POLÍTICA
Os recursos das centrais
sindicais: José Pastore
Relatora da CPMF
descarta acordo com o governo
Bancada do PSDB no
Senado decide votar contra prorrogação da CPMF
Licença-maternidade
de seis meses tem avanço na Câmara
PMDB aproveita
votação para exigir cargo na Petrobrás
Política Tarso Genro
fala sobre invasões de terra na Comissão da Câmara
Governo prevê luta
por adesão da Venezuela
Senado
aprova regulamentação das centrais
Senado aprova
imposto sindical
Sindicalistas
planejam construir novas sedes
Fico satisfeito,
mas não fui eleito para ser candidato, afirma Serra
Demora no FRA na mira de deputados
29/09/2007
Congresso
Ricardo
Brito e Otávio Cabral
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Marcelo Botelho/Obrito News |
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A senadora Ideli: negociações para liberação de verbas dentro do gabinete |
O Senado
vai instalar nesta semana uma CPI para investigar entidades e organizações não-governamentais
suspeitas de desviar recursos públicos. Somente nos últimos oito anos, o
governo destinou 33 bilhões de reais às chamadas ONGs por meio de convênios e
emendas parlamentares. Seria uma forma ágil e eficiente de fazer chegar às
comunidades mais carentes os programas sociais. Sem fiscalização adequada,
muitas dessas organizações se transformaram em máquinas de fraudes que
enriquecem seus dirigentes e financiam campanhas políticas regionais. Em Santa
Catarina, a Polícia Federal está investigando um caso exemplar. A Federação dos
Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) recebeu 5
milhões de reais para promover cursos de treinamento profissional. Parte do
dinheiro, já se sabe, foi parar na campanha política de um deputado do PT. Para
justificarem os gastos, os dirigentes da federação falsificaram planilhas e
criaram alunos-fantasma. O que mais chama atenção no caso, porém, é o eixo
entre os principais envolvidos na fraude. Todos são correligionários, amigos ou
assessores da senadora catarinense Ideli Salvatti, líder do PT no Senado.
A
investigação da polícia se concentra em dezoito convênios firmados entre a
Fetraf e os ministérios do Desenvolvimento Agrário, do Trabalho, da Agricultura
e da Pesca – que lhe destinaram 5,2 milhões de reais entre maio de 2003 e março
de 2007. O inquérito, que já tem mais de 300 páginas, recolheu provas que
permitem concluir que a federação usou uma tecnologia de fraude muito conhecida
desde os tempos em que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares era um simplório
conselheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador. Usando a influência política, os
dirigentes conseguem prioridade em assinatura de convênios com órgãos públicos.
Há no esquema sempre um parlamentar amigo que, por meio de emendas, assegura recursos
no Orçamento para os tais programas sociais. Nos ministérios, correligionários
em postos-chave são os responsáveis pela seleção das parcerias. Depois, cabe às
entidades escolhidas superfaturar contratos, inventar serviços e embolsar o
dinheiro, às vezes tudo, às vezes apenas uma parte para simular que alguma
coisa foi feita. A Fetraf, segundo a polícia, seguiu à risca essa cartilha.
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Cristiano Mariz |
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sede da Fetraf, em Chapecó: dinheiro só após a chegada do PT ao governo |
A Fetraf
foi criada em 2001 por petistas ligados à senadora Ideli Salvatti, mas sua
importância social só começou a ser reconhecida depois do governo Lula. Um dos
convênios já esmiuçados pela polícia foi assinado em 2003 com o Ministério do
Desenvolvimento Agrário, que liberou 1 milhão de reais para a entidade promover
o treinamento de trabalhadores rurais em Chapecó, interior de Santa Catarina.
Na época, o coordenador da entidade chamava-se Dirceu Dresch, um petista do
grupo político de Ideli Salvatti. Dois mil trabalhadores rurais participaram do
curso. A maioria, descobriu-se agora, era fantasma. Para fazer de conta que o
curso existiu, a Fetraf apresentou uma lista de estudantes, com nome, CPF e
endereço dos alunos. A polícia foi checar e descobriu que muitos não existiam,
outros nunca ouviram falar do curso, alguns nem sequer moravam na região e os
poucos que disseram ter freqüentado aulas – pessoas ligadas à federação, é
claro – assinavam a mesma lista de presença várias vezes. Nos outros dezessete
convênios assinados com a instituição, a história se repetiu. VEJA localizou no
interior de Santa Catarina o agricultor Jackson Luiz Oldra. Segundo a polícia,
ele foi usado pela federação para "captar" alunos para o curso de
técnicas de plantio e colheita para jovens. Sua tarefa para conseguir o diploma
de jovem agricultor era pegar as listas em branco na sede da federação, em
Chapecó, e devolvê-las completamente preenchidas. "Peguei assinatura até
com meu avô e minha avó", conta o rapaz, que já foi intimado a depor na
PF. "A gente faz as coisas para ajudar e acaba se metendo em rolo",
reclama. Para o Ministério do Trabalho, Ernesto, de 67 anos, e Ana, de 63,
constam das estatísticas como "jovens" agricultores. A federação
embolsou o dinheiro.
Os
convênios exibem outras fraudes grotescas. Para dar aulas a alunos-fantasma,
nada mais natural que se chame um professor com conhecimentos especiais. Um dos
convocados para a missão exibe um currículo surpreendente. Marcelino Pedrinho
Pies foi contratado em abril do ano passado para coordenar um curso destinado a
pequenos agricultores, recebendo 4.000 reais por mês. O professor Marcelino tem
um salário maior que o de muito doutor de universidade, mas seu currículo
também é ímpar. Na mesma época da contratação, ele fez um acordo com a Justiça
para doar cestas básicas a uma instituição de caridade. Voluntário? Não.
Marcelino, ex-tesoureiro do PT do Rio Grande do Sul, confessou que usou
dinheiro do valerioduto para pagar dívidas eleitorais do partido em 2002 quando
o candidato ao governo era Tarso Genro, hoje ministro da Justiça. O dinheiro da
Fetraf, que deveria estar formando trabalhadores, vem sendo usado para
subsidiar também a pena de criminosos. A Polícia Federal estima que, no mínimo,
60% dos recursos destinados a treinar os trabalhadores acabaram nos bolsos ou
nas campanhas políticas dos marcelinos da federação. Há evidências que sugerem
isso – e muito mais.
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Cristiano Mariz |
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Jackson, escalado para fraudar as listas: assinatura dos avós em curso para jovens |
Dirceu
Dresch, ex-líder da Fetraf no período em que foi assinada a maioria dos
convênios, conseguiu se eleger deputado estadual pelo PT no ano passado. Antes
disso, ele foi coordenador das campanhas de Ideli Salvatti. Eles pertencem à
mesma corrente política do partido. Em 2002, Ideli candidatou-se ao Senado e
Dresch a deputado estadual. Fizeram campanha juntos. Ela venceu a disputa e ele
não se elegeu. No ano passado, Ideli, que desistiu de se candidatar ao governo
em favor do então ministro da Pesca, José Fritsch (com quem a Fetraf assinou um
convênio), deu uma mãozinha a Dresch, inclusive destacando Lizeu Mazzioni, um
de seus assessores em Brasília, para coordenar a campanha. Ideli e Dresch são
sócios na indicação do delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário
Jurandi Teodoro Gugel, que assinou doze convênios com a Fetraf e ocupou o cargo
até julho passado. Antes do ministério, Gugel era assessor lotado no gabinete
de Ideli. Em novembro de 2004, Dirceu, Jurandi e Lizeu estiveram juntos em uma
reunião na antiga sede da Fetraf, onde discutiram o apoio político da federação
e seus filiados a uma eventual campanha de Ideli ao governo. Em troca, a
senadora apresentaria emendas para sindicatos e prefeituras amigas da
federação.
A
campanha de Ideli ao governo não prosperou, mas as tratativas sobre as emendas
continuaram. Documentos em poder da polícia revelam que, em 12 de setembro de
2005, o então coordenador de política sindical da Fetraf, Daniel Kothe, e o
chefe-de-gabinete de Ideli em Brasília, Paulo Argenta, discutiram as formas de
viabilizar os recursos para a federação. Em uma mensagem eletrônica trocada
entre os dois gabinetes, chegaram a combinar até o destino das emendas.
"Ficamos no aguardo dos encaminhamentos necessários para efetivarmos a
aplicação desses recursos na base", escreveu Daniel Kothe, que substituiu
Dirceu Dresch como líder da Fetraf-Sul. A mensagem deixa claro que as
estratégias de ação da entidade e os projetos financeiros passaram pelo
gabinete de Ideli. Os fatos mostram que a relação entre a senadora e o grupo
que controla a federação é muito estreita. Além de Jurandi e Lizeu, já houve
mais gente do gabinete ligada à Fetraf. Cleci Dresch, mulher do deputado
Dresch, foi funcionária do gabinete da senadora até março deste ano. O que ela
fazia? "Nunca fui a Brasília. Eu quero que você converse com o meu
marido", limitou-se a dizer. O deputado Dresch não quis conversar. Um
ex-auxiliar dele confirmou à polícia que parte do dinheiro desviado da federação
foi usada em sua campanha política. "Os indícios de fraude e desvio de
dinheiro são muito fortes", confirma o delegado Misael Mazzetti, da
Polícia Federal.
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Diego/Ag RBS |
Cristiano Mariz |
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O deputado Dresch, beneficiário do caixa dois da Fetraf, e sua mulher, Cleci, funcionária-fantasma do gabinete de Ideli |
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A
proximidade entre a senadora Ideli Salvatti e representantes de ONGs suspeitas
não é novidade. Há outro alvo da CPI que também fica em Santa Catarina, também
é comandado por gente ligada a Ideli e também tem uma carteira de milhões de
reais em convênios com o governo. Assim como a Fetraf, a Unitrabalho recebeu 18
milhões de reais entre 2003 e 2006 para qualificar trabalhadores. A ONG chamou
atenção no ano passado, quando o seu dirigente maior, Jorge Lorenzetti,
ex-churrasqueiro do presidente Lula, amigo da senadora e funcionário do comitê
de reeleição, foi flagrado em uma operação para comprar um dossiê contra
adversários. Nunca se descobriu a origem do dinheiro apreendido com o grupo. A
senadora Ideli emprega em seu gabinete Natália Lorenzetti, filha do
ex-churrasqueiro petista. Procurada, a senadora não quis se pronunciar. Por
intermédio de sua assessoria, mandou dizer que não tem nenhuma relação formal nem
com a Fetraf nem com Dresch, e que as emendas que apresentou visaram apenas a
beneficiar a agricultura familiar. Mandou dizer ainda que nunca foi citada pela
Justiça ou pelo Ministério Público em irregularidade alguma envolvendo a Fetraf
ou qualquer outra entidade. É verdade. Ainda não foi.
Folha de S. Paulo
09/09/2007
Opinião
É
NOTÓRIO que o Pontal do Paranapanema foi, há décadas, objeto da maior
apropriação ilegal de terras (grilagem) já ocorrida no Estado de São Paulo
-processo descrito em inúmeras teses acadêmicas, reportagens e sentenças
judiciais.
Contudo,
até hoje a Justiça de São Paulo não concluiu as ações para a retomada dessas
terras. A demora do Judiciário é a justificativa do projeto 578/07, que o
governador enviou à Assembléia Legislativa, solicitando autorização para fazer
acordos com os atuais posseiros de grandes fazendas -algumas realmente
gigantescas (com mais de 5.000 hectares).
O
projeto é escandaloso dos pontos de vista jurídico, social e ético.
Juridicamente,
como demonstrou o professor Dalmo Dallari, o projeto, ao admitir a venda de
terras públicas sem licitação, fere o artigo 37, inciso XXI, da Constituição
Federal. Além disso, infringe a regra que proíbe ao agente público desistir de
ação judicial proposta para defender direito do Estado, salvo em caso de
relevante interesse público.
Se
juridicamente o projeto não se sustenta, socialmente é um descalabro. Como pode
ser de interesse público entregar, de mão beijada, meio milhão de hectares de
terras a pessoas que as adquiriram sabendo perfeitamente bem tratar-se de
terras griladas?
Com
apenas 300 mil hectares das terras atualmente na posse de ocupantes ilegítimos,
o governo assentaria, na região, 15 mil das 150 mil famílias que vivem, há
anos, acampadas na beira das estradas pelo Brasil afora à espera de terra para
trabalhar.
Que
relevante interesse público pode haver na utilização de terras do Estado para
manter grandes fazendas pecuárias ou substituí-las por imensos agronegócios se
ambas as atividades não empregam sequer a mão-de-obra ociosa local? Mas é do
ponto de vista ético que o projeto mais escandaliza.
Sem
entrar em juízo de valor a respeito da intenção dos seus autores, a verdade é
que a proposta, objetivamente, representa a capitulação do governo do Estado de
São Paulo diante de um dos traços mais perversos da cultura brasileira: neste
país, as pessoas poderosas podem infringir as leis impunemente, desde que
tenham recursos para sustentar a ilegalidade durante algum tempo -o que se
consegue com bons advogados, subornos, barganhas políticas e coações.
No caso
específico da questão fundiária, o latifúndio impôs à sociedade brasileira o
fato consumado -um padrão de institucionalização arbitrária e instável, que
deixa a terra à mercê dos grandes negócios. A necessidade de adequar a
estrutura agrária às exigências de uma agricultura itinerante, baseada na
exploração predatória dos recursos naturais, na superexploração dos
trabalhadores e na monocultura em grande escala bloqueia o acesso do homem
pobre à terra e deixa o pequeno produtor sujeito aos atropelos do
"progresso".
Desde os
tempos do império, as classes dominantes não permitem ao país
institucionalizar-se, pois, desse modo, têm condições ideais para usar sua
força econômica e política na criação de fatos consumados -fatos que, com a
passagem do tempo, tornam-se justificativas "sociais" para casuísmos
que legitimam a falcatrua.
Quem
quiser se informar sobre esse processo pode ler o excelente trabalho da
professora Ligia Osorio Silva: "Terras Devolutas e Latifúndio".
O que
está sendo sancionado pelo PL 578 é o secular mecanismo de reprodução do
latifúndio ali descrito. Não passa de um "casuísmo" que recompensa
toda a cadeia de beneficiários dos conhecidos grilos Pirapó-Santo Anastácio e
Boa Esperança do Aguapeí, perpetrados no final do século 19.
Enquanto
a Justiça levar décadas para julgar ações contra grileiros e menos de 48 horas
para decretar um despejo quando trabalhadores sem-terra ocupam área improdutiva
e, sobretudo, enquanto os homens públicos se renderem resignadamente à cultura
da "vida como ela é", não haverá desenvolvimento nem paz social -seja
no Pontal do Paranapanema, seja em qualquer recanto do país.
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PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO, 77, advogado, é presidente da Abra
(Associação Brasileira de Reforma Agrária). Foi deputado federal pelo PT-SP
(1985-91) e consultor da FAO (Organização das Nações Unidas para a AGRICULTURA
e a Alimentação).
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião
do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos
problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do
pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
Valor
Econômico
09/10/2007
Relações do Trabalho
Caio
Junqueira
A
entrada do PMDB na base governista no segundo mandato do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) aumentou a presença de ruralistas entre os aliados e
fomentou a ocorrência de maiores divergências político-ideológicas, na medida
em que essa mesma base agrega setores historicamente adversários aos
ruralistas, como os movimentos ligados aos direitos humanos e à reforma
agrária. Na atual legislatura, a bancada do agronegócio é composta por 102
parlamentares, dos quais 61 integram a base, número bem superior ao do primeiro
mandato, quando apenas 33 dos 112 ruralistas apoiavam o governo no Congresso.
O mais
eloqüente exemplo disso até o momento é o caso da Pará Pastoril e Agrícola S/A,
ou Pagrisa, única usina de álcool paraense, que foi autuada, entre 28 de junho
e 8 de julho, em uma fiscalização do grupo móvel contra a erradicação do
trabalho escravo do Ministério do Trabalho. Trata-se de um latifúndio de 17 mil
hectares localizado em Ulianópolis, sudeste do Estado, que se tornou um símbolo
das contradições de um governo que abriga espectros ideológicos opostos. Para
os fiscais, a rescisão do contrato de 1.064 trabalhadores representa a maior
ação de libertação da história do país. Para os ruralistas, foi o maior caso de
abuso de poder e de irregularidades da história do país. No meio do embate,
está o governo federal e duas de suas mais vistosas políticas: a promoção do
Brasil como a meca do etanol e o combate ao trabalho escravo no país.
Tão logo
assumiu o cargo e embalado pelos setores progressistas que sempre estiveram no
seu entorno, Lula lançou o Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo. O
plano contempla a necessidade de aprovação da proposta de emenda constitucional
do trabalho escravo, que prevê a expropriação para reforma agrária de
propriedades onde for constatado trabalho escravo. Considerada pelos
especialistas como uma das principais medidas, por pressão da bancada ruralista
- que no primeiro mandato tinha um terço de seus integrantes na base governista
- a PEC não andou. Ou melhor, depois da comoção nacional causada pelo
assassinato de três fiscais do trabalho em uma emboscada em Unaí (MG), foi
aprovada em primeiro turno na Câmara. A partir daí, caiu no ostracismo.
O
relator da PEC, Tarcísio Zimmermann (PT-RS), explica a razão: "Passou a
ser de pouca prioridade para o Executivo e de permanente barganha política da
bancada ruralista, que barrou a ida ao segundo turno de votação. Chegamos a
pedir ao governo que ao menos colocasse em votação, mas não fomos
atendidos." Ainda assim, o combate ao trabalho escravo avançou. Entre 1995
e 2002, 5.835 trabalhadores foram libertados no país. De 2003 a setembro deste
ano, foram 18.759.
Mas foi
no segundo mandato que as contradições emergiram com mais força. Lula encampou
de vez o etanol como política de Estado e chegou a chamar os usineiros de
heróis, "porque todo mundo está de olho no álcool". Simultaneamente,
passou a enfrentar questionamentos de setores à esquerda sobre as condições de
trabalho da produção do combustível. As principais críticas vêm da Comissão
Pastoral da Terra, entidade com grande capilaridade na região Norte e Nordeste
que é a principal depositária de denúncias de exploração de trabalho escravo
nas propriedades rurais. "Lamento que em um momento de grande euforia
econômica com a comercialização dos produtos agrícolas brasileiros no exterior,
não se tomem medidas claras para pela garantir de condições dignas de
trabalho", afirma o frei Xavier Plassat, liderança do movimento.
Lula
ainda não se posicionou sobre o caso Pagrisa. No limite, deu declarações
conciliatórias. Em entrevista recente ao jornal espanhol "El País",
comparou o trabalho do cortador de cana ao dos mineiros ingleses da Revolução
Industrial. "É um trabalho muito duro, quase desumano. As pessoas o fazem
porque necessitam. Como se fazia antes nas minas de carvão. As minas não eram
menos degradantes do que a colheita de cana. E eu preferiria passar toda minha
vida cortando cana do que passar uma semana nessa mina. Mas aquele trabalho nas
minas permitiu que o mundo chegasse ao que chegou".
Uma
explicação para o seu silêncio está justamente no fato de o governo querer
evitar uma indisposição tanto com setores ligados ao PT, como ao setor mais
proeminente do agronegócio nacional, o do etanol, que embasa discursos que o
presidente faz mundo afora. Além disso, Lula sabe da fragilidade da base no
Senado e quer evitar ao máximo mais problemas na Casa até a votação da
CPMF.
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Atualmente,
a voz ruralista mais forte no Congresso é a senadora Kátia Abreu (DEM-TO).
Viúva há 20 anos, herdou do marido uma propriedade rural e a partir daí
engajou-se na causa. Atual vice-presidente da Confederação Nacional da
Agricultura e Pecuária do Brasil, foi por dez anos presidente da Federação da Agricultura
e Pecuária do Estado do Tocantins. Eleita deputada federal em 2001, já no ano
seguinte foi a primeira mulher a chefiar a Frente Parlamentar da Agricultura.
Ela é relatora da Comissão Especial Externa do Senado Federal montada para
investigar a autuação dos fiscais do Ministério do Trabalho na Pagrisa. "O
grupo móvel existe há 12 anos e de lá para cá surgiram diversas denúncias de
exageros. O ministério não deve se colocar acima do bem e do mal. Ele mesmo
deve investigar. Não pode fechar os olhos e achar que nada acontece",
afirmou ao Valor.
Após
investigar a ação na Pagrisa, o resultado esperado da comissão é que sejam
sugeridas na lei diferenças entre irregularidades trabalhistas , trabalho
degradante e trabalho análogo ao escravo, três gradações diferentes para
agressões aos direitos trabalhistas, sociais e humanos, na qual o trabalho
escravo é o mais grave. Mas as declarações da senadora sugerem um rumo que a
comissão pode tomar: a de investigar fiscalizações pregressas dos grupos
móveis, por abuso de poder. Algo que o diretor-proprietário da Pagrisa, Marcos
Zancaner, acusa: "Os fiscais consideraram infração pequenos problemas que
poderiam ser sanados ali. Perguntaram também a todos os empregados se queriam
sair para receber três meses de seguro-desemprego do ministério. Claro que
houve uma debandada, pois o trabalho ali é só durante a safra, por seis meses.
Temos casos de trabalhadores que nem haviam começado o trabalho e foram
dispensados pelos fiscais."
A
hipótese de que o caso Pagrisa pudesse ter sido resolvido sem que alcançasse a
proporção que tomou é aventada por um procurador do Trabalho especialista em
trabalho escravo: "Não acredito em excessos, mas acho que a questão
poderia ter sido resolvida ali mesmo". A instalação da comissão foi
justamente o que abriu a crise. Os fiscais se sentiram intimidados e, em um
contra-ataque por determinação do ministério, suspenderam suas ações em todo o
país desde 21 de setembro . O trabalho deverá ser retomado esta semana.
As
acusações sobre a Pagrisa são, basicamente, de que os trabalhadores dormiam em
redes, não tinham água potável, a comida servida comumente estava estragada e
causava diarréias, a jornada de trabalho era extensa e as dívidas contraídas na
farmácia e no restaurante eram tamanhas que muitos dos contracheques recebidos
apontam valores irrisórios, como R$ 2 ou R$ 6. Em alguns casos, o contracheque
apontava o "recebimento" de R$ 0.
Criado
em 1995 após um pacto de atuação conjunta no ano anterior entre Ministério
Público, Ministério do Trabalho e Polícia Federal, a finalidade do grupo móvel
é fiscalizar as denúncias com a segurança da presença de integrantes desses
três órgãos, já que é comum os fiscais sofrerem coações. Há relatos de
porteiras trancadas com os fiscais dentro da propriedade, tratores e camionetes
impedindo a passagem, rodas dos carros oficiais "repentinamente"
desparafusadas, ou mesmo "conselhos" dos administradores das
propriedades de que o local onde estão é um tanto "inóspito e afastado"
e que, assim, faz-se necessário "todo cuidado". Telefonemas de
políticos locais ao auditor que comanda a operação também são comuns.
No caso
Pagrisa, o primeiro a atuar foi o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), um suplente
que assumiu o cargo em 2005 após o afastamento do titular, Duciomar Costa,
eleito prefeito de Belém em 2004. Ribeiro esteve na empresa já durante a
fiscalização e contatou outros ruralistas em Brasília. A empresa também teve o
apoio do delegado regional do Trabalho do Pará, Fernando Coimbra, o que causou
a revolta do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho. A entidade
encaminhou ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, um pedido de exoneração do
delegado, um funcionário público ligado ao PDT e que chegou ao cargo por meio
de uma indicação política do comando paraense da sigla, seguindo a orientação
do ministro Carlos Lupi, presidente do partido, de que as bancadas pedetistas
regionais tentassem ocupar os comandos das DRTs.
A
atuação de parlamentares em favor de uma empresa não é novidade. Três casos
recentes são considerados emblemáticos. Em 2005, uma destilaria de propriedade
do empresário Eduardo Queiroz Monteiro, irmão do presidente da Confederação
Nacional da Indústria e deputado Armando de Queiroz Monteiro Neto (PTB-PE), foi
recordista na libertação de trabalhadores pelos fiscais: 1.003. Acabou sendo
incluída na "lista suja" do governo, que arrola as empresas flagradas
com escravos e automaticamente as impede de receber financiamentos públicos.
Com a medida, teve a comercialização de seu álcool cortada pelas
distribuidoras. Em vão, o então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti
(PP-PE), telefonou para o presidente do Sindicato Nacional das Distribuidoras
de Combustíveis questionando as razões do cancelamento da compra do álcool
produzido pela destilaria. A saída foi a troca de nome. Eduardo Monteiro formou
uma nova destilaria, Araguaia, e incorporou a antiga. No início da moagem da
Araguaia, festa conhecida por "butada", estiveram presentes o
presidente da atual Comissão da Pagrisa, senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE),
e o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS).
O
deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), segundo vice-presidente da Câmara,
integrou a primeira "lista suja" do país. Em sua fazenda em Gonçalves
Dias (MA), foram libertados 53 trabalhadores em 2002, quando ele era
primeiro-secretário da Câmara. Conseguiu que o Ministério do Trabalho soltasse
nota voltando atrás na autuação. A propriedade acabou sendo vendida
posteriormente. No ano passado, o STF arquivou o inquérito contra Inocêncio,
mas o Tribunal Regional do Trabalho confirmou sentença de indenização em
primeira instância determinando que fossem feitos novos pagamentos aos
trabalhadores. O deputado recorreu ao TST.
Também
houve pressão do senador João Ribeiro (PR-TO) junto ao ministério. Em sua
fazenda Ouro Verde, em Piçarra (PA), foram libertadas 38 pessoas. Em 2006, o
Tribunal Regional do Trabalho do Pará o condenou a pagar uma indenização de R$
76 mil por danos morais coletivos. Ele também foi denunciado no STF pelos crimes
de redução de pessoas à condição análoga a de escravo, negação de direitos
trabalhistas e aliciamento de trabalhadores.
O
Estado de S. Paulo
16/10/2007
Opinião
Os
recursos das centrais sindicais: José Pastore
Tramita
na Câmara dos Deputados, em regime de urgência, o Projeto de Lei 1.990/07 que
reconhece a legitimidade das centrais sindicais para o exercício de fins
específicos.
Os
jornais, com raras exceções, interpretaram essa medida como o reconhecimento
das centrais como entidades sindicais. Se assim fosse, seria necessário mudar o
artigo 8º da Constituição Federal que considera como entidades sindicais apenas
as que compõem o sistema confederativo, ou seja, sindicatos, federações e
confederações. No projeto em tela, as centrais são definidas como entidades
associativas de direito privado, sem prerrogativas sindicais.
Se
aprovada, a lei vai permitir repassar às centrais sindicais 50% dos recursos da
contribuição sindical dos trabalhadores que cabem ao Ministério do Trabalho.
Essa é uma nova pretensão, pois as centrais sempre quiseram extinguir aquela
contribuição, que tira, compulsoriamente, um dia de salário por ano dos
trabalhadores.
Inúmeras
emendas foram encaminhadas à Câmara dos Deputados. Mas há um aspecto que está a
descoberto. Como será feita a prestação de contas de uma entidade que não é
sindical?
A
Constituição Federal em 1988 (art. 8º Inciso I) estabelece que as entidades
sindicais não têm de prestar contas ao Estado, porque este não pode interferir
na sua vida. Mais. O artigo 150, Inciso IV, letra “c”, assegura imunidade
tributária para as entidades sindicais dos trabalhadores.
Em vista
disso, pergunto: 1) a isenção de prestar contas garantida às entidades sindicais
valerá para as organizações não sindicais?; 2) a imunidade tributária será
aplicável a elas?; e 3) o Tribunal de Contas e os demais órgãos de fiscalização
e controle terão algum papel em relação ao uso daqueles recursos?
Deixo
essas questões para os juristas. Essa não é minha praia. Mas, como estudioso
dos temas do trabalho, penso que os trabalhadores vão querer conhecer a
destinação daqueles recursos. Afinal, ninguém mais aceita as caixas-pretas.
Os
escândalos corporativos dos Estados Unidos e Europa (Enron, WorldCom, Qwest,
Tyco, Xerox, Parmalat e outros) desencadearam uma onda de exigências dos
aplicadores e cotistas das grandes empresas no mundo inteiro: Quanto ganham os
CEOs? O que fazem? Quais são suas regalias? O mesmo ocorre no Brasil. Vejam o
caso das ONGs. Há até CPI, e o governo decidiu apertar os controles para quem
recebe dinheiro público.
Um
especialista em sindicalismo acaba de publicar um livro ilustrativo sobre as
demandas dos trabalhadores em relação às entidades sindicais para as quais
contribuem. Dentre centenas de exemplos, um dos mais escandalosos é o da
presidente do Sindicato dos Professores de Washington, Barbara Bullock, que,
durante dois mandatos, gastou cerca de US$ 4,6 milhões em um cartão de crédito
do sindicato em compras não autorizadas, como roupas de grife, jóias
sofisticadas, fretamento de jatinhos, viagens de primeira classe e estadia ao
redor do mundo em hotéis luxuosíssimos (Robert Fitch, Solidarity for Sale: How
corruption destroyed the labor movement, New York: Public Affairs, 2006).
Isso
levou o governo americano a aperfeiçoar uma lei antiga, de 1959, a
Labor-Management Reporting and Disclosure Act. Pelo novo sistema, as entidades
sindicais são obrigadas a enviar ao Ministério do Trabalho relatórios anuais sobre
o uso de recursos pagos pelos empregados. O governo não os analisa e nem os
julga, mas atua como um intermediário, organizando as informações e as
colocando à disposição dos trabalhadores que, via internet, e com senha
própria, escarafuncham as contas das entidades sindicais e as dos seus
dirigentes até o último centavo.
Se isso
é exigível de uma entidade sindical, o que dizer de uma sociedade civil que não
é entidade sindical, não representa os trabalhadores diretamente e que recebe
recursos pagos por eles?
Não
estou propondo copiar os expedientes do exterior e muito menos voltar às
práticas do artigo 551 da CLT que obrigava as entidades sindicais a prestar
contas ao Ministério do Trabalho, práticas revogadas pela Constituição de 1988.
Levanto essas questões para abrir o debate e, eventualmente, acomodar a nova
pretensão das centrais dentro da transparência que é a marca da sociedade
moderna, aliás, defendida pelas próprias centrais.
*José
Pastore é professor da FEA-USP. Site: http://www.josepastore.com.br
17/10/2007
Entrevista
Eduardo
Militão e Lúcio Lambranho
Pedra no
caminho do governo para a prorrogação da CPMF, a relatora da proposta no
Senado, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), descarta qualquer possibilidade de
entendimento com o Palácio do Planalto e diz que não cederá a eventuais
retaliações para mudar seu parecer, que será pela extinção do tributo.
De
acordo com a senadora, nem mesmo a ameaça de corte de verbas para seu estado,
feita por interlocutores da base aliada, mudará sua convicção a favor da
derrubada da matéria de maior interesse do Planalto neste ano.
“Não é a
CPMF que vai determinar a liberação do governo ou não. Agora, se eles vierem
negociar comigo, fazer acordo, com base em liberação orçamentária, ou qualquer
outro tipo de acordo, em relação à CPMF, vão perder tempo”, avisa. “É
principalmente o excesso de arrecadação que justifica e permite o fim da CPMF”,
complementa.
E mesmo
sob o apelo do presidente em exercício da Casa, senador Tião Viana (PT-AC),
para encurtar os prazos para a apresentação de seu parecer, a senadora do DEM
promete seguir à risca a determinação do seu partido, que elegeu a derrubada da
prorrogação do chamado imposto do cheque como sua principal bandeira este ano.
“A minha
pressa é só não passar os 30 dias que o regimento permite. Então eu não quero
extrapolar nem ferir o regimento da Casa como muitos têm feito ao bel dos seus
interesses”, critica a relatora. Oficialmente, o prazo de 30 dias começa a ser
registrado a partir de hoje (17), quando o presidente da Comissão e
Constituição e Justiça (CCJ), senador Marco Maciel (DEM-PE), vai passar a
proposta para a senadora tocantinense.
Na
avaliação da senadora, a rejeição da CPMF deve ser encarada pelos senadores
como forma de resgatar a imagem do Senado, abalada nos últimos cinco meses pela
crise detonada pelas denúncias contra o agora presidente licenciado Renan
Calheiros (PMDB-AL). “Eu acredito que nós estamos atravessando um bom momento
para recuperar essa imagem nacional, sem forjar nada. Fazendo uma coisa
legítima que é desejo da população e que é preciso ser feita”, avalia.
Nesta
entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, Kátia Abreu afirma não se incomodar
com as críticas que recebeu por ter liderado um grupo de senadores que foi até
a fazenda da Pagrisa, principal produtora de açúcar e álcool do Pará, e
desqualificou a fiscalização do grupo móvel que libertou 1.064 trabalhadores
mantidos em condições análogas à de escravo.
Em
retaliação ao que classificaram como intervenção indevida da comissão externa
do Senado, os fiscais suspenderam suas atividades por duas semanas em todo o
país (leia mais).
Vice-presidente
da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu
endossa as críticas de seus colegas ruralistas de que há excesso e distorção
nas ações do grupo móvel que já libertou mais de 25 mil trabalhadores país
afora desde 1995. “Está havendo distorções entre o que é irregularidade
trabalhista e o que pode caracterizar trabalho escravo”, considera.
Apesar
disso, a senadora é dura ao comentar reportagem feita pelo Congresso em Foco
que revelou que 25 políticos receberam recursos, para a campanha eleitoral do
ano passado, de empresas incluídas na “lista suja” do trabalho escravo.
Questionada se deveria haver algum impedimento legal para esse tipo de doação,
Kátia foi enfática: “Essas pessoas não deveriam nem ser estar doando. Deveriam
estar na cadeia”.
Uma das
principais referências da bancada ruralista no Congresso, a senadora está em
seu primeiro ano no Senado após ter exercido dois mandatos na Câmara. Viúva aos
25 anos de idade, Kátia mudou-se de Goiânia, sua terra natal, para o norte de
Goiás (hoje Tocantins), em 1987, com o objetivo de assumir o comando dos
negócios da família. Lá, tornou-se a primeira mulher a presidir um sindicato
rural e uma federação da agricultura no país.
Congresso
em Foco - A senhora acredita que o governo vai retaliar o seu estado, deixando
de liberar recursos, se a senhora não der parecer favorável à prorrogação da
CPMF?
Kátia
Abreu – Eu não estou preocupada com esse tipo de ameaça. Mesmo porque nós
conseguimos aprovar um orçamento de 2007 para o Tocantins de R$ 1,4 bilhão. E o
governo só conseguiu executar o orçamento do estado em 34%. Então, não é com ou
sem a CPMF que vai melhorar a execução orçamentária. Se eles quisessem ajudar o
Tocantins, já estariam ajudando e não estariam com uma execução orçamentária
tão pífia.
Por
que a execução do orçamento no Tocantins é tão baixa, apesar do volume de
recursos?
Eu não
sei, sinceramente. Eu me balizo muito pela incompetência da execução
orçamentária como um todo. Se você pegar a execução orçamentária dos
ministérios do governo, ela também é pífia. Eles estão preferindo ajudar os
estados e as prefeituras dirigidos por petistas. Enfim, há uma incompetência
nessa execução e, por conseqüência, no estado do Tocantins. Não é a CPMF que
vai determinar a liberação do governo ou não. Agora, se eles vierem negociar
comigo, fazer acordo, com base em liberação orçamentária, ou qualquer outro
tipo de acordo, em relação à CPMF, vão perder tempo.
A
senhora acredita que a oposição está unida a ponto de derrubar a proposta da
CPMF?
Diante
das circunstâncias, quando o Senado Federal pela primeira vez foi atingido
quase que de morte, nós estamos atravessando um bom momento de recuperar essa
imagem nacional, sem forjar nada. Fazendo uma coisa legítima que é desejo da
população. Temos a condição de mostrar coragem para a população no momento em
que o governo está arrecadando exorbitantemente. Então, justifica-se o
movimento pela interrupção da CPMF. Nós não estamos em crise, não estamos
passando por nenhum movimento brusco internacional. Ao contrário, toda a maré
internacional está puxando o Brasil e fazendo com que ele arrecade mais. Nesse
sentido, a gente não pode ficar à disposição da gastança, como tem sido feito
até agora. Por que eu digo gastança? Porque o aumento dos gastos públicos está
expandindo exorbitantemente e o crescimento do país, que é medido pelo PIB, não
está crescendo proporcionalmente. Não estamos observando, na prática, que isso
esteja compensando o desenvolvimento e a geração de empregos no Brasil. Então,
os gastos públicos são de baixíssima qualidade mesmo porque o Brasil inteiro
sente isso na pele. No interior do Brasil, nas cidades do interior, nas grandes
cidades, nas metrópoles, o imposto cobrado é alto, de país desenvolvido, e o
serviço dado à população é de país de quinto mundo, país africano.
E a
senhora vai argumentar o quê? Quais os argumentar jurídicos que a senhora vai
usar para rejeitar a prorrogação da CPMF?
A única
comissão pela qual a CPMF vai passar é a CCJ. Na CCJ, discutiremos o mérito.
Não é só a admissibilidade, porque isso já veio da Câmara. Como não tem
comissão especial no Senado, o mérito também será discutido na CCJ.
A
senhora tem idéia de quando entrega seu parecer na comissão?
Eu tenho
prazo de 30 dias (a contar de hoje). A minha pressa é só não passar os 30 dias
que o regimento permite. Eu não quero extrapolar nem ferir o regimento da Casa
como muitos têm feito ao bel dos seus interesses.
O
líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, declarou ao Congresso em Foco que não
há como questionar a constitucionalidade da CPMF e que as discussões serão
apenas no plenário e que na comissão o texto vai passar. Como a senhora analisa
essa declaração? A senhora acha que a oposição vai votar unida contra a CPMF?
Eu só
posso responder pelo Democratas. Nós fechamos questão e isso significa até a
possibilidade de expulsão caso se vote em contrário. E aqueles que não queriam
votar com o partido já tiveram a oportunidade e saíram do partido recentemente.
Mas o
seu partido, então, não precisa dos tucanos para impedir a renovação da CPMF?
Eu não
disse que não precisava dos tucanos. Eu disse que não ia responder pela
fidelidade dos tucanos. Eu só posso responder pela fidelidade dos senadores do
Democratas. É claro que esperamos apoio dos tucanos e de outros senadores que
sabem que não podemos mais suportar uma carga tributária deste tamanho. Esses
não vão votar com a oposição. Vão votar com o país.
Então
seus principais argumentos são o aumento dos gastos do governo em relação ao
PIB e o aumento da arrecadação?
É
principalmente o excesso de arrecadação que justifica e permite o fim da CPMF.
E não só da CPMF, mas de uma grande reforma tributária, que o governo teve
quatro anos para isso e não fez. O governo não mostrou o menor interesse em
resolver isso. Nós, do Congresso, temos de fazer isso sempre que aparecer uma
oportunidade, como essa de agora, votando contra a CPMF.
Além
de relatar uma questão tão importante como a CPMF, a senhora também é relatora
da comissão externa que apura denúncia de abuso por parte dos fiscais do
trabalho na fazenda da Pagrisa, onde mais de mil trabalhadores mantidos em
condições análogas à de escravo foram “libertados”. Como essa questão está
sendo tratada na comissão externa do Senado e quais serão os desdobramentos do
caso Pagrisa nos próximos dias?
Nós
temos uma reunião marcada para a próxima terça-feira. Os senadores Paulo Paim
(PT-RS) e Sibá Machado (PT-AC) demonstraram interesse em que façamos um acordo
que fique bom para todas as partes. Que fique bom para os trabalhadores, para
empresa e para o Ministério do Trabalho. Acho que esse é o caminho e nosso
objetivo.
Mas
qual é a proposta desses senadores? O senador Paulo Paim tinha proposto
transferir o caso Pagrisa para a Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo, da
Comissão de Direitos Humanos. A senhora aceita essa idéia?
Essa
proposta nós não vamos aceitar. O acordo era para resolver o caso Pagrisa e não
para mudar o caso de comissão. O Senado tem um regimento que prevê o fim e o
término de comissões. Então nós iremos cumprir esse prazo e vamos levar a
investigação até o final.
Como
representante da bancada ruralista e dos proprietários rurais, a senhora não
acha que, assumindo a relatoria do caso Pagrisa, aumentou ainda mais a
polêmica?
Não,
muito pelo contrário. Sou representante do setor agropecuário e me interesso
pelas coisas do setor. E as matérias que eu puder relatar do setor que eu
represento farei com grande alegria e prazer.
A
senhora acredita que exista diferença entre o que é trabalho escravo na região
Sul e nas regiões Norte e Nordeste?
Não foi
bem isso que eu disse na tribuna do Senado, meu discurso foi editado. O que
existe é uma confusão de conceitos. Está havendo distorções entre o que é
irregularidade trabalhista e o que pode caracterizar trabalho escravo.
Então
a senhora defende a criação de uma lei específica para definir o que é, de
fato, trabalho escravo?
Nossa
legislação é bastante dura e completa. Mas alguns conceitos ficaram em aberto.
Descumprimento da legislação trabalhista, más condições de trabalho, o fato de
dormirem ou não em rede e a falta banheiros para todos os funcionários. E
também tem que ser definido o diz a convenção 29 da Organização Internacional
do Trabalho (OIT) e que especifica o trabalho forçado.
Recentemente,
o Congresso em Foco divulgou uma lista de empresas e pessoas físicas acusadas
de trabalho escravo que foram doadoras de campanha nas últimas eleições. A
senhora acha que a legislação eleitoral deveria impedir essas doações?
Essas
pessoas não deveriam nem ser estar doando. Deveriam estar na cadeia.
07/11/2007
Questões Tributárias
Christiane
Samarco, Brasília
Ao fim
de duas semanas de negociação com o governo para prorrogar a Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o PSDB rejeitou ontem a
proposta feita pelo Ministério da Fazenda e considerou encerradas as
conversações. Insatisfeita com a proposta da equipe econômica de isentar do
tributo trabalhadores assalariados que recebem até R$ 4.340 mensais, a bancada
tucana no Senado decidiu, por 9 votos contrários e apenas 4 favoráveis ao
governo, votar contra a prorrogação da CPMF até 2011.
Só a
Executiva Nacional do partido tem o poder de fechar questão e obrigar a bancada
a seguir a orientação partidária, mas os principais líderes tucanos saíram da
reunião afirmando que todos os senadores haviam concordado em fechar posição. O
presidente nacional do partido, senador Tasso Jereissati (CE), foi o único que
ponderou sobre o “risco” de tirar R$ 40 bilhões do Orçamento do governo federal
de uma só vez.
Tasso
ainda tentou reabrir as negociações, dizendo que o partido poderia avaliar uma
proposta que desonerasse a carga tributária em cerca de R$ 10 bilhões. A
maioria da bancada também recusou essa idéia.
O
senador Sérgio Guerra (PE), que deverá substituir Tasso no comando do PSDB a
partir da convenção nacional, marcada para o dia 23, foi outro que defendeu a
continuidade da negociação, mas usou outro argumento. Disse que era contra a
CPMF, mas os governadores deveriam ser ouvidos antes da decisão. A tese de
esticar a conversa com o governo teve, ainda, o apoio de Lúcia Vânia (GO) e de
Eduardo Azeredo (MG).
Informado
da decisão, o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), tentou reduzir o peso
político dos tucanos, em verdade considerados fundamentais para a obtenção do
voto de pelo menos 49 dos 81 senadores em favor da CPMF. “Dá para trabalhar sem
o PSDB. Nós temos número”, comentou. Não é o que avalia a oposição. O líder do
DEM, senador José Agripino (RN), aposta que será possível aprovar, na Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ), o relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO),
rejeitando a CPMF.
Nesse
caso, restará ao governo a alternativa de apresentar nova proposta de
negociação. “Não tenho dúvidas de que haverá uma alternativa deles em
plenário”, afirmou Agripino. De qualquer forma, não será tarefa fácil reunir 49
senadores para prorrogar a contribuição. Pela contabilidade da oposição, todos
os 27 senadores do PSDB e do DEM somados aos votos dos dissidentes da base
governista, a maioria do PMDB, passam a ser o fiel da balança.
Os
números da oposição revelam que os rebeldes somam, hoje, pelo menos 32 votos,
mesmo que os 5 senadores do PDT dêem seus votos em favor da prorrogação. Nessa
conta, estão três rebeldes do PMDB - Mão Santa (PI), Geraldo Mesquita (AC) e
Pedro Simon (RS), além do petebista Mozarildo Cavalcanti (RR) e do senador
Expedito Júnior (PR-RO).
“O PSDB
considerou a proposta muito aquém do que seria relevante. Por isso, a bancada
nem quis aprofundar a análise do que foi proposto”, explicou Tasso. Anfitrião
do almoço em que os tucanos tiraram posição contra a CPMF, ele disse que, “em
relação à proposta, a posição do partido é irreversível”.
“A
negociação acabou. A proposta não foi aceita e a bancada disse que a conversa
está encerrada. Agora, o governo vai cuidar da vida dele e nossos governadores
também”, esclareceu Guerra. “A decisão foi terminativa. A bancada não autoriza
mais negociação”, concordou o senador Álvaro Dias (PR). Por fim, Tasso avaliou
que é “muito difícil o PSDB mudar de opinião”, uma vez que “a proposta foi
totalmente insatisfatória”.
“Recuo
não se cogita, porque seria a desmoralização do PSDB”, avaliou Dias, mais
tarde. “Hoje, o excesso de arrecadação permite ao governo chegar ao equilíbrio
orçamentário sem a CPMF, reduzindo gastos.” Os tucanos ficaram incomodados com
o fato de as desonerações propostas formarem uma conta que o Planalto dividiria
com governadores e prefeitos - ao reduzir a receita de IR o governo deixa menos
dinheiro para repasse nos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios.
O
governador de Minas, Aécio Neves, acatou a decisão da bancada tucana no Senado,
mas ponderou que o partido deveria continuar conversando. “O que eu faço
agora?”, perguntou o governador José Serra (SP), preocupado com o
encaminhamento dos interesses de sua administração perante o governo federal, o
que inclui o aval de um empréstimo externo de R$ 4 bilhões. “Não faça nada”,
recomendou Guerra.
FRASES
Sérgio
Guerra
Senador
(PSDB-PE)
“A
negociação acabou. A proposta não foi aceita e a bancada disse que a conversa
está encerrada. Agora, o governo vai cuidar da vida dele e nossos governadores
também”
Valdir
Raupp (RO)
Líder do
PMDB
“Dá para
trabalhar sem o PSDB. Nós temos número”
09/11/2007
Congresso
RANIER
BRAGON
MARTA
SALOMON
DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA
Três
semanas depois de o Senado aprovar projeto que aumenta de quatro para seis
meses a licença-maternidade, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da
Câmara aprovou ontem projeto de emenda constitucional ampliando o benefício. Em
vez do pagamento facultativo dos dois meses extras de licença pelas empresas,
estimulados por meio de abatimento no Imposto de Renda, o texto da Câmara torna
obrigatório o pagamento, à custa da Previdência Social.
Não há
dados oficiais para o custo da proposta. O INSS (Instituto Nacional do Seguro
Social) pagou no ano passado R$ 168,3 milhões de licença-gestante diretamente a
trabalhadoras rurais, domésticas e autônomas. O valor, 24% superior ao pago em
2004, não inclui a parcela mais cara do benefício, descontada pelas empresas de
suas contribuições à Previdência Social. O Ministério da Previdência e a
Supereceita afirmaram ontem não dispor do dado. O custo total será acrescido em
50% caso a nova proposta seja aprovada.
A PEC
(Proposta de Emenda à Constituição) aprovada ontem pelos deputados é de autoria
da deputada Ângela Portela (PT-RR). Ela argumenta que não há dúvidas de que o
pagamento do salário-maternidade é um benefício-previdenciário e que, portanto,
o custo deve ser coberto pelo INSS.
A
aprovação de ontem ocorreu de forma simbólica (sem contagem nominal dos votos),
sendo que apenas o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) se declarou
contra. Ele argumenta que a ampliação da licença resultará em discriminação da
mulher no momento da contratação.
Depois
de aprovado na CCJ, o projeto será submetido a uma comissão especial da Câmara,
a ser criado para analisar o tema. Em seguida, o texto terá de passar por dois
turnos de votação no plenário, com apoio de ao menos 60% dos deputados (e obter
no mínimo 308 votos dos 513 deputados). Caso isso ocorra, a proposta segue ao
Senado.
O
projeto de lei já aprovado no Senado deve chegar à Câmara na próxima semana.
Prevê que a empresa que aderir aos seis meses de licença pode deduzir
integralmente os dois salários extras em sua declaração de Imposto de Renda.
Autora desse projeto, a senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) afirma que a renúncia
fiscal ficaria em torno de R$ 500 milhões/ano. Se for aprovado sem alteração na
Câmara, seguiria para a sanção do presidente da República.
A
Organização Mundial da Saúde recomenda que o leite materno seja a fonte
exclusiva de alimentação nos primeiros seis meses de vida sob o argumento de
que isso protege a criança de doenças infecciosas e crônicas, entre outros
benefícios. Seis Estados já ampliaram a licença ao seu funcionalismo: Amapá,
Ceará, Rondônia, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Empresas privadas
também já a ampliaram.
"Debatemos
hoje [ontem] a constitucionalidade da proposta. Na comissão, vamos debater as
propostas. Em um primeiro momento, parece mais viável o projeto da senadora
Saboya, mas há a possibilidade de avançarmos para uma determinação mais direta
para que haja a licença de seis meses", afirmou a deputada Maria do
Rosário (PT-RS), relatora na CCJ.
A
ampliação da licença-maternidade nos termos do projeto já aprovado no Senado é
apoiada pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), que é médico, também já se mostrou favorável à ampliação
22/11/2007
Congresso
João
Domingos e Denise Madueño
O PMDB
aproveitou a votação da adesão da Venezuela ao Mercosul na Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para emparedar o governo. O partido
ameaçou não participar da votação se não conseguisse nomear Jorge Luiz Zelada
para a Diretoria Internacional da Petrobrás.
Os
peemedebistas só votaram a favor do projeto depois de ouvir do líder do
governo, José Múcio Monteiro (PTB-PE), a garantia de que Zelada será nomeado.
“O governo tem palavra e vai cumprir todos os acordos feitos. As coisas vão
acontecer, mas não condicionadas a uma votação. A entrada da Venezuela no
Mercosul é importante para o Brasil”, afirmou o líder.
A
nomeação de Zelada foi exigência do PMDB de Minas. Mas os paulistas também
pressionaram pelo atendimento da reivindicação do ex-governador Orestes
Quércia, que quer nomear Miguel Colasuonno para a presidência da Companhia de
Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), empresa do Ministério da
Agricultura.
Para
aprovar a CPMF, o partido tem cobrado do governo cargos importantes. Quer, por
exemplo, o controle de todo o sistema elétrico. A começar do Ministério de
Minas e Energia, para o qual aguarda a volta de Silas Rondeau, afastado depois
que a Polícia Federal o apontou como suspeito de receber propinas da
empreiteira Gautama. O PMDB exige ainda as presidências da Eletrobrás, da
Eletrosul e da Eletronorte. Em 2008 as estatais do setor elétrico vão investir
cerca de R$ 50 bilhões.
No
primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva as diretorias da
Petrobrás ficaram com PT e PP. Ao entrar na coalizão, o PMDB quis espaço na
estatal e indicou para a Diretoria Internacional João Augusto Henriques.
Depois
de quase um ano o Planalto vetou Henriques e o ministro das Relações
Institucionais, Walfrido Mares Guia, pediu ao partido para fazer outra
indicação. Na votação da CPMF na Câmara, em setembro, Zelada, atual
gerente-geral de Exploração e Produção e Transportes Marítimos da Petrobrás,
foi sugerido. Mas o Planalto tem segurado a nomeação. Isso deixou o PMDB
nervoso, principalmente nas últimas semanas, quando foi anunciada a descoberta
do supercampo de petróleo na Bacia de Santos.
O temor
do PMDB é que o presidente tome do partido não só a Diretoria Internacional da
Petrobrás, como também o Ministério de Minas e Energia. Na semana passada o
grupo do senador José Sarney (PMDB-AP) conseguiu arrancar de Lula a garantia de
que o PT não ficará com a pasta.
Outra
irritação do PMDB é com a medida provisória que autoriza o governo a repassar
verbas de convênios para municípios em período eleitoral. PSDB e DEM decidiram
obstruir as votações no Senado até que o presidente vete a parte que permite
repasses no período eleitoral. O PMDB estava neutro, mas nos últimos dias
descobriu que, se a MP for mantida, o PT pode tomar boa parte de suas
prefeituras e resolveu engrossar o protesto.
Safras - RS
21/11/2007
Congresso
JL
Amanhã,
a partir das 10h, o Ministro da Justiça, Tarso Genro, será ouvido pelos
integrantes da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados (CAPADR) sobre
invasões de terras e violência rural, questões fundiárias, faixas de fronteiras
e direito de propriedade. A iniciativa partiu do deputado Ronaldo Caiado (DEM/GO),
cujo requerimento (n161/07) para a realização de audiência pública foi aprovado
pela Comissão de Agricultura no dia 24 de outubro.
Segundo
o parlamentar, a Comissão recebeu denúncia, principalmente da região Norte, na
qual propriedades rurais têm sido sistematicamente invadidas por milícia armada
com o objetivo de grilagem de terras e extorção. A acusação partiu do Sindicato
Rural de Redenção, Pará. Caiado declarou que o Sul do Pará está sofrendo com um
estado paralelo, montado por milícia fortemente armada.
Ele
apresentou aos demais parlamentares os documentos recebidos do sindicato de
Rendenção. As informações são da Comissão de Agricultura da Câmara dos
Deputados
23/11/2007
Eliane
Oliveira
BRASÍLIA.
O governo avalia que o processo de adesão da Venezuela ao MERCOSUL passa por um
de seus momentos mais delicados. Embora tenha conseguido aprovar a entrada do
país na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o Executivo assiste à ameaça
de obstrução da matéria no plenário da Câmara pela oposição e já prevê uma luta
árdua no Senado, onde parlamentares, como o líder do DEM na Casa, Agripino
Maia, prometem "levantar barricadas" contra o protocolo de adesão.
No
cenário externo, a situação também se complica. Tradicionais adversários
políticos do venezuelano Hugo Chávez, os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe,
e do Peru, Alan García, chamaram a Venezuela de volta à Comunidade Andina de
Nações (CAN). Chávez decidiu sair do bloco ao assinar, em meados do ano
passado, o protocolo de adesão ao MERCOSUL. Levando-se em conta a volatilidade
do humor do líder venezuelano, nada impede que haja uma reviravolta.
Chamado,
entre outros nomes, de cafajeste e ditador pelos parlamentares da oposição nas
discussões para aprovação do protocolo de adesão, Chávez vem se mantendo
quieto, mas pode reagir a qualquer momento, especialmente se aumentar o grau de
dificuldade no Congresso brasileiro.
Segundo
fontes da área diplomática, as provocações e um eventual veto ao protocolo no
Congresso poderão afetar até mesmo as ótimas relações econômicas entre Brasil e
Venezuela. Afinal, se o Brasil vende tanto para os venezuelanos, com um
superávit de nada menos do que US$3 bilhões, é porque o presidente daquele país
concede preferências às importações brasileiras.
O
presidente da Câmara de Comércio Brasil-Venezuela, José Francisco Marcondes,
vai além.
- Não há
dúvida de que as relações econômicas bilaterais serão prejudicadas. Todos os
benefícios negociados ao longo dos últimos 20 anos entre ambos os países estão
embutidos dentro do protocolo de adesão que hoje está em fase de votação. Ao
cair, cai todo o comércio junto - afirmou.
Na
Câmara, o DEM já decidiu obstruir a votação do protocolo no plenário, ou seja,
os parlamentares registrarão presença, mas não votarão o texto. Os tucanos
devem acompanhar o procedimento. A situação preocupa o líder do governo na
Casa, Beto Albuquerque (PSB-RS).
- Quem
perde com isso é o Brasil, que é o carro-chefe do MERCOSUL. É extremamente
interessante para nós termos no MERCOSUL o quarto PIB (Produto Interno Bruto,
conjunto de bens e serviços produzidos no país) da América Latina. O MERCOSUL
precisa se fortalecer - disse o parlamentar.
Partido
de oposição ao governo, o PSOL também decidiu defender o ingresso dos venezuelanos
como sócios plenos do bloco. De acordo com o deputado Chico Alencar (RJ), um
país rico em petróleo e com o potencial econômico como a Venezuela não pode ser
desconsiderado. Sobre a classificação de Chávez como ditador, feita por DEM e
PSDB, Alencar comentou:
- Quem
dera que qualquer general brasileiro tivesse sido eleito duas vezes pela
população e se submetido a um referendo rogatório de mandato.
Para
líder do DEM, bloco se tornaria "Mercochávez"
Mas
esses argumentos não terão qualquer efeito no Senado, alvo de críticas do
venezuelano. É o que prometeu o líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM):
- Vai
ser difícil (o protocolo) passar até nas comissões. No plenário, então, a
matéria poderá sem ser votada.
Já o
líder do DEM no Senado, Agripino Maia, fez um trocadilho:
- O
MERCOSUL com Chávez será um Mercochávez.
30/11/2007
Organização Sindical
Thiago
Vitale Jayme
O
plenário do Senado aprovou ontem o projeto de lei de regulamentação das
centrais sindicais. O texto garante para essas entidades parte dos repasses da
Conta Especial Emprego e Salário (CEES) e determina a fiscalização do Tribunal
de Contas da União (TCU) nos recursos das centrais e de sindicatos, federações,
confederações (sejam de trabalhadores ou de patrões) de todo o país. O
relatório final acatou a reivindicação do setor e não mudou as atuais regras de
recolhimento do imposto sindical, que continuou obrigatório.
A contribuição
sindical era o ponto mais polêmico do texto. Na Câmara, o deputado Augusto
Carvalho (PPS-DF) conseguiu aprovar emenda sobre o assunto. A modificação, no
entanto, foi mal feita. Em vez de acabar com a contribuição, a alteração mudava
apenas a forma de recolhimento dela, piorando o processo, burocratizando-o e
criando chance para questionamentos jurídicos.
Quando o
texto chegou ao Senado, alguns senadores tentaram corrigir a emenda de Augusto.
Mas a pressão das centrais foi muito forte, pois não queriam perder o imposto
obrigatório. Com o senador Paulo Paim (PT-RS), relator do texto na Comissão de
Assuntos Sociais, como principal aliado, conseguiram convencer os parlamentares
a retomar as regras atuais de contribuição.
Governo
e centrais juram que vão enviar, até fevereiro, projeto de lei exclusivamente
para ser discutido o imposto sindical. Os senadores Francisco Dornelles (PP-RJ)
e Lúcia Vânia (PSDB-GO), relatores nas comissões de Assuntos Econômicos e de
Constituição e Justiça, decidiram dar um voto de confiança ao governo. "O
Ministério do Trabalho e as centrais firmaram um acordo publicado no Diário
Oficial. O governo precisa cumprir o que promete", disse Dornelles.
O
senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ironizou o acordo. "Sou pelo fim do
imposto sindical. Esse projeto não vai vir. O governo não tem qualquer
credencial para dizer que vai mandar o texto. Acreditar nisso é como acreditar
em Papai Noel", protestou.
As
centrais garantem que o texto a ser enviado em fevereiro vai prever o fim do
imposto sindical. Será instituída a contribuição negocial, por meio da qual as
assembléias decidirão o valor a ser pago pelos trabalhadores de cada setor
(inclusive com a possibilidade de acabar com o imposto).
Depois
da aprovação do projeto no fim da tarde de ontem, Paim foi recebido com festa
pelos sindicalistas. Aos gritos de "centrais unidas jamais serão
vencidas!" e de "Viva o Paim!", o senador foi festejado no Salão
Azul do Senado. Em meio aos dirigentes sindicais, Paim respondeu: "Viva
todos os trabalhadores!".
Com a
aprovação do texto, as centrais receberão recursos da divisão do dinheiro
arrecadado com as contribuições sindicais. Essas entidades ficarão com metade
dos recursos hoje repassados para a Conta Especial Emprego e Salário (que neste
ano recebeu R$ 98 milhões). Com isso, a distribuição dos recursos do setor
ficará com a seguinte divisão: 60% para os sindicatos, 15% para as federações,
5% para as confederações, 10% para a CEES e 10% para as centrais.
Ontem,
os dirigentes já faziam planos com os recursos que continuarão a receber.
"Poderemos ter uma sede própria. O governo do Distrito Federal vai nos
ceder um terreno para termos uma sede geral de todas as centrais", dizia
ontem o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical,
que ficará com aproximadamente 1/3 dos recursos, pouco menos do que caberá à
CUT. As demais entidade dividirão o resto.
Sem
conseguir enfrentar o lobby dos sindicalistas-parlamentares, a oposição e
alguns partidos da base, como o PDT, só aceitaram votar o texto depois da
ampliação da emenda feita pela Câmara sobre a fiscalização dos recursos das
centrais pelo TCU. A modificação, sugerida pelo deputado Antonio Carlos
Pannunzio (PSDB-SP), recebeu forte oposição das centrais. Os sindicalistas não
queriam ter suas contas investigadas.
Em
reunião na noite de quarta-feira, porém, chegou-se a um acordo. O texto final
determinou que o TCU não só vai fiscalizar os recursos recebidos pelas centrais
como terá acesso às contas de todos os sindicatos, federações ou confederações
- sejam elas de empregados ou de patrões - do país. "Essa inclusão da
fiscalização do TCU é um enorme avanço. Por esse motivo, votamos a favor da
proposta", diz o líder do DEM, senador José Agripino (RN).
Com a
regulamentação, as centrais poderão representar judicialmente os sindicatos. O
projeto não autoriza a "substituição processual" das centrais em nome
dos trabalhadores. Essas entidades poderão representar seus sindicatos
filiados. "Quem representa os trabalhadores são as federações e as
confederações. Nós vamos representar os sindicatos no âmbito judicial",
afirma Paulinho, da Força. Com a mudança, as centrais passam a ter condições de
protocolar ações coletivas diretamente no Supremo Tribunal Federal (STF). Como
sofreu mudanças, o projeto agora volta para a Câmara para análise final dos
deputados.
30/11/2007
Organização Sindical
JULIANNA
SOFIA
DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Senado
cedeu ao lobby das centrais sindicais e manteve a obrigatoriedade do imposto
sindical. Em votação simbólica, os senadores aprovaram o projeto do governo que
legaliza as centrais, mas derrubaram uma alteração feita pelos deputados que
acabava com o imposto sindical compulsório. A proposta agora volta para a
Câmara.
A
promessa de criar uma alternativa ao imposto sindical, instituindo uma
contribuição negocial, foi o principal artifício usado pelos sindicalistas para
convencer os senadores. Em 8 de outubro, a pedido das centrais, o Ministério do
Trabalho editou uma portaria criando um grupo de trabalho que, no prazo de 90
dias, elaborará uma proposta legislativa tratando da nova contribuição.
"Só
acredita nisso quem acredita em Papai Noel", reagiu o senador Jarbas
Vasconcelos (PMDB), que, acompanhado por Cícero Lucena (PSDB), votou contra a
manutenção do imposto. Todos os demais senadores foram favoráveis ao desconto
obrigatório de um dia de salário dos trabalhadores.
O texto
aprovado pelos senadores prevê que o TCU (Tribunal de Contas da União) passe a
fiscalizar o uso do dinheiro arrecadado com o imposto. Essa novidade já havia
sido incluída no projeto pelos deputados e também era alvo de contestação das
centrais sindicais.
Para
negociar a manutenção do imposto, no entanto, os sindicalistas tiveram de abrir
mão desse ponto. Conseguiram, porém, que os senadores estendessem a
fiscalização para os sindicatos patronais. "Se não fica parecendo que só
do nosso lado tem bandido", diz o presidente da Força, o deputado Paulo
Pereira da Silva (PDT).
Com a
permanência do imposto obrigatório e a legalização das centrais, as entidades
passarão a receber uma fatia da bolada arrecadada anualmente. Até hoje, os
recursos eram rateados entre sindicatos (60%), federações (15%), confederações
(5%) e governo (20%). O projeto estabelece que metade da arrecadação do governo
agora ficará com as centrais -cerca de R$ 45 milhões por ano.
Desde
que a Câmara acabou com o imposto sindical obrigatório, governo e centrais
iniciaram uma ofensiva no Senado para desfazer as mudanças, alegando que o
texto original do projeto era o resultado de um acordo. Esse acordo previa uma
reforma sindical em etapas, onde estavam elencadas a regulamentação do comércio
aos domingos, a legalização das centrais e nova forma de financiamento dos
sindicatos.
Invocando
o acordo, os sindicalistas pressionaram o Senado a manter o imposto
obrigatório. Os relatores Paulo Paim (PT), Francisco Dornelles (PP) e Lúcia
Vânia (PSDB) fecharam um só relatório, que foi votado no plenário sem passar
pelas comissões. A manobra foi aprovada pelos líderes das siglas.
Os
relatores destacaram que o novo texto estabelece o fim do imposto assim que for
aprovada a nova contribuição negocial, mas não fixa prazo. Segundo Paim, se o
governo não mandar a proposta em 90 dias, ele retomará um projeto seu que trata
do assunto e já foi aprovado em todas as comissões.
Na
proposta, a contribuição negocial precisará ser aprovada em assembléia para ser
cobrada e estará condicionada à realização de negociação coletiva por parte do
sindicato, sendo descontada dos beneficiários.
30/11/2007
Organização Sindical
Ana
Paula Scinocca, BRASÍLIA
Em
votação simbólica, o Senado aprovou ontem o projeto de lei que legaliza as
centrais sindicais, determina a manutenção do imposto sindical e prevê que as
entidades sejam fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Graças ao
lobby das centrais sindicais, a matéria foi aprovada em plenário sem passar
pelas comissões em que tramitava: a de Assuntos Econômicos (CAE), a de Assuntos
Sociais (CAS) e a de Constituição e Justiça (CCJ). O texto aprovado derrubou a
emenda do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) que pretendia tornar facultativo o
imposto, correspondente a um dia de trabalho.
Durante
a votação, à tarde, sindicalistas lotaram as galerias do Senado. No plenário, a
presença de outros dois líderes sindicais chamou a atenção: a do deputado Paulo
Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força - presidente da Força Sindical
-, e a de Luiz Antonio de Medeiros, secretário de Relações do Trabalho do
Ministério do Trabalho. Como sofreu alterações, a matéria terá de retornar à
Câmara, o que deverá ocorrer em cinco dias.
Ao longo
da sessão em que a matéria foi apreciada a toque de caixa, apenas dois
senadores se manifestaram contrários: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Cícero
Lucena (PSDB-PB), sendo que o tucano discordou da maneira como o projeto fora
encaminhado na Casa. Jarbas disse discordar da manutenção do imposto sindical.
A
aprovação da matéria foi assegurada na véspera. Acordo de líderes partidários,
com as bênçãos do presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), foi
costurado para que a emenda mais polêmica aprovada na Câmara, a do deputado
Augusto Carvalho, fosse derrubada ontem.
Nova
emenda foi aprovada, em substituição à do deputado do PPS. A que mantém o
imposto sindical até que o governo estabeleça, por lei, a criação de um novo
tributo: a contribuição negocial. Acordo firmado entre o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, e sindicalistas fixou em 90 dias o prazo para que o Executivo
envie proposta com a nova forma de contribuição.
Outra
emenda polêmica que desagradava aos sindicalistas, a do líder tucano na Câmara,
Antonio Carlos Pannunzio (SP), que previa a fiscalização das centrais pelo TCU,
foi aprovada no Senado, mas sofreu alterações. A fiscalização se estende agora
também às confederações, federações e ao sistema S. “Fiscalizar apenas os
trabalhadores seria discriminação”, afirmou Paulinho. “Agora, fiscalizando
também os sindicatos patronais, ficamos satisfeitos. O projeto saiu como a
gente queria”, comemorou.
Além de
Jarbas e Cícero Lucena, outro senador fez discurso reclamando da maneira como a
matéria tramitou no Senado. Heráclito Fortes (DEM-PI) disse que o desrespeito a
prazos e à tramitação normal das matérias na Casa não pode “virar moda”. “Mas
estou cedendo e vou votar pela aprovação do projeto.”
04/12/2007
Política
DIMITRI
DO VALLE
DA
AGÊNCIA FOLHA, EM PINHAIS (PR)
O
governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse ontem que ficou
"satisfeito" com o desempenho na pesquisa Datafolha publicada
anteontem. O levantamento colocou o governador tucano em primeiro lugar, com
37% das intenções de voto para a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, em
2010.
O
governador paulista, porém, afirmou ser "cedo" para confirmar
eventuais planos de disputar a Presidência da República em 2010.
"É
bom a gente estar bem avaliado nas pesquisas. Neste sentido, a gente fica muito
satisfeito. Mas eu fui eleito para ser governador de São Paulo e não para ser
candidato. Ainda faltam muitos anos para chegarmos até lá", disse Serra em
entrevista, após participar como palestrante de um encontro sobre
empreendedorismo rural em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR).
O
governador, segundo a pesquisa do Datafolha, realizada na semana passada,
lidera em todas as regiões do país.
Organizado
pela Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), o evento ocorreu em
clima de campanha, em razão do assédio dos freqüentadores sobre o governador.
Serra foi freqüentemente parado para abraços e fotografias. Havia cerca de
3.000 pessoas presentes, segundo a assessoria da federação paranaense.
Serra
também fez críticas às políticas fiscal, de juros e de agronegócio praticadas
no governo Lula. Centralizou os ataques na taxa de câmbio. "No fundo,
estamos subsidiando esta taxa de câmbio miserável, inclusive com recursos
fiscais, que é o que acontece na prática", afirmou o tucano.
O
governador disse ainda que "o governo gasta mal e gasta pouco", o que
provoca falta de dinheiro, no caso da agricultura, para pesquisa, defesa
sanitária e extensão rural. "Existem dois ministérios que fazem uma
política de antagonismo, o da agricultura e o da Reforma Agrária, como que
antepondo a agricultura familiar à agricultura empresarial." Afirmou
também que a taxa de câmbio "está num nível insuportável para a produção
inclusive industrial, não só a agrícola".
Valor
Econômico
06/12/2007
Congresso
De
Brasília
A
Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou ontem a convocação do
presidente e da diretoria do Banco do Brasil para tratar da operacionalização
dos financiamentos rurais com aval do Fundo de Recebíveis do Agronegócio (FRA).
Os parlamentares convidaram o presidente Antônio Francisco de Lima Neto e os
vice-presidentes Adézio de Almeida Lima (Crédito) e Luís Carlos Guedes Pinto
(Agronegócios) para esclarecer, na quarta-feira, a demora na aprovação de
cadastros de produtores considerados aptos a contratar essas operações.
"Foi
feito um acordo político com o governo, mas nada foi cumprido. O banco exige um
excesso de garantia, como penhor de safra com dez sacas de soja por cada
hectare financiado", diz o deputado Homero Pereira (PR-MT). "Tem o
fundo de aval justamente para minimizar os riscos. O banco não deveria ter
feito o FRA com exclusividade, tinha que abrir para os privados",
afirma.
A
Comissão de Agricultura ameaça convocar o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
para tratar do mesmo tema. Ontem, deram o recado ao secretário de Política
Econômica, Bernard Appy. "Ele ajudou a desenhar essa solução e concordou
conosco sobre o excesso de demora para tirar o FRA do papel", afirma
Homero. (MZ)
06/12/2007
Política
DA
REDAÇÃO
Na
campanha presidencial de 1998, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
prometeu, em comício em Campinas (SP), em 21 de setembro, que extinguiria a
CPMF se fosse eleito presidente.
Ele
criticou o então deputado federal Eduardo Jorge (PT-SP), que desafiava o PT a
montar o Orçamento sem a contribuição -em seu plano de governo, Lula prometia
dobrar os gastos com a saúde: "Nós já tivemos brigas homéricas dentro do
partido sobre a CPMF. A contribuição não é uma solução e o dinheiro arrecadado
não é aplicado na saúde".
Em
julho, porém, Lula havia proposto uma CPMF para a agricultura: "Da mesma
forma que o governo criou um Proer para salvar os bancos, podemos criar um
Proer para a agricultura. Do mesmo jeito que ele criou a CPMF e o dinheiro não
foi para a saúde, podemos criar uma forma de CPMF para o campo". Mas logo
voltou atrás: "Eu apenas citei um exemplo, não coloquem isso como padrão,
porque eu sou contra a CPMF".
Em 1999,
Lula sugeriu o uso da CPMF para eliminar a miséria: "Quando a CPMF foi
votada, o PT tentou vincular parte dela à Bolsa-Escola. Se o governo estiver
disposto a mudar, se houver inflexão na maioria do Congresso, de resolver
vincular a votação da CPMF a alguma coisa ligada à fome, à miséria e à
educação, não tenha dúvida de que a bancada do PT votará". A partir de
2001, ele passou a defender a prorrogação da CPMF.
07/12/2007
O
presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Fábio de
Salles Meirelles, foi reeleito ontem, por unanimidade, para a presidência da
Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) no triênio 2008- 2010.
A Faesp congrega 236 sindicatos rurais, que, com 310 Extensões de Base, perfaz
um total de 543 municípios paulistas. Após o encerramento da votação, Meirelles
defendeu a união do setor e das entidades representativas como forma de
sensibilizar os Poderes Públicos para que seja implantada no País uma política
agrícola abrangente, de longo prazo. Assim, acredita, seriam atenuados os
efeitos das políticas macroeconômicas e se asseguraria renda aos produtores.