SANIDADE ANIMAL E
VEGETAL
Para ministro, há
precipitação na divulgação de suspeitas de aftosa
Governo agora vai fiscalizar
açaí
Missão européia dá
início hoje a visitas técnicas
País deveria
auditar Europa, diz CNA
Mais recursos para a
defesa agropecuária
Estado busca R$ 2,8
milhões para a sanidade
Doenças aviárias têm controle ineficiente
Reabertura
imediata do mercado da Rússia às carnes é para poucos
O Estado de S. Paulo
30/08/2007
Sanidade Animal
Uma
missão de veterinários russos chegará ao Brasil no dia 5 e ficará no País por
20 dias para inspecionar frigoríficos, laboratórios e fazendas de pecuária de
corte. A informação é do secretário de Defesa Agropecuário do Ministério da
Agricultura, Inácio Kroetz. Ele espera que os russos autorizarão a compra de
carne produzida nos Estados livres de febre aftosa.
Valor Econômico
31/08/2007
Sanidade Animal
Mauro
Zanatta
Duas
missões veterinárias de extrema relevância para os exportadores de carnes
visitam o Brasil em setembro para tratar de acordos sanitários bilaterais e
auditar o sistema nacional de defesa agropecuária. No dia 17, chega uma missão
da China, para tratar de pendências relacionadas a acordos sanitários
bilaterais firmados há quase três anos. Até hoje, as vendas de carnes
brasileiras para a China estão paralisadas em razão de exigências adicionais e
problemas burocráticos. Também está prevista uma reunião da Comissão
Sino-Brasileira de Alto Nível de Cooperação para tratar dos acordos.
Antes,
no dia 4, chegam 16 técnicos da Rússia para inspecionar as condições de
granjas, frigoríficos, entrepostos, portos em diversos Estados do país. A
retomada das importações de carne suína de Santa Catarina são prioridade. O
grupo fará auditorias na emissão de certificados sanitários internacionais,
alvo de recentes denúncias de falsificação no exterior.
Os
russos também começam a negociar novo acordo bilateral que inclui regras em
caso de ocorrência de doenças como a febre aftosa. O Brasil quer adequação dos
termos para restringir embargos às zonas de contenção, conceito aprovado pela
Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e não reconhecido pelos russos.
Valor
Econômico
08/10/2007
Chico
Santos
A
Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro considera que estão
afastados os riscos de que o bezerro doente que foi isolado no início da semana
passada no município de Campos (Norte do Estado, a 274 km da capital) esteja
com febre aftosa.
Na
sexta-feira à tarde a Secretaria informou ter recebido o resultado do exame
sorológico feito pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), no Pará, com
diagnóstico negativo para a presença de doença viral, como seria o caso da
aftosa. A cultura completa do material colhido no bezerro só ficará pronta no
final desta semana ou começo da próxima, mas as autoridades fluminenses
consideram que a sorologia é suficiente para afastar o perigo maior.
O bezerro,
pertencente a uma fazenda situada na localidade de Barra do Taí, no limite
entre os municípios de Campos e São João da Barra, apresentava feridas na boca
e nos cascos, um dos sintomas da aftosa. A propriedade foi isolada e foram
tomadas medidas para desinfecção de veículos que passaram pelo local,
obedecendo a procedimentos recomendados pela Organização Mundial de Saúde
(OMS).
O animal
não chegou a ser sacrificado, segundo informou a Secretaria de Agricultura do
Rio. Como nenhum outro animal do rebanho apresentou o mesmo sintoma, a
Secretaria considera a hipótese de que o bezerro tenha comido alguma planta
tóxica.
Em 2005,
os Estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul apresentaram focos de aftosa nos
seus rebanhos, gerando embargos à carne brasileira, ou da região afetada, em
vários mercados compradores. Alguns desses embargos ainda não foram levantados.
No Rio de Janeiro, o último caso confirmado da doença foi há mais de dez anos,
segundo o secretário de agricultura do Estado, Christino Áureo.
Áureo
informou que as medidas sanitárias e de controle de trânsito no local da
suspeita permanecerão ativas até que seja emitido o laudo definitivo do
Lanagro. Segundo o Ministério da Agricultura, outras 53 suspeitas já foram
avaliadas em diferentes Estados neste ano, todas com resultado negativo.
Valor
Econômico
15/10/2007
De
Colônia
Para o
ministro Reinhold Stephanes, "o jornalista brasileiro torce para o
touro". A frase jocosa foi dita em tom de bronca quando ele comentava
notícias recentes em relação a suspeitas de aftosa no Rio de Janeiro e em
Rondônia. Segundo o ministro, "na verdade, nem suspeita houve". E
acrescentou: "Desculpe, mas parece que o jornalista brasileiro torce para
o touro". Na opinião de Stephanes, há uma precipitação por parte de
jornalistas para noticiar suspeitas da doença. Nos dois casos mencionados, segundo
ele, os exames realizados deram negativo para aftosa.
Conforme
o ministro, quando sai uma notícia sobre suspeita de febre aftosa em território
brasileiro, "em cinco minutos está num site irlandês". Para
Stephanes, "isso é um mal serviço da imprensa".
O
ministro afirmou que as chances de o Brasil ter aftosa são pequenas graças aos
avanços nos controles. Mas não descartou o risco, "porque temos países
vizinhos que ainda têm. Mas mesmo a fronteira nós estamos cuidando muito".
Ele garantiu que hoje o Brasil tem instrumentos para tomar medidas com rapidez
em caso de surgimento de um foco e eliminá-lo em poucos dias. Os últimos casos
confirmados no país acabam de completar dois anos e ainda motivam barreiras em
mais de 50 países.(AAR)
Valor Econômico
17/10/2007
Sanidade Animal
Mauro
Zanatta
Dois
anos após o ressurgimento de focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul, em
2005, os embargos anunciados por 59 parceiros comerciais do Brasil
prejudicaram, na verdade, as vendas de carne bovina ao Chile e de cortes suínos
à Rússia. As restrições internacionais provocaram, isso sim, uma profunda
alteração no ranking interno da exportação do complexo carnes.
A
indústria exportadora de suínos de Santa Catarina (-42,5%) e Paraná (-70,3%)
registrou forte recuo em suas fatias nas vendas externas, mostram dados
comparativos de janeiro a setembro de 2005 com igual período de 2007 obtidos
pelo Valor. A perda chegou a US$ 258 milhões.
Na outra
mão, apontam as estatísticas do Ministério da Agricultura, cresceram as vendas
de frigoríficos de Rio Grande do Sul (119%), Mato Grosso (422%) e Goiás (17%).
No geral, porém, as vendas de suínos recuaram 5,7%.
Em
relação aos embarques de carne bovina, houve uma brusca freada na participação
dos exportadores de Mato Grosso do Sul (79,3%), São Paulo (3,5%), Rio Grande do
Sul (2,4%) e Paraná (90%). A conta negativa bateu em US$ 300 milhões. Com isso,
ficou aberto o caminho para o avanço das indústrias de Goiás (220%), Mato
Grosso (237%), Minas (296%) e Rondônia (348%). No balanço, os embarques de
cortes bovinos aumentaram 34,7% no período.
A
diferença entre o desempenho do setor de carne suína e o segmento de carne
bovina está diretamente relacionada à histórica de dependência da indústria de
suínos em relação ao mercado russo. "Houve uma queda efetiva, mas não só
em função da aftosa. A dependência exacerbada da Rússia, com a sujeição às
políticas de proteção de mercado e distribuição de cotas de importação,
prejudicou muito o setor", analisa o coordenador-geral de Organização para
Exportação da Agricultura do ministério, Eliezer Lopes.
Ainda
assim, observa Lopes, a reabertura do mercado russo ao produto do Rio Grande do
Sul, ocorrido em 2006, "salvou" o país de um prejuízo mais grave.
"De fato, os números do Brasil não são tão ruins porque o Rio Grande do
Sul foi muito bem. Mas são trágicos para Santa Catarina e Paraná, o que gerou
uma situação muito desigual", avalia o presidente da Associação da
Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo
Neto.
Os
embarques de carne bovina mantiveram a competitividade por causa da estratégia
dos frigoríficos de deslocar a produção de Estados inabilitados para áreas
livres de aftosa, o que permitiu manter a tendência de crescimento das vendas.
"Não perdemos competitividade porque usamos a regionalização para
remanejar vendas", diz Eliezer. Mas o Chile, até então quarto maior
importador do produto brasileiro, reduziu em US$ 122,5 milhões (-89,7%) suas
compras, passando a 17º no ranking.
A União
Européia, que hoje ameaça fechar suas fronteiras ao Brasil em razão de falhas
sanitárias, elevou as compras de US$ 1,93 bilhão para 2,6 bilhões em dois anos
(15,2%). "O prejuízo financeiro foi grande, mas o pior foi perder todo o
trabalho que se fazia para conquistar novos mercados, como os Estados
Unidos", diz o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias
Exportadoras de Carnes (Abiec), Antonio Camardeli.
A
interrupção, de acordo com a Abiec, abortou a venda de carne bovina in natura
para um parceiro que poderia mudar o fluxo de exportações, já que influencia
outros países que adotam sua lista de habilitação e baliza outros mercados
sofisticados, como Japão e Coréia. "Agora, sofremos com as armadilhas da
má intenção. O Chile, por exemplo, não só cortou as compras como fez uma sanção
econômica", ataca Camardeli.
O
Estado de S. Paulo
06/11/2007
Sanidade Vegetal
Fabíola
Salvador
Depois
do escândalo envolvendo cooperativas de leite que misturavam substâncias
químicas ao leite, entre elas água oxigenada e soda cáustica, o Ministério da
Agricultura anunciou ontem a realização de uma blitz federal nos
estabelecimentos produtores de suco e polpa de açaí localizados na região
metropolitana de Belém e nos municípios de Castanhal e Igarapé-Miri, no Pará.
De
acordo com o ministério, 12 fiscais federais da Inspeção Vegetal que atuam em
vários Estados do País vão verificar se as indústrias paraenses produtoras de
açaí adotaram as normas de padrão de qualidade e identidade já estabelecidas
pelo órgão, como o cuidado com as instalações, qualidade da água, destino dos
resíduos, a pasteurização e outros itens. O objetivo da ação é reduzir os
riscos de contaminação pela doença de Chagas em seres humanos pela ingestão do
alimento.
Dados do
Ministério da Saúde mostram que de janeiro a 21 de setembro foram notificados
84 casos de doença de Chagas aguda por transmissão oral no País. Quatro pessoas
morreram. Os casos foram descobertos em 13 municípios da Região Norte. Só no
Pará, os surtos ocorreram em 11 municípios. O alimento mais freqüentemente
envolvido foi o açaí.
Segundo
Marcus Prates, funcionário do ministério e coordenador da blitz, as indústrias
que não estiverem cumprindo as normas sanitárias ou em condições precárias
poderão ser interditadas. “Procuramos controlar possíveis casos de
contaminação, resguardando o consumidor e o mercado internacional”, disse a
diretora do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov),
Ângela Peres.
Zero Hora
07/11/2007
Sanidade Animal
Os
europeus aceitaram roteiro proposto pelos técnicos da Secretaria de Defesa
Agropecuária do Ministério da Agricultura e deverão avaliar, a partir de hoje,
a condição dos rebanhos e a inspeção sanitária desenvolvida nos Estados de Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.
A ordem
dos Estados não representa o cronograma das visitas. Fonte do ministério disse
que os europeus estarão divididos em três equipes e que a proposta inicial é
que uma fique responsável pelas avaliações relativas à saúde animal, e as
outras duas, pela inspeção sanitária.
O grupo
ficará no Brasil até o dia 19 de novembro e não até 14 de novembro, como
informou fonte do governo. A reunião final deve acontecer em Brasília, mas um
relatório com o resultado das auditorias só começará a ser elaborado quando os
europeus voltarem para Bruxelas. O documento deve ficar pronto em 45 dias.
Em
reunião realizada ontem, em Brasília, os europeus fizeram uma única imposição
ao governo brasileiro: eles querem visitar frigoríficos que têm autorização
para exportação de carne para a União Européia. As empresas inspecionadas serão
escolhidas pela secretaria a partir de uma lista elaborada pelos europeus.
Além dos
questionamentos previstos - sistema de rastreabilidade, controle da febre
aftosa e medidas de controle sanitário - , os europeus pediram informações
sobre o programa brasileiro de controle de resíduos e o sistema de Vigilância
Agropecuária Internacional. Também poderão visitar Rondônia, para avaliar as
condições da defesa sanitária do país na fronteira com a Bolívia.
Ontem, o
ministério reconheceu a condição de área livre de febre aftosa com vacinação ao
Mato Grosso do Sul. A decisão deverá ser publicada em instrução normativa
prevista para circular hoje.
Por
que é importante
- A UE é
o principal mercado para a carne brasileira.
- Em
2006, o país exportou 224 mil toneladas de produto in natura para o bloco,
vendas que renderam US$ 1 bilhão e, de acordo com a Confederação da Agricultura
e Pecuária do Brasil, o mercado europeu respondeu por 33% da receita desse
mercado.
- Desde
2005, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná não podem vender carne para o
bloco.
- Focos
de febre aftosa em Mato Grosso do Sul e Paraná tiraram os dois Estados desse
mercado. A carne de São Paulo também foi embargada.
Valor Econômico
22/11/2007
Sanidade Animal
De São
Paulo
O
presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação de
Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, defende que o governo
brasileiro trate a União Européia da mesma forma que o bloco tem tratado o
Brasil no que se refere à sanidade animal. Para Nogueira, o governo deveria
solicitar uma auditoria do sistema de rastreabilidade do gado bovino da UE para
avaliar o seu funcionamento. "Eles não exigem que [os sistemas brasileiro
e o europeu] têm de ser correlatos?", argumentou. Uma missão da Europa
visitou o país e não economizou exigências (ver matéria ao lado).
Reiterando
sua visão de que o rigor da União Européia é na verdade protecionismo comercial,
dada a competitividade da carne bovina brasileira, Nogueira disse que a
auditoria européia foi "severíssima" e se mostrou pouco otimista com
o resultado das inspeções. A expectativa de Nogueira é de que a União Européia
não deve habilitar agora novas áreas para exportar carne bovina aos países do
bloco, como alguns setores esperavam.
O
representante da CNA afirmou ainda que a UE deve manter a suspensão às compras
de carne bovina de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, que tiveram as
vendas ao bloco proibidas após focos de febre aftosa nos dois primeiros
Estados, no fim de 2005. Por fazer divisa com ambos, São Paulo também acabou
sendo embargado.
Nogueira
avalia, no entanto, que a UE não deve ampliar o embargo à carne bovina de
outros Estados brasileiros. "Eles precisam da nossa carne",
afirmou.
Ele
admitiu que o mercado europeu "é importante", mas argumentou que o
Brasil não pode aceitar todas as exigências. "O governo tem de se
posicionar".
Segundo
Nogueira, a UE é menos exigente com outros países dos quais importa carne
bovina, como Argentina e Uruguai, porque estes não têm volume de oferta
suficiente para afetar o mercado europeu. Já a oferta brasileira do produto
"incomoda".
Algumas
exigências feitas pela missão de técnicos europeus "não têm sentido",
na opinião de Nogueira. Ele criticou a exigência de que os frigoríficos que
exportam carne bovina para a UE só possam abater animais rastreados. Ocorre que
os frigoríficos também vendem para o mercado doméstico, onde a rastreabilidade
do gado não é obrigatória.
Criticou
ainda a exigência dos europeus de que o sumário, documento com as informações
sobre o animal destinado a abate, seja feito na propriedade, para depois ser
levado à agência de defesa sanitária, que emite a Guia de Trânsito Animal
(GTA). Além disso, o carregamento do lote de animais teria de ser acompanhado
por um agente da defesa. Atualmente, o sumário é feito no frigorífico, com a
certificadora. No modelo novo, se houver alguma inconformidade entre as
informações no documento e o animal, todo o lote seria devolvido e a
propriedade ficaria 90 dias sem poder fornecer bois para abate ao frigorífico
exportador. A medida, segundo ele, prejudicaria os pecuaristas. (AAR)
Valor Econômico
22/11/2007
Sanidade Animal
Mauro
Zanatta
Ainda
sob pressão de parceiros comerciais internacionais por medidas adicionais de
saúde e segurança alimentar, sobretudo da União Européia, o Ministério da
Agricultura espera contar com um orçamento mais robusto para as ações de defesa
agropecuária em 2008. Prevê, também, aumentar o volume de recursos para o
pagamento de subsídios ao prêmio do seguro rural, uma das bandeiras do governo
Lula nos agronegócios.
O
projeto de lei orçamentária anual enviada pelo Executivo ao Congresso destina
mais recursos para a rede de laboratórios de análise animal do ministério, para
a vigilância e fiscalização do trânsito de animais nas divisas estaduais, para
a erradicação da febre aftosa e para ações de prevenção e controle de doenças
animais.
O
cenário desenhado para o próximo ano pelo governo prevê, em contrapartida,
reduções nos recursos destinados à vigilância e fiscalização do trânsito de
animais nas fronteiras do país, ao controle de resíduos e contaminantes de
animais e vegetais e à inspeção industrial de produtos e derivados de origem
animal.
A
proposta de orçamento, que deve ser apreciada pelos parlamentares da Comissão
Mista de Orçamento até o fim de dezembro, eleva de R$ 99,5 milhões (verba
prevista para 2007) para R$ 200 milhões o volume de recursos reservado para
subsidiar o prêmio do seguro rural aos produtores. O orçamento da Embrapa
também será reforçado, de R$ 1,08 milhões para R$ 1,11 milhões.
Na
sensível área da defesa agropecuária, a previsão do governo dobra os recursos
para o Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa. O orçamento total deve
saltar 108%, para R$ 86,5 milhões em 2008, segundo a proposta. Missões técnicas
de parceiros comerciais do Brasil recorrentemente criticam a baixa aplicação de
recursos na prevenção da doença, que, após ressurgir em Mato Grosso do Sul, em
2005, motivou o embargo de 59 países à carne bovina nacional.
A
pressão internacional sobre o sistema de defesa agropecuária brasileiro também
parece ter surtido efeito na área de laboratórios de análise animal. O
Executivo elevou em 70% o volume de recursos reservados ao aparelhamento da
rede laboratorial. Os recursos disponíveis passam de R$ 17,7 milhões para R$
29,9 milhões. Os laboratórios de análise vegetal, por outro lado, perdem quase
20% do orçamento: de R$ 20,28 milhões para R$ 16,9 milhões.
O
orçamento da vigilância sanitária de animais nas divisas estaduais cresce 13%,
passando de R$ 2,5 milhões para R$ 2,82 milhões. Mas os recursos para
inspecionar o trânsito de animal nas fronteiras internacionais recua 17%, de R$
3,5 milhões para R$ 3 milhões. O fiscalização do trânsito de vegetais também
perde.
Pivô de
ameaças da União Européia de fechar suas fronteiras a todos os produtos
agropecuários brasileiros, as deficiências do programa de controle de resíduos
e contaminantes parecem ter sido relegadas a segundo plano em 2008. Pela
proposta orçamentária, o ministério prevê reduzir pela metade, de R$ 22,57
milhões para R$ 11 milhões, o volume de recursos reservados para a ação.
Da mesma
forma, o governo não renovou os recursos para a inspeção industrial e sanitária
de produtos e derivados de origem animal. Mesmo com os problemas de fraude no
leite longa vida descobertos pela Polícia Federal em duas cooperativas de Minas
Gerais, o ministério não terá os R$ 4,35 milhões previstos neste ano.
Para
2008, a defesa agropecuária deve ter R$ 24 milhões sob a rubrica prevenção,
controle e erradicação de doenças de animais. Também haverá R$ 7,55 milhões
para inspeção e fiscalização de produtos animais e outros R$ 2,5 milhões para
vegetais.
Mas não
haverá os R$ 65 milhões destinados à modernização da defesa agropecuária neste
ano. Além disso, não está prevista a renovação de R$ 17,62 milhões para
combater doenças da bovideocultura, R$ 3,68 milhões da suideocultura e outros
R$ 8,2 milhões da avicultura. As ações de controle da raiva e prevenção da
"vaca louca" no país também ficaram sem previsão de recursos de R$ 2
milhões destinados neste ano.
Zero
Hora
27/11/2007
Sanidade Animal
Nesta
quinta-feira, o debate sobre o contingenciamento de recursos destinados à
defesa sanitária que devem ser repassados aos Estados ganha força. Secretários
estaduais de agricultura de todo o país se reúnem, no Rio de Janeiro, para
elaborar um documento a ser encaminhado ao ministro da agricultura, Reinhold
Stephanes.
Além do
fim da restrição, o grupo pedirá que a inadimplência dos governos estaduais não
impeça o recebimento de verbas de sanidade, a exemplo do que ocorre nos
ministérios da Educação e da Saúde, adiantou o secretário substituto da
agricultura no Estado, Gilmar Tietböhl.
O Rio
Grande do Sul vive esse problema. Sem conseguir gastar a verba à disposição, o
Estado acaba não prestando contas e tem o acesso bloqueado a novos recursos. A
execução do montante de R$ 1,5 milhão recebidos em 2007 do Ministério da
Agricultura foi possível graças a estratégias que incluem termos de cooperação,
permitindo que o ministério compre carros e equipamentos para a defesa
sanitária gaúcha, explicou o superintendente federal da agricultura no Estado,
Francisco Signor.
Para
aplicação em 2008, o Estado solicitou R$ 2,8 milhões para ações do Departamento
de Produção Animal, mas a verba pode vir com cortes. A tendência é de liberação
de cerca de R$ 2 milhões, valor a ser confirmado por Brasília.
- Como
não há evento sanitário novo, a verba deve ser suficiente - disse Signor, ao
relatar que o auxílio do ministério extrapola o repasse de recursos por meio de
convênios, com apoio em diárias e deslocamento de técnicos da secretaria.
O
secretário gaúcho João Carlos Machado deve ir ao encontro do Rio de Janeiro,
onde o grupo também pedirá maior rigor na rastreabilidade dos bovinos, adiantou
Gilmar Viana, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado de
Agricultura.
A integração
entre o ministério e os Estados para a elaboração do relatório do governo
brasileiro à União Européia também estará em pauta.
06/12/2007
Sanidade Animal
Assis
Moreira
Um
comitê científico da União Européia examinou esta semana as primeiras
conclusões da missão veterinária enviada ao Brasil mês passado para avaliar o
controle sanitário da carne exportada para o mercado europeu. Agora, o comissário
de Saúde, Marcos Kiprianou, estuda a recomendação que fará sobre a entrada da
carne brasileira. A única certeza em Bruxelas é que a UE tem em mãos conclusões
"muito ruins" sobre o sistema de controle sanitário brasileiro.
Técnicos
europeus pediram dados complementares aos brasileiros com uma rapidez que
surpreendeu, já que normalmente isso só ocorre muitas semanas depois de
encerrada a missão.
A UE tem
prazo até o fim deste ano para apresentar ao Brasil as conclusões preliminares.
Até pela importância das exportações do Brasil, maior fornecedor de carne
bovina para os 27 países da UE, aumentam rumores e pressões para Bruxelas ser
dura com o produto brasileiro.
Segundo
fontes em Bruxelas, a UE examina se "convoca" autoridades competentes
do Ministérios da Agricultura antes do Natal para discutir as deficiências
encontradas no sistema de controle sanitário. Seria boa notícia: significa que
a UE não aplicaria de imediato medidas contra o país.
A
porta-voz de Kiprianou, porém, não confirma uma eventual reunião com os
brasileiros.
Por sua
vez, os produtores irlandeses aumentam a pressão. William Taylor, diretor de
uma associação chamada Fairness for Farmers in Europe (FFA), disse ter recebido
informações de que a missão teria constatado problemas tão sérios no Brasil que
o próprio Ministério da Agricultura teria proposto restringir exportações para
evitar uma ação mais dura de Bruxelas. Fontes brasileiras não confirmaram os
rumores. Mas o governo brasileiro pode, de fato, restringir exportações, porque
é ele quem habilita ou desabilita frigoríficos para exportar.
"Os
brasileiros estão vendendo carne com preço até 200% mais baixo porque produzem
em condições que nós aqui não podemos produzir", reclamou Taylor.
Antes de
retornar a Bruxelas, num reunião técnica sobre o Sisbov, a missão européia
teria considerado "um desastre" a operacionalização do novo sistema.
Constatou "inconformidades" em grandes confinamentos de bois de São
Paulo e Goiás.
07/12/2007
Avicultura
IURI
DANTAS
DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA
Levantamento
do Ministério da Agricultura indica que o Distrito Federal e nenhum dos 17
Estados e produtores de frango atendem a todas as exigências para o controle e
eliminação de doenças aviárias.
Num
ranking de "A" a "D", Santa Catarina teve "B", a
melhor colocação. Treze Estados, incluindo São Paulo, obtiveram "C".
O Rio e outros sete Estados ficaram com a pior posição.
O
objetivo do ranking é permitir que Estados proíbam o trânsito de aves vivas de
locais problemáticos na eventualidade de uma epidemia de gripe aviária ou novos
focos da doença de Newcastle, por exemplo.
A doença
de Newcastle, batizada com o nome da cidade inglesa onde foi identificada, é
uma infecção aguda do sistema respiratório e altamente contagiosa entre aves.
Não é transmitida a seres humanos.
Nestes
casos, o governo local precisa primeiro de uma autorização do Ministério da
Agricultura. Se tiver o aval da União, pode bloquear o tráfego das aves.
Segundo as normas instituídas pelo ministério, um Estado só pode barrar
produtos de "Estados com classificação equivalente ou inferior".
"Tínhamos
pressão muito grande para saber se os serviços de inspeção funcionavam. De
posse desses resultados podemos saber em que nível de prontidão estão estes
serviços", disse o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz.
O
ministério não divulgou as deficiências por Estado e não deve fazê-lo para
evitar rusgas com governadores.
De
acordo com o Ministério da Agricultura, receberam conceito "C":
Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande
do Sul, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal.
São
Estados considerados "intermediários", que "necessitam do
ministério na condução de procedimentos sanitários" por não terem gente ou
recursos suficientes para identificar, conter e eliminar focos de doenças como
a gripe aviária.
Já
Ceará, Espírito Santo, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Rio
Grande do Norte "necessitam de estruturação e do desenvolvimento de ações
pontuais para realização da vigilância às doenças."
07/12/2007
Sanidade Animal
Mauro
Zanatta
Em meio
à controvérsia gerada por interpretações divergentes sobre a amplitude da
retomada das exportações de carnes suína e bovina para a Rússia, o Ministério
da Agricultura esclareceu ontem (dia 6) os detalhes do acordo sanitário
assinado na semana passada em Moscou.
O
secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Inácio Kroetz, afirmou que
estão "automaticamente" autorizadas a vender ao mercado russo somente
as unidades frigoríficas habilitadas depois do embargo aplicado pela Rússia em
outubro de 2005.
"As
unidades que tinham a habilitação continuam aptas a exportar. O que houve
agora, nesta primeira parte do acordo, foi a ampliação dos Estados autorizados
a vender para a Rússia", disse. As 180 habilitações em vigor antes da
descoberta de focos de febre aftosa no Brasil foram extintas pelo embargo russo
às carnes nacionais.
O
secretário informou que o acordo prevê a habilitação de novas plantas somente a
partir de 2008 em auditorias conjuntas de autoridades sanitárias russas e
brasileiras. Uma missão veterinária dos parceiros virá ao Brasil no próximo ano
para habilitar as novas unidades frigoríficas. Ocorre que o acordo prevê,
ainda, a habilitação de novos abatedouros de acordo com os interesses
comerciais dos importadores russos. "Nesse caso, não temos o que fazer.
Eles decidem de quem vão comprar", afirmou Kroetz.
O
ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou, no último dia 23 de
novembro, a reabertura do mercado russo a partir de 1º de dezembro. De lá para
cá, entretanto, surgiram contestações do setor privado sobre o alcance da
permissão.
Nessa
nova etapa, a Rússia permitiu o embarque dos Estados de Santa Catarina, São
Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Amazonas e da região
sul do Pará. Até então, a Rússia só havia permitido a aquisição de carnes suína
e bovina dos Estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso, além da carne bovina
de Goiás e São Paulo.
A
desconfiança russa estava centrada nas dificuldades do governo brasileiro em
controlar os focos de febre aftosa e evitar falsificações na emissão de
certificados sanitários internacionais. Pressionado, o ministério passou a
emitir, desde agosto, o certificado em papel-moeda.
Em outra
frente de negociações para manter as vendas de carnes para a União Européia, o
secretário Inácio Kroetz confirmou que o Brasil praticou uma
"auto-limitação" para atender às exigências do parceiro comercial. A
medida, de acordo com ele, restringiu o abate de animais originários de zonas
com status de livre de aftosa.
"Foi
uma auto-limitação para auxiliar no entendimento dos europeus sobre o sistema
brasileiro", informou ele. Uma missão veterinária da UE constatou diversos
problemas de controles animais no país, principalmente no rastreamento de
bovinos em áreas de confinamento de gado.