundo os agentes federais, foram apreendidas notas fiscais de venda do leite da Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil) e da Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale) para grandes empresas alimentícias, como as multinacionais Nestlé e Parmalat. Em nota, as empresas dizem não haver riscos no consumo de seus produtos.

 

Participaram da operação, além dos agentes da PF, promotores do Ministério Público Estadual e Federal. A fraude foi descoberta devido a denúncias de outras cooperativas e de ex-funcionários das empresas. Depois das denúncias, amostras de leite industrializado comprado das cooperativas foram analisadas.

 

- Foi constatado um nível de substâncias alcalinas acima do normal, o que torna o leite impróprio para consumo humano - contou o delegado Ricardo Ruiz da Silva, um dos coordenadores da Ouro Branco.

 

Nas sedes das cooperativas, os policiais apreenderam tonéis com substâncias usadas para batizar o leite. A Coopervale e a Casmil produziam 450 mil litros de leite por dia.

 

Técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - que ajudaram a PF nas análises - vão realizar novos testes com o leite recolhido. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária prefere esperar o resultado dos exames laboratoriais para decidir pela retirada ou não de produtos lácteos do mercado.

 

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Folha de S. Paulo

01/11/2007

 

Pecuária de Leite

Procuradoria vai investigar falhas na fiscalização do leite

Ministério Público Federal de Minas abriu inquérito para apurar a vigilância feita pelo Ministério da Agricultura

Possível existência de fraudes similares em outros laticínios nas regiões de Uberaba e Passos também será alvo de investigação

 

Lula Marques/Folha Imagem

 Assessores do deputado federal

 Paulo Piau (PMDB-MG)

 servem leite que ele levou à

 Câmara

 

Da Folha Ribeirão, em Uberaba

 

O Ministério Público Federal de Minas Gerais abriu um inquérito civil para apurar falhas no sistema de fiscalização do SIF (Serviço de Inspeção Federal), do Ministério da Agricultura, e a possível existência de fraudes similares em outros laticínios das regiões de Uberaba e Passos.

 

O procurador da República de Uberaba, Bruno Nominato de Oliveira, pretende ouvir nos próximos dias pessoas e autoridades mineiras envolvidas na fraude do leite. "A permanência do fiscal do Ministério da Agricultura dentro dos laticínios pode ter contribuído para as fraudes", afirmou.

 

A Folha procurou ontem o ministério para comentar o assunto, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.

 

Na semana passada, a operação Ouro Branco da Polícia Federal prendeu em Uberaba 19 pessoas acusadas de adicionar no leite substâncias como soda cáustica e água oxigenada para aumentar o volume e o prazo de validade, entre elas diretores da Copervale (Cooperativa Regional de Leite do Vale do Rio Grande).

 

Cinco deles foram soltos na sexta-feira e, ontem à noite, seria libertado o presidente, Luiz Gualberto Ribeiro Ferreira. Mesmo após sua saída, a Copervale continuará sendo dirigida pelo interventor Geraldo Cardoso Sobrinho, segundo a Justiça Federal.

 

Outros quatro detidos em Passos também deixariam a cadeia ontem à noite.

 

Fraude antiga

As suspeitas de adulteração do leite produzido no país já existiam há quatro anos, de acordo com Jorge Rubez, 70, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite.

 

Segundo ele, há quatro anos foi feita a análise em parte dos laticínios e marcas do Brasil e em aproximadamente 3% foram constatadas irregularidades, mas nada foi feito e ninguém foi punido. "Não deu em nada porque o caso se perdeu na burocracia."

 

Rubez disse que, à época, poucos laboratórios do país tinham condições técnicas para fazer a análise do soro do leite e que equipamentos foram comprados para municiar os centros, mas o caso se perdeu em questões jurídicas.

 

"Nem os nomes e a quantidade de empresas envolvidas foram divulgadas, mas o episódio foi positivo para o setor", disse.

 

Apesar de não ter havido punição, Rubez afirmou que a fiscalização acabou com a fraude, porque todas as cooperativas sabiam que os órgãos estavam aparelhados para encontrar possíveis irregularidades.

 

No caso de Uberaba, na avaliação dele, a fraude só foi possível porque houve participação de fiscais do SIF. "Tinha a conivência dos fiscais. Senão, não faz [a fraude]. Muito raramente consegue fazer isso."

 

Apesar de se dizer favorável à ação da PF, ele disse que foi exagerada. "Era preciso ter prova, contraprova, multar e fechar. Depois da contraprova, tem direito de defesa e, só depois disso, [poderia] prender."

 

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Folha de S. Paulo

01/11/2007

 

Pecuária de Leite

Pesquisa aponta resíduo de antibióticos em leite cru coletado em quatro Estados 

 

CÍNTIA ACAYABA

DA AGÊNCIA FOLHA

 

 

Pesquisa coordenada pela UEL (Universidade Estadual de Londrina) detectou a presença de resíduos de antibióticos em amostras de leite cru do Paraná, de Minas Gerais, de São Paulo e do Rio Grande do Sul.

 

Em 2005, foram coletadas 210 amostras de leite direto do produtor ou em mercado informal. Dessas, 24 (11,4%) apresentaram antibióticos. As amostras ultrapassaram os LMRs (Limites Máximos de Resíduos), estipulados pelo Ministério da Agricultura.

 

Nas 63 amostras de Londrina (PR), 13 (20,6%) tinham resíduos. Nas 48 de Viçosa (MG), quatro (8,5%). Nas 50 de Botucatu (SP), quatro (8%). Nas 50 de Pelotas (RS), três (6%).

 

O Laboratório de Inspeção de Produtos de Origem Animal da UEL não acompanhou para quais cooperativas locais as amostras colhidas foram encaminhadas.

 

"Não há nenhum processo [fermentação, refrigeração, pasteurização] que retire o antibiótico. Nas cooperativas, a concentração de antibióticos cai muito porque o leite com resíduos é misturado com outros", disse Vanerli Beloti, coordenadora do laboratório. "O leite mais perigoso é o do mercado informal, porque não há diluição." O leite cru é consumido por 25% da população, segundo o IBGE.

 

Os antibióticos são usados, principalmente, no tratamento de mastites (inflamação nas glândulas mamárias). Nas pessoas, podem causar reações alérgicas e bloquear a ação de outros antibióticos em tratamentos médicos.

 

Instrução normativa do Ministério da Agricultura que entrou em vigor em 2005 determinou realização de análise periódica de antibióticos no leite.

 

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Jornal do Brasil

01/11/2007

 

Pecuária de Leite

Governo diz que leite não é risco 

 

Vasconcelo Quadros

 

 

Brasília. A Agência Nacional da Saúde (Anvisa) e o Ministério da Agricultura garantiram ontem em comunicado oficial conjunto que os lotes de leite apreendido pela Polícia Federal em Minas Gerais durante a Operação Ouro Branco, na semana passada, não oferecem riscos iminentes à saúde da população que já consumiu o produto. As análises não explicam, entretanto, se o consumidor está livre de eventuais efeitos nocivos a longo e médio prazos dos produtos químicos utilizados.

 

Segundo o comunicado, a mistura de soda cáustica, água oxigenada e outros produtos químicos adicionados para gerar lucros caracteriza fraude econômica, que está sendo apurada em inquéritos criminal e administrativo.

 

Embora o Ministério da Agricultura garanta que vem reforçando a fiscalização em torno do produto, as investigações da Polícia Federal demonstram que o uso de soda cáustica e água oxigenada - que eram usadas apenas para lavar os tanques e as caixinhas de leite - foi um drible dos produtores e do químico Pedro Renato Borges, que inventou a fórmula nos alegados controles oficiais.

 

A fraude vinha ocorrendo há cerca de três anos e o governo não descarta que a fórmula tenha se espalhado pelo país inteiro. O dono da Coopervale, de Uberaba, confessou em seu depoimento à polícia que a fórmula oferecida pelo químico paulista gerava pelo menos 10% a mais do volume de leite. A cada 50 mil litros de leite, a cooperativa misturava cinco mil litros de água, que não apareciam nas análises porque a adição de 15 quilos de soda cáustica impedia que a adulteração fosse identificada nas análises químicas.

 

Até a Operação Ouro Branco, os técnicos do ministério concentravam as análises apenas para detectar se havia adulteração com adição de soro do leite, uma das fraudes mais antigas no ramo de laticínios. Na nota, o ministério informa que faz, diariamente, 10 mil análises sobre qualidade de leite, e a Anvisa diz que interditou os produtos identificados com problemas - as marcas Parmalat, Centenário e Calu.

 

Dos 27 presos durante a operação, 22 foram libertados. A polícia estuda a possibilidade de pedir a prisão preventiva dos cinco, entre os quais, estão o presidente da Coopervale e Borges. O delegado responsável pelas investigações em Uberaba e Passos, Ricardo Ruiz, vai ajudar os policiais de outras regiões do país onde inquéritos forem abertos.

 

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Jornal do Comércio

01/11/2007

 

Pecuária de Leite

Empresário confessa fraude

Preso, presidente da Coopervale admitiu que misturava soda cáustica ao leite vendido a grandes empresas. Após confissão, foi solto

 

 

BRASÍLIA – O presidente da Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale), Luiz Galberto Ribeiro, confessou, em depoimento à Polícia Federal que, de fato, misturava soda cáustica ao leite vendido a grandes empresas do País. A Coopervale despejava em média 15 quilos de soda cáustica, produto altamente corrosivo, em cada lote de 50 mil litros de leite. A pedido da PF, o Laboratório Nacional Agropecuário, do Ministério da Agricultura, está fazendo análise do material para avaliar o risco da mistura à saúde humana.

 

Ribeiro foi um dos 27 presos pela Operação Ouro Branco, da PF, na semana passada. Mas, mesmo depois da confissão do crime, o empresário foi solto.

 

O prazo da prisão provisória, que era de cinco dias, se esgotou e a polícia não pediu a renovação da ordem de detenção. O delegado Ricardo Ruiz, que está à frente das investigações, entende que não há, no momento, necessidade de manter Ribeiro preso.

 

O presidente da Cooperavale disse que misturava a soda cáustica ao leite por sugestão do químico identificado até o momento apenas como Pedro. “Ele disse que seguia orientação do químico”, disse Ruiz, depois de participar de uma reunião com o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa.

 

Também interrogada por Ruiz, a maioria dos 19 funcionários da Cooperavale confirmou que cabia ao químico combinar as doses da mistura de soda e água ao leite. O grupo costumava adicionar 5 mil litros de água em cada 50 mil litros de leite. O objetivo era aumentar o volume de leite longa vida.

 

O químico negou a adição de soda cáustica ao leite. Pedro prestava serviços a Cooperavale e a outros dez cooperativas e laticínios. Todos estão sob investigação.

 

Na mesma operação, a PF investiga ainda a adição de água oxigenada em leite vendido pela Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), em Passos, próximo à Uberaba (MG). A água oxigenada tem como objetivo retardar a deterioração do produto, esticando o prazo de validade.

 

A PF não soube dizer ainda se houve falha de fiscais agropecuários do Sistema de Inspeção Federal (SIF) na vigilância do leite produzido em larga escala pelas duas cooperativas mineiras. Ainda estão sendo recolhidas amostras de leite em todo o País. A polícia poderá abrir outros inquéritos.

 

A polícia suspeita de adulteração de leite também em Goiás. Um dos responsáveis pela adição de água oxigenada ao leite da Casmil teria trabalhado para empresas goianas antes de se mudar para Minas.

 

Numa outra frente de investigação, a PF tenta descobrir outros tentáculos do esquema de venda de queijo com data de validade vencida. O comércio do queijo apodrecido foi descoberto logo depois da deflagração da Operação Ouro Branco. Um empresário de Uberaba é acusado de vender 20 toneladas de queijo com data de validade vencida ou prestes a vencer por semana para cidades do interior de São Paulo. O queijo era comprado em Goiás.

 

O Ministério da Agricultura e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicaram ontem um comunicado informando à população que o leite consumido no Brasil é seguro.

 

Também ontem, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG) levou à Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados sacos de leite e embalagens com derivados produzidos pela Casmil e Coopervale, numa tentativa de defendê-las da acusação de fraudar a produção de leite do tipo longa vida. Diante de jornalistas, o deputado bebeu do leite das cooperativas. O deputado Luiz Carlos Setin (DEM-PR) também tomou do leite, com um pouco de café.

 

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Correio Braziliense

01/11/2007

 

Pecuária de Leite

Mais nove empresas de leite sob suspeita 

Polícia Federal vai investigar mais nove laticínios para os quais também trabalha o químico criador da fórmula que adiciona soda cáustica ao leite longa vida. Essas empresas ficam em Minas Gerais e em São Paulo. Ontem, foram apreendidas substâncias químicas em outra cooperativa mineira e mais duas toneladas de queijo vencido em Uberaba (MG).

   

Edson Luiz

Da equipe do Correio

 

A Polícia Federal vai investigar outras nove empresas do ramo de laticínios em Minas Gerais e São Paulo, onde trabalha o químico que criou a fórmula com soda cáustica usada na adulteração de leite. A fraude foi descoberta na semana passada, durante a Operação Ouro Branco, desencadeada pela PF, que prendeu 27 pessoas. Investigadores suspeitam que o método foi usado em outros laticínios não só no Triângulo Mineiro, mas também em outros estados. A PF vai apurar o envolvimento de fazendeiros e empresas que tinham negócios com as cooperativas.

 

Os policiais suspeitam que o profissional, que é natural de São Paulo, tenha distribuído a fórmula em laticínios, fazendas, cooperativas de produtores de leite e outras firmas do ramo. A maioria dos 19 depoimentos, tomados pelo delegado Ricardo Ruiz, da delegacia da PF em Uberaba, confirmaram que a determinação do uso da soda foi dada pelo químico. No caso da água oxigenada, usada por cooperativas de Passos, no interior mineiro, a orientação era dada por um profissional de Goiás, segundo os depoimentos prestados na Polícia Federal.

 

Mais uma fornecedora de leite está na mira dos ministérios públicos estadual e federal: a Cooperativa Rural de Alpinópolis (Cooral), no Sul de Minas, por suspeita de adicionar soda cáustica ao produto. Além da Cooral, estão sob investigação a Casmil, de Passos, no sudoeste de Minas, e a Coopervale, em Uberaba, no Triângulo Mineiro.

 

Foram encontrados na Cooral produtos químicos como água oxigenada, carbonato de sódio e sulfato de alumínio. Amostras de leite foram coletadas na empresa para análise. Policiais militares recolheram no depósito da empresa cinco sacas de 25 quilos de carbonato de sódio, cinco de 25 quilos de sulfato de alumínio e 10 galões de peróxido de hidrogênio (água oxigenada de 200 volumes).

 

Testes

Em Belo Horizonte, as primeiras amostras de leite longa vida analisadas pela Vigilância Sanitária Municipal passaram no teste de qualidade. Em nenhuma das caixas de cinco marcas — Cotochés, Karinho, Piracanjuba, Fazenda Mineira e Milênio —, recolhidas segunda-feira em supermercados da região do Barreiro, foram encontradas água oxigenada, soda cáustica ou outras substâncias prejudiciais à saúde, conforme divulgou ontem a Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com a gerente de Vigilância, Mara Corradi, o nível de acidez está dentro do permitido.

 

MAIS QUEIJO VENCIDO

 

A PF apreendeu em Uberaba mais duas toneladas de queijo com data de validade vencida e que seriam revendidas para outros estados com prazo adulterado. Na segunda-feira já haviam sido apreendidas 16 toneladas, e o proprietário do galpão onde estava o produto já foi identificado. O delegado Ricardo Ruiz, que preside o inquérito, espera sua apresentação para os próximos dias. As apurações vão se estender a Goiás, onde estão os laticínios que vendiam o queijo fora do prazo de validade.(EL)

 

 

Como funcionava a fraude

 

Com soda cáustica

 

§         §         Para mascarar os exames crioscópios — que identificam o uso excessivo de soro no leite — as cooperativas contrataram um químico, que criou uma fórmula com soda cáustica.

 

§         §         Para cada 50 mil litros de leite, eram usados 5 mil litros de água, 15 quilos de soda cáustica, além de açúcar, sal e outros ingredientes. Com isso, as cooperativas ganhavam 10% a mais em volume de água.

 

Com água oxigenada

 

§         §         Fazendeiros deixam o leite à beira da estrada esperando pelos caminhões das cooperativas

 

§         §         Para evitar a deterioração do leite ou recuperar o produto deteriorado, fazendeiros adicionavam a água oxigenada ao alimento.

 

§         §         Os exames não identificam imediatamente o uso do produto químico, que só é detectado até duas horas após sua adição.

 

 

Em defesa do produto

 

Mariana Flores e Luciano Pires

Da equipe do Correio

 

Iano Andrade/CB

Em apoio às empresas, deputado mineiro Paulo Piau bebe leite da Casmil e da Coopervale

Depois dos empresários, ontem foi a vez de parlamentares saírem em defesa do leite. Durante reunião da Comissão de Agricultura da Câmara, políticos ligados ao agronegócio atacaram uma suposta campanha de difamação contra o produto que, segundo eles, teria se alastrado pelo país depois que a Polícia Federal passou a investigar duas das mais importantes cooperativas de Minas Gerais. De improviso, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG) chegou a beber leite da Casmil e da Coopervale, justamente as empresas acusadas de adicionar água oxigenada e soda cáustica ao leite entregue por produtores.

 

Piau afirmou que apóia a apuração das fraudes, mas advertiu que o setor de laticínios poderá sofrer danos irreparáveis. Já o presidente da comissão, deputado Marcos Montes (DEM-MG), não economizou elogios à Coopervale, a quem chamou de “instituição”. O parlamentar disse que a cooperativa é garantia de renda a centenas de pecuaristas e tem uma história de sucesso em Minas Gerais. Deputados contrários às manifestações de apoio protestaram afirmando que não tiveram o mesmo espaço para se pronunciar. As comissões de Agricultura e de Defesa do Consumidor farão uma audiência pública conjunta no dia 14 para discutir a fraude do leite. O ministro Reinhold Stephanes foi convidado e confirmou presença.

 

Os fiscais agropecuários também fizeram lobby ontem. A entidade que os representa, a Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), protocolou no Ministério da Agricultura um ofício de três páginas em que defende a contratação de mais servidores, melhoria da estrutura e a criação de uma escola de aperfeiçoamento e treinamento. Os fiscais criticam as indicações políticas para cargos de gestão do ministério.

 

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Correio Braziliense

05/11/2007

 

Pecuária de Leite

Congresso vai cobrar medidas contra fraudes  

Deputados e senadores querem saber o que está sendo feito pelo governo para combater as irregularidades descobertas no leite

 

Edna Simão

Da equipe do Correio

 

 

Jose Varella/CB - 14/10/07

Marcos Montes (DEM-MG): acalmar a população é uma prioridade

 O Congresso Nacional vai acompanhar de perto as medidas adotadas pelo governo federal para evitar que a adulteração do leite longa vida se alastre e provoque mais prejuízos ao setor. Os deputados e senadores também querem saber quais problemas o consumo do leite adulterado pode trazer à saúde e apresentar sugestões de aprimoramento da fiscalização. A criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as irregularidades é cogitada, mas ainda não há consenso entre os parlamentares.

 

Na semana passada, o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou medidas para dificultar fraudes. As auditorias nos laticínios serão aleatórias e não mais permanentes nas principais indústrias. Uma equipe de três fiscais — dois médicos veterinários e um agente de inspeção sanitária — vai fazer visitas surpresas às empresas pelo menos uma vez por mês. O governo propôs a alteração depois que a Polícia Federal desarticulou, no último dia 22, um grupo acusado de adicionar soda cáustica e água oxigenada ao leite longa vida. A operação ficou conhecida como Ouro Branco.

 

A maratona de audiências começa nesta quarta-feira no Senado. As comissões de Agricultura e Reforma Agrária, do Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle realizam um debate no qual é esperada a presença do ministro Stephanes.

 

No dia 14, será a vez dos deputados. O presidente da Comissão de Agricultura, Marcos Montes (DEM-MG), disse que a audiência conjunta com representantes da comissão de Defesa do Consumidor tentará deixar claro o que está sendo feito pelo governo para evitar que as vendas do produto caiam. A idéia é tranqüilizar os brasileiros de que a situação está sob controle. Ao contrário dos colegas da comissão de Defesa do Consumidor, Montes acredita que não há necessidade de uma CPI. “O trabalho de investigação já está sendo feito pela Polícia Federal e pelo Ministério Público”, afirmou.

 

Para o deputado Odacir Zonta (PP-SC), a abertura de uma CPI não vai resolver as irregularidades cometidas até o momento. “É um fato isolado e os envolvidos devem ser punidos.” O secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Inácio Koertz, considera importante as audiências para informar e tranqüilizar os consumidores.

  

Fábrica da Parmalat é liberada

 

 

Beto Novaes/EM - 23/10/07

Especialista analisa leite: produto de três empresas em avaliação

 A Parmalat está liberada para comercializar o leite produzido em sua unidade de Carazinho (RS). A venda havia sido suspensa até que técnicos do governo atestassem a qualidade do produto. A autorização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento saiu no sábado à noite. O mesmo havia acontecido com a unidade de Santa Helena (GO), que obteve permissão na sexta-feira. A Coopervale, Casmil e Avipal continuam impedidas, por tempo indeterminado, de vender caixinhas de leite longa vida. As empresas estão envolvidas na Operação Ouro Branco da Polícia Federal, que desarticulou grupo que adulterava o leite com adição de soda cáustica e água oxigenada.

 

O presidente do Conselho de Administração da Parmalat, Marcus Elias, afirmou que a companhia, assim como outras, é vítima da fraude. “Os testes estão sendo feitos a partir de uma nova rotina em função dessa celeuma envolvendo as duas cooperativas. Aumentaram as inspeções e isso é bom para mostrar que não é só o leite da Parmalat que é bom. Não é porque cooperativas adulteravam o produto que todos são ruins”, afirmou.

 

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Koertz, destacou que essas cinco fábricas tiveram a comercialização do leite suspensa até que os laudos técnicos comprovando a qualidade do produto fossem concluídos. Dessas unidades, apenas duas — as da Parmalat —foram liberadas. Sobre a Casmil, o secretário destacou que já não estava produzindo leite, assim como a Avipal. Já a Coopevale não obteve autorização porque não apresentou ao governo o programa de controle de qualidade que pratica. (ES e JO)

  

Audiência em Minas

 

Junia Oliveira

Do Estado de Minas

  

As denúncias de adulteração do leite longa vida em Minas serão debatidas numa audiência pública, amanhã, às 9h30, na Assembléia Legislativa. A Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte de Minas Gerais vai se reunir para analisar a situação do leite vendido no estado, principalmente nas regiões de Uberaba, no Triângulo, e em Passos, no sudoeste. O objetivo da reunião é saber qual garantia o consumidor terá de que está comprando um produto de qualidade.

 

Para o deputado Délio Malheiros (PV), autor do requerimento, é importante que todos os órgãos envolvidos na questão encontrem a melhor forma de resolver o problema. “A situação é muito complicada, há informações para todos os gostos e o consumidor está no meio disso tudo sem saber o que fazer”, afirma. O deputado questiona as inspeções feitas recentemente nos supermercados da capital. “Documentos comprovam que quatro horas depois de se adicionar peróxido de hidrogênio e soda cáustica não é mais possível detectar a mistura, pois eles evaporam. A Vigilância Sanitária de BH não vai mesmo encontrar qualquer rastro de produtos químicos”, diz. Délio Malheiros adiantou que a hipótese da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso está descartada. “A CPI é feita quando há fato grave envolvendo a administração pública. Como a fiscalização é federal, não temos qualquer viés dela com participação de servidor do estado. Em Brasília, sim, caberia uma CPI”, explica.

 

Entre os convidados para a audiência, estão representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Ministério Público Estadual, vigilâncias sanitária estadual e municipal, Procuradoria da República, Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLLV), Polícia Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além dos presidentes das comissões de Assuntos Municipais, Agropecuária e Saúde.

 

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Estado de Minas

06/11/2007

 

Pecuária de Leite

Longa-vida fora do padrão 

 

Junia Oliveira

 

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou, ontem, que os leites produzidos pela Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale), de Uberaba, no Triângulo Mineiro, da marca Centenário; Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), de Passos, no Sudoeste do estado; e pelo Aviário Porto-Alegrense (Avipal), de Itumbiara (GO), que embala o Calu, estão fora dos padrões de qualidade. Ressaltou que não se trata de um problema de manipulação, como vem sendo investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF). Entre os pontos em desacordo com a legislação, estão a qualidade da gordura e a quantidade de proteínas e de água.

 

O ministério suspendeu sexta-feira a venda do longa vida integral dessas empresas. Mas a interdição se refere somente à distribuição do fabricante para os pontos de venda e não ao leite que está nos supermercados, que é de responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência, por sua vez, informou que não definiu quais procedimentos vai adotar em relação ao caso.

 

Hoje, uma audiência pública na Assembléia Legislativa (Alemg) vai debater, em Belo Horizonte, as denúncias de adulteração do leite no estado. Um dos pontos que o deputado Délio Malheiros (PV), autor do requerimento, vai questionar está no documento do MPF, que deflagrou a Operação Ouro Branco. Informações do Laboratório Nacional Agropecuário em Minas Gerais (Lanagro/MG), do Ministério da Agricultura, mostram que o peróxido de hidrogênio, se misturado ao leite numa concentração de até 200 partes por milhão (ppm), evapora em até quatro horas.

 

Malheiros questiona as inspeções que estão sendo feitas pela Vigilância Sanitária Municipal nas nove regionais de BH. “Não vão encontrar qualquer rastro de produtos químicos”, diz. Foram recolhidas amostras de 10 marcas diferentes nas regiões Leste e Barreiro semana passada. O resultado das análises mostrou que todas são recomendáveis para consumo. Ontem, foram recolhidas mais cinco caixas na Região Norte e, amanhã, será a vez da Nordeste.

 

O farmacêutico-bioquímico e gerente do Laboratório de Bromatologia da Prefeitura de BH, Luiz Antônio Neto Valente, confirmou que é possível ocorrer a evaporação no tempo mencionado pelo laudo do MPF. “Por isso, a Anvisa informou que o problema não é um risco iminente à saúde. A esterilização do leite UHT é feita entre 130 e 142 graus centígrados, em três a quatro segundos. A quantidade de água oxigenada teria de ser enorme para existir algum resíduo dela depois desse processo porque a temperatura é muito alta. O leite UHT é seguro”, ressaltou.

 

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O Estado de S. Paulo

06/11/2007

 

Pecuária de Leite

Começam vistorias aleatórias em empresas de leite

 

O Ministério da Agricultura deu início ontem ao novo modelo de fiscalização do leite. Vistorias-surpresa começaram a ser feitas aleatoriamente em empresas de leite em quatro Estados do País. Antes, fiscais atuavam fixos nas cooperativas.

No Maranhão, 4,5 toneladas de queijo foram apreendidas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) ontem. O carregamento era transportado em caminhão de carroceria aberta, de Tocantins. Na Bahia, a PRF apreendeu 400 kg de queijo em Jequié. O queijo estava na carroceria de uma picape, sem acondicionamento térmico. 

 

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Valor Econômico

07/11/2007

 

Pecuária de Leite

Mineira Itambé busca ampliar venda externa 

 

De Brasília

 

Em meio à forte turbulência gerada pelas denúncias de fraude na industrialização de leite no país, a Itambé reforçou sua estratégia para ampliar as vendas de leite em pó ao exterior. 

 

O foco principal da central cooperativa mineira está no mercado da Argélia, o quarto maior importador mundial de produtos lácteos. A Itambé aproveita hoje a viagem ao Brasil do ministro argelino da agricultura, Said Barkat, para fazer uma demonstração sobre o ciclo de produção do leite, da ordenha na fazenda ao envase pela indústria. "Vamos mostrar que temos plenas condições de atender ao mercado deles com alta qualidade", diz o vice-presidente da cooperativa, Jacques Gontijo. A empresa fará apresentações de sua mais nova planta industrial, em Uberlândia (MG), cujo processo de envase é todo automatizado. "Tem fábrica igual no mundo, mas melhor, não tem", diz Gontijo. 

 

Em jogo, está uma venda potencial de até 10 mil toneladas de leite em pó aos africanos. A Argélia compra anualmente 200 mil toneladas de leite em pó. A Itambé participa de uma licitação internacional feita pela estatal argelina MilkTrade para a compra de 40 mil toneladas de leite em pó, o equivalente a US$ 190 milhões. Sozinha, a Itambé estima embarcar US$ 120 milhões em lácteos ao exterior neste ano. 

 

O mercado lácteo da Argélia, cujo tamanho equivale a 2,1 bilhões de litros em leite fluído, é o mais aberto ao produto brasileiro dentre os principais importadores. Os outros mercados, como Rússia, México e Japão, ainda mantêm barreiras técnicas e comerciais ao leite nacional. (MZ) 

 

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Folha de S. Paulo

09/11/2007

 

Pecuária de Leite

Parmalat e Calu contestam resultados

  

DA AGÊNCIA FOLHA

 

O presidente do conselho de administração da Parmalat, Marcus Elias, disse ontem que os testes da Vigilância Sanitária de Minas não são determinantes para avaliar a qualidade do leite nem são exigidos pelo Ministério da Agricultura.

 

Segundo o dirigente, o teste de cinzas, usado para medir a presença de neutralizantes de acidez, não é eficaz porque o estabilizante permitido por lei no leite longa vida altera o resultado.

 

Ele disse ainda que não há padrões para presença de sódio no leite brasileiro.

 

Em nota, a Parmalat pediu "isonomia de tratamento" à Vigilância mineira e imediata suspensão da interdição dos lotes até que a empresa tenha acesso aos resultados das análises e apresente contraprova.

 

A Calu informou, em nota, que dispõe de análise de dois laboratórios credenciados pelo ministério atestando a qualidade do leite nos produtos interditados. A empresa informou que vai retirar os lotes do mercado, apesar de não entender a divergência dos resultados. A empresa solicitou ainda que os mesmos testes sejam aplicados a outras marcas.

 

A Folha não localizou representantes da Centenário.

 

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Estado de Minas

05/11/2007

 

Pecuária de Leite

Audiência discute fraude

 

 Junia Oliveira 

 

As denúncias de adulteração do leite longa vida serão debatidas numa audiência pública, amanhã, às 9h30, na Assembléia Legislativa. A Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte de Minas Gerais vai se reunir para analisar a situação do leite vendido no estado, principalmente nas regiões de Uberaba, no Triângulo, e em Passos, no Sudoeste.

 

Hoje, mais lotes de leite poderão sofrer alguma intervenção em todo o país. A Anvisa vai determinar o destino das marcas à venda nos supermercados das quatro empresas cuja comercialização foi suspensa, sexta-feira, pelo Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento. A medida é por tempo indeterminado e foi adotada na Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale), de Uberaba, no Triângulo Mineiro, dona da marca Centenário; na Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), de Passos, no Sudoeste do estado; no Aviário Porto-Alegrense (Avipal), de Itumbiara (GO), que embala o produto Calu; e na sede da Parmalat em Carazinho (RS).

 

As cooperativas estão sendo investigadas pela Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF) por suspeita de adição ao longa vida integral de água oxigenada, soda cáustica, ácido nítrico e outras substâncias químicas usadas para aumentar o prazo de validade do produto. A suspensão não se refere ao leite que está nas prateleiras dos supermercados, mas à distribuição do fabricante para os pontos-de-venda. A Vigilância Sanitária Estadual (Visa) espera comunicado oficial do ministério para definir quais procedimentos vai adotar. A retirada do leite dos estabelecimentos comerciais é de responsabilidade das vigilâncias estaduais e municipais.

 

CONVIDADOS Entre os convidados para a audiência, estão representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Ministério Público Estadual, vigilâncias sanitária estadual e municipal, Procuradoria da República, Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLLV), Polícia Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além dos presidentes das comissões de Assuntos Municipais, Agropecuária e Saúde.

 

“O consumidor está no meio disso tudo sem saber o que fazer”, diz o deputado Délio Malheiros (PV), autor do requerimento que pediu a reunião. Ele adiantou que a hipótese da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso está descartada. “A CPI é feita quando há fato grave envolvendo a administração pública. Como a fiscalização é federal, não temos qualquer viés dela com participação de servidor do estado. Em Brasília, sim, caberia uma CPI”, explica

 

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O Estado de S. Paulo

06/11/2007

 

Opinião

Leite derramado: Xico Graziano

   

Há males que vêm para bem. O recente escândalo da adulteração do leite vai ajudar na modificação do antigo sistema de defesa agropecuária do País. O Brasil merece trabalho melhor.

 

O modelo atual é sabidamente ineficiente. Vem desde 1934 a sua conformação, com as primeiras instruções para a inspeção de carnes, leite e seus derivados. Em 1950 surge a lei básica do sistema, obrigando à inspeção sanitária o processamento alimentar. Nasce o Sistema de Inspeção Federal (SIF).

 

A base do sistema é a chamada inspeção permanente, aquela exercida por médico veterinário oficial, cujo escritório funciona dentro dos laticínios e frigoríficos. O pressuposto é que, com a presença física, ali, no pátio da agroindústria, o profissional verifica, ao vivo, todo o processo. Exerce assim, diretamente, seu poder de polícia sanitária.

 

No começo, funcionou bem. Poucas eram as empresas, muitos os fiscais sanitários. Vivia-se a época do Estado-patrão. Precários os métodos de controle, difícil a comunicação - afinal, nem fax havia, somente os olhos do veterinário resolviam a parada. Bons anos.

 

Quanto mais se fortalecia o setor agroindustrial, porém, ganhando escala para atender à urbanização brasileira, a defesa agropecuária encolhia sua eficiência. As empresas e o mercado cresciam em tamanho e complexidade. A fiscalização tradicional, aquela do mano a mano, não dava mais conta do recado. Nem inchando a máquina estatal.

 

Problema semelhante inquietara muitos países. A saída exigiu mudança do paradigma sanitário. Em vez de fiscalizar diretamente na ponta do consumo, dentro da empresa, a legislação repassou aos próprios empresários a tarefa do controle sanitário. E sacramentou ao governo a função dos supervisores, por meio de auditorias aleatórias.

 

Riscos sanitários em toda a cadeia produtiva, e não apenas na ponta final, passaram a ser investigados. Essa migração configurou novo método de trabalho, intitulado Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). Coube às empresas adotar o novo sistema. E os governos garantem sua credibilidade.

 

No Brasil, o corporativismo jamais permitiu tal modernização. Os técnicos preferem manter seu “poder de polícia” a repartir com a iniciativa privada a responsabilidade pela qualidade dos alimentos processados. O discurso atrasado é forte: supondo-se impolutos e onipresentes, argumentam que as parcerias privadas significam uma subversão da estrutura natural do Estado. Parece coisa getulina.

 

Já surgiu, no governo de Fernando Henrique Cardoso, proposta para criar uma Agência de Defesa Sanitária no País. Não vingou. Continua, com alguns aperfeiçoamentos, dominando o paradigma antigo. Resultado: o sistema acabou precário, por culpa não propriamente dos veterinários, mas do modelo ultrapassado de fiscalização.

 

A política de empurrar a sujeira para debaixo do tapete engana há tempos. Entram e saem ministros da agricultura sem que a poderosa corporação sanitária seja enfrentada. Na gestão do então ministro Roberto Rodrigues, desgraçadamente, ressurgiu a febre aftosa, afetando Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Percebeu-se, claramente, que o sistema de defesa agropecuária do País estava em frangalhos.

 

Agora, rolou o leite derramado. Uma vergonha pública. A fraude dos laticínios prova, definitivamente, que o velho sistema está falido. Virou um faz-de-conta. A isenção na fiscalização, imaginada a partir da presença fixa do profissional dentro da empresa, também suscita dúvidas. Afinal, a fraqueza humana não escolhe lugar.

 

O assunto lembra as auditorias da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) na década de 1970. Projetos de pecuária bovina, espalhados na selva, somente permitiam acesso por via aérea. E os fiscais do governo, a pé, pegavam carona no avião dos empresários para verificar o correto uso do dinheiro público. Os laudos eram, obviamente, favoráveis. Nunca viram a dinheirama desviada.

 

O tema da fiscalização sanitária é tabu no Brasil. Falta coragem para pôr o dedo na ferida. Tudo se abafa em nome do interesse nacional. Ocorre que, nesta época de árduas negociações internacionais, reconhecer as fraquezas internas pode significar “um tiro no pé”. Causam tremedeira, por aqui, as investigações das missões estrangeiras. Seus duros relatórios fomentam a guerra comercial, entremeada com questões sanitárias, como procedem os malandros irlandeses.

 

A pecuária leiteira cumpre uma agenda positiva, discutida há dez anos, finalmente estabelecida na Instrução Normativa 51, de 2002. Esta impõe melhorias na cadeia produtiva, desde a ordenha até o resfriamento, agora obrigatório. O bucólico e mal asseado latão de leite na beira da estrada teve seus dias contados. Ainda bem.

 

Essa evolução tecnológica abriu as portas do mercado internacional. De grande importador - em 1998 foram cerca de US$ 500 milhões -, o Brasil começou a exportar leite e derivados. Em 2006 arrecadou US$ 140 milhões em divisas. Esse bom trabalho levou uma bordoada dos picaretas da soda cáustica.

 

O SIF está numa encruzilhada. Precisa vencer seu corporativismo e se abrir para as novas tecnologias de controle sanitário. Nesse processo, os serviços estaduais de defesa sanitária, sempre desprezados por Brasília, merecem apoio. E os empresários do setor que arquem com sua responsabilidade. Lição de casa, para todos, a cumprir.

 

Na sanidade animal, antes tarde que nunca, chegou a hora da verdade.

 

* Xico Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. E-mail: xico@xicograziano.com.br

Site: www.xicograziano.com.br 


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O Estado de S. Paulo

06/11/2007

 

Opinião

Qualidade e segurança dos alimentos: Antônio Márcio Buainain

 

 

Viver no Brasil pode ser uma aventura perigosa. Não me refiro ao risco de ter o relógio roubado no meio do trânsito, de ser vítima de uma bala perdida ou de sofrer um acidente em estradas esburacadas; tampouco penso na possibilidade de ser tragado pela água da chuva que transforma ruas em rios por falta de infra-estrutura de escoamento ou limpeza de bueiros; ou de acabar soterrado por deslizamento de terra à primeira chuva de verão. Nem me lembro de acidentes aéreos que não saem das manchetes. Um bom estatístico não teria dificuldade de apresentar sólida evidência de que a probabilidade de ocorrência desses eventos é pequena, muito menor do que a de ganhar sozinho na Mega Sena, e que eu não deveria me preocupar com estes riscos da mesma maneira que não devo gastar o dinheiro da loteria antes de o bilhete ser sorteado.

 

O risco a que me refiro é mais real, palpável e não pode ser evitado, já que é recomendável - e deveria ser saudável - que as pessoas se alimentem, de preferência três vezes ao dia. A verdade é que já fazia parte, como se diz na linguagem popular, adquirir combustível batizado, medicamentos vencidos, brinquedos defeituosos que comprometem a segurança das crianças, etc. Mas a “descoberta” de fraude na fabricação de leite industrializado, com a adição de produtos químicos para mascarar a falta de higiene na produção e a má qualidade do produto, põe em tela um tema cada vez mais importante nos países desenvolvidos: o da qualidade e segurança dos alimentos. Revela para a sociedade o que especialistas, produtores e governos já sabiam: a ineficácia do sistema de inspeção e fiscalização sanitária. O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, declarou que os produtores “sabiam que estava havendo adulteração do produto, com adição de soro, água ou amido”, mas que não imaginavam “que a situação fosse tão grave quanto o que está sendo colocado”. E reconhece que “o governo não tem condições de fazer uma fiscalização efetiva na cadeia produtiva do leite, que é produzido em todos os 5.565 municípios do País”.

 

Se o problema fosse circunscrito a este produto, seria apenas adotar a revolucionária “dieta do leite” - que suprime a ingestão de todo produto lácteo. O prejuízo ficaria limitado aos produtores de leite, que, depois de anos de dificuldades que levaram milhares à troca de atividade, finalmente estavam retomando os bons negócios. Mas quem garante que o problema seja só com o leite, se as instituições que deveriam zelar pela qualidade e sanidade dos alimentos se mostram incapazes de cumprir suas funções? A capacidade dos consumidores para avaliar os alimentos é limitada. Podem inferir alguns atributos a partir da aparência, antes mesmo de tomar a decisão de consumi-los; para conhecer o sabor precisam prová-los; mas mesmo assim não saberão identificar algumas características dos produtos - reveladas por testes laboratoriais -, que, por isso, são consumidos em confiança. Daí a importância das marcas usadas pelas empresas para transmitir uma mensagem ao consumidor, conquistá-lo e fidelizá-lo. Produtos saudáveis, de qualidade, durabilidade e produzidos com respeito ao meio ambiente são associados a marcas e consumidos em confiança.

 

O problema é que semanalmente os canais de TV apresentam avaliações da conformidade de produtos às normas estabelecidas e raramente os resultados são animadores. Mesmo marcas conhecidas de alimentos são reprovadas em quesitos básicos, como a quantidade de caloria, a não declaração de ingredientes que podem causar alergia ao consumidor, açúcar em produtos para diabéticos, entre outros. A explicação usual é que o teste aplicado não corresponde ao usado pela empresa. Quando problemas que deveriam ser detectados pela fiscalização o são pela Polícia Federal, é porque a situação já fugiu do controle.

 

É provável que o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) tenha razão ao afirmar que “se outros alimentos forem testados, também vão apresentar problemas”. A simples contratação ou rodízio de fiscais não resolverá o problema. Enquanto a fraude for fonte de lucro, e não de punição, a indústria da falsificação se manterá forte e dinâmica. E, quando se fala em punição, e se olha para cima, não há muitas razões para otimismo neste Brasil que insiste em reclamar e não reagir, em responsabilizar o governo e permanecer inerte.

 

*Antônio Márcio Buainain é professor do Instituto de Economia da Unicamp. E-mail: buainain@eco.unicamp.br 

 

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Estado de Minas

06/11/2007

 

Pecuária de Leite

Longa-vida fora do padrão

  

Junia Oliveira

  

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou, ontem, que os leites produzidos pela Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale), de Uberaba, no Triângulo Mineiro, da marca Centenário; Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), de Passos, no Sudoeste do estado; e pelo Aviário Porto-Alegrense (Avipal), de Itumbiara (GO), que embala o Calu, estão fora dos padrões de qualidade. Ressaltou que não se trata de um problema de manipulação, como vem sendo investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF). Entre os pontos em desacordo com a legislação, estão a qualidade da gordura e a quantidade de proteínas e de água.

 

O ministério suspendeu sexta-feira a venda do longa vida integral dessas empresas. Mas a interdição se refere somente à distribuição do fabricante para os pontos de venda e não ao leite que está nos supermercados, que é de responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência, por sua vez, informou que não definiu quais procedimentos vai adotar em relação ao caso.

 

Hoje, uma audiência pública na Assembléia Legislativa (Alemg) vai debater, em Belo Horizonte, as denúncias de adulteração do leite no estado. Um dos pontos que o deputado Délio Malheiros (PV), autor do requerimento, vai questionar está no documento do MPF, que deflagrou a Operação Ouro Branco. Informações do Laboratório Nacional Agropecuário em Minas Gerais (Lanagro/MG), do Ministério da Agricultura, mostram que o peróxido de hidrogênio, se misturado ao leite numa concentração de até 200 partes por milhão (ppm), evapora em até quatro horas.

 

Malheiros questiona as inspeções que estão sendo feitas pela Vigilância Sanitária Municipal nas nove regionais de BH. “Não vão encontrar qualquer rastro de produtos químicos”, diz. Foram recolhidas amostras de 10 marcas diferentes nas regiões Leste e Barreiro semana passada. O resultado das análises mostrou que todas são recomendáveis para consumo. Ontem, foram recolhidas mais cinco caixas na Região Norte e, amanhã, será a vez da Nordeste.

 

O farmacêutico-bioquímico e gerente do Laboratório de Bromatologia da Prefeitura de BH, Luiz Antônio Neto Valente, confirmou que é possível ocorrer a evaporação no tempo mencionado pelo laudo do MPF. “Por isso, a Anvisa informou que o problema não é um risco iminente à saúde. A esterilização do leite UHT é feita entre 130 e 142 graus centígrados, em três a quatro segundos. A quantidade de água oxigenada teria de ser enorme para existir algum resíduo dela depois desse processo porque a temperatura é muito alta. O leite UHT é seguro”, ressaltou.

 

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O Estado de S. Paulo

06/11/2007

 

Pecuária de Leite

Começam vistorias aleatórias em empresas de leite

 

 

O Ministério da Agricultura deu início ontem ao novo modelo de fiscalização do leite. Vistorias-surpresa começaram a ser feitas aleatoriamente em empresas de leite em quatro Estados do País. Antes, fiscais atuavam fixos nas cooperativas.

No Maranhão, 4,5 toneladas de queijo foram apreendidas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) ontem. O carregamento era transportado em caminhão de carroceria aberta, de Tocantins. Na Bahia, a PRF apreendeu 400 kg de queijo em Jequié. O queijo estava na carroceria de uma picape, sem acondicionamento térmico. 

Valor Econômico

07/11/2007

 

Pecuária de Leite

ABLV sugere que leite com soda pode ter sido exportado

 

 Mauro Zanatta

 

 Atingidas em cheio pelas denúncias de fraude no leite investigadas pela Polícia Federal, as indústrias do produto longa vida partiram para o ataque ao sugerir que parte do leite adulterado com soda cáustica poderia ter sido dirigida à exportação. 

 

O presidente da Associação Brasileira do Leite Longa Vida (ABLV), Wellington Silveira Braga, levantou ontem, durante seminário sobre exportação de lácteos, a hipótese sobre uma eventual contaminação dos embarques. "Se o destino desse leite que estava contaminado com soda cáustica foi para um outro local que não seja o leite longa vida, pode-se correr o risco de ter ido para alguma empresa que esteja exportando, criando uma dificuldade", disse à Agência Brasil. "Um caso isolado, podendo afetar todo o mercado internacional do Brasil". A ABLV representa 27 indústrias, nacionais e multinacionais, além de centrais cooperativas. 

 

A afirmação suscitou uma forte reação das indústrias exportadoras. "Os testes para as mercadorias de exportação são os mais rigorosos do país. O comprador também faz testes na chegada do produto. Jamais seria possível que isso ocorresse. Ele está delirando", rebateu o diretor-executivo da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL), Paulo Bernardes. Questionada sobre as declarações, Silveira Braga esclareceu, via assessoria, que a ação da Polícia Federal inibiu a eventual contaminação das exportações. 

 

Em meio às acusações mútuas, industriais e produtores de leite acreditam que a crise pode até resultar em um saldo positivo no médio prazo. Desde que as fiscalizações do ministério não parem no meio do caminho e sirvam para, efetivamente, inibir a rentável fraude econômica no setor lácteo. "Isso foi um caso isolado. Tem ladrão em toda parte do mundo. Mas isso indica um caminho para a melhoria do setor", diz Paulo Bernardes. O produto brasileiro, segundo ele, goza de "extremo respeito" aqui e no exterior e o Ministério da Agricultura utiliza as melhores ferramentas para evitar casos como o identificado em duas cooperativas de Minas Gerais. 

 

O coordenador de Integração para Exportação do ministério, Daniel Amin Ferraz, disse, no seminário, que a situação pode realmente prejudicar as vendas externas. "Com certeza, é um problema sério. Ninguém pode imaginar que uma situação dessas vai passar de alguma forma impune e despercebida no mercado, porque não vai". 

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O Estado de S. Paulo

07/11/2007

 

Pecuária de Leite

O milagre da multiplicação do leite : Fernando José R. Kachan  

 

 

A Operação Ouro Branco da Polícia Federal tornou pública a prática de adulterar o leite pela adição de água oxigenada, soda caustica, soro de leite e outras substâncias que, combinadas, atuam como conservantes e promovem o milagre da multiplicação do leite.

 

Há muito alguns segmentos da cadeia láctea discutiam, reservadamente, o problema da fraude no leite longa vida e se manifestavam preocupados com a eventual divulgação desse problema e o risco de se provocar grave crise no setor pela queda no consumo.

 

Confiavam em que, para resolver a questão, bastaria que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento intensificasse as fiscalizações. Em algumas ocasiões houve ação do Ministério, que chegou a identificar leite fraudado em marcas analisadas, mas com tímida divulgação.

 

O lobby da adição de soro ao leite sempre foi forte e atua não só no sentido de dificultar as fiscalizações, como também no de legalizar a adição de soro ao leite, criando uma verdadeira aberração tupiniquim, o “leite modificado”.

 

Há alguns anos, qualificado funcionário de um laticínio me enumerou os “esses” do leite longa vida. Recordo-me de alguns, como S de suborno, S de sorbato de potássio, S de soda e S de soro. As conseqüências desse descalabro se fazem sentir por toda a cadeia produtiva.

 

A indústria, promovendo o milagre da multiplicação do leite, satisfaz sua avidez por lucros fáceis vendendo um líquido branco por leite a preços que não poderiam ser praticados se todo o conteúdo da caixa fosse, de fato, leite.

 

O varejo, por sua vez, faz do leite de preços irrisórios chamariz para atrair o consumidor e exerce sobre a indústria enorme pressão para redução de preços.

 

O governo prefere se omitir. Primeiro, pelo obsessivo combate à inflação, em que os fins justificam os meios. Alimento tem de ser barato. Não importa que isso signifique enorme passivo aos produtores ou produto de baixa qualidade. Segundo, porque é um dos maiores compradores do produto para distribuição à população de baixa renda. Dói no bolso do Estado o preço do leite justo.

 

A situação do consumidor merece análise mais detalhada. A principal qualidade que o consumidor brasileiro preza no leite é o preço baixo. Isso ocorre porque o consumidor não está habituado a consumir o leite sem adição de café, achocolatados, açúcar e outras substâncias que mascaram seu sabor natural. Desde a tenra idade dos filhos, as mães, ao cessar o aleitamento materno e introduzir o leite na dieta das crianças, fazem-no sempre com adição dessas substâncias. Resultado disso é que as crianças crescem sem saber distinguir o verdadeiro leite pelo sabor. Para o consumidor, sendo líquido e branco é leite. Independentemente dessa condição, os consumidores brasileiros estão sendo lesados quando compram leite e recebem outras substâncias.

 

Os produtores de leite sofrem sérios prejuízos com as fraudes. O milagre da multiplicação do leite promove o aviltamento dos preços que lhes são pagos, normalmente insuficientes para cobrir os custos de produção. Os preços baixos são sempre justificados pelo excesso de matéria-prima no mercado. O resultado disso é a dilapidação do seu patrimônio e a diminuição da capacidade de investimento, o que afeta a obtenção de produtos de qualidade superior.

 

O leite longa vida caiu no gosto popular pelas facilidades que proporciona. Não é necessário, contudo, ser versado em ciências econômicas para constatar a impossibilidade de que 1 litro de leite longa vida custe por volta de R$ 1. Se apenas a caixinha, ou seja, o continente, custa aproximadamente R$ 0,40, significa que sobra R$ 0,60 para remunerar o leite que contém o transporte da fazenda ao laticínio, todos os custos industriais, as comissões de venda, o transporte até o varejo, os lucros da indústria e do varejista, os impostos, etc. A conta não fecha se não houver o milagre da multiplicação do leite.

 

A sociedade brasileira precisa deixar o cinismo de lado e assumir que, definitivamente, não é possível ter leite com qualidade a preços módicos sem que se leve o produtor à falência.

 

As sociedades evoluídas respeitam aqueles que produzem alimentos e reconhecem a sua importância para a segurança da nação. A sociedade brasileira os despreza e apenas se lembra que os produtores rurais existem quando o preço dos seus produtos sobe e os torna os “vilões da inflação”.

 

Tudo na vida tem seu preço. Qualidade do leite, também.

 

*Fernando José Ribeiro Kachan, agrônomo, é um dos fundadores e presidente por dois mandatos da Associação dos Produtores de Leite do Noroeste Paulista (Láctea Noroeste)

 

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Valor Econômico

07/11/2007

 

Pecuária de Leite

Mineira Itambé busca ampliar venda externa

 

De Brasília

  

Em meio à forte turbulência gerada pelas denúncias de fraude na industrialização de leite no país, a Itambé reforçou sua estratégia para ampliar as vendas de leite em pó ao exterior. 

 

O foco principal da central cooperativa mineira está no mercado da Argélia, o quarto maior importador mundial de produtos lácteos. A Itambé aproveita hoje a viagem ao Brasil do ministro argelino da agricultura, Said Barkat, para fazer uma demonstração sobre o ciclo de produção do leite, da ordenha na fazenda ao envase pela indústria. "Vamos mostrar que temos plenas condições de atender ao mercado deles com alta qualidade", diz o vice-presidente da cooperativa, Jacques Gontijo. A empresa fará apresentações de sua mais nova planta industrial, em Uberlândia (MG), cujo processo de envase é todo automatizado. "Tem fábrica igual no mundo, mas melhor, não tem", diz Gontijo. 

 

Em jogo, está uma venda potencial de até 10 mil toneladas de leite em pó aos africanos. A Argélia compra anualmente 200 mil toneladas de leite em pó. A Itambé participa de uma licitação internacional feita pela estatal argelina MilkTrade para a compra de 40 mil toneladas de leite em pó, o equivalente a US$ 190 milhões. Sozinha, a Itambé estima embarcar US$ 120 milhões em lácteos ao exterior neste ano. 

 

O mercado lácteo da Argélia, cujo tamanho equivale a 2,1 bilhões de litros em leite fluído, é o mais aberto ao produto brasileiro dentre os principais importadores. Os outros mercados, como Rússia, México e Japão, ainda mantêm barreiras técnicas e comerciais ao leite nacional. (MZ) 

 

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Folha de S. Paulo

09/11/2007

 

Pecuária de Leite

Parmalat e Calu contestam resultados

  

DA AGÊNCIA FOLHA

 

 

O presidente do conselho de administração da Parmalat, Marcus Elias, disse ontem que os testes da Vigilância Sanitária de Minas não são determinantes para avaliar a qualidade do leite nem são exigidos pelo Ministério da Agricultura.

 

Segundo o dirigente, o teste de cinzas, usado para medir a presença de neutralizantes de acidez, não é eficaz porque o estabilizante permitido por lei no leite longa vida altera o resultado.

 

Ele disse ainda que não há padrões para presença de sódio no leite brasileiro.

 

Em nota, a Parmalat pediu "isonomia de tratamento" à Vigilância mineira e imediata suspensão da interdição dos lotes até que a empresa tenha acesso aos resultados das análises e apresente contraprova.

 

A Calu informou, em nota, que dispõe de análise de dois laboratórios credenciados pelo ministério atestando a qualidade do leite nos produtos interditados. A empresa informou que vai retirar os lotes do mercado, apesar de não entender a divergência dos resultados. A empresa solicitou ainda que os mesmos testes sejam aplicados a outras marcas.

 

A Folha não localizou representantes da Centenário.

 

 

Valor Econômico

09/11/2007

 

Pecuária de Leite

Fraude acelera concentração no longa vida

 

Alda do Amaral Rocha

 

"Fazer leite com leite custa mais caro". A frase, que soa absurda, dita por um especialista em lácteos que prefere não se identificar, dá uma pista do futuro do setor no Brasil, principalmente no segmento de longa vida. As recentes descobertas de adulteração do leite, com a adição de soda cáustica e água oxigenada no produto cru por duas cooperativas mineiras, podem reforçar o movimento de consolidação do longa vida no país, no qual existem cerca de 140 marcas e aproximadamente 70 empresas. 

 

A avaliação de especialistas é de que, até hoje, algumas empresas só conseguiam ser competitivas porque faziam algum tipo de adulteração no leite com o objetivo de aumentar o volume e melhorar as margens. Se a fiscalização do Ministério da Agricultura ficar realmente mais rigorosa após as descobertas da Operação da Polícia Federal, essas companhias terão de mudar de prática ou sairão do mercado, avaliam. "Vai ter gente que, sem fraude, vai perceber que não pode produzir leite longa vida, vai sair do mercado", diz o analista Maurício Palma Nogueira, da Scot Consultoria. Ele acrescenta que algumas empresas só tinham competitividade porque atuavam de "maneira ilícita". 

 

Um outro analista diz que o setor irá se consolidar se "a fiscalização continuar". Ele observa que o retorno hoje no segmento é muito baixo - só a embalagem longa vida tem custo unitário de R$ 0,40 num produto cujo preço varia de R$ 1,30 a R$ 1,40 no atacado - por isso o maior rigor na fiscalização provocará mudanças no setor. De acordo com uma fonte da indústria, a margem no longa vida hoje é de apenas R$ 0,03 por litro. 

 

A recente compra da Eleva pela Perdigão é um exemplo de que a consolidação já está em curso no setor, observa Marcelo Carvalho, da consultoria Agripoint. A Eleva, que produz o leite Elegê, comprou no primeiro semestre os ativos da Paulista em Goiás, e acaba de ser adquirida pela Perdigão, dona da Batávia. "Esse é um segmento de rentabilidade muito apertada e que deve passar por consolidação". 

 

Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), Laércio Barbosa, o processo de consolidação vai se acelerar "porque será dado maior valor à marca, à segurança, à confiança do consumidor" após a descobertas das fraudes. Até agora, afirma, a questão preço era a mais visada. Commodity, o leite longa vida trabalha com margens apertadas, por vezes negativas. "Qualidade tem preço", resume Barbosa. 

 

Ele diz que os problemas verificados nas cooperativas mineiras Casmil e Coopervale "foram isolados" e argumenta que não existe laudo do Ministério da Agricultura dizendo que foi detectada soda cáustica no longa vida. A exposição do setor foi injustificada, diz, já que outros segmentos de lácteos também adquiriram leite das cooperativas. 

 

Uma das que mais sofreu com o episódio foi a Parmalat, que havia comprado leite das cooperativas por três meses e as descrendenciou assim que surgiram as acusações. 

 

O presidente do conselho de administração da Parmalat, Marcus Elias, afirma que a empresa devolveu 100 mil litros de leite "fora de padrão" às duas cooperativas. Após a descoberta das fraudes, o Ministério da Agricultura inspecionou fábricas da Parmalat em Carazinho (RS) e Santa Helena de Goiás (GO), e divulgou laudo dizendo que seus produtos estavam "de acordo com parâmetros estabelecidos pelo Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade". 

 

Sobre o impacto do episódio nas vendas da empresa, Elias diz que "outubro estava vendido". Agora, a Parmalat está monitorando novembro, segundo ele. O empresário afirma "não ter nenhuma dúvida" de que a Parmalat "vai dar a volta por cima" após o episódio. "Temos uma marca forte e estamos trabalhando para esclarecer a opinião pública", declara. Sobre uma possível queda nas vendas de longa vida, ele diz que, caso isso ocorra, a empresa vai vender mais outros itens, como o leite em pó. 

 

Segundo o analista Antônio Xavier, da AEX Consultoria, um efeito das fraudes em Minas Gerais é a valorização dos leites A e do pasteurizado em detrimento do longa vida, que estão sendo mais procurados pelos consumidores. 

 

Se macula a imagem do leite no curto prazo, a descoberta de fraudes também tem aspectos positivos. "Com a eliminação da fraude, os empresários que trabalham corretamente serão favorecidos, tanto as pequenas e médias indústrias e cooperativas", diz Palma Nogueira. Ele explica que as fraudes aumentavam o volume do leite, pressionando o mercado. O consumidor também será beneficiado, se houver fiscalização mais rigorosa, assim como as empresas e os produtores de leite, afirma outro especialista do setor. 

 

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Correio Braziliense

19/11/2007

 

Pecuária de Leite

Investimento em leite

 Centro de pesquisa da Embrapa garantirá o melhoramento genético de gado leiteiro no DF. Objetivo é produzir mais e melhor

 

Luciano Pires

Da equipe do Correio

  

Kleber Lima/CB - 6/11/07

Segundo Moacir Saueressig, os primeiros beneficiados serão os pequenos produtores

 No momento em que o país busca respostas para a crise do leite e o consumidor exige mais garantias em relação à qualidade do produto, o Distrito Federal prepara-se para se tornar referência em pesquisa de gado leiteiro. Inaugurado no início do mês, o Centro de Transferência de Tecnologias de Raças Zebuínas com Aptidão Leiteira (CTZL) é um verdadeiro laboratório a céu aberto. A meta é, no médio prazo, criar condições técnicas e estruturais para a expansão das produções nacional e local.

 

Para funcionar, o CTZL conta com o apoio de associações de criadores e cientistas. O centro vai oferecer treinamento a agricultores, estudantes e técnicos. “Vamos criar uma espécie de carteira de identidade para cada zebuíno que entrar aqui”, explica Moacir Saueressig, presidente do Conselho Técnico Administrativo do CTZL. O foco, segundo ele, está na pequena propriedade — alicerce das principais bacias leiteiras regionais —, mas nada impede que os grandes produtores também se beneficiem dos avanços obtidos com a pesquisa e o intercâmbio de conhecimento.

 

O acesso a material genético de ponta e à biotecnologia impulsionará o rebanho nacional, uma vez que só 7% do gado leiteiro é inseminado artificialmente. A estação de pesquisa, idealizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com os ministérios da agricultura e da Ciência e Tecnologia, fica próxima à BR-060, no Gama. O fato de estar fisicamente instalada no DF, apostam os produtores, elevará o nível da atividade na região em pouco tempo. “A produção de leite do DF sofrerá um impacto significativo dentro de cinco anos”, prevê Saueressig.

 

Hoje, o mercado local é quase que totalmente abastecido pelo leite de Minas Gerais e de Goiás — os produtores do DF ofertam apenas 20% do que a demanda exige. O rebanho é reduzido e a produtividade, uma das mais baixas do país. Com a aplicação de técnicas adequadas, haverá uma expansão sem precedentes. Pesquisadores da Embrapa e especialistas do CTZL vão formar e treinar pessoal qualificado. Do gerente da fazenda ao peão, todos serão capacitados.

 

Vanguarda

Do ponto de vista de negócios, o CTZL também oferecerá vantagens. Inclusive para os grandes criadores. Ao “emprestar” matrizes de alta performance, por exemplo, os produtores levarão de volta para suas fazendas animais mapeados e um completo raio-x genético, o que valoriza o animal. “As vacas serão mapeadas e as que tiverem aptidão genética terão o material recolhido. Uma parte será repassada ao proprietário, outra ficará em nosso banco de germoplasma e outra irá para a assistência aos pequenos produtores”, afirma Saueressig. A expectativa, segundo ele, é de que grandes e renomados produtores mandem para o CTZL as melhores vacas do país.

 

O secretário de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, Joe Valle, acredita que com o interesse da comunidade científica e a participação do produtor o CTZL ganhará projeção internacional. “Estamos criando condições para isso. Teremos a oportunidade de estudar e melhorar raças adaptadas para o ambiente tropical”, completa.

 

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Estado de S. Paulo

21/11/2007

 

Pecuária de Leite

Ministério altera fiscalização do leite

   

O Ministério da Agricultura está alterando, em diversos Estados, o sistema de fiscalização em laticínios sob controle do Serviço de Inspeção Federal (SIF), que já havia sido adotado em Minas. O novo modelo prevê que as inspeções sejam feitas de forma aleatória, por uma equipe de, no mínimo, três auditores.

 

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O Estado de S. Paulo

21/11/2007

 

Opinião

Um risco para o Mercosul

 

 

Não interessa ao Brasil, neste momento, o ingresso da Venezuela no Mercosul. Não há justificativa econômica, nem diplomática, para se acolher no bloco o país comandado pelo presidente Hugo Chávez. Aprovar a adesão da Venezuela, agora, seria entregar um cheque em branco a um parceiro que nem sequer assumiu os compromissos mínimos para a associação. Em contrapartida, sobram razões para se recusar, nas condições de hoje, a pretensão venezuelana de participar da união aduaneira formada por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Se o Congresso aprovar essa participação, atendendo às pressões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será cúmplice de mais um erro de política externa - um dos mais graves praticados na gestão petista.

 

Para começar, falta discutir detalhes técnicos da inclusão de mais um sócio no Mercosul. O governo venezuelano tem conseguido adiar a discussão, embora insista em obter a aprovação do Congresso brasileiro. Se tem tanto interesse, por que não procura eliminar todas as dúvidas definitivamente?

 

Em segundo lugar, as condições fixadas até agora são muito desiguais e interessam muito mais à Venezuela do que ao Brasil. A maior parte dos produtos venezuelanos poderá entrar livremente no mercado brasileiro a partir de 2010. Os exportadores brasileiros terão a vantagem recíproca dois anos mais tarde. Além disso, a Tarifa Externa Comum (TEC) só deverá valer para o novo sócio a partir de 2014 - e isso na melhor hipótese, pois o governo do presidente Chávez nem sequer aceitou formalmente essa cláusula, essencial ao funcionamento de uma união aduaneira.

 

Em terceiro lugar, o presidente Hugo Chávez já declarou, para quem quiser ouvir, que pretende entrar no Mercosul para mudá-lo. Não explicou em que consistirá a mudança, nem o presidente Lula parece haver-se importado com isso. Mas os brasileiros menos propensos a fantasias ideológicas não podem menosprezar esse detalhe. Que associação é essa que aceita um sócio que anuncia a intenção de transformá-la segundo seus planos particulares?

 

Em quarto lugar, não tem sentido, neste caso, tratar separadamente dos objetivos econômicos do bloco e das bandeiras políticas de um candidato a sócio - entre as quais a da “destruição do império”. Só um bloco suicida sujeitaria suas possibilidades de acordos com quaisquer parceiros às idiossincrasias e preferências ideológicas de um de seus membros, especialmente de um membro não fundador.

 

O projeto de inclusão da Venezuela deve ser votado hoje pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, quase um mês depois de ter sido aprovado pela Comissão de Relações Exteriores. O relator do projeto na CCJ, deputado Paulo Maluf (PP-SP), votou a favor da aprovação, “apesar de Hugo Chávez”. Segundo Maluf, convém tratar separadamente do país e de seu governante: “A Venezuela é eterna”, disse o deputado, “mas o Chávez é psicopata, cafajeste, palhaço e maluco.”

 

Mas não há como separar, nesse caso, o país, seu governante e o regime que ele pretende construir. É uma irresponsabilidade avaliar a inclusão da Venezuela no Mercosul, neste momento, sem levar em conta o projeto de poder de seu atual presidente e a possibilidade de instauração, em breve, de um novo regime no país.

 

Não se trata, ao contrário do que dizem parlamentares favoráveis à aprovação, de interferir na política de um vizinho. Trata-se de evitar, por mera prudência, que o Mercosul aceite como sócio um país que poderá, em breve, estar submetido a uma ditadura, fortemente armada e ameaçadora da estabilidade regional.

 

Mais que irresponsabilidade, será um erro de proporções amazônicas imaginar que o Mercosul possa domesticar e civilizar um caudilho faminto de poder e disposto a investir bilhões de petrodólares para alcançar seus objetivos políticos.

 

Até aqui, Brasil e Venezuela têm mantido relações econômicas satisfatórias. Não há por que supor que o intercâmbio possa ser muito melhor com a inclusão daquele país no Mercosul. Mas há razões mais que suficientes para afirmar que esse passo seria muito arriscado. O melhor, portanto, é preservar a relação bilateral nos bons termos de hoje e evitar complicações desnecessárias. Haverá novas oportunidades para reexaminar o assunto.

 

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Folha de S. Paulo

04/12/2007

 

Leite

Análise da PF aponta adulteração em 8 amostras de leite da Copervale   

Exame identificou existência de substâncias alcalinas; cooperativa não comentou  

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

 

Análise feita pelo INC (Instituto Nacional de Criminalística), da Polícia Federal, identificou em oito de nove amostras de leite colhidas na Copervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande) a existência de substâncias alcalinas. Segundo a PF, isso é forte indicativo de que houve adição de soda cáustica no material selecionado para perícia durante a Operação Ouro Branco, em outubro.

 

As análises técnicas também revelaram que houve adição de água, sacarose, sal e soro ao leite in natura, provavelmente com o propósito de aumentar a quantidade de produto. As investigações continuam.

 

A Folha procurou ontem representantes da Copervale, que disseram que não se pronunciariam sobre o laudo. Na Ouro Branco, a PF revelou a ação de um grupo criminoso que adicionava soda cáustica e água oxigenada ao leite in natura para, além de aumentar a quantidade do produto, prolongar seu prazo de validade.

 

Nos depoimentos dos 26 funcionários e empresários suspeitos de envolvimento na fraude, houve a confirmação de que, usando uma fórmula química específica, a Copervale, de Uberaba (MG), adicionava soda ao leite que seria vendido na modalidade longa vida.

 

As técnicas utilizadas para a análise do material pelo INC seguiram a metodologia desenvolvida pelo Lanagro (Laboratório Nacional Agropecuário), o laboratório oficial do Ministério da Agricultura.

 

Deflagrada em 22 outubro, a Ouro Branco descobriu a adição de substâncias impróprias para o consumo, como soda cáustica e água oxigenada, no leite fornecido pela Copervale e por outra cooperativa, Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de Passos (MG). Laudo do Lanagro apontou a presença de peróxido de hidrogênio no leite produzido pela Casmil. No caso da Copervale, o laudo que havia até agora era inconclusivo.  

A operação prendeu 28 pessoas, que já estão soltas.

  

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Colaborou a FOLHA RIBEIRÃO

O Globo

04/12/2007

 

Leite

Laudo da PF confirma soda cáustica em leite  

Amostras são da Coopervale. Mais testes saem hoje

  

Jailton de Carvalho

 

BRASÍLIA. Laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal confirmou a presença de soda cáustica em amostras do leite apreendido na Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale) durante a Operação Ouro Branco, no fim de outubro. Outro laudo, que deve ser concluído hoje, igualmente aponta indícios de água oxigenada no leite recolhido pela PF na Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil) - também alvo da investigação. As duas empresas são fornecedoras de grandes empresas distribuidoras de leite e queijo.

 

As análises preliminares já apontavam a adição de soda cáustica e água oxigenada ao leite das duas cooperativas. Segundo a polícia, os laudos reforçam as provas contra diretores e funcionários daquelas empresas. No primeiro dia da operação, 27 pessoas foram presas, entre eles dois fiscais do Ministério da Agricultura encarregados de zelar pela qualidade do leite.

 

A idéia de se misturar a soda cáustica ao leite teria partido do químico responsável pela produção da Coopervale. O objetivo era aumentar em até 30% o volume do produto e, com isso, ampliar os lucros da cooperativa. A adição de água oxigenada servia para retardar a deterioração de parte do leite produzido na Casmil.

 

A PF está investigando cooperativas de todo o país, e o sistema de fiscalização do Ministério da Agricultura está sendo reestruturado.

 

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Correio Braziliense

04/12/2007

 

Leite

Laudo confirma fraude em leite

Instituto de criminalística da PF encontra soda cáustica no produto apreendido na Copervale. Resultado da análise nas amostras recolhidas na Casmil deve sair hoje

  

Laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal confirmou a presença de soda cáustica em amostras do leite apreendido na Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Copervale), em Minas Gerais, durante a Operação Ouro Branco, no fim de outubro. Outro laudo, que deve ser concluído hoje, igualmente aponta indícios de água oxigenada no leite recolhido pela PF na Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil) — também alvo da investigação. As duas empresas são fornecedoras de grandes empresas distribuidoras de leite e queijo.

 

As análises preliminares já apontavam a adição de soda cáustica e água oxigenada ao leite das duas cooperativas. Segundo a polícia, os laudos reforçam as provas contra diretores e funcionários dessas empresas. No primeiro dia da operação, 27 pessoas foram presas, entre elas dois fiscais do Ministério da Agricultura encarregados de zelar pela qualidade do leite.

 

A idéia de se misturar a soda cáustica ao leite teria partido do químico responsável pela produção da Copervale. O objetivo era aumentar em até 30% o volume do produto e, com isso, ampliar os lucros da cooperativa. A adição de água oxigenada servia para retardar a deterioração de parte do leite produzido na Casmil.

 

Depois das denúncias de fraude no leite a Polícia Federal decidiu investigar cooperativas em todo o país e o sistema de fiscalização do Ministério da agricultura está sendo reestruturado.

 

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Jornal do Commercio

09/12/2007

 

Leite

Adulteração de leite é conhecida

  

Felipe Lima

 

A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) vinha recebendo (e repassando ao Ministério da Agricultura), há cinco anos, denúncias de adulteração de leite em cooperativas. Em outubro, a Operação Ouro Branco, da Polícia Federal, desmontou um esquema de adulteração praticado pela Coopervale e Casmil, em Minas Gerais. Vinte e sete pessoas foram presas por adicionarem substâncias como soda cáustica e água oxigenada ao leite para aumentar a sua longevidade. O presidente da OCB, Márcio Lopes, que participou na semana passada do 23º Encontro Estadual Encontro Estadual do Cooperativismo de Pernambuco, em Gravatá, diz que enviou diversas correspondências ao Ministério da Agricultura pedindo que se intensificasse a fiscalização. “Mas a alegação era sempre que faltavam recursos”, afirmou.

 

JC – Após quase dois meses da Operação Ouro Branco qual foi o impacto para o movimento cooperativista no Brasil do episódio?

 

MÁRCIO LOPES – O impacto foi na imagem, na hora em que membros de uma cooperativa do sistema cometem uma irregularidade. O cooperativismo é sempre reconhecido pelos seus princípios e seus valores e praticar um crime dessa magnitude acaba prejudicando não só a imagem de uma cooperativa, mas de todo o sistema. Isso é irreversível, é uma mancha, que nós só procuramos saneá-la mostrando que foi um fato isolado cometido por um dirigente de uma cooperativa, que já recebeu sua punição.

 

 JC – Na época, a Organizações das Cooperativas Brasileiras reagiu de uma forma muito discreta. Por quê?

 

LOPES – A OCB é uma instituição de representação do movimento cooperativista brasileiro. Nós representamos 7.516 cooperativas de todas as atividades. Só de cooperativas que trabalham com leite são 345 espalhadas pelo Brasil. Não temos poder de polícia, de intervenção e nem de punição. Perante a opinião pública nosso posicionamento foi de esclarecimento. Foi de não compactuar com aquelas atitudes, de repudiar, mas também de não ficar trazendo mais atenção em um momento negativo para a imagem do cooperativismo.

  

JC – O que aconteceu em Minas Gerais é de fato um caso isolado?

 

LOPES – Nós temos mais de 1.700 laticínios no Brasil, 345 são cooperativas e o resto são privados. Sabíamos há muitos anos que estavam sendo cometidas fraudes. Em todas as reuniões que eu participei como presidente da OCB com cooperativas de laticínios elas reclamavam dessas fraudes. Enviei correspondências e comunicados ao Ministério da agricultura pedindo que se intensificasse a fiscalização. Chegou a um ponto que há dois anos atrás, quando o ministério alegava não ter recursos para fazer essa fiscalização, a OCB, juntamente com a Confederação Nacional da Agricultura, aportou recursos num fundo para garantir que a fiscalização fosse feita.

 

JC – Quanto foi investido nessa fiscalização?

 

LOPES – Na época, nós fizemos um fundo que chegou a R$ 300 mil. Depois houve uma inibição pelas contas públicas, pelas secretarias gerais de controle, pois a iniciativa privada não podia aportar recursos para uma ação que é obrigatoriedade do governo. Tivemos que recuar por força de lei.

 

 

JC – Então o brasileiro vinha consumindo um leite que na verdade não era leite há muito tempo.

 

LOPES – Que poderia não ser leite. Isso eu não vou dizer porque eu não sou de nenhum órgão de fiscalização. Mas o brasileiro vinha sem garantia de qualidade no que estava consumindo há muito tempo.

 

JC – E que outros segmentos produzidos por cooperativas atuam merecem um incremento na fiscalização? Já recebeu denúncias sobre adulterações em outros produtos?

 

LOPES – Sim, em toda a indústria de carnes, principalmente na de aves.

 

JC – Que irregularidades são essas?

 

LOPES – Eu não sou um técnico no assunto, mas há problemas no processo de congelamento das aves, com a presença de salmoura (líquido salgado saturado, que se prepara para conservar carnes, peixes e legumes), ou seja, se injeta salmoura no frango antes do congelamento para aumentar o peso em até 10%, 12%. Na realidade o consumidor está pagando por salmoura em vez de estar pagando por carne de frango.

 

JC – E a OCB já comunicou isso ao ministério? Há algo sendo feito para evitar essa prática?

 

LOPES - Já foi anunciado, falado ao Ministério. As cooperativas têm feito essas denúncias, que deixam em posição de concorrência desleal as que agem incorretamente.

 

JC – E qual a resposta do ministério?

 

LOPES – A alegação é sempre a dificuldade de fiscalização, de não ter fiscais suficientes para colocar de forma permanente dentro de cada agroindústria do Brasil. Com essa mudança no modelo de fiscalização, eu acredito que vai melhorar. O próprio ministro disse que precisaria de mais recursos orçamentário para melhorar e intensificar essa fiscalização. Então nós estamos pedindo na Comissão de Agricultura na Câmara dos Deputados que se destine no orçamento de 2008 mais recursos para o Ministério da Agricultura intensificar os seus processos de fiscalização.

 

JC – As denúncias de irregularidades nos laticínios e essas na indústria avícola se estendem por todo País? Você já recebeu alguma denúncia de fraude em Pernambuco?

 

LOPES – Especificamente de Pernambuco eu não recebi nenhuma denúncia, mas nós sabemos que essas possibilidades de irregularidades existem em todos os lugares. São mais de 1.700 laticínios espalhados pelo Brasil, muitos deles trabalhando de forma informal e rudimentar, nos rincões do interior, distantes de processos de fiscalização. Acreditamos que o risco de problemas existe em todo território nacional. Isso é crime. Crime contra o consumidor e contra o produtor. Adulterar para ganhar dinheiro é roubo.

 

 

JC – O deputado federal Júlio Delgado (PPS) está recolhendo assinaturas na Câmara para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o episódio de Minas Gerais. Como a OCB vê essa movimentação?

 

LOPES – Acho que o Congresso Nacional tem outras preocupações que não essa. Mas também não tenho nenhuma dificuldade em aceitar CPI. Só acho que esse assunto deve ser tratado pelo Ministério da Agricultura e pela Polícia Federal.

 

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