CLIPPING RURAL – CNA

 SANIDADE ANIMAL E VEGETAL

 

Missão russa virá ao País inspecionar carne

 

Missões da Rússia e China vêm ao país

 

Afastado risco de aftosa em Campos

 

Para ministro, há precipitação na divulgação de suspeitas de aftosa   

 

Aftosa muda o mapa das exportações de carnes

 

Governo agora vai fiscalizar açaí  

 

Missão européia dá início hoje a visitas técnicas

 

País deveria auditar Europa, diz CNA

 

Mais recursos para a defesa agropecuária

 

Estado busca R$ 2,8 milhões para a sanidade

 

Controle sanitário brasileiro é ruim, conclui UE. 

 

 Doenças aviárias têm controle ineficiente

 

Reabertura imediata do mercado da Rússia às carnes é para poucos   

 

 

O Estado de S. Paulo

30/08/2007

 

Sanidade Animal

Missão russa virá ao País inspecionar carne

 

Uma missão de veterinários russos chegará ao Brasil no dia 5 e ficará no País por 20 dias para inspecionar frigoríficos, laboratórios e fazendas de pecuária de corte. A informação é do secretário de Defesa Agropecuário do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz. Ele espera que os russos autorizarão a compra de carne produzida nos Estados livres de febre aftosa. 

 

 

 

 

Valor Econômico

31/08/2007

 

Sanidade Animal

Missões da Rússia e China vêm ao país

 

Mauro Zanatta

 

Duas missões veterinárias de extrema relevância para os exportadores de carnes visitam o Brasil em setembro para tratar de acordos sanitários bilaterais e auditar o sistema nacional de defesa agropecuária. No dia 17, chega uma missão da China, para tratar de pendências relacionadas a acordos sanitários bilaterais firmados há quase três anos. Até hoje, as vendas de carnes brasileiras para a China estão paralisadas em razão de exigências adicionais e problemas burocráticos. Também está prevista uma reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Cooperação para tratar dos acordos. 

 

Antes, no dia 4, chegam 16 técnicos da Rússia para inspecionar as condições de granjas, frigoríficos, entrepostos, portos em diversos Estados do país. A retomada das importações de carne suína de Santa Catarina são prioridade. O grupo fará auditorias na emissão de certificados sanitários internacionais, alvo de recentes denúncias de falsificação no exterior. 

 

Os russos também começam a negociar novo acordo bilateral que inclui regras em caso de ocorrência de doenças como a febre aftosa. O Brasil quer adequação dos termos para restringir embargos às zonas de contenção, conceito aprovado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e não reconhecido pelos russos. 

 

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Valor Econômico

08/10/2007

Sanidade Animal

Afastado risco de aftosa em Campos

 

Chico Santos

 

A Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro considera que estão afastados os riscos de que o bezerro doente que foi isolado no início da semana passada no município de Campos (Norte do Estado, a 274 km da capital) esteja com febre aftosa. 

 

Na sexta-feira à tarde a Secretaria informou ter recebido o resultado do exame sorológico feito pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), no Pará, com diagnóstico negativo para a presença de doença viral, como seria o caso da aftosa. A cultura completa do material colhido no bezerro só ficará pronta no final desta semana ou começo da próxima, mas as autoridades fluminenses consideram que a sorologia é suficiente para afastar o perigo maior. 

 

O bezerro, pertencente a uma fazenda situada na localidade de Barra do Taí, no limite entre os municípios de Campos e São João da Barra, apresentava feridas na boca e nos cascos, um dos sintomas da aftosa. A propriedade foi isolada e foram tomadas medidas para desinfecção de veículos que passaram pelo local, obedecendo a procedimentos recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

 

O animal não chegou a ser sacrificado, segundo informou a Secretaria de Agricultura do Rio. Como nenhum outro animal do rebanho apresentou o mesmo sintoma, a Secretaria considera a hipótese de que o bezerro tenha comido alguma planta tóxica. 

 

Em 2005, os Estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul apresentaram focos de aftosa nos seus rebanhos, gerando embargos à carne brasileira, ou da região afetada, em vários mercados compradores. Alguns desses embargos ainda não foram levantados. No Rio de Janeiro, o último caso confirmado da doença foi há mais de dez anos, segundo o secretário de agricultura do Estado, Christino Áureo. 

 

Áureo informou que as medidas sanitárias e de controle de trânsito no local da suspeita permanecerão ativas até que seja emitido o laudo definitivo do Lanagro. Segundo o Ministério da Agricultura, outras 53 suspeitas já foram avaliadas em diferentes Estados neste ano, todas com resultado negativo. 

 

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Valor Econômico

15/10/2007

Sanidade Animal

 

Para ministro, há precipitação na divulgação de suspeitas de aftosa     

De Colônia

  

Para o ministro Reinhold Stephanes, "o jornalista brasileiro torce para o touro". A frase jocosa foi dita em tom de bronca quando ele comentava notícias recentes em relação a suspeitas de aftosa no Rio de Janeiro e em Rondônia. Segundo o ministro, "na verdade, nem suspeita houve". E acrescentou: "Desculpe, mas parece que o jornalista brasileiro torce para o touro". Na opinião de Stephanes, há uma precipitação por parte de jornalistas para noticiar suspeitas da doença. Nos dois casos mencionados, segundo ele, os exames realizados deram negativo para aftosa. 

 

Conforme o ministro, quando sai uma notícia sobre suspeita de febre aftosa em território brasileiro, "em cinco minutos está num site irlandês". Para Stephanes, "isso é um mal serviço da imprensa". 

 

O ministro afirmou que as chances de o Brasil ter aftosa são pequenas graças aos avanços nos controles. Mas não descartou o risco, "porque temos países vizinhos que ainda têm. Mas mesmo a fronteira nós estamos cuidando muito". Ele garantiu que hoje o Brasil tem instrumentos para tomar medidas com rapidez em caso de surgimento de um foco e eliminá-lo em poucos dias. Os últimos casos confirmados no país acabam de completar dois anos e ainda motivam barreiras em mais de 50 países.(AAR) 

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Valor Econômico

17/10/2007

 

Sanidade Animal

Aftosa muda o mapa das exportações de carnes

 

 Mauro Zanatta

 

 Dois anos após o ressurgimento de focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul, em 2005, os embargos anunciados por 59 parceiros comerciais do Brasil prejudicaram, na verdade, as vendas de carne bovina ao Chile e de cortes suínos à Rússia. As restrições internacionais provocaram, isso sim, uma profunda alteração no ranking interno da exportação do complexo carnes. 

 

A indústria exportadora de suínos de Santa Catarina (-42,5%) e Paraná (-70,3%) registrou forte recuo em suas fatias nas vendas externas, mostram dados comparativos de janeiro a setembro de 2005 com igual período de 2007 obtidos pelo Valor. A perda chegou a US$ 258 milhões. 

 

Na outra mão, apontam as estatísticas do Ministério da Agricultura, cresceram as vendas de frigoríficos de Rio Grande do Sul (119%), Mato Grosso (422%) e Goiás (17%). No geral, porém, as vendas de suínos recuaram 5,7%. 

 

Em relação aos embarques de carne bovina, houve uma brusca freada na participação dos exportadores de Mato Grosso do Sul (79,3%), São Paulo (3,5%), Rio Grande do Sul (2,4%) e Paraná (90%). A conta negativa bateu em US$ 300 milhões. Com isso, ficou aberto o caminho para o avanço das indústrias de Goiás (220%), Mato Grosso (237%), Minas (296%) e Rondônia (348%). No balanço, os embarques de cortes bovinos aumentaram 34,7% no período. 

 

A diferença entre o desempenho do setor de carne suína e o segmento de carne bovina está diretamente relacionada à histórica de dependência da indústria de suínos em relação ao mercado russo. "Houve uma queda efetiva, mas não só em função da aftosa. A dependência exacerbada da Rússia, com a sujeição às políticas de proteção de mercado e distribuição de cotas de importação, prejudicou muito o setor", analisa o coordenador-geral de Organização para Exportação da Agricultura do ministério, Eliezer Lopes. 

 

Ainda assim, observa Lopes, a reabertura do mercado russo ao produto do Rio Grande do Sul, ocorrido em 2006, "salvou" o país de um prejuízo mais grave. "De fato, os números do Brasil não são tão ruins porque o Rio Grande do Sul foi muito bem. Mas são trágicos para Santa Catarina e Paraná, o que gerou uma situação muito desigual", avalia o presidente da Associação da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto. 

 

Os embarques de carne bovina mantiveram a competitividade por causa da estratégia dos frigoríficos de deslocar a produção de Estados inabilitados para áreas livres de aftosa, o que permitiu manter a tendência de crescimento das vendas. "Não perdemos competitividade porque usamos a regionalização para remanejar vendas", diz Eliezer. Mas o Chile, até então quarto maior importador do produto brasileiro, reduziu em US$ 122,5 milhões (-89,7%) suas compras, passando a 17º no ranking. 

 

A União Européia, que hoje ameaça fechar suas fronteiras ao Brasil em razão de falhas sanitárias, elevou as compras de US$ 1,93 bilhão para 2,6 bilhões em dois anos (15,2%). "O prejuízo financeiro foi grande, mas o pior foi perder todo o trabalho que se fazia para conquistar novos mercados, como os Estados Unidos", diz o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antonio Camardeli. 

 

A interrupção, de acordo com a Abiec, abortou a venda de carne bovina in natura para um parceiro que poderia mudar o fluxo de exportações, já que influencia outros países que adotam sua lista de habilitação e baliza outros mercados sofisticados, como Japão e Coréia. "Agora, sofremos com as armadilhas da má intenção. O Chile, por exemplo, não só cortou as compras como fez uma sanção econômica", ataca Camardeli. 

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O Estado de S. Paulo

06/11/2007

 

Sanidade Vegetal

Governo agora vai fiscalizar açaí  

Ministério da Agricultura quer reduzir risco de doença de Chagas

 

 

Fabíola Salvador

 

 

Depois do escândalo envolvendo cooperativas de leite que misturavam substâncias químicas ao leite, entre elas água oxigenada e soda cáustica, o Ministério da Agricultura anunciou ontem a realização de uma blitz federal nos estabelecimentos produtores de suco e polpa de açaí localizados na região metropolitana de Belém e nos municípios de Castanhal e Igarapé-Miri, no Pará.

 

De acordo com o ministério, 12 fiscais federais da Inspeção Vegetal que atuam em vários Estados do País vão verificar se as indústrias paraenses produtoras de açaí adotaram as normas de padrão de qualidade e identidade já estabelecidas pelo órgão, como o cuidado com as instalações, qualidade da água, destino dos resíduos, a pasteurização e outros itens. O objetivo da ação é reduzir os riscos de contaminação pela doença de Chagas em seres humanos pela ingestão do alimento.

 

Dados do Ministério da Saúde mostram que de janeiro a 21 de setembro foram notificados 84 casos de doença de Chagas aguda por transmissão oral no País. Quatro pessoas morreram. Os casos foram descobertos em 13 municípios da Região Norte. Só no Pará, os surtos ocorreram em 11 municípios. O alimento mais freqüentemente envolvido foi o açaí.

 

Segundo Marcus Prates, funcionário do ministério e coordenador da blitz, as indústrias que não estiverem cumprindo as normas sanitárias ou em condições precárias poderão ser interditadas. “Procuramos controlar possíveis casos de contaminação, resguardando o consumidor e o mercado internacional”, disse a diretora do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), Ângela Peres.

 

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Zero Hora

07/11/2007

 

Sanidade Animal

Missão européia dá início hoje a visitas técnicas

 

Ministério reconhece MS como zona livre com vacinação

 

Os europeus aceitaram roteiro proposto pelos técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e deverão avaliar, a partir de hoje, a condição dos rebanhos e a inspeção sanitária desenvolvida nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.

 

A ordem dos Estados não representa o cronograma das visitas. Fonte do ministério disse que os europeus estarão divididos em três equipes e que a proposta inicial é que uma fique responsável pelas avaliações relativas à saúde animal, e as outras duas, pela inspeção sanitária.

 

O grupo ficará no Brasil até o dia 19 de novembro e não até 14 de novembro, como informou fonte do governo. A reunião final deve acontecer em Brasília, mas um relatório com o resultado das auditorias só começará a ser elaborado quando os europeus voltarem para Bruxelas. O documento deve ficar pronto em 45 dias.

 

Em reunião realizada ontem, em Brasília, os europeus fizeram uma única imposição ao governo brasileiro: eles querem visitar frigoríficos que têm autorização para exportação de carne para a União Européia. As empresas inspecionadas serão escolhidas pela secretaria a partir de uma lista elaborada pelos europeus.

 

Além dos questionamentos previstos - sistema de rastreabilidade, controle da febre aftosa e medidas de controle sanitário - , os europeus pediram informações sobre o programa brasileiro de controle de resíduos e o sistema de Vigilância Agropecuária Internacional. Também poderão visitar Rondônia, para avaliar as condições da defesa sanitária do país na fronteira com a Bolívia.

 

Ontem, o ministério reconheceu a condição de área livre de febre aftosa com vacinação ao Mato Grosso do Sul. A decisão deverá ser publicada em instrução normativa prevista para circular hoje.

 

 

 

Por que é importante

- A UE é o principal mercado para a carne brasileira.

- Em 2006, o país exportou 224 mil toneladas de produto in natura para o bloco, vendas que renderam US$ 1 bilhão e, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o mercado europeu respondeu por 33% da receita desse mercado.

- Desde 2005, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná não podem vender carne para o bloco.

- Focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul e Paraná tiraram os dois Estados desse mercado. A carne de São Paulo também foi embargada.

 

 

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Valor Econômico

22/11/2007

 

Sanidade Animal

País deveria auditar Europa, diz CNA   

  

De São Paulo

  

O presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, defende que o governo brasileiro trate a União Européia da mesma forma que o bloco tem tratado o Brasil no que se refere à sanidade animal. Para Nogueira, o governo deveria solicitar uma auditoria do sistema de rastreabilidade do gado bovino da UE para avaliar o seu funcionamento. "Eles não exigem que [os sistemas brasileiro e o europeu] têm de ser correlatos?", argumentou. Uma missão da Europa visitou o país e não economizou exigências (ver matéria ao lado). 

 

Reiterando sua visão de que o rigor da União Européia é na verdade protecionismo comercial, dada a competitividade da carne bovina brasileira, Nogueira disse que a auditoria européia foi "severíssima" e se mostrou pouco otimista com o resultado das inspeções. A expectativa de Nogueira é de que a União Européia não deve habilitar agora novas áreas para exportar carne bovina aos países do bloco, como alguns setores esperavam. 

 

O representante da CNA afirmou ainda que a UE deve manter a suspensão às compras de carne bovina de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, que tiveram as vendas ao bloco proibidas após focos de febre aftosa nos dois primeiros Estados, no fim de 2005. Por fazer divisa com ambos, São Paulo também acabou sendo embargado. 

 

Nogueira avalia, no entanto, que a UE não deve ampliar o embargo à carne bovina de outros Estados brasileiros. "Eles precisam da nossa carne", afirmou. 

 

Ele admitiu que o mercado europeu "é importante", mas argumentou que o Brasil não pode aceitar todas as exigências. "O governo tem de se posicionar". 

 

Segundo Nogueira, a UE é menos exigente com outros países dos quais importa carne bovina, como Argentina e Uruguai, porque estes não têm volume de oferta suficiente para afetar o mercado europeu. Já a oferta brasileira do produto "incomoda". 

 

Algumas exigências feitas pela missão de técnicos europeus "não têm sentido", na opinião de Nogueira. Ele criticou a exigência de que os frigoríficos que exportam carne bovina para a UE só possam abater animais rastreados. Ocorre que os frigoríficos também vendem para o mercado doméstico, onde a rastreabilidade do gado não é obrigatória. 

 

Criticou ainda a exigência dos europeus de que o sumário, documento com as informações sobre o animal destinado a abate, seja feito na propriedade, para depois ser levado à agência de defesa sanitária, que emite a Guia de Trânsito Animal (GTA). Além disso, o carregamento do lote de animais teria de ser acompanhado por um agente da defesa. Atualmente, o sumário é feito no frigorífico, com a certificadora. No modelo novo, se houver alguma inconformidade entre as informações no documento e o animal, todo o lote seria devolvido e a propriedade ficaria 90 dias sem poder fornecer bois para abate ao frigorífico exportador. A medida, segundo ele, prejudicaria os pecuaristas. (AAR)

 

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Valor Econômico

22/11/2007

 

Sanidade Animal

Mais recursos para a defesa agropecuária   

  

Mauro Zanatta

  

Ainda sob pressão de parceiros comerciais internacionais por medidas adicionais de saúde e segurança alimentar, sobretudo da União Européia, o Ministério da Agricultura espera contar com um orçamento mais robusto para as ações de defesa agropecuária em 2008. Prevê, também, aumentar o volume de recursos para o pagamento de subsídios ao prêmio do seguro rural, uma das bandeiras do governo Lula nos agronegócios. 

 

O projeto de lei orçamentária anual enviada pelo Executivo ao Congresso destina mais recursos para a rede de laboratórios de análise animal do ministério, para a vigilância e fiscalização do trânsito de animais nas divisas estaduais, para a erradicação da febre aftosa e para ações de prevenção e controle de doenças animais. 

 

O cenário desenhado para o próximo ano pelo governo prevê, em contrapartida, reduções nos recursos destinados à vigilância e fiscalização do trânsito de animais nas fronteiras do país, ao controle de resíduos e contaminantes de animais e vegetais e à inspeção industrial de produtos e derivados de origem animal. 

 

A proposta de orçamento, que deve ser apreciada pelos parlamentares da Comissão Mista de Orçamento até o fim de dezembro, eleva de R$ 99,5 milhões (verba prevista para 2007) para R$ 200 milhões o volume de recursos reservado para subsidiar o prêmio do seguro rural aos produtores. O orçamento da Embrapa também será reforçado, de R$ 1,08 milhões para R$ 1,11 milhões. 

 

Na sensível área da defesa agropecuária, a previsão do governo dobra os recursos para o Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa. O orçamento total deve saltar 108%, para R$ 86,5 milhões em 2008, segundo a proposta. Missões técnicas de parceiros comerciais do Brasil recorrentemente criticam a baixa aplicação de recursos na prevenção da doença, que, após ressurgir em Mato Grosso do Sul, em 2005, motivou o embargo de 59 países à carne bovina nacional. 

 

A pressão internacional sobre o sistema de defesa agropecuária brasileiro também parece ter surtido efeito na área de laboratórios de análise animal. O Executivo elevou em 70% o volume de recursos reservados ao aparelhamento da rede laboratorial. Os recursos disponíveis passam de R$ 17,7 milhões para R$ 29,9 milhões. Os laboratórios de análise vegetal, por outro lado, perdem quase 20% do orçamento: de R$ 20,28 milhões para R$ 16,9 milhões. 

 

O orçamento da vigilância sanitária de animais nas divisas estaduais cresce 13%, passando de R$ 2,5 milhões para R$ 2,82 milhões. Mas os recursos para inspecionar o trânsito de animal nas fronteiras internacionais recua 17%, de R$ 3,5 milhões para R$ 3 milhões. O fiscalização do trânsito de vegetais também perde. 

 

Pivô de ameaças da União Européia de fechar suas fronteiras a todos os produtos agropecuários brasileiros, as deficiências do programa de controle de resíduos e contaminantes parecem ter sido relegadas a segundo plano em 2008. Pela proposta orçamentária, o ministério prevê reduzir pela metade, de R$ 22,57 milhões para R$ 11 milhões, o volume de recursos reservados para a ação. 

 

Da mesma forma, o governo não renovou os recursos para a inspeção industrial e sanitária de produtos e derivados de origem animal. Mesmo com os problemas de fraude no leite longa vida descobertos pela Polícia Federal em duas cooperativas de Minas Gerais, o ministério não terá os R$ 4,35 milhões previstos neste ano. 

 

Para 2008, a defesa agropecuária deve ter R$ 24 milhões sob a rubrica prevenção, controle e erradicação de doenças de animais. Também haverá R$ 7,55 milhões para inspeção e fiscalização de produtos animais e outros R$ 2,5 milhões para vegetais. 

 

Mas não haverá os R$ 65 milhões destinados à modernização da defesa agropecuária neste ano. Além disso, não está prevista a renovação de R$ 17,62 milhões para combater doenças da bovideocultura, R$ 3,68 milhões da suideocultura e outros R$ 8,2 milhões da avicultura. As ações de controle da raiva e prevenção da "vaca louca" no país também ficaram sem previsão de recursos de R$ 2 milhões destinados neste ano. 

 

 

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Zero Hora

27/11/2007

 Sanidade Animal

Estado busca R$ 2,8 milhões para a sanidade

Secretários da Agricultura tentam mudar regra que impede repasse

 

 

Nesta quinta-feira, o debate sobre o contingenciamento de recursos destinados à defesa sanitária que devem ser repassados aos Estados ganha força. Secretários estaduais de agricultura de todo o país se reúnem, no Rio de Janeiro, para elaborar um documento a ser encaminhado ao ministro da agricultura, Reinhold Stephanes.

 

Além do fim da restrição, o grupo pedirá que a inadimplência dos governos estaduais não impeça o recebimento de verbas de sanidade, a exemplo do que ocorre nos ministérios da Educação e da Saúde, adiantou o secretário substituto da agricultura no Estado, Gilmar Tietböhl.

 

O Rio Grande do Sul vive esse problema. Sem conseguir gastar a verba à disposição, o Estado acaba não prestando contas e tem o acesso bloqueado a novos recursos. A execução do montante de R$ 1,5 milhão recebidos em 2007 do Ministério da Agricultura foi possível graças a estratégias que incluem termos de cooperação, permitindo que o ministério compre carros e equipamentos para a defesa sanitária gaúcha, explicou o superintendente federal da agricultura no Estado, Francisco Signor.

 

Para aplicação em 2008, o Estado solicitou R$ 2,8 milhões para ações do Departamento de Produção Animal, mas a verba pode vir com cortes. A tendência é de liberação de cerca de R$ 2 milhões, valor a ser confirmado por Brasília.

 

- Como não há evento sanitário novo, a verba deve ser suficiente - disse Signor, ao relatar que o auxílio do ministério extrapola o repasse de recursos por meio de convênios, com apoio em diárias e deslocamento de técnicos da secretaria.

 

O secretário gaúcho João Carlos Machado deve ir ao encontro do Rio de Janeiro, onde o grupo também pedirá maior rigor na rastreabilidade dos bovinos, adiantou Gilmar Viana, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado de Agricultura.

 

A integração entre o ministério e os Estados para a elaboração do relatório do governo brasileiro à União Européia também estará em pauta.

 

 

 

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Valor Econômico

06/12/2007

 

Sanidade Animal

Controle sanitário brasileiro é ruim, conclui UE.

  Assis Moreira

  

Um comitê científico da União Européia examinou esta semana as primeiras conclusões da missão veterinária enviada ao Brasil mês passado para avaliar o controle sanitário da carne exportada para o mercado europeu. Agora, o comissário de Saúde, Marcos Kiprianou, estuda a recomendação que fará sobre a entrada da carne brasileira. A única certeza em Bruxelas é que a UE tem em mãos conclusões "muito ruins" sobre o sistema de controle sanitário brasileiro. 

 

 

Técnicos europeus pediram dados complementares aos brasileiros com uma rapidez que surpreendeu, já que normalmente isso só ocorre muitas semanas depois de encerrada a missão. 

 

A UE tem prazo até o fim deste ano para apresentar ao Brasil as conclusões preliminares. Até pela importância das exportações do Brasil, maior fornecedor de carne bovina para os 27 países da UE, aumentam rumores e pressões para Bruxelas ser dura com o produto brasileiro. 

 

Segundo fontes em Bruxelas, a UE examina se "convoca" autoridades competentes do Ministérios da Agricultura antes do Natal para discutir as deficiências encontradas no sistema de controle sanitário. Seria boa notícia: significa que a UE não aplicaria de imediato medidas contra o país. 

 

A porta-voz de Kiprianou, porém, não confirma uma eventual reunião com os brasileiros. 

 

Por sua vez, os produtores irlandeses aumentam a pressão. William Taylor, diretor de uma associação chamada Fairness for Farmers in Europe (FFA), disse ter recebido informações de que a missão teria constatado problemas tão sérios no Brasil que o próprio Ministério da Agricultura teria proposto restringir exportações para evitar uma ação mais dura de Bruxelas. Fontes brasileiras não confirmaram os rumores. Mas o governo brasileiro pode, de fato, restringir exportações, porque é ele quem habilita ou desabilita frigoríficos para exportar. 

 

 

"Os brasileiros estão vendendo carne com preço até 200% mais baixo porque produzem em condições que nós aqui não podemos produzir", reclamou Taylor. 

 

Antes de retornar a Bruxelas, num reunião técnica sobre o Sisbov, a missão européia teria considerado "um desastre" a operacionalização do novo sistema. Constatou "inconformidades" em grandes confinamentos de bois de São Paulo e Goiás. 

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Folha de S. Paulo

07/12/2007

 

Avicultura

Doenças aviárias têm controle ineficiente

Conclusão é de estudo do Ministério da Agricultura, segundo o qual nenhum Estado produtor cumpre as exigências

Em ranking de "A" a "D", apenas Santa Catarina, melhor colocada, teve nota "B"; SP e 12 Estados obtêm nota "C", e 8 recebem "D"

  

IURI DANTAS

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

 

 

Levantamento do Ministério da Agricultura indica que o Distrito Federal e nenhum dos 17 Estados e produtores de frango atendem a todas as exigências para o controle e eliminação de doenças aviárias.

 

Num ranking de "A" a "D", Santa Catarina teve "B", a melhor colocação. Treze Estados, incluindo São Paulo, obtiveram "C". O Rio e outros sete Estados ficaram com a pior posição.

 

O objetivo do ranking é permitir que Estados proíbam o trânsito de aves vivas de locais problemáticos na eventualidade de uma epidemia de gripe aviária ou novos focos da doença de Newcastle, por exemplo.

 

A doença de Newcastle, batizada com o nome da cidade inglesa onde foi identificada, é uma infecção aguda do sistema respiratório e altamente contagiosa entre aves. Não é transmitida a seres humanos.

 

Nestes casos, o governo local precisa primeiro de uma autorização do Ministério da Agricultura. Se tiver o aval da União, pode bloquear o tráfego das aves. Segundo as normas instituídas pelo ministério, um Estado só pode barrar produtos de "Estados com classificação equivalente ou inferior".

 

"Tínhamos pressão muito grande para saber se os serviços de inspeção funcionavam. De posse desses resultados podemos saber em que nível de prontidão estão estes serviços", disse o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz.

 

O ministério não divulgou as deficiências por Estado e não deve fazê-lo para evitar rusgas com governadores.

 

De acordo com o Ministério da Agricultura, receberam conceito "C": Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal.

 

São Estados considerados "intermediários", que "necessitam do ministério na condução de procedimentos sanitários" por não terem gente ou recursos suficientes para identificar, conter e eliminar focos de doenças como a gripe aviária.

 

Já Ceará, Espírito Santo, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte "necessitam de estruturação e do desenvolvimento de ações pontuais para realização da vigilância às doenças."

 

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Valor Econômico

07/12/2007

 

Sanidade Animal

Reabertura imediata do mercado da Rússia às carnes é para poucos  

 

Mauro Zanatta 

 

Em meio à controvérsia gerada por interpretações divergentes sobre a amplitude da retomada das exportações de carnes suína e bovina para a Rússia, o Ministério da Agricultura esclareceu ontem (dia 6) os detalhes do acordo sanitário assinado na semana passada em Moscou. 

 

O secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Inácio Kroetz, afirmou que estão "automaticamente" autorizadas a vender ao mercado russo somente as unidades frigoríficas habilitadas depois do embargo aplicado pela Rússia em outubro de 2005. 

 

"As unidades que tinham a habilitação continuam aptas a exportar. O que houve agora, nesta primeira parte do acordo, foi a ampliação dos Estados autorizados a vender para a Rússia", disse. As 180 habilitações em vigor antes da descoberta de focos de febre aftosa no Brasil foram extintas pelo embargo russo às carnes nacionais. 

 

O secretário informou que o acordo prevê a habilitação de novas plantas somente a partir de 2008 em auditorias conjuntas de autoridades sanitárias russas e brasileiras. Uma missão veterinária dos parceiros virá ao Brasil no próximo ano para habilitar as novas unidades frigoríficas. Ocorre que o acordo prevê, ainda, a habilitação de novos abatedouros de acordo com os interesses comerciais dos importadores russos. "Nesse caso, não temos o que fazer. Eles decidem de quem vão comprar", afirmou Kroetz. 

 

O ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou, no último dia 23 de novembro, a reabertura do mercado russo a partir de 1º de dezembro. De lá para cá, entretanto, surgiram contestações do setor privado sobre o alcance da permissão. 

 

Nessa nova etapa, a Rússia permitiu o embarque dos Estados de Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Amazonas e da região sul do Pará. Até então, a Rússia só havia permitido a aquisição de carnes suína e bovina dos Estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso, além da carne bovina de Goiás e São Paulo. 

 

A desconfiança russa estava centrada nas dificuldades do governo brasileiro em controlar os focos de febre aftosa e evitar falsificações na emissão de certificados sanitários internacionais. Pressionado, o ministério passou a emitir, desde agosto, o certificado em papel-moeda. 

 

Em outra frente de negociações para manter as vendas de carnes para a União Européia, o secretário Inácio Kroetz confirmou que o Brasil praticou uma "auto-limitação" para atender às exigências do parceiro comercial. A medida, de acordo com ele, restringiu o abate de animais originários de zonas com status de livre de aftosa. 

 

"Foi uma auto-limitação para auxiliar no entendimento dos europeus sobre o sistema brasileiro", informou ele. Uma missão veterinária da UE constatou diversos problemas de controles animais no país, principalmente no rastreamento de bovinos em áreas de confinamento de gado. 

 

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